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O Psicólogo

por André Flávio Nepomuceno Barbosa

Abril 2017

Entrevista Dr. Samuel Cavalcante : ODONTOLOGIA COMPORTAMENTAL.

Por andreflavionb em odontologia comportamental, Psicologia

16 de Abril de 2017

Cada tipo de personalidade se enquadra em um formato de rosto específico. E consequentemente possui características da forma do dente diferentes.

 

Essa semana bati um papo rápido e muitíssimo interessante com o Dr. Samuel Cavalcante, um dentista que está aliando odontológica + tecnologia + Psicologia: Odontologia Comportamental.

1 ) Doutor Samuel, primeiramente gostaria de saber um pouco de como chegou até aqui.

Bem , eu me formei em 2001 pela UFC , já na faculdade eu me interessei muito pela área de Periodontia, que é a especialidade, num termo bem coloquial (informal), que cuida das gengivas. Sempre via como muito interesse essa parte da relação dos problemas bucais com outras doenças do corpo. Foi partir dai que fiz minha primeira especialização e passei dois anos sendo professor da Faculdade de odontologia, na cadeira de Periodontia. Foi uma época muito gratificante e enriquecedora, aprendi muita coisa, apresentei trabalhos em congressos e orientei alunos, confesso que tenho saudades daquela época. Logo que me formei montei um consultório com minha esposa, na época namorávamos e tentei conciliar o consultório com a faculdade. A partir dai, essa bagagem me fez despertar para a Implantodontia, por devolver a capacidade dos pacientes de ter uma boa mastigação e principalmente de sorrir. A ortodontia veio como uma necessidade natural. Na ortodontia você estuda muito as relações faciais, perfil do paciente, sorriso. Já tinha feito vários cursos e aperfeiçoamentos na área de estética, mas quando apareceu o DSD ( digital simile design – planejamento digital do sorriso) e o visagismo que é a arte de criar uma imagem que demonstre as qualidades interiores de uma pessoa de acordo com as formas do rosto, então tudo se encaixou. Trabalhamos juntos, eu e minha esposa numa odontologia integrada e amamos fazer o que fazemos.

 

2) O que chamou-me muito atenção foi saber dessa junção entre psicologia + odontologia, como funciona a odontologia Comportamental?

 

Vou começar com uma pergunta. O que é beleza? Difícil entrar num consenso, mas podemos dizer que beleza é, por definição, simetria, equilíbrio, harmonia e proporção. Quando fiz o curso de DSD (digital smile design – Planejamento digital do sorriso), que é um planejamento digital do sorriso, vi que não somente os dentes teriam que ser proporcionais como teriam que combinar com a personalidade ou com a imagem que o paciente quer passar. Vou ser mais claro, imagine uma pessoa que exerce um cargo de chefia em uma empresa, mas quando sorri os dentes são pequenos e infantis, não combina nem um pouco. Hipócrates em seus estudos, identificou quatro tipos de personalidades diferentes: Colérico, Melancólico, Sanguíneo e Fleumático.

. E consequentemente possui características da forma do dente diferentes. E esse é o segredo! É buscar adequar o visual da pessoa para que a sua personalidade seja refletida na sua imagem da melhor maneira possível! Claro que todo esse processo é discutido e revisado com o paciente de acordo com seus desejos e objetivos.

 

3) E os resultados? Você nota que houve realmente uma mudança comportamental?

 

O legal de trabalhar na área de estética e reabilitação oral é que você vibra junto com os pacientes. Os resultados são muito mais satisfatórios, porque busca sempre um sorriso cada vez mais personalizado e com precisão. Por isso a busca cada vez maior por essa união do DSD e visagismo. Não é a busca de dentes brancos e perfeitos, é a busca pela harmonia e isso tem influência direta nos relacionamentos das pessoas. As pessoas que antes tinham vergonha de falar em público agora se sentem muito mais seguras. Um paciente já me relatou uma vez que ele foi promovido na empresa, por agora ele não tinha mais vergonha de dar uma opinião nas reuniões. Imagina como me senti na hora…

 

4) A odontologia afeta a carreira e comportamento das pessoas?

 

Um sorriso bonito tem forte apelo atrativo, sendo uma das principais regiões observadas no primeiro contato. Em um estudo realizado no King´s College London, o pesquisador Tim Newton conseguiu chegar à conclusão de que o bom estado dentário é capaz de transmitir a sensação de confiança, de bom relacionamento interpessoal e até de mais inteligência, influenciando diretamente em sua carreira. Uma outra realizada pela Kelton Research e divulgada pela Procter & Gamble mostrou que dentes esteticamente mais bonitos causam uma excelente primeira impressão servindo como cartão de visitas, atribuindo traços positivos para a sua personalidade. Nessa pesquisa, foi feita uma simulação de entrevistas de emprego apresentando duas fotos de cada possível candidato a vagas de emprego. Em uma das fotos as pessoas estavam com os dentes desalinhados, e/ou amarelados, e em outra com dentes mais brancos e um sorriso mais harmônico. O resultado foi surpreendente: Os candidatos com mais chances de serem contratados foram os que estavam com o sorriso mais bonito esteticamente para 53% dos avaliadores; e 53% deles ainda ofereceram propostas de salários mais altas quando a mesma pessoa aparecia com os dentes mais brancos. Outros dados levantados por essa pesquisa indicam que, para os participantes do estudo, a aparência é muito importante ao avaliar candidatos para emprego. Para eles uma boa aparência indica: Sucesso profissional (68%);Sucesso financeiro (64%);Integridade (52%).

 

5) Muito interessante. Talvez melhore até relacionamentos amorosos…

 

Mas é claro. Aí eu vou ter que citar mais um estudo (risos). Um estudo da Universidade de Queensland (UQ), na Austrália, examinou as possíveis associações entre uma vida amorosa feliz e dentes saudáveis. O objetivo desse estudo foi examinar as ligações entre qualidade de vida relacionada à saúde bucal. A pesquisa concluiu que aqueles que tendem a se distanciar em relações amorosas fazem menos visitas ao dentista, por outro lado, pessoas com mais confiança, com uma vida amorosa ativa, vão mais vezes ao dentista. Esse estudo foi composto por 265 pessoas e descobriu que a principal motivação para visita ao consultório veio de fatores como aparência estética. E você sabe quais são os procedimentos mais procurados? As lentes de contato e clareamento dental. Exatamente porque esses procedimentos passam a impressão dentes saudáveis. As lentes de contato dental são hoje um dos procedimentos mais procurados nos consultórios exatamente porque com um sorriso harmônico as pessoas se sentem mais confiantes em seus relacionamentos pessoais e esse procedimento associado ao DSD e visagismo tornam os sorrisos mais harmoniosos e consequentemente mais belos.

 

6) Para finalizar, como você imagina a odontologia no futuro? Quais evoluções e soluções?

A odontologia é muito dinâmica, está sempre se modernizando , seja através de novos materiais , seja de diagnóstico e planejamento. A atualização e estudo são muitos importantes. O uso do computador na parte do planejamento tem se tornado frequente, principalmente em casos onde a estética está presente, é uma tendência que não tem volta. Não só nos casos das lentes de contato, mas também em tratamentos envolvendo implantes dentários , como no caso das cirurgias guiadas por computador em que o planejamento é feito pelo cirurgião-dentista num programa de computador e a partir daí é gerado um guia para a colocação dos implantes. Sabe o que é bacana nesses casos, a cirurgia não tem cortes ,nem pontos, a cirurgia se torna mais rápida e a recuperação do paciente é fantástica.

 

Contatos e dúvidas: Samuel Cavalcante: (85) 40112774 ou WhatsApp (85) 9 86762774.

 

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“A série é inspiradora – no mau sentido – para que jovens depressivos e angustiados não percebam outra saída que não a própria morte.” André Trigueiro

Por andreflavionb em Depressão, Psicologia, suicidio

11 de Abril de 2017

Além do "Efeito Werther" (a constatação de que o suicídio é inspirador para pessoas fragilizadas psíquica ou emocionalmente) a série da Netflix promove também a vitimização do suicida, justificando o autoextermínio de Hannah por tudo o que lhe aconteceu.

“A série é inspiradora – no mau sentido – para que jovens depressivos e angustiados não percebam outra saída que não a própria morte.” André Trigueiro

“Como se os outros – quando não fazem exatamente aquilo que esperamos deles – pudessem ser responsabilizados pelo suicídio de alguém.” André Trigueiro

Essa semana, publico o texto critico do jornalista André Trigueiro sobre a série 13 reasons why (os 13 porquês) que está fazendo sucesso no Netflix (principalmente entre os jovens) . O texto está de forma integral. O jornalista André Trigueiro estuda desde 1999  o fenômeno do suicídio, inclusive publicando livros sobre o assunto “Viver é a melhor opção: a prevenção do suicídio no Brasil e no mundo” (Ed. Correio Fraterno, 2015). Segue o texto disponível no facebook do Jornalista.

“Foram tantas pessoas – próximas ou desconhecidas – que fizeram contato pelo face ou por e-mail pedindo que eu escrevesse algo sobre a série da Netflix “13 reasons why” (“Os 13 porquês”, baseado no best-seller homônimo lançado em 2007 sobre o suicídio de uma adolescente nos Estados Unidos) que reservei o dia de hoje para uma maratona cansativa assistindo aos filmes na telinha do computador.

Antes de compartilhar minha opinião sobre a série, segue um breve resumo do enredo (se você tem aversão a spoilers, pule os próximos dois parágrafos).

A série começa com um fato consumado: o suicídio da jovem Hannah Baker, e o cuidado que ela teve – antes de se matar – de registrar em 13 diferentes gravações as situações e os personagens que teriam de alguma forma contribuído para a decisão de se matar.

Bullying, drogas, depressão, assédio, homofobia, violência sexual e outros problemas recorrentes na escola onde Hanna estuda – e em tantas outras escolas pelo mundo – tornam a vida da protagonista uma experiência cada vez mais angustiante. Castigada por sucessivas decepções e frustrações, sem ter com quem compartilhar sua dor, ela se percebe subitamente sem saída. É quando resolve se matar.

Sou contra qualquer censura e não tenho competência para fazer crítica de cinema. Mas desde 1999 venho estudando o fenômeno do suicídio e um resumo desse trabalho encontra-se disponível no livro “Viver é a melhor opção: a prevenção do suicídio no Brasil e no mundo” (Ed. Correio Fraterno, 2015).

É assustadora a forma como a série da Netflix atropela várias recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre como se deve abordar o problema do suicídio em obras de ficção. A ótima ideia de expor o problema do suicídio entre jovens – um tema relevante que deveria inspirar mais roteiristas – ignorou alguns cuidados básicos indicados pelos profissionais de saúde especializados no assunto (“suicidólogos”).

Poucas vezes no cinema uma cena de suicídio foi mostrada com tamanho realismo e brutalidade. É uma aula mórbida sobre como promover o autoextermínio numa banheira. Violência desnecessária, tragicamente didática e infortunadamente sugestiva.

Antevendo as críticas, a Netflix abre o capítulo com um texto onde se lê a seguinte mensagem: “este episódio contém cenas que alguns espectadores podem considerar perturbadoras e/ou podem não ser adequadas para públicos mais jovens”. Será que funciona como álibi? Não para a OMS.

Após encerrar a maioria das gravações – em que aponta nominalmente os “culpados” por seu mal estar existencial – Hannah se sente melhor por ter “despejado tudo”. Diz ela no filme: “senti que talvez pudesse vencer isso. Eu decidi dar mais uma chance à vida. Desta vez eu ia pedir ajuda. Por que sei que não podia fazer isso sozinha”. É quando ela procura o profissional que oferece os serviços de “conselheiro” na escola onde estuda. Cria-se a expectativa de que finalmente Hannah terá a ajuda e o apoio necessários para sair do buraco em que se encontra.

A conversa com o conselheiro da escola é difícil, dolorida, e decepcionante. Hannah hesita em seguir em frente – principalmente quando o assunto é o estupro sofrido por um colega de escola – e deixa abruptamente a sala onde o atendimento acontecia, apesar dos apelos feitos pelo conselheiro para que continuasse a conversa. Ela fecha a porta, pára do lado de fora e fica na expectativa de que o profissional saia da sala e a procure. Mas isso não acontece. É a derradeira frustração antes de cometer suicídio. Não sem antes deixar gravado o relato sobre seu desapontamento com o profissional da escola que não agiu exatamente como ela esperava.

A série é inspiradora – no mau sentido – para que jovens depressivos e angustiados não percebam outra saída que não a própria morte. Pior: sugere que suicidas em potencial registrem em gravações ou anotações os “culpados” pelos seus infortúnios, e punam através do suicídio aqueles que lhe faltaram quando mais precisavam. O suicídio como pretexto para se vingar de alguém, aliás, é um comportamento patológico. Mas a personagem principal da série não parece alguém que possua algum distúrbio. Pelo contrário. O relato sereno e lúcido de Hannah nas gravações sugere que o suicídio possa ser a resposta esperada, previsível, diante de tantas desilusões e sofrimentos. Será? Segundo a Organização Mundial de Saúde, em pelo menos 90% dos casos, os suicídios estão relacionados a patologias de ordem mental, diagnosticáveis e tratáveis, principalmente a depressão.

Além do “Efeito Werther” (a constatação de que o suicídio é inspirador para pessoas fragilizadas psíquica ou emocionalmente) a série da Netflix promove também a vitimização do suicida, justificando o autoextermínio de Hannah por tudo o que lhe aconteceu. Como se diante de tantas experiências dolorosas, não houvesse mesmo outra saída. Como se os outros – quando não fazem exatamente aquilo que esperamos deles – pudessem ser responsabilizados pelo suicídio de alguém.

Num mundo onde o suicídio é caso de saúde pública, e o autoextermínio de jovens vem aumentando de forma preocupante, espera-se que outras séries possam ser mais cuidadosas e responsáveis na abordagem do tema.”

André Trigueiro

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“A série é inspiradora – no mau sentido – para que jovens depressivos e angustiados não percebam outra saída que não a própria morte.” André Trigueiro

Por andreflavionb em Depressão, Psicologia, suicidio

11 de Abril de 2017

Além do "Efeito Werther" (a constatação de que o suicídio é inspirador para pessoas fragilizadas psíquica ou emocionalmente) a série da Netflix promove também a vitimização do suicida, justificando o autoextermínio de Hannah por tudo o que lhe aconteceu.

“A série é inspiradora – no mau sentido – para que jovens depressivos e angustiados não percebam outra saída que não a própria morte.” André Trigueiro

“Como se os outros – quando não fazem exatamente aquilo que esperamos deles – pudessem ser responsabilizados pelo suicídio de alguém.” André Trigueiro

Essa semana, publico o texto critico do jornalista André Trigueiro sobre a série 13 reasons why (os 13 porquês) que está fazendo sucesso no Netflix (principalmente entre os jovens) . O texto está de forma integral. O jornalista André Trigueiro estuda desde 1999  o fenômeno do suicídio, inclusive publicando livros sobre o assunto “Viver é a melhor opção: a prevenção do suicídio no Brasil e no mundo” (Ed. Correio Fraterno, 2015). Segue o texto disponível no facebook do Jornalista.

“Foram tantas pessoas – próximas ou desconhecidas – que fizeram contato pelo face ou por e-mail pedindo que eu escrevesse algo sobre a série da Netflix “13 reasons why” (“Os 13 porquês”, baseado no best-seller homônimo lançado em 2007 sobre o suicídio de uma adolescente nos Estados Unidos) que reservei o dia de hoje para uma maratona cansativa assistindo aos filmes na telinha do computador.

Antes de compartilhar minha opinião sobre a série, segue um breve resumo do enredo (se você tem aversão a spoilers, pule os próximos dois parágrafos).

A série começa com um fato consumado: o suicídio da jovem Hannah Baker, e o cuidado que ela teve – antes de se matar – de registrar em 13 diferentes gravações as situações e os personagens que teriam de alguma forma contribuído para a decisão de se matar.

Bullying, drogas, depressão, assédio, homofobia, violência sexual e outros problemas recorrentes na escola onde Hanna estuda – e em tantas outras escolas pelo mundo – tornam a vida da protagonista uma experiência cada vez mais angustiante. Castigada por sucessivas decepções e frustrações, sem ter com quem compartilhar sua dor, ela se percebe subitamente sem saída. É quando resolve se matar.

Sou contra qualquer censura e não tenho competência para fazer crítica de cinema. Mas desde 1999 venho estudando o fenômeno do suicídio e um resumo desse trabalho encontra-se disponível no livro “Viver é a melhor opção: a prevenção do suicídio no Brasil e no mundo” (Ed. Correio Fraterno, 2015).

É assustadora a forma como a série da Netflix atropela várias recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre como se deve abordar o problema do suicídio em obras de ficção. A ótima ideia de expor o problema do suicídio entre jovens – um tema relevante que deveria inspirar mais roteiristas – ignorou alguns cuidados básicos indicados pelos profissionais de saúde especializados no assunto (“suicidólogos”).

Poucas vezes no cinema uma cena de suicídio foi mostrada com tamanho realismo e brutalidade. É uma aula mórbida sobre como promover o autoextermínio numa banheira. Violência desnecessária, tragicamente didática e infortunadamente sugestiva.

Antevendo as críticas, a Netflix abre o capítulo com um texto onde se lê a seguinte mensagem: “este episódio contém cenas que alguns espectadores podem considerar perturbadoras e/ou podem não ser adequadas para públicos mais jovens”. Será que funciona como álibi? Não para a OMS.

Após encerrar a maioria das gravações – em que aponta nominalmente os “culpados” por seu mal estar existencial – Hannah se sente melhor por ter “despejado tudo”. Diz ela no filme: “senti que talvez pudesse vencer isso. Eu decidi dar mais uma chance à vida. Desta vez eu ia pedir ajuda. Por que sei que não podia fazer isso sozinha”. É quando ela procura o profissional que oferece os serviços de “conselheiro” na escola onde estuda. Cria-se a expectativa de que finalmente Hannah terá a ajuda e o apoio necessários para sair do buraco em que se encontra.

A conversa com o conselheiro da escola é difícil, dolorida, e decepcionante. Hannah hesita em seguir em frente – principalmente quando o assunto é o estupro sofrido por um colega de escola – e deixa abruptamente a sala onde o atendimento acontecia, apesar dos apelos feitos pelo conselheiro para que continuasse a conversa. Ela fecha a porta, pára do lado de fora e fica na expectativa de que o profissional saia da sala e a procure. Mas isso não acontece. É a derradeira frustração antes de cometer suicídio. Não sem antes deixar gravado o relato sobre seu desapontamento com o profissional da escola que não agiu exatamente como ela esperava.

A série é inspiradora – no mau sentido – para que jovens depressivos e angustiados não percebam outra saída que não a própria morte. Pior: sugere que suicidas em potencial registrem em gravações ou anotações os “culpados” pelos seus infortúnios, e punam através do suicídio aqueles que lhe faltaram quando mais precisavam. O suicídio como pretexto para se vingar de alguém, aliás, é um comportamento patológico. Mas a personagem principal da série não parece alguém que possua algum distúrbio. Pelo contrário. O relato sereno e lúcido de Hannah nas gravações sugere que o suicídio possa ser a resposta esperada, previsível, diante de tantas desilusões e sofrimentos. Será? Segundo a Organização Mundial de Saúde, em pelo menos 90% dos casos, os suicídios estão relacionados a patologias de ordem mental, diagnosticáveis e tratáveis, principalmente a depressão.

Além do “Efeito Werther” (a constatação de que o suicídio é inspirador para pessoas fragilizadas psíquica ou emocionalmente) a série da Netflix promove também a vitimização do suicida, justificando o autoextermínio de Hannah por tudo o que lhe aconteceu. Como se diante de tantas experiências dolorosas, não houvesse mesmo outra saída. Como se os outros – quando não fazem exatamente aquilo que esperamos deles – pudessem ser responsabilizados pelo suicídio de alguém.

Num mundo onde o suicídio é caso de saúde pública, e o autoextermínio de jovens vem aumentando de forma preocupante, espera-se que outras séries possam ser mais cuidadosas e responsáveis na abordagem do tema.”

André Trigueiro