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O Psicólogo

por André Flávio Nepomuceno Barbosa

Fevereiro 2017

Entrevista com o terapeuta sexual, Enilson Junior. “Sexo fortalece as defesa imunológicas”

Por andreflavionb em Psicologia, terapia sexual

22 de Fevereiro de 2017

Além de fatores psicológicos, alterações hormonais, uso de medicamentos, abuso de drogas, doenças clínicas ou distúrbios psiquiátricos podem predispor ou manter a Disfunção.

 

Essa semana decidi entrevistar o terapeuta sexual, Enilson Junior, trazendo algumas questões básicas sobre as patologias sexuais e como funciona a terapia sexual.

 

Como você avalia sua vida sexual? A Terapia Sexual pode lhe ajudar a melhorar a qualidade das suas relações sexuais.

 

O que é a sexualidade?

A sexualidade está situada numa dimensão muito íntima do ser humano e não se reduz ao sexo genital, mas engloba elementos somáticos, emocionais, intelectuais e sociais do ser sexual. É no exercício da sexualidade que se estabelece vínculos, firma-se parceria, encontra-se apoio, e uma agradável sensação de completude. Além de ter um papel socializador, o sexo melhora a qualidade de vida, reforça as defesas imunológicas do organismo, queima calorias, fortalece músculos, melhora o sono e combate o estresse.

Quando a sexualidade deixa de ser uma atividade prazerosa e torna-se uma patologia?

Quando certas circunstâncias físicas e emocionais atrapalham e limitam o desempenho da sexualidade por um período de tempo prolongado e recorrente, causando vergonha, culpa e crise no relacionamento. Disfunção sexual refere-se à dificuldade sentida por uma pessoa ou casal durante qualquer estágio da atividade sexual, incluindo desejo, excitação ou orgasmo. As desordens sexuais mais comuns nos homens é a disfunção erétil, conhecida popularmente como “impotência sexual”, ejaculação precoce, retardo ejaculatório e falta de desejo sexual. Nas mulheres os transtornos mais comuns é a falta de desejo sexual, anorgasmia, dores genitais durante as relações sexuais e dificuldades de excitação. O distúrbio sexual pode ser primário ou secundário, cabe ao terapeuta sexual um diagnóstico diferencial do transtorno. Ansiedade de desempenho, baixa auto-estima, dificuldade de comunicação entre os parceiros, tabus, educação sexual repressiva na infância, estresse, traumas e histórico de abuso sexual podem estar relacionados com os transtornos sexuais.

Para complementar a avaliação diagnóstica, deve-se fazer encaminhamento para outros profissionais como endocrinologista, ginecologista, urologista ou psiquiatra.

O que é a Terapia Sexual?

Quando se estabelece um diagnóstico de transtorno sexual o paciente é convidado a fazer terapia sexual. A Terapia Sexual é a psicoterapia focada na sexualidade, costuma ser breve, focal, diretiva e contempla o momento vivencial presente do paciente, o aqui e agora. Costumamos dizer em terapia sexual que o transtorno é do casal, e não apenas do paciente queixoso, a responsabilidade pela qualidade da relação é de ambos, então o casal participa ativamente do processo terapêutico. Utiliza-se técnicas e exercícios para se melhorar a função sexual, esses exercícios são ensinados pelo terapeuta no consultório e praticados pelo casal na sua própria casa em um momento de intimidade, além dos procedimentos de mudanças comportamentais, utiliza-se técnicas de flexibilização de pensamentos e crenças que estejam atrapalhando a vida sexual do casal. O objetivo da Terapia Sexual é proporcionar uma maior assertividade na área da sexualidade e uma melhora significativa na qualidade do relacionamento. Para isso o terapeuta deverá se pautar na ética, bom profissionalismo, domínio teórico, experiência profissional, ser empático, compreensivo e saber lidar bem com sua própria sexualidade.

Uma pessoa solteira também pode fazer Terapia Sexual?

Sim, uma pessoa solteira pode buscar tratamento para sua disfunção sexual e pode se beneficiar muito do terapia sexual, porém as técnicas precisarão ser adaptadas ao paciente solteiro. No caso do paciente ser casado e seu cônjuge não participar das sessões de terapia, o paciente será treinado a praticar com seu parceiro as técnicas aprendidas.

Quais os benefícios da Terapia Sexual?

 

Estudos clínicos vem provando a efetividade do tratamento da Terapia Sexual para os distúrbios de origem psicológica e de combinação mista de fatores emocionais e orgânicos. Muitas pessoas se sentem satisfeitas após realizar terapia sexual, pois experimentam uma mudança duradoura na esfera intima e relacional. Investir em Terapia Sexual é investir na qualidade de vida, eu particularmente acredito que nunca é tarde para procurar ajuda e cuidar da própria saúde sexual.

 

Para contatos:

Enilson Ferreira da Silva Júnior

Psicólogo e Terapeuta Sexual

CRP – 11/11013

(85) 998057378 / (85)981253510

 

 

 

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Graves transtornos mentais podem ser apenas uma reação imunológica tratável

Por andreflavionb em Psicologia

16 de Fevereiro de 2017

 

imagens reais

(imagem real de Susannah Cahalan. A esquerda como está hoje (bem e ativa). A direita durante sua internação. Abaixo a direita IRM de seu cérebro mostrando inflamação.).

“…Algumas formas de esquizofrenia, transtorno obsessivo-compulsivo e depressão são na verdade causados por inflamação no cérebro.”.

Acabo de ler um livro que chamou-me atenção por se tratar de um caso real da luta de uma jovem e promissora repórter contra uma doença que estava lhe deixando completamente “insana”. Susannah Cahalan tinha uma vida produtiva e saudável quando, de repente, começou a ter alucinações, surtos, ataques de paranoia, dissociação, depressão, convulsão…

Recebeu inúmeros diagnósticos equivocados (a maioria sendo transtornos psiquiátricos).  O livro, que virou filme (Lançado em setembro de 2016 nos EUA, mas sem data prevista para o Brasil), conta todo o seu sofrimento até receber o correto diagnóstico : Uma inflamação no cérebro.

Veja trailler:

Com seu diagnóstico, fez o correto tratamento e voltou a sua vida normal. Depois de expor seu caso, recebeu vários relatos os quais descrevo abaixo:

“Uma professora de música via e escutava uma sinfonia completa do lado de fora da sua janela; uma jovem mulher ligou para um padre para pedir um exorcismo porque tinha certeza de que estava possuída pelo demônio; Outra mulher se odiava tanto que arrancou os cabelos e cortou os braços; Uma mulher de meia idade estava convencida de que seu marido era pai do filho da vizinha”. Trecho do livro “Insana” (Lançado em 2012 pela editora BelasLetras)

Todos as pessoas acima foram primeiramente diagnosticadas com diversos transtornos mentais: De Esquizofrenia até transtorno Bipolar. Apesar de histórias e relatos diferentes, existem duas semelhanças entre essas pessoas:

1 – Todas foram diagnosticadas equivocadamente.

2- Todas possuíam a mesma doença que acometeu Susannah Cahalan: Uma inflamação no cérebro que, a primeira vista, faz aparecer sintomas de doenças psiquiátricas graves.

A doença: Encefalite de receptor anti-NMDA. Essa é uma doença descoberta recentemente por um neuroimunologista chamado Dr. Joseph Dalmau (de origem Síria, mas naturalizado nos EUA).

Veja o seu relato:

Como a doença atua?

Os receptores NMDA podem ser encontrado em todo o nosso cérebro, mas a maior parte fica concentrada nos neurônios do hipocampo ( que é a parte de nosso cérebro responsável pela memória e aprendizado) e nos lobos frontais ( que, entre várias funções, é responsável pela nossa personalidade). Esses receptores recebem instruções de estimular ou inibir de um composto químico chamado neurotransmissor. Quando esses neurotransmissores estimulam uma célula, essa pode disparar um impulso elétrico. Quando inibem, impedem esse disparo. Essa conversa simples entre os neurônios é a base de tudo que fazemos.

Basicamente, os anticorpos de quem sofre de encefalite de receptor anti-NMDA (por algum motivo ainda não claramente explicado) atacam o cérebro bloqueando esses importantes receptores impedindo toda essa comunicação entre os neurotransmissores. O resultado disso, caso não tratado devidamente, pode ir desde sintomas psiquiátricos : Catatonia (quando a pessoa parece em transe. Ela está lá apenas de corpo presente, mas seu “eu” está preso na doença em algum lugar obscuro), psicose, perda de memória, convulsões (que podem ser confundidos com epilepsia) até levar a morte nos casos mais graves provocados por falência das funções vitais mais básicas (tais como falência do sistema respiratório).

Como diagnosticar?

Existem vários meios para identificar o problema que vai desde ressonância magnética cerebral, pulsão lombar até uma biopsia cerebral. São procedimentos que podem ajudar a detectar se existe de fato uma inflamação no cérebro e do que se trata (tipo de inflamação).

Tratamento

O tratamento inclui estereoides, imunoglobina intravenosa e troca de plasma. Paralelo ao tratamento medicamentoso, faz-se necessário acompanhamento terapêutico (recomenda-se a terapia cognitivo-comportamental) a fim de acompanhar a evolução do tratamento medicamentoso na redução dos sintomas dos quadros de psicose, mania, obsessão e etc.

“Os tratamentos imunoterápicos de primeira linha são os seguintes: corticoesteroides IV em altas doses, imunoglobulina ou plasmafere. Nos casos em que não há uma resposta adequada ao tratamento de primeira linha, podem ser acrescentadas ciclofosfamida ou rituximabe.” http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0021-75572012000300015

Uma pesquisa conduzida por Dr. Najjar (imunologista americano) postula que algumas formas de esquizofrenia, transtorno obsessivo-compulsivo e depressão são na verdade causados por inflamação no cérebro.

Esse texto de hoje é apenas para mostrar a importância de olhar o homem como a soma das partes e não apenas um organismo “setorizado”, como se um problema em um setor do organismo não exercesse nenhuma influencia nos demais (incluindo o psiquismo).   O homem é resultado de um conjunto forças biológicas, psíquicas, sociais e ambientais. Portanto, é dever de um bom psicólogo não fechar os olhos para essas forças que atuam no ser humano, estimulando o paciente a realizar, com seu médico, um checkup geral (e detalhado) e investigar seus hábitos;

  • Se este consume algum tipo de droga;
  • Se usa algum medicamento diariamente;
  • Como se alimenta (sabemos que uma alimentação com deficiência de nutrientes e/ou rica em gordura saturada pode influenciar a saúde mental) e, caso necessário, encaminhar a um nutricionista;
  • Se pratica exercícios (provado cientificamente que exercícios físicos propiciam bem-estar a nossa saúde mental e funcionam como prevenção de doenças).

Todos os pontos acima afetam diretamente a nossa saúde mental. Por isso é preciso humildade e aceitar que ninguém terá a resposta de todos os problemas (ou ter o conhecimento de todos os saberes científicos da psicologia, medicina, nutrição…) do homem, compartilhando informações (e solicitando ajuda) de profissionais de diversas áreas. Colocar um diagnóstico em dúvida é, antes de tudo, ético e inteligente.

André Barbosa

85 99651 3394

Terapeuta Cognitivo-Comportamental

Psicólogo Clinico

CRP 11/11089

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Graves transtornos mentais podem ser apenas uma reação imunológica tratável

Por andreflavionb em Psicologia

16 de Fevereiro de 2017

 

imagens reais

(imagem real de Susannah Cahalan. A esquerda como está hoje (bem e ativa). A direita durante sua internação. Abaixo a direita IRM de seu cérebro mostrando inflamação.).

“…Algumas formas de esquizofrenia, transtorno obsessivo-compulsivo e depressão são na verdade causados por inflamação no cérebro.”.

Acabo de ler um livro que chamou-me atenção por se tratar de um caso real da luta de uma jovem e promissora repórter contra uma doença que estava lhe deixando completamente “insana”. Susannah Cahalan tinha uma vida produtiva e saudável quando, de repente, começou a ter alucinações, surtos, ataques de paranoia, dissociação, depressão, convulsão…

Recebeu inúmeros diagnósticos equivocados (a maioria sendo transtornos psiquiátricos).  O livro, que virou filme (Lançado em setembro de 2016 nos EUA, mas sem data prevista para o Brasil), conta todo o seu sofrimento até receber o correto diagnóstico : Uma inflamação no cérebro.

Veja trailler:

Com seu diagnóstico, fez o correto tratamento e voltou a sua vida normal. Depois de expor seu caso, recebeu vários relatos os quais descrevo abaixo:

“Uma professora de música via e escutava uma sinfonia completa do lado de fora da sua janela; uma jovem mulher ligou para um padre para pedir um exorcismo porque tinha certeza de que estava possuída pelo demônio; Outra mulher se odiava tanto que arrancou os cabelos e cortou os braços; Uma mulher de meia idade estava convencida de que seu marido era pai do filho da vizinha”. Trecho do livro “Insana” (Lançado em 2012 pela editora BelasLetras)

Todos as pessoas acima foram primeiramente diagnosticadas com diversos transtornos mentais: De Esquizofrenia até transtorno Bipolar. Apesar de histórias e relatos diferentes, existem duas semelhanças entre essas pessoas:

1 – Todas foram diagnosticadas equivocadamente.

2- Todas possuíam a mesma doença que acometeu Susannah Cahalan: Uma inflamação no cérebro que, a primeira vista, faz aparecer sintomas de doenças psiquiátricas graves.

A doença: Encefalite de receptor anti-NMDA. Essa é uma doença descoberta recentemente por um neuroimunologista chamado Dr. Joseph Dalmau (de origem Síria, mas naturalizado nos EUA).

Veja o seu relato:

Como a doença atua?

Os receptores NMDA podem ser encontrado em todo o nosso cérebro, mas a maior parte fica concentrada nos neurônios do hipocampo ( que é a parte de nosso cérebro responsável pela memória e aprendizado) e nos lobos frontais ( que, entre várias funções, é responsável pela nossa personalidade). Esses receptores recebem instruções de estimular ou inibir de um composto químico chamado neurotransmissor. Quando esses neurotransmissores estimulam uma célula, essa pode disparar um impulso elétrico. Quando inibem, impedem esse disparo. Essa conversa simples entre os neurônios é a base de tudo que fazemos.

Basicamente, os anticorpos de quem sofre de encefalite de receptor anti-NMDA (por algum motivo ainda não claramente explicado) atacam o cérebro bloqueando esses importantes receptores impedindo toda essa comunicação entre os neurotransmissores. O resultado disso, caso não tratado devidamente, pode ir desde sintomas psiquiátricos : Catatonia (quando a pessoa parece em transe. Ela está lá apenas de corpo presente, mas seu “eu” está preso na doença em algum lugar obscuro), psicose, perda de memória, convulsões (que podem ser confundidos com epilepsia) até levar a morte nos casos mais graves provocados por falência das funções vitais mais básicas (tais como falência do sistema respiratório).

Como diagnosticar?

Existem vários meios para identificar o problema que vai desde ressonância magnética cerebral, pulsão lombar até uma biopsia cerebral. São procedimentos que podem ajudar a detectar se existe de fato uma inflamação no cérebro e do que se trata (tipo de inflamação).

Tratamento

O tratamento inclui estereoides, imunoglobina intravenosa e troca de plasma. Paralelo ao tratamento medicamentoso, faz-se necessário acompanhamento terapêutico (recomenda-se a terapia cognitivo-comportamental) a fim de acompanhar a evolução do tratamento medicamentoso na redução dos sintomas dos quadros de psicose, mania, obsessão e etc.

“Os tratamentos imunoterápicos de primeira linha são os seguintes: corticoesteroides IV em altas doses, imunoglobulina ou plasmafere. Nos casos em que não há uma resposta adequada ao tratamento de primeira linha, podem ser acrescentadas ciclofosfamida ou rituximabe.” http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0021-75572012000300015

Uma pesquisa conduzida por Dr. Najjar (imunologista americano) postula que algumas formas de esquizofrenia, transtorno obsessivo-compulsivo e depressão são na verdade causados por inflamação no cérebro.

Esse texto de hoje é apenas para mostrar a importância de olhar o homem como a soma das partes e não apenas um organismo “setorizado”, como se um problema em um setor do organismo não exercesse nenhuma influencia nos demais (incluindo o psiquismo).   O homem é resultado de um conjunto forças biológicas, psíquicas, sociais e ambientais. Portanto, é dever de um bom psicólogo não fechar os olhos para essas forças que atuam no ser humano, estimulando o paciente a realizar, com seu médico, um checkup geral (e detalhado) e investigar seus hábitos;

  • Se este consume algum tipo de droga;
  • Se usa algum medicamento diariamente;
  • Como se alimenta (sabemos que uma alimentação com deficiência de nutrientes e/ou rica em gordura saturada pode influenciar a saúde mental) e, caso necessário, encaminhar a um nutricionista;
  • Se pratica exercícios (provado cientificamente que exercícios físicos propiciam bem-estar a nossa saúde mental e funcionam como prevenção de doenças).

Todos os pontos acima afetam diretamente a nossa saúde mental. Por isso é preciso humildade e aceitar que ninguém terá a resposta de todos os problemas (ou ter o conhecimento de todos os saberes científicos da psicologia, medicina, nutrição…) do homem, compartilhando informações (e solicitando ajuda) de profissionais de diversas áreas. Colocar um diagnóstico em dúvida é, antes de tudo, ético e inteligente.

André Barbosa

85 99651 3394

Terapeuta Cognitivo-Comportamental

Psicólogo Clinico

CRP 11/11089