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O Psicólogo

por André Flávio Nepomuceno Barbosa

Botox: para além da estética.

Por andreflavionb em odontologia comportamental

18 de dezembro de 2017

Botox: para além da estética

Essa semana entrevistei o dentista, Dr. Samuel Cavalcante, sobre o uso do Botox para outras modalidades, para além da estética.

Essa semana entrevistei o dentista, Dr. Samuel Cavalcante, sobre o uso do Botox para outras modalidades, para além da estética.
Além de ser conhecido por oferecer aos seus pacientes uma tecnologia de ponta que une psicologia e odontologia, o DSD (Digital Smile Design), onde se analisa a personalidade do paciente e a melhor estética para seu sorriso (que seja coerente com sua personalidade), o Dr. Samuel vem utilizando o botox para aliviar dores de cabeça tensionais  , bruxismo e  tratamento do sorriso gengival (antes somente possível com cirurgias).

André: De uma maneira bem clara e objetiva, para que a gente possa entender, quais as demais finalidade do botox na odontologia? 

Dr. Samuel: Olha, a toxina botulínica , mais conhecida pelo nome comercial , Botox, hoje é muito utilizada pelos dentistas para fins estéticos pelos pacientes que desejam uma suavização das rugas e prevenção  desses sinais da idade e também para o sorriso gengival.

Botox para o fim do sorriso gengival

Contudo seu uso na odontologia não se limita somente à estética, em alguns casos é utilizada  para resolver ou atenuar alguns problemas bucais e orofaciais. O mais comum deles é o bruxismo que são aqueles pacientes que sofrem em apertar ou ranger os dentes durante o dia ou à noite, problema que afeta 30 % dos brasileiros. Em casos mais avançados os pacientes desgastam tanto o dente rangendo que são necessários procedimentos mais complexos no tratamento desses dentes desgastados. A toxina botulínica nesses casos é injetada no músculo da mastigação, em pequenas proporções, para diminuir a sua potência e estímulo, assim o músculo não tem força para desgastar o dente, mas continua com sua força mastigatória.

Bruxismo um problema que afeta 30% dos brasileiros

 Outro uso é associado ao tratamento das dores orofaciais de origem muscular. A toxina bloqueia a liberação da acetilcolina que é um neurotransmissor que transporta mensagens do cérebro para as fibras musculares , sem ordens o músculo pára de movimentar e relaxa, consequentemente as dores vão embora. A toxina começa a atuar quatro dias depois da aplicação  e pode durar até 6 meses, quando está indicada outra aplicação.A vantagem desse recurso terapêutico é apresentar um resultado eficaz e rápido, sem quase nenhuma contraindicação.O intervalo mínimo é de 90 dias. Se esse prazo for desrespeitado, há o risco de o tratamento não surtir o efeito esperado.
Explica um pouco o que é bruxismo?
O bruxismo e o apertamento dental também podem levar à hipertrofia dos músculos da mastigação, entre eles o Masseter e o Temporal. Esse aumento volumétrico dos músculos mastigatórios pode acometer ou não a função, mas geralmente, afeta a estética, ficando com a face com um aspecto mais quadrado. A utilização da toxina em pontos estratégicos ao longo do músculo proporciona um visível afinamento da face devido ao relaxamento do mesmo alcançando assim um aspecto facial mais delicado.
E ajuda a aliviar até a enxaqueca crônica?
Sim.  O botox pode ser usado para ajudar no alívios dos sintomas , especialmente dos casos onde o bruxismo é tão intenso  e a contração muscular é excessiva da região da que pode causar essas dores de cabeça. Os sintomas das disfunções na ATM atingem cerca de 30% da população no mundo, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (ONU). O Botox relaxa a musculatura e faz com que as dores de cabeça, nuca, pescoço e face tenham um alívio mais rápido.A toxina começa a atuar quatro dias depois da aplicação  e pode durar até 6 meses, quando está indicada outra aplicação.A vantagem desse recurso terapêutico é apresentar um resultado eficaz e rápido, sem quase nenhuma contraindicação.

Botox ajuda aliviar a enxaqueca crônica

Mudando um pouco de assunto, conversamos já sobre essa junção entre psicologia + odontologia, como funciona a odontologia Comportamental?

Vou começar com uma pergunta. O que é beleza? Difícil entrar num consenso, mas podemos dizer que beleza é, por definição, simetria, equilíbrio, harmonia e proporção. Quando fiz o curso de DSD (digital smile design – Planejamento digital do sorriso), que é um planejamento digital do sorriso, vi que não somente os dentes teriam que ser proporcionais como teriam que combinar com a personalidade ou com a imagem que o paciente quer passar. Vou ser mais claro, imagine uma pessoa que exerce um cargo de chefia em uma empresa, mas quando sorri os dentes são pequenos e infantis, não combina nem um pouco. Hipócrates em seus estudos, identificou quatro tipos de personalidades diferentes: Colérico, Melancólico, Sanguíneo e Fleumático.

E consequentemente possui características da forma do dente diferentes. E esse é o segredo! É buscar adequar o visual da pessoa para que a sua personalidade seja refletida na sua imagem da melhor maneira possível! Claro que todo esse processo é discutido e revisado com o paciente de acordo com seus desejos e objetivos.

Muitíssimo obrigado mais uma vez por compartilhar um pouco de seu conhecimento conosco! 

Samuel: Eu que agradeço e estou sempre a disposição!

Contatos e dúvidas: Samuel Cavalcante: (85) 40112774 ou WhatsApp (85) 9 86762774.

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BORDERLINE: QUANDO É AMOR OU DEPENDÊNCIA?

Por andreflavionb em Psicologia, suicidio, Transtorno de personalidade boderline

30 de novembro de 2017

 

 

Instabilidade emocional, sensação de inutilidade, insegurança, impulsividade e relações sociais prejudicadas. Imagem retirada: http://images1.minhavida.com.br/imagensconteudo/17514/mediabox%20luto%20relacionamentos_17514_242_427.jpg

 

 

BORDERLINE: QUANDO É AMOR OU DEPENDÊNCIA?

Mesmo depois de 4 meses solteira, Luanne continua questionando-se o que fez de errado para que seu namoro de 2 anos chegasse ao fim? Fez tudo que o namorado pediu: Afastou-se dos amigos, deu todas as senhas de suas redes sociais, só saía se fosse com o ele e excluiu alguns amigos de suas redes para evitar confusão.

Comenta com a família, geralmente chorando, que nunca mais vai encontrar alguém, que tem medo de morrer sozinha, apesar de nunca ter ficado solteira por mais de 4 meses. Sempre quando achava que um namoro estava para acabar, ela ja tratava de garantir um paquera que fosse um forte candidato a futuro namorado. 

O mais estranho, comentário geral, era a facilidade de se envolver. Namora fulano por 1 mês e já esta se declarando na redes sociais. “O amor de minha vida!”

Criou uma conta fake no instagram e facebook para seguir o ex e saber de sua vida. Para seu desespero, descobriu que ele está saindo com outra. Comenta com as amigas que sente uma dor profunda, na alma… Uma dor insuportável… que está perdendo a alegria de viver.

Hoje os pais de Luanne comentam que ela piorou a instabilidade de humor, está comendo demais, bebendo demais, trancou a faculdade e irrita-se facilmente por qualquer coisa. Fala aos pais que sente um vazio, como se precisasse de alguém para se sentir completa, mas sempre sentiu isso a vida inteira.

 

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Lícia sempre foi uma pessoa intensa. Daquelas que ou ama ou odeia. Uma pessoa que se entrega de corpo e alma quando gosta de alguém, mas que vive a mesma intensidade de dor quando se decepciona com essas pessoas. É como se parte dela morresse ao ver-se traída, seja por amigas ou namorado.

Costuma achar (e ter quase certeza) que as pessoas ficam falando dela quando chega em algum canto e vê alguém cochichando ou olhando de lado. Inclusive ja pegou várias brigas por isso. Quando questionada sobre o motivo, apenas fala “Eu tenho certeza que ela não gosta de mim! Ou que estava falando mal de mim!”.

Lícia foi miss, mas se considera feia e desinteressante. É uma pessoa extremamente carente e hoje está sofrendo violentamente por um relacionamento de 4 meses que terminou. Perdoou a traição do namorado com outra menina a fim de manter o relacionamento, mas foi Roberto que quis o fim, alegando querer “curtir mais a vida com os amigos”.

Sentir-se trocada, abandonada, rejeitada, está sendo pesado demais para Licia, que confessa ter pensado se matar já algumas vezes.

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O que Luanne e Lícia tem em comum é que as duas sofrem do transtorno de personalidade boderline.

Um transtorno extremamente complicado e que afeta todas as áreas da vida de uma pessoa (profissional, familiar, afetivo… ).

Um dos traços característicos do transtorno de personalidade Borderline (que refere-se viver na borda, no limite) é instabilidade no humor,  no comportamento e e nos relacionamentos.

Geralmente são pessoas que precisam da aprovação dos outros para se sentir bem consigo. Submetem-se aos desejos e ao controle ( incluindo tolerar invasão de privacidade) dos outros para sentirem-se aceitos. Podem apresentar um ciúmes excessivo dos parceiros por medo de abandono.

Alguns tem a necessidade de estar sempre em um relacionamento (São pessoas que você nunca viu solteiro por muito tempo) e que, em um espaço curtíssimo de tempo, já está se declarando apaixonado.

Borders sentem-se inferiores (baixa autoestima). Às vezes, evitam contato com as outras pessoas por  medo de não se sentir aceito. Não reagem bem a criticas. Aliás, são pessoas que geralmente temos que “pisar em ovos” para realizar qualquer crítica por menor que seja. 

Outro traço característico é impulsividade (ou compra demais, ou/e come demais, ou/e promiscuidade nas relações….) , tomam decisões e atitudes impulsivas (e geralmente se arrependem na sequencia). São pessoas que confiam demais nas emoções.

Relatam sentir uma angústia/sensação de vazio.

É difícil também saber o que um border sente pelo outro; Se é amor ou se é simplesmente um traço da doença; a dependência de ter um relacionamento para se sentir completo… Custe o que custar.

Não existe medicação que cure o transtorno, embora seja necessário, em casos graves, alguma medicação que ajude no controle da depressão e impulsividade juntamente com a terapia.

Hoje o tratamento mais efetivo no controle da doença é a psicoterapia. Vários estudos apontam a Terapia Cognitivo-Comportamental como a terapia de maior eficiência no tratamento, especificamente: a terapia dialética.

 

O ponta pé inicial é buscar ajuda.

 

Procure um psicólogo

André Barbosa

Psicólogo Clínico/ CRP 11/11089

Terapeuta Cognitivo-Comportamental

85 988139593

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4 grandes erros que podem destruir um relacionamento.

Por andreflavionb em paixão, psicólogo, relação ruir

27 de novembro de 2017

 

4 grandes erros que podem destruir uma relação. *imagem retirada facebook/oposicologooficial

4 grandes erros que podem destruir um relacionamento.

A pergunta dessa semana representa uma série de seguidores que me perguntam quase diariamente sobre a “fórmula” de um relacionamento feliz e blindado.

Jéssica: “Olá, estou iniciando uma relação agora com alguém muito especial, estou muito empolgada e vejo você comentar bastante sobre relacionamentos, queria saber quais as dicas para ter uma relação saudável e duradoura? Detalhe: sou muito ciumenta.

Primeiramente, quero deixar muito claro que não acredito em soluções mágicas, daquelas “pré-fabricadas” para vender em todos os tamanhos e todos gostos nas prateleiras das livrarias. Isso porque cada caso é um caso. Não existem soluções gerais, que servem para todos. É como achar que uma dieta para ganho de massa muscular de uma amiga pode servir para mim.

Então é preciso analisar o comportamento de cada um detalhadamente: quais os pontos fortes, pontos fracos da relação, o que está incomodando… E isso livro algum, ou texto algum poderá fazer. Apenas um bom psicólogo poderá te ajudar.

Agora o que posso adiantar são alguns comportamentos que tenho observado em minha clínica que podem fazer uma relação ruir ou acabar. Poderia iniciar falando sobre deslealdade, desrespeito, traições, mas isso seria quase um senso comum, pois são erros que todos sabemos que podem destruir uma relação.

Portanto, Listarei 4 grandes erros que podem destruir uma relação e que não são tão claros assim (lembrando que não se trata também de regras gerais) ;

1 – Afastar-se dos amigos;

Tenho ressaltado em vários textos e artigos sobre a importância do meio social. Viver em sociedade não é uma escolha, é uma necessidade. Assim como você não escolhe ter fome, sede, também não escolhemos a necessidade de ter uma vida social… Somos um produto de uma evolução genética, certo? Então tudo que você precisa saber é que somente os homo sapiens que viviam em grupos sobreviveram para contar a história, dai vários estudiosos afirmarem que o homem é um animal social.

Portanto, quando afasto-me dos meus amigos, eu acrescento um peso dessa necessidade nas costas do meu namorado. Mesmo de forma inconsciente, é como se eu dissesse pra mim “se eu perder meu namorado, ficarei sozinha no mundo”, daí a cobrança passa triplicar, afinal de contas “eu troquei meus amigos por você!”.

2 – Liberar senhas de redes sociais para acalmar o ciúmes do outro;

O ciúmes é natural (já falei disso outras vezes nesta coluna (vide coluna sobre ciúmes patológico), não escolhemos sentir ciúmes. Até um cachorro sente ciúmes de seu dono. Uma criança sente ciúmes dos brinquedos ou da mãe… O problema ocorre quando um começa a questionar as redes sociais do outro, querendo saber detalhes “quem foi essa que curtiu sua foto?”, “de onde você a conhece?”, “ainda se falam?”… Como se o outro não tivesse uma história de vida antes de me conhecer, e para acalmar todos esses questionamentos o namorado cai na bobagem de liberar as senhas. Ocorre que, fazendo isso, o namorado acaba premiando o ciúmes da namorada (e vice-versa).

O ciumento se acalmará momentaneamente pela satisfação (temporária) de controle sobre a vida do outro, porém, depois que essa satisfação perder a força no cérebro, o ciumento irá querer aumentar o leque do controle. Isso significa mais invasão de privacidade.

Isso também significa “Na realidade eu não confio em você de forma alguma, mas consigo manter nosso relacionamento se você me provar todos os dias que não vai me trair”. Como um relacionamento desses pode dar certo?

3 – Perder o romantismo.

Parar de elogiar o namorado (a). Parar de fazer coisinhas bonitinhas é um bom caminho para ou um término de namoro, ou uma relação onde os dois se dizem juntos, mas na realidade mais parecem parceiros de solidão. “Não termino o namoro porque não quero ficar sozinho.”.

É muito importante continuar elogiando. Isso mantém vivo no seu cérebro a chama da admiração pelo outro. Lembre-se que o nosso cérebro tem uma tendência natural a reduzir a força dos estímulos prazeroso quando esses estímulos são adquiridos rotineiramente. Justamente por isso alguns dependentes químicos acabam morrendo ou pondo suas vidas em risco, pois, por quererem sentir o mesmo nível de prazer inicial de uma determinada droga (ex: heroína), acabam tendo que aumentar as doses cada vez mais e mais…

“O que isso tem a ver com uma relação amorosa?”.

O efeito que seu namorado tem em seu cérebro (principalmente quando ainda está na fase de paixão), é muito parecido com o efeito que uma droga provoca no cérebro. A tendência desse efeito ir diminuindo com o tempo também é a mesma. Por isso ficar sempre elogiando, fazendo coisas diferentes, é importante, pois passa um recado de reativação da admiração e amor para o hipocampo (parte do cérebro responsável pela memoria afetiva, entre outros… ).

Mas cuidado com o exagero, pois isso pode cair em um erro que afeta negativamente a relação, como por exemplo; transformar sua rede social em um book do namoro. Sair feito uma metralhadora de “te amos” uma semana depois de começar a relação, e “você é o homem da minha vida”. Fazendo isso, o casal acaba vivendo sobre o risco das impulsividades, tomando decisões e atitudes precipitadas, pulando as fases de um relacionamento de uma forma rápida demais.

4 – Sentir que precisa estar em um relacionamento para se sentir completo.

O principal de todos esses erros listados acima é quando o outro sente que precisa estar em um relacionamento para se sentir completo. Isso é um forte indício de algum problema associado a um transtorno psíquico. Geralmente essas pessoas (que possuem essa necessidade de estar sempre em um relacionamento para se sentir completas), não sabem ficar muito tempo sozinhas, e quando estão sozinhas ficam se sentindo vazias, ansiosas, tristes e se consideram impulsivas.

Também, geralmente, essas pessoas possuem um histórico de relações instáveis e intensas. Envolvendo bastante sofrimento. Nesse caso, a maior dica é buscar ajuda de um bom psicólogo e não jogar a conta (e responsabilidade) da nossa felicidade (e estabilidade emocional) na mão do outro.

André Barbosa

Psicólogo Clínico

Cognitivo-Comportamental

CRP 11/11089

Contato: 85 98813-9593

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Atendimento online: Por que sim?

Por andreflavionb em atendimento online, psicologia online, terapia online

14 de novembro de 2017

ATENDIMENTO ONLINE: POR QUE SIM?
*imagem retirada de www.amenteemaravilhosa.com.br

 

Atendimento online: Por que sim?

Recebi uma pergunta por direct de uma seguidora, estudante de psicologia, sobre o atendimento online. Segue.

“Olá, sou estudante de psicologia e estamos discutindo bastante em sala sobre atendimentos online. É eficiente? Antiético? O que você acha disso?”.

Primeiramente, obrigado por sua pergunta. Faz um bom tempo que estava querendo falar sobre essa questão. Vamos lá então…

Certamente não posso falar por todos profissionais da psicologia de diferentes abordagens, mas falando especificamente da terapia cognitivo-comportamental (atendimento clínico individual), não consigo visualizar perdas entre atendimentos online e presencial. Digo isso até porque um dos principais nomes da cognitivo-comportamento no mundo, Jesse H. Wright, tem inclusive visto ganhos na terapia online que a presencial não tem, como por exemplo; tratamento inicial para transtornos graves como síndrome do pânico, agorafobia, depressão maior… são alguns transtornos que, na fase aguda da doença, o paciente não consegue sequer sair de casa. Se estes pacientes recebem terapia online em casa, podem reduzir os sintomas através de técnicas e protocolos cognitivos-comportamentais e adquirirem força para sair de casa e participar da terapia presencial posteriormente. Portanto, ponto para o atendimento online.

Sem contar as pessoas que buscam terapia e que não encontram atendimento em sua cidade ou pessoas que estão fazendo terapia, mas que, por algum motivo, precisam viajar ou se mudar de cidade e querem continuar a terapia com o seu terapeuta, ou pessoas que simplesmente ouviram falar do trabalho de um determinando psicólogo e querem fazer terapia com o mesmo, mas moram distante. Outro ponto para o atendimento online.

Vale lembrar que a cognitivo-comportamental é uma abordagem da psicologia que trabalha reestruturando crenças, pensamentos, regulando emoções e modificando comportamentos. Por ser uma ciência baseada no funcionamento cerebral teve uma boa influencia da tecnologia e avanços científicos (ex: neurociência, neuropsicologia, mindfulness… ).

*imagem retirada de facebook.com/opsicologooficial.

Portanto, esse casamento com a tecnologia já era previsível, usamos desde monitoramento de estruturações cognitivas dos pacientes por aplicativos, além de controle da ansiedade e foco/atenção (também através de aplicativos), até monitoramento de qualidade do sono (todas essas ferramentas mencionadas uso em meu consultório e ajuda muito na estratégia terapêutica do paciente).

Nos EUA e boa parte da Europa, as sessões de terapia cognitivo-comportamental já são permitidos atendimento online praticamente desde a invenção da internet. Para um mundo cada vez mais conectado e que até procedimentos cirúrgicos estão sendo realizados online (uma pessoa em outro país controla/supervisiona e até realiza procedimentos cirúrgicos através da robótica) , o atendimento online é um movimento até normal de acontecer.

 

Quanto a eficiência da terapia online, isso vai depender de profissional para profissional. Alguns se adaptam. Outros não. Isso é normal. Porém, desde que a conexão de internet seja boa e o local de atendimento (tanto do psicólogo quanto do paciente) sejam adequados, posso até arriscar dizer que não fará diferença sendo presencial ou online. Veja bem, o que quero dizer é que se você ficar feliz com o atendimento presencial do seu terapeuta, provavelmente você ficará feliz com o atendimento online do mesmo. Agora se você não gostou do atendimento online, provavelmente poderá não gostar ao vivo. Tudo é uma questão de adaptação e empatia com o psicólogo e da sua própria adaptação como paciente com essa tecnologia.

 

Na cognitivo-comportamental trabalhamos com muitas técnicas que são acompanhadas por material psicoeduticativo, formulários, protocolos, aplicativos… E o atendimento online até facilita essa troca de informação e acompanhamento. Todo material de acompanhamento, por exemplo, pode ser enviado por email ou por Skype na mesma hora do atendimento online.

*imagem retirada de facebook.com/opsicologooficial

Talvez para psicólogos que possuem como abordagem a psicanalise, o atendimento online seja um pouco complicado. Falo da psicanalise tradicional; aquela em que paciente se posiciona deitado no divã. Porém, mesmo assim, existe um aplicativo disponível que se propõe atender pacientes apenas por profissionais da abordagem psicanalítica.

Fora isso não consigo verificar desvantagens. E acho que foi até um grande avanço do conselho federal de psicologia acompanhar esse avanço tecnológico, pois certamente, caso fosse proibido, seria uma espaço ocupado por pessoas sem capacitação nenhuma, podendo causar mais danos do que beneficio a saúde mental do paciente.

Referente a ética, todo o procedimento de atendimento online é respaldado pelo conselho federal de psicologia (ao final disponho o texto do conselho que regula esse tipo de atendimento).

Agora tenho uma critica pessoal nessa regulação: os atendimentos assíncronos foram permitidos pelo conselho. Assíncronos são atendimentos onde existe uma troca de dados, mas não precisa ser online. Em outras palavras, foi aberto uma brecha para atendimentos realizados por mensagem automática (whatsapp) ou email. Entendo que o conselho deva ter pensando em pessoas que perderam a voz e não podem falar (conheço muitos casos), mas o que impede desse atendimento ser feito por Skype utilizando o chat? Por que digo isso? Justamente porque não existe nenhuma garantia de que quem está te respondendo é realmente o psicólogo contratado, além de questões de sigilo. Essa é uma critica minha.

Fora isso vejo com bons olhos esse avanço da psicologia e parabenizo os psicólogos que estão expandindo nossa linda ciência para ajudar pessoas em todos os cantos do país e do mundo através do atendimento online.

Portanto, espero ter esclarecido sobre o tema. Segue abaixo o texto do conselho federal de psicologia que regula esse serviço.

André Flávio Nepomuceno Barbosa

CRP 11/11089

Psicólogo Clínico

Terapeuta Cognitivo-Comportamental.

 

“CAPÍTULO I- DOS SERVIÇOS PSICOLÓGICOS REALIZADOS POR MEIOS TECNOLÓGICOS DE COMUNICAÇÃO A DISTÂNCIA

Artigo. 1. São reconhecidos os seguinte serviços psicológicos realizados por meios tecnológicos de comunicação a distância desde que pontuais, informativos, focados no tema proposto e que não firam o disposto no Código de Ética Profissional da(o) psicóloga(o) e esta Resolução:

  1. As Orientações Psicológicas de diferentes tipos, entendendo-se por orientação o atendimento realizado em até 20 encontros ou contatos virtuais, síncronos ou assíncronos;
  2. Os processos prévios de Seleção de Pessoal;
  • A Aplicação de Testes devidamente regulamentados por resolução pertinente;
  1. A Supervisão do trabalho de psicólogos, realizada de forma eventual ou complementar ao processo de sua formação profissional presencial;
  2. O Atendimento Eventual de clientes em trânsito e/ou de clientes que momentaneamente se encontrem impossibilitados de comparecer ao atendimento presencial.

Parágrafo Único: Em quaisquer modalidades destes serviços a(o) psicóloga(o) está obrigada(o) a especificar quais são os recursos tecnológicos utilizados para garantir o sigilo das informações e esclarecer o cliente sobre isso.”

 

 

 

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Sobrevivendo ao luto de relacionamento

Por andreflavionb em Depressão, Luto de relacionamento

01 de novembro de 2017

LUTO DE RELACIONAMENTO.
Imagem retirada: http://images1.minhavida.com.br

 

Sobrevivendo ao luto de um relacionamento.

Recebi uma pergunta recentemente de uma seguidora de meu instagram (@Opsicologo) que trata de um tema que é bastante discutido hoje: estou com depressão ou apenas triste por ter rompido um relacionamento? E como superar?

Vamos chama-la de Silvia. Segue a sua pergunta:

“Terminei uma relação altamente instável, mas que durou cerca de 4 anos. Na verdade ele terminou comigo. Isso já tem cerca de 2 meses. Estou em depressão desde então. Fico depressiva na maioria dos dias. Choro por qualquer coisa. Está atrapalhando até meu sono. O que me deixa ainda mais angustiada (e até revoltada) é ficar na deprê desse jeito por alguém que nunca me valorizou de verdade. Mentia, saia escondido e tenho certeza que fui traída. E pior de tudo, ainda gosto dele, e muito. Sinto-me uma idiota por está sofrendo por alguém assim, mas não tenho como controlar. O que posso fazer?”

Silvia, antes de mais nada, vamos substituir o nome “depressão” por tristeza, ou, mais especificamente, um luto pelo fim de um relacionamento, ok? Digo isso porque não vi você mencionando que foi diagnosticada por um psiquiatra/psicólogo com algum transtorno depressivo anteriormente (que é uma doença grave, séria e que não pode ser diagnosticado agora porque pode-se confundir a dor desse rompimento com os sintomas da depressão. Então dificilmente um psiquiatra/psicólogo, sabendo disso, dirá que você está com depressão)

Dito isso, vamos ao que interessa: como lidar com a dor de um rompimento amoroso?

Primeiramente, precisamos normalizar essa sua emoção. O que quero dizer com isso? Quero dizer que é normal você se sentir triste, chorosa, pelo rompimento de um relacionamento de longa duração (apesar de todas as instabilidades citadas). Anormal seria você, ainda gostando dele, pular de alegria após esse rompimento. Entende?

Estamos vivendo em tempos que não toleramos mais sofrer. Isso é muito preocupante, uma vez que a vida é composta de altos e baixos e, acredite em mim, graças a esses “baixos” evoluímos na maioria das vezes.

Portanto, para começar a dar volta por cima, é preciso que você entenda a naturalidade dessa emoção. Você não precisa se sentir uma idiota. Aliás, o que deve estar piorando seu quadro de tristeza/luto é seu julgamento dessa emoção. “Estou triste, logo sou uma idiota.”. Toda vida que não aceitamos determinada emoção, a tendência é ela aumentar a intensidade. Para explicar isso de uma forma resumida (e didática),  basta entender que isso ocorre porque simplesmente mantemos a emoção viva em nosso cérebro, toda vez que lutamos contra. É como se eu dissesse pra mim, repetidamente; “eu não quero ficar ansioso antes de me apresentar”. Pode ter certeza que ficarei ansioso. Isso porque o cérebro não “capta” o comando “não”. Quer fazer uma teste de como isso funciona? Vamos lá: pense em um elefante rosa com manchinhas pretas! Pensou? Pronto, agora tente não pensar no elefante rosa com manchinha pretas? Conseguiu? Se você fez o exercício da forma correta, certamente não conseguiu.

Aceitar a emoção, entendendo que é normal se sentir triste após esse luto de relacionamento, é a maneira mais inteligente de dar a volta por cima. Detalhe: aceitar não é alimentar, tá?

Aceitar é simplesmente entender :”bem, estou me sentindo triste, mas é normal, afinal, terminei um relacionamento recentemente de longa data”.

Alimentar é você, sentindo-se triste, começar a procurar evidências de que seu ex está com outra, ou que está curtindo a vida, ou que está mais feliz sem você… (detalhe: todas essas “evidências” serão contaminadas pela minha emoção e atenção seletiva. Meu cérebro sai buscando no ambiente algo que comprove a sua teoria. Entendeu? Ou seja, se eu mostrar uma foto do seu ex em  algum lugar para alguém, a pessoa pode simplesmente dizer que ele está normal ou até mesmo triste, mas você pode dizer, vendo essa mesma foto; olha como ele está feliz! Isso é normal de acontecer.)

Portanto, repito: aceite a emoção sem julgamentos. Até porque desse julgamento “sou uma idiota por estar me sentindo triste”, brotam consequências: aumenta mais ainda a tristeza, pode vir raiva, revolta, diminuir sua autoestima… E não vai ajudar em nada a sua situação, percebe?

Essa virada de página não vai ocorrer do nada. Você precisa se engajar em uma mudança comportamental, por exemplo; não deixe de resgatar e praticar coisas que você gosta de fazer. De preferência, faça uma lista de coisas que você gosta de fazer e faça um planejamento de quando você pode fazer (executar) todas essas coisas.

Resgate o contato social, cuide da alimentação, regule seu sono (tente dormir pelo menos 8 horas por dia), faça alguma atividade física, faça (e execute) planos profissionais… Se você notar que fotos dele em seu feed de suas redes sociais estão lhe desestabilizando, bloquei. Oriente também seus amigos em comum não ficar levando ou trazendo assuntos do seu ex.

Se você notar também que ver ele no whatsapp online aumenta sua ansiedade ou tristeza, bloquei. Nesse tempo de recuperação é preciso você saber o que lhe tira do eixo (que lhe deixa triste e instável emocionalmente) e sair eliminando cada um desses itens (estímulos) que te deixa pra baixo.

Acredito que essas ações já se constituem um ótimo começo para virar essa página. Agora se essa condição de tristeza persistir de forma crônica por mais dois meses, mesmo você fazendo tudo isso, aconselho você buscar uma ajuda psiquiátrica e psicológica para examinar mais a fundo isso.

 

Espero ter ajudado,

 

André Barbosa

Psicólogo Clínico

CRP – 11/11089

Terapeuta Cognitivo- Comportamental

85 98813 9593

 

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Qual a importância da psicologia em nossas vidas?

Por andreflavionb em Dia do psicólogo, Psicologia

27 de agosto de 2017

*Imagem obtida https://www.psicologoeterapia.com.br/wp-content/uploads/psicologo-ou-psiquiatra.jpg

Qual a importância da psicologia em nossas vidas?

Hoje 27 de agosto, no dia do psicólogo, vamos falar de algo muitíssimo apropriado: qual a importância da psicologia em nossas vidas e porque devemos buscar essa ajuda?

Imagine alguém, digamos Emanuel, com uma dor dente terrível e que, ao invés de ir ao dentista, apenas fica tomando analgésico para passar a dor. A dor realmente passa, mas o problema continua lá e assim que a medicação passar o efeito, a dor vai voltar com tudo. Se Emanuel continuar sem ir ao dentista, a dor vai aumentar e ele terá que aumentar as doses da medicação. Pode até trocar a medicação por outra mais forte, e mais forte, e mais forte…

Isso, além de não resolver o real problema, ainda pode prejudicar gravemente a saúde de Emanuel, causar dependência, prejudicando a sua vida pessoal e a sua vida profissional. Emanuel entraria para estatística muito comum das pessoas que apenas querem tratar a dor, não a causa dela.

E o que isso tem a ver com a psicologia? Basta substituir os sintomas da dor de dente pelo que os filósofos gregos chamam de “a dor da alma” (estresse crônico, ansiedade, fobia, depressão, insônia…).

Assim como Emanuel, que deveria ter procurado um dentista logo no início de sua dor de dente, quem sofre com transtornos emocionais/psíquicos deve procurar um psicólogo para, em terapia, tratar da causa do problema.

É dever ético do psiquiatra informar ao paciente, por exemplo, que somente o antidepressivo/ansiolítico não resolverá a depressão/ansiedade do paciente. Ele sabe disso. Assim como é papel ético do psicólogo encaminhar ao psiquiatra o paciente que está em sofrimento agudo emocional ou em surto. A medicação vai ajudar a acalmar a dor (como um curativo), e a terapia vai ajudar a combater o problema. O real problema.

Esse não é um texto para condenar medicamentos psicoativos, mas para mostrar o quanto é absurdo achar que APENAS as medicações resolvem os problemas da saúde mental. Aliás, em muitos casos (assim como vimos com Emanuel), o tratamento apenas medicamentoso pode até piorar o problema.

Uma vez que muitos seguem a mesma linha de raciocínio de Emanuel, o uso de psicoativos, como os antidepressivos, só aumentam… E já estão entre os medicamentos mais usados no mundo. Estima-se que entre 1 e 3% de toda a população ocidental já os tenha consumido regularmente por mais de um ano (Baldessarini, 1995; Huf, Lopes, Rosenfeld, 2000).

Teoricamente, quanto mais antidepressivo é consumido no mundo, menos gente deveria sofrer com depressão, certo? Errado! De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), até 2020, a depressão será a doença mais incapacitante do mundo (Nascimento, 1999; Lafer & Amaral, 2000).

É importante informar que a associação entre suicídio e transtornos mentais é de mais de 90%. Entre os transtornos mentais associados ao suicídio, a “Depressão Maior” se destaca (McGirr, A. et al, 2007).  Vale ressaltar que hoje o suicídio está entre as cinco maiores causas de morte no mundo.

Isso ocorre porque, assim como Emanuel, estamos mais preocupados em tratar a dor do que a causa dela. “Para depressão, antidepressivos. Para ansiedade, ansiolíticos. Para insônia, soníferos…”.

Contra essa onda simplista, a Inglaterra investiu cerca de 600 milhões de dólares em programas para formar e capacitar psicólogos em terapia cognitiva-comportamental. Isso para que o povo britânico tivesse acesso à terapia (ao invés de simplesmente propor apenas medicações), uma vez que foram verificados seus resultados positivos na saúde pública mental. O governo da Austrália seguiu o mesmo modelo.

ilustração obtida http://www.psicologiaexplica.com.br/wp-content/uploads/2015/01/decisa%CC%83o.jpg

Além do mais, não deveríamos procurar terapia apenas quando estivermos no limite. Psicologia não possui efeitos colaterais. Podemos procurar um psicólogo para controlar nossa impulsividade, autoconhecimento, ciúmes patológico, insegurança, baixo autoestima, melhorar nossa relações interpessoais, comunicação, melhorar a liderança, melhorar o relacionamento, o foco, metas profissionais…

Portanto, não deixe o problema acumular, vá na causa. Melhore sua vida. Procure um psicólogo.

André Flávio N. Barbosa

(85) 99651-3394

Psicólogo Clínico – CRP 11/11089

 

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IN THE END: até quando assistiremos a depressão roubar vidas?

Por andreflavionb em Depressão, Psicologia, suicidio

30 de julho de 2017

*Reprodução de imagem da pagina oficial da banda no facebook. facebook.com/linkinpark

IN THE END: ATÉ QUANDO ASSISTIREMOS A DEPRESSÃO ROUBAR VIDAS?

Sexta, 21 de Julho de 2017, acordo com uma trágica notícia: Chester Charles Bennington, cantor, compositor, ator (sim ele atuou em jogos mortais: o final e Adrenalina 2) e vocalista da banda americana Linkin Park (foi também vocalista do Stone Temple Pilots entre 2013 e 2015 e Dead by sunrise), cometeu suicídio. Deixou sua mulher, seis filhos, os amigos de adolescência da banda (que considerava como irmãos), e uma legião de fãs que o amava pelo mundo.

Assim como muitos fãs, fiquei perplexo, sem acreditar… Mas, mais do que isso, constatei: a depressão, essa doença safada e sorrateira, não deixa ninguém imune a ela. Nem a fama, dinheiro, sucesso, amor da família, foram capazes de livrar Chester dessa doença, desse trágico fim. E ela, a depressão, tem seu poder destrutivo violentamente aumentado quando a vítima, para se livrar da dor, recorre as drogas (incluo todas elas: abuso de antidepressivos, álcool e todas as drogas ilícitas). Chester estava justamente nesse quadro de alto risco: lutava contra as drogas e a depressão há anos.

Não costumo analisar os fatos do passado com “e se… ?”, mas em uma breve (e rasa) análise psicoeducativa posso afirmar que essa história poderia ter tomado um rumo diferente com alguns “e ses… ”

1 – E se Chester tivesse feito uma terapia focada em regulação emocional?

2- E se, aliado a isso, tivesse feito um tratamento de apoio individual/grupal cognitivo-comportamental contra as drogas?

3- E se tivesse se submetido ao tratamento de eletroconvulsoterapia (sim, esse é um tratamento excelente de combate a depressão e a suicidalidade que Hollywood infelizmente resolveu usar em seus filmes no sentido pejorativo, como se fosse uma tortura medieval. Vale ressaltar que é um tratamento com embasamento científico e de alta eficácia. O paciente sequer sente qualquer dor, pois é feito em sala cirúrgica, com anestesia geral, e o choque dura segundos apenas).

A ECT (eletroconvulsoterapia) promove disparos rítmicos cerebrais autolimitados. Com isso, ocorre um equilíbrio nos neurotransmissores como a serotonina, dopamina, noradrenalina e glutamato, responsáveis por propagar os impulsos nervosos do cérebro e manter o bem-estar.

Óbvio que sem uma terapia focada em resultados o ECT não faz milagres. Não consegue manter esse resultado por tanto tempo. Assim como uma medicação sozinha também não. É papel ético do psiquiatra/neurologista orientar seus pacientes a fazer terapia, pois estes sabem que a medicação sozinha não resolve (e as vezes até piora, pois cria dependência e o cérebro se acostuma com a medicação, tendo que aumentar as doses).

Além disso, a medicação costuma agir apenas apagando incêndio. Apenas diminuindo a dor da emoção que a depressão causa, mas nada faz para atuar no comportamento/cognições do indivíduo que causou/alimentou (e ainda alimenta) a depressão. Ou seja, se retirar a medicação volta tudo. Se o cérebro se acostumar com a medicação, volta tudo. Para piorar, se acostumarmos nosso cérebro com antidepressivos, ele passará a produzir ( recaptação de hormônios relacionado ao prazer será cada vez menos inibida de forma natural) menos prazer de forma natural. Dai a dependência.  Por isso, digo e REPITO, a medicação sozinha, pode PIORAR o problema… E MUITO!

A morte de Chester ligou o alerta máximo ao mundo: Depressão MATA! Pensando nisso, a própria banda criou o site chester.linkinpark.com e estão divulgando para todo mundo em suas redes sociais. Esse site tem como finalidade dar suporte as pessoas com depressão e que estão pensando em cometer suicídio.

Mas o que é depressão?

Antes de mais nada, quero lembrar que, de acordo com OMS (organização mundial da saúde), a depressão já é a doença mais incapacitante do mundo e que mata 1 pessoa a cada 40 segundos no mundo por suicídio.

A depressão é assim, você acorda sem motivação para fazer nada. Aliás, você não consegue ver sentido para fazer nada. Não consegue ver boas expectativas. O futuro e o presente são apenas uma mancha cinza na sua percepção de vida.

Sabe aquele lugar que você gostava de ir? Sabe aquele seu passatempo favorito? Aquela comida que você amava? Sua série favorita? Aquela ida ao cinema? De repente tudo isso que te alegrava, animava seu dia, te dava prazer, não faz mais qualquer sentido. Não te animam.

Tudo vai perdendo a graça e o brilho aos poucos, até a comida perde o sabor e se transforma em apenas mais uma obrigação que você tem que cumprir.Você sente que está preso dentro de si, dentro de algo escuro, sem perspectiva de melhoria

Pensamentos questionando sua utilidade no mundo começam a invadir sua mente. Você começa a se achar a pior de todas as criaturas. Começa a se achar um fardo na vida das pessoas.O choro vem do nada, é como algo que você precisa botar pra fora.Para piorar, você não sabe dizer exatamente o motivo de estar se sentido assim e isso te desespera ainda mais.

Tratar alguém que está com depressão com “isso é frescura! Reage menino!! Se levanta da cama!” É o mesmo que pedir para alguém que está com hemorragia causada por dengue que “pare de sangrar menino!! Deixa de frescura!”. É simplesmente ridículo e ofensivo, pois, assim como qualquer outra doença, ninguém escolhe ficar depressivo.

Depressão deve ser encarada como uma doença grave SIM e que precisa de tratamento (como em qualquer doença) logo no começo dos primeiros sintomas. Quanto mais tempo passa sem o devido tratamento, mais perdas (sociais, pessoais, profissionais e até risco de vida) e mais difícil é o tratamento.



A pergunta é: Você vai deixar seu quadro se agravar ? Deixar a depressão roubar sua vida? Não deixe para cuidar disso in the end… Busque ajuda!

Reprodução homenagem da pagina facebook.com/sherlockspuboficial

André Barbosa

Terapeuta Cognitivo-Comportamental

Psicólogo Clínico

CRP 11/11089

85 98813 9593

 

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Desconfiança; o maior sabotador das relações.

Por andreflavionb em Psicologia

15 de junho de 2017

 

DESCONFIANÇA: O MAIOR SABOTADOR DAS RELAÇÕES. 

Hoje vamos conversar um pouco sobre um tema que está presente em quase todos os rompimentos/discórdias nas relações (sejam elas; amorosa, familiar, profissional): a desconfiança.

A desconfiança é uma estratégia cerebral (cognitiva) que todos nós temos que tem como principal objetivo nos proteger de frustrações futuras. A pegadinha cerebral disso é que acabamos vivendo essa frustração em nossos pensamentos e sentindo todas as dores emocionais como se o pior já estivesse ocorrido (ou ocorrendo).

O que muitos não sabem é que existe a desconfiança positiva. É aquela que nos move a detectar falhas e nos aprimorar. Evoluir. A própria ciência, como estudamos hoje, é resultado de anos e anos de desconfianças. Devemos isso, principalmente, a René Descartes, um dos mais importantes filósofos do mundo, que ajudou a ciência a dar um salto enorme com seu método: a dúvida, que é a busca incansável pela verdade das coisas que nos são apresentadas (não aceitar dogmas).

A desconfiança positiva ajudou o homem a descobrir que a terra é redonda e que gira em torno do sol, e não ao contrário (incluindo achar que a terra era quadrada). Nos permite a reler um relatório antes de entregar para o chefe, nos faz solicitar uma nova correção quando desconfiamos que o professor corrigiu errado.

O problema é o excesso de desconfiança. Quando você desconfia de seu namorado, no fundo, ela quer evitar sofrer futuramente. Quer evitar perde-lo. Portanto, usa como estratégia cercar Antônio de todas as formas. Saber por onde anda, o que está fazendo, quem são seus amigos… E pior: para quem desconfia, tudo é um indício de que o outro realmente pode quebrar (ou já quebrou) sua confiança. Porque temos uma grande tendência a selecionar fatos que confirmam nossas teorias e eliminar os que não confirmam.

Por excesso de medo de perder, portanto, acabamos perdendo. Afinal, do outro lado dessa relação, existe alguém que sente-se constantemente vigiado, em sinal de alerta máximo, pisando em ovos, em tensão máxima. E sabe o que mais pode acontecer? A vítima da sua desconfiança pode começar a achar que você desconfia porque faz coisa pior. Iai começa um relacionamento instável.

Questionar várias vezes sobre um determinado assunto, que envolva o tema desconfiança, faz com que o outro sinta-se em um tribunal, a espera de algum erro em sua versão dos fatos. O que precisamos saber é que nossa memória (uma das funções principais do hipocampo) é altamente flexível e a toda hora pode adicionar ou omitir algum fato que ocorreu (e as vezes até criar, sem intenção alguma de enganar. Vide teoria da sedução de Freud que fala das falsas memórias.).  Portanto, esses lapsos de memória, são naturais, mas para quem desconfia, isso é a prova cabal de uma traição, ou seja, quando o outro ao relatar o fato por várias vezes e cair no erro (comum) de acrescentar ou retirar algum relato, isso poderá ser entendido como uma mentira e quebrar a confiança do desconfiado.

Quando a desconfiança não destrói uma relação, acaba transformando um relacionamento em uma ilha deserta. Aqueles relacionamentos que os dois se afastam de tudo e todos, que é uma estratégia para manter a salvo o relacionamento. A má noticia é que relacionamentos “ilha deserta” não costumam durar muito. Isso porque geneticamente fomos programados para viver em sociedade e, ao mesmo tempo, ter nossa individualidade (que é afirmar nossa própria essência a essa sociedade). Fugir disso é colocar nossa própria saúde mental em risco.

Uma das histórias de traição mais famosa é do século I A.C., que fala do imperador romano Júlio César o qual foi vítima de uma conspiração de senadores para tirá-lo do cargo. Entre eles estava o seu filho adotivo Marcus Brutus.

O complô resultou no assassinato do imperador a punhaladas pelo grupo de senadores. Na hora da morte, Júlio César reconheceu o filho entre os seus algozes e proferiu a famosa frase. “Até tu, Brutus, filho meu?”.

Essa história nos ensina uma coisa, um tanto quanto cruel, mas verdadeira; quem quer trair, trai. Não adianta tentar cercar o outro, ele vai dar o seu jeito (se ele quiser trair). Portanto, perceba que desconfiar é uma estratégia que não garante nenhuma segurança. Pelo contrário, se o seu parceiro estiver realmente te traindo e souber de seu excesso de desconfiança, ele vai se armar de estratégias fantásticas para acobertar sua traição.

O contrário também é verdade: quanto menos eu desconfio, mais eu deixo o parceiro relapso em cobrir o “rastro do crime”e, portanto, mais fácil pega-lo no erro.

Quando eu sofro por desconfiança eu acabo vivendo essa traição (mesmo que não seja real) todos os dias em minha cabeça. É torturante. Além do mais, eu acabo despertando no outro, como falei anteriormente, uma desconfiança de sua desconfiança. Existem casos, e não são poucos, de pessoas que cometem algo errado pelo simples fato de sentirem “incriminados” por algo que não cometeram. “Já que me acusa de ter feito algo errado, vou fazer!”.

Nas relações de amizade a desconfiança age da mesma maneira. Desgasta o relacionamento. Transforma o carinho em algo aversivo. Principalmente quando isso é reincidente. A pessoa que desconfia de todos e tudo, acaba, infelizmente, tornando-se uma pessoa solitária no mundo.

Existe  também a desconfiança de si mesmo, que nos causa sofrimento e insegurança quanto a nossa capacidade de enfrentar problemas, alcançar objetivos, melhorar relacionamentos.

A desconfiança tem cura? Claro que tem! Mas é um processo complicado que requer terapia, comprometimento e aceitar mudanças. Minha dica para iniciar essa mudança: procure um psicólogo.

 

André Barbosa

85 996513394

Psicólogo Clínico

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Uma manipulação milenar: a invenção do inimigo maior.

Por andreflavionb em paixão política, Psicologia, Sem categoria

07 de junho de 2017

A manipulação milenar: a invenção de um inimigo maior.
*Foto tirada em campanha a qual Lula pedia votos para FHC.
A polarização política foi usada para ganhar votos e militantes para ambos os lados.

 

Uma manipulação milenar: a invenção do inimigo maior.

Criar um inimigo exterior é a tática mais antiga (e ainda hoje usada) para unir pessoas, apesar de suas diferenças e insatisfações.

De acordo com Yuval Noah Harari, em seu livro “uma breve história da humanidade”, para que nossos primeiros ancestrais conseguissem manter as primeiras tribos unidas, foi preciso “criar” inimigos exteriores comuns. Alguns inimigos de carne e osso, como por exemplo: predadores, tribos rivais… .Alguns inimigos da ordem espiritual/ideológica, como por exemplo: Os deuses que despertavam a “fúria” da natureza; “vulcão, terremoto, seca… “.

Mas como esse inimigo consegue unir as pessoas?

Nossos primeiros ancestrais perceberam que criando um inimigo poderoso os membros da tribo jogavam suas diferenças de lado em prol de proteger o bem comum e suas crenças/ideologias de serem devastadas. Manter e proteger a estabilidade da tribo era o mais importante.

As principais religiões do mundo usaram desse artificio para expandir, dominar e se manter ativas. Para todo bem, existe o mal a ser combatido.

De acordo com Freud, em sua obra “O mal estar da civilização”, o homem tem dois objetivos de vida: A busca da felicidade e fuga do desprazer. Inclua nessa “fuga do desprazer” ter suas crenças e familiares postos em risco. Acreditar que existe um inimigo maior a ser derrotado, para Freud, é um motor motivador para que o homem, inclusive, entre em guerra. Coloque sua vida em risco. Tanto que sua obra foi escrita um pouco antes da segunda-guerra mundial.

Um dos sociólogos mais influentes do mundo, Bauman, aponta que o homem está disposto inclusive de abrir mão de sua liberdade para viver em sociedade apenas para se proteger. Para se sentir seguro. Seguro de que/quem? Resposta: o inimigo exterior que vai promover a instabilidade de sua vida e objetivos.

Trazendo essa teoria para uma experiência mais pessoal, quantos casais você já viu que aumentaram o nível de união a partir do momento que os outros se colocaram contra aquele relacionamento? Um exemplo clássico disso é o romance de Shakespeare, Romeu e Julieta.

Um dos casais mais famosos da história, John Lennon e Yoko, foram contra todos e tudo. Incluindo os próprios membros de sua banda, The Beatles, que até antes de conhecer Yoko, era o maior tesouro de sua vida.

Quer a solução para unir muçulmanos extremistas e católicos, e promover a “paz” mundial? Um inimigo comum. Uma pena que, como não compartilhamos da mesma teologia, não dá para criar um inimigo exterior da ordem espiritual. Agora imagine uma invasão alienígena ou uma catástrofe natural de ordem planetária? Sim, estou exagerando para que você consiga entender de uma forma didática a influencia de um inimigo exterior para promover a união das pessoas.

Sabe quem se utiliza desse artificio diariamente? Partidos políticos. Sim, diariamente somos bombardeados de manipulações de todos os lados, a fim de promover a união contra um mal maior. Em troca dessa união e dessa luta contra o inimigo maior, esquecemos tudo (crimes e mais crimes contra os cofres públicos) e aceitamos as desculpas mais esfarrapadas do mundo dos nossos políticos.

A esquerda brasileira articula com sua base eleitoral que existe um inimigo maior a ser derrotado: Os tucanos coxinhas. Acusam Sergio Moro de ser um perseguidor partidarista (alguns inclusive falam que o juiz federal é um filiado do PSDB).

A direita do Brasil articula que o inimigo comum é o PT. Os mortadelas. Que querem tomar o Brasil e implantar o comunismo. Acusam Sergio Moro TAMBÉM de ser um perseguidor político. Exatamente! Os dois lados acusam a operação lava-jato e o juiz Sérgio Moro da mesma forma, com praticamente os mesmos termos.

Por mais que todas as provas nos mostrem que quando o assunto é corrupção não existe bandeiras partidárias, ou ideologias políticas. Por mais que todas as provas nos mostrem que os políticos de “supostos partidos rivais” estão atuando juntos para combater a lava-jato, pode ter certeza que a narrativa do inimigo em comum é poderosa. E pode ter certeza: muitas pessoas caem nesse golpe milenar.

André Barbosa

Psicólogo Clínico

85 996513394

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Estudos neurocientíficos comprovam: A paixão política nos cega.

Por andreflavionb em paixão, paixão política, Psicologia

30 de Maio de 2017

O Cerebro apaixonado (por seu partido) libera o mesmo sistema de recompensa cerebral de um viciado

Estudos neurocientíficos comprovam: A paixão política nos cega.

“A paixão é cega”. “Quando estamos apaixonados, ficamos encantados pelo outro”. Essas são frases que provavelmente você já deve ter ouvido falar, e é a mais pura verdade. Ficamos REALMENTE ENCANTADOS (no sentido literal da palavra). Quando estamos apaixonados, nosso cérebro libera neurotransmissores relacionados ao prazer. São exatamente os mesmos liberados no cérebro de um viciado ao consumir uma droga. Pergunta: você acha que um viciado, que acaba de consumir sua droga, está apto a ter uma conversa sincera, critica e racional sobre a sua droga? O mesmo ocorre em qualquer campo de nossa vida que envolve a paixão.

Um desses neurotransmissores envolvidos no sistema de recompensa cerebral é a dopamina. Ao olharmos a pessoa, mesmo que seja só uma foto, temos uma sensação agradável, parecida com a de comer um doce, uma comida predileta ou mesmo uma droga. A serotonina é o hormônio que nos torna obcecados. Essas substâncias produzidas em nosso corpo são muito parecidas com drogas do tipo anfetaminas.

Isso significa que nossa capacidade realizar uma crítica realista da pessoa amada, é prejudicada devido a toda essa química cerebral. Daí as empresas geralmente proibir, por exemplo, relacionamento entre um líder e um liderado diretamente. Porque a capacidade de julgamento do líder do desempenho do liderado está afetada. Acontece que essa paixão ocorre não só por pessoas, mas por qualquer coisa: Ideias, projetos, esporte, religião… e política.

Uma pessoa apaixonada pelo seu partido ou ídolo político não é diferentes de uma pessoa apaixonada pelo namorado (a). Estudos de neuroimagem comprovam isso, e nos mostra inclusive que as mesmas conexões cerebrais que envolve a paixão de relacionamentos afetivos, são as mesmas que envolvem a paixão política, religiosa, esporte…

No mundo da política podemos encontrar  pessoas apaixonadas pelos partidos em um grupo de militantes políticos. É nesse grupo que você vê pessoas que são capazes de dar a própria vida pelo seu líder.

Um estudo realizado por um psicólogo norte-americano, Drew Westen (Universidade de Emory, autor do livro “Cérebro Político”), com 30 eleitores americanos (15 democratas e 15 republicanos), exibiu a cada um a imagem de seus candidatos favoritos, George W. Bush e John Kerry, contrapondo um ao outro. Os voluntários se mostravam capazes de identificar as contradições do candidato rival, mas não reconheciam quando seu candidato mentia ou manipulava os fatos. Exames de ressonância magnética mostraram que seus cérebros entravam numa espécie de curto-circuito.

Partes do cérebro mais associadas à razão, na face dorsolateral do córtex pré-frontal, ficaram quietas, mas o córtex orbital frontal, envolvido no processo das emoções, ficou agitado. Também havia confusão no cingulado anterior, associado com a resolução de conflitos, e no cingulado posterior, preocupado com os julgamentos morais. Uma vez que as contradições eram ignoradas, foi ativado o estriato ventral, a região relacionada com recompensa e prazer, uma indicação de que cada participante, a despeito dos fatos, só ficou satisfeito com uma conclusão confortável. Drew Westen defende a tese, portanto, que o eleitor vota mais acreditando em suas emoções (paixão) do que com sua razão.

Portanto a nossa capacidade de racionalizar uma decisão ou apoio político, se estamos apaixonados (militantes), é altamente prejudicada. Quando os dois extremos políticos estão discutindo, ambos falam a verdade quando acham que estão certos. No fundo, não estão mentindo. Estão simplesmente acreditando na pegadinha cerebral da paixão: Ficamos cegos. Ou seja, nossa capacidade de julgamento é altamente prejudicada, e acabamos acreditando em tudo que nosso líder nos falar, independente de qualquer fato que prove o contrário do que ele nos diz.

André Barbosa

Psicólogo Clínico

CRP 11/11089

Contato: 85 996513394

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Estudos neurocientíficos comprovam: A paixão política nos cega.

Por andreflavionb em paixão, paixão política, Psicologia

30 de Maio de 2017

O Cerebro apaixonado (por seu partido) libera o mesmo sistema de recompensa cerebral de um viciado

Estudos neurocientíficos comprovam: A paixão política nos cega.

“A paixão é cega”. “Quando estamos apaixonados, ficamos encantados pelo outro”. Essas são frases que provavelmente você já deve ter ouvido falar, e é a mais pura verdade. Ficamos REALMENTE ENCANTADOS (no sentido literal da palavra). Quando estamos apaixonados, nosso cérebro libera neurotransmissores relacionados ao prazer. São exatamente os mesmos liberados no cérebro de um viciado ao consumir uma droga. Pergunta: você acha que um viciado, que acaba de consumir sua droga, está apto a ter uma conversa sincera, critica e racional sobre a sua droga? O mesmo ocorre em qualquer campo de nossa vida que envolve a paixão.

Um desses neurotransmissores envolvidos no sistema de recompensa cerebral é a dopamina. Ao olharmos a pessoa, mesmo que seja só uma foto, temos uma sensação agradável, parecida com a de comer um doce, uma comida predileta ou mesmo uma droga. A serotonina é o hormônio que nos torna obcecados. Essas substâncias produzidas em nosso corpo são muito parecidas com drogas do tipo anfetaminas.

Isso significa que nossa capacidade realizar uma crítica realista da pessoa amada, é prejudicada devido a toda essa química cerebral. Daí as empresas geralmente proibir, por exemplo, relacionamento entre um líder e um liderado diretamente. Porque a capacidade de julgamento do líder do desempenho do liderado está afetada. Acontece que essa paixão ocorre não só por pessoas, mas por qualquer coisa: Ideias, projetos, esporte, religião… e política.

Uma pessoa apaixonada pelo seu partido ou ídolo político não é diferentes de uma pessoa apaixonada pelo namorado (a). Estudos de neuroimagem comprovam isso, e nos mostra inclusive que as mesmas conexões cerebrais que envolve a paixão de relacionamentos afetivos, são as mesmas que envolvem a paixão política, religiosa, esporte…

No mundo da política podemos encontrar  pessoas apaixonadas pelos partidos em um grupo de militantes políticos. É nesse grupo que você vê pessoas que são capazes de dar a própria vida pelo seu líder.

Um estudo realizado por um psicólogo norte-americano, Drew Westen (Universidade de Emory, autor do livro “Cérebro Político”), com 30 eleitores americanos (15 democratas e 15 republicanos), exibiu a cada um a imagem de seus candidatos favoritos, George W. Bush e John Kerry, contrapondo um ao outro. Os voluntários se mostravam capazes de identificar as contradições do candidato rival, mas não reconheciam quando seu candidato mentia ou manipulava os fatos. Exames de ressonância magnética mostraram que seus cérebros entravam numa espécie de curto-circuito.

Partes do cérebro mais associadas à razão, na face dorsolateral do córtex pré-frontal, ficaram quietas, mas o córtex orbital frontal, envolvido no processo das emoções, ficou agitado. Também havia confusão no cingulado anterior, associado com a resolução de conflitos, e no cingulado posterior, preocupado com os julgamentos morais. Uma vez que as contradições eram ignoradas, foi ativado o estriato ventral, a região relacionada com recompensa e prazer, uma indicação de que cada participante, a despeito dos fatos, só ficou satisfeito com uma conclusão confortável. Drew Westen defende a tese, portanto, que o eleitor vota mais acreditando em suas emoções (paixão) do que com sua razão.

Portanto a nossa capacidade de racionalizar uma decisão ou apoio político, se estamos apaixonados (militantes), é altamente prejudicada. Quando os dois extremos políticos estão discutindo, ambos falam a verdade quando acham que estão certos. No fundo, não estão mentindo. Estão simplesmente acreditando na pegadinha cerebral da paixão: Ficamos cegos. Ou seja, nossa capacidade de julgamento é altamente prejudicada, e acabamos acreditando em tudo que nosso líder nos falar, independente de qualquer fato que prove o contrário do que ele nos diz.

André Barbosa

Psicólogo Clínico

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