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O Psicólogo

por André Flávio Nepomuceno Barbosa

BORDERLINE: QUANDO É AMOR OU DEPENDÊNCIA?

Por andreflavionb em Sem categoria, Transtorno de personalidade boderline

09 de setembro de 2018

 

Instabilidade emocional, sensação de inutilidade, insegurança, impulsividade e relações sociais prejudicadas. Imagem retirada: http://images1.minhavida.com.br/imagensconteudo/17514/mediabox%20luto%20relacionamentos_17514_242_427.jpg

BORDERLINE: QUANDO É AMOR OU DEPENDÊNCIA?

 Hoje vamos falar sobre o transtorno de personalidade borderline; Um transtorno que pode provocar estragos emocionais na vida de quem sofre e de quem convive ao redor. O grande problema que dificulta o diagnóstico é a tendência a achar que é apenas um traço característico da pessoa; “Ah, não se preocupa, ela é assim mesmo.”/ “O que você tem? Nada, apenas baixou um espírito de tristeza e deu vontade chorar, normal”. “Não se preocupa, ela está puta contigo agora, mas amanhã ela volta atrás, é normal, ela é super bom coração”.

Um dos principais traços característico reconhecido por amigos ou familiares de um border é dizer “Ela é uma pessoa intensa”.

As pessoas que convivem com um borderline sente-se como se estivesse em constante estado alerta; é uma sensação de eternamente ter que pisar em ovos; “O grande problema é falar que fulano está errado, porque ele leva para o lado pessoal, fica extremamente ofendido, acha que você não gosta mais dele…”

E os borderlines sofrem todos os dias a angustia de conviver com a dor de ser aceito. Sentir uma grande necessidade de agradar. Desde demonstrar isso publicamente de forma exagerada (pessoas que postam nas redes sociais, por exemplo, que amam o outro, ou que encontrou o amor da vida, quando, na verdade, não tem nem 1 mês que conheceu o outro), ou tentam comprar presentes caros….

Os border vivem sempre como se estivessem no limite emocional. Qualquer coisa, por menor que seja, tem potencial de desestabilizar o sujeito que sofre desse transtorno; O medo de rejeição, por exemplo, deixa o sujeito em constante estado de alerta, buscando indícios se o outro está o deixando ou não, qualquer coisa, até um tom de voz, pode ser interpretado como um forte sinal de que o outro está prestes a deixa-la, ou, o que é pior; se apaixonando por outra.

Conviver com essas instabilidades emocionais não é fácil, a válvula de escape, muitas as vezes, é o comportamento compulsivo; comprar demais, comer demais…  Além de ser fácil identificar atos impulsivos: tomar grandes (e drásticas) decisões sem pensar e rápido demais.

Aqui vamos falar de três casos;

**************************************

Mesmo depois de 4 meses solteira, Luanne continua questionando-se o que fez de errado para que seu namoro de 2 anos chegasse ao fim? Fez tudo que o namorado pediu: Afastou-se dos amigos, deu todas as senhas de suas redes sociais, só saía se fosse com o ele e excluiu alguns amigos de suas redes para evitar confusão.

Comenta com a família, geralmente chorando, que nunca mais vai encontrar alguém, que tem medo de morrer sozinha, apesar de nunca ter ficado solteira por mais de 4 meses. Sempre quando achava que um namoro estava para acabar, ela ja tratava de garantir um paquera que fosse um forte candidato a futuro namorado. 

O mais estranho, comentário geral, era a facilidade de se envolver. Namora fulano por 1 mês e já esta se declarando na redes sociais. “O amor de minha vida!”

Criou uma conta fake no instagram e facebook para seguir o ex e saber de sua vida. Para seu desespero, descobriu que ele está saindo com outra. Comenta com as amigas que sente uma dor profunda, na alma… Uma dor insuportável… que está perdendo a alegria de viver.

Hoje os pais de Luanne comentam que ela piorou a instabilidade de humor, está comendo demais, bebendo demais, trancou a faculdade e irrita-se facilmente por qualquer coisa. Fala aos pais que sente um vazio, como se precisasse de alguém para se sentir completa, mas sempre sentiu isso a vida inteira.

 

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Lícia sempre foi uma pessoa intensa. Daquelas que ou ama ou odeia. Uma pessoa que se entrega de corpo e alma quando gosta de alguém, mas que vive a mesma intensidade de dor quando se decepciona com essas pessoas. É como se parte dela morresse ao ver-se traída, seja por amigas ou namorado.

Costuma achar (e ter quase certeza) que as pessoas ficam falando dela quando chega em algum canto e vê alguém cochichando ou olhando de lado. Inclusive ja pegou várias brigas por isso. Quando questionada sobre o motivo, apenas fala “Eu tenho certeza que ela não gosta de mim! Ou que estava falando mal de mim!”.

Lícia foi miss, mas se considera feia e desinteressante. É uma pessoa extremamente carente e hoje está sofrendo violentamente por um relacionamento de 4 meses que terminou. Perdoou a traição do namorado com outra menina a fim de manter o relacionamento, mas foi Roberto que quis o fim, alegando querer “curtir mais a vida com os amigos”.

Sentir-se trocada, abandonada, rejeitada, está sendo pesado demais para Licia, que confessa ter pensado se matar já algumas vezes.

****************************************************

O que Luanne e Lícia tem em comum é que as duas sofrem do transtorno de personalidade boderline.

Um transtorno extremamente complicado e que afeta todas as áreas da vida de uma pessoa (profissional, familiar, afetivo… ).

Um dos traços característicos do transtorno de personalidade Borderline (que refere-se viver na borda, no limite) é instabilidade no humor,  no comportamento e e nos relacionamentos.

Geralmente são pessoas que precisam da aprovação dos outros para se sentir bem consigo. Submetem-se aos desejos e ao controle ( incluindo tolerar invasão de privacidade) dos outros para sentirem-se aceitos. Podem apresentar um ciúmes excessivo dos parceiros por medo de abandono.

Alguns tem a necessidade de estar sempre em um relacionamento (São pessoas que você nunca viu solteiro por muito tempo) e que, em um espaço curtíssimo de tempo, já está se declarando apaixonado.

Borders sentem-se inferiores (baixa autoestima). Às vezes, evitam contato com as outras pessoas por  medo de não se sentir aceito. Não reagem bem a criticas. Aliás, são pessoas que geralmente temos que “pisar em ovos” para realizar qualquer crítica por menor que seja. 

Outro traço característico é impulsividade (ou compra demais, ou/e come demais, ou/e promiscuidade nas relações….) , tomam decisões e atitudes impulsivas (e geralmente se arrependem na sequencia). São pessoas que confiam demais nas emoções.

Relatam sentir uma angústia/sensação de vazio.

É difícil também saber o que um border sente pelo outro; Se é amor ou se é simplesmente um traço da doença; a dependência de ter um relacionamento para se sentir completo… Custe o que custar.

Não existe medicação que cure o transtorno, embora seja necessário, em casos graves, alguma medicação que ajude no controle da depressão e impulsividade juntamente com a terapia.

Hoje o tratamento mais efetivo no controle da doença é a psicoterapia. Vários estudos apontam a Terapia Cognitivo-Comportamental como a terapia de maior eficiência no tratamento, especificamente: a terapia dialética.

 

O ponta pé inicial é buscar ajuda.

 

Procure um psicólogo

André Barbosa

Psicólogo Clínico/ CRP 11/11089

Terapeuta Cognitivo-Comportamental

85 988139593

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CONFLITOS FAMILIARES: A TEORIA DO ESTEREÓTIPO IMUTÁVEL.

Por andreflavionb em conflitos familiares

26 de julho de 2018

CONFLITOS FAMILIARES: A TEORIA DO ESTEREÓTIPO IMUTÁVEL.

CONFLITOS FAMILIARES: A TEORIA DO ESTEREÓTIPO IMUTÁVEL.

Hoje falaremos sobre uma teoria que venho desenvolvendo sobre uma das principais causas de conflitos familiares, uma nova distorção cognitiva: o estereótipo imutável.

Sabe aquela queixa, um tanto quanto clichê de; “Minha mãe ainda acha que eu sou uma criança!”?, pois bem, ela é real e ocorre em todos os setores familiares; também achamos que nossa mãe, nosso irmão, irmã, tio, tia, primo, vô, vó.. não mudam.

Isso ocorre por um método preguiçoso de nosso cérebro de não querer repensar memorias já consolidadas de longo prazo. Antigamente, essa estratégia de não repensar fazia sentido, pois evitava gasto de energia desnecessário.

Como assim gasto de energia?

Acredite ou não; pensar gera gastos de energia metabólica corporal. Cada pensamento que você tem é uma onda eletroquímica gasta em seu cérebro. Imagine nuvens carregadas e vários relâmpagos; o espaço entre uma nuvem e outra chamaremos de sinapses, e cada raio disparado é um pensamento ou circuito neural automático gasto.

Para se ter uma leve noção do tamanho desse gasto, quando estamos dormindo, nosso cérebro gasta cerca de 30% do total de energia corpórea produzida. Imagine quando estamos pensando e repensando? (Exatamente por isso, quando uma pessoa é muito ansiosa – pensamentos acelerados – possui uma tendência maior de querer consumir alimentos calóricos. Essa vontade de comer quando se está ansiosa é um mecanismo cerebral para compensar o gasto de energia pensando em desgraça 24h por dia.).

Portanto, antigamente, há 150 mil anos atrás, quando os primeiros Homo Sapiens surgiram, era vital poupar energia, pois não havia alimentos disponíveis em fastfoods para repor os gastos calóricos perdidos/ desperdiçados em pensamentos. Por isso repensar sobre as coisas, pessoas, vida, passou a ser encarado pelo nosso cérebro como inimigo número 1 da sobrevivência humana.

Acontece que ainda hoje carregamos em nosso DNA esse hábito cognitivo de evitar repensar sobre memórias já consolidadas. Agora você conseguiu entender porquê aquele ditado “a primeira impressão é a que fica” é tão usada e real? Devemos isso ao sistema econômico cerebral.

Exatamente por conta desse mecanismo cerebral que temos uma equivocada tendência a acreditar que nossos pais ainda são as mesmas pessoas, que nosso irmão não muda, “continua o mesmo irresponsável de sempre”, que é importante não contar nada para tia Joaquina, pois ela poderá contar para todo mundo, que o primo Xiquinho continua não levando nenhum relacionamento a sério…

Sabe o que é mais engraçado disso tudo? É que temos uma nítida consciência de que a gente muda, pergunto: você acha que ainda é a mesmíssima pessoa de 6 meses atrás? Geralmente achamos que estamos em constante evolução, mas somos incapazes de acreditar que o outro também pode mudar da mesma forma. Estranho, incoerente, mas é real.

Criamos estereótipos mentais IMUTÁVEIS de nossos familiares para evitar repensar e evitar surpresas. “Não vou nem contar nada para João, pois ele é bocão.”. “Melhor não emprestar dinheiro para Tia Cintia, pois ela não paga.”. “Não vou emprestar o carro para Fernando pois ele é irresponsável”.

Geralmente não toleramos esses estereótipos quando somos vítimas deles, mas não temos problemas algum em utiliza-lo com os outros.

Não suportamos sermos vistos como erámos a 15 anos atrás, isso dói como se o outro apagasse, deliberadamente, de minha existência, toda história evolutiva de minha vida pessoal. Ser tratado como um moleque de 12 anos, quando temos mais de 20 nos causa uma angústia sem fim e, quando não raro, explosões de raiva. Dai as brigas e desentendimentos familiares.

Agora sabe qual a maior pegadinha cerebral disso tudo?

É que temos uma coisa chamada comportamento automático que são mantidos por determinadas contingências (situações) gravadas em nosso hipocampo por dopamina (que forma nossa memória de longo prazo), e esses comportamentos costumam surgir, quase involuntariamente (daí o termo: comportamento automático) quando estamos vivendo uma contingência repetida (e aprendida).

Calma eu explico; Em outras palavras, isso significa que, apesar de termos consciência de nossa evolução cronológica ( não somos mais os mesmos sujeitos de quando tínhamos 10 anos de idade, certo?), quando somos tratados da forma de como erámos no passado ( tratado como criança, por exemplo.), temos uma grande tendência de apresentar o mesmo comportamento que tínhamos lá atrás (ou, na melhor das hipóteses, um comportamento similar). Portanto, mesmo sem querer, acabamos alimentando a percepção de que continuamos os mesmos, imutáveis.

Em casais essa distorção ocorre quase de forma consciente: “Para que eu vou mudar se ela ainda continua achando que eu sou o mesmo de quando começamos?”.

Sim, é um jogo de xadrez complicado, mas nada no psiquismo humano é simples.

O que podemos fazer desde agora é por o cérebro para trabalhar e repensar e sair do automático.

Repensar sobre os conceitos que temos sobre o outro que estão congelados (imutáveis), pois afinal, é mais coerente (e inteligente) entender que: se não somos os mesmos de 4 meses atrás, porque o outro também não pode ter evoluído? Mudado? Ou só você acha que tem o dom da evolução humana que lhe foi dado com a mesma probabilidade de quem ganha na megasena?

O outro ponto é também repensar sobre os nossos comportamentos automáticos; Quais comportamentos eu ando tendo perante meus familiares que podem estar alimentando a crença de que ainda sou a mesma pessoa, parada no tempo, de 15 anos atrás?

 

André Barbosa

85 98813-9593

Psicoterapeuta Cognitivo-Comportamental

Instagram – O psicólogo.

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Depressão: como acontece?

Por andreflavionb em Depressão, terapia cognitivo-comportamental

08 de junho de 2018

Depressão como acontece?

 

Depressão: como acontece?

Vamos ouvir o relato de alguém que viveu o inicio de uma depressão e, sem tratamento, foi piorando.

“De repente um dia…

Você acorda sem motivação para fazer nada. Aliás, você não consegue ver sentido para fazer nada. Não consegue ver boas expectativas. O futuro e o presente são apenas uma mancha cinza na sua vida.

Sabe aquele lugar que você gostava de ir? Sabe aquele seu passatempo favorito? Aquela comida que você amava? Sua série favorita? Aquela ida ao cinema? De repente tudo isso que te alegrava, animava seu dia, te dava prazer, não existe mais.

Se essas coisas tivessem evaporado do mapa ou deixado de existir, talvez você sentisse até um reconforto: ” Eu sei o que me animaria, mas infelizmente não tem mais”. O problema é que todas essas coisas estão presente e você nota, para seu desespero, que não te animam mais, não te traz mais nenhum prazer.

A sua memória e atenção começam a te deixar na mão. Você esquece coisas e atividades que jamais achava que iria esquecer.
Você começa a adoecer com qualquer coisa. Um pequeno resfriado chega até você como uma fortíssima gripe.
Tudo vai perdendo a graça e o brilho aos poucos, até a comida perde o sabor e se transforma em apenas mais uma obrigação que você tem que cumprir.

Você sente que está preso dentro de si, dentro de algo escuro, sem perspectiva de melhoria alguma.
Pensamentos questionando sua utilidade no mundo começam a invadir sua mente. Você começa a se achar a pior de todas as criaturas. Começa a se achar um fardo na vida das pessoas.

O choro vem do nada, é como algo que você precisa botar pra fora.

Para piorar, você não sabe dizer exatamente o motivo de estar se sentido assim e isso te desespera ainda mais. ”

Imagine sentir tudo isso ocorrendo em um único dia. Não é uma tortura? Agora imagine sentir isso de forma crônica, dia após dia? Essa é a vida de uma pessoa que sofre com os sintomas da doença que é a segunda maior causa de morte no mundo: A Depressão.

Tratar alguém que está com depressão como “isso é frescura! Reage menino!! Se levanta da cama!” É o mesmo que pedir para alguém que está com hemorragia causada por dengue que “pare de sangrar menino!! Deixa de frescura!”. É simplesmente ridículo e ofensivo, pois, assim como qualquer outra doença, ninguém escolhe ficar depressivo.

E como qualquer doença grave, deve ser tratada com máxima seriedade . Só medicação apenas NÃO RESOLVE e, em casos graves, só psicoterapia também NÃO RESOLVE.

Depressão deve ser encarada como uma doença grave SIM e que precisa de tratamento (como em qualquer doença) logo no começo dos primeiros sintomas. Quanto mais tempo passa-se sem o devido tratamento, mais perdas (sociais, pessoais, profissionais e até risco de vida) acontecem na vida da pessoa.

A depressão, muitas as vezes, é a ponta do iceberg. Cabe ao psicoterapeuta analisar de onde vem a depressão. Pode ser o excesso de estresse, ansiedade, instabilidade de humor, impulsividade… Depressão, muitas as vezes, é o sintoma que aparece quando o corpo e a mente estão esgotados. Por isso a importância de uma boa terapia e, muitas as vezes, de uma boa estratégia medicamentosa, com o objetivo de analisar profundamente as causas da depressão.



A pergunta é: Você vai deixar seu quadro se agravar ?

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André Barbosa
Psicólogo Clínico
CRP 11/11089
85 9 96513394

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Quando transtornos psicológicos transformam-se em doenças graves.

Por andreflavionb em Transtorno psicológicos

05 de junho de 2018

Transtornos psicológicos estão associados a: obesidade, diabetes tipo 2 até câncer, metástase,

Quando transtornos psicológicos transformam-se em doenças graves.

Já é sabido o quanto transtornos psicológicos afetam nossa vida pessoal, social, familiar, profissional e afetiva, mas se a população em geral soubesse das recentes descobertas e pesquisas que associam o aparecimentos de graves doenças como câncer, por exemplo, a transtornos emocionais como ansiedade, estresse crônico, instabilidade de humor… Levariam mais a sério a saúde mental.

Poderia listar aqui um número quase interminável de doenças associadas ao estresse crônico. A lista vai desde diabetes, obesidade até câncer (útero, mama, próstata…)

Acontece que nosso cérebro, para manter o corpo em modo de alerta ( que é nosso sistema de estresse/ansiedade: enfrentar imediatamente um problema, fugir de um problema, ou antecipar problemas que ainda não aconteceram), descarrega em nosso corpo um hormônio chamado: cortisol (produzido por nossa suprarrenal). É um sistema complexo que se inicia em uma situação considerada como estressor pelo individuo, fazendo nosso hipotálamo liberar corticoprina, um estimulante que desencadeia o sistema de estresse, que faz outra estrutura cerebral, a hipófise, liberar o hormônio adrenocorticotrópico, que ativa nossas glândulas adrenais, que produzem o cortisol.

O aumento de cortisol por sua vez desregula nosso metabolismo, aumenta níveis de glicose em nosso sangue (o sistema criado produzir mais energia para lutar), que, por sua vez, aumenta colesterol e está associado a diabetes tipo 2.

Para manter o sistema de estresse, com o aumento do cortisol, nosso corpo aumenta o desejo por comida de alto valor calórico: doces, carboidratos, gorduras.

Poderia ainda continuar com uma lista grande apenas ligadas ao aumento de cortisol, citarei as principais: depressão, osteoporose, desregulação do sono (que por sua vez está associado a outros inúmeros desencadeares de mais transtornos emocionais, como impulsividade/ansiedade/depressão, e com mais doenças fisiológicas), problemas de pele e alteração do ciclo menstrual.

O estresse também está associado ao câncer de útero. É o que sugere um estudo publicado na revista científica Annals of Behavioural Medicine.

Segundo os cientistas do Fox Chase Cancer Centre, nos Estados Unidos, os sistema imunológico de mulheres que sofrem de estresse apresentam dificuldades de combater o vírus que causa a maioria dos tipos de câncer cervical.

As mulheres com alto nível de estresse têm uma resposta fraca ao HPV16. Isso significa que elas têm um risco maior de desenvolver câncer cervical porque o sistema imunológico não consegue combater os vírus que causam este tipo de câncer“, afirma Carolyn Fang, que liderou o estudo.

Outro importante estudo divulgado pela revista Nature (uma das revistas cientificas mais conceituadas do mundo) ressalta que o estresse agudo e crônico altera até a expressão genética de nossas células.https://www.nature.com/articles/s41568-018-0020-9

Podendo, através de um sistema chamado “transmissão intergeracional”, repassar tendências a ansiedade para nosso filhos, via mudanças nos gametas e no ambiente uterino gestacional.Foi, inclusive, observando que filhos de pais expostos a estresse ou trauma podem estar em maior risco de problemas físicos, comportamentais e cognitivos, bem como psicopatologia. Além disso, foram descobertos correlatos biológicos do estresse parental, em particular, às alterações neuroendócrinas, epigenéticas e neuroanatômicas. https://www.nature.com/articles/npp2015247

Além do mais, estudos epidemiológicos e clínicos nos últimos 30 anos forneceram fortes evidências de ligações entre estresse crônico, depressão e isolamento social e progressão do câncer, podendo levar a metástase. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3037818/

Portanto, devemos encarar a saúde mental como alicerce para termos saúde e qualidade de vida, como um tratamento preventivo. Não deixe para depois, leve sua saúde mental a sério.

André Barbosa

Psicólogo Clínico

85 98813-9395

 

 

 

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E essa tristeza sem motivo aparente?

Por andreflavionb em tristeza

31 de Maio de 2018

Quando sentimos uma tristeza, desânimo, sensação de vazio… sem motivos aparente.

E essa tristeza sem motivo aparente?

Hoje vamos conversar sobre um sentimento cada vez mais presente na vida das pessoas nessa correria do dia-a-dia: uma tristeza, desânimo, sensação de vazio… sem motivos aparente.

Para entender o caso, vamos analisar a vida de Beatriz, uma estudante universitária, 22 anos.

Beatriz mora com os pais, diz que a relação familiar é boa, namora, está no curso que sempre quis fazer; medicina. Porém, anda sentindo uma tristeza, uma angústia cada vez mais forte, cada vez mais presente em seu dia-a-dia.

Nada está ruim na vida dela, ela sabe disso, tem consciência disso, e isso piora a situação: “Como eu posso estar me sentindo assim se tenho tudo?”.

Pensamentos como: “Por que eu não me sinto feliz? / Quando eu vou ter paz?/ Quando essa dor vai passar?/ Até quando vou aguentar isso?”, estão cada vez mais presentes no dia-a-dia de Beatriz e isso tem tornado sua vida mais cinza, sem graça, sem boas perspectivas futuras.

Tudo isso tem tirado o estímulo de Beatriz para estudar, querer sair, tem se achado uma péssima namorada “Ele não merece isso”, e isso está colocando até sua relação em risco. Se fosse fazer só o que tinha vontade, passaria o dia dormindo, isolada em seu quarto, sem precisar sair, sempre precisar ir ver namorado ou amigos.

Muitas vezes tem vontade de sumir. Que os outros a esqueçam.

Sente-se como se fosse uma espectadora da própria vida, sem o poder de alterar nada, apenas vai vivendo conforme a vida vai “mandando”.

Diferentemente da tristeza, que é uma emoção normal, consequência de alguma frustração, luto, rompimento de relacionamento, perda, dor (e que tem uma causa claramente notada), essa sensação de “vazio, angústia, tristeza sem motivos” deve ser levada a sério, pois são sintomas (sinalizações) de algo mais complicado como, por exemplo; uma depressão.

Existe um conjunto de coisas (o que chamamos de “fatores sistêmicos”) que podem estar provocando isso: desregulação do sono, ansiedade/estresse crônico, alimentação desregulada, pensamentos distorcidos sobre si e sobre o mundo, comportamentos automáticos, falta de exposição a luz solar saudável, baixo consumo de água, falta de atividades prazerosas, sedentarismo… Enfim, existe um vasto conjunto de coisas que podem estar contribuindo para vir esse tipo de sensação que acaba tirando o brilho da vida, prejudicando todos os campos da vida: pessoal, profissional, familiar, afetivo…

A boa notícia, dito isso, é que essa sensação tem sim motivos, portanto, tem cura/controle. Porém, o primeiro passo é querer e agir para melhorar. Existem pessoas que estão nessa situação, querem até melhorar, mas não fazem nada a respeito.

Procurar ajuda de um profissional da saúde mental: psicólogo/psiquiatra é um importante passo.

Psicólogo/psiquiatra com um bom entendimento cognitivo-comportamental deverá analisar sua vida de forma ampla, entendendo que nem tudo é psicológico, que somos resultado de vários fatores: ambientais, fisiológicos, genéticos e sociais. E tudo isso impacta diretamente em nossa saúde mental.

Iai? Vamos sair dessa?

 

André Barbosa

Psicoterapeuta Cognitivo-Comportamental

Contato: 85 98813-9593

 

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BORDERLINE: QUANDO É AMOR OU DEPENDÊNCIA?

Por andreflavionb em Psicologia, Transtorno de personalidade boderline

29 de Maio de 2018

Instabilidade emocional, sensação de inutilidade, insegurança, impulsividade e relações sociais prejudicadas. Imagem retirada: http://images1.minhavida.com.br/imagensconteudo/17514/mediabox%20luto%20relacionamentos_17514_242_427.jpg

BORDERLINE: QUANDO É AMOR OU DEPENDÊNCIA?

 Hoje vamos falar sobre o transtorno de personalidade borderline; Um transtorno que pode provocar estragos emocionais na vida de quem sofre e de quem convive ao redor. O grande problema que dificulta o diagnóstico é a tendência a achar que é apenas um traço característico da pessoa; “Ah, não se preocupa, ela é assim mesmo.”/ “O que você tem? Nada, apenas baixou um espírito de tristeza e deu vontade chorar, normal”. “Não se preocupa, ela está puta contigo agora, mas amanhã ela volta atrás, é normal, ela é super bom coração”.

Um dos principais traços característico reconhecido por amigos ou familiares de um border é dizer “Ela é uma pessoa intensa”.

As pessoas que convivem com um borderline sente-se como se estivesse em constante estado alerta; é uma sensação de eternamente ter que pisar em ovos; “O grande problema é falar que fulano está errado, porque ele leva para o lado pessoal, fica extremamente ofendido, acha que você não gosta mais dele…”

E os borderlines sofrem todos os dias a angustia de conviver com a dor de ser aceito. Sentir uma grande necessidade de agradar. Desde demonstrar isso publicamente de forma exagerada (pessoas que postam nas redes sociais, por exemplo, que amam o outro, ou que encontrou o amor da vida, quando, na verdade, não tem nem 1 mês que conheceu o outro), ou tentam comprar presentes caros….

Os border vivem sempre como se estivessem no limite emocional. Qualquer coisa, por menor que seja, tem potencial de desestabilizar o sujeito que sofre desse transtorno; O medo de rejeição, por exemplo, deixa o sujeito em constante estado de alerta, buscando indícios se o outro está o deixando ou não, qualquer coisa, até um tom de voz, pode ser interpretado como um forte sinal de que o outro está prestes a deixa-la, ou, o que é pior; se apaixonando por outra.

Conviver com essas instabilidades emocionais não é fácil, a válvula de escape, muitas as vezes, é o comportamento compulsivo; comprar demais, comer demais…  Além de ser fácil identificar atos impulsivos: tomar grandes (e drásticas) decisões sem pensar e rápido demais.

Aqui vamos falar de três casos;

**************************************

Mesmo depois de 4 meses solteira, Luanne continua questionando-se o que fez de errado para que seu namoro de 2 anos chegasse ao fim? Fez tudo que o namorado pediu: Afastou-se dos amigos, deu todas as senhas de suas redes sociais, só saía se fosse com o ele e excluiu alguns amigos de suas redes para evitar confusão.

Comenta com a família, geralmente chorando, que nunca mais vai encontrar alguém, que tem medo de morrer sozinha, apesar de nunca ter ficado solteira por mais de 4 meses. Sempre quando achava que um namoro estava para acabar, ela ja tratava de garantir um paquera que fosse um forte candidato a futuro namorado. 

O mais estranho, comentário geral, era a facilidade de se envolver. Namora fulano por 1 mês e já esta se declarando na redes sociais. “O amor de minha vida!”

Criou uma conta fake no instagram e facebook para seguir o ex e saber de sua vida. Para seu desespero, descobriu que ele está saindo com outra. Comenta com as amigas que sente uma dor profunda, na alma… Uma dor insuportável… que está perdendo a alegria de viver.

Hoje os pais de Luanne comentam que ela piorou a instabilidade de humor, está comendo demais, bebendo demais, trancou a faculdade e irrita-se facilmente por qualquer coisa. Fala aos pais que sente um vazio, como se precisasse de alguém para se sentir completa, mas sempre sentiu isso a vida inteira.

 

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Lícia sempre foi uma pessoa intensa. Daquelas que ou ama ou odeia. Uma pessoa que se entrega de corpo e alma quando gosta de alguém, mas que vive a mesma intensidade de dor quando se decepciona com essas pessoas. É como se parte dela morresse ao ver-se traída, seja por amigas ou namorado.

Costuma achar (e ter quase certeza) que as pessoas ficam falando dela quando chega em algum canto e vê alguém cochichando ou olhando de lado. Inclusive ja pegou várias brigas por isso. Quando questionada sobre o motivo, apenas fala “Eu tenho certeza que ela não gosta de mim! Ou que estava falando mal de mim!”.

Lícia foi miss, mas se considera feia e desinteressante. É uma pessoa extremamente carente e hoje está sofrendo violentamente por um relacionamento de 4 meses que terminou. Perdoou a traição do namorado com outra menina a fim de manter o relacionamento, mas foi Roberto que quis o fim, alegando querer “curtir mais a vida com os amigos”.

Sentir-se trocada, abandonada, rejeitada, está sendo pesado demais para Licia, que confessa ter pensado se matar já algumas vezes.

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O que Luanne e Lícia tem em comum é que as duas sofrem do transtorno de personalidade boderline.

Um transtorno extremamente complicado e que afeta todas as áreas da vida de uma pessoa (profissional, familiar, afetivo… ).

Um dos traços característicos do transtorno de personalidade Borderline (que refere-se viver na borda, no limite) é instabilidade no humor,  no comportamento e e nos relacionamentos.

Geralmente são pessoas que precisam da aprovação dos outros para se sentir bem consigo. Submetem-se aos desejos e ao controle ( incluindo tolerar invasão de privacidade) dos outros para sentirem-se aceitos. Podem apresentar um ciúmes excessivo dos parceiros por medo de abandono.

Alguns tem a necessidade de estar sempre em um relacionamento (São pessoas que você nunca viu solteiro por muito tempo) e que, em um espaço curtíssimo de tempo, já está se declarando apaixonado.

Borders sentem-se inferiores (baixa autoestima). Às vezes, evitam contato com as outras pessoas por  medo de não se sentir aceito. Não reagem bem a criticas. Aliás, são pessoas que geralmente temos que “pisar em ovos” para realizar qualquer crítica por menor que seja. 

Outro traço característico é impulsividade (ou compra demais, ou/e come demais, ou/e promiscuidade nas relações….) , tomam decisões e atitudes impulsivas (e geralmente se arrependem na sequencia). São pessoas que confiam demais nas emoções.

Relatam sentir uma angústia/sensação de vazio.

É difícil também saber o que um border sente pelo outro; Se é amor ou se é simplesmente um traço da doença; a dependência de ter um relacionamento para se sentir completo… Custe o que custar.

Não existe medicação que cure o transtorno, embora seja necessário, em casos graves, alguma medicação que ajude no controle da depressão e impulsividade juntamente com a terapia.

Hoje o tratamento mais efetivo no controle da doença é a psicoterapia. Vários estudos apontam a Terapia Cognitivo-Comportamental como a terapia de maior eficiência no tratamento, especificamente: a terapia dialética.

 

O ponta pé inicial é buscar ajuda.

 

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Psicólogo Clínico/ CRP 11/11089

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Um retorno a Beck: uma crítica (construtiva) as TCCs terceira onda.

Por andreflavionb em terapia de esquemas emocionais

16 de Maio de 2018

Um retorno a Beck

Um retorno a Beck: uma crítica (construtiva) as TCCs terceira onda.

Recentemente nós, terapeutas cognitivos-comportamentais, estamos vivendo um bombardeio de novas técnicas, novas siglas e abordagens teóricas da prática clínica da psicoterapia cognitivo-comportamental, nomeadas “tcc terceira onda” (Terapia Cognitivo-Comportamental Terceira onda). Tais terapias/abordagens (da terceira onda) surgiram como uma proposta de um “avanço” da TCC tradicional. Uma evolução.

Alguns psicoterapeutas “avançados” até olham com certo desdém “Ah, você é tcc tradicional, não é?”. Aparenta que quem é tcc tradicional é da velha guarda. Ultrapassado. OldSchool.

Particularmente, considero-me um TCC tradicional que acredita piamente no behaviorismo radical, assim como Aaron T. Beck (considerado o pai da TCC) acreditava.

Antes de mais nada, aos que olham com desdém a análise do comportamento, apenas digo: voltem a estudar. Você nunca será um bom Terapeuta Cognitivo-Comportamental se não entender, pelo menos, a base teórica e prática da análise do comportamento. A ciência criada por Beck (terapia cognitivo-comportamental) teve seus alicerces na terapia comportamental tradicional diferenciando-se pela incorporação da importância dos pensamentos disfuncionais como mantenedores de sintomas e transtornos mentais (DOBSON, 2006). Em outras palavras, Beck, começou a partir de Skinner e não fazendo qualquer tipo de releitura de sua ciência.

Amigos psicólogos, não percam seu tempo tentando ver algum buraco/erro no Behavorismo Radical. Skinner (pai da análise do comportamento) comprovou toda sua ciência em laboratório…. Então não dá para ser contra algo comprovado, é o mesmo que você querer gastar seu tempo e energia para provar que 1+1 não é igual a 2.

Saber porque um comportamento é mantido é uma regra básica da terapia cognitivo-comportamental, que veio lá de Skinner. Certo? Sem esse entendimento das contingências reforçadoras e condicionamento operante, você não sairá do canto na TCC, quem dirá nas tais evoluções da TCC terceira onda.

Mas voltando para TCC terceira onda; Vamos pegar algumas das principais: Terapia de Esquemas emocionais (existe um mundo de novos teóricos da terapia de esquemas emocionais, mas irei focar-me no trabalho do seu principal teórico: Robert L. Leahy) e a EMRD.

Antes de mais nada, quero deixar claro que entendo como evolução aquilo que acrescenta algo no que já existe. Certo? Um conceito simples e claro.

O conceito base da terapia de esquemas emocionais muito difundido por Robert L. Leahy é o não-julgamento das emoções. Em seu último trabalho, Leahy (2016) escreveu 377 páginas explicando basicamente como nascem as principais emoções, dando destaque ao ciúmes e a inveja. Explicou a importância de validar (acolher) os sentimentos e emoções dos pacientes, normalizando emoções experimentadas pelo paciente como aversivas, fazendo-o compreender que tais sentimentos possuem uma razão de existir, e até mesmo uma serventia evolucionista para nossa sobrevivência ( Ex; sem a ansiedade, por exemplo, talvez não estaríamos vivos hoje, já que foi a ansiedade que proporcionou os primeiros humanos a preparar-se para o risco de luta ou fulga. ). Alguém discorda disso? Eu não (mais adiante você verá que Beck também não discorda disso).

Leahy ( 2016) também fala sobre a importância de uma boa relação terapêutica. Usou inclusive o termo “transferência”. E é isso. De uma forma resumida; é isso.

Bem, onde está a evolução científica da terapia de esquemas emocionais em relação a TCC tradicional? Vamos lá;

Ainda em 1997, Judith Beck falava da importância das emoções e do relacionamento terapêutico. Isso está escrito no PREFÁCIO de seu livro; É uma concepção errônea achar que a terapia cognitiva é meramente um conjunto de técnicas, que subestimam a importância das emoções e do relacionamento terapêutico (Judith, 1997). Precisa dizer mais alguma coisa?

Leahy fala na flexibilização de conteúdo (demandado pelo paciente) nas sessões da psicoterapia, dando a entender como sendo algo inovador da terapia de esquemas emocionais, mas está em Princípio 1 da terapia cognitivo-comportamental – “A terapia cognitiva se baseia em uma formulação em continuo desenvolvimento do pacientes e de seus problemas” (Judith, 1997, p. 20).

Ainda sobre a importância da relação terapêutica, Leahy certamente deve (ou deveria) ter lido e os princípios básicos da TCC que consta: Principio 2 “A terapia cognitiva comportamental requer uma aliança segura” (Judith, 1997, p. 21). Usa-se o termo Rapport que fica mais claro do que “transferência” usada por Leahy (2016).

Leahy destaca o ato de dar espaço para o paciente poder apresentar suas emoções na clínica, passa até uma imagem de que o terapeuta cognitivo-comportamental é um robô que prefere cortar a fala do paciente e ir direto ao ponto, aplicando protocolos e técnicas, deixando o conteúdo emocional do paciente de lado, antes de passar essa ideia ele deveria ter lido o principio 3 que fala : “A Terapia cognitiva- comportamental enfatiza a colaboração e participação ativa” (Judith, 1997, p. 21). Isso significa que não existe nenhum manual cognitivo-comportamental que ensine o psicoterapeuta a ser um ditador, pelo contrário, o psicoterapeuta deve ESTIMULAR a participação ATIVA do paciente na terapia, acolhendo sua dor, abstendo-se de qualquer preconceito ou julgamento, normalizando suas emoções e pensamentos.

Leahy expõe como inovadoras, técnicas para modificação de emoção utilizando alguns conceitos “inovadores” de Lenehan como a técnica de ação oposta, sendo que Judith Beck já em 97 nos apresentava a técnica “de experimentos comportamentais” que trata-se de testes comportamentais contra os pensamentos e emoções apresentados, além dos cartões de enfrentamentos que basicamente é um enfrentamento aos pensamentos e emoções do paciente. Podemos dizer, portanto, que a técnica de ação oposta apresentada por Lenehan é tão inovadora quanto técnica de enfrentamento apresentada por Beck. Em minha humilde opinião, ambas as técnicas são primas (senão irmãs vestidas com roupas de outras cores) de técnicas já existentes.

O ponto que, em minha opinião, é um erro grosseiro de Leahy é quando ele estimula um paciente, que está enfrentando dificuldades no relacionamento, a acolher as emoções do seu parceiro (tidas irracionais) quando este estiver querendo discutir. Ele ainda argumenta/tranquiliza o paciente de que o comportamento irracional do seu parceiro não aumentará a frequência ao ser reforçado: “O principio de que o comportamento que é reforçado aumentará de frequência (é equivocado), (pois) a expressão emocional é como outros comportamentos de apego; ela vai continuar a expressão emocional até que o “sistema” esteja completo. (Leahy, 2016, p. 307).

Para embasar essa teoria (absurda) ele desafiou o leitor terapeuta a fazer um role play com o paciente, fazendo-o simular o parceiro queixoso enquanto o terapeuta assume ativamente o papel de validação. E completa: “Em geral o queixoso esgota as coisas de que reclama e finalmente reconhece que o ouvinte compreende. (Leahy, 2016, p. 307). Essa é a prova que ele usa para comprovar que reforçando o comportamento alvo, este não aumentará a frequência.

Se ele entendesse o básico de análise do comportamento não cometeria esse mico irresponsável. Bastava ele estudar sobre operação estabelecedora que diz justamente que algo tido como reforçador (no caso a vontade de ter atenção ou de reclamar) vai perdendo a força a medida que vou obtendo o estímulo reforçador na contingência. Ex: minha vontade de comer chocolate vai passando, a medida que me empanturro de chocolate. Portanto, é óbvio que aplicando role play simulando um comportamento queixoso, uma hora as queixas vão se esgotar. Óbvio e evidente. Porém, isso não significa que esse comportamento perdeu a força. Pelo contrário, o comportamento queixoso somente aumentará. Skinner provou isso. Ao reforçar um comportamento, ele aumenta de frequência. Portanto, estimular um paciente a reforçar um comportamento do parceiro (tido como irracional) é o mesmo que pedir para desestabilizar seu relacionamento. Suas relações.

Acolher uma emoção demasiada (um surto emocional) fruto de uma distorção cognitiva de um paciente, sem corrigi-la e adequa-la é o mesmo que está pedindo para o paciente continuar com seu problema, tornando-o dependente, para sempre, de terapia. Ele usará a terapia como veiculo de desabafo emocional. Além de não ir na raiz do problema. Não aprofundar-se. Vincular-se apenas na dor, no sintomas, e não na causa. Na REAL causa.

É o velho efeito “perfume barato”. Você coloca, sente-se cheiroso, mas, 10 minutos depois, passa o efeito. No caso, o paciente sairá da terapia sentindo-se leve, validado, “amado”, mas logo perceberá que não teve evolução, que os problemas continuam apresentando-se quase como filme velho e repetido em sua vida.

A terapia cognitivo-comportamental nos ensina que devemos entender em quais circunstâncias os pensamentos (que provocam determinadas emoções, que provocam determinados comportamentos) surgem. Entender, acolher, compreender. Isso é o básico da tcc. E qual a serventia saber disso? Para irmos na raiz do problema. Entender, através do paciente, em quais circunstâncias o paciente ou seu parceiro, por exemplo, está reagindo de forma irracional. De repente, esse pode ser o único meio pelo qual o paciente (ou o parceiro do paciente) aprendeu a reagir. O ideal é estimular uma reação adequada e reforçar, positivamente, esse novo comportamento quando este surgir. As vezes, tudo que o parceiro quer é sentir-se amado, receber atenção e carinho, e a forma que encontrou para ter essa atenção é reclamando, criando atrito. Esse comportamento pode ter sido reforçado desde criança quando este queria atenção dos pais e não tinha, dai foi percebendo que fazendo birra/gritando/esperneando, tinha o que queria: atenção e carinho. Se o paciente der o que o parceiro quer (como sugerido por Leahy) no momento de irracionalidade/birra deste, ele estará perpetuando um comportamento disfuncional do outro. Somente isso. Leahy estimula o paciente ser um eterno bombeiro apagador de incêndio em seus problemas conjugais, sem ir na causa do incêndio.

Em resumo, não vi nenhuma novidade na terapia de esquemas emocionais, quer dizer, deixe-me corrigir, a única novidade foi essa: De acordo como Leahy, reforçar um comportamento, não fará ele aumentar de frequência. Ainda bem que Skinner não é vivo para escutar isso. Aos “queixosos” defensores da terapia de esquemas emocionais, eu vos digo: eu gostei de 99% do que vi ( e até pratico em minha clínica), até porque, como já expus, é a mesma coisa da terapia cognitivo-comportamental. O 1% que não gostei foi justamente a parte que Leahy quis acrescentar de novidade quanto ao equívoco básico de achar que o comportamento reforçado não aumentará a frequência.

Outra novidade da terapia cognitivo-comportamental terceira onda é o eye movement reprocessing and desensitization (EMRD). A base teórica dessa terapia é pedir para um paciente evocar um pensamento aversivo/fóbico, centrar-se nele enquanto fica seguindo os movimentos dos dedos do terapeuta (que ficam de forma constante e lenta caminhando da esquerda para direita da direita para esquerda, na horizontal). Desculpe-me está resumindo drasticamente, quase de forma grosseira, essa técnica, mas é exatamente isso. Falam que o movimentos dos olhos, enquanto o pensamento fóbico/aversivo está na consciência, ajuda o cérebro a dissipar a força fóbica/aversiva destes mesmos pensamentos sobre o individuo. Utilizam conceitos neurocientificos de nódulos neuroquimicos cerebrais que não foram devidamente processados, por isso, o pensamento fóbico/aversivo ainda é presente. Dai o terapeuta fica medindo o grau de tensão do paciente de 0 a 10 durante cada pausa que faz (até para descansar o braço). Ao final da primeira sessão, o paciente sai afirmando que o pensamento fóbico (que inicialmente tinha força 10 de tensão) , perdeu a força, indo para 3 ou 2. Jura?

Skinner na década de 30 já falava em dessensibilização sistémica que basicamente seria propor, de forma gradual, a exposição do paciente ao estímulo aversivo para tratar fobias ou fazer um estímulo aversivo perder a força sobre o paciente. A terapia cognitivo-comportamental se valeu dessa técnica dando uma nova roupagem como o enfrentamento/inundação.

Gente, precisa ser muito inteligente para saber que fazer o paciente evocar pensamentos fóbicos, de forma constante (sem ficar pedindo para movimentar os olhos), teremos o mesmo resultado? Quem aplica EMRD pode fazer o teste: Peça para o paciente evocar o pensamento fóbico e façam-no manter o pensamento de forma constante durante toda sessão que, ao final, você verá o mesmo resultado: O pensamento aversivo perderá a força. E isso sem provocar bursite no terapeuta.

Para finalizar, proponho que, antes de investir em uma formação de tcc terceira onda, ou querer criar uma nova abordagem, estude bem análise do comportamento de Skinner e a terapia cognitivo-comportamental de Beck. Sim, é preciso ficar antenado no que tem de novo (e que se prove eficiente), reciclar-se. Dicas: algumas ciências comportamentais estão trazendo muitas novidades bem fundamentadas e inovadoras: genética comportamental, neurociências, psicologia evolucionista.

Mas o que vejo é uma necessidade mercadológica por novos nomes, coisas supostamente mais “modernas” (neuro isso, neuro aquilo, terapia de esquemas emocionais, EMRD… Não vou nem falar sobre Coach porque quis me ater a ciências sérias da saúde mental)…  É como se alguém quisesse aprender ou criar uma nova teoria matemática revolucionária sem sequer saber as operações básicas (somar, subtrair, dividir e multiplicar).

Retornemos a Beck.

André Barbosa.

Psicólogo Clínico

Psicoterapeuta Cognitivo-Comportamental

85 98813 9593

 

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A difícil arte de não ligar o foda-se.

Por andreflavionb em assumir responsabilidades

08 de Maio de 2018

A difícil arte de não ligar o foda-se.

 

A difícil arte de não ligar o foda-se.

A pedidos de vários seguidores, e até de pacientes, hoje irei sintetizar minhas impressões sobre um livro que, ao que parece, está na boca de todos, chamado: “a sutil arte de ligar o foda-se” escrito por Mark Manson.

Sim, tive que comprar e ler para poder opinar, apesar de quebrar minhas próprias regras de somente comprar um livro de autoajuda se o escritor realmente for credenciado para tratar de tal tema. O grande problema dos livros de autoajuda, além de serem apelativos e proporem uma solução mágica para todos os nossos problemas, é que tem muito escritor escrevendo sobre como vencer uma corrida de bike, mas que nunca soube andar de bicicleta na vida.

Para começar; quem é Mark Manson? Bom, aparentemente, apenas um blogueiro. É o que diz o seu próprio linkedin e nos dados curriculares que vem no seu livro também. O que um blogueiro tem a me dizer sobre como devo perceber, me ensinar, influenciar e trilhar minha vida? Ok, quebrei essa regra, e li mesmo assim.

Cada um interpreta um texto com seu olhar subjetivo. Tentarei, a seguir, expor meu entendimento, que pode ser diferente do seu. Normal.

Como tudo na vida, nada é 100% ruim, e nem 100% bom. Assim é o livro de Manson. Nem tudo é ruim.

Gosto quando ele passa uma mensagem, por exemplo, de que aceitar uma dor, uma perda, um luto, pode ser a melhor forma desses sentimentos irem embora mais rápido. Apesar de não ter ali nenhuma explicação cientifica de porquê isso acontece, mas ok, ele não tem obrigação de saber isso. Gosto também quando ele fala de aceitar as incertezas da vida, uma ótima fórmula para reduzir a ansiedade.

Porém, o livro trata o ato de dizer “foda-se” para os problemas (aqueles que você acha que não pode solucionar), para o mundo (considerado pelo autor algo que está fora do seu controle), como se fosse algo bem difícil de se fazer e até libertador, porém, na realidade, estamos quase vivendo uma geração dos que apertam o foda-se por qualquer coisa. Sim, acredite, hoje estamos vivendo a cultura do foda-se, talvez até seja esse o motivo do livro ser um best-seller. Como se ao comprarmos esse livro ou só ler a capa eu ja me sentisse bem comigo mesmo ao ter dado um cotoco para mundo e para meus problemas. Passa uma sensação, superficial, de alívio e bem estar.

E esse é um dos aspectos mais perigosos de um livro de autoajuda, podemos cair no erro de selecionar apenas as informações que me agradam, que me interessam, que diz que eu estou certo, e descartamos as que não me interessam ou que me contradizem.Por exemplo; o que é um problema insolúvel? Eu posso simplesmente considerar que um traço de minha personalidade, que me atrapalha a vida e os meus objetivos, ou no outro, é algo insolúvel e acabou. “O jeito é aceitar, se conformar”. Eu posso achar que não tenho nenhuma responsabilidade ou controle de minha vida, quando se trata de respostas do mundo para mim. Como disse um colega meu; “eu posso aderir a cultura da mediocridade”, afinal, cansa menos.

Abrangendo o “foda-se”, vejo várias mensagens correndo soltas nos instagrans da vida, como por exemplo; “aceite-se, você não tem que se encaixar no mundo/ Seja autêntico, os outros já existem/ Se os outros não te aceitam, o problema é dos outros, não seu.”. Essas mensagens, embora “bonitinhas”, quando são levadas ao pé da letra, provocam dor e sofrimento.

Imagine uma pessoa impulsiva/ou compulsiva que diz para todos; “esse é meu jeito de ser!”, ou uma pessoa instável que entende que o problema são os outros, não ela. Ou alguém com crise de baixa autoestima que acha que será traída a qualquer hora, desenvolver um ciúmes patológico, como prevenção de não ser traída, dizendo: Eu sou assim e acabou.

Estamos vivendo uma época tenebrosa onde pessoas, cada vez mais, estão ficando intolerantes as frustrações, onde Bauman bem escreveu; vivendo em relacionamentos líquidos.

Afinal, é mais “fácil” trocar de namorado, de amigos, de emprego, do que olhar pra dentro de si, fazer uma autocrítica, tentar se trabalhar, melhorar, evoluir.

Uma pessoa que vive, ao pé da letra, a frase “se os outros não te aceitam, o problema é dos outros, não seu.”, em outras palavras, uma pessoa que liga o “foda-se” com facilidade de quem dá um “bom dia”, geralmente, tem problemas em relacionamentos, um histórico de amizades instáveis, daquelas que fazem amizade com facilidade e também param de falar com a outra com a mesma velocidade. São pessoas com circulo social bem restrito, com histórico de relacionamentos afetivos bem conturbados, regados por brigas, instabilidades, rancor…

Alguns chamam essas pessoas de “uma pessoa de personalidade forte”. E quando alguns escutam isso, ainda ficam achando que é um elogio, quando, na verdade, é apenas um modo educado de dizer; essa pessoa é problemática, instável.

Entender que o problema é do mundo, não meu, é um ato preguiçoso e  vitimista (o mundo que é ruim por não me aceitar), mas se hoje você não está vivendo um momento ideal, um relacionamento saudável, ou infeliz no emprego, pode ter certeza que existe uma enorme possibilidade de você estar apenas colhendo frutos de suas escolhas. É isso mesmo; existe uma grande probabilidade de você ser o responsável por seus problemas. Vou mais além, você pode ser responsável até pela forma como os outros te tratam.

Skinner, o pai da análise do comportamento, explicou isso de forma categórica, cientifica: Um comportamento só existe porque é reforçado por algo. O comportamento que o outro tem em relação a mim só existe com minha participação. Existe algo que você faz, em consequência do comportamento do outro, que está mantendo isso.

Uma vez tive uma conversa com uma colega que postou uma frase do tipo “Não é seu papel mudar o outro. Não se culpe por isso.”. Mais uma daquelas frases conformistas que tem como o pano de fundo; melhor trocar de pessoas como quem troca de roupa, do que perder seu tempo tentando melhorar seus relacionamentos. Acontece que, se você quer manter um relacionamento, e existe algo que você não está gostando no outro, da forma como te trata, por exemplo, pode ter certeza absoluta que alguma coisa de positivo o outro está ganhando com o comportamento dele em relação a você.

O controlador, por exemplo, pode está ganhando suas senhas das redes sociais, ganhando a sua permissão para invadir sua vida privada. E enquanto você não entender seu papel no seu sofrimento, as coisas continuarão da mesma forma.

O primeiro passo rumo a uma vida melhor é querer melhorar. E, para isso, é preciso ligar, cada vez menos, o “foda-se”.

 

André Barbosa

Psicoterapeuta Cognitivo- Comportamental

85 99651-3394

 

 

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Vitimismo: qual sua responsabilidade pelas coisas ruins que acontecem em sua vida?

Por andreflavionb em vitimismo

25 de Fevereiro de 2018

Vitimismo: qual sua responsabilidade pelas coisas ruins que acontecem em sua vida? *imagem retirada amazonaws

Vitimismo: qual sua responsabilidade pelas coisas ruins que acontecem em sua vida?

Tenho observado, cada vez mais, pessoas que vivem em uma espécie de prisão comportamental. São pessoas que estão sempre se queixando de seus relacionamentos instáveis, problemas no trabalho, familiares…

Este é o mundo de uma das distorções cognitivas que mais destroem relações afetivas, empregos, relações sociais, famílias; o vitimismo. Trata-se de uma forma distorcida de perceber o mundo. Pessoas com essa distorção possuem uma grande tendência de culpar 100% o mundo pelo resultado de suas escolhas e comportamentos.

É como se todos fossem maus e culpados pelo meu sofrimento, menos eu. Eu acabo me sentindo incapaz (ou com muita dificuldade) de buscar a minha felicidade. Como se fosse dever do outro me fazer feliz, não meu.

Parece uma prisão, pois, aparentemente, essas pessoas relatam fazer de tudo para mudar a condição ruim de suas vidas; trocam de empregos, terminam relacionamentos, começam outros, mas trocam-se apenas os personagens, ambientes, empregos e a história permanece a mesma.

Existe algo em comum nesses relatos; a maioria dessas pessoas sentem-se vítima do destino. Sentem como fosse “um carma”, destinadas a serem infelizes, dai perdem a esperança por lutar por coisas melhores. Acostumam-se com o ruim. “Meu relacionamento está uma bosta, mas pra que terminar? Nada vai mudar mesmo…”. “Eu só tenho chefe escroto, é impressionante, fazer o que?”.

Pessoas com essa distorção (vitimismo) sabem que o relacionamento está ruim, que está sendo traída, mas preferem manter o relacionamento a arriscar “encontrar outro pior”.

Quando sou assaltado, ou sofro um acidente, ou uma violência, sim eu sou uma vitima. Isso significa que, por questões meramente de azar, foi a minha vez. Eu tenho como prever um acidente? Prever um assalto? Quando sinto-me vítima de algo, penso, automaticamente, que algo aconteceu contra minha pessoa, independente de meu controle e vontade. Isso é ser vitima. Eu não tenho poder de ação sobre algo que está fora do meu controle.

O problema é quando a gente se sente vítima do mundo a toda hora. Quando faço isso, mesmo inconscientemente, a mensagem que passo para meu cérebro é: “não dá para fazer nada para melhorar, pois está fora do meu controle”. Ou não vejo motivos para mudar, pois o “problema é o mundo, não eu.”.

Alguns relatos que exemplificam o vitimismo:

  • Eu sou fria, não dou carinho, não dou atenção e culpo o outro pela esfriamento da relação. Esqueço-me de todas as vezes que o outro me pediu carinho, atenção, procurou-me e eu neguei, ou fiz ouvido de “mercador”. 
  • Não sou presente em minha relação e sinto raiva quando o outro prefere os amigos do que a mim. 
  • Eu brigo por qualquer coisa, sou excessivamente ciumenta, impulsiva, explosiva, intolerante, e me sinto vítima por meu namorado ter terminado comigo e me “trocado” por outra.
  • Sempre que meus amigos me chamavam para sair eu inventava uma desculpa, nunca ia, agora que estou solteiro, sinto-me muito magoado com a turma porque estão saindo e não me chamam. Estou sentindo-me isolado. Sozinho
  • Sempre chegava atrasado em meu trabalho, não cumpria com minhas obrigações, mas culpo meu chefe por ter sido insensível e  ter me demitido.
  • Eu não estudei absolutamente nada da matéria, mas sinto-me vítima do zero que tirei na prova. O problema é o professor!
  • Eu tenho tendência a engordar e estou acima do peso, graças a genética “ruim” que meus pais me repassaram.
  • Eu sempre sofro em meus relacionamentos. Mesmo sendo gente boa. Não adianta. Meu namoro terminou recentemente. Fui traída. Não sei o que há de errado comigo, eu sou carinhosa, compreensiva, até, no inicio do namoro, peguei várias mensagens de meu namorado dando em cima de outras meninas, coisas pesadíssimas, com troca de nudes e tudo, mas passamos apenas 1 semana brigados, eu p perdoei. Confiei no que ele disse, que não tinha passado de mensagens…

Veja bem, você pode ser vítima sim de um relacionamento ruim, vítima de uma traição, vítima de um emprego ruim, mas se você não entender qual sua responsabilidade em cima das coisas ruins que acontecem na sua vida, você jamais conseguirá sair de onde está. Sentir-se apenas vítima é sentar, chorar, cruzar os braços, querer carinho e consolo de todos (piedade) com minha situação e esperar por mais coisas ruins.

É preciso entender onde erramos. Será que me valorizei o suficiente? Será que fui aceitando coisas erradas demais? Será que fui responsável com meu emprego? Será que dei atenção a minha namorada? Será que fui um marido presente? Será que fiquei calada empurrando problema para debaixo do tapete, esperando o relacionamento melhorar por osmose?

Sim, coisas ruins acontecem, mas é nossa responsabilidade pegar essa dor e transformar em aprendizagem para melhorar nossa vida, nossos relacionamentos familiares, sociais, afetivos e profissionais.

Meu relacionamento está ruim, mas o que eu posso fazer para melhorar?

Meu emprego está ruim, mas o que eu posso fazer para ser feliz na minha profissão?

Tenho uma genética ruim, estou acima do peso, mas é minha responsabilidade, caso eu queira, recuperar minha forma.

Venhamos e convenhamos, é melhor culpar o outro pelo nosso fracasso, não é? Sentir-se vitima de tudo é, inicialmente ( e a curto prazo), até confortante, pois quando não nos responsabilizamos pelo que acontece em nossa vida a gente não precisa gastar energia para mudar, realizar uma analise profunda de nosso comportamento, fazer uma autocrítica “chata”…

Sim, sentir-se vítima de tudo, tem um prazer secundário forte. Ser traído dói, mas receber apoio dos amigos, da família, sentir-se cheia de atenção é prazeroso. Falar que meu chefe foi intolerante, é melhor do que gastar energia para mudar. Falar que o professor é ruim e severo, é melhor do que deixar de sair com meus amigos para estudar…

O problema é que esse prazer vai embora rapidamente e o que fica é você e a sua realidade. Enquanto não descruzarmos os braços e começarmos a atuar como protagonista, diretor e escritor de nossa própria historia, nada irá mudar, você continuará sendo um mero observador de si mesmo, sentando na cadeira do cinema, entediado, angustiado, triste, vendo o filme de sua vida em preto e branco passar, sem puder fazer nada.

André Barbosa                                                                                                                                                                                              Cognitivo comportamental – Psicólogo Clínico – CRP 11/11089

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Automutilação emocional: quando fico preso na dor de um relacionamento instável.

Por andreflavionb em automutilação emocional

06 de Fevereiro de 2018

 

 

Automutilação emocional: quando fico preso na dor de um relacionamento instável.

Automutilação emocional: quando fico preso na dor de uma relacionamento instável. 

Hoje quero falar com vocês de um conceito novo que estou nomeando de: automutilação emocional.

Esse conceito surgiu em observações clínicas e estudos de casos onde tenho notado, cada vez mais, pessoas mergulhando (ou afundando) em relacionamentos nocivos. De muita dor, angústia e sofrimento. Essa pessoas se sentem como se estivessem presas a eles. Existem também pessoas que, embora consigam terminar um relacionamento instável, sempre acabam se envolvendo em outros relacionamentos corrosivos. Como se fosse um ciclo vicioso.

De uma forma consciente a pessoa sabe que está sofrendo muito por causa do relacionamento. São relacionamentos, geralmente, pautados por agressões emocionais, instabilidade, insegurança, ciúmes patológico. Tudo de forma exacerbada.

O discurso quase sempre é o mesmo: “Todo dia é dia. É como se estivesse em uma montanha russa. Estamos bem, mas ai, do nada, a ficamos mal.”, “Quando eu vejo ele, meu coração dispara e não é de amor, é de medo dele estar de mau humor e a gente acabar brigando”, “não consigo mais me concentrar em nada quando a gente briga. É horrível porque só consigo pensar nisso, fico com medo dele me ligar terminando, ou ficar com outra… e quando o telefone toca, meu coração dispara de nervoso”.

Essas pessoas, mesmo não possuindo vínculos que as “prendam” em um relacionamento, não conseguem sair desse tipo de relacionamento. Sentem-se presas a eles. Elas sabem que vão sofrer se continuar, mas elas continuam.

 

Onde entra o conceito de automutilação emocional?

Primeiro, para entender esse novo conceito, vamos falar da automutilação física. Ao contrário do que muitos pensam, a automutilação física, geralmente, não tem uma função de ameaçar tirar a própria vida, de sentir apenas dor, embora tais sintomas comportamentais quase sempre são acompanhados de pensamentos de ideações suicidas, mas eles coexistem. Não possuem o mesmo significado, pelo contrário, a automutilação é uma forma (equivocada) que o sujeito encontrou de suportar a vida.

Acontece que essas pessoas possuem pensamentos tão terríveis, problemas internos tão profundos, que não querem enfrenta-los e a única maneira (equivocada e arriscada) que encontraram para abafar tais pensamentos foi se automutilando. Funciona como se fosse uma distração da mente. Essas pessoas acabam associando a dor ao “prazer” de abafar os pensamentos, o mundo interno.

É ai que entro com o conceito de automutilação emocional. O funcionamento psíquico é o mesmo; são pessoas que, conscientemente, sabem que estão em um relacionamento que as provocam sofrimento, dor, mas não conseguem se livrar. Argumentam que ficar sozinhas é pior. A impressão que se tem é “essa daí já gosta de sofrer, viu?”. Se formos analisar mais profundamente, iremos descobrir que essas pessoas preferem distrair a mente com os problemas do relacionamento, do que encarar seus próprios “demônios” internos. E esse relacionamento acaba sendo mantido, geralmente, pelo prazer de não encarar a si mesmo, e não pelo amor.

Lembrando que estamos falando de relacionamentos instaveis na vida afetiva mas podemos extrapolar para relacionamentos instáveis na vida social, familiar, profissional.

Em ambos os casos (automutilação física e emocional)  a psicoterapia vai dar ferramentas ao paciente de enfrentamento desses “demônios” internos para que ele acabe com o ciclo de fuga, além é claro, de na fase inicial, ensinar o paciente outras estratégias psicoterápicas de distrações da mente que não causam danos (nem físicos e nem emocionais) com exercícios que irão fortalecer o controle emocional do paciente, como por exemplo; trazer a mente para o presente.

O psicoterapeuta também deverá ajudar o paciente a fortalecer autoestima, segurança e confiança, que são ferramentas que ajudarão, a curto e longo prazo, como prevenções de recaídas.

Agora o primeiro passo rumo a mudança é entender: estou nesse tipo de relacionamento? Estou me automutilando emocionalmente?

André Barbosa | 85 98813 9593                                                                                                                                                                                  Psicólogo Clínico | CRP 11/11089                                                                                                                                                                  Terapeuta Cognitivo-Comportamental

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Automutilação emocional: quando fico preso na dor de um relacionamento instável.

Por andreflavionb em automutilação emocional

06 de Fevereiro de 2018

 

 

Automutilação emocional: quando fico preso na dor de um relacionamento instável.

Automutilação emocional: quando fico preso na dor de uma relacionamento instável. 

Hoje quero falar com vocês de um conceito novo que estou nomeando de: automutilação emocional.

Esse conceito surgiu em observações clínicas e estudos de casos onde tenho notado, cada vez mais, pessoas mergulhando (ou afundando) em relacionamentos nocivos. De muita dor, angústia e sofrimento. Essa pessoas se sentem como se estivessem presas a eles. Existem também pessoas que, embora consigam terminar um relacionamento instável, sempre acabam se envolvendo em outros relacionamentos corrosivos. Como se fosse um ciclo vicioso.

De uma forma consciente a pessoa sabe que está sofrendo muito por causa do relacionamento. São relacionamentos, geralmente, pautados por agressões emocionais, instabilidade, insegurança, ciúmes patológico. Tudo de forma exacerbada.

O discurso quase sempre é o mesmo: “Todo dia é dia. É como se estivesse em uma montanha russa. Estamos bem, mas ai, do nada, a ficamos mal.”, “Quando eu vejo ele, meu coração dispara e não é de amor, é de medo dele estar de mau humor e a gente acabar brigando”, “não consigo mais me concentrar em nada quando a gente briga. É horrível porque só consigo pensar nisso, fico com medo dele me ligar terminando, ou ficar com outra… e quando o telefone toca, meu coração dispara de nervoso”.

Essas pessoas, mesmo não possuindo vínculos que as “prendam” em um relacionamento, não conseguem sair desse tipo de relacionamento. Sentem-se presas a eles. Elas sabem que vão sofrer se continuar, mas elas continuam.

 

Onde entra o conceito de automutilação emocional?

Primeiro, para entender esse novo conceito, vamos falar da automutilação física. Ao contrário do que muitos pensam, a automutilação física, geralmente, não tem uma função de ameaçar tirar a própria vida, de sentir apenas dor, embora tais sintomas comportamentais quase sempre são acompanhados de pensamentos de ideações suicidas, mas eles coexistem. Não possuem o mesmo significado, pelo contrário, a automutilação é uma forma (equivocada) que o sujeito encontrou de suportar a vida.

Acontece que essas pessoas possuem pensamentos tão terríveis, problemas internos tão profundos, que não querem enfrenta-los e a única maneira (equivocada e arriscada) que encontraram para abafar tais pensamentos foi se automutilando. Funciona como se fosse uma distração da mente. Essas pessoas acabam associando a dor ao “prazer” de abafar os pensamentos, o mundo interno.

É ai que entro com o conceito de automutilação emocional. O funcionamento psíquico é o mesmo; são pessoas que, conscientemente, sabem que estão em um relacionamento que as provocam sofrimento, dor, mas não conseguem se livrar. Argumentam que ficar sozinhas é pior. A impressão que se tem é “essa daí já gosta de sofrer, viu?”. Se formos analisar mais profundamente, iremos descobrir que essas pessoas preferem distrair a mente com os problemas do relacionamento, do que encarar seus próprios “demônios” internos. E esse relacionamento acaba sendo mantido, geralmente, pelo prazer de não encarar a si mesmo, e não pelo amor.

Lembrando que estamos falando de relacionamentos instaveis na vida afetiva mas podemos extrapolar para relacionamentos instáveis na vida social, familiar, profissional.

Em ambos os casos (automutilação física e emocional)  a psicoterapia vai dar ferramentas ao paciente de enfrentamento desses “demônios” internos para que ele acabe com o ciclo de fuga, além é claro, de na fase inicial, ensinar o paciente outras estratégias psicoterápicas de distrações da mente que não causam danos (nem físicos e nem emocionais) com exercícios que irão fortalecer o controle emocional do paciente, como por exemplo; trazer a mente para o presente.

O psicoterapeuta também deverá ajudar o paciente a fortalecer autoestima, segurança e confiança, que são ferramentas que ajudarão, a curto e longo prazo, como prevenções de recaídas.

Agora o primeiro passo rumo a mudança é entender: estou nesse tipo de relacionamento? Estou me automutilando emocionalmente?

André Barbosa | 85 98813 9593                                                                                                                                                                                  Psicólogo Clínico | CRP 11/11089                                                                                                                                                                  Terapeuta Cognitivo-Comportamental

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