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O Psicólogo

por André Flávio Nepomuceno Barbosa

Um retorno a Beck: uma crítica (construtiva) as TCCs terceira onda.

Por andreflavionb em terapia de esquemas emocionais

16 de Maio de 2018

Um retorno a Beck

Um retorno a Beck: uma crítica (construtiva) as TCCs terceira onda.

Recentemente nós, terapeutas cognitivos-comportamentais, estamos vivendo um bombardeio de novas técnicas, novas siglas e abordagens teóricas da prática clínica da psicoterapia cognitivo-comportamental, nomeadas “tcc terceira onda” (Terapia Cognitivo-Comportamental Terceira onda). Tais terapias/abordagens (da terceira onda) surgiram como uma proposta de um “avanço” da TCC tradicional. Uma evolução.

Alguns psicoterapeutas “avançados” até olham com certo desdém “Ah, você é tcc tradicional, não é?”. Aparenta que quem é tcc tradicional é da velha guarda. Ultrapassado. OldSchool.

Particularmente, considero-me um TCC tradicional que acredita piamente no behaviorismo radical, assim como Aaron T. Beck (considerado o pai da TCC) acreditava.

Antes de mais nada, aos que olham com desdém a análise do comportamento, apenas digo: voltem a estudar. Você nunca será um bom Terapeuta Cognitivo-Comportamental se não entender, pelo menos, a base teórica e prática da análise do comportamento. A ciência criada por Beck (terapia cognitivo-comportamental) teve seus alicerces na terapia comportamental tradicional diferenciando-se pela incorporação da importância dos pensamentos disfuncionais como mantenedores de sintomas e transtornos mentais (DOBSON, 2006). Em outras palavras, Beck, começou a partir de Skinner e não fazendo qualquer tipo de releitura de sua ciência.

Amigos psicólogos, não percam seu tempo tentando ver algum buraco/erro no Behavorismo Radical. Skinner (pai da análise do comportamento) comprovou toda sua ciência em laboratório…. Então não dá para ser contra algo comprovado, é o mesmo que você querer gastar seu tempo e energia para provar que 1+1 não é igual a 2.

Saber porque um comportamento é mantido é uma regra básica da terapia cognitivo-comportamental, que veio lá de Skinner. Certo? Sem esse entendimento das contingências reforçadoras e condicionamento operante, você não sairá do canto na TCC, quem dirá nas tais evoluções da TCC terceira onda.

Mas voltando para TCC terceira onda; Vamos pegar algumas das principais: Terapia de Esquemas emocionais (existe um mundo de novos teóricos da terapia de esquemas emocionais, mas irei focar-me no trabalho do seu principal teórico: Robert L. Leahy) e a EMRD.

Antes de mais nada, quero deixar claro que entendo como evolução aquilo que acrescenta algo no que já existe. Certo? Um conceito simples e claro.

O conceito base da terapia de esquemas emocionais muito difundido por Robert L. Leahy é o não-julgamento das emoções. Em seu último trabalho, Leahy (2016) escreveu 377 páginas explicando basicamente como nascem as principais emoções, dando destaque ao ciúmes e a inveja. Explicou a importância de validar (acolher) os sentimentos e emoções dos pacientes, normalizando emoções experimentadas pelo paciente como aversivas, fazendo-o compreender que tais sentimentos possuem uma razão de existir, e até mesmo uma serventia evolucionista para nossa sobrevivência ( Ex; sem a ansiedade, por exemplo, talvez não estaríamos vivos hoje, já que foi a ansiedade que proporcionou os primeiros humanos a preparar-se para o risco de luta ou fulga. ). Alguém discorda disso? Eu não (mais adiante você verá que Beck também não discorda disso).

Leahy ( 2016) também fala sobre a importância de uma boa relação terapêutica. Usou inclusive o termo “transferência”. E é isso. De uma forma resumida; é isso.

Bem, onde está a evolução científica da terapia de esquemas emocionais em relação a TCC tradicional? Vamos lá;

Ainda em 1997, Judith Beck falava da importância das emoções e do relacionamento terapêutico. Isso está escrito no PREFÁCIO de seu livro; É uma concepção errônea achar que a terapia cognitiva é meramente um conjunto de técnicas, que subestimam a importância das emoções e do relacionamento terapêutico (Judith, 1997). Precisa dizer mais alguma coisa?

Leahy fala na flexibilização de conteúdo (demandado pelo paciente) nas sessões da psicoterapia, dando a entender como sendo algo inovador da terapia de esquemas emocionais, mas está em Princípio 1 da terapia cognitivo-comportamental – “A terapia cognitiva se baseia em uma formulação em continuo desenvolvimento do pacientes e de seus problemas” (Judith, 1997, p. 20).

Ainda sobre a importância da relação terapêutica, Leahy certamente deve (ou deveria) ter lido e os princípios básicos da TCC que consta: Principio 2 “A terapia cognitiva comportamental requer uma aliança segura” (Judith, 1997, p. 21). Usa-se o termo Rapport que fica mais claro do que “transferência” usada por Leahy (2016).

Leahy destaca o ato de dar espaço para o paciente poder apresentar suas emoções na clínica, passa até uma imagem de que o terapeuta cognitivo-comportamental é um robô que prefere cortar a fala do paciente e ir direto ao ponto, aplicando protocolos e técnicas, deixando o conteúdo emocional do paciente de lado, antes de passar essa ideia ele deveria ter lido o principio 3 que fala : “A Terapia cognitiva- comportamental enfatiza a colaboração e participação ativa” (Judith, 1997, p. 21). Isso significa que não existe nenhum manual cognitivo-comportamental que ensine o psicoterapeuta a ser um ditador, pelo contrário, o psicoterapeuta deve ESTIMULAR a participação ATIVA do paciente na terapia, acolhendo sua dor, abstendo-se de qualquer preconceito ou julgamento, normalizando suas emoções e pensamentos.

Leahy expõe como inovadoras, técnicas para modificação de emoção utilizando alguns conceitos “inovadores” de Lenehan como a técnica de ação oposta, sendo que Judith Beck já em 97 nos apresentava a técnica “de experimentos comportamentais” que trata-se de testes comportamentais contra os pensamentos e emoções apresentados, além dos cartões de enfrentamentos que basicamente é um enfrentamento aos pensamentos e emoções do paciente. Podemos dizer, portanto, que a técnica de ação oposta apresentada por Lenehan é tão inovadora quanto técnica de enfrentamento apresentada por Beck. Em minha humilde opinião, ambas as técnicas são primas (senão irmãs vestidas com roupas de outras cores) de técnicas já existentes.

O ponto que, em minha opinião, é um erro grosseiro de Leahy é quando ele estimula um paciente, que está enfrentando dificuldades no relacionamento, a acolher as emoções do seu parceiro (tidas irracionais) quando este estiver querendo discutir. Ele ainda argumenta/tranquiliza o paciente de que o comportamento irracional do seu parceiro não aumentará a frequência ao ser reforçado: “O principio de que o comportamento que é reforçado aumentará de frequência (é equivocado), (pois) a expressão emocional é como outros comportamentos de apego; ela vai continuar a expressão emocional até que o “sistema” esteja completo. (Leahy, 2016, p. 307).

Para embasar essa teoria (absurda) ele desafiou o leitor terapeuta a fazer um role play com o paciente, fazendo-o simular o parceiro queixoso enquanto o terapeuta assume ativamente o papel de validação. E completa: “Em geral o queixoso esgota as coisas de que reclama e finalmente reconhece que o ouvinte compreende. (Leahy, 2016, p. 307). Essa é a prova que ele usa para comprovar que reforçando o comportamento alvo, este não aumentará a frequência.

Se ele entendesse o básico de análise do comportamento não cometeria esse mico irresponsável. Bastava ele estudar sobre operação estabelecedora que diz justamente que algo tido como reforçador (no caso a vontade de ter atenção ou de reclamar) vai perdendo a força a medida que vou obtendo o estímulo reforçador na contingência. Ex: minha vontade de comer chocolate vai passando, a medida que me empanturro de chocolate. Portanto, é óbvio que aplicando role play simulando um comportamento queixoso, uma hora as queixas vão se esgotar. Óbvio e evidente. Porém, isso não significa que esse comportamento perdeu a força. Pelo contrário, o comportamento queixoso somente aumentará. Skinner provou isso. Ao reforçar um comportamento, ele aumenta de frequência. Portanto, estimular um paciente a reforçar um comportamento do parceiro (tido como irracional) é o mesmo que pedir para desestabilizar seu relacionamento. Suas relações.

Acolher uma emoção demasiada (um surto emocional) fruto de uma distorção cognitiva de um paciente, sem corrigi-la e adequa-la é o mesmo que está pedindo para o paciente continuar com seu problema, tornando-o dependente, para sempre, de terapia. Ele usará a terapia como veiculo de desabafo emocional. Além de não ir na raiz do problema. Não aprofundar-se. Vincular-se apenas na dor, no sintomas, e não na causa. Na REAL causa.

É o velho efeito “perfume barato”. Você coloca, sente-se cheiroso, mas, 10 minutos depois, passa o efeito. No caso, o paciente sairá da terapia sentindo-se leve, validado, “amado”, mas logo perceberá que não teve evolução, que os problemas continuam apresentando-se quase como filme velho e repetido em sua vida.

A terapia cognitivo-comportamental nos ensina que devemos entender em quais circunstâncias os pensamentos (que provocam determinadas emoções, que provocam determinados comportamentos) surgem. Entender, acolher, compreender. Isso é o básico da tcc. E qual a serventia saber disso? Para irmos na raiz do problema. Entender, através do paciente, em quais circunstâncias o paciente ou seu parceiro, por exemplo, está reagindo de forma irracional. De repente, esse pode ser o único meio pelo qual o paciente (ou o parceiro do paciente) aprendeu a reagir. O ideal é estimular uma reação adequada e reforçar, positivamente, esse novo comportamento quando este surgir. As vezes, tudo que o parceiro quer é sentir-se amado, receber atenção e carinho, e a forma que encontrou para ter essa atenção é reclamando, criando atrito. Esse comportamento pode ter sido reforçado desde criança quando este queria atenção dos pais e não tinha, dai foi percebendo que fazendo birra/gritando/esperneando, tinha o que queria: atenção e carinho. Se o paciente der o que o parceiro quer (como sugerido por Leahy) no momento de irracionalidade/birra deste, ele estará perpetuando um comportamento disfuncional do outro. Somente isso. Leahy estimula o paciente ser um eterno bombeiro apagador de incêndio em seus problemas conjugais, sem ir na causa do incêndio.

Em resumo, não vi nenhuma novidade na terapia de esquemas emocionais, quer dizer, deixe-me corrigir, a única novidade foi essa: De acordo como Leahy, reforçar um comportamento, não fará ele aumentar de frequência. Ainda bem que Skinner não é vivo para escutar isso. Aos “queixosos” defensores da terapia de esquemas emocionais, eu vos digo: eu gostei de 99% do que vi ( e até pratico em minha clínica), até porque, como já expus, é a mesma coisa da terapia cognitivo-comportamental. O 1% que não gostei foi justamente a parte que Leahy quis acrescentar de novidade quanto ao equívoco básico de achar que o comportamento reforçado não aumentará a frequência.

Outra novidade da terapia cognitivo-comportamental terceira onda é o eye movement reprocessing and desensitization (EMRD). A base teórica dessa terapia é pedir para um paciente evocar um pensamento aversivo/fóbico, centrar-se nele enquanto fica seguindo os movimentos dos dedos do terapeuta (que ficam de forma constante e lenta caminhando da esquerda para direita da direita para esquerda, na horizontal). Desculpe-me está resumindo drasticamente, quase de forma grosseira, essa técnica, mas é exatamente isso. Falam que o movimentos dos olhos, enquanto o pensamento fóbico/aversivo está na consciência, ajuda o cérebro a dissipar a força fóbica/aversiva destes mesmos pensamentos sobre o individuo. Utilizam conceitos neurocientificos de nódulos neuroquimicos cerebrais que não foram devidamente processados, por isso, o pensamento fóbico/aversivo ainda é presente. Dai o terapeuta fica medindo o grau de tensão do paciente de 0 a 10 durante cada pausa que faz (até para descansar o braço). Ao final da primeira sessão, o paciente sai afirmando que o pensamento fóbico (que inicialmente tinha força 10 de tensão) , perdeu a força, indo para 3 ou 2. Jura?

Skinner na década de 30 já falava em dessensibilização sistémica que basicamente seria propor, de forma gradual, a exposição do paciente ao estímulo aversivo para tratar fobias ou fazer um estímulo aversivo perder a força sobre o paciente. A terapia cognitivo-comportamental se valeu dessa técnica dando uma nova roupagem como o enfrentamento/inundação.

Gente, precisa ser muito inteligente para saber que fazer o paciente evocar pensamentos fóbicos, de forma constante (sem ficar pedindo para movimentar os olhos), teremos o mesmo resultado? Quem aplica EMRD pode fazer o teste: Peça para o paciente evocar o pensamento fóbico e façam-no manter o pensamento de forma constante durante toda sessão que, ao final, você verá o mesmo resultado: O pensamento aversivo perderá a força. E isso sem provocar bursite no terapeuta.

Para finalizar, proponho que, antes de investir em uma formação de tcc terceira onda, ou querer criar uma nova abordagem, estude bem análise do comportamento de Skinner e a terapia cognitivo-comportamental de Beck. Sim, é preciso ficar antenado no que tem de novo (e que se prove eficiente), reciclar-se. Dicas: algumas ciências comportamentais estão trazendo muitas novidades bem fundamentadas e inovadoras: genética comportamental, neurociências, psicologia evolucionista.

Mas o que vejo é uma necessidade mercadológica por novos nomes, coisas supostamente mais “modernas” (neuro isso, neuro aquilo, terapia de esquemas emocionais, EMRD… Não vou nem falar sobre Coach porque quis me ater a ciências sérias da saúde mental)…  É como se alguém quisesse aprender ou criar uma nova teoria matemática revolucionária sem sequer saber as operações básicas (somar, subtrair, dividir e multiplicar).

Retornemos a Beck.

André Barbosa.

Psicólogo Clínico

Psicoterapeuta Cognitivo-Comportamental

85 98813 9593

 

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A difícil arte de não ligar o foda-se.

Por andreflavionb em assumir responsabilidades

08 de Maio de 2018

A difícil arte de não ligar o foda-se.

 

A difícil arte de não ligar o foda-se.

A pedidos de vários seguidores, e até de pacientes, hoje irei sintetizar minhas impressões sobre um livro que, ao que parece, está na boca de todos, chamado: “a sutil arte de ligar o foda-se” escrito por Mark Manson.

Sim, tive que comprar e ler para poder opinar, apesar de quebrar minhas próprias regras de somente comprar um livro de autoajuda se o escritor realmente for credenciado para tratar de tal tema. O grande problema dos livros de autoajuda, além de serem apelativos e proporem uma solução mágica para todos os nossos problemas, é que tem muito escritor escrevendo sobre como vencer uma corrida de bike, mas que nunca soube andar de bicicleta na vida.

Para começar; quem é Mark Manson? Bom, aparentemente, apenas um blogueiro. É o que diz o seu próprio linkedin e nos dados curriculares que vem no seu livro também. O que um blogueiro tem a me dizer sobre como devo perceber, me ensinar, influenciar e trilhar minha vida? Ok, quebrei essa regra, e li mesmo assim.

Cada um interpreta um texto com seu olhar subjetivo. Tentarei, a seguir, expor meu entendimento, que pode ser diferente do seu. Normal.

Como tudo na vida, nada é 100% ruim, e nem 100% bom. Assim é o livro de Manson. Nem tudo é ruim.

Gosto quando ele passa uma mensagem, por exemplo, de que aceitar uma dor, uma perda, um luto, pode ser a melhor forma desses sentimentos irem embora mais rápido. Apesar de não ter ali nenhuma explicação cientifica de porquê isso acontece, mas ok, ele não tem obrigação de saber isso. Gosto também quando ele fala de aceitar as incertezas da vida, uma ótima fórmula para reduzir a ansiedade.

Porém, o livro trata o ato de dizer “foda-se” para os problemas (aqueles que você acha que não pode solucionar), para o mundo (considerado pelo autor algo que está fora do seu controle), como se fosse algo bem difícil de se fazer e até libertador, porém, na realidade, estamos quase vivendo uma geração dos que apertam o foda-se por qualquer coisa. Sim, acredite, hoje estamos vivendo a cultura do foda-se, talvez até seja esse o motivo do livro ser um best-seller. Como se ao comprarmos esse livro ou só ler a capa eu ja me sentisse bem comigo mesmo ao ter dado um cotoco para mundo e para meus problemas. Passa uma sensação, superficial, de alívio e bem estar.

E esse é um dos aspectos mais perigosos de um livro de autoajuda, podemos cair no erro de selecionar apenas as informações que me agradam, que me interessam, que diz que eu estou certo, e descartamos as que não me interessam ou que me contradizem.Por exemplo; o que é um problema insolúvel? Eu posso simplesmente considerar que um traço de minha personalidade, que me atrapalha a vida e os meus objetivos, ou no outro, é algo insolúvel e acabou. “O jeito é aceitar, se conformar”. Eu posso achar que não tenho nenhuma responsabilidade ou controle de minha vida, quando se trata de respostas do mundo para mim. Como disse um colega meu; “eu posso aderir a cultura da mediocridade”, afinal, cansa menos.

Abrangendo o “foda-se”, vejo várias mensagens correndo soltas nos instagrans da vida, como por exemplo; “aceite-se, você não tem que se encaixar no mundo/ Seja autêntico, os outros já existem/ Se os outros não te aceitam, o problema é dos outros, não seu.”. Essas mensagens, embora “bonitinhas”, quando são levadas ao pé da letra, provocam dor e sofrimento.

Imagine uma pessoa impulsiva/ou compulsiva que diz para todos; “esse é meu jeito de ser!”, ou uma pessoa instável que entende que o problema são os outros, não ela. Ou alguém com crise de baixa autoestima que acha que será traída a qualquer hora, desenvolver um ciúmes patológico, como prevenção de não ser traída, dizendo: Eu sou assim e acabou.

Estamos vivendo uma época tenebrosa onde pessoas, cada vez mais, estão ficando intolerantes as frustrações, onde Bauman bem escreveu; vivendo em relacionamentos líquidos.

Afinal, é mais “fácil” trocar de namorado, de amigos, de emprego, do que olhar pra dentro de si, fazer uma autocrítica, tentar se trabalhar, melhorar, evoluir.

Uma pessoa que vive, ao pé da letra, a frase “se os outros não te aceitam, o problema é dos outros, não seu.”, em outras palavras, uma pessoa que liga o “foda-se” com facilidade de quem dá um “bom dia”, geralmente, tem problemas em relacionamentos, um histórico de amizades instáveis, daquelas que fazem amizade com facilidade e também param de falar com a outra com a mesma velocidade. São pessoas com circulo social bem restrito, com histórico de relacionamentos afetivos bem conturbados, regados por brigas, instabilidades, rancor…

Alguns chamam essas pessoas de “uma pessoa de personalidade forte”. E quando alguns escutam isso, ainda ficam achando que é um elogio, quando, na verdade, é apenas um modo educado de dizer; essa pessoa é problemática, instável.

Entender que o problema é do mundo, não meu, é um ato preguiçoso e  vitimista (o mundo que é ruim por não me aceitar), mas se hoje você não está vivendo um momento ideal, um relacionamento saudável, ou infeliz no emprego, pode ter certeza que existe uma enorme possibilidade de você estar apenas colhendo frutos de suas escolhas. É isso mesmo; existe uma grande probabilidade de você ser o responsável por seus problemas. Vou mais além, você pode ser responsável até pela forma como os outros te tratam.

Skinner, o pai da análise do comportamento, explicou isso de forma categórica, cientifica: Um comportamento só existe porque é reforçado por algo. O comportamento que o outro tem em relação a mim só existe com minha participação. Existe algo que você faz, em consequência do comportamento do outro, que está mantendo isso.

Uma vez tive uma conversa com uma colega que postou uma frase do tipo “Não é seu papel mudar o outro. Não se culpe por isso.”. Mais uma daquelas frases conformistas que tem como o pano de fundo; melhor trocar de pessoas como quem troca de roupa, do que perder seu tempo tentando melhorar seus relacionamentos. Acontece que, se você quer manter um relacionamento, e existe algo que você não está gostando no outro, da forma como te trata, por exemplo, pode ter certeza absoluta que alguma coisa de positivo o outro está ganhando com o comportamento dele em relação a você.

O controlador, por exemplo, pode está ganhando suas senhas das redes sociais, ganhando a sua permissão para invadir sua vida privada. E enquanto você não entender seu papel no seu sofrimento, as coisas continuarão da mesma forma.

O primeiro passo rumo a uma vida melhor é querer melhorar. E, para isso, é preciso ligar, cada vez menos, o “foda-se”.

 

André Barbosa

Psicoterapeuta Cognitivo- Comportamental

85 99651-3394

 

 

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Vitimismo: qual sua responsabilidade pelas coisas ruins que acontecem em sua vida?

Por andreflavionb em vitimismo

25 de Fevereiro de 2018

Vitimismo: qual sua responsabilidade pelas coisas ruins que acontecem em sua vida? *imagem retirada amazonaws

Vitimismo: qual sua responsabilidade pelas coisas ruins que acontecem em sua vida?

Tenho observado, cada vez mais, pessoas que vivem em uma espécie de prisão comportamental. São pessoas que estão sempre se queixando de seus relacionamentos instáveis, problemas no trabalho, familiares…

Este é o mundo de uma das distorções cognitivas que mais destroem relações afetivas, empregos, relações sociais, famílias; o vitimismo. Trata-se de uma forma distorcida de perceber o mundo. Pessoas com essa distorção possuem uma grande tendência de culpar 100% o mundo pelo resultado de suas escolhas e comportamentos.

É como se todos fossem maus e culpados pelo meu sofrimento, menos eu. Eu acabo me sentindo incapaz (ou com muita dificuldade) de buscar a minha felicidade. Como se fosse dever do outro me fazer feliz, não meu.

Parece uma prisão, pois, aparentemente, essas pessoas relatam fazer de tudo para mudar a condição ruim de suas vidas; trocam de empregos, terminam relacionamentos, começam outros, mas trocam-se apenas os personagens, ambientes, empregos e a história permanece a mesma.

Existe algo em comum nesses relatos; a maioria dessas pessoas sentem-se vítima do destino. Sentem como fosse “um carma”, destinadas a serem infelizes, dai perdem a esperança por lutar por coisas melhores. Acostumam-se com o ruim. “Meu relacionamento está uma bosta, mas pra que terminar? Nada vai mudar mesmo…”. “Eu só tenho chefe escroto, é impressionante, fazer o que?”.

Pessoas com essa distorção (vitimismo) sabem que o relacionamento está ruim, que está sendo traída, mas preferem manter o relacionamento a arriscar “encontrar outro pior”.

Quando sou assaltado, ou sofro um acidente, ou uma violência, sim eu sou uma vitima. Isso significa que, por questões meramente de azar, foi a minha vez. Eu tenho como prever um acidente? Prever um assalto? Quando sinto-me vítima de algo, penso, automaticamente, que algo aconteceu contra minha pessoa, independente de meu controle e vontade. Isso é ser vitima. Eu não tenho poder de ação sobre algo que está fora do meu controle.

O problema é quando a gente se sente vítima do mundo a toda hora. Quando faço isso, mesmo inconscientemente, a mensagem que passo para meu cérebro é: “não dá para fazer nada para melhorar, pois está fora do meu controle”. Ou não vejo motivos para mudar, pois o “problema é o mundo, não eu.”.

Alguns relatos que exemplificam o vitimismo:

  • Eu sou fria, não dou carinho, não dou atenção e culpo o outro pela esfriamento da relação. Esqueço-me de todas as vezes que o outro me pediu carinho, atenção, procurou-me e eu neguei, ou fiz ouvido de “mercador”. 
  • Não sou presente em minha relação e sinto raiva quando o outro prefere os amigos do que a mim. 
  • Eu brigo por qualquer coisa, sou excessivamente ciumenta, impulsiva, explosiva, intolerante, e me sinto vítima por meu namorado ter terminado comigo e me “trocado” por outra.
  • Sempre que meus amigos me chamavam para sair eu inventava uma desculpa, nunca ia, agora que estou solteiro, sinto-me muito magoado com a turma porque estão saindo e não me chamam. Estou sentindo-me isolado. Sozinho
  • Sempre chegava atrasado em meu trabalho, não cumpria com minhas obrigações, mas culpo meu chefe por ter sido insensível e  ter me demitido.
  • Eu não estudei absolutamente nada da matéria, mas sinto-me vítima do zero que tirei na prova. O problema é o professor!
  • Eu tenho tendência a engordar e estou acima do peso, graças a genética “ruim” que meus pais me repassaram.
  • Eu sempre sofro em meus relacionamentos. Mesmo sendo gente boa. Não adianta. Meu namoro terminou recentemente. Fui traída. Não sei o que há de errado comigo, eu sou carinhosa, compreensiva, até, no inicio do namoro, peguei várias mensagens de meu namorado dando em cima de outras meninas, coisas pesadíssimas, com troca de nudes e tudo, mas passamos apenas 1 semana brigados, eu p perdoei. Confiei no que ele disse, que não tinha passado de mensagens…

Veja bem, você pode ser vítima sim de um relacionamento ruim, vítima de uma traição, vítima de um emprego ruim, mas se você não entender qual sua responsabilidade em cima das coisas ruins que acontecem na sua vida, você jamais conseguirá sair de onde está. Sentir-se apenas vítima é sentar, chorar, cruzar os braços, querer carinho e consolo de todos (piedade) com minha situação e esperar por mais coisas ruins.

É preciso entender onde erramos. Será que me valorizei o suficiente? Será que fui aceitando coisas erradas demais? Será que fui responsável com meu emprego? Será que dei atenção a minha namorada? Será que fui um marido presente? Será que fiquei calada empurrando problema para debaixo do tapete, esperando o relacionamento melhorar por osmose?

Sim, coisas ruins acontecem, mas é nossa responsabilidade pegar essa dor e transformar em aprendizagem para melhorar nossa vida, nossos relacionamentos familiares, sociais, afetivos e profissionais.

Meu relacionamento está ruim, mas o que eu posso fazer para melhorar?

Meu emprego está ruim, mas o que eu posso fazer para ser feliz na minha profissão?

Tenho uma genética ruim, estou acima do peso, mas é minha responsabilidade, caso eu queira, recuperar minha forma.

Venhamos e convenhamos, é melhor culpar o outro pelo nosso fracasso, não é? Sentir-se vitima de tudo é, inicialmente ( e a curto prazo), até confortante, pois quando não nos responsabilizamos pelo que acontece em nossa vida a gente não precisa gastar energia para mudar, realizar uma analise profunda de nosso comportamento, fazer uma autocrítica “chata”…

Sim, sentir-se vítima de tudo, tem um prazer secundário forte. Ser traído dói, mas receber apoio dos amigos, da família, sentir-se cheia de atenção é prazeroso. Falar que meu chefe foi intolerante, é melhor do que gastar energia para mudar. Falar que o professor é ruim e severo, é melhor do que deixar de sair com meus amigos para estudar…

O problema é que esse prazer vai embora rapidamente e o que fica é você e a sua realidade. Enquanto não descruzarmos os braços e começarmos a atuar como protagonista, diretor e escritor de nossa própria historia, nada irá mudar, você continuará sendo um mero observador de si mesmo, sentando na cadeira do cinema, entediado, angustiado, triste, vendo o filme de sua vida em preto e branco passar, sem puder fazer nada.

André Barbosa                                                                                                                                                                                              Cognitivo comportamental – Psicólogo Clínico – CRP 11/11089

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Automutilação emocional: quando fico preso na dor de um relacionamento instável.

Por andreflavionb em automutilação emocional

06 de Fevereiro de 2018

 

 

Automutilação emocional: quando fico preso na dor de um relacionamento instável.

Automutilação emocional: quando fico preso na dor de uma relacionamento instável. 

Hoje quero falar com vocês de um conceito novo que estou nomeando de: automutilação emocional.

Esse conceito surgiu em observações clínicas e estudos de casos onde tenho notado, cada vez mais, pessoas mergulhando (ou afundando) em relacionamentos nocivos. De muita dor, angústia e sofrimento. Essa pessoas se sentem como se estivessem presas a eles. Existem também pessoas que, embora consigam terminar um relacionamento instável, sempre acabam se envolvendo em outros relacionamentos corrosivos. Como se fosse um ciclo vicioso.

De uma forma consciente a pessoa sabe que está sofrendo muito por causa do relacionamento. São relacionamentos, geralmente, pautados por agressões emocionais, instabilidade, insegurança, ciúmes patológico. Tudo de forma exacerbada.

O discurso quase sempre é o mesmo: “Todo dia é dia. É como se estivesse em uma montanha russa. Estamos bem, mas ai, do nada, a ficamos mal.”, “Quando eu vejo ele, meu coração dispara e não é de amor, é de medo dele estar de mau humor e a gente acabar brigando”, “não consigo mais me concentrar em nada quando a gente briga. É horrível porque só consigo pensar nisso, fico com medo dele me ligar terminando, ou ficar com outra… e quando o telefone toca, meu coração dispara de nervoso”.

Essas pessoas, mesmo não possuindo vínculos que as “prendam” em um relacionamento, não conseguem sair desse tipo de relacionamento. Sentem-se presas a eles. Elas sabem que vão sofrer se continuar, mas elas continuam.

 

Onde entra o conceito de automutilação emocional?

Primeiro, para entender esse novo conceito, vamos falar da automutilação física. Ao contrário do que muitos pensam, a automutilação física, geralmente, não tem uma função de ameaçar tirar a própria vida, de sentir apenas dor, embora tais sintomas comportamentais quase sempre são acompanhados de pensamentos de ideações suicidas, mas eles coexistem. Não possuem o mesmo significado, pelo contrário, a automutilação é uma forma (equivocada) que o sujeito encontrou de suportar a vida.

Acontece que essas pessoas possuem pensamentos tão terríveis, problemas internos tão profundos, que não querem enfrenta-los e a única maneira (equivocada e arriscada) que encontraram para abafar tais pensamentos foi se automutilando. Funciona como se fosse uma distração da mente. Essas pessoas acabam associando a dor ao “prazer” de abafar os pensamentos, o mundo interno.

É ai que entro com o conceito de automutilação emocional. O funcionamento psíquico é o mesmo; são pessoas que, conscientemente, sabem que estão em um relacionamento que as provocam sofrimento, dor, mas não conseguem se livrar. Argumentam que ficar sozinhas é pior. A impressão que se tem é “essa daí já gosta de sofrer, viu?”. Se formos analisar mais profundamente, iremos descobrir que essas pessoas preferem distrair a mente com os problemas do relacionamento, do que encarar seus próprios “demônios” internos. E esse relacionamento acaba sendo mantido, geralmente, pelo prazer de não encarar a si mesmo, e não pelo amor.

Lembrando que estamos falando de relacionamentos instaveis na vida afetiva mas podemos extrapolar para relacionamentos instáveis na vida social, familiar, profissional.

Em ambos os casos (automutilação física e emocional)  a psicoterapia vai dar ferramentas ao paciente de enfrentamento desses “demônios” internos para que ele acabe com o ciclo de fuga, além é claro, de na fase inicial, ensinar o paciente outras estratégias psicoterápicas de distrações da mente que não causam danos (nem físicos e nem emocionais) com exercícios que irão fortalecer o controle emocional do paciente, como por exemplo; trazer a mente para o presente.

O psicoterapeuta também deverá ajudar o paciente a fortalecer autoestima, segurança e confiança, que são ferramentas que ajudarão, a curto e longo prazo, como prevenções de recaídas.

Agora o primeiro passo rumo a mudança é entender: estou nesse tipo de relacionamento? Estou me automutilando emocionalmente?

André Barbosa | 85 98813 9593                                                                                                                                                                                  Psicólogo Clínico | CRP 11/11089                                                                                                                                                                  Terapeuta Cognitivo-Comportamental

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Manual do paciente: Dicas de como aproveitar, ao máximo, seu tempo na psicoterapia.

Por andreflavionb em Manual do paciente, Psicologia, terapia cognitivo-comportamental

01 de Fevereiro de 2018

Manual do paciente: como aproveitar, ao máximo, seu tempo na psicoterapia.
*imagem retirada facebook/opsicologooficial.

 

Manual do paciente: Dicas de como aproveitar, ao máximo, seu tempo na psicoterapia.

Hoje decidi escrever pequenas e valiosas dicas de como aproveitar, ao máximo, seu tempo na terapia, usando essa oportunidade como uma verdadeira fase transformadora em sua vida.

Escrevo não só pelo ponto de vista de um psicólogo, mas no papel de quem já fez psicoterapia, que esteve do outro lado da mesa.

Primeiro, muitos perguntam-me: “por que devo fazer terapia?”. Minha resposta sempre é: Por que não? Se você tem condições/oportunidade, não pense duas vezes, faça! Terapia além de ser um momento impar na vida (você poderá não lembrar em 20 anos se tomou determinada vacina, se fez determinado checkup, ou se fez ou não fez determinados procedimentos médicos, mas lhe garanto que você jamais esquecerá que fez terapia), irá te proporcionar um ótimo canal autoconhecimento, amadurecimento e evolução em várias esferas da vida: pessoal, social, afetiva, profissional…

Portanto,  terapia é para todos e o melhor de tudo; não possui efeito colateral.

Agora, uma vez que você já está decidido fazer terapia, vamos algumas dicas para você aproveitar ao máximo esse lindo momento de transformação:

DICAS:

1 – Verifique qual abordagem clínica do psicólogo em questão.

Para quem não sabe, existem várias abordagens (especializações/método de atendimento clínico) dentro da psicologia. As principais: Análise do comportamento, terapia cognitivo-comportamental, humanismo, sistêmico, psicodrama, psicanálise.

Cada abordagem tem um método e uma forma de tratamento. Em algumas abordagens o paciente é levado a falar na maior parte do tempo. Outras o tempo já é mais dividido. Algumas psicoterapias são mais objetivas, o paciente realiza atividades terapêuticas fora da terapia, realiza experiências comportamentais, recebe orientações diretas e objetivas, aprende técnicas de como amenizar um determinado sofrimento ou problema, outras são mais subjetivas…

Algumas psicoterapias o paciente é informado de uma previsão de fim da terapia (duração/prazo) logo nas sessões iniciais, outras não existe esse tipo de previsão.

Todas as abordagens clínicas da psicologia são interessantes, mas algumas você adapta mais, outras não, procure uma que você se identifica mais.

Posso falar, com algum propriedade, apenas da minha abordagem que é a terapia cognitivo-comportamental, onde transcrevo abaixo um trecho do que se trata a terapia cognitivo-comportamental, retirado de um dos fundadores dessa abordagem, Aroon Beck .

“A cognitivo-comportamental é uma terapia breve, prazo limitado, estruturada, orientada ao presente, direcionada a resolver problemas atuais e modificar pensamentos e comportamentos… indicada atualmente por sua eficácia cientificamente comprovada.”( BECK, 1997, p. 1).

2 – Não economize nas palavras.

Imagine você ir para uma consulta médica:

“ – Doutor, estou aqui apenas porque tenho sentido umas coisas ruins…

  • Como assim? O que são essas coisas ruins?
  • Não sei. Apenas um mal estar.
  • Consegue descrever esse mal estar?
  • Não. Apenas umas coisas ruins…”

Pergunta: qual a probabilidade do médico ajudar nesse caso? Caso ele não seja advinha, a probabilidade dele ajudar é muito remota.

Da mesma forma acontece na terapia; quanto maior quantidade de dados sobre sua história de vida, problemas do cotidiano, reações comportamentais diante de determinadas situações, medos, anseios, pensamentos que te deixam mal, emoções que andam te tirando a paz, seus relacionamentos afetivos, profissionais, sociais, maior será a probabilidade do psicoterapeuta realizar uma boa analise do seu caso e te ajudar de uma forma mais efetiva.

3 – Seja sincero.

Já fui paciente e sei que muitas vezes somos tentados a omitir certas informações ou simplesmente mentir. Isso ocorre principalmente porque temos uma falsa impressão de que temos que agradar o psicoterapeuta ou de que o terapeuta poderá realizar julgamentos morais da gente.

O psicoterapeuta não está ali para te julgar. Não está ali para te dar uma lição de moral. Pelo contrário, ele está ali para entender a realidade dos seus problemas, olhar para seu mundo através do seu olhar.

Se determinada técnica não estiver surtindo efeito, por exemplo, Fale! Assim ele poderá verificar outras estratégias mais efetivas para seu caso. Se você teve algum tipo de recaída, exponha. Isso vai ajudar em uma estratégia de recaídas, uma previsão comportamental.

4 – Avise antecipadamente das faltas.

Existem faltas que são acasos do destino. Doença, passar mal, acidente…

Porém, na maioria das vezes, a gente tem um controle sim de nossa agenda. É importante informar ao psicoterapeuta de possíveis faltas para que ele possa preparar uma estratégia clinica adaptada para essa falta.

Por exemplo; se eu aviso ao meu psicoterapeuta que faltarei na próxima semana, ele poderá se preparar estrategicamente e me passar algumas atividades na semana para que continue no ritmo da terapia.

Psicoterapia é como se fosse uma malhação. Quanto maior a quantidade de faltas, menor o rendimento. Dai eu acabo associando essa falta de resultados (evolução) a própria psicoterapia e/ou a mim mesmo; “Essa terapia não está me adiantando de nada.”, ou “eu não tenho jeito!”.

Lembrando: o psicoterapeuta, antes de cada sessão, dedica bastante tempo estudando seu caso, traçando protocolos clínicos, técnicas e objetivos para cada sessão. A hora que você passa na terapia é apenas a execução desse planejamento antecipado. Quando ocorrem faltas não-programadas, toda essa preparação corre risco de ir para o “lixo”, pois a quantidade de problemas pontuais do dia-a-dia vão se acumulando e o psicoterapeuta acaba ficando “cego” desse acompanhamento e quando o paciente retorna ele acaba, geralmente, relatando muitos fatos que não estavam no “radar” terapêutico, levando o psicoterapeuta a focar em “apagar incêndio” com os problemas pontuais do cotidianos e não tendo chances de ir na causa, se aprofundar.

Em breve seguirei com mais dicas,

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André Barbosa                                                                                                                                                                                                85 98813 9593                                                                                                                                                                                      Psicólogo Clínico                                                                                                                                                                                          CRP 11/11089                                                                                                                                                                                        Terapeuta Cognitivo-Comportamental

Instagram: @opsicologo   | Facebook: opsicologooficial

 

 

 

 

 

 

 

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BORDERLINE: QUANDO É AMOR OU DEPENDÊNCIA?

Por andreflavionb em Psicologia, suicidio, Transtorno de personalidade boderline

30 de novembro de 2017

 

 

Instabilidade emocional, sensação de inutilidade, insegurança, impulsividade e relações sociais prejudicadas. Imagem retirada: http://images1.minhavida.com.br/imagensconteudo/17514/mediabox%20luto%20relacionamentos_17514_242_427.jpg

 

 

BORDERLINE: QUANDO É AMOR OU DEPENDÊNCIA?

Mesmo depois de 4 meses solteira, Luanne continua questionando-se o que fez de errado para que seu namoro de 2 anos chegasse ao fim? Fez tudo que o namorado pediu: Afastou-se dos amigos, deu todas as senhas de suas redes sociais, só saía se fosse com o ele e excluiu alguns amigos de suas redes para evitar confusão.

Comenta com a família, geralmente chorando, que nunca mais vai encontrar alguém, que tem medo de morrer sozinha, apesar de nunca ter ficado solteira por mais de 4 meses. Sempre quando achava que um namoro estava para acabar, ela ja tratava de garantir um paquera que fosse um forte candidato a futuro namorado. 

O mais estranho, comentário geral, era a facilidade de se envolver. Namora fulano por 1 mês e já esta se declarando na redes sociais. “O amor de minha vida!”

Criou uma conta fake no instagram e facebook para seguir o ex e saber de sua vida. Para seu desespero, descobriu que ele está saindo com outra. Comenta com as amigas que sente uma dor profunda, na alma… Uma dor insuportável… que está perdendo a alegria de viver.

Hoje os pais de Luanne comentam que ela piorou a instabilidade de humor, está comendo demais, bebendo demais, trancou a faculdade e irrita-se facilmente por qualquer coisa. Fala aos pais que sente um vazio, como se precisasse de alguém para se sentir completa, mas sempre sentiu isso a vida inteira.

 

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Lícia sempre foi uma pessoa intensa. Daquelas que ou ama ou odeia. Uma pessoa que se entrega de corpo e alma quando gosta de alguém, mas que vive a mesma intensidade de dor quando se decepciona com essas pessoas. É como se parte dela morresse ao ver-se traída, seja por amigas ou namorado.

Costuma achar (e ter quase certeza) que as pessoas ficam falando dela quando chega em algum canto e vê alguém cochichando ou olhando de lado. Inclusive ja pegou várias brigas por isso. Quando questionada sobre o motivo, apenas fala “Eu tenho certeza que ela não gosta de mim! Ou que estava falando mal de mim!”.

Lícia foi miss, mas se considera feia e desinteressante. É uma pessoa extremamente carente e hoje está sofrendo violentamente por um relacionamento de 4 meses que terminou. Perdoou a traição do namorado com outra menina a fim de manter o relacionamento, mas foi Roberto que quis o fim, alegando querer “curtir mais a vida com os amigos”.

Sentir-se trocada, abandonada, rejeitada, está sendo pesado demais para Licia, que confessa ter pensado se matar já algumas vezes.

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O que Luanne e Lícia tem em comum é que as duas sofrem do transtorno de personalidade boderline.

Um transtorno extremamente complicado e que afeta todas as áreas da vida de uma pessoa (profissional, familiar, afetivo… ).

Um dos traços característicos do transtorno de personalidade Borderline (que refere-se viver na borda, no limite) é instabilidade no humor,  no comportamento e e nos relacionamentos.

Geralmente são pessoas que precisam da aprovação dos outros para se sentir bem consigo. Submetem-se aos desejos e ao controle ( incluindo tolerar invasão de privacidade) dos outros para sentirem-se aceitos. Podem apresentar um ciúmes excessivo dos parceiros por medo de abandono.

Alguns tem a necessidade de estar sempre em um relacionamento (São pessoas que você nunca viu solteiro por muito tempo) e que, em um espaço curtíssimo de tempo, já está se declarando apaixonado.

Borders sentem-se inferiores (baixa autoestima). Às vezes, evitam contato com as outras pessoas por  medo de não se sentir aceito. Não reagem bem a criticas. Aliás, são pessoas que geralmente temos que “pisar em ovos” para realizar qualquer crítica por menor que seja. 

Outro traço característico é impulsividade (ou compra demais, ou/e come demais, ou/e promiscuidade nas relações….) , tomam decisões e atitudes impulsivas (e geralmente se arrependem na sequencia). São pessoas que confiam demais nas emoções.

Relatam sentir uma angústia/sensação de vazio.

É difícil também saber o que um border sente pelo outro; Se é amor ou se é simplesmente um traço da doença; a dependência de ter um relacionamento para se sentir completo… Custe o que custar.

Não existe medicação que cure o transtorno, embora seja necessário, em casos graves, alguma medicação que ajude no controle da depressão e impulsividade juntamente com a terapia.

Hoje o tratamento mais efetivo no controle da doença é a psicoterapia. Vários estudos apontam a Terapia Cognitivo-Comportamental como a terapia de maior eficiência no tratamento, especificamente: a terapia dialética.

 

O ponta pé inicial é buscar ajuda.

 

Procure um psicólogo

André Barbosa

Psicólogo Clínico/ CRP 11/11089

Terapeuta Cognitivo-Comportamental

85 988139593

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4 grandes erros que podem destruir um relacionamento.

Por andreflavionb em paixão, psicólogo, relação ruir

27 de novembro de 2017

 

4 grandes erros que podem destruir uma relação. *imagem retirada facebook/oposicologooficial

4 grandes erros que podem destruir um relacionamento.

A pergunta dessa semana representa uma série de seguidores que me perguntam quase diariamente sobre a “fórmula” de um relacionamento feliz e blindado.

Jéssica: “Olá, estou iniciando uma relação agora com alguém muito especial, estou muito empolgada e vejo você comentar bastante sobre relacionamentos, queria saber quais as dicas para ter uma relação saudável e duradoura? Detalhe: sou muito ciumenta.

Primeiramente, quero deixar muito claro que não acredito em soluções mágicas, daquelas “pré-fabricadas” para vender em todos os tamanhos e todos gostos nas prateleiras das livrarias. Isso porque cada caso é um caso. Não existem soluções gerais, que servem para todos. É como achar que uma dieta para ganho de massa muscular de uma amiga pode servir para mim.

Então é preciso analisar o comportamento de cada um detalhadamente: quais os pontos fortes, pontos fracos da relação, o que está incomodando… E isso livro algum, ou texto algum poderá fazer. Apenas um bom psicólogo poderá te ajudar.

Agora o que posso adiantar são alguns comportamentos que tenho observado em minha clínica que podem fazer uma relação ruir ou acabar. Poderia iniciar falando sobre deslealdade, desrespeito, traições, mas isso seria quase um senso comum, pois são erros que todos sabemos que podem destruir uma relação.

Portanto, Listarei 4 grandes erros que podem destruir uma relação e que não são tão claros assim (lembrando que não se trata também de regras gerais) ;

1 – Afastar-se dos amigos;

Tenho ressaltado em vários textos e artigos sobre a importância do meio social. Viver em sociedade não é uma escolha, é uma necessidade. Assim como você não escolhe ter fome, sede, também não escolhemos a necessidade de ter uma vida social… Somos um produto de uma evolução genética, certo? Então tudo que você precisa saber é que somente os homo sapiens que viviam em grupos sobreviveram para contar a história, dai vários estudiosos afirmarem que o homem é um animal social.

Portanto, quando afasto-me dos meus amigos, eu acrescento um peso dessa necessidade nas costas do meu namorado. Mesmo de forma inconsciente, é como se eu dissesse pra mim “se eu perder meu namorado, ficarei sozinha no mundo”, daí a cobrança passa triplicar, afinal de contas “eu troquei meus amigos por você!”.

2 – Liberar senhas de redes sociais para acalmar o ciúmes do outro;

O ciúmes é natural (já falei disso outras vezes nesta coluna (vide coluna sobre ciúmes patológico), não escolhemos sentir ciúmes. Até um cachorro sente ciúmes de seu dono. Uma criança sente ciúmes dos brinquedos ou da mãe… O problema ocorre quando um começa a questionar as redes sociais do outro, querendo saber detalhes “quem foi essa que curtiu sua foto?”, “de onde você a conhece?”, “ainda se falam?”… Como se o outro não tivesse uma história de vida antes de me conhecer, e para acalmar todos esses questionamentos o namorado cai na bobagem de liberar as senhas. Ocorre que, fazendo isso, o namorado acaba premiando o ciúmes da namorada (e vice-versa).

O ciumento se acalmará momentaneamente pela satisfação (temporária) de controle sobre a vida do outro, porém, depois que essa satisfação perder a força no cérebro, o ciumento irá querer aumentar o leque do controle. Isso significa mais invasão de privacidade.

Isso também significa “Na realidade eu não confio em você de forma alguma, mas consigo manter nosso relacionamento se você me provar todos os dias que não vai me trair”. Como um relacionamento desses pode dar certo?

3 – Perder o romantismo.

Parar de elogiar o namorado (a). Parar de fazer coisinhas bonitinhas é um bom caminho para ou um término de namoro, ou uma relação onde os dois se dizem juntos, mas na realidade mais parecem parceiros de solidão. “Não termino o namoro porque não quero ficar sozinho.”.

É muito importante continuar elogiando. Isso mantém vivo no seu cérebro a chama da admiração pelo outro. Lembre-se que o nosso cérebro tem uma tendência natural a reduzir a força dos estímulos prazeroso quando esses estímulos são adquiridos rotineiramente. Justamente por isso alguns dependentes químicos acabam morrendo ou pondo suas vidas em risco, pois, por quererem sentir o mesmo nível de prazer inicial de uma determinada droga (ex: heroína), acabam tendo que aumentar as doses cada vez mais e mais…

“O que isso tem a ver com uma relação amorosa?”.

O efeito que seu namorado tem em seu cérebro (principalmente quando ainda está na fase de paixão), é muito parecido com o efeito que uma droga provoca no cérebro. A tendência desse efeito ir diminuindo com o tempo também é a mesma. Por isso ficar sempre elogiando, fazendo coisas diferentes, é importante, pois passa um recado de reativação da admiração e amor para o hipocampo (parte do cérebro responsável pela memoria afetiva, entre outros… ).

Mas cuidado com o exagero, pois isso pode cair em um erro que afeta negativamente a relação, como por exemplo; transformar sua rede social em um book do namoro. Sair feito uma metralhadora de “te amos” uma semana depois de começar a relação, e “você é o homem da minha vida”. Fazendo isso, o casal acaba vivendo sobre o risco das impulsividades, tomando decisões e atitudes precipitadas, pulando as fases de um relacionamento de uma forma rápida demais.

4 – Sentir que precisa estar em um relacionamento para se sentir completo.

O principal de todos esses erros listados acima é quando o outro sente que precisa estar em um relacionamento para se sentir completo. Isso é um forte indício de algum problema associado a um transtorno psíquico. Geralmente essas pessoas (que possuem essa necessidade de estar sempre em um relacionamento para se sentir completas), não sabem ficar muito tempo sozinhas, e quando estão sozinhas ficam se sentindo vazias, ansiosas, tristes e se consideram impulsivas.

Também, geralmente, essas pessoas possuem um histórico de relações instáveis e intensas. Envolvendo bastante sofrimento. Nesse caso, a maior dica é buscar ajuda de um bom psicólogo e não jogar a conta (e responsabilidade) da nossa felicidade (e estabilidade emocional) na mão do outro.

André Barbosa

Psicólogo Clínico

Cognitivo-Comportamental

CRP 11/11089

Contato: 85 98813-9593

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Atendimento online: Por que sim?

Por andreflavionb em atendimento online, psicologia online, terapia online

14 de novembro de 2017

ATENDIMENTO ONLINE: POR QUE SIM?
*imagem retirada de www.amenteemaravilhosa.com.br

 

Atendimento online: Por que sim?

Recebi uma pergunta por direct de uma seguidora, estudante de psicologia, sobre o atendimento online. Segue.

“Olá, sou estudante de psicologia e estamos discutindo bastante em sala sobre atendimentos online. É eficiente? Antiético? O que você acha disso?”.

Primeiramente, obrigado por sua pergunta. Faz um bom tempo que estava querendo falar sobre essa questão. Vamos lá então…

Certamente não posso falar por todos profissionais da psicologia de diferentes abordagens, mas falando especificamente da terapia cognitivo-comportamental (atendimento clínico individual), não consigo visualizar perdas entre atendimentos online e presencial. Digo isso até porque um dos principais nomes da cognitivo-comportamento no mundo, Jesse H. Wright, tem inclusive visto ganhos na terapia online que a presencial não tem, como por exemplo; tratamento inicial para transtornos graves como síndrome do pânico, agorafobia, depressão maior… são alguns transtornos que, na fase aguda da doença, o paciente não consegue sequer sair de casa. Se estes pacientes recebem terapia online em casa, podem reduzir os sintomas através de técnicas e protocolos cognitivos-comportamentais e adquirirem força para sair de casa e participar da terapia presencial posteriormente. Portanto, ponto para o atendimento online.

Sem contar as pessoas que buscam terapia e que não encontram atendimento em sua cidade ou pessoas que estão fazendo terapia, mas que, por algum motivo, precisam viajar ou se mudar de cidade e querem continuar a terapia com o seu terapeuta, ou pessoas que simplesmente ouviram falar do trabalho de um determinando psicólogo e querem fazer terapia com o mesmo, mas moram distante. Outro ponto para o atendimento online.

Vale lembrar que a cognitivo-comportamental é uma abordagem da psicologia que trabalha reestruturando crenças, pensamentos, regulando emoções e modificando comportamentos. Por ser uma ciência baseada no funcionamento cerebral teve uma boa influencia da tecnologia e avanços científicos (ex: neurociência, neuropsicologia, mindfulness… ).

*imagem retirada de facebook.com/opsicologooficial.

Portanto, esse casamento com a tecnologia já era previsível, usamos desde monitoramento de estruturações cognitivas dos pacientes por aplicativos, além de controle da ansiedade e foco/atenção (também através de aplicativos), até monitoramento de qualidade do sono (todas essas ferramentas mencionadas uso em meu consultório e ajuda muito na estratégia terapêutica do paciente).

Nos EUA e boa parte da Europa, as sessões de terapia cognitivo-comportamental já são permitidos atendimento online praticamente desde a invenção da internet. Para um mundo cada vez mais conectado e que até procedimentos cirúrgicos estão sendo realizados online (uma pessoa em outro país controla/supervisiona e até realiza procedimentos cirúrgicos através da robótica) , o atendimento online é um movimento até normal de acontecer.

 

Quanto a eficiência da terapia online, isso vai depender de profissional para profissional. Alguns se adaptam. Outros não. Isso é normal. Porém, desde que a conexão de internet seja boa e o local de atendimento (tanto do psicólogo quanto do paciente) sejam adequados, posso até arriscar dizer que não fará diferença sendo presencial ou online. Veja bem, o que quero dizer é que se você ficar feliz com o atendimento presencial do seu terapeuta, provavelmente você ficará feliz com o atendimento online do mesmo. Agora se você não gostou do atendimento online, provavelmente poderá não gostar ao vivo. Tudo é uma questão de adaptação e empatia com o psicólogo e da sua própria adaptação como paciente com essa tecnologia.

 

Na cognitivo-comportamental trabalhamos com muitas técnicas que são acompanhadas por material psicoeduticativo, formulários, protocolos, aplicativos… E o atendimento online até facilita essa troca de informação e acompanhamento. Todo material de acompanhamento, por exemplo, pode ser enviado por email ou por Skype na mesma hora do atendimento online.

*imagem retirada de facebook.com/opsicologooficial

Talvez para psicólogos que possuem como abordagem a psicanalise, o atendimento online seja um pouco complicado. Falo da psicanalise tradicional; aquela em que paciente se posiciona deitado no divã. Porém, mesmo assim, existe um aplicativo disponível que se propõe atender pacientes apenas por profissionais da abordagem psicanalítica.

Fora isso não consigo verificar desvantagens. E acho que foi até um grande avanço do conselho federal de psicologia acompanhar esse avanço tecnológico, pois certamente, caso fosse proibido, seria uma espaço ocupado por pessoas sem capacitação nenhuma, podendo causar mais danos do que beneficio a saúde mental do paciente.

Referente a ética, todo o procedimento de atendimento online é respaldado pelo conselho federal de psicologia (ao final disponho o texto do conselho que regula esse tipo de atendimento).

Agora tenho uma critica pessoal nessa regulação: os atendimentos assíncronos foram permitidos pelo conselho. Assíncronos são atendimentos onde existe uma troca de dados, mas não precisa ser online. Em outras palavras, foi aberto uma brecha para atendimentos realizados por mensagem automática (whatsapp) ou email. Entendo que o conselho deva ter pensando em pessoas que perderam a voz e não podem falar (conheço muitos casos), mas o que impede desse atendimento ser feito por Skype utilizando o chat? Por que digo isso? Justamente porque não existe nenhuma garantia de que quem está te respondendo é realmente o psicólogo contratado, além de questões de sigilo. Essa é uma critica minha.

Fora isso vejo com bons olhos esse avanço da psicologia e parabenizo os psicólogos que estão expandindo nossa linda ciência para ajudar pessoas em todos os cantos do país e do mundo através do atendimento online.

Portanto, espero ter esclarecido sobre o tema. Segue abaixo o texto do conselho federal de psicologia que regula esse serviço.

André Flávio Nepomuceno Barbosa

CRP 11/11089

Psicólogo Clínico

Terapeuta Cognitivo-Comportamental.

 

“CAPÍTULO I- DOS SERVIÇOS PSICOLÓGICOS REALIZADOS POR MEIOS TECNOLÓGICOS DE COMUNICAÇÃO A DISTÂNCIA

Artigo. 1. São reconhecidos os seguinte serviços psicológicos realizados por meios tecnológicos de comunicação a distância desde que pontuais, informativos, focados no tema proposto e que não firam o disposto no Código de Ética Profissional da(o) psicóloga(o) e esta Resolução:

  1. As Orientações Psicológicas de diferentes tipos, entendendo-se por orientação o atendimento realizado em até 20 encontros ou contatos virtuais, síncronos ou assíncronos;
  2. Os processos prévios de Seleção de Pessoal;
  • A Aplicação de Testes devidamente regulamentados por resolução pertinente;
  1. A Supervisão do trabalho de psicólogos, realizada de forma eventual ou complementar ao processo de sua formação profissional presencial;
  2. O Atendimento Eventual de clientes em trânsito e/ou de clientes que momentaneamente se encontrem impossibilitados de comparecer ao atendimento presencial.

Parágrafo Único: Em quaisquer modalidades destes serviços a(o) psicóloga(o) está obrigada(o) a especificar quais são os recursos tecnológicos utilizados para garantir o sigilo das informações e esclarecer o cliente sobre isso.”

 

 

 

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Sobrevivendo ao luto de relacionamento

Por andreflavionb em Depressão, Luto de relacionamento

01 de novembro de 2017

LUTO DE RELACIONAMENTO.
Imagem retirada: http://images1.minhavida.com.br

 

Sobrevivendo ao luto de um relacionamento.

Recebi uma pergunta recentemente de uma seguidora de meu instagram (@Opsicologo) que trata de um tema que é bastante discutido hoje: estou com depressão ou apenas triste por ter rompido um relacionamento? E como superar?

Vamos chama-la de Silvia. Segue a sua pergunta:

“Terminei uma relação altamente instável, mas que durou cerca de 4 anos. Na verdade ele terminou comigo. Isso já tem cerca de 2 meses. Estou em depressão desde então. Fico depressiva na maioria dos dias. Choro por qualquer coisa. Está atrapalhando até meu sono. O que me deixa ainda mais angustiada (e até revoltada) é ficar na deprê desse jeito por alguém que nunca me valorizou de verdade. Mentia, saia escondido e tenho certeza que fui traída. E pior de tudo, ainda gosto dele, e muito. Sinto-me uma idiota por está sofrendo por alguém assim, mas não tenho como controlar. O que posso fazer?”

Silvia, antes de mais nada, vamos substituir o nome “depressão” por tristeza, ou, mais especificamente, um luto pelo fim de um relacionamento, ok? Digo isso porque não vi você mencionando que foi diagnosticada por um psiquiatra/psicólogo com algum transtorno depressivo anteriormente (que é uma doença grave, séria e que não pode ser diagnosticado agora porque pode-se confundir a dor desse rompimento com os sintomas da depressão. Então dificilmente um psiquiatra/psicólogo, sabendo disso, dirá que você está com depressão)

Dito isso, vamos ao que interessa: como lidar com a dor de um rompimento amoroso?

Primeiramente, precisamos normalizar essa sua emoção. O que quero dizer com isso? Quero dizer que é normal você se sentir triste, chorosa, pelo rompimento de um relacionamento de longa duração (apesar de todas as instabilidades citadas). Anormal seria você, ainda gostando dele, pular de alegria após esse rompimento. Entende?

Estamos vivendo em tempos que não toleramos mais sofrer. Isso é muito preocupante, uma vez que a vida é composta de altos e baixos e, acredite em mim, graças a esses “baixos” evoluímos na maioria das vezes.

Portanto, para começar a dar volta por cima, é preciso que você entenda a naturalidade dessa emoção. Você não precisa se sentir uma idiota. Aliás, o que deve estar piorando seu quadro de tristeza/luto é seu julgamento dessa emoção. “Estou triste, logo sou uma idiota.”. Toda vida que não aceitamos determinada emoção, a tendência é ela aumentar a intensidade. Para explicar isso de uma forma resumida (e didática),  basta entender que isso ocorre porque simplesmente mantemos a emoção viva em nosso cérebro, toda vez que lutamos contra. É como se eu dissesse pra mim, repetidamente; “eu não quero ficar ansioso antes de me apresentar”. Pode ter certeza que ficarei ansioso. Isso porque o cérebro não “capta” o comando “não”. Quer fazer uma teste de como isso funciona? Vamos lá: pense em um elefante rosa com manchinhas pretas! Pensou? Pronto, agora tente não pensar no elefante rosa com manchinha pretas? Conseguiu? Se você fez o exercício da forma correta, certamente não conseguiu.

Aceitar a emoção, entendendo que é normal se sentir triste após esse luto de relacionamento, é a maneira mais inteligente de dar a volta por cima. Detalhe: aceitar não é alimentar, tá?

Aceitar é simplesmente entender :”bem, estou me sentindo triste, mas é normal, afinal, terminei um relacionamento recentemente de longa data”.

Alimentar é você, sentindo-se triste, começar a procurar evidências de que seu ex está com outra, ou que está curtindo a vida, ou que está mais feliz sem você… (detalhe: todas essas “evidências” serão contaminadas pela minha emoção e atenção seletiva. Meu cérebro sai buscando no ambiente algo que comprove a sua teoria. Entendeu? Ou seja, se eu mostrar uma foto do seu ex em  algum lugar para alguém, a pessoa pode simplesmente dizer que ele está normal ou até mesmo triste, mas você pode dizer, vendo essa mesma foto; olha como ele está feliz! Isso é normal de acontecer.)

Portanto, repito: aceite a emoção sem julgamentos. Até porque desse julgamento “sou uma idiota por estar me sentindo triste”, brotam consequências: aumenta mais ainda a tristeza, pode vir raiva, revolta, diminuir sua autoestima… E não vai ajudar em nada a sua situação, percebe?

Essa virada de página não vai ocorrer do nada. Você precisa se engajar em uma mudança comportamental, por exemplo; não deixe de resgatar e praticar coisas que você gosta de fazer. De preferência, faça uma lista de coisas que você gosta de fazer e faça um planejamento de quando você pode fazer (executar) todas essas coisas.

Resgate o contato social, cuide da alimentação, regule seu sono (tente dormir pelo menos 8 horas por dia), faça alguma atividade física, faça (e execute) planos profissionais… Se você notar que fotos dele em seu feed de suas redes sociais estão lhe desestabilizando, bloquei. Oriente também seus amigos em comum não ficar levando ou trazendo assuntos do seu ex.

Se você notar também que ver ele no whatsapp online aumenta sua ansiedade ou tristeza, bloquei. Nesse tempo de recuperação é preciso você saber o que lhe tira do eixo (que lhe deixa triste e instável emocionalmente) e sair eliminando cada um desses itens (estímulos) que te deixa pra baixo.

Acredito que essas ações já se constituem um ótimo começo para virar essa página. Agora se essa condição de tristeza persistir de forma crônica por mais dois meses, mesmo você fazendo tudo isso, aconselho você buscar uma ajuda psiquiátrica e psicológica para examinar mais a fundo isso.

 

Espero ter ajudado,

 

André Barbosa

Psicólogo Clínico

CRP – 11/11089

Terapeuta Cognitivo- Comportamental

85 98813 9593

 

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Qual a importância da psicologia em nossas vidas?

Por andreflavionb em Dia do psicólogo, Psicologia

27 de agosto de 2017

*Imagem obtida https://www.psicologoeterapia.com.br/wp-content/uploads/psicologo-ou-psiquiatra.jpg

Qual a importância da psicologia em nossas vidas?

Hoje 27 de agosto, no dia do psicólogo, vamos falar de algo muitíssimo apropriado: qual a importância da psicologia em nossas vidas e porque devemos buscar essa ajuda?

Imagine alguém, digamos Emanuel, com uma dor dente terrível e que, ao invés de ir ao dentista, apenas fica tomando analgésico para passar a dor. A dor realmente passa, mas o problema continua lá e assim que a medicação passar o efeito, a dor vai voltar com tudo. Se Emanuel continuar sem ir ao dentista, a dor vai aumentar e ele terá que aumentar as doses da medicação. Pode até trocar a medicação por outra mais forte, e mais forte, e mais forte…

Isso, além de não resolver o real problema, ainda pode prejudicar gravemente a saúde de Emanuel, causar dependência, prejudicando a sua vida pessoal e a sua vida profissional. Emanuel entraria para estatística muito comum das pessoas que apenas querem tratar a dor, não a causa dela.

E o que isso tem a ver com a psicologia? Basta substituir os sintomas da dor de dente pelo que os filósofos gregos chamam de “a dor da alma” (estresse crônico, ansiedade, fobia, depressão, insônia…).

Assim como Emanuel, que deveria ter procurado um dentista logo no início de sua dor de dente, quem sofre com transtornos emocionais/psíquicos deve procurar um psicólogo para, em terapia, tratar da causa do problema.

É dever ético do psiquiatra informar ao paciente, por exemplo, que somente o antidepressivo/ansiolítico não resolverá a depressão/ansiedade do paciente. Ele sabe disso. Assim como é papel ético do psicólogo encaminhar ao psiquiatra o paciente que está em sofrimento agudo emocional ou em surto. A medicação vai ajudar a acalmar a dor (como um curativo), e a terapia vai ajudar a combater o problema. O real problema.

Esse não é um texto para condenar medicamentos psicoativos, mas para mostrar o quanto é absurdo achar que APENAS as medicações resolvem os problemas da saúde mental. Aliás, em muitos casos (assim como vimos com Emanuel), o tratamento apenas medicamentoso pode até piorar o problema.

Uma vez que muitos seguem a mesma linha de raciocínio de Emanuel, o uso de psicoativos, como os antidepressivos, só aumentam… E já estão entre os medicamentos mais usados no mundo. Estima-se que entre 1 e 3% de toda a população ocidental já os tenha consumido regularmente por mais de um ano (Baldessarini, 1995; Huf, Lopes, Rosenfeld, 2000).

Teoricamente, quanto mais antidepressivo é consumido no mundo, menos gente deveria sofrer com depressão, certo? Errado! De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), até 2020, a depressão será a doença mais incapacitante do mundo (Nascimento, 1999; Lafer & Amaral, 2000).

É importante informar que a associação entre suicídio e transtornos mentais é de mais de 90%. Entre os transtornos mentais associados ao suicídio, a “Depressão Maior” se destaca (McGirr, A. et al, 2007).  Vale ressaltar que hoje o suicídio está entre as cinco maiores causas de morte no mundo.

Isso ocorre porque, assim como Emanuel, estamos mais preocupados em tratar a dor do que a causa dela. “Para depressão, antidepressivos. Para ansiedade, ansiolíticos. Para insônia, soníferos…”.

Contra essa onda simplista, a Inglaterra investiu cerca de 600 milhões de dólares em programas para formar e capacitar psicólogos em terapia cognitiva-comportamental. Isso para que o povo britânico tivesse acesso à terapia (ao invés de simplesmente propor apenas medicações), uma vez que foram verificados seus resultados positivos na saúde pública mental. O governo da Austrália seguiu o mesmo modelo.

ilustração obtida http://www.psicologiaexplica.com.br/wp-content/uploads/2015/01/decisa%CC%83o.jpg

Além do mais, não deveríamos procurar terapia apenas quando estivermos no limite. Psicologia não possui efeitos colaterais. Podemos procurar um psicólogo para controlar nossa impulsividade, autoconhecimento, ciúmes patológico, insegurança, baixo autoestima, melhorar nossa relações interpessoais, comunicação, melhorar a liderança, melhorar o relacionamento, o foco, metas profissionais…

Portanto, não deixe o problema acumular, vá na causa. Melhore sua vida. Procure um psicólogo.

André Flávio N. Barbosa

(85) 99651-3394

Psicólogo Clínico – CRP 11/11089

 

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Qual a importância da psicologia em nossas vidas?

Por andreflavionb em Dia do psicólogo, Psicologia

27 de agosto de 2017

*Imagem obtida https://www.psicologoeterapia.com.br/wp-content/uploads/psicologo-ou-psiquiatra.jpg

Qual a importância da psicologia em nossas vidas?

Hoje 27 de agosto, no dia do psicólogo, vamos falar de algo muitíssimo apropriado: qual a importância da psicologia em nossas vidas e porque devemos buscar essa ajuda?

Imagine alguém, digamos Emanuel, com uma dor dente terrível e que, ao invés de ir ao dentista, apenas fica tomando analgésico para passar a dor. A dor realmente passa, mas o problema continua lá e assim que a medicação passar o efeito, a dor vai voltar com tudo. Se Emanuel continuar sem ir ao dentista, a dor vai aumentar e ele terá que aumentar as doses da medicação. Pode até trocar a medicação por outra mais forte, e mais forte, e mais forte…

Isso, além de não resolver o real problema, ainda pode prejudicar gravemente a saúde de Emanuel, causar dependência, prejudicando a sua vida pessoal e a sua vida profissional. Emanuel entraria para estatística muito comum das pessoas que apenas querem tratar a dor, não a causa dela.

E o que isso tem a ver com a psicologia? Basta substituir os sintomas da dor de dente pelo que os filósofos gregos chamam de “a dor da alma” (estresse crônico, ansiedade, fobia, depressão, insônia…).

Assim como Emanuel, que deveria ter procurado um dentista logo no início de sua dor de dente, quem sofre com transtornos emocionais/psíquicos deve procurar um psicólogo para, em terapia, tratar da causa do problema.

É dever ético do psiquiatra informar ao paciente, por exemplo, que somente o antidepressivo/ansiolítico não resolverá a depressão/ansiedade do paciente. Ele sabe disso. Assim como é papel ético do psicólogo encaminhar ao psiquiatra o paciente que está em sofrimento agudo emocional ou em surto. A medicação vai ajudar a acalmar a dor (como um curativo), e a terapia vai ajudar a combater o problema. O real problema.

Esse não é um texto para condenar medicamentos psicoativos, mas para mostrar o quanto é absurdo achar que APENAS as medicações resolvem os problemas da saúde mental. Aliás, em muitos casos (assim como vimos com Emanuel), o tratamento apenas medicamentoso pode até piorar o problema.

Uma vez que muitos seguem a mesma linha de raciocínio de Emanuel, o uso de psicoativos, como os antidepressivos, só aumentam… E já estão entre os medicamentos mais usados no mundo. Estima-se que entre 1 e 3% de toda a população ocidental já os tenha consumido regularmente por mais de um ano (Baldessarini, 1995; Huf, Lopes, Rosenfeld, 2000).

Teoricamente, quanto mais antidepressivo é consumido no mundo, menos gente deveria sofrer com depressão, certo? Errado! De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), até 2020, a depressão será a doença mais incapacitante do mundo (Nascimento, 1999; Lafer & Amaral, 2000).

É importante informar que a associação entre suicídio e transtornos mentais é de mais de 90%. Entre os transtornos mentais associados ao suicídio, a “Depressão Maior” se destaca (McGirr, A. et al, 2007).  Vale ressaltar que hoje o suicídio está entre as cinco maiores causas de morte no mundo.

Isso ocorre porque, assim como Emanuel, estamos mais preocupados em tratar a dor do que a causa dela. “Para depressão, antidepressivos. Para ansiedade, ansiolíticos. Para insônia, soníferos…”.

Contra essa onda simplista, a Inglaterra investiu cerca de 600 milhões de dólares em programas para formar e capacitar psicólogos em terapia cognitiva-comportamental. Isso para que o povo britânico tivesse acesso à terapia (ao invés de simplesmente propor apenas medicações), uma vez que foram verificados seus resultados positivos na saúde pública mental. O governo da Austrália seguiu o mesmo modelo.

ilustração obtida http://www.psicologiaexplica.com.br/wp-content/uploads/2015/01/decisa%CC%83o.jpg

Além do mais, não deveríamos procurar terapia apenas quando estivermos no limite. Psicologia não possui efeitos colaterais. Podemos procurar um psicólogo para controlar nossa impulsividade, autoconhecimento, ciúmes patológico, insegurança, baixo autoestima, melhorar nossa relações interpessoais, comunicação, melhorar a liderança, melhorar o relacionamento, o foco, metas profissionais…

Portanto, não deixe o problema acumular, vá na causa. Melhore sua vida. Procure um psicólogo.

André Flávio N. Barbosa

(85) 99651-3394

Psicólogo Clínico – CRP 11/11089