crônica Archives - MOUSE OU MENOS 
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MOUSE OU MENOS

por Nonato Albuquerque

crônica

A NOVELA ‘POLÍCIA x GOVERNO’ TEM NOVO CAPÍTULO

Por Nonato Albuquerque em Sem categoria

11 de Abril de 2012

Quando se pensava que as relações entre governo e forças de segurança – PM, Polícia Civil e agentes penitenciários – haviam se consolidado, após aquela tormentosa greve de janeiro, têm-se conhecimento de que as coisas não andam tão bem assim não. O presidente da associação que defende a categoria policial militar já acena com a possibilidade de uma nova paralisação.

A categoria agora reinvidica o auxílio alimentação no valor de R$ 220,00, a carga horária de 48 horas semanais, os planos de promoção, um novo Código de Ética e o reajuste salarial referente aos anos de 2013 e 2014.

A impressão que se tinha é que, finalizado o movimento grevista que deixou a cidade num caos, as negociações haviam sido respeitadas. Qual o quê, como diz a música popular do Chico Buarque: o governo simplesmente tergiversou – a palavra é feia, mas quer dizer ‘hesitou em cumprir’, fugiu da raia – e os policiais militares ficaram a ver navios em termos do que havia sido pactuado.

Após adiarem duas vezes as negociações, representantes do governo anunciam para o próximo dia 18 um encontro para debater o problema. Problema que poderá ser bem maior para a população se não chegarem a um acordo. O capitão Wagner Souza já admite a possibilidade de um novo movimento, caso não resolvam o que há devia estar sendo cumprido.

No dia 26 de maio, no colégio Sistema, membros da PM, Polícia Civil e agentes penitenciários vão se reunir em assembleia geral para definir os caminhos dessa novela. Novela, que todos pensávamos, já tivesse tido um final feliz. Pelo visto, vamos para mais um estressante capítulo. Deus nos livre que, em maio, tenhamos a reprise do que desejamos esquecer.

Uma greve. Uma cidade parada. O caos implantado…

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RETRATO FALADO DE UM HOMEM CHAMADO JESUS

Por Nonato Albuquerque em Crônica

06 de Abril de 2012

Um excluído, cidadão de uns 33 anos, é preso, torturado e executado de forma arbitrária. Seu julgamento durou menos de 24 horas, entre a prisão e a morte, assistida por dezenas de pessoas. O crime pelo qual foi condenado não ficou bem definido.
 
Há suspeitas de que ele vivia à margem da lei. Que pregou uma nova ordem social, na qual as pessoas deveriam viver no Bem, na Esperança e na Caridade.
 
Ousado, ele chegou a incitar as multidões a abandonarem os vícios e as maldades do ódio e da violência. Seus algozes o acusaram de andar em bando, com uma espécie de gangue que chegara a danificar um templo religioso, expulsando os comerciantes que, segundo ele, assaltavam o consumidor no peso e no no preço.
 
Preso pelas milícias oficiais, depois de várias tentativas frustradas, esse homem quase foi linchado pela multidão, a qual ele assistiu durante três sucessivos anos, ensinando regras de comportamento ético e de uma vida saudável para o corpo e para o espírito.
 
Foi a ajuda de um integrante de seu grupo, por meio do expediente da delação -, que deu à polícia a chance de localizá-lo. Sua prisão não obedeceu a nenhum critério da lei ou respeito aos direitos humanos.
 
Sua identidade é bastante conhecida, mas há em torno dele um grande mistério. Partidários e até inimigos são unânimes em garantir que ele sempre se portou em favor dos pobres, doentes, assassinos, prostitutas e miseráveis, tendo anunciado a Justiça em defesa dos oprimidos.
 
Esse homem, sem residência fixa e cujo destino todos ignoravam, costumava atrair multidões às praças e aos logradouros onde pregava lições que jamais foram ouvidas da boca de alguém: o dever de amar os inimigos; esquecer pai e mãe para segui-lo; a promessa de um lugar no paraíso para os pobres de espírito; a igualdade dos povos e a sua filiação divina; a crença de que todos somos deuses, além de buscar fazer pelo outro aquilo que desejaríamos que nos fizessem.
 
Preso, torturado e executado em via pública, num local denominado Morro da Caveira, esse homem mereceu o registro maior de todas as violências.
 
Seu nome: Jesus.
 
Seu crime: ter amado a humanidade.
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RETRATO FALADO DE UM HOMEM CHAMADO JESUS

Por Nonato Albuquerque em Crônica

06 de Abril de 2012

Um excluído, cidadão de uns 33 anos, é preso, torturado e executado de forma arbitrária. Seu julgamento durou menos de 24 horas, entre a prisão e a morte, assistida por dezenas de pessoas. O crime pelo qual foi condenado não ficou bem definido.
 
Há suspeitas de que ele vivia à margem da lei. Que pregou uma nova ordem social, na qual as pessoas deveriam viver no Bem, na Esperança e na Caridade.
 
Ousado, ele chegou a incitar as multidões a abandonarem os vícios e as maldades do ódio e da violência. Seus algozes o acusaram de andar em bando, com uma espécie de gangue que chegara a danificar um templo religioso, expulsando os comerciantes que, segundo ele, assaltavam o consumidor no peso e no no preço.
 
Preso pelas milícias oficiais, depois de várias tentativas frustradas, esse homem quase foi linchado pela multidão, a qual ele assistiu durante três sucessivos anos, ensinando regras de comportamento ético e de uma vida saudável para o corpo e para o espírito.
 
Foi a ajuda de um integrante de seu grupo, por meio do expediente da delação -, que deu à polícia a chance de localizá-lo. Sua prisão não obedeceu a nenhum critério da lei ou respeito aos direitos humanos.
 
Sua identidade é bastante conhecida, mas há em torno dele um grande mistério. Partidários e até inimigos são unânimes em garantir que ele sempre se portou em favor dos pobres, doentes, assassinos, prostitutas e miseráveis, tendo anunciado a Justiça em defesa dos oprimidos.
 
Esse homem, sem residência fixa e cujo destino todos ignoravam, costumava atrair multidões às praças e aos logradouros onde pregava lições que jamais foram ouvidas da boca de alguém: o dever de amar os inimigos; esquecer pai e mãe para segui-lo; a promessa de um lugar no paraíso para os pobres de espírito; a igualdade dos povos e a sua filiação divina; a crença de que todos somos deuses, além de buscar fazer pelo outro aquilo que desejaríamos que nos fizessem.
 
Preso, torturado e executado em via pública, num local denominado Morro da Caveira, esse homem mereceu o registro maior de todas as violências.
 
Seu nome: Jesus.
 
Seu crime: ter amado a humanidade.