MOUSE OU MENOS - por Nonato Albuquerque 
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MOUSE OU MENOS

por Nonato Albuquerque

A crise de segurança passa por cada um de nós

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

02 de Maio de 2018

Como se não bastasse a violência causada pelas facções criminosas, ainda nos deparamos com briga entre policiais em uma barraca de praia. O saldo, a morte de um PM. Isso nos remete a uma reflexão de que falta habilidade no trato entre pessoas, que saem para se divertir e uma discussão tola, banal, serve de estopim para uma tragédia.

A crise de segurança passa por cada um de nós. Do parceiro que espanca sua mulher em casa. De pessoas que nem se conhecem e se odeiam a partir de uma freada brusca no trânsito. Do vizinho que ameaça o outro incomodado pelo som alto. Do indivíduo que se impacienta numa fila de banco e passa a quebrar tudo pela demora no atendimento.

Tudo isso é algo tão pequeno, capaz de ser superado, resolvido com uma conversa, mas a intolerância humana não consegue trabalhar esses pequenos desafios. Se quisermos ter uma cidade pacífica, teremos que enfrentar essas questiúnculas movidas por ódio, egoismo, orgulho e, principalmente, ego ferido.

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Um texto de Eça de Queiroz em homenagem ao trabalhador

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

01 de Maio de 2018

No dia internacional do Trabalho, vale a pena lembrar um texto de Eça de Queiroz, “O Povo”, numa homagem ao trabalhador. Diz ele:

“Há no mundo uma raça de homens com instintos sagrados e luminosos, com divinas bondades do coração, com uma inteligência serena e lúcida, com dedicações profundas, cheias de amor pelo trabalho e de adoração pelo bem, que sofrem, que se lamentam em vão.

Estes homens são o povo.
Estes homens estão sob o peso do calor e do Sol, transidos pelas chuvas, roídos do frio, descalços, mal nutridos; lavram a terra, revolvem-na, gastam a sua vida, a sua força, para criar o pão, o alimento de todos.
Estes são o povo, e são os que nos alimentam.

Estes homens vivem nas fábricas, pálidos, doentes, sem família, sem doces noites, sem um olhar amigo que os console, sem ter repouso do corpo e a expansão da alma, e fabricam o linho, o pano, a seda, os estofos.
Estes homens são o povo, e são os que nos vestem.

Estes homens vivem debaixo das minas, sem o Sol e as doçuras consoladoras da Natureza, respirando mal, comendo pouco, sempre na véspera da morte, rotos, sujos, curvados, e extraem o metal, o minério, o cobre, o ferro, e toda a matéria das indústrias.
Estes homens são o povo, e são os que nos enriquecem.

Estes homens, nos tempos de lutas e de crises, tomam as velhas armas da pátria, e vão, dormindo mal, com marchas terríveis, à neve, à chuva, ao frio, nos calores pesados, combater e morrer longe dos filhos e das mães, sem ventura, esquecidos, para que nós conservemos o nosso descanso opulento.

Estes homens são o povo, e são os que nos defendem.

Estes homens formam as equipagens dos navios, são lenhadores, guardadores de gado, servos mal retribuídos e desprezados.
Estes homens são os que nos servem.

E o mundo oficial, opulento, soberano, o que faz a estes homens que o vestem, que o alimentam, que o enriquecem, que o defendem, que o servem?

Primeiro, despreza-os; não pensa neles, não vela por eles, trata-os come se tratam os bois, deixa-lhes apenas uma pequena porção dos seus trabalhos dolorosos; não lhes melhora a sorte, cerca-os de obstáculos e de dificu1dades; forma-lhes ao redor uma servidão que os prende e uma miséria que os esmaga, não lhes dá proteção, e, terrível coisa, não os instrui: deixa-lhes morrer a alma.

É por isso que os que têm coração e alma, e amam a justiça, devem lutar e combater pelo povo.
E ainda que não sejam escutados, tem na amizade dele uma consolação suprema”.

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O Ceará precisa atualizar os sermões do Padre Cícero

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

30 de Abril de 2018

O padre Cícero Romão Batista costumava em suas pregações dominicais, em Juazeiro, lançar uma advertência para que os fiéis, que tivessem cometido algum erro, algum pecado, buscassem evitar a repetição desses atos condenáveis. Esses sermões precisam ser atualizados nos dias atuais.

Sabe-se que, em certa ocasião dezenas de integrantes do cangaço chegavam à meca do Cariri, a fim de participar das romarias e, nessas ocasiões, o sermão do Padim Ciço parecia destinar a eles. “Quem errou, não erre mais”. “Quem pecou, não peque mais”, advertia o sacerdote, ele próprio conhecedor do perfil violento do homem nordestino.

Essa herança atávica, que é a violência, persiste nos dias de hoje. O cangaço moderno age atacando bancos no interior. Deita vítimas pelo chão das cidades, como Fortaleza que assiste o ritual das mortes de jovens provocado pelas várias facções criminosas que reincorporam a violência do antigo cangaço.

Se vivo fosse, provavelmente, o padim Ciço faria sermões, hoje em dia, voltados à conclamar que errar é humano, mas persistir no erro é burrice, como se poderia traduzir o discurso do religioso que permanece tão vivo no coração de tantos nordestinos, mas cuja mensagem parece ter sido dissipada com o tempo.

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O ‘Big Brother’ que se deseja para a segurança

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

24 de Abril de 2018

Há 70 anos atrás, um escritor lançou um livro “1984”, prevendo que, a partir desse ano citado, os atos das pessoas seriam todos monitorados por câmeras de segurança, instaladas nas ruas, nas lojas do comércio e até em ambientes domésticos. Embora o livro falasse de um controle do Estado sobre os atos dos cidadãos, feitos por um sistema chamado “O Grande Irmão” – da expressão “Big Brother” de que falava o livro, hoje virou realidade não apenas nos reality shows da tv.

Em qualquer esquina das cidades é possível se ver câmeras acompanhando os passos de todos nós. E elas têm servido para revelar atitudes criminosas de malfeitores, como rotineiramente a gente revela aqui no Barra. Ontem uma delas captou mais um assassinato, cometido contra um diretor do time do Fortaleza. A crueza do ato revela a que ponto a maldade humana atingiu.

Embora essas câmeras auxiliem a identificar criminosos, elas porém deveriam ser melhor aproveitadas. Se houvesse uma interligação delas com um setor de segurança que permitisse, durante um ato criminoso, rapidamente a Polícia acionar agentes postados nas proximidades para localizar os responsáveis. Os de ontem foram presos. Tudo bem. Mas é um número ainda muito pequeno em relação aos outros crimes que as câmeras revelam diariamente. Se o Estado desejasse, elas poderiam ter ainda maior importância do que já têm.

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Atitudes anti-cristãs praticadas por cristãos

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

23 de Abril de 2018

Tem um vídeo nas redes sociais onde um pastor da Igreja Batista, lá de Niterói, lembra atitudes das pessoas hoje em dia, que são incompatíveis com o evangelho que é pregado nas igrejas cristãs. Isso, por conta do índice de violência que o País registra.

Por exemplo: é anti-cristão defender a pena de morte; que bandido bom é bandido morto; fazer discursos de ódio e intolerância; participar de linchamento de pessoas, tudo isso é contrário ao que pregou o mestre dessa corrente religiosa.

Da mesma forma que usar de violência contra mulheres – e nesse fim de semana foram quatro casos só em Fortaleza.
Para o pregador evangélico, não é agindo com a mesma arma dos violentos que iremos obter a cura dessa terrível doença que é a violência.

Na verdade, é não calando a denúncia contra aqueles que oprimem; contra aqueles que roubam, que matam. É cobrando das autoridades, condições ideais que possam fortalecer a segurança. Não é caindo na esparrela dos que acham que, contra os violentos, vamos usar também a violência – linchando, matando, espancando, usando do falso arbítrio de pré-julgar e condenar sem direito a defesa. Isso é anti-cristão, todos sabemos. Mas nesses tempos violentos muitos que se dizem cristãos parecem negar sua própria verdade ao contribuírem para o aumento da violência.

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A desonestidade revela a alma doentia de quem a exerce

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

20 de Abril de 2018

Em tempos de egoísmo e de interesses individuais, como esses que vivemos, onde cada um busca tirar proveito em seu benefício, sem ligar patavina às consequências de seus atos. a honestidade parece um preceito em vias de extinção. Hoje em dia, mais e mais indivíduos abraçam ações que violam os padrões da moral e dos bons costumes, visando sempre conquistas que lhe pareçam vantajosas.

O desonesto convive em todos os ramos da sociedade. Do iletrado ao intelectual. Do mais humilde ao mais abastado. Seja no ramo empresarial ou na política, ou em qualquer segmento, a desonestidade só revela a alma doentia de quem prefere se associar ao erro, do que permanecer entre aqueles que consagram o bem como virtude.

Políticos corruptos existem; assim como funcionários públicos de um sistema como o penitenciário, que buscam lucro fácil vendendo drogas aos presos, facilitando o acesso de celulares e mostrando-se desonestos, tanto quanto àqueles a quem mais se critica.

A desonestidade é um traço do homem ignorante à sua inteireza de ser em evolução. É um desvio de caráter de quem não respeita as leis e, tampouco, se associa aos tempos novos onde cada vez mais se reclama pela integridade das pessoas. Pela qualidade de ser bom e contribuir para a melhoria do mundo.

Vale até lembrar Rui Barbosa: “De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto”.

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Pequenos gestos, grandes virtudes

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

19 de Abril de 2018

Um pequeno e fortuito gesto, o de ajudar uma pessoa idosa a atravessar uma rua. A gentileza de alguém que evita fechar o cruzamento no trânsito. A boa atenção dada pelo servidor ao cliente. O ato de heroísmo de um bombeiro, como aconteceu ontem, salvando a vida de uma pessoa que surtou e tentou contra a própria vida. Tudo isso são importantes demonstrações da natureza humana. E num mundo cercado por ódio, raiva, inveja, egoísmo, intolerância e falta de consideração, esses pequenos gestos se tornam tão importantes que é preciso ressaltá-los, criando-se um ambiente saudável de apreço e consideração. Isso acontece. Todo dia. Mas é que a humanidade tem a tendência de enxergar mais o abismo do que as estrelas. O alto é o destino de todos nós; mas a resistência ao bem e às virtudes celestiais, ainda nos prende ao chão de nossa imaturidade. Por isso, a selvageria ainda domina os nossos gestos. Enquanto a Luz espera que apaguemos esse lado sombrio que ainda nos domina.

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O câncer moral atinge servidores do sistema penitenciário do Ceará

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

17 de Abril de 2018

A crise moral em nosso País assemelha-se a um câncer que se alastra por todo o corpo social e criou metástase incapaz de ser controlado com paliativos. Esse câncer tem nome: corrupção. E ele agride desde a mais expressiva da República ao servidor mais humilde.

Que o diga essas prisões feitas pela Operação Masmorra, onde sete servidores públicos da Secretaria de Justiça foram flagrados em ações criminosas dentro do sistema penitenciário. Um deles, agente penitenciário, chegou a entrar no presídio com 80 celulares que seria negociados com os presos ao preço de 1 mil reais, cada um. Outros facilitavam o crime entre os criminosos, numa demonstração de que a convivência do agente da lei com o infrator é capaz de gerar uma relação promíscua e criminosa.

Para deter esse avanço da doença moral o remédio tem que ser na proporção da mazela. O sistema penitenciário, com esses servidores corruptos, está contaminado e precisa ser recuperado. Que bom médico é capaz de restaurar essa podridão?

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Uma ferida aberta na cidade de 292 anos

Por Nonato Albuquerque em ATUALIDADE, SEGURANÇA

13 de Abril de 2018

Eu poderia estar amando e falando das belezas desta cidade, por quem há 292 anos, movemos nossa paixão por ela. Mas Fortaleza, nesse momento, tem uma enorme ferida aberta que faz sangrar dor e sofrimento entre os que aqui vivem. É o drama da violência.

Eu poderia estar apenas sublimando o encanto da festa da cidade, mas eu vou aproveitar e pedir a Deus que proteja essa Fortaleza-cidade tão atribulada por essa onda de insegurança e medo.

Se até aqui, as tentativas humanas têm falhado na contenção desse rio de lágrimas e sangue vertido pelas famílias e vítimas da violência, é hora então de se apegar com os santos e pedir aos céus proteção. Se as autoridades insistem em fechar os olhos e não reconhecer que a situação está fora de controle, que Deus ilumine aos que são responsáveis pela execução de projetos de contenção da violência, para que eles encontrem uma saída, uma solução.

Todo santo dia, a cidade se ressente de mais vítimas dessa onda louca. E, por mais que choremos os mortos – muitos deles, jovens em começo de vida útil, como essa universitária que foi a mais recente vítima dessa impactante violência – por mais que choremos esses mortos, não vislumbramos sinais de que a coisa possa melhorar. Não é ser pessimista; mas diante da realidade que nos cerca, só resta rogar aos céus a sua divina proteção. Sabemos que aquilo que é de responsabilidade do homem, cabe ao homem resolver; mas, diante de tanta insegurança, o melhor que se faz é depositar em Deus a nossa fé de que isso vá mudar. Para melhor. Que assim seja!

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O difícil aprendizado da perda

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

09 de Abril de 2018

O crime de ontem, ali nas proximidades da Arena Castelão, quando alguém tomado pelo ciúme resolveu vingar-se da pessoa amada que o trocou por outro e depois suicidou-se, resume uma das faces mais comuns das grandes tragédias humanas: o desespero de se ver rejeitado por quem, provavelmente, construiu uma expectativa de vida a dois.

A alma humana é um abismo sombrio de onde se projetam as consequências mais temíveis quando não se tem um auto-controle de uma situação dessas.

É que desde pequeno, todos nós somos educados ao espírito competitivo. O da vitória. Custe o que custar. Haja o que houver. Dificilmente nos orientam a saber perder.

O pai quer ver o filho vencendo na escola – quando o correto é aprender para saber fazer bom uso do conhecimento. No trabalho, deve-se disputar os melhores espaços de trabalho, ainda que isso signifique em derrotar o outro. Há disputas em tudo. No esporte. Na política. Na religião. E, principalmente, quando se trata das conquistas que dizem respeito ao coração. Nesse ponto, perder pode significar o fim de mundo.

Mas não deve ser essa a forma correta de se portar. Na verdade, ninguém pertence a ninguém. A convivência é lição de aprendizado para que um e outro, cresçam. Progridam. Mas quando não existir mais sequer o mínimo respeito nessa relação, é importante buscar soluções adultas. Condignas. Isso de se achar que “se você não for minha, não será de ninguém” é um traço herdado do homíneo das cavernas, etapa que se esperava banida do cidadão que aprendeu a pensar e a agir com razão. E não apenas com a emoção.

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O difícil aprendizado da perda

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

09 de Abril de 2018

O crime de ontem, ali nas proximidades da Arena Castelão, quando alguém tomado pelo ciúme resolveu vingar-se da pessoa amada que o trocou por outro e depois suicidou-se, resume uma das faces mais comuns das grandes tragédias humanas: o desespero de se ver rejeitado por quem, provavelmente, construiu uma expectativa de vida a dois.

A alma humana é um abismo sombrio de onde se projetam as consequências mais temíveis quando não se tem um auto-controle de uma situação dessas.

É que desde pequeno, todos nós somos educados ao espírito competitivo. O da vitória. Custe o que custar. Haja o que houver. Dificilmente nos orientam a saber perder.

O pai quer ver o filho vencendo na escola – quando o correto é aprender para saber fazer bom uso do conhecimento. No trabalho, deve-se disputar os melhores espaços de trabalho, ainda que isso signifique em derrotar o outro. Há disputas em tudo. No esporte. Na política. Na religião. E, principalmente, quando se trata das conquistas que dizem respeito ao coração. Nesse ponto, perder pode significar o fim de mundo.

Mas não deve ser essa a forma correta de se portar. Na verdade, ninguém pertence a ninguém. A convivência é lição de aprendizado para que um e outro, cresçam. Progridam. Mas quando não existir mais sequer o mínimo respeito nessa relação, é importante buscar soluções adultas. Condignas. Isso de se achar que “se você não for minha, não será de ninguém” é um traço herdado do homíneo das cavernas, etapa que se esperava banida do cidadão que aprendeu a pensar e a agir com razão. E não apenas com a emoção.