MOUSE OU MENOS - por Nonato Albuquerque 
Publicidade

MOUSE OU MENOS

por Nonato Albuquerque

A Polícia erra, o Estado paga

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO, SEGURANÇA

01 de novembro de 2016

Estamos cansados de saber que o tempo é senhor da razão. Nada é mais implacável do que ele. É o tempo que mexe com tudo. Que modifica as estações; faz amadurecer os frutos e dá sabedoria aos mais velhos. O tempo é mestre, porque ele ensina. Reordena os fatos. A própria História com o tempo ganha oficialidade. Na vida de cada um de nós, o tempo exibe marcas. Tudo aquilo que se fizer sem a devida avaliação e o peso das consequências, logo logo o tempo se encarregar de ajustar tudo e revela a verdade das coisas. Que o diga o caso daqueles espanhóis que foram vítimas de uma ação atabalhoada da Polícia Militar cearense.

Tudo aconteceu há quase dez anos, em setembro de 2007. O casal de espanhóis Marcelino Ruiz Campelo e Maria Del Mar Santiago Almudever, retornava do aeroporto com amigos estrangeiros e ao passar pela avenida Raul Barbosa, no Bairro da Aerolândia, o veículo em que estavam foi confundido por policiais militares, que fizeram abordagem e disparos pensando tratar-se de automóvel utilizado por assaltantes em fuga. Na ocasião, comentamos que isso era passível de uma ação por danos e perdas. E não deu outra.

O Tribunal de Justiça do Ceará condenou ontem o Estado a pagar indenização de R$ 1 milhão e 400 mil reais às vítimas. Muitos até achavam que o episódio já houvesse sido esquecido e que não resultasse em nada. Levou tempo, como é de costume na maioria dos processos judiciais; mas a condenação do Estado vem confirmar a necessidade do aprimoramento cada vez maior da Polícia no seu ofício diário.

Nada pode ser feito de maneira desordenada; sem os critérios que são formulados durante o período de ensino da academia. Hoje em dia, a qualidade de qualquer serviço é primordial para obtenção de bons resultados. Não se quer com isso, condenar a corporação, mas lembrar da necessidade de treinar seus agentes para o bom andamento das ações de combate à criminalidade. É preciso muito tato e tirocínio para que inocentes não sejam vítimas de erros. No caso dos espanhóis eles sobreviveram para cobrar reparação. E quando o erro resulta em algo pior, a morte por exemplo? Dinheiro algum paga a vida de quem quer que seja. Só o tempo é capaz de curar essas feridas.

leia tudo sobre

Publicidade

Multas sobem, mas cai o ideal educativo que se deve ao trânsito

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

31 de outubro de 2016

Hoje eu vi uma cena bastante comum, que revela o desrespeito às normas de trânsito. Um motoqueiro circulava na contramão, com uma mulher e um menor na garupa. Os três sem capacetes. Passaram diante de uma viatura da Polícia, bem em frente, sem que lhes fosse feita nenhuma advertência para lembrá-los da obediência à lei. Ah! Nonato, mas não eram agentes de trânsito, dirão vocês. Mas eram agentes de segurança. Se aos ocupantes da moto era evidente a transgressão às normas de trânsito, parecia sobrar aos agentes de segurança um involuntário conluio com o erro. O que eu quero dizer é que nenhum dos ocupantes da viatura teve atenção para exercitar, naquela momento, o verdadeiro sentido da concidadania. O ideal da polícia cidadã. De chegar, parar a moto e dizer aos ocupantes que eles estavam errados. Mesmo que eles não fossem agentes de trânsito.

Numa sociedade civilizada, onde esse tipo de coisa funcione, os indivíduos provavelmente saberão respeitar as normas até por uma questão de consciência. Infelizmente no Brasil, não se teme a autoridade. Teme-se a multa. Multa que, aliás, passa a ser reajustada a partir de amanhã, numa tentativa muito mais de meter a mão no bolso do cidadão, do que propor um sentido educativo.

Só pra se ter uma ideia, além do aumento nos valores, a legislação fará outras mudanças no Código de Trânsito Brasileiro. As infrações de natureza leve são as que sofrerão maior reajuste. O valor passará dos atuais R$ 53,20 para R$ 88,38, uma correção de 66%. Já as multas consideradas gravíssimas, hoje R$ 191,54, passarão para R$ 293,47 –um crescimento de 53%. Dirigir com celular deixa de ser uma infração média e passará a ser gravíssima. Estacionar irregularmente em vaga de idosos ou de pessoas com deficiência e se recusar a fazer o teste do bafômetro, que não era infração, também passam a ser gravíssimas. Claro que não somos contra a punição dos erros de guiadores via cobrança de multa – que se cobre de quem erra. Mas no Brasil, infelizmente, as leis parecem funcionar apenas com esse objetivo de multar.

Você estacionar numa vaga de idoso é multa gravíssima; mas atropelar uma criança e sair arrastando ela por uns 10 metros, como o caso do pequeno Kaíque, sem prestar nenhum tipo de assistência, não dá multa e tampouco levará o culpado à prisão. Pode até ir num primeiro instante, ir à delegacia, prestar um depoimento, pagar uma fiança e ser posto depois em liberrdade para continuar dirigindo. Me aponte uma só pessoa que esteja presa nas cadeias por crime de trânsito. Não é que esse tipo de crime não exista; existe sim. Mas aí, a lei se mostra branda e não chega a atingir os que erram. No país, há mais eficiência em usar a máquina arrecadadora do que exercitar o verdadeiro sentido educacional. Educá-lo para o trânsito com vistas a que ele se porte como um verdadeiro cidadão.

leia tudo sobre

Publicidade

Cobaia do fim do mundo

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

20 de outubro de 2016

O dia-a-dia de quem lê jornal, ouve rádio e abre a tv tem sido marcado por um volume  bastante expressivo de notícias ligadas à área de segurança. Não há como fugir de uma realidade que nem é propriedade nossa, mas do mundo inteiro. Segurança – ou melhor, a falta dela – é algo que se tornou tão perceptível aos nossos olhos, porque autoridades em todo o mundo sempre empurraram com a barriga esse tema.

Quando no Rio, o morro invadiu a cidade; a cracolândia assombrou quem transitava pelas avenidas paulistas; e as gangues passaram a determinar quem devia viver na conturbada área compreendida entre o Lagamar e Aerolândia; é que se percebeu que alguma coisa estranha estava acontecendo. Senão vejamos: cresceu o número de consumidores de drogas. O de menores agindo sob efeito delas e cooptados por adultos. Quando foragidos de outras paragens, afugentados pelas operações de pacificação dos morros cariocas, vieram dar com os costados em áreas do Eusébio, Aquiraz e outras cidades litorâneas, começou-se a sentir que o ar já contaminado por episódios criminosos ficara ainda mais perturbado. Governantes passaram a investir em programas de combate à violência. Comprou-se carros, motos – até uns dispensáveis ‘segways’ para se mostrar aos turistas da Beira Mar -, além de armamentos para reforço do aparelho policial. O que se vendeu de cerca elétrica para residências, ninguém conta. Casas e lojas de comércio adotaram câmeras de segurança, na ilusória tentativa de que tudo isso desestimularia os atos violentos. Que nada!

Como a fazer frente a isso, a violência parecia se vitaminar de novos ingredientes com a chegada de grupos criminosos que se associavam à corrente do crime organizado, como se recebessem deles orientações para agir com mais ousadia, sem medo de mostrar a cara para as câmeras e sem temor de deparar-se com a figura do Estado repressor.

Agora, ouço falar que moradores do bairro Cajazeiras, importunados pelos constantes assaltos e pela falta de policiamento, estão querendo construir um muro para tentar barrar o acesso de criminosos que os tem deixado intranquilos. Gente, somente o desespero levaria o cidadão de bem a essa saída desesperadora. Nem as arrasadas cidades da Síria em guerra chegaram a uma iniciativa dessas que, em última análise, so revela a incapacidade do Estado em prover a população com o mínimo de segurança. É preciso reprogramar o sistema de segurança, que passa não pelo aparelhamento policial, mas por um projeto de educação de toda sua gente. Afinal, Fortaleza não tem vocação para ser cobaia do fim do mundo.

leia tudo sobre

Publicidade

O povo não deve ser culpado pelo desmazelo do governo

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

17 de outubro de 2016

A população não pode pagar pela incúria dos outros. É isso o que se entende dessa queda de braço entre agentes da Polícia Civil que atuam nas delegacias e o governo do Estado, via Secretaria de Justiça. Presos vivem amontoados nos xadrezes superlotados das delegacias cearenses e, para protestar contra esse desmazelo, os policiais iniciaram um movimento, negando-se a atender ao público que busca algum tipo de serviço.

Consideramos que as delegacias não foram feitas para permanência atemporal de quem responde a algum delito. Tem um prazo legal. Que os agentes de segurança não devem se constituir em meros babás desses inquilinos temporários, também concordamos. Mas é intolerável a decisão de passar as consequências desse problema para o povo. A população já sofre tantas impropriedades do Estado, seja na área de segurança, educação e saúde, que é preciso reorientar o alvo desse protesto. É o governo, o responsável pelo desmando? Então que se crie frentes capazes de atingir quem não está cumprindo com o dever.

Ao negar o atendimento ao público, que busca uma delegacia para o registro de um boletim de ocorrência, ao invés de ganhar a simpatia do cidadão comum, a Polícia bate de frente com o principal foco de sua operaciionalidade, que é o cidadão comum. Esse espírito de corpo que alguns movimentos paredistas sempre incorporam já está desgastado, diante das ações que grevistas fazem, indo de encontro ao povo e não aos responsáveis maiores. Tem sido assim com as greves no setor bancário, no de transporte, na área de educação e da saúde onde, em busca da melhoria da qualidade dos serviços, quem acaba pagando o pato somos nós, a população. E isso não é politicamente correto.

leia tudo sobre

Publicidade

Venda de liminares: o crime não como pensas

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

06 de outubro de 2016

Eu nunca pensei chegar um dia em achar que o crime, às vezes, compensa. Embora falsa, essa é a impressão que o cidadão comum tem, diante de ações criminosas e que redundam em fatias de lucro para os seus autores. E crime praticado por quem é responsável em julgar criminosos.

Quando advogados e juízes abandonam o cumprimento do dever e passam a agir de forma marginal, recebendo grandes somas de dinheiro para soltar bandidos perigosos, é sinal de que a moral deles foi vergonhosamente atirada na lata do lixo. Eles perdem qualquer tipo de respeito e passam a se nivelar ao mais vil bandido que cometa atos condenáveis. Afinal, eles são os guardiões da lei; os que deveriam ter a retidão e a ética como fundamentos maiores de suas ações. Se é preciso condenar os que cometem qualquer tipo de ilícito, por que não cobrar de quem julga a obrigatoriedade de estarem acima dos que erram.

Tem uma antiga citação bastante aplicável nos dias de hoje: “à mulher de César não basta ser honesta, tem que parecer honesta”. Não se espera de quem aprendeu as lições de Direito, o mesmo comportamento do indivíduo que comete crimes de qualquer ordem. Aliás, é bom lembrar o que um mestre falou ressaltando o dever dos têm conhecimento: a quem muito for dado, mais será cobrado. Se alguém ouviu de seus mestres o ensinamento das normas para cobrar dos outros o respeito a elas, dele se exigirá mais do que aquele que as ignora.

Entre o povo, a impressão que se tem é de que vale a pena se corromper; extorquir, roubar – principalmente, quando se sabe do que isso resulta: em prêmio. E não foi essa a conclusão a que chegou a Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça, aprovando o afastamento dos desembargadores Francisco Pedrosa Teixeira e Sérgia Maria Mendonça Miranda, do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE)? Depois de cometerem crimes de corrupção, com a venda de liminares de até 150 mil para liberar presos acusados de crimes hediondos, eles foram afastados do cargo. Mas, porém, mesmo diante do afastamento, os magistrados vão continuar recebendo os salários e todos os benefícios do cargo. É isso que leva o cidadão comum à crença de que, às vezes, o crime compensa. Ou como se costuma dizer nos arredores da praça do Ferreira: o crime NÃO como pensas

leia tudo sobre

Publicidade

A (in)justiça de alguns

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO, ATUALIDADE

30 de setembro de 2016

De quem atua na esfera do Poder Judiciário deve-se esperar sempre atitudes justas. Firmes. Claras. Honestas. Afinal são seus representantes, os operadores da Justiça. Os guardiões da Lei. Mas, infelizmente, esses princípios parecem desvirtuados por alguns integrantes, embora a grande maioria sirva de modelo no exercício do dever.

Diante das denúncias envolvendo advogados e desembargadores cearenses, a sociedade fica estarrecida como o crime estabeleceu-se entre representantes do próprio Judiciário. Que pecado esses senhores cometeram? Eles são acusados de vender liminares nos plantões de fim-de-semana para soltar criminosos perigosos. Gente da pior espécie ganhava ‘habeas-corpvs’, com o braço da Justiça permitindo-lhe a livre operação criminosa. Pior: muitos pretendentes ao cargo de policial na PM, não conseguiram passar bno concurso, mas conseguiram por esse método criminoso, adentrarem na Polícia. Essa facilidade não era algo gratuito. Tinha um preço. E que preço! O preço da desonra. Da maculação da lei. Cobrava-se de 50 a 150 mil reais, numa confirmação nítida de que, por dinheiro, há quem manche o próprio nome e desonre o cargo que exerce. Diante dessa ladroagem institucionalizada, a expectativa do cidadão comum é de que a moralidade bateu-se em retirada, até mesmo do ambiente onde devia prevalecer a dignidade e a Justiça. O povo imagina que está em vigor hoje em dia o império da ignomínia e da vergonha.

É algo que surpreende, já que se espera de quem estudou para desempenhar a missão de defender os princípios da legalidade, o espírito cívico de agir com honradez e justiça. A ação dos advogados e desembargadores negociando com criminosos é algo terrível, mas que só reflete o estágio moral a que uma parte da sociedade humana está entregue. É por isso que eu costumo dizer que nada do que é humano me surpreende. Por mais lauréis que ostente e diplomas de formatura, a alma humana sempre mostra sua fragilidade moral diante das ofertas onde circule o vil metal. Mas nada disso, porém, deve tirar a esperança de que o Bem há de predominar sobre os maus. A própria descoberta desse crime e o repúdio da sociedade nos remete a certeza de que a vitória não pertence a esses mandriões, já que o crime nunca prevaleceu na História da humanidade.

leia tudo sobre

Publicidade

A quem as greves deveriam mais afetar?

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

28 de setembro de 2016

Uma greve de trabalhadores sempre acarreta prejuízos. Prejuízos que, na verdade, deveriam ser bem mais direcionados aos patrões, a quem os manifestantes desejam atingir. Infelizmente, a corda de todo movimento grevista acaba se rompendo sempre para o lado mais fraco, o da população.

Se os ônibus param, com motoristas insatisfeitos com seus patrões, quem mais sofre é o passageiro. Se os professores reivindicam melhoria de salário e condições de trabalho, como os profissionais da UECE, sofrem os alunos com o atraso do calendário letivo. A greve dos bancários, por exemplo, é um movimento que deveria prejudicar os banqueiros, empanzinados de tanto ganhar dinheiro de seus correntistas com altas taxas bancárias. Mas a greve está criando problemas é para um mundo de gente que, no caixa eletrônico, não está conseguindo efetuar operações, como a retirada do Seguro Desemprego, por exemplo.

Ontem, numa agência da Washington Soares, um empresário se revoltou com a impossibilidade de fazer uma transação, impossível na bateria de caixas por conta da quantia acima do limite. Outras pessoas estão convivendo, indiretamente, com essa queda de braço de servidores com o governo. Falo de quem precisa dos serviços da Polícia Civil. Tem gente esperando mais de 10 horas numa fila para registrar um simples B.O. Dá pra se imaginar ocorrências mais graves.

Entendemos que os policiais devem ter lá suas razões para reivindicar melhorias para a categoria, afinal isso vai redundar em melhores serviços à população. Mas quando a greve prejudica mais o cidadão do que o patrão, o foco do movimento dos servidores, simplesmente, afeta a quem lhe paga seus salários. O governo é mero repassador e ele, também, deveria ter a noção de que é responsável pelo caos gerado pelas paralisações.

A Justiça trabalhista entrou em cena e tomou duas decisões. Na dos bancários, está obrigando o atendimento de duas horas diárias nas agências e postos de atendimento das instituições bancárias, conveniadas e estabelecidas nos órgãos do Poder Judiciário Estadual e Federal, isso para o pagamento de alvarás judiciais durante a greve dos bancos. Numa outra decisão votou pela ilegalidade da greve dos policiais, categoria considerada no rol dos serviços essenciais, ao mesmo tempo em que ameaça punir caso os policiais não voltem ao batente. Uma coisa é certa: é preciso encontrar um modelo em que servidores possam pressionar seus patrões, sem que para isso o usuário, o consumidor, enfim o cidadão sofra as consequências dessa beligerância entre parões e empregados.

leia tudo sobre

Publicidade

Histórias da ditadura: Os 100 rifles que detiveram empresário cearense

Por Nonato Albuquerque em MEMÓRIA

24 de setembro de 2016

Manhãs de sábado sempre nos reservam tempo para doistões de conversa com gente que gosta de cinema. É na Distrivídeo, onde Marcelo Arrais costuma dar plantão e contar/ouvir pessoas discutindo coisas relacionadas à Sétima Arte. Hoje, ele me contou um fato curioso ocorrido com seu pai durante os tempos da ditadura militar. E resolvi postá-lo para mostrar como agiam os integrantes do regime ditatorial.
O pai dele, Maurílio Arraes, empresário de cinema no Ceará, chegou a ser detido na estação João Felipe, por estar esperando do Recife uma carga de 100 rifles, segundo informaram os arapongas do regime.
Eram os anos 60, tempo da ditadura militar, e por ter Arraes no sobrenome – os milicas pensavam, também, tivesse ele alguma relação com o comunista Miguel Arraes. E ainda mais: os cem rifles vinham de Pernambuco…
Na verdade, ele aguardava era a chegada dos rolos do filme “100 Rifles”, com Jim Brown e Rachel Welch, que costumavam vir de trem da capital pernambucana para exibição no Cine Ventura, de sua propriedade. Nesse tempo, os trens da RVC iam até Arrojado, na Paraíba e passgeiros e mercadorias faziam baldeação (!) com os trens pernambucanos.

leia tudo sobre

Publicidade

Houve um tempo no mundo…

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

23 de setembro de 2016

Houve um tempo em que as pessoas viviam emburradas umas com as outras. Por qualquer motivo ficavam enraivecidas. Brigavam por nadinha, além de cometer roubos enormes.

Houve um tempo em que a bondade chegou a virar peça rara no cotidiano das pessoas. Poucas pessoas eram bondosas. Ninguém ajudava a ninguém, a não ser que fosse para garantir algum benefício em troca. Falava-se muito de Deus, mas quase ninguém se aplicava a obedecer as regras de seus mandamentos. Amar o próximo. Não matar, não roubar…

Houve um tempo no mundo em que se roubava sonhos e ideais e que as pessoas brigavam por causa de religiões. Nesse tempo, os homens do Poder faziam tudo para se tornarem mais ricos, enquanto a grande massa se empobrecia ainda mais. Com isso, a miséria imperava; o crime se organizava; o combate ao mal era inócuo e a Justiça era morosa demais para resolver os casos.

Houve um tempo em que a palavra empenhada já não valia tanto e, por isso, as pessoas desconfiavam até das suas sombras.

Houve um tempo em que a falta de segurança era tanta, que as pessoas não podiam mais sair de casa com medo de serem vítimas de assalto na esquina ou no próximo sinal. Roubava-se a granel. Matava-se a três por quatro. Sem motivo nenhum. Nesse tempo, até as igrejas perderam o sentido de formação moral da alma para se transformar em empresas de lucros e dividendos.

Houve um tempo em que as pessoas viviam infelizes, por não terem tudo o que queriam e nem serem tudo o que podiam. Por mais incrível que pareça, houve um tempo em que tudo isso aconteceu. E esse tempo, senhores e senhoras, é hoje.

leia tudo sobre

Publicidade

A dor que nos une

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

16 de setembro de 2016

pegadas

 

“A vida é como pegadas de um passarinho na neve. Você olha, estão lá. Olha de novo, não estão mais.”

Da Fu, poeta, dinastia Tang.

A dor, seja ela de que origem for, é algo que remete a criatura humana a sua pequenez. Por mais forte que alguém se considere, que tenha poderes e haveres, basta aparecer uma unha encravada para se revelar o medo que angustia a alma humana. Os pensadores famosos já diziam “todo mundo é capaz de dominar uma dor, exceto quem a sente”. Nunca houve uma só pessoa que conseguisse suportar pacientemente uma dor de dentes. Por isso, a dor rebaixa os orgulhosos. A dor enfraquece os corajosos. A dor revela a fragilidade do mais forte dos seres.

São Francisco, o santo amado dos pobres, considerava a dor como uma irmã que vem rebaixar aqueles que se acham donos do mundo. Ela não faz nenhuma restrição a credo, raça e cor. Sofrem dores, tanto crentes quanto ateus. Tanto ricos quanto os miseráveis. Todos passam por dores físicas ou dores morais, que desalentam ainda mais a alma. A perda de um ente querido, por exemplo, é o momento em que a dor mais se faz presente. E ela, por incrível que pareça, consegue nessas horas unir as pessoas através da solidariedade. É na dor das tragédias, causadas por terremotos, enchentes e grandes incêndios, que a alma humana mais se comove e consegue promover a ajuda, o auxílio. É aí que a dor se faz irmã.

São em momentos de grande comoção, como o da perda de uma figura da cultura artística como a que vive o País em relação a Domingos Montagner, que se tem a percepção de que a dor nos coloca à prova e nos faz refletir sobre a brevidade da vida física e essa etapa seguinte, a que todos teremos que embarcar, a morte. Nessas horas, o homem gostaria de entender um pouco mais o que o Grande Arquiteto do Universo pretende nos dizer retirando do cenário da Terra pessoas que privam de nossa estima ou que, momentaneamente, fizeram parte do mundo que nos cerca. Quando cumulamos a dor dos outros é sinal de que nossos sentimentos estão amadurecidos e, com ela, respeitamos aos que sofrem, a nos revelar a nossa enorme fragilidade. É que a dor é mestra e, nessas horas, nos faz colocar em nosso devido lugar.

 

leia tudo sobre

Publicidade

A dor que nos une

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

16 de setembro de 2016

pegadas

 

“A vida é como pegadas de um passarinho na neve. Você olha, estão lá. Olha de novo, não estão mais.”

Da Fu, poeta, dinastia Tang.

A dor, seja ela de que origem for, é algo que remete a criatura humana a sua pequenez. Por mais forte que alguém se considere, que tenha poderes e haveres, basta aparecer uma unha encravada para se revelar o medo que angustia a alma humana. Os pensadores famosos já diziam “todo mundo é capaz de dominar uma dor, exceto quem a sente”. Nunca houve uma só pessoa que conseguisse suportar pacientemente uma dor de dentes. Por isso, a dor rebaixa os orgulhosos. A dor enfraquece os corajosos. A dor revela a fragilidade do mais forte dos seres.

São Francisco, o santo amado dos pobres, considerava a dor como uma irmã que vem rebaixar aqueles que se acham donos do mundo. Ela não faz nenhuma restrição a credo, raça e cor. Sofrem dores, tanto crentes quanto ateus. Tanto ricos quanto os miseráveis. Todos passam por dores físicas ou dores morais, que desalentam ainda mais a alma. A perda de um ente querido, por exemplo, é o momento em que a dor mais se faz presente. E ela, por incrível que pareça, consegue nessas horas unir as pessoas através da solidariedade. É na dor das tragédias, causadas por terremotos, enchentes e grandes incêndios, que a alma humana mais se comove e consegue promover a ajuda, o auxílio. É aí que a dor se faz irmã.

São em momentos de grande comoção, como o da perda de uma figura da cultura artística como a que vive o País em relação a Domingos Montagner, que se tem a percepção de que a dor nos coloca à prova e nos faz refletir sobre a brevidade da vida física e essa etapa seguinte, a que todos teremos que embarcar, a morte. Nessas horas, o homem gostaria de entender um pouco mais o que o Grande Arquiteto do Universo pretende nos dizer retirando do cenário da Terra pessoas que privam de nossa estima ou que, momentaneamente, fizeram parte do mundo que nos cerca. Quando cumulamos a dor dos outros é sinal de que nossos sentimentos estão amadurecidos e, com ela, respeitamos aos que sofrem, a nos revelar a nossa enorme fragilidade. É que a dor é mestra e, nessas horas, nos faz colocar em nosso devido lugar.