O Ceará no mapa da morte de adolescentes - MOUSE OU MENOS 
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MOUSE OU MENOS

por Nonato Albuquerque

O Ceará no mapa da morte de adolescentes

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO, SEGURANÇA

13 de novembro de 2017

Ser jovem e pobre no Ceará parece tarefa bastante arriscada. Não só pelos desafios que a idade e a posição social revelam, mas pelo envolvimento de muitos deles com a criminalidade. Os números do mapa da morte revelados hoje pelo Comitê Cearense de Prevenção a Homicídios na Adolescência mostram isso. Sugerem mais: que o Ceará, ao lado do progresso onde se valoriza os grandes investimentos econômicos que vão expandir o turismo, é um Estado que dá as costas à grande parte de sua juventude e, por isso, ela se torna vítima principal do comércio da morte, movido por facções interessadas em lucrar com a vida deles.

Os números apresentados indicam que de janeiro a julho deste ano foram 522 adolescentes que tombaram ao peso de armas, um aumento da ordem de 71 por cento, em relação ao ano passado.

Hoje mesmo, esse roteiro abominável de execuções da juventude cearense, foi ampliado com a chacina de quatro menores, que foram arrancados de dentro de uma unidade no bairro Sapiranga e acabaram sendo mortas por um grupo de assassino.

É a capital cearense quem puxa esse ranking indesejável de mortes, enquanto Maracanaú e Caucaia são comboiadas nessa lista. O perfil dessas vítimas revela outro ponto interessante: elas são de origem pobre, de cor negra, com baixa frequência escolar, com envolvimento com drogas, filhos de pais separados e sem maiores expectativas de vida.

Sem políticas de inclusão e com esse olhar dos governantes voltado para áreas mais nobres da cidade, o que resta a esses meninos senão abraçarem a estúpida ilusão de que, no tráfico, eles vão se dar bem? É por isso que eles morrem. Porque a vida deles não vale nada. Nem para os traficantes, nem para os governantes, tampouco para os pais – e, acreditem! – nem mesmo para eles que servem apenas de bucha de canhão a essa guerra não oficial, onde lucram os traficantes, ainda que os maiores sacrificados sejam clientes de seu espúrio mercado.

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Por Nonato Albuquerque em ARTIGO, SEGURANÇA

13 de novembro de 2017

Ser jovem e pobre no Ceará parece tarefa bastante arriscada. Não só pelos desafios que a idade e a posição social revelam, mas pelo envolvimento de muitos deles com a criminalidade. Os números do mapa da morte revelados hoje pelo Comitê Cearense de Prevenção a Homicídios na Adolescência mostram isso. Sugerem mais: que o Ceará, ao lado do progresso onde se valoriza os grandes investimentos econômicos que vão expandir o turismo, é um Estado que dá as costas à grande parte de sua juventude e, por isso, ela se torna vítima principal do comércio da morte, movido por facções interessadas em lucrar com a vida deles.

Os números apresentados indicam que de janeiro a julho deste ano foram 522 adolescentes que tombaram ao peso de armas, um aumento da ordem de 71 por cento, em relação ao ano passado.

Hoje mesmo, esse roteiro abominável de execuções da juventude cearense, foi ampliado com a chacina de quatro menores, que foram arrancados de dentro de uma unidade no bairro Sapiranga e acabaram sendo mortas por um grupo de assassino.

É a capital cearense quem puxa esse ranking indesejável de mortes, enquanto Maracanaú e Caucaia são comboiadas nessa lista. O perfil dessas vítimas revela outro ponto interessante: elas são de origem pobre, de cor negra, com baixa frequência escolar, com envolvimento com drogas, filhos de pais separados e sem maiores expectativas de vida.

Sem políticas de inclusão e com esse olhar dos governantes voltado para áreas mais nobres da cidade, o que resta a esses meninos senão abraçarem a estúpida ilusão de que, no tráfico, eles vão se dar bem? É por isso que eles morrem. Porque a vida deles não vale nada. Nem para os traficantes, nem para os governantes, tampouco para os pais – e, acreditem! – nem mesmo para eles que servem apenas de bucha de canhão a essa guerra não oficial, onde lucram os traficantes, ainda que os maiores sacrificados sejam clientes de seu espúrio mercado.