Fonsequinha: humor não pode rimar com dor - MOUSE OU MENOS 
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MOUSE OU MENOS

por Nonato Albuquerque

Fonsequinha: humor não pode rimar com dor

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

03 de Maio de 2018

Fonsequinha, morto em meio a onda avassaladora de violência que assusta Fortaleza, era um homem de paz. De fazer rir e de conviver com uma forma lúdica, brincalhona, como se peterpanizasse a idade da irreverência.

Estivemos juntos no programa da Maísa Vasconcelos, “Na Boca do Povo”, onde eu era o produtor e ele fazia as esquetes de humor. Um humor despojado de qualquer preocupação estética, onde a graça estava no compartilhar a comicidade cearense.

Ele sabia atrair para si, a atenção da massa. Por isso, sua graça era feita nas ruas e avenidas, no meio do povo, sem pauta programada, onde valia puxar o que havia de mais expressivo da molecagem cearense.

Era um homem de pureza, como são alguns que militam no humor, e que nem sabiam definir a importância de seu trabalho. Fazer rir era a sua profissão. Alguns até estranhavam seu figurino intrigante, mas na leitura que se fazia podíamos ver homenageados nela. Do humorista Jorge Loredo, o Zé Bonitinho da Escolinha do Professor Raimundo, ele tomou emprestado o figurino dos óculos enormes. A roupa mesclada de cores berrantes era o grande remendo das vestimentas do povo.

Fonsequinha que fazia rir, jamais imaginaria que, um dia, o humor rimaria com dor. E, na cidade que tem a molecagem como perfil mais lúdico, é preciso reinventar os espaços de paz e tranquilidade, por onde outros fonsequinhas e admiradores possam circular.

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Fonsequinha: humor não pode rimar com dor

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

03 de Maio de 2018

Fonsequinha, morto em meio a onda avassaladora de violência que assusta Fortaleza, era um homem de paz. De fazer rir e de conviver com uma forma lúdica, brincalhona, como se peterpanizasse a idade da irreverência.

Estivemos juntos no programa da Maísa Vasconcelos, “Na Boca do Povo”, onde eu era o produtor e ele fazia as esquetes de humor. Um humor despojado de qualquer preocupação estética, onde a graça estava no compartilhar a comicidade cearense.

Ele sabia atrair para si, a atenção da massa. Por isso, sua graça era feita nas ruas e avenidas, no meio do povo, sem pauta programada, onde valia puxar o que havia de mais expressivo da molecagem cearense.

Era um homem de pureza, como são alguns que militam no humor, e que nem sabiam definir a importância de seu trabalho. Fazer rir era a sua profissão. Alguns até estranhavam seu figurino intrigante, mas na leitura que se fazia podíamos ver homenageados nela. Do humorista Jorge Loredo, o Zé Bonitinho da Escolinha do Professor Raimundo, ele tomou emprestado o figurino dos óculos enormes. A roupa mesclada de cores berrantes era o grande remendo das vestimentas do povo.

Fonsequinha que fazia rir, jamais imaginaria que, um dia, o humor rimaria com dor. E, na cidade que tem a molecagem como perfil mais lúdico, é preciso reinventar os espaços de paz e tranquilidade, por onde outros fonsequinhas e admiradores possam circular.