Caçadores de recompensas: do velho oeste ao novo Nordeste - MOUSE OU MENOS 
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MOUSE OU MENOS

por Nonato Albuquerque

Caçadores de recompensas: do velho oeste ao novo Nordeste

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

15 de Janeiro de 2019

No século 19, os Estados Unidos viveram um período de extrema violência por conta de bandoleiros que atacavam o transporte da época no velho oeste, as diligências, explodiam e assaltavam bancos, além de incendiar as cabanas dos índios, perseguidos que eram pelos confederados. Para conter esses ataques, era chamada a Cavalaria Americana, mas mesmo assim os resultados não eram suficientes. Foi então que o governo começou a oferecer recompensas para quem denunciasse, prendesse e entregasse vivos os responsáveis pelos crimes. Surgiu então a figura dos ‘caçadores de recompensa’. Essas são cenas do “western” americano.

Século 21, um estado brasileiro, o Ceará, convive com uma série de ataques impostos por integrantes de facções que passaram a atacar o transporte público, incendiando coletivos, explodindo viadutos e causando o terror. Para conter
essas ações, chamaram a Força Nacional de Segurança, em seus motores de muitos cavalos de força e que passaram a suprir as carências do efetivo local. Como os resultados não foram suficientes, o governo começou a oferecer recompensas para quem denunciar os responsáveis com prêmios que vão de 1 mil a 30 mil reais. Essas são cenas do nordestern brasileiro.

Embora as estórias se assemelhem no geral, há uma grande diferença em relação à versão americana que os filmes de “caubói” tanto exploraram. Aqui, o denunciante não vai ter as prerrogativas dadas pela Suprema Cote de Justiça aos “caçadores” de lá. Só pra vocês terem uma ideia, lá eles tinham autoridade para usar arma e, mesmo sem nenhum treinamento, podiam invadir uma casa, prender o denunciado – já que a recompensa – a grana – só poderia ser recebida caso o bandido fosse entregue vivo. Até isso acontecer, dá pra se imaginar as relações violentas que isso gerou, fazendo com que houvesse perdas dos dois lados, dos caçados e dos caçadores.

Se bem que os tempos sejam outros, a comparação que estamos fazendo só quer demonstrar uma coisa: o tempo rolou um bocado de lá pra cá; mas as más atitudes humanas continuam a provocar medidas extremas, impondo regras que, sinceramente, imaginávamos fossem imagens de um passado que, teimosamente, parece não querer morrer.

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Caçadores de recompensas: do velho oeste ao novo Nordeste

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

15 de Janeiro de 2019

No século 19, os Estados Unidos viveram um período de extrema violência por conta de bandoleiros que atacavam o transporte da época no velho oeste, as diligências, explodiam e assaltavam bancos, além de incendiar as cabanas dos índios, perseguidos que eram pelos confederados. Para conter esses ataques, era chamada a Cavalaria Americana, mas mesmo assim os resultados não eram suficientes. Foi então que o governo começou a oferecer recompensas para quem denunciasse, prendesse e entregasse vivos os responsáveis pelos crimes. Surgiu então a figura dos ‘caçadores de recompensa’. Essas são cenas do “western” americano.

Século 21, um estado brasileiro, o Ceará, convive com uma série de ataques impostos por integrantes de facções que passaram a atacar o transporte público, incendiando coletivos, explodindo viadutos e causando o terror. Para conter
essas ações, chamaram a Força Nacional de Segurança, em seus motores de muitos cavalos de força e que passaram a suprir as carências do efetivo local. Como os resultados não foram suficientes, o governo começou a oferecer recompensas para quem denunciar os responsáveis com prêmios que vão de 1 mil a 30 mil reais. Essas são cenas do nordestern brasileiro.

Embora as estórias se assemelhem no geral, há uma grande diferença em relação à versão americana que os filmes de “caubói” tanto exploraram. Aqui, o denunciante não vai ter as prerrogativas dadas pela Suprema Cote de Justiça aos “caçadores” de lá. Só pra vocês terem uma ideia, lá eles tinham autoridade para usar arma e, mesmo sem nenhum treinamento, podiam invadir uma casa, prender o denunciado – já que a recompensa – a grana – só poderia ser recebida caso o bandido fosse entregue vivo. Até isso acontecer, dá pra se imaginar as relações violentas que isso gerou, fazendo com que houvesse perdas dos dois lados, dos caçados e dos caçadores.

Se bem que os tempos sejam outros, a comparação que estamos fazendo só quer demonstrar uma coisa: o tempo rolou um bocado de lá pra cá; mas as más atitudes humanas continuam a provocar medidas extremas, impondo regras que, sinceramente, imaginávamos fossem imagens de um passado que, teimosamente, parece não querer morrer.