As palavras convencem, mas são os exemplos que arrastam. - MOUSE OU MENOS 
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MOUSE OU MENOS

por Nonato Albuquerque

As palavras convencem, mas são os exemplos que arrastam.

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

17 de Fevereiro de 2019

Nada é mais contundente e eficaz do que a palavra. E, quando dita em momentos sugestivos que mereçam atenção, a palavra tem uma força inigualável. Vale como se fosse uma arma. Uma arma quente.

As palavras de alguém indignado com a violência que extrapola o seu próprio domínio, revelam inquietação. Sugerem revolta. Mesmo sabendo que ao fazer uso dela, alguém ligado a uma corporação militar pode incorrer em retaliações. Em ser chamado para as conversas. E receber punições. Falo do discurso do agente de segurança, indignado com a morte de mais um companheiro. Ele fez um desabafo, mesmo sabendo que poderia ir de encontro às regras do regimento interno da corporação. Mas que alma ferida pela dor da perda, sabe controlar as emoções? Quem no meio da angústia e da dor consegue segurar o ímpeto de reagir?

A voz do soldado sobrepujou-se a tudo isso e preferiu manter acesa a chama da indignação, usando o que melhor tem o ser humano para contrapor-se à violência que é a palavra. Ele usou a palavra com mais maestria do que os que se acovardam atrás de uma arma e, sem nenhum controle, partem para retaliações.

Toda vingança é fruto de ódio e de violência. O oficial que usou a palavra, pode até nem ter medido as consequências do seu gesto, mas equiparou-se a qualquer um de nós com direito à liberdade de expressão. A palavra dele revelou a coragem de quem deseja alertar mentes e corações e, principalmente, acordar os que têm a missão de aperfeiçoar as leis em favor de um tempo melhor. Sabemos que ele possa estar sofrendo algum tipo de retaliações, por fugir ao que determina o regimento interno da corporação, que proíbe os militares de manifestações dessa natureza; mas se ele pecou – para usar uma expressão que eu não gosto -, o fez por sentir que ninguém mais suporta essa onda de violência que deixa Fortaleza enfraquecida aos olhos do mundo.

É preciso tomar atitudes. Não apenas de usar números da morte como veículo para projeção de marketing. Mas estabelecer um plano que possa dar, real e verdadeiramente, um significado de paz.

Por enquanto, o Ceará Pacífico existe apenas no nome. E mesmo que a palavra tenha essa força do discurso, não custa nada lembrar Confúcio. O sábio costumava dizer que as palavras convencem, mas são os exemplos que arrastam.

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As palavras convencem, mas são os exemplos que arrastam.

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

17 de Fevereiro de 2019

Nada é mais contundente e eficaz do que a palavra. E, quando dita em momentos sugestivos que mereçam atenção, a palavra tem uma força inigualável. Vale como se fosse uma arma. Uma arma quente.

As palavras de alguém indignado com a violência que extrapola o seu próprio domínio, revelam inquietação. Sugerem revolta. Mesmo sabendo que ao fazer uso dela, alguém ligado a uma corporação militar pode incorrer em retaliações. Em ser chamado para as conversas. E receber punições. Falo do discurso do agente de segurança, indignado com a morte de mais um companheiro. Ele fez um desabafo, mesmo sabendo que poderia ir de encontro às regras do regimento interno da corporação. Mas que alma ferida pela dor da perda, sabe controlar as emoções? Quem no meio da angústia e da dor consegue segurar o ímpeto de reagir?

A voz do soldado sobrepujou-se a tudo isso e preferiu manter acesa a chama da indignação, usando o que melhor tem o ser humano para contrapor-se à violência que é a palavra. Ele usou a palavra com mais maestria do que os que se acovardam atrás de uma arma e, sem nenhum controle, partem para retaliações.

Toda vingança é fruto de ódio e de violência. O oficial que usou a palavra, pode até nem ter medido as consequências do seu gesto, mas equiparou-se a qualquer um de nós com direito à liberdade de expressão. A palavra dele revelou a coragem de quem deseja alertar mentes e corações e, principalmente, acordar os que têm a missão de aperfeiçoar as leis em favor de um tempo melhor. Sabemos que ele possa estar sofrendo algum tipo de retaliações, por fugir ao que determina o regimento interno da corporação, que proíbe os militares de manifestações dessa natureza; mas se ele pecou – para usar uma expressão que eu não gosto -, o fez por sentir que ninguém mais suporta essa onda de violência que deixa Fortaleza enfraquecida aos olhos do mundo.

É preciso tomar atitudes. Não apenas de usar números da morte como veículo para projeção de marketing. Mas estabelecer um plano que possa dar, real e verdadeiramente, um significado de paz.

Por enquanto, o Ceará Pacífico existe apenas no nome. E mesmo que a palavra tenha essa força do discurso, não custa nada lembrar Confúcio. O sábio costumava dizer que as palavras convencem, mas são os exemplos que arrastam.