Março 2018 - MOUSE OU MENOS 
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MOUSE OU MENOS

por Nonato Albuquerque

Março 2018

As cruzes do cirineu

Por Nonato Albuquerque em Sem categoria

30 de Março de 2018

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Ele fazia cruzes.
E as vendia aos invasores.
Com elas, condenados purgavam suas faltas
e o povo, a tudo assistia constrangido.

Um dia,
ao cruzar o caminho de casa para o mercado,
deu de cara com uma multidão
achacando um homem dos seus 30 e poucos anos,
a caminho do calvário.

Extenuado pelo cansaço, banhado em sangue,
o “criminoso” carregava ao patíbulo uma de suas criações.

A soldadesca pretoriana exibindo sua descortesia,
obrigou-o a carregar a trave que ele moldara
para servir de peça de justiça a condenados.
E ele o fez, por algumas ruas,
enquanto o condenado era insultado
de forma pelo povo para quem ele pregara amor

Soube depois, que esse condenado
era o filho de José, um carpinteiro de quem,
muitas vezes, comprara madeira para os seus serviços.

Muitas vezes, o pequeno Jesus, ele próprio,
lhe fizera a entrega do material para que ele,
desse conta de seu ofício.

Simão, o cirineu de quem falamos,
e de quem os evangelhos celebram
a obsequiedade de ajuda, jamais se contentaria
com seu feito. Afinal, das suas mãos
saíra o patíbulo que levara à morte
o filho do carpinteiro e de Maria de Nazaré.

Que cruzes são as que, hoje em dia,
construímos com nossos atos deploráveis
e que desafortunam outros cristos
pelo mundo afora?

Que sejamos os cirineus desses desamparados
pela Justiça, mas no sentido de auxílio,,
e que não saiam de nossas mãos
a tormentosa ferramenta do martírio.

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O homem do madeiro

Por Nonato Albuquerque em Sem categoria

30 de Março de 2018

O homem do madeiro
Nonato Albuquerque

O homem do madeiro, de quem se dizia
ser o profeta que o povo aguardara tanto,
Era um homem bom, um homem santo.
O homem do madeiro, o aguardado Messias

O homem do madeiro andou por essas vias.
Deixou rastro de luz. Sua voz era um canto
De amor, que a todos denotava encanto.
O homem do madeiro, ele era o bom Messias

Ele curou feridas, fez cegos enxergarem;

Andou sobre as águas, como santo milagreiro;

Ressuscitou alguém, já morto há vários dias.

Ouvi dizer que doentes com ele se curaram
Ao falar de um reino a nós alvissareiro.
O homem do madeiro era sim, nosso Messias

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O verdadeiro jejum que se deseja na Páscoa

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO, RELIGIÃO

30 de Março de 2018

Mais do que o simbolismo de presentear chocolates nesta época; consumir peixe e pão de coco nas refeições ou conseguir cumprir o ritual de jejuar na quaresma para atender a liturgia da doutrina cristã, a Páscoa tem um simbolismo que vai muito além dessas aparentes demonstrações. Ela antecede a era cristã, quando os judeus celebravam a libertação do povo do Egito, através do que eles chamam de “pessach”, isto é ‘a passagem’. A morte do Cristo se deu nessa época de celebrações. Por isso, os cristãos adotaram a data como significativa para revelar o sacrifício de seu líder maior e a passagem dele pelas portas da morte, ressurgindo ao terceiro dia.

O tempo ajudou a transformar o comportamento adotado pelos católicos nessa época. Para alguns, antes havia um sentido de recolhimento maior. Evitava-se o consumo de carne na quaresma. Nas casas, cobriam-se as imagens dos santos. Na sexta-feira havia o que, muitos consideravam, um certo respeito à data e se tinha uma atitude mais reflexiva nas atitudes de católicos mais conservadores.

Hoje, para muitos, os dias santos servem apenas para o descanso, viagens, festas que não estão associadas ao divino, além do consumo de bebida em excesso, numa mudança que altera o sentido dessa celebração.

Não se quer com isso, reivindicar o passado como referência mais correta. Pois, na verdade, o jejum que se pede nessa época é mais o jejum das atitudes equivocadas, nas quais se formalizam os vícios do ódio, da raiva, da inveja, da mentira e da violência. Essa degradação moral dos homens e mulheres em todos os dias do ano, revela ausência do verdadeiro espírito dignificado pelo sacrificado no madeiro. O de que todos tenhamos uma vida honesta, ética, responsável e da prática dos valores morais que, na sociedade atual, parece em completo desuso.

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A irada polarização de ideias

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

29 de Março de 2018

Qual é o melhor recurso para se evitar a violência? Uma atitude ordeira diante de qualquer situação de conflito. Quando um não quer, dois não brigam – não é verdade?

Toda forma de violência é algo condenável. Parta de onde partir. Qualquer gesto ou atitude que contrarie as regras de boa convivência, só deve merecer o repúdio da sociedade. Por isso, esses atos de violência que o brasileiro tem assistido – já não falo só da violência urbana que, em Fortaleza, chega ao desespero – mas da que parte até mesmo da polarização de ideias em torno da realidade nacional. Ela só revela um momento instável e inquietante que o País convive.

Nas redes sociais, o que a gente mais vê? Troca de ofensas entre irados internautas, descompondo os opositores que não comungam de suas ideias.

O espírito democrático, que deve ser partilhado por todos, parece ter ido pra cucuia, diante da guerra de palavras expondo o lado mais terrível do ser humano, que é o da intolerância. Isso no campo ideológico da política ou da religião. Todos parecem digladiar sobre ideias.

É por isso há tanta violência nas cidades. É preciso um freio. Um auto-controle. Afinal, todo mundo tem direito à expor suas convicções. Liberdade de expressão é um direito inalienável – ainda que as idéias de outrem possam contrariar as nossas convicções pessoais. Prudência é o melhor remédio. Assim, evitaríamos essa violência toda que nos assusta. E que nos desencaminha.

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Religiosos também pecam

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

21 de Março de 2018

O mundo anda cheio de notícias pouco agradáveis. Não é de hoje que isso acontece. Desde Adão e Eva que o mal está inserido na pauta dos registros inconsequentes. Por isso, não devemos nos surpreender com nada do que é humano. Todos, sem exceção, somos capazes de atos notáveis ou reprováveis. Veja o caso do bispo e dos sacerdotes lá de Goiás. Eles são acusados de desviarem 1 milhão da Igreja e de comprar fazendas e casas de jogos.

Diante de uma notícia dessas, religiosos de outra denominação poderiam tirar proveito para criticar a fé alheia. É comum isso acontecer por conta do fanatismo. Pois em outra denominação religiosa, um pastor é flagrado gravando vídeos abusando sexualmente de seis crianças, aqui no Ceará. Alguém vai lamentar a atitude e, possivelmente, desviar a crítica para a religião – por uma falha de comportamento.

O que se quer enfatizar aqui, é que o bem e o mal independem de credo, raça, padrão econômico ou formação cultural. Na escola Terra, todos somos analfabetos das virtudes maiores do amor, da bondade, da caridade, do respeito e da tolerância – e, por sermos ignorantes a essas grandezas superiores, ainda transitamos nas salas de aula do curso de alfabetização moral. Vivemos num “vale de lágrimas”. Num planeta de provas e expiações, em busca de aprimoramento. E é aprendendo com os nossos erros e os erros alheios, a sermos melhores do que somos. Não fazendo disso juízo de valor, mas crescendo com essa aprendizagem.

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Dia de reza por chuvas de bênçãos nos corações estéreis

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

19 de Março de 2018

O dia é de São José. O Ceará reza por chuvas. É imprescendível. Estamos fartos de tantos anos de seca e a fé do sertanejo é de que São José intervenha para que o inverno se concretize. Ao dobrar os joelhos em petição de chuvas, muitos de nós invocamos o alto para que tenhamos também uma chuva de bênçãos sobre um outro drama que o Estado vem sofrendo: o da insegurança.
Evidente que esse é um departamento que depende muito da ação do homem. Mas não custa nada colocar o sentimento de fé e rogar aos céus, sua intervenção.

A alma humana tem demonstrado estar vivendo uma estação árida de bons sentimentos. Por qualquer motivo estamos perdendo a paciência. E, ao invés da conversa, do diálogo, a maioria age por impulso. Descontrole. Se a lei edificante orienta a que nos amemos uns aos outros, a realidade tem mostrado que muitos alteraram o mandamento para que nos armemos uns aos outros.

Mais incrível: diante da dor, causada pela violência de uns, outros agem de forma ainda mais pueril: passam a agredir a vítima, sem o menor respeito à condição humana, como no caso dessa vereadora lá do Rio.

Nossa alma anda seca de sentimentos como compaixão. perdão, respeito e misericórdia. Por isso, neste dia de São José, que além das águas do céu, chova bênçãos de compreensão maior para a humanidade, cujo coração anda seco, estéril. Sem produzir bons frutos.

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Marielle Franco: Quem por ódio consegue esmagar uma só semente que seja, ameaça o futuro dos frutos e da floresta.

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO, MEMÓRIA, SEGURANÇA

16 de Março de 2018

A morte da vereadora Marielle Franco expõe para o mundo mais um desses martírios, cuja vítima acaba se transformando num símbolo mítico. Claro que não é a sua morte em si que leva a isso, mas a natureza de sua luta; o teor do seu discurso e a vocação de guerreira que sobressai das criaturas nascidas com a marca de grandeza.

Nas redes sociais há quem, por ignorância, não entenda a importância dessa mulher, mas cujo sacrifício consegue comover multidões em torno de sua tragédia, e tende a minimizar sua importância, considerando que tantas mortes já ocorreram e que se partidarizou a dela.

É preciso ressaltar que, no mundo, existem criaturas símbolos cujas mortes as tornam ainda mais visíveis. Muita gente morreu na India, mas foi Gandhi o símbolo da luta pela libertação do seu povo. Negros morreram nos EUA por conta do racismo, mas foi preciso o sacrifício do pastor Martin Luther King para que o mundo atentasse para a questão dessa chaga do preconceito. Marielle é o símbolo de um Rio, onde as mortes se acumulam e não se tem noção do valor de todas essas vidas.

Que seu sacrifício possa significar o basta que tanto se deseja. Sua morte repercute no mundo todo, devido a bestialidade como ela se deu. E é preciso dizer, a todos os que não dignificam os ativistas de todas as grandes bandeiras: quem por ódio consegue esmagar uma só semente que seja, ameaça o futuro dos frutos e da floresta. Basta ter essa consciência para se ter ideia da ausência que essa mulher irá fazer entre nós

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Ò ILUMINADO SENHOR DE TODOS OS ASTROS

Por Nonato Albuquerque em POESIA

16 de Março de 2018

Ó iluminado Senhor, de todos os astros,
a quem ouso falar com tal intimidade,
não esqueçais de prover nossa humanidade
com o sinal de vossos luminosos rastros

acesa está em nós, essa santa verdade;
vossa flama içada em nossos tantos mastros
merece ser lembrada em cada um dos claustros
onde em orações tecemos a espiritualidade.

Mas se, porventura, de vós nos ausentarmos
não morra nunca em nós, essa bendita crença,
Preciso é pois se ater a tão sagrada obra

Para no amor com todos reencontrarmos,
a ciência da paz, paciência, na presença
de Pai, que amor nos dá e só amor nos cobra

Ò ILUMINADO SENHOR DE TODOS OS ASTROS
de Nonato Albuquerque
dedicado a Santa Teresa D´Avila

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Para vencer a violência, eduquemos a família

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

13 de Março de 2018

É preciso educar as famílias. Isso equivale a dizer, precisamos nos educar. Sermos mais generosos, porque na ansiedade do lucro e da riqueza, fomos perdendo a capacidade de sermos gentis. Diante da situação aflitiva da sociedade, que mergulhou num abismo de violência, esquecemos de ser tolerantes com os outros, mesmo aqueles infelizes que, por ignorância, não se conhecem. Como entender uma cidade violenta, se no ambiente familiar ou no trabalho, estamos quase sempre de cara amarrada, sem tirar um nabo de conversa com aqueles com que dividimos experiência.

É preciso educar a família, com os pais sendo modelos, exemplos de dignidade, para que os filhos herdem essa característica e não saiam por aí, dinamitando com ódio e raiva, os sentimentos puros que ainda existem. É preciso educar o homem, para que esse mundo violento que a gente traça todos os dias aqui, se desfaça. Não adianta o dedo acusador, nem a pecha de que fulano e cicrano são os responsáveis pela desordem da casa, da rua, da cidade ou do País, se não oferecermos também a nossa resposta a um mundo melhor.

Precisamos educar as famílias. Com isso, queremos dizer que precisamos nos educar.

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Ode aos mortos do Benfica

Por Nonato Albuquerque em SEGURANÇA

11 de Março de 2018

O medo
tem sido freguês quase constante
da noite dessa cidade,
que de fortaleza tem apenas o nome,
mas se revela tíbia nas manchetes
diante da carnificina que a invade.

A dor
arde no peito dos desesperados,
vibra na mente dos estarrecidos
e se liquidifica nos olhos de nós todos
ao vermos o perigo
sentado ao lado dos comensais
nos bares,
nas praças e em lugares muitos.

A coragem,
que devia ser mestra no contraponto
desses episódios
finge ser cavalaria americana
e chega sempre atrasada,
depois que tudo já está consumado. .

Até quando
vamos reprisar as dores dessa provação,
desesperar-se com os vídeos das meninas do mangue
se inquietar com as vítimas das cajazeiras
impactar-se com os mortos de pentecoste
e, agora,
chorar a perda dos que se encontravam no Benfica?

esses mortos-vivos
esperam respostas, claras, lúcidas,
da inteligência investigativa dos homens,
e não palavras ao vento
de que tudo está sob controle
e de que isso é apenas mais um caso isolado.

O medo, a dor
e todos os sentimentos dessa enorme sofrência
merecem ocupar o lugar dos mortos
e, conosco, vivenciarem a habilidade da coragem,
a crença da esperança
e a certeza de que tudo isso,
um dia,
será passado.

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Ode aos mortos do Benfica

Por Nonato Albuquerque em SEGURANÇA

11 de Março de 2018

O medo
tem sido freguês quase constante
da noite dessa cidade,
que de fortaleza tem apenas o nome,
mas se revela tíbia nas manchetes
diante da carnificina que a invade.

A dor
arde no peito dos desesperados,
vibra na mente dos estarrecidos
e se liquidifica nos olhos de nós todos
ao vermos o perigo
sentado ao lado dos comensais
nos bares,
nas praças e em lugares muitos.

A coragem,
que devia ser mestra no contraponto
desses episódios
finge ser cavalaria americana
e chega sempre atrasada,
depois que tudo já está consumado. .

Até quando
vamos reprisar as dores dessa provação,
desesperar-se com os vídeos das meninas do mangue
se inquietar com as vítimas das cajazeiras
impactar-se com os mortos de pentecoste
e, agora,
chorar a perda dos que se encontravam no Benfica?

esses mortos-vivos
esperam respostas, claras, lúcidas,
da inteligência investigativa dos homens,
e não palavras ao vento
de que tudo está sob controle
e de que isso é apenas mais um caso isolado.

O medo, a dor
e todos os sentimentos dessa enorme sofrência
merecem ocupar o lugar dos mortos
e, conosco, vivenciarem a habilidade da coragem,
a crença da esperança
e a certeza de que tudo isso,
um dia,
será passado.