novembro 2017 - MOUSE OU MENOS 
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MOUSE OU MENOS

por Nonato Albuquerque

novembro 2017

Na Fortaleza insegura até os delegados são vítimas

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

29 de novembro de 2017

Se você é uma daquelas pessoas que nunca sofreram um furto ou foi assaltada, certamente pode se considerar um sujeito de sorte. Porque a maioria da população, mesmo que não tenha sido vítima, tem algo a contar sobre o problema da violência em Fortaleza. São casos impressionantes que, em última análise, revelam o aumento insuportável da criminalidade e a discreta reação dos programas de combate a esse mal. Mas quando se lê notícias como essa de que três delegados foram vítimas de bandidos, meu irmão, a situação revela a quantas anda essa questão de insegurança.

Para quem não tomou conhecimento, a gente lembra: tudo aconteceu ontem, quando um grupo de três delegados foi assaltado na saída de um restaurante no Bairro de Fátima. Os bandidos chegaram a levar até a bolsa de uma delegada. O que se pode tirar desse episódio é que a coisa saiu do controle; que até  a Polícia é vítima dos bandidos e numa área da capital que detém unidades policiais e militares ali na região.

O bairro de Fátima dispõe de duas delegacias – uma na Aguanambi e outra na Eduardo Girão, além de situar o comando geral da Polícia Militar. Na mesma área existe, também, a sede central da Polícia Federal, o que já dá pra se presumir que os bandidos andam tão ousados que não demonstram o menor temor em circular por áreas tão bem vigiadas.

O assalto aos três delegados é mais um capítulo nessa onda de insegurança que lança o nome de Fortaleza, ao ranking de capital mais violenta do Nordeste, onde só os casos de homicídios levam as autoridades a considerarem que, nossa violência, se tornou caso de saúde pública.
O governo, reconhecemos, muito tem feito para evitar chegar a esse estágio; mas é que as políticas de repressão, por si só, não funcionam a contento. Falta ações preventivas. E fora delas não há salvação.

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Ave que não semeia, nem colhe, mas furta em um supermercado

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

23 de novembro de 2017

Durante muito tempo, aprendemos que Deus provém todas as nossas necessidades. Por mais difícil que a vida nos pareça, há sempre saídas, alternativas. O próprio Cristo nos admoestou para não sermos inquietos diante do futuro. E lembrou o exemplo das aves do céu, “que não semeiam, não colhem, nem armazenam em celeiros; contudo, o Pai celestial as sustenta”. Essa lição de confiança nos deixava certos de que cada ser na Terra, encontraria uma forma de se sustentar. De sobreviver. Hoje, contudo, um vídeo revelou a maneira como algumas aves estão se comportando, no que parece ser uma imitação de ações do homem e que são consideradas delituosas, como o furto.

Um pequeno bem-te-vi adentra um supermercado e, sem temer a rotina barulhenta desse comércio e o vai-e-vem das pessoas, pousa tranquilamente junto ao caixa despachante. Num átimo de segundo, pega uma cédula que estava sendo paga por uma cliente e foge rapidamente. Numa palavra: ele furta e foge, como acostumamos ver nos vídeos de assaltantes desse tipo de comércio.

A conclusão mais rápida que se faz é a de que a crise deva estar muito feia até para os passarinhos. Ou numa outra leitura, que as atitudes malsãs dos humanos acabam por ser incorporadas ao dia-a-dia das aves, já que cientificamente qualquer animal pode repetir certos atos quando devidamente treinados.

Embora inusitada, a cena deixa no ar um questionamento melancólico: será que o comportamento humano em meio a tanta prática de falta de moral e ética,  não estaria sendo copiado até pelos animais? Olhai os vícios do homem: há os que não semeiam, nem colhem, e que armazenam os frutos de seus crimes, enquanto o céu deve estar assistindo a tudo isso e anotando para a devida cobrança no dia do Juízo.

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Reação à violência da cidade

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

22 de novembro de 2017

Essa Fortaleza insegura que a gente assiste diariamente nas manchetes, é uma cidade atormentada pela violência. É uma cidade doente. E essa violência tem criado um clima de medo. Medo de se sair às ruas. De ficar numa calçada. De ser assaltado dentro de um coletivo. De ter o carro roubado. De ser importunado na igreja. De ser vítima de um assaltante no emprego. De ter a casa roubada e até ser alvo de uma bala perdida na troca de tiros entre policiais e bandidos. Todavia, uma reação a isso começa a acontecer. E é uma reação que pode significar uma resposta à barbárie que, de repente, passamos a assistir.

“Desconhecidos se cumprimentam nas ruas”.

Um colega nosso, o jornalista Paulo Verlaine tem identificado essa postura, no que ele considera uma expressão muito positiva, quando em meio à loucura da insegurança e da violência, o mais comum seria as pessoas se retraírem mais. Evitarem umas às outras. Mas está acontecendo o contrário. Elas reagem de forma positiva. Que bom, que as pessoas estão recuperando esse tipo de informalidade, a partir de um simples cumprimento nas ruas – ainda que alguém possa sugerir que isso se deva a uma auto-defesa – com medo, a pessoa ao passar por uma rua e se defrontar com alguém, faz um cumprimento como a querer dizer “oi, sou do bem”, estou passando, não tendo nada de mal.

A que ponto chegamos nesta cidade que tem nome de Fortaleza, mas que parece fragilizada nas suas forças de conter o mal impiedoso com que passamos a conviver. É preciso ampliar esse exercício de cidadania, de boa convivência, de reação a todo ato negativo. É como se diz sempre: o mal só prospera porque há a ausência do bem, provando a sua força. A sua importância. O ato simples de cumprimentar desconhecido, já é um passo para um tempo melhor.

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O esporte como fator de combate à violência

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

20 de novembro de 2017

A gente sempre tem falado aqui da violência das torcidas, no que se configura num mau exemplo de comportamento daqueles que vão a um estádio e se deixam levar por atos de vandalismos. Se isso depõe contra o que se espera de quem torce pela camisa de sua agremiação, há que se reconhecer atitudes que são verdadeiros exemplos de boa convivência. Falo da postura das torcidas de times como o Ceará e Fortaleza, cujas equipes acabam de ingressar em séries que tanto almejaram. Isso deu uma outra motivação às suas torcidas, que transformaram em eventos de comemoração a esses acessos.

O ser humano, por mais contraditório que isso pareça, vive de motivações que possam influenciar o seu comportamento. Para isso, é importante o bom desempenho de seus ícones e de seus valores de referência, para que se sintam motivados também. O clima de festa e de alegria que abriga hoje as duas maiores torcidas cearenses serve, também, como referencial aos projetos esportivos que devem ser ampliados nas comunidades.

A maior parte de nossa periferia prescinde de motivações que atraiam os jovens ao esporte, ao lazer e à boa convivência. Sem esses equipamentos motivadores, a mocidade recorre a desvios de rota e caem, facilmente, nas mãos criminosas de quem lhes oferece o risco e a miséria do mundo do crime. É hora de as autoridades analisarem isso. De converterem em prática, as promessas de levar às comunidades algo que motive para o bem, aqueles que vivem carentes de boa motivação. O esporte favorece isso.

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As cidades adoecem; em Fortaleza grassa a epidemia de violência

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

15 de novembro de 2017

As cidades adoecem. Em Fortaleza grassa a epidemia da violência. O próprio governo tem conhecimento disso. E, ao contrário dos tempos em que utilizava esse balanço para mostrar a eficácia do trabalho policial na contenção dos homicídios, a divulgação desses números hoje em dia parece marcada pela comoção que os índices demonstram.

Não se pretende com isso, minimizar o trabalho das forças de Segurança do Estado; muito pelo contrário. Ele continua produzindo efeitos positivos. Mas é que o domíniio do crime organizado tem se expandido. As forças do mal têm atraído para si um contigente ainda maior, principalmente de jovens. E são eles, infelizmente, que estão alimentando a máquina dessa violência. Da mesma forma que são aliciados, esses jovens também são descartados dessa atividade e, mais do que isso, eles são tirados da cena da vida por interesses excusos do Mal com que se apoderam as facções divergentes.

O pior de tudo isso é que a repetição de atos assim, com a execução de jovens, acaba se tornando algo rotineiro; não causando para as pessoas algo terrivelmente preocupante. Nada é pior do que a rotina das coisas que leva a acomodação e a inércia, como se aquilo fosse algo natural, comum. É preciso que a sociedade tome consciência de que isso é absurdamente indesejável. Que precisamos encarar essa violência como algo doentio. Um câncer no tecido social da cidade que se prepara para o futuro, mas que sequer garante o presente dos que deveriam ser o futuro da Nação.

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Sapiranga Missão 2

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

14 de novembro de 2017

Ninguém tem a capacidade de medir a dor do outro. Principalmente, quando ela envolve mortes precoces. Como a desses meninos da Sapiranga, que só a família consegue defini-la. A chacina de ontem parece ter sido complementada por outras mortes na mesma área. Como se para os bandidos fosse a missão 2. Há nessas outras mortes, traços de barbárie. Como se alguém – ou algum grupo – quisesse desafiar a autoridade de uma cidade.

Fortaleza não é terra de ninguém, onde se pratiquem crimes e tudo fique por isso mesmo. É preciso dar respostas. Respostas efetivas. Mas muito mais do que a força repressiva da Polícia é preciso diagnosticar uma epidemia de violência que vem grassando nos quatro cantos da capital. Não é apenas a periferia mais carente que sofre as consequências dela. Áreas consideradas nobres são alvo dos criminosos que, a exemplo de vespas predadoras, infestam ruas e avenidas; invadem locais públicos, roubam carros, assaltam lojas, promovem arrastões em restaurantes de classe alta – num desassossego sem precedentes na história policial desta cidade. Repito: mais do que ações repressivas, é preciso prevenção a tudo isso.

Para evitar o martírio de jovens que são vítimas de execuções, há que se promover projetos sociais de alta capacidade mobilizadora. Ações de peso, que possam estimular os jovens a evitar o acesso fácil a ilusão do tráfico e ao convite maléfico dos que agenciam o Mal, atraindo um contigente barato, sem estudo, sem referência na economia, onde até suas vidas não valem nada. Se não forem tomadas iniciativas de inclusão social desses jovens, grande parte desses adolescentes não verá o amanhã – logo eles, de quem se dizia serem o futuro da Nação.

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O Ceará no mapa da morte de adolescentes

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO, SEGURANÇA

13 de novembro de 2017

Ser jovem e pobre no Ceará parece tarefa bastante arriscada. Não só pelos desafios que a idade e a posição social revelam, mas pelo envolvimento de muitos deles com a criminalidade. Os números do mapa da morte revelados hoje pelo Comitê Cearense de Prevenção a Homicídios na Adolescência mostram isso. Sugerem mais: que o Ceará, ao lado do progresso onde se valoriza os grandes investimentos econômicos que vão expandir o turismo, é um Estado que dá as costas à grande parte de sua juventude e, por isso, ela se torna vítima principal do comércio da morte, movido por facções interessadas em lucrar com a vida deles.

Os números apresentados indicam que de janeiro a julho deste ano foram 522 adolescentes que tombaram ao peso de armas, um aumento da ordem de 71 por cento, em relação ao ano passado.

Hoje mesmo, esse roteiro abominável de execuções da juventude cearense, foi ampliado com a chacina de quatro menores, que foram arrancados de dentro de uma unidade no bairro Sapiranga e acabaram sendo mortas por um grupo de assassino.

É a capital cearense quem puxa esse ranking indesejável de mortes, enquanto Maracanaú e Caucaia são comboiadas nessa lista. O perfil dessas vítimas revela outro ponto interessante: elas são de origem pobre, de cor negra, com baixa frequência escolar, com envolvimento com drogas, filhos de pais separados e sem maiores expectativas de vida.

Sem políticas de inclusão e com esse olhar dos governantes voltado para áreas mais nobres da cidade, o que resta a esses meninos senão abraçarem a estúpida ilusão de que, no tráfico, eles vão se dar bem? É por isso que eles morrem. Porque a vida deles não vale nada. Nem para os traficantes, nem para os governantes, tampouco para os pais – e, acreditem! – nem mesmo para eles que servem apenas de bucha de canhão a essa guerra não oficial, onde lucram os traficantes, ainda que os maiores sacrificados sejam clientes de seu espúrio mercado.

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Da mulher de César e a honestidade no serviço público

Por Nonato Albuquerque em DENÚNCIA

08 de novembro de 2017

Não existe perfeição na Terra. Por isso, não surpreende a ninguém o fato de alguém cometer um ato equivocado, como o desses quatro policiais cearenses que estão envolvidos em ações criminosas. A acusação é de que eles negociavam a soltura de traficantes. Fosse com qualquer um, já seria lamentável. Pior é quando se trata de servidores públicos, voltados para o combate ao crime.

A alma humana é corruptível. Embora seja clichê, mas funciona a afirmativa de que todo homem tem seu preço e aqueles indivíduos que não tem uma boa formação moral são capazes de vender a própria mãe para se darem bem. Não estou com isso tentando justificar o injustificável erro desses policiais. Eles, aliás, nem merecem ser tratados como tais, por desapontarem seus colegas, negarem os fundamentos do serviço público, onde como na Roma antiga, “à mulher de César não basta ser honesta, tem de parecer honesta”.

Assim como temos o lado bom e o lado ruim, a luz e a sombra; o dia e a noite, vivemos em meio a essa dualidade do bem e do mal. Num tem gente que, num instante, é capaz de tomar atitudes angélicas e noutras de vivenciar atos infernais? É a nossa fragilidade humana, que só é curada através de vivências em busca de aperfeiçoamento. Só o exercício diário do bem, é capaz de alterar o lado sombra que ainda nos domina.

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Morrer, esse inevitável fenômeno

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

02 de novembro de 2017

Nada é mais inevitável na vida do que o fenômeno da morte. Ela está presente na sociedade animal, racional ou não. Por ela passam os da espécie vegetal e até mesmo do reino mineral. Mas é algo que ainda é tabu, falar de morte – mesmo numa sociedade onde ‘matar e morrer’, não é apenas o título de um filme de Hollywood, mas um ato que se banaliza diária e continuamente

É que a sociedade humana toma a morte como um fenômeno de finitude. “Morreu, acabou”, pronto. Isso não é verdade. O que acaba é a parte material do que somos: o corpo. Somos mais do que o pó em que se transforma o físico. Somos anima, essência, alma. Circulamos em uma voltagem energética que se expande em luz e que o sentido da visão não permite visualizar.

Como a energia que precisa de uma lâmpada para se materializar, a alma humana precisa do corpo para se estabelecer visível. Mas quando a lâmpada se quebra, a energia continua – embora não percebamos. Assim são as almas que se despediram da vida física, pelo fenômeno chamado morte. Elas passam a atuar numa dimensão que é a origem de onde procedemos. Por isso, costumo dizer que hoje, 2 de novembro, é dia de lembrar os que se foram, não nos túmulos onde ficou apenas o pó de suas vestes; mas no consagrado altar dos corações saudosos. Como uma vez falou o padre Marcelo Rossi: hoje devíamos chamar Dia da Saudade e não de Finados já que a morte não existe. Ela é passagem. Mudança. Quiçá, para uma vida melhor.

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Morrer, esse inevitável fenômeno

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

02 de novembro de 2017

Nada é mais inevitável na vida do que o fenômeno da morte. Ela está presente na sociedade animal, racional ou não. Por ela passam os da espécie vegetal e até mesmo do reino mineral. Mas é algo que ainda é tabu, falar de morte – mesmo numa sociedade onde ‘matar e morrer’, não é apenas o título de um filme de Hollywood, mas um ato que se banaliza diária e continuamente

É que a sociedade humana toma a morte como um fenômeno de finitude. “Morreu, acabou”, pronto. Isso não é verdade. O que acaba é a parte material do que somos: o corpo. Somos mais do que o pó em que se transforma o físico. Somos anima, essência, alma. Circulamos em uma voltagem energética que se expande em luz e que o sentido da visão não permite visualizar.

Como a energia que precisa de uma lâmpada para se materializar, a alma humana precisa do corpo para se estabelecer visível. Mas quando a lâmpada se quebra, a energia continua – embora não percebamos. Assim são as almas que se despediram da vida física, pelo fenômeno chamado morte. Elas passam a atuar numa dimensão que é a origem de onde procedemos. Por isso, costumo dizer que hoje, 2 de novembro, é dia de lembrar os que se foram, não nos túmulos onde ficou apenas o pó de suas vestes; mas no consagrado altar dos corações saudosos. Como uma vez falou o padre Marcelo Rossi: hoje devíamos chamar Dia da Saudade e não de Finados já que a morte não existe. Ela é passagem. Mudança. Quiçá, para uma vida melhor.