agosto 2017 - MOUSE OU MENOS 
Publicidade

MOUSE OU MENOS

por Nonato Albuquerque

agosto 2017

leia tudo sobre

Publicidade

Da tentativa de suborno a um guarda municipal

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO, COMPORTAMENTO

30 de agosto de 2017

A abordagem de uma equipe da Guarda Municipal, na última segunda feira, na avenida Leste Oeste, durante a apreensão de uma moto sem documentação, deu margem a várias interpretações sobre a atitude das partes envolvidas. Questionam os familiares da vítima que o guarda chegou a sugerir a possibilidade de liberar o veículo mediante pagamento de toco, no que poderia se constituir numa espécie de indução ao crime de suborno.

Depois de indagar ao jovem abordado, “o que você pode fazer pela gente”, o guarda deixa no ar a interpretações de que estaria propenso a negociar com o universitário. O interpelado, por sua vez, chega a oferecer 100 reais e depois sobe a quantia para 150 – o que já seria motivo para a prisão dele.

Nas redes sociais, internautas consideraram que a demora do guarda em obedecer ao que manda lei, a partir da primeira oferta do jovem, poderia se constituir numa forma de indução ao crime de suborno.

Divulgado no Barra, o vídeo ganhou as redes sociais, comentários de internautas, alguns considerando a necessidade de aprimoramento na forma de abordagem por parte de alguns integrantes dessa corporação.

Na verdade, num país onde a corrupção impera em todos os segmentos, não se pode mais admitir qualquer deslize que possa dá margem a esse tipo de interpretação.

leia tudo sobre

Publicidade

EU CARREGUEI A CRUZ DO CRISTO

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO, POESIA

26 de agosto de 2017

Eu estive no morro da Caveira.

Fui um dos apedrejadores do condenado.

Eu o via andar pelas ruas da Samaria,

ora cruzando as margens do Tiberíades,

ora em direção ao reduto dos galileus,

quase sempre sob a escolta de alguns homens,

que pareciam lhes ser útil,

mas que na hora nona sumiram da vista dele.

Como ele sofreu!

 

Eu o acompanhei nas vielas tortuosas da Jerusalém,

desde a noite de seu aprisionamento

no monte ornado por oliveiras,

próximo ao jardim do Getsemâni.

 

Eu vi quando a soldadesca o fez prisioneiro,

atendendo a ordens do sacerdote Kaifas,

o que se vendera aos invasores romanos

à custa de nenhuma serventia.

Em momento algum ele reagiu à prisão,

ainda que um dos três homens que o acompanhavam chegasse a puxar a espada

e ferir com um golpe a orelha de um pretoriano.

 

Posso até dizer que busquei ouvir aquele moço,

de estatura considerável e de beleza inaudita,

de tez da cor do fruto da amendoeira madura,

cabelos repartidos à maneira nazarena,

e que tinha no olhar uma ardência

de quem enxergava o infinito das coisas.

Fitá-lo de frente, era sentir as nuances

de sua alma falando ainda que em doce silêncio.

 

Quantas vezes sai do campo,

para ouvir seus discursos revolucionários,

conclamando a todos a ignorar o opressor

e a pagar o devido tributo à Roma dos césares.

Como entender alguém dizer que viera anunciar

um reino de libertação do povo da Judéia,

se a sua corte era formada por um punhado de miseráveis que mal tinham onde curvar a cabeça.

 

Cheguei até a me comover, durante a caminhada,

vê-lo tropeçar ao local de sua pena de morte.

Em seu corpo, dava para se ver claramente,

as marcas do látego de impetuosas mãos romanas,

cravadas em suas costas. Marcas de maldade!

O que fizera esse indivíduo para merecer

o castigo de tiras de couro, sobre as quais fixadas estavam bolinhas de chumbo e pequenos ossos?!

 

Eu vi a turba ignara acompanhar o cortejo,

aos gritos de vingança e ódio, como se ali estivesse

o mais condenado dos condenados.

Uns lançavam pedras e objetos contra ele.

Outros, o maldiziam, cuspindo em sua direção.

Uma mulher chorosa, acercou-se dele,

estendeu os braços em atitude de piedade.

Disseram alguns presentes, tratar-se da mãe dele.

 

Eu estive tão próximo a esse homem,

que um dos soldados que o atormentavam,

ao vê-lo fraquejar, caído, ensanguentado

e sem forças para continuar, puxou-me pelo braço

e obrigou-me a carregar a haste do seu martírio.

 

Em casa de Joana de Cusa, quantas vezes,

tive oportunidade de ouvi-lo falar

sobre um mundo melhor a quantos O seguiam

e de promessas de libertação do povo.

Vi ensinar lições de bonomia, como nunca antes alguém ousou dizer – e o mais incrível,

esse condenado viveu a prática de seus ensinos

com a intensidade de quem previa ser curta

a transitoriedade de seu tempo entre os homens.

Meus ouvidos estiveram tão próximos do mártir,

que ainda hoje tenho a impressão de ouvir

as marteladas dos romanos cravando os pregos

nas mãos e nos pés do quase moribundo.

 

Quando na nona hora, daquela tarde angustiante,

o sol desapareceu antes do fim do dia

e uma tormenta varreu todo o lugar

afastando os curiosos dos pés do crucificado,

eu vi aquela que seria a mãe acercar-se do filho

e notei o esforço dele em querer dizer alguma coisa

à senhora aflita que não consegui ouvir.

Ela abraçou os pés ensanguentados do filho,

em dolorosa atitude e um jovem moço,

que estava ao seu lado, conseguiu arrastá-la dali.

 

Como eu já disse, eu estive no morro da caveira.

E vi quando o homem chamado Jesus,

pendeu a cabeça para o lado num suspiro final.

Tive vontade de chorar

diante da enorme solidão daquele homem,

– ali, largado, abandonado, à sua triste sorte -,

mas meus filhos Alexandre e Rufus,

intercederam que já era tarde

e precisávamos fazer a viagem de volta à Cirene.

 

Eu estive no calvário e carreguei a cruz do Cristo.

 

®nonatoalbuquerque- 02.04.2015

leia tudo sobre

Publicidade

A Fortaleza sobressaltada

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

25 de agosto de 2017

Fortaleza vive sobressaltada com tanta violência. Esse caso do assalto a uma ambulância do SAMU é impressionante. O que dizer de alguém que tem a capacidade de agir dessa maneira, assaltando pessoas vocacionadas na salvação de vidas, como os socorristas do SAMU, que acabaram vítimas de uma cilada dessas ocorrida no Parque das Nações em Caucaia? Que são indivíduos desprezíveis, quando são capazes de telefonar para o serviço de salvamento, inventando que havia passando mal e precisava do socorro do Serviço de Urgência. No local para onde a ambulância se dirigiu, a surpresa dos servidores: eram bandidos que surrupiaram os pertences do médico e socorristas.

O poeta Fernando Pessoa costumava dizer que “todos temos por onde sermos desprezíveis. Cada um de nós traz consigo um crime feito ou o crime que a alma lhe pede para fazer”; mas jamais se espera que anjos de guarda da sociedade, como são os servidores de resgate de pacientes, acabem pagando o pato por conta da violência desenfreada que assistimos.

Até mesmo entre bandidos mais desprezíveis existe um código de ética que evita que eles assaltem alguém da sua estima; que ajam na própria comunidade e que desrespeitem aqueles que prestam serviços à população. Mas hoje em dia, até isso é desprezado pelos fascínoras modernos. Que não se apiedam de nada, por não terem o menor sentimento de respeito à Vida.

leia tudo sobre

Publicidade

Quem poderá nos salvar? Não vale Chapolin Colorado.

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO, SEGURANÇA

24 de agosto de 2017

Que a situação de insegurança em Fortaleza preocupa, a gente já está cansado de saber. Que apesar dos esforços do governo, não temos conseguido freiar a escalada da violência, é uma realidade. Que as execuções de jovens são indícios da situação de descaso da família, isso também é verdade. Mas o episódio ocorrido, ontem, no coração da Universidade Federal do Ceará, revela a que ponto chegamos em termos de insegurança.

Nesta quarta-feira, por volta das 11h, alunos e professores do curso de Odontologia da UFC realizavam aula de campo em uma horta comunitária nas dependências do Centro de Desenvolvimento da Família, que fica no campus do Pici, quando um jovem entrou na unidade, perseguido por vários homens armados com pedaços de madeira e ferro. Ameaçavam linchá-lo. Professores tentaram impedir e foram ameaçados também. Depois de muita discussão, evitou-se o pior; mas fica no ar a certeza de que a violência avança por espaços vitais, como os dedicados a formação profissional da universidade. Ao tomar conhecimento do caso, o reitor Henry Campos mandou fechar o centro até que se tenha condições de funcionar.

Na verdade, é lamentável o estágio a que a violência chegou. Estamos desnorteados com tudo isso. Quem poderá nos salvar, seria a deixa para o Chapolin Colorado. No nosso caso, porém, precisamos de heróis de carne e osso e não heróis de ficção.

leia tudo sobre

Publicidade

O eclipse do sol e a onda racista por conta da Miss Brasil

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

22 de agosto de 2017

O Brasil, de berço luso e africano, é ainda um país com muita gente preconceituosa. Racista. Que o diga a atitude de alguns internautas criticando a eleição da Miss Brasil 2017, por ela ser negra. Mais do que isso: por ser de origem nordestina. É algo que só revela ignorância de quem considera a cor da pele como algo importante. A representante do Piauí reúne todas as condições para a disputa de qualquer título de beleza, revelando traços de brasilidade que poucas detém.

Apesar de todos os avanços da sociedade, ainda existem aquelas pessoas que ainda se mantém nos tempos da colônia e afrontam a Lei Afonso Arinos, que acena com prisão para o crime de racismo.

Aliás, esse tipo de comportamento não é exclusividade só dos brasileiros. Agora mesmo, os Estados Unidos registraram protestos da chamada “supremacia branca”, num retrocesso que revela o atraso da visão colonialista de um povo. Há uma semana, eles incorporaram as teses da famigerada seita Klu Klux Kan e, agindo por meio da violência, tentaram implantar a experiência da raça pura que gerou a tragédia nazista, como se branca fosse a cor de prestígio. Não é a aparência externa que exprime grandeza. “O essencial é invisível aos olhos, e só se pode ver com o coração”, já se lia Pequeno Principe. Ontem, no coração da América, um eclipse total do sol escureceu grande parte do País, calando fundo uma reflexão sobre a importância da luz e a necessidade da sombra na vida de todo mundo.

leia tudo sobre

Publicidade

Antigos cadernos escolares servem de modelo para nomear os velhos partidos

Por Nonato Albuquerque em ATUALIDADE, BIZARRICE, POLÍTICA

21 de agosto de 2017

Já que alguns partidos vão mudar os nomes para Avante e Patriota, damos a seguir sugestões de cadernos escolares – pois tudo leva a crer ter sido essa a base dos nomes anunciados – como modelo a outras agremiações.

Se o PR vai virar Podemos (ops!), bem que o PT podia chamar-se Companheiros. Ficaria dentro do tratamento dado a cada integrante.

Já o PSDB, com a figura desse Aécio Neves no comando, bem que poderia se chamar Colegial. O PMDB já vai perder o T – mas, pelo visto, vai continuar tão partido quanto depois que deixou de ser o original MDB.

Todos, aliás, poderiam indicar aos seus filiados exercícios de caligrafia para ver se eles melhoram a escrita, já que não mudam o conteúdo de seus discursos nem que a vaca tussa.

leia tudo sobre

Publicidade

O grande hospital em que a Terra tem se transformado

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

18 de agosto de 2017

O horror de Barcelona choca o mundo. Diferente em termos proporcionais, mas tão revoltante quanto o atentado na Espanha, as chacinas em nosso Estado, parecem gerar apenas indiferença ao invés da comoção da outra. Essa é uma reflexão que li, postada pelo presidente da CUFA-Central Única das Favelas, ao avaliar as duas tragédias e considerei bastante pertinente. Voltamos a insistir: sabemos que não há paralelo em termos de comparação, mas as tragédias que Fortaleza vem assistindo parecem não surtir o mesmo efeito  correspondente ao grau de violência que a cidade registra.

Diariamente, jovens estão morrendo e matando, por um naco de qualquer droga, uma pedra, um baseado, uma fungada – a fim de atender a uma compulsiva vontade de satisfazer a doença que os atinge: o vício. E isso parece não sensibilizar a maioria das pessoas, tampouco as autoridades que se dizem comprometidas com o bem estar do povo.

Esses jovens, por mais que tenhamos restrições ao seu modo de vida, são frutos de uma sociedade cada vez mais individualista, que parece perfeita mas não o é, quando passa a atender apenas ao bem estar de uma parcela da elite, enquanto o restante da população se entrega às consequências do desmazelo social, que são a crise econômica que provoca a falta de emprego, a péssima educação e a incontrolável insegurança.

“Os sãos não precisam de médicos”, já se referia o terapeuta das almas, defendendo a atenção aos mais necessitados e que são verdadeiramente doentes da alma num grande hospital em que a Terra tem se transformado.

leia tudo sobre

Publicidade

MONA LISA TRABALHOU LÁ EM CASA

Por Nonato Albuquerque em EXCENTRICIDADES, HUMOR

13 de agosto de 2017

 

Amiga minha termina namoro com português que, no Louvre, se surpreendeu com multidão em frente a um retrato (o de Mona Lisa).

– Quem é ela?
– Mona Lisa, disse T.
– E quem é essa tal de Mona Lisa?
E a minha amiga deu a resposta que marcou sua visita ao Louvre.
– Foi uma empregada que trabalhou lá em casa…

(O namoro, claro, foi pro lixo)

leia tudo sobre

Publicidade

Desconfiômetro Brasil

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

05 de agosto de 2017

Eu desconfio que o ‘dia’ no Brasil está anoitecendo cedo
e que a cara amarrada tirou de vista nosso sorriso fácil.

Eu desconfio que da nossa caixa de Pandora furtaram a esperança
e que está morto o ideal de crença nos políticos que elegemos.

Eu desconfio que o amanhã ambicionado de luz e progresso
para a pátria do cruzeiro
foi solapado pelo ontem invejoso de certas criaturas
.
E desconfio até que o velho pé de briga deu lugar ao pé na cova,
que o perdão a esses desmandos não estejam entre os 70 vezes sete da bonificação crística.

Nesse mar de desconfianças em que navegam os brasileiros,
eu desconfio que o porto seguro que nos sobra ao desembatrque
é convocar o grito sufocado no abismo de nossas gargantas
para que ele desbanque esse silêncio de chumbo
que parece ter desabado sobre nossas mentes e corações indignados.

Por tudo isso, eu desconfio…

(Nonato Albuquerque)

leia tudo sobre

Publicidade

Desconfiômetro Brasil

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

05 de agosto de 2017

Eu desconfio que o ‘dia’ no Brasil está anoitecendo cedo
e que a cara amarrada tirou de vista nosso sorriso fácil.

Eu desconfio que da nossa caixa de Pandora furtaram a esperança
e que está morto o ideal de crença nos políticos que elegemos.

Eu desconfio que o amanhã ambicionado de luz e progresso
para a pátria do cruzeiro
foi solapado pelo ontem invejoso de certas criaturas
.
E desconfio até que o velho pé de briga deu lugar ao pé na cova,
que o perdão a esses desmandos não estejam entre os 70 vezes sete da bonificação crística.

Nesse mar de desconfianças em que navegam os brasileiros,
eu desconfio que o porto seguro que nos sobra ao desembatrque
é convocar o grito sufocado no abismo de nossas gargantas
para que ele desbanque esse silêncio de chumbo
que parece ter desabado sobre nossas mentes e corações indignados.

Por tudo isso, eu desconfio…

(Nonato Albuquerque)