Maio 2017 - MOUSE OU MENOS 
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MOUSE OU MENOS

por Nonato Albuquerque

Maio 2017

Nos escondemos para fazer amor enquanto a violência é praticada à luz do dia

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

30 de Maio de 2017

John Lennon, o gênio do grupo Beatles, disse uma frase que casa muito bem com os dias de hoje. Ele disse: “Vivemos num mundo onde nos escondemos para fazer amor, enquanto a violência é praticada em plena luz do dia”. Verdade mais que verdadeira. E eu repito: “Vivemos num mundo onde nos escondemos para fazer amor, enquanto a violência é praticada em plena luz do dia”. Ele próprio, não esqueçamos, foi uma dessas vítimas da violência.

Se nos detivermos a analisar a situação da violência de Fortaleza e Região Metropolitana, onde se vivencia uma guerra de facções, iremos constatar que a violência volta a elencar as manchetes, convive no temor das conversas das pessoas mas parece passar ao largo das discussões daqueles que se dizem representantes do povo, nas casas legislativas.

Enquanto há grupos interessados em ampliar o mercado da morte, por interesses espúrios e cínicos, que os aproxima do perfil dos piores assassinos, há quem dê as costas, por exemplo, a ver essa realidade e achar que não é problema deles. A violência é problema de todos. Ela é fruto da família desestruturada. Da falta de emprego gerado pela crise. Da economia em pandarecos que força os mais frágeis a iniciativas criminosas – passando por todas as áreas administrativas. O comum é cobrar sempre do aparelho policial, o que é dever de outras pastas. Educação, Saúde, Trabalho. Ação social. Quando esses canais falham, a semente da violência germina suas flores do mal.

O aumento da criminalidade em nossa cidade, onde pessoas estão sendo mortas a três por quatro, faz com que a frase de John Lennon ganhe ainda mais evidência.  Temos vergonha de fazer o que é correto, mas agimos com tanta naturalidade nas hostes do mal como se fosse o comum.

Se começamos citando John Lennon, encerro esse comentário lembrando outro líder que a humanidade não esquece. O pastor Martin Luther King, também vítima desse mal da violência, quando lembrava em seus proféticos discursos que não é o grito dos maus que o preocupava; mas o silêncio e a omissão dos bons.  Algo precisa ser feito.

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Prisão de Chapolin confirma o Ceará infestado de coisa ruim

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

25 de Maio de 2017

Além da dengue, zica e chikungunya, o Ceará está infestado de bandidos perigosos. A prisão ontem do braço direito de Fernandinho Beira Mar, pela Polícia Federal, só vem confirmar o que se temia há sete anos atrás.

Em novembro de 2010, uma megaoperação da PM carioca, reuniu 350 policiais, provocando a fuga em massa de criminosos da comunidade. Depois de assistirmos as imagens de muitos deles fugindo para evitar a prisão, comentamos da possibilidade desses criminosos buscarem outras regiões do País, onde pudessem se estabelecer para dar continuidade a sua vida de crimes, já que no Rio por serem facilmente identificados, ficara dificil a sua permanência. E uma pessoa aventou a possibilidade de alguns deles procurarem o Nordeste, por ser uma região em franco desenvolvimento e onde a repressão ao crime ainda não se fazia tão evidente quanto nos dias de hoje.

Pode parecer coincidência, mas daquela época até hoje, cresceu o número de crimes, envolvendo traficantes e viciados. O número de ataques a agências bancárias no interior, que tinha alguns registros em 2007, passaram a ser mais acentuados. E o trânsito deles entre nós ficaria mais notório em março do ano passado, quando a Polícia prendia o traficante de drogas e armas Alejandro Juvenal Herbas Camacho Júnior, integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC), irmão do Marcola — líder da facção criminosa fundada nos presídios de São Paulo.

Ontem foi a vez desse integrante do Comando Vermelho. Chapolin, como era chamado,
foi encontrado em seu apartamento no bairro Vicente Pinzon. Era proprietário de dois comércios no centro de Fortaleza e de outro apartamento, numa das regiões nobres da capital cearense.

O histórico de crimes desse bandido destaca-se, principalmente, pela execução de um homem, a mando de Beira Mar, no qual Chapolim chegou a gravar todo o esquartejamento, que depois chegou a postar nas redes sociais.

A presença desse criminoso, vivendo entre nós como se fosse uma pessoa do bem, só revela a necessidade de se firmar uma melhor estrutura da polícia de inteligência, no que se refere a questão de se investigar preventivamente. Os criminosos se especializaram e é preciso que a outra parte, a do combate, deixe de conviver com o dilema de que só passa a agir depois de roubada.

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Fanatismo religioso: Deus não tem religião

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

24 de Maio de 2017

Qualquer tipo de fanatismo, seja em qualquer circunstância é falta de controle próprio, estreiteza ou problema mental, além de cegueira doentia. Bastaria essa citação, que li por aí, para resumir o caso do jovem de 20 anos, responsável pela destruição das imagens na Igreja de São Benedito.

Ato abominável no entendimento dos católicos e na percepção consciente de qualquer pessoa, o gesto do jovem só pode ser explicado à luz da Psiquiatria. Nenhuma pessoa normal é capaz de entrar num reduto religioso e cometer o que ele fez. A família já explicou que ele tem problemas e, provavelmente, deva ter sofrido um surto.

Há, porém, uma outra leitura que precisa ser feita. A do fanatismo apregoado pelas próprias religiões. Na tentativa de conquistar adeptos, há grupos religiosos que se fecham em torno de suas convicções, defendem com unhas e dentes os seus pontos de vista, e não permitem de forma alguma, o pensar contrário, diferente.

Ninguém é dono da verdade. O próprio Cristo calou-se diante da indagação de Pilatos sobre o que era a Verdade. Ele próprio que já havia se referido ser “o caminho, a verdade e a vida”.

As religiões, já dizia Monteiro Lobato, nascem, crescem e esclerosam-se”, quando passam a dogmatizar, estigmatizando aqueles que não seguirem a sua linha de pensamento.

Igrejas há que abominam a adoração de imagens e seus líderes as destroem num ato absurdo de intolerância. Há ramos doutrinários fanáticos que pregam ódio a tudo que não se refira ao islã. E não vamos muito longe: há seguidores de algumas doutrinas que não se cruzam; apenas se toleram. É a pregação distorcida e anatematizante daqueles que poderiam estar transmitindo o sentido maior da mensagem de amor, paz e tolerância da qual o Cristo foi portador. A estupidez e o fanatismo do homem não os permite perceber que Deus não tem religião.

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A missionária ajuda aos presos

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

17 de Maio de 2017

Atrás das grades, a vida de qualquer pessoa se constitui um inferno. Sem o direito à liberdade, o indivíduo passa a conviver com uma rotina limitada enquanto cumpre sua pena. E, claro, ninguém de boa consciência vai dizer que se acostuma a uma vida dessas. Só os incorrigíveis, os que não pensam corretamente e aqueles que detém algum desvio de comportamento.

O ideal de todo ser humano é o de progredir, de constituir uma família, de ter um emprego e ganhar a sobrevivência com o esforço do trabalho. A prisão, em qualquer lugar do mundo, deveria ser uma escola de refazimento daqueles que descumpriram alguma norma, que saíram da legalidade e trocaram os pés pelas mãos. Ambiente de recuperação e de moldagem da alma intranquila, a prisão devia ser o lugar mais indesejável do mundo. Só um louco pode dizer que, sem liberdade, é possível se viver bem.

O sistema penitenciário, infelizmente, não atende aos requisitos de uma justiça que cobre o resgate do preso. A maioria dos presídios se atém a ser apenas um depósito de homens e mulheres que, em algum momento de suas vidas, tomaram decisões equivocadas, cometeram erros e precisam arcar com as consequências.

Em meio a isso, é importante o auxílio dos que se comprazem a levar uma mensagem de fé e esperança, seja qual for a denominação religiosa, para que os internos não se sintam relegados ao completo abandono. Enquanto esses missionários estiverem cumprindo com a sua tarefa, encorajando os endividados da Justiça para uma mudança de vida, essa falha do sistema de não recuperar um só indivíduo poderá ser corregida, quando se converter alguém – não à uma religião – mas a uma vivência religiosa na qual se busque o ideal de todo ser humano: viver bem.

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Toda sombra se desvanece diante da luz

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

16 de Maio de 2017

Em meio a toda essa onda de insegurança, tem um dado bastante oportuno de falar e que nos dá esperança de melhoria. Ele diz respeito à intenção do governo estadual de fazer uma sobrecarga de investimentos na área em que Fortaleza mais prescinde, a da segurança, a fim de conter os índices de violência que geram intranquilidade entre a população.

O governador Camilo Santana tem demonstrado essa disposição. Seu governo parece ter a noção de que é com investimento humano e em equipamentos que iremos alcançar respostas efetivas no combate à violência. Sua Polícia tem recebido um incentivo maior, agora com a criação de equipes do Raio em várias cidades do interior, afora a preocupação de que para se alcançar sucesso à médio e longo prazos, preciso é investir alto em prevenção.

Foi esse o caminho determinante que levou a diminuição da criminalidade em cidades como Medelin, na Colômbia, uma das maiores dores de cabeça da América Latina, no combate ao tráfico de drogas. Foi investindo em Educação, principalmente, que se traçou o caminho de volta aos tempos de quietude naquele País. Se lá deu certo, é possível trabalhar o esforço jovem que, hoje se bandeia para as hostes do tráfico, sensibilizando-o através do ensino, da escola estimulante e integrada a uma educação profissionalizante e – mais do que isso – concluindo a etapa escolar, que esse jovem seja incluso no mercado de trabalho.

Temos esperança de que as coisas podem mudar. Com projetos de incentivo à Educação, a fim de devolver ao cidadão comum os frutos que semeamos com os tributos que pagamos. Temos certeza de que é possível reverter esse quadro, a partir da percepção de que toda sombra se desvanece quando se projeta luz. Educação é tudo.

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Por uma cidade menos agressiva

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

10 de Maio de 2017

Que cidade é essa, que tem o nome de Fortaleza, mas que, diariamente, expõe a sua mais completa fragilidade na luta para vencer a violência? Não há um só dia em que a onda criminosa não leve para as portas da morte, desde a sua força mais jovem até os seus tarimbados agentes de defesa.

Cidade de gente simples e acolhedora, que se ocupa em ganhar o sustento de forma honesta – quando há espaço de trabalho para ela -, mas que, a todo instante, é constantemente importunada por atitudes hostis de indivíduos, que agem no mal a título de se darem bem.

O mal está em cada esquina; no entorno dos bancos à espreita de lesar alguém, via saidinha bancária. Ou de roubar os frutos que pagamos via impostos com vistas a um retorno em bens de serviços.

Fortaleza tem tudo para ser diferente – uma cidade de energias positivadas para o melhor da vida, mas que assiste, a todo instante, o mal se graduar nas esquinas de suas ruas e avenidas.

É preciso dar um tempo para reconquistar o bem estar dessa cidade. Precisamos mudar essa paisagem de dor e sofrimento, que ameaça a nossa juventude e contamina até mesmos os mais adultos, ansiosos por Justiça, mas que se degradam ao tomarem para si a vingança com as próprias mãos.

Antes que alguém possa culpar essa ou aquela autoridade, esse ou aquele órgão por não cumprir o seu trabalho, é preciso que todos nós coloquemos o rosto no espelho e busquemos verificar o que temos feito de bom, para significar produto de uma boa colheita.
Não se colhe uvas de espinheiros, já dizia o sagrado livro, lembrando a necessidade de agirmos no bem para que o bem seja o resultado legítimo de nossas ações.

Para resgatar a legitimidade de nossa Fortaleza-cidade, preciso é que sejamos exemplo. Modelo. A fim de mudemos a nossa casa, a nossa rua, a nossa cidade. Mudemos a Fortaleza que desejamos.

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Verdade a ser assimilada: “em mulher não se bate nem com uma flor”

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

03 de Maio de 2017

Em todos os segmentos, quase ninguém discorda do “clichê” que diz “em uma mulher não se bate nem com uma flor”: certa feita, 88% de pessoas entrevistadas concordaram que essa é uma verdade que precisa mais e mais ser assimilada.
A agressão sofrida por uma advogada, sendo esbofeteada no rosto por um capitão da PM, é o caso mais recente que eleva a temperatura dessa discussão. Se bem que o caso possa ser classificado como isolado, mas é muito inconsequente saber que um homem – quem quer que seja – se arvore da força para demonstrar qualquer indício de autoridade.
Quando a violência parte de alguém que se presume talhado e versado para evitar o extremo confronto, esse episódio se constitui algo constrangedor. Deixa à mostra uma ferida aberta em todo um trabalho que se desenvolve no âmbito da Polícia, para atingir o conceito de cidadania, ao mesmo tempo em que revela a incapacidade humana de relevar conflitos.
O ato do capitão Alan Kardec, sugere algo inesperado e inconsequente de alguém como ser humano, mas que, em última análise, reflete esse traço da personalidade ainda conservadoramente machista que repousa em nós.
Qualquer que tenha sido o motivo causador desse caso, é preciso tirar lições: reivindicar investigação. Punição, no que a PM já demonstrou ao afastá-lo das ruas; mas para todos nós, é essencial compreender que, em todos os momentos da vida, é necessária a serenidade de ações da parte de quem age em setores tão inflamados como o da segurança e do direito.
O que é preciso valorizar a palavra no sentido de mediar um conflito. Da conversa amadurecida e racional no intuito de evitar chegar às vias de fato. De se evitar o desgaste de uma instituição, diante de um instante onde o orgulho ferido parece ter falado mais alto do que a dignidade de se evitar o impulso para o pior.

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Verdade a ser assimilada: “em mulher não se bate nem com uma flor”

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

03 de Maio de 2017

Em todos os segmentos, quase ninguém discorda do “clichê” que diz “em uma mulher não se bate nem com uma flor”: certa feita, 88% de pessoas entrevistadas concordaram que essa é uma verdade que precisa mais e mais ser assimilada.
A agressão sofrida por uma advogada, sendo esbofeteada no rosto por um capitão da PM, é o caso mais recente que eleva a temperatura dessa discussão. Se bem que o caso possa ser classificado como isolado, mas é muito inconsequente saber que um homem – quem quer que seja – se arvore da força para demonstrar qualquer indício de autoridade.
Quando a violência parte de alguém que se presume talhado e versado para evitar o extremo confronto, esse episódio se constitui algo constrangedor. Deixa à mostra uma ferida aberta em todo um trabalho que se desenvolve no âmbito da Polícia, para atingir o conceito de cidadania, ao mesmo tempo em que revela a incapacidade humana de relevar conflitos.
O ato do capitão Alan Kardec, sugere algo inesperado e inconsequente de alguém como ser humano, mas que, em última análise, reflete esse traço da personalidade ainda conservadoramente machista que repousa em nós.
Qualquer que tenha sido o motivo causador desse caso, é preciso tirar lições: reivindicar investigação. Punição, no que a PM já demonstrou ao afastá-lo das ruas; mas para todos nós, é essencial compreender que, em todos os momentos da vida, é necessária a serenidade de ações da parte de quem age em setores tão inflamados como o da segurança e do direito.
O que é preciso valorizar a palavra no sentido de mediar um conflito. Da conversa amadurecida e racional no intuito de evitar chegar às vias de fato. De se evitar o desgaste de uma instituição, diante de um instante onde o orgulho ferido parece ter falado mais alto do que a dignidade de se evitar o impulso para o pior.