Janeiro 2017 - MOUSE OU MENOS 
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MOUSE OU MENOS

por Nonato Albuquerque

Janeiro 2017

Para se conhecer a força do perdão

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

31 de Janeiro de 2017

Quem tem compromisso com a Vida, mesmo diante das maiores dificuldades, busca se superar. É o que manda o próprio instinto animal de cada um como mecanismo de sobrevivência. Mesmo que esteja no olho do furacão, na pior situação, sábio é quem consegue firmar-se, ir adiante, sem deixar marcas pelo caminho.
O mundo anda precisando de pessoas proativas. Aquelas que sabem, dizem e fazem. Não as reativas, que só acumulam reclamaçõs, queixas e, diante da primeira dificuldade, já estão pedindo arrego.
Não entendemos porque diante de uma experiência fantástica dessas, que é a Vida, existam criaturas brutalizadas, que se revoltam com isso e aquilo e outro; capazes de cometer atos criminosos, quando o ideal é buscar as coisas do bem.
Pode olhar: o mundo anda cheio de gente insatisfeita, carregando uma cara amarrada por nada. Reclamando de tudo, sem dar um passo para sair dessa paralisia que leva a doenças como a depressão. Adoecem, também, aquelas que guardam mágoas de outros. Que se irritam por nada. Que não desculpam uma falha de alguém e vão acumulando ódio, como se a mente e o coração fosse um Jangurussu, um depósito para se guardar o lixo moral que se tem.
Essas pessoas precisam ser compreensivas consigo e, principalmente, com os outros. Todo mundo falha. Você também não erra? Alguém não pensar como você, nem por isso deva ser eliminado do seu grupo. Para esse mal da alma tem medicamentos tiro e queda: humildade. E com ela vem a compreensão; a reconciliação e o perdão da falta dos outros. Sábio é quem consegue compreender que todos nós falhamos. Que na estrada da vida, todo mundo está arriscado a levar um tombo, cair. Mas o impulso seguinte e levantar, sacodir a poeira e dar a volta por cima, como diz a música do doutor Paulo Vanzolini.
Infelizmente, isso nem sempre isso acontece. Há pessoas que vivem de criar dificuldades em tudo e por tudo. Que infernizam a vida de outros. Que agem movidas por sentimentos de ódio, orgulho, inveja, egoísmo, ciúme – que são os parasitas da alma, que ficam impregnados na gente, nos levando a dolorsas consequências. Basta um deles só, para que a gente revide uma palavra dita fora de hora. A brincadeira de alguém. Mesmo sabendo que esses parasitas vão se avomulando no interior da nossa mente e acaba se transformando em processos depressivos, além de atingir o físico na forma de doenças como o AVC e até câncer. Somos todos doentes da alma, precisando reorganizar as energias da Vida, através do exercício do Bem. Quem assim o fizer, evitará no futuro despertar o marginal que, potencialmente, adormece em nós e que só espera o instante para se revelar como qualquer criminoso que não soube dar uma só oportuniade para conhecer a força do perdão.

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As duas alternativas da Segurança Pública

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO, SEGURANÇA

30 de Janeiro de 2017

A população cearense amanheceu esta semana diante de um debate circunstancial provocado pela declaração do novo secretário de Segurança do Estado. Ele disse que aqueles que cometerem crimes contra policiais não têm outra saída, a não ser “Justiça para quem se entregar e o cemitério para quem ‘puxar uma arma”. Com isso, discute-se qual é o limite entre o que é legal e o excesso na ação da Polícia em situações de conflito?

Sabemos que todo agente é treinado para o combate a essa anormalidade social que é o crime. E dele, evidente, espera-se sempre que saia vitorioso. O secretário fez a declaração em meio ao calor da emoção de ter perdido mais um colega, integrante da força policial, em mais um dos crimes relacionados a assaltos. E, como essa realidade tem dado dor de cabeça às autoridades de segurança – que o diga o próprio governador Camilo Santana.

Evidente que não se deseja a morte de ninguém e quando se trata de um integrante de grupo específico como a Polícia, que luta contra a insegurança, lamenta-se por ser mais mais uma baixa nesse campo de luta onde se divide o crime e o seu aparelho repressor. Mas não é correto utilizar-se desse momento de angústia e sofrimento para emitir uma declaração que, mais parece alicerçada na vendita e no ódio. Soa mais como uma defesa corporativa e não a de alguém convocado para dar soluções plausíveis, consentâneas, dentro da legitimidade do Direito e da Justiça. Deseja-se demais uma ação providencial que nos leve a evitar essa mancha sanguinolenta do crime que a cidade assiste. Afinal, nessa guerra não oficial da violência de Fortaleza, não são apenas os integrantes do brioso aparelho policial que são as vítimas. Todos os dias tombam vidas humanas que, também, defendem a necessidade de uma política de segurança mais efetiva. Dentro do prevê as noções institucionais. Onde a qualidade de seus dirigentes oportunizem segurança aos que se aplicam tanto aos que combatem o crime, no caso dos agentes civis e militares, quanto da população civil, meio perdida entre essa luta de mocinho e bandido.

É preciso cobrar insistentemente ações planejadas, objetivas. Deseja-se das autoridades de segurança, programas que deem respostas inteligentes e práticas à ofensiva dos criminosos – que parecem bem mais resistentes ao domínio repressivo, a ponto de deixarem Fortaleza sob o estigma de uma das cidades mais violentas do Planeta.

Especialistas no estudo da Violência, como o professor de Sociologia, Luiz Fábio Paiva, diante da declaração do secretário considera justo “que o Estado busque punição para qualquer morte, que gere sofrimento e sentimentos de revolta. No entanto, avalia ele, o risco está em combater o crime objetivando matar. “O princípio que move o gatilho do policial não pode ser o desejo de vingança, mas de fazer justiça e proteger os princípios que estabelecem e estruturam uma vida em sociedade”.

A situação da segurança em nossa capital chegou a um ponto insustentável. E não serão frases de efeito que irão demover pessoas de má índole a continuarem no crime. É preciso algo de concreto mas que se alie ao desejo maior do próprio governo, ao criar um programa que reivindica no título o sentimento de pacificidade para o Estado. É preciso agir contra os bandidos, sim; mas com a eficiência de quem usa o potencial do cérebro para planejar ações legítimas, evitando que a arma seja a solução final.

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Droga, essa interminável guerra dos nossos dias

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

26 de Janeiro de 2017

Um problema que a cidade convive de forma desesperadora é a questão das drogas. Inclusive, Fortaleza realiza hoje um simpósio com vistas a conhecer experiências de outros países, a fim de colocá-las em execução por aqui. Medelin, na Colômbia, é um exemplo.  Lá foi preciso endurecer, para não se perder a força humana.

O país que revelou ao mundo a figura de Pablo Escobar viveu dias sombrios com o domínio das forças do narcotráfico. Os chefões do tráfico foram aos poucos sendo denunciados, presos e recambiados até para os Estados Unidos, num esforço para evitar o aprofundamento da crise que chegou a colocar em jogo o próprio sistema político. Hoje, o país ganhou outra cara. O tráfico, praticamente, foi banido.

Guardadas as devidas proporções, Fortaleza convive com esse drama. Jovens são cooptados muito cedo pelo tráfico; inicialmente, até com a concessão de drogas de forma fácil, para que eles se viciem e, daí a pouco, passem a ser consumidores em potencial desse mercado da morte.

Essa desgraça social não atinge apenas a população de comunidades mais carentes, muito pelo contrário. O número de jovens de classe média alta que estão hoje em dia em tratamento nas clínicas especializadas, aumentou sensivelmente. Quem não pode arcar com as despesas de um atendimento particular, buscam as ONGs ligadas a instituições religiosas que, franciscanamente, atendem a uma leva de desesperados da sorte, depois de serem até mesmo sentenciados à morte.

É que, no caminho desses equivocados, há o registro de prisões muitas; a condução deles para unidades socio-educativas – quando menores – ou para presídios infectos, onde passam a se vincular a grupos de criminosos potencialmente perigosos, alguns deles adeptos de facções criminosas que passam a exercer predomínio sobre eles.

No meio do caminho desses viciados, as manchetes têm apontado para o rastro de sangue e de dor que essa vida acaba acarretando aos familiares. Todo santo dia, um ou mais corpos surgem debaixo de lençóis brancos, individualizando a dor de mães e parentes, numa sucessão de vítimas da desgraça causadas pelo uso das drogas.

Para deter essa guerra contra a pedra, o pó e os demais motivadores de tanta miséria, ressalte-se o trabalho da Polícia, muito embora haja necessidade de ir à fundo nas investigações, não prendendo apenas o peixe miúdo dessa correnteza, mas os grandes que se ocultam como se fossem pessoas do bem e que determinam quem deve viver ou não.

Há que se ter políticas de internamento – compulsório, se for o caso para recuperar os adictos mais difíceis e punição – bem rigorosa dos traficantes, sem que eles venham desfrutar de nenhum dos benefícios concedidos a outros presos de bom comportamento. Nem visita, nem folga; nenhum privilégio que os permita se sentirem donos de uma situação que eles não buscaram. Muitas vezes, é necessário um pouco de rigor para amansar corações endurecidos pela ignorância.  Os resultados advirão.

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Por defender um bem que só a vida tem

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

24 de Janeiro de 2017

Às vezes eu tenho me perguntado o que leva uma pessoa a tirar a vida de outra? Maldade extrema, dirão alguns. Falta de Deus no coração, argumentarão outros. Na verdade, eu considero que seja pouco apreço que essa pessoa tem pela Vida. Pela vida sua e pela do outro.

Somente um desatinado da compreensão do que seja a Vida é capaz de reunir força e coragem para acabar com um bem que é sagrado. Quando se tem consciência disso, o mínimo que se pode fazer é defender esse patrimônio fabuloso, que preço nenhum paga e que só a Deus pertence.

Todo mundo nasce cheio de virtudes e de defeitos. A criação da família e a orientação da escola vão, aos poucos, aperfeiçoando. Somos como a pedra bruta que precisa ser lapidada; trabalhada e que, nas mãos de ourives, pode acabar se transformando em preciosa joia. Tudo depende do esforço que se der a ela. E do tempo. Chegamos ao mundo assim; mas o esforço da pessoa em buscar melhorar-se, através do ensino do trabalho, é o responsável por esse aperfeiçoamento.

Alguém poderá contestar ao lembrar que uns nascem com melhores aptidões e recursos do que outros; mas todos passamos por oportunidades muitas que nos levarão a pontos de enriquecimento. Se uns buscam valorizar o lado material, outros mais inteligentes, dedicam-se a operar no campo das ciências humanas e desenvolvem conhecimentos que acabam facilitando a si e ao mundo.

Pessoas como Martin Luther King, Madre Teresa de Calcutá, Francisco de Assis, o médico dos pobres Bezerra de Menezes, a saudosa irmã Dulce – foram pessoas que nasceram em berço pobre. Mas cada um buscou aprimorar o seu eu interior e aos poucos demonstraram a importância para o mundo. Aprenderam a defender a Vida, doando-se a outros e eliminando de si as cargas deletérias das paixões desenfreadas. Do egoísmo centralizador. Do ciúme degradante – esses sim, os causadores da miséria que levam alguém a tirar a vida de alguém. Eles venceram a si mesmos, devotando-se aos outros. Todos tinham um medo interior: o de prejudicar a vida de alguém. O de causar algum dano a qualquer Vida que cruzasse o seu caminho. Por isso, fortaleceram os dons e os talentos que todos carregamos de nascença. Os talentos da bondade, da compaixão, do perdão e, principalmente, do amor que estão em nós como sementes. Precisam ser cultivadas. Trabalhadas. Para que a Vida em nós, jamais precise prejudicar a vida de outrem. Pense nisso.

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Não há domingo de jogo, que a cidade não pegue fogo

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

23 de Janeiro de 2017

O velho ditado “não há domingo sem missa e segunda sem preguiça”, bem que poderia hoje ser alterado para “não há domingo de jogo, que a cidade não pegue fogo”. Falo do fogo das paixões. Paixões futebolísticas. Ontem houve clássico. Fortaleza e Ceará foram à campo e do lado de fora, um outro campo – que parecia de guerra – foi armado para deter feras humanas que não sabem se comportar num dia de jogo. Isso, aliás, parece favas contada. Já era previsto.

Toda vez que alvinegros e tricolores se juntam num embate futebolístico, a coisa desanda. A cidade reclama. A população sofre. O ambiente de tensão começa bem antes. O corpo policial entra de prontidão. A escala do efetivo é redobrada. Batalhões inteiros de soldados são escalados para dar conta do antes, durante e depois do jogo. Bombeiros são escalados para o local, junto com agentes de Trânsito, estes a fim de evitarem a ampliação do caos no tráfego. Mais: a cavalaria, a Ciopaer, afora um número enorme de médicos, paramédicos e enfermeiros do SAMU, todos entram em regime de prontidão. Hospitais reforçam seu pessoal para o que possa vir a acontecer. Ruas são previamente determinadas para que as torcidas – ditas organizadas – possam circular sem que se deparem com a rival. É uma operação de guerra, que custa caro e exige reforços humano e de máquinas, além de abrir flancos na vigilância de áreas onde a violência já é gritante. E olha que tudo isso para a realização de um evento esportivo.

Por mais segurança que se invoque, o resultado é sempre lamentável. Corre corre, tiros, provocações, um policial ferido, torcedores presos, gás de pimenta spreizado na cara de quem, muitas vezes, nem tem culpa no cartório, além de farto material apreendido dos que vandalizam o futebol travestidos de torcedores. E não era pra ser assim.
Os domingos de futebol, a exemplo dos religiosos, deviam ser dias de consagração das massas às suas paixões favoritas. Afinal, o que é o futebol senão uma espécie de religião a reunir fiéis de todas as crenças, com os seus protetores na grande celebração.

O estádio aos domingos transparece um templo de devoção desses fiéis, algumas vezes fanatizados pela falta de educação e que, coincidentemente, parecem repetir na prática o mau exemplo de religiosos radicais e fundamentalistas, que se acham no direito de que só eles são donos da verdade.

A missa desse povo é a consumação da partida e a sacramentação do gol. O gol é a elevação consagradora desse encontro.

Infelizmente, ao contrário dos que buscam as igrejas para sagrar o culto à divindade e a seus santos, os fiéis dos estádios não sabem cultuar o valor da vitória, nem tampouco compreender que, ali também, há se de complementar o sacrifício de que uma das partes terá que conviver. E os que tendem a não perceber isso, acabam pegando os verdadeiros torcedores para cristo, preocupados em evocar a violência como se fosse o evangelho deles.

Há que se mudar esse comportamento, para que os domingos de clássico no Castelão, não se tornem em angustiante calvário do verdadeiro torcedor que paga para, naquele templo, se sentir em busca de sublimar o céu do seu time e não para descer ao inferno daqueles a quem só o veneno do ódio sabem destilar.

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Das teorias de conspiração que o País viveu, a esperança foi a única que não morreu

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

20 de Janeiro de 2017

Ô povo forte, esse povo brasileiro! Que vive de esperança, o ano todo. Que tem vivido e se alimentado desse sentimento, esses anos todos. Porque se a gente voltar um pouco no tempo, mas desde o fim da ditadura militar, a gente remoe a expectativa de dias melhores para o País, mas sempre esbarra em dificuldades pelo caminho. Quer ver?

Quando tudo sinalizava o recomeço de um novo tempo e o surgimento do que significativamente ficou estabelecido como Nova República, o que foi que aconteceu? Veio o baque. Aquele que mais se identificava com essa possibilidade, morre na véspera da posse. Bastou isso para surgirem as teorias da conspiração de que ele poderia ter sido vítima de um “acidente provocado” e mil histórias que circularam – numa época que nem se falava ainda em redes sociais. Sem Tancredo, o país trilhou momentos esperançosos de que poderia retomar o rumo do crescimento e da convivência harmônica – e fomos resistindo a todas investidas que o “destino” (entre aspas) nos aprontava. Carestia, jogo político desordenado, saúde e educação em baixa; mas tínhamos esperança de que tudo melhoraria.

Veio a Constituição de 88. E adoçamos a expectativa de que o País se reergueria com as demarches feitas por um Ulysses Guimarães e pelo menestrel das Alagoas, Teotônio Vilela. Pois num é que uma tragédia nos rouba doutor Ulysses e um câncer fulminante nos tira Teotônio? Novas teorias da conspiração percorrem as conversas em todos os lugares. Presos à possibilidade de que tudo seria golpe do destino, ligamos nossa atenção à possibilidade de que um caçador de marajás, como ele se identificava, pudesse libertar o País desses intermináveis desassosegos. Collor, infelizmente, se revelou imprudente e inconsequente, posto que entronizou no Planalto uma camarilha que chegou até mesmo a confiscar o dinheiro de quem já não tinha. O tempo passou e fomos transferindo nossa expectativa de esperança em outras figuras.

Se os políticos decepcionavam, o esporte nos levaria a vitórias mais completas. E o mito Ayrton Senna ganhou nossa atenção, até que uma curva em Ímola, na Itália, apaga mais uma vez a chama de esperança. Novamente, teorias de conspiração se renovam. Morriam ídolos; jamais nossa esperança. Um governo popular nos deu a confiança de que tudo mudaria; porém como bem dizia um atento poeta desse tempo, “dormia a nossa pátria-mãe tão distraída, sem perceber que era subtraída em tenebrosas transações”. Pois o danado o destino nos levou exatamente Cazuza!

Para libertar o País dos corruptos, uma cirúrgica operação, a Lava Jato, nos deu esperança de que toda a roupa suja seria passada a limpo e que grandes endividados como empreiteiros teriam seus nomes homologados pela ação de um magistrado que fazia o seu trabalho de forma justa, serena, ética e respeitável. Pois num é que o destino inventou de derrubar o voo onde Teori Zavascki estava, poucos dias antes de ele iniciar o seu mais importante trabalho no Supremo? As teorias de conspiração voltaram a cabeça do povo brasileiro que, apesar dos pesares, não perde a esperança de que, um dia, isso muda. Ô povo cheio de esperança, que somos!

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Crise no sistema penitenciário e o jogo de cena do governo para cumprir formalidade

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

19 de Janeiro de 2017

Uma tentativa de fuga na CPPL III já é um sintomático indício de que a onda incendiária de violência que se abateu nos presídios de Manaus, Roraima e Natal pode estar contando as horas para irromper no Ceará. Combustível para isso, não falta. Depois de São Paulo e do Paraná, somos o Estado com maior número de presos ligados ao PCC – Primeiro Comando da Capital. Só para vocês terem uma ideia, o Ceará detém 1.396 presos dessa facção criminosa.

Eu conversei com o presidente do Conselho Penitenciário do Ceará, Cláudio Justa, e ele foi muito sincero ao dizer que, caso a situação venha a se agravar, o governo não terá outra saída senão pedir a ajuda da Força de Segurança Nacional, liberada pelo governo federal para nove Estados. Não sabemos se isso vai resolver a problemática do sistema, todo ele carcomido pela degradação de suas estruturas, pela superlotação e pela falta de pulso dos responsáveis por seu controle. Se o Exército vai entrar nos presídios apenas para fiscalizar, sem contato com os presos, isso soa mais como um jogo de cena do governo, tentando resolver uma situação que vem rolando há décadas com uma improvisada encenação.

As rebeliões são o resultado lógico de décadas de descaso para com a política penitenciária. O drama todo se resume em que as facções criminosas estão, claramente, com o domínio da situação nas unidades penitenciárias. São elas que dão as ordens. Que dizem que deve viver ou morrer. São elas quem deixam humilhadas as administrações desses presídios, sem uma programática de recuperação dos internos. O pessoal que toma conta dos presos, parece estar ali apenas por mera formalidade; preenchendo espaço, para ganhar o seu salário, sem compromisso nenhum com a mudança da situação.

Quer saber porquê isso chegou a esse ponto? Simples, como aponta um especialista em artigo hoje na Folha de SP: “Quanto mais gente é presa, mais insuportáveis se tornam as condições na cadeia. A certa altura, o melhor meio de um recém-ingresso sobreviver no sistema é jurar obediência às organizações criminosas que conseguem impor alguma ordem ao caos. Isso significa que, quanto mais prendemos (e quanto piores forem as cadeias), mais fortalecemos PCCs, CVs, FDNs etc”.

Aliás, a transferência de presos perigosos do sudeste para unidades onde a força do PCC ainda não tinha marcado presença, é outro ponto que fortalece a crise. Hoje em dia, o Norte e o Nordeste são as mais novas fronteiras da expansão do PCC. “As duas regiões, onde três grandes rebeliões já causaram a morte mais de cem presos nos primeiros dias deste ano, têm hoje cerca de 6 mil criminosos ligados à facção de origem paulista. Isso corresponde a cerca de 33% de todos os filiados à organização.

Na avaliação desse especialista, “desarmar essa bomba vai ser trabalhoso e passa pelo resgate da noção de direito penal mínimo. Precisamos encarcerar muito menos gente, legalizando o que não precisa ser crime, como o uso de drogas, e substituindo as penas de prisão por pecuniárias e de restrição de direitos. Sem isso, não vai dar certo”.  Pense nisso.

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Estórias dos tempos da fianga para se contar nas redes sociais

Por Nonato Albuquerque em Conto

17 de Janeiro de 2017

BOTA ÁGUA NO KI-SUCO!!!
 
A festa de primeiro ano da criança corria animada. A meninada comia bolinhos e bebia um refresco de groselha gostoso pra danar.
 
Na primeira rodada, o suco veio bem vermelhinho. A segunda alterou o tom: foi um outro amarelinho que se imaginava fosse de maracujá. A terceira leva de meninos tomava um suco pálido, que se pensaria fosse de limão.
 
Nessa altura. os meninos da primeira rodada começaram a se danar querendo voltar pra mesa, para provar daqueles sucos de outras cores.
 
Alguns se esgoelavam, outros se esperneavam porque queriam porque queria beber, também, daquele outro suco.
 
– Eu quero aquele da cor de água, que tão servindo agora! chorava um.
 
– Deve ser de limão; eu quero também- lamuriava outro.
 
Na verdade era o mesmo suco. A mãe comprou apenas dois Ki-sucos na bodega do seu Toim, para o que ela imaginava fosse uma festa de pouca gente; umas 15 crianças convidadas. Acontece que a vila inteira compareceu. E haja água no feijão, ou no caso água no ki-suco.
 
De tanto ‘agüar’ o suco, o que era vermelho da groselha foi amarelando até ficar branco, branco.
 
Na última rodada tinha convidado reclamando que estavam servindo água com açúcar. E faziam cara feia:
 
– Arremaria, na próxima só vem a água! – dizia a vizinha Escolástica, achando um fim de mundo…

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Lições de vida de quem soube vivê-la bem e repassa aos cem anos

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

17 de Janeiro de 2017

Todos os dias, a gente vive se defrontando com dramas e problemas de toda ordem. Mas é da vida. Se não fosse assim, a gente não cresceria. Em meio a isso tudo, a vida oferece oportunidades a todos. E é por ela que a gente alcança a chance de cada um se aperfeiçoar. De melhorar. Todos têm lições a aprender e a ensinar, também. Uma senhorinha idosa, chegando à casa dos 100 anos, dona Regina Brett, ela divulgou algumas dicas que a fizeram chegar a essa idade, cheia de fé e de esperança. É simples. Ela diz:
A vida não é justa, mas ainda é muito boa.
Quando estiver em dúvida, dê apenas um passinho pequeno.
Tem gente que leva o tempo se indispondo com as pessoas. A vida é muito curta para perdermos tempo odiando alguém.
Seu trabalho não vai cuidar de você quando você estiver doente. Seus amigos e sua família, sim. Portanto, fique em contato com eles.
Complete todas as suas obrigações a tempo.
E é sempre bom lembrar que você não tem que vencer toda discussão. Concorde em discordar.
Chore com alguém. É melhor do que chorar sozinho.
Uma boa dica é conversar com Deus sobre seus problemas; converse, pois ele ouve.
Tem pessoas que vivem amarradas às lembranças tristes. Sabe o que dona Regina ensina? Faça as pazes com seu passado, assim ele não atrapalhará o seu presente.
Não compare sua vida com os outros. Você desconhece a realidade das outras pessoas.
Não perca nunca a esperança. Tudo pode mudar num piscar de olhos. Se for para o seu bem, você terá o que deseja.
Quando tiver em meio a uma preocupação, tem uma saída: respire fundo. Isso acalma.
Faça uma limpeza de tudo que não for bom. Se desfaça de tudo que não é útil, não é bonito ou alegre.
E quando se trata de ir atrás do que você ama na vida, nunca aceite um “não” como resposta.
Não seja uma pessoa negativa. Aquilo que você considera um “desastre”, pode ser um alerta; um chamado para você tomar iniciativas diferentes.
Além de amar as pessoas, sabe o que é melhor? Perdoar todos por tudo. Afinal, tudo passa.
O tempo cura quase tudo. Então, dê tempo ao tempo.
Não importa quão boa ou ruim estiver a situação, ela irá mudar. Confie em Deus e você conseguirá viver tão bem ou melhor do que a dona Regina Brett que chega aos cem anos aprendendo com a Vida. E ensinando. Pense nisso.

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Situação dos presídios sob controle… dos presos!

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

16 de Janeiro de 2017

Vivemos dias de tensão e medo com relação a essa situação dos presídios. O efeito cascata provocado pelo episódio de Manaus e Roraima, parece disseminar-se por outras unidades do País, como acontece agora no Rio Grande do Norte. Mas quem trabalha junto ao sistema já previa que isso iria acontecer. Resultado de anos de ineficácia administrativa junto à enorme legião de presos sem uma conduta capaz de impor-lhes regras e mandos. Hoje, a situação dos presídios está sob controle; mas dos presos.

Contaminados pela falta de uma política que busque cobrar dos internos alguma ocupação útil, os presídios viraram moeda de troca deles para com a sociedade. Para isso, são capazes de usar a vida dos próprios colegas como forma de negociação, provocando o caos em meio a barbárie. O que se assista agora é a consequência da falta de ações, nesses anos todos, buscando atender aos objetivos reais do sistema de correção, que é de excluir os condenados do convívio da sociedade e, também, tentar a difícil mas não impossível, tarefa de ressocialização.

Buscaram-se formas de parcerias com empresas privadas, mas isso não teve efeitos produtivos. Com receio de rebeliões em suas unidades prisionais, São Paulo iniciou a exportação de presos perigosos do PCC para regiões onde os presídios detinham indivíduos com penas brandas por crimes sem maior gravidade. Pois essa convivência promíscua resultou foi em mais aprimoramento do crime. Os daqui aprenderam a ser piores com os piores que vieram de lá.

Surgida em 1993 no interior paulista, a organização criminosa PCC está ramificada hoje em todos os Estados. E os seus líderes detém o controle de grande parte dos presídios. Em alguns deles, é bom que se diga, com o consentimento de agentes públicos que se bandearam para o lado criminoso, sendo corrompidos para facilitar o acesso de drogas e celulares.

É preciso desnudar toda essa dura realidade que vem se produzindo há algum tempo e que, agora, explode em cadeia, quando se tenta impor ordem a um sistema moralmente contaminado. É igual à realidade de políticos que, durante muito tempo, se locupletaram com a corrupção e que, de uma hora para outra, tiveram suas vidas devassadas. Surpreenderam a todos, mas vinham agindo criminosamente em silêncio há algum tempo.

A vida reclama de cada um, o efeito desses atos. É como diz a passagem do Evangelho: “Não há nada oculto que não venha a ser revelado, e nada escondido que não venha a ser conhecido e trazido à luz” A natureza divina que há em cada um de nós, mais cedo ou mais tarde reclamará do que de bom ou de ruim tenhamos feito. Nada fica impune.

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Situação dos presídios sob controle… dos presos!

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

16 de Janeiro de 2017

Vivemos dias de tensão e medo com relação a essa situação dos presídios. O efeito cascata provocado pelo episódio de Manaus e Roraima, parece disseminar-se por outras unidades do País, como acontece agora no Rio Grande do Norte. Mas quem trabalha junto ao sistema já previa que isso iria acontecer. Resultado de anos de ineficácia administrativa junto à enorme legião de presos sem uma conduta capaz de impor-lhes regras e mandos. Hoje, a situação dos presídios está sob controle; mas dos presos.

Contaminados pela falta de uma política que busque cobrar dos internos alguma ocupação útil, os presídios viraram moeda de troca deles para com a sociedade. Para isso, são capazes de usar a vida dos próprios colegas como forma de negociação, provocando o caos em meio a barbárie. O que se assista agora é a consequência da falta de ações, nesses anos todos, buscando atender aos objetivos reais do sistema de correção, que é de excluir os condenados do convívio da sociedade e, também, tentar a difícil mas não impossível, tarefa de ressocialização.

Buscaram-se formas de parcerias com empresas privadas, mas isso não teve efeitos produtivos. Com receio de rebeliões em suas unidades prisionais, São Paulo iniciou a exportação de presos perigosos do PCC para regiões onde os presídios detinham indivíduos com penas brandas por crimes sem maior gravidade. Pois essa convivência promíscua resultou foi em mais aprimoramento do crime. Os daqui aprenderam a ser piores com os piores que vieram de lá.

Surgida em 1993 no interior paulista, a organização criminosa PCC está ramificada hoje em todos os Estados. E os seus líderes detém o controle de grande parte dos presídios. Em alguns deles, é bom que se diga, com o consentimento de agentes públicos que se bandearam para o lado criminoso, sendo corrompidos para facilitar o acesso de drogas e celulares.

É preciso desnudar toda essa dura realidade que vem se produzindo há algum tempo e que, agora, explode em cadeia, quando se tenta impor ordem a um sistema moralmente contaminado. É igual à realidade de políticos que, durante muito tempo, se locupletaram com a corrupção e que, de uma hora para outra, tiveram suas vidas devassadas. Surpreenderam a todos, mas vinham agindo criminosamente em silêncio há algum tempo.

A vida reclama de cada um, o efeito desses atos. É como diz a passagem do Evangelho: “Não há nada oculto que não venha a ser revelado, e nada escondido que não venha a ser conhecido e trazido à luz” A natureza divina que há em cada um de nós, mais cedo ou mais tarde reclamará do que de bom ou de ruim tenhamos feito. Nada fica impune.