dezembro 2016 - MOUSE OU MENOS 
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MOUSE OU MENOS

por Nonato Albuquerque

dezembro 2016

Ano novo

Por Nonato Albuquerque em POESIA, Sem categoria

29 de dezembro de 2016

Para preparar o ano novo que se deseja

preciso é que se tenha bons ingredientes.

Um pouco de esperança para que nela esteja

acertadas as bases dos frutos, nas sementes

Há que se utilizar da paciência. E quem almeja

viver bem, a paz deve ser um dos presentes

mais importantes para que ela nos proteja

e dê sentido aos dias de nervos mais ardentes.

O ano pode ter um tanto de muita alegria

para equilibrar quando a tristeza der as caras

e tenhamos que vencer algumas das barreiras

Se a gente se resguardar bem, verá a cena

do tempo nos trazer as forças mais raras

a cimentar de coisas boas nossas fileiras.

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O que é preciso para se ter um ano bom

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

28 de dezembro de 2016

Que balanço você faz do ano que está terminando? A maioria das pessoas, provavelmente, relacionará dificuldades de toda ordem pelas quais passaram. Lembrarão os problemas que foram muitos. A incerteza com relação à situação do País, mergulhado numa crise político-econômica. Uma boa parte do público, certamente, vai lembrar que foi ano difícil, problemático por causa dessas contingências. Teve gente que perdeu emprego. Outros que perderam amores. As perdas de entes queridos deixam marcas. O saldo para esses será de lembranças desafortunadas. A carestia, o dinheiro curto, a falta de sorte para ganhar um prêmio de loteria – tudo é levantado nesse balanço. Mas nem tudo foi assim tão ruim para considerarmos o ano como negativo.

Há saldo positivo em tudo, principalmente quando levadas em conta as pequenas conquistas. Cada um, pode avaliar bem isso. Se você conseguiu chegar até aqui é um sinal de que superou barreiras. Ultrapassou limites. Venceu etapas importantes e está de pé – pro que der e vier. E isso, é bom quando funciona como objeto de pressão para que continuemos dando partida à nossa vida. Quando se coloca em mente essa possibilidade de continuar em frente, é sinal fortuito de que estamos na luta. Não entregamos os pontos.

Na verdade, o indivíduo tem uma mania danada de sempre valorizar mais o lado negativo das coisas, do que aquilo que é positivo e acrescenta muito ao nosso progresso. Cada ano é recheado de promessas. Se a maioria delas não pode ser realizada, isso não significa que deixemos de lado a possibilidade de realizá-las.

Um ano novo se aproxima. Não é a mudança da folhinha que vai significar que tudo mudará, não. É a nossa maneira de ser; de comportar-se no mundo. De fazer valer os valores morais que estão em cada um de nós, precisando ser trabalhados. A grande riqueza humana está depositada dentro de nós. São tesouros da alma. Como o amor, perdão, solidariedade e a mais importante: a esperança, sem a qual não estaríamos, hoje, renovando os votos de que, apesar de tudo, um novo tempo surge dando oportunidade para que algo novo se realize entre nós. Pensar assim, já é algo bastante positivo. Porque dá margem à fé; a fé que nos move em direção ao futuro. E o futuro está adormecido dentro de nós, aguardando a hora de nossa mudança. A mudança interior e não apenas a da folhinha.

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Receita para se aproveitar bem, o bem que nos fez o Natal

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

26 de dezembro de 2016

End-of-Year-CalendarPassado o Natal, há uma sobra de esperança no ar. A de que a cortesia e a solidariedade, estabelecidas durante o período da festa, não se pulverizem e acabem sendo contaminadas pelo azedume da intolerância e pelas desavenças de sempre. É costume de toda casa, aproveitar no dia de hoje o que sobrou da ceia natalina e requentar num prato novo tudo para servir aos comensais. Pois que não se perca o que sobrou das atitudes de bondade e da caridade, que foram espalhadas nas manifestações interpessoais; nas caminhadas dos grupos de ação social. Nos congraçamentos de famílias e de colegas em ambientes de trabalho, permutando sentimentos de natural cortesia em simbólicas troca de presentes dos amigos secretos.

O Natal passou, sim; mas que não se perca de vista a chance de sermos mais solidários para com aqueles que o evangelho significam como nosso próximo. Seja convivendo em ambiente harmônico com ele. Seja diminuindo as diferenças que, maioria das vezes, nos afastam por conta de nossas imperfeições. Nesse ambiente de melhor compreensão, que aqueles que detém cargos de mando, busquem ser mais cientes de seus deveres e obrigações, não se permitindo que o fel da recriminação injuriosa deteriore a boa convivência no ambiente de trabalho. Que chefes não se permitam a tratar indiferentemente os seus comandados, nem tampouco os  outros possam indiferenciar os que comandam.

O Natal se foi, mas não se pode desvirtuar o instante mágico que a festa propôs, para que se possa conviver em paz os dias que estão por vir. Esse é o grande legado de toda festa natalina. Que a gente saiba aproveitar bem o espírito do Natal para que ele se estabeleça como real, ensejando melhoria no relacionamento de todos. Mas que não seja apenas como algo transitório; na época da festa. É preciso que seja aplicado durante o exercício diário de nossa convivência com as pessoas. Quem só é bom na época do Natal é porque ainda não conjuga, no dia a dia, o verbo crístico de santificar suas ações para transformar o mundo em algo melhor.

O Natal passou mas, por favor, não vamos deixar esfriar, nem tampouco azedar, o saboroso prato da esperança que o mundo viveu por instantes nesse final de semana, e que deve estar no cardápio de nossas atitudes, para ser servido todo dia. Do ano todo. Pense nisso.

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Quem dera fosse Natal o ano todo

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

23 de dezembro de 2016

natalSe o Natal fosse uma festa permanente, como muitos auguram nos votos de fim-de-ano, quem sabe prevalecesse esse espírito de concórdia que, nesse período, anima a alma da gente. Se o ano inteiro vivêssemos essa harmonia das cores e luzes em que as cidades se ambientam, quem sabe não se iluminariam ainda mais os corações e mentes a agirem de forma tão festiva. Mas, infelizmente, Natal é um dia só; embora antes do 25 de dezembro, prevaleça entre as pessoas uma característica notável dos humanos: a de mais demonstração de bondade no coração dos adultos. A de alegria no olhar de toda criança à espreita de um presente.

Sabemos, porém, que, embora tudo respire harmomia, ao redor desse evento persistem as ilhas de infelicitude. Não há mágica capaz de fazer desaparecer a ingratidão dos filhos; o desrespeito à mulher, vítima de violência do ano todo; o dissabor de quem convive com o desemprego elencado pela crise; o desespero de mães diante da morte antecipada dos filhos pelo mercado das drogas; a falta de recursos para pagar um tratamento de saúde; e muitas outras pequenas grandes causas que acabam sendo responsáveis pelos males do mundo.

Sim, esses problemas continuam, infelizmente. Mas, ao lado disso há exercícios de solidariedade. Profusão de atos de fé e de renovação na Vida, pois afinal, a humanidade precisa ir em frente. Seguir o caminho. Construir as bases de uma sociedade melhor.

Ninguém esquece que atos violentos quebram esse momento de paz e tranquilidade, quando bem poderiam dar trégua – especialmente, por ser Natal. O protagonista dessa festa é quem? É a referência de Paz para o mundo e, por isso mesmo, o melhor presente que Ele deseja a todos nós, é de que possamos conciliar as nossas desavenças. Diminuir as diferenças. Reconciliar com os nossos adversários. Ter mais compaixão com aqueles que não pensam da nossa maneira., fazendo com que o lado sombrio que nos divide, possa ser iluminado através de pequenos gestos. Mas de grande realce.

Quem dera que o Natal fosse apenas época de demonstrações de bondade real. De afeto mesmo. De solidariedade, muita. De treino para que a gente ampliasse esse espírito natalino para os dias do ano que vão nascer. Se não dá pra ser Natal infinitamente, que aproveitemos as sementes desse tempo para que a colheita do ano novo, seja farta de tudo aquilo que o mundo mais precisa. De paz. De amor. Do amor que, um dia, esteve em pessoa na Terra e deixou um rastro de luz para seguirmos. Cristo. Ele sim, é o ideal ansiado por Deus para cada um nós.

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Um celular de presente de Natal para cobrar o afeto descartado

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

22 de dezembro de 2016

Que presente você gostaria de ganhar nesse Natal? A pergunta feita ao interno de um abrigo de idosos foi prontamente respondida: um telefone celular, disse o senhorzinho de mais de 70 anos, com rosto marcado pelas ações do tempo e um olhar de quem amarga uma completa solidão. O repórter que lhe fizera a pergunta, mostra-se sensível ao seu pedido e vai mais adiante na tentativa de recolher o porquê desse desejo. E ouvimos todos, estarrecidos, o senhor idoso dizer que era para ligar para a filha e pedir que ela viesse, pelo menos, no fim do ano lhe fazer uma visita.

Eu num disse que o olhar dele exalava solidão? Pessoas da terceira idade, vivam ou não em abrigos públicos ou mesmo em casa, se ressentem de um maior relacionamento com os filhos. A maioria é, simplesmente, jogada lá dentro com o objetivo, na maioria dos casos, de afastá-los da convivência da família, pois eles são vistos por esses filhos com um peso morto a ser descartado.

Pergunte a qualquer pessoa de idade, mesmo entre as que vivem junto ao grupo familiar, o que elas mais se ressentem na vida e, provavelmente, elas vão dizer da mágoa e do ressentimento de filhos e netos que, raramente, os visitam. Ou telefonam para saber como estão indo.

Ah! geração empobrecida de valores, que se deixa levar pelos mecanismos do novo e bota de lado o que é exemplo, experiência, modelo. A sociedade supervaloriza tudo o que é jovem, como se a velhice fosse uma doença que precisasse ser extirpada.

Numa sociedade (quase) perfeita, os velhos são repatriados ao convívio da família. Ganham espaços no mercado de trabalho; jamais são descartados como peças sem valor. Em países do Oriente, onde a tradição convive lado a lado com o novo e o moderno, o respeito é a palavra de ordem da cultura milenar. A sociedade nesses países envelhece de forma harmoniosa com tudo e todos.

Em alguns grupos de pessoas, no entanto, o velho é motivo de chacota, destratado preconceituosamente – quem já não se pegou dizendo “é o novo!” diante de alguma citação antiga? Isso é a característica da pessoa que, por ignorância, vive a repetir conceitos preconceituosos – esquecida de que, um dia, não muito longe, também chegará a essa idade. E passará pelo que ela semeia, nesse momento.

Que, nesse tempo, ela não seja jogada num antro qualquer de idosos e nem tenha que desejar, como presente de Natal, um telefone. Para pedir que alguém da família lhe dê a chance de notícias. De visitá-la, nem que seja uma vez ao ano.

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Os males e pecados de quem usa o trânsito

Por Nonato Albuquerque em artes

21 de dezembro de 2016

De que forma você tem se comportado no trânsito? Não é preciso responder a mim, não; mas a você mesmo. Se você faz parte de um grupo de pessoas que não tem a menor preocupação em obedecer às normas e leis do trânsito, certamente você é está entre os números divulgados ontem pela Prefeitura, numa pesquisa que aponta os males e os pecados de quem utiliza o tráfego em Fortaleza. O saldo não é animador; revela até mesmo uma tendência suicida de quem faz da máquina uma arma e circula por aí não temendo as consequências de suas imprudências.

O relatório da Fundação Filantrópica Bloomberg contabiliza que 315 morreram no trânsito no ano passado. 119 dessas vítimas eram pedestres, o que demonstra o pouco caso que se dá a quem anda a pé. Cento e dez dos que morreram andavam em motos, o que revela a necessidade de orientar sempre os motociclistas a zelarem pelo bem precioso que é a vida. São dados que vão servir para que a Prefeitura reoriente os cuidados em relação a questão da mobilidade urbana, mas que tem a parte responsável a cada um de nós.

Por isso, refaço a pergunta do começo desse nosso comentário: como é que você tem se comportado no trânsito? Se você primou pelo respeito. obediência e atenção – então, você pode comemorar não ter sido vítima da violência que impera nas ruas, avenidas e rodovias. Se você, infelizmente, cometeu imprudências, provavelmente, está se recuperando das consequências de seus atos. Ou o que é pior: seus amigos e família estão sentindo sua ausência nas ruas desse lado, porque você se passou para o outro lado – quando ainda não era o tempo devido.

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Lembrete para o balanço de fim-de-ano

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

21 de dezembro de 2016

O ano todo, a gente passou contando as dores e os sofreres de uma cidade onde a compaixão e a generosidade parecem cada vez mais raras. A violência confirmou sua marca assustadora. Amontoamos, também, os registros de vítimas das discórdias – discórdias essas, promovidas pela almas ainda inferiorizadas de bons propósitos. Lamentamos os números frios dos que tombaram no trânsito, ensanguentando as pistas de muitas ruas e rodovias. Ouvimos o choro de mulheres-mães, diante dos corpos inertes de filhos fuzilados por conta da insanidade do tráfico. Nos inquietamos com a intolerância dos que acionaram o dispositivo do ciúme e deram vez à violência contra a mulher.

O final desse desafortunado balanço ainda não pode ser fechado, por estarmos há mais de uma semana do final de 2016; mas já é o bastante para uma terrível avaliação: foi um ano barra pesada. A maioria das pessoas, provavelmente, vá queixar-se de que foi um ano ruim, quando na verdade a culpa de todo o marasmo não é da folhinha que marca a passagem do tempo, ao qual atravessamos, mas do ser humano que, indigente de boas ações, continua a contrariar as expectativas de progresso moral.

Somos ilhas, cercados de modernidade por todos os lados, mas presos a uma corrente invisível de passado mais tenebroso. Alguns vivem plugados à idade da pedra. São os que mergulharam nas ondas da corrupção. Os que venderam a honra em negociatas desmoralizadoras. Para muitos que erraram; que cometeram deslizes; que ultrajaram a paz e a concórdia, as suas ações malévolas, criminosas, acabaram por resvalar em toda a sociedade. Porque as atitudes têm reflexo. Se boas, o eco será de afotunada resposta. Se voltadas para o negativo, atrairão somente tragédias. Essa é a ocasião para refletir sobre tudo isso. O Natal está às portas. Que ele sirva para uma repensada em nossas atitudes. A fim de que as nossas orações não sejam mais de ‘mea-culpa, mea-culpa’, ao invés de gratidão ao menino que renasce a cada dezembro referendo o ideal de Deus para cada um de nós. Pense nisso.

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O Natal de dois reais

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

19 de dezembro de 2016

A época do Natal facilita atitudes mais desprendidas entre as pessoas. Convive-se com um espírito de intensa fraternidade, na multiplicação de gestos de solidária harmonia, não muito comuns em outros dias do ano. Por isso, costuma-se ouvir histórias interessantes relacionadas às atitudes positivas das pessoas. Uma delas, no entanto, merece reflexão por situar-se exatamente no extremo oposto do que se espera para esse tempo de Natal. Fala de um empresário muito rico, acostumado a estacionar o carro em frente a um clube de renome e que sempre permitia ao flanelinha um gorjeta de 2 reais pelos préstimos do garoto.

Semana passada, quando saía do local, puxou da carteira uma nota como sempre fazia e a entregou ao garoto que se surpreendeu com a quantia gratificada. Acontece que o empresário se confundiu e acabou dando uma nota de 100 reais, ao invés da cédula de 2 que tem a mesma cor, embora tamanho diferente. Ante o olhar de surpresa do flanelinha, o empresário arrematou ser aquele o seu presente de Natal para ele. E saiu.

Felicitado pelo inesperado presente, o garoto aproveitou o benefício e foi, ali perto, a um supermercado, permutando toda a soma em alimentos que os conduziu à sua mãe em casa. Nesse ínterim, o empresário dirigiu-se a um posto de gasolina para abastecer o veículo e, ao efetuar o pagamento, só então se deu conta do equívoco. Dera a nota de 100 no lugar da que realmente desejara como gorjeta. Voltou ao local do clube. Outros flanelinhas facilitaram o endereço residencial do garoto e ele foi até lá, em uma comunidade simples, muito carente.

Quando chegou à casa do garoto, contou que havia se enganado e que fora lá buscar a nota para a devida troca pela de dois reais que era a que ele desejara gratificar ao moço. O garoto explicou que acabara de atender às necessidades da casa, que estava sem nada e que comprara alimentos para o sustento da família. O rico ficou atônito. Na impossibilade de reaver a quantia desembolsada indevidamente, ele não se perturbou: tomou a atitude mais inesperada que se poderia esperar de alguém de posses, em uma época em que os gestos de desprendimento mais se acentuam. Ele, simplesmente, pegou todas as compras feitas pelo garoto e as conduziu para o carro, levando-as para sua casa. Em cima da mesa pobre, apenas uma cédula de 2 reais, marcando o valor do apreço dos que não são desprendidos nem mesmo numa época como essa do Natal.

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ÀQUELE QUE SE FOI E QUE AINDA O É

Por Nonato Albuquerque em POESIA

18 de dezembro de 2016

Tinha um lírio no meio das rosas

que ornavam o féretro do menino

uma faixa de adeus, versos e prosas

todos lamentando ali seu destino

 

Lágrimas, lenços em mãos carinhosas

Que se apertavam enquanto um sino

Dolente, tangia as pessoas chorosas

Buscando na dor entender esse ensino

„ 

Do lado de lá, onde a farsa não conta

E a vida é constante em sua dimensão

Tem risos e alegrias por essa chegada

„ 

É que a pátria das almas ali se desponta

Cada vez que um corpo se oculta no chão

E a luz do que somos reinicia a jornada. 

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Adolescentes sob risco de não chegarem à vida adulta

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

15 de dezembro de 2016

Todo santo dia, a vida de alguns adolescentes é apartada de sua família e dos amigos pela prematuridade de suas mortes. Eles deixam de ser uma esperança de futuro para se transformarem mm números. Número frios da violência. A banalidade com que isso vem se repetindo entre nós,  chega ao absurdo de algumas pessoas se sentirem aliviadas e nem mais se darem conta de que são perdas. É que estamos como sociedade humana, descartando a nossa melhor sensibilidade, tornando-nos indiferentes à dor dos que ficam. Mas, cada vida importa – como bem destaca o título do relatório do Comitê Cearense pela Prevenção de Homicídios na Adolescência.

O trabalho aponta evidências e recomendações para se evitar o saldo impressionante de adolescentes que são tragados pela violência. Essa violência que, no Ceará, impressiona pelos números que parecem crescer. Em 2015, 816 meninos e meninas entre 10 e 16 anos, foram mortos no território cearense, sendo 387 apenas na capital. A maioria dos que sucumbem a essa guerra não oficializada é de adolescentes negros e pardos, filhos de mulheres que foram mães ainda na adolescência. Eles representam 69% das vítimas de homicídio.

A pesquisa levou um ano, tempo em que foram ouvidos 224 familiares, de Fortaleza, Juazeiro do Norte, Sobral, Maracanaú, Caucaia, Horizonte e Eusébio. Ela revela que as execuções acontecem em sua maioria em 16 bairros da Capital, o que mostra haver uma setorização dessa miséria. Jangurussu, Bom Jardim, Barra e áreas da região metropolitana como Maracanaú e Caucaia estão no mapa da violência.

Chegou-se à conclusão de que um dos motivos da vulnerabilidade nas áreas estudadas, é a sensação de impunidade aos crimes cometidos. O relatório não se deteve apenas no diagnóstico, mas ofereceu alternativas de se tratar o problema. Recomenda apoio e proteção às famílias vítimas de violência. Ampliação da rede de projetos sociais aos jovens. Melhorar os territórios onde os crimes mais acontecem com condições de infraestrutura, iluminação e programas sociais à comunidade. A busca para inclusão dos jovens que largaram a escola. Um programa de prevenção à experimentação precoce de drogas. Oportunidades de trabalho com renda, já que se sabe que esse é um ponto que precisa ser integrado ao projeto educacional. Formação de policiais na abordagem aos adolescentes, pois foi constatada uma relação conflituosa entre Polícia e comunidade, marcada pela intimidação, indiferença e, sobretudo, violência contra jovens.

Aliás, em termos de indiferença é preciso lembrar que o pouco caso que a sociedade der a qualquer uma das vítimas da violência, seja com jovens ou adultos, só demonstra que estamos perdendo o senso de nos indignarmos com toda forma de violência e passando a achar que um jovem morto justificaria o rio de sangue que, mais cedo ou mais tarde, acaba desaguando na questão da segurança de toda a cidade. Cada vida importa, tanto quanto a sua e a minha. Querer desconhecer isso é, no mínimo, fugir a uma discussão mais sensata e humana sobre as verdadeiras causas que levam Fortaleza a ser uma das capitais mais violentas do mundo.

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Adolescentes sob risco de não chegarem à vida adulta

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

15 de dezembro de 2016

Todo santo dia, a vida de alguns adolescentes é apartada de sua família e dos amigos pela prematuridade de suas mortes. Eles deixam de ser uma esperança de futuro para se transformarem mm números. Número frios da violência. A banalidade com que isso vem se repetindo entre nós,  chega ao absurdo de algumas pessoas se sentirem aliviadas e nem mais se darem conta de que são perdas. É que estamos como sociedade humana, descartando a nossa melhor sensibilidade, tornando-nos indiferentes à dor dos que ficam. Mas, cada vida importa – como bem destaca o título do relatório do Comitê Cearense pela Prevenção de Homicídios na Adolescência.

O trabalho aponta evidências e recomendações para se evitar o saldo impressionante de adolescentes que são tragados pela violência. Essa violência que, no Ceará, impressiona pelos números que parecem crescer. Em 2015, 816 meninos e meninas entre 10 e 16 anos, foram mortos no território cearense, sendo 387 apenas na capital. A maioria dos que sucumbem a essa guerra não oficializada é de adolescentes negros e pardos, filhos de mulheres que foram mães ainda na adolescência. Eles representam 69% das vítimas de homicídio.

A pesquisa levou um ano, tempo em que foram ouvidos 224 familiares, de Fortaleza, Juazeiro do Norte, Sobral, Maracanaú, Caucaia, Horizonte e Eusébio. Ela revela que as execuções acontecem em sua maioria em 16 bairros da Capital, o que mostra haver uma setorização dessa miséria. Jangurussu, Bom Jardim, Barra e áreas da região metropolitana como Maracanaú e Caucaia estão no mapa da violência.

Chegou-se à conclusão de que um dos motivos da vulnerabilidade nas áreas estudadas, é a sensação de impunidade aos crimes cometidos. O relatório não se deteve apenas no diagnóstico, mas ofereceu alternativas de se tratar o problema. Recomenda apoio e proteção às famílias vítimas de violência. Ampliação da rede de projetos sociais aos jovens. Melhorar os territórios onde os crimes mais acontecem com condições de infraestrutura, iluminação e programas sociais à comunidade. A busca para inclusão dos jovens que largaram a escola. Um programa de prevenção à experimentação precoce de drogas. Oportunidades de trabalho com renda, já que se sabe que esse é um ponto que precisa ser integrado ao projeto educacional. Formação de policiais na abordagem aos adolescentes, pois foi constatada uma relação conflituosa entre Polícia e comunidade, marcada pela intimidação, indiferença e, sobretudo, violência contra jovens.

Aliás, em termos de indiferença é preciso lembrar que o pouco caso que a sociedade der a qualquer uma das vítimas da violência, seja com jovens ou adultos, só demonstra que estamos perdendo o senso de nos indignarmos com toda forma de violência e passando a achar que um jovem morto justificaria o rio de sangue que, mais cedo ou mais tarde, acaba desaguando na questão da segurança de toda a cidade. Cada vida importa, tanto quanto a sua e a minha. Querer desconhecer isso é, no mínimo, fugir a uma discussão mais sensata e humana sobre as verdadeiras causas que levam Fortaleza a ser uma das capitais mais violentas do mundo.