setembro 2016 - MOUSE OU MENOS 
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MOUSE OU MENOS

por Nonato Albuquerque

setembro 2016

A (in)justiça de alguns

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO, ATUALIDADE

30 de setembro de 2016

De quem atua na esfera do Poder Judiciário deve-se esperar sempre atitudes justas. Firmes. Claras. Honestas. Afinal são seus representantes, os operadores da Justiça. Os guardiões da Lei. Mas, infelizmente, esses princípios parecem desvirtuados por alguns integrantes, embora a grande maioria sirva de modelo no exercício do dever.

Diante das denúncias envolvendo advogados e desembargadores cearenses, a sociedade fica estarrecida como o crime estabeleceu-se entre representantes do próprio Judiciário. Que pecado esses senhores cometeram? Eles são acusados de vender liminares nos plantões de fim-de-semana para soltar criminosos perigosos. Gente da pior espécie ganhava ‘habeas-corpvs’, com o braço da Justiça permitindo-lhe a livre operação criminosa. Pior: muitos pretendentes ao cargo de policial na PM, não conseguiram passar bno concurso, mas conseguiram por esse método criminoso, adentrarem na Polícia. Essa facilidade não era algo gratuito. Tinha um preço. E que preço! O preço da desonra. Da maculação da lei. Cobrava-se de 50 a 150 mil reais, numa confirmação nítida de que, por dinheiro, há quem manche o próprio nome e desonre o cargo que exerce. Diante dessa ladroagem institucionalizada, a expectativa do cidadão comum é de que a moralidade bateu-se em retirada, até mesmo do ambiente onde devia prevalecer a dignidade e a Justiça. O povo imagina que está em vigor hoje em dia o império da ignomínia e da vergonha.

É algo que surpreende, já que se espera de quem estudou para desempenhar a missão de defender os princípios da legalidade, o espírito cívico de agir com honradez e justiça. A ação dos advogados e desembargadores negociando com criminosos é algo terrível, mas que só reflete o estágio moral a que uma parte da sociedade humana está entregue. É por isso que eu costumo dizer que nada do que é humano me surpreende. Por mais lauréis que ostente e diplomas de formatura, a alma humana sempre mostra sua fragilidade moral diante das ofertas onde circule o vil metal. Mas nada disso, porém, deve tirar a esperança de que o Bem há de predominar sobre os maus. A própria descoberta desse crime e o repúdio da sociedade nos remete a certeza de que a vitória não pertence a esses mandriões, já que o crime nunca prevaleceu na História da humanidade.

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A quem as greves deveriam mais afetar?

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

28 de setembro de 2016

Uma greve de trabalhadores sempre acarreta prejuízos. Prejuízos que, na verdade, deveriam ser bem mais direcionados aos patrões, a quem os manifestantes desejam atingir. Infelizmente, a corda de todo movimento grevista acaba se rompendo sempre para o lado mais fraco, o da população.

Se os ônibus param, com motoristas insatisfeitos com seus patrões, quem mais sofre é o passageiro. Se os professores reivindicam melhoria de salário e condições de trabalho, como os profissionais da UECE, sofrem os alunos com o atraso do calendário letivo. A greve dos bancários, por exemplo, é um movimento que deveria prejudicar os banqueiros, empanzinados de tanto ganhar dinheiro de seus correntistas com altas taxas bancárias. Mas a greve está criando problemas é para um mundo de gente que, no caixa eletrônico, não está conseguindo efetuar operações, como a retirada do Seguro Desemprego, por exemplo.

Ontem, numa agência da Washington Soares, um empresário se revoltou com a impossibilidade de fazer uma transação, impossível na bateria de caixas por conta da quantia acima do limite. Outras pessoas estão convivendo, indiretamente, com essa queda de braço de servidores com o governo. Falo de quem precisa dos serviços da Polícia Civil. Tem gente esperando mais de 10 horas numa fila para registrar um simples B.O. Dá pra se imaginar ocorrências mais graves.

Entendemos que os policiais devem ter lá suas razões para reivindicar melhorias para a categoria, afinal isso vai redundar em melhores serviços à população. Mas quando a greve prejudica mais o cidadão do que o patrão, o foco do movimento dos servidores, simplesmente, afeta a quem lhe paga seus salários. O governo é mero repassador e ele, também, deveria ter a noção de que é responsável pelo caos gerado pelas paralisações.

A Justiça trabalhista entrou em cena e tomou duas decisões. Na dos bancários, está obrigando o atendimento de duas horas diárias nas agências e postos de atendimento das instituições bancárias, conveniadas e estabelecidas nos órgãos do Poder Judiciário Estadual e Federal, isso para o pagamento de alvarás judiciais durante a greve dos bancos. Numa outra decisão votou pela ilegalidade da greve dos policiais, categoria considerada no rol dos serviços essenciais, ao mesmo tempo em que ameaça punir caso os policiais não voltem ao batente. Uma coisa é certa: é preciso encontrar um modelo em que servidores possam pressionar seus patrões, sem que para isso o usuário, o consumidor, enfim o cidadão sofra as consequências dessa beligerância entre parões e empregados.

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Histórias da ditadura: Os 100 rifles que detiveram empresário cearense

Por Nonato Albuquerque em MEMÓRIA

24 de setembro de 2016

Manhãs de sábado sempre nos reservam tempo para doistões de conversa com gente que gosta de cinema. É na Distrivídeo, onde Marcelo Arrais costuma dar plantão e contar/ouvir pessoas discutindo coisas relacionadas à Sétima Arte. Hoje, ele me contou um fato curioso ocorrido com seu pai durante os tempos da ditadura militar. E resolvi postá-lo para mostrar como agiam os integrantes do regime ditatorial.
O pai dele, Maurílio Arraes, empresário de cinema no Ceará, chegou a ser detido na estação João Felipe, por estar esperando do Recife uma carga de 100 rifles, segundo informaram os arapongas do regime.
Eram os anos 60, tempo da ditadura militar, e por ter Arraes no sobrenome – os milicas pensavam, também, tivesse ele alguma relação com o comunista Miguel Arraes. E ainda mais: os cem rifles vinham de Pernambuco…
Na verdade, ele aguardava era a chegada dos rolos do filme “100 Rifles”, com Jim Brown e Rachel Welch, que costumavam vir de trem da capital pernambucana para exibição no Cine Ventura, de sua propriedade. Nesse tempo, os trens da RVC iam até Arrojado, na Paraíba e passgeiros e mercadorias faziam baldeação (!) com os trens pernambucanos.

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Houve um tempo no mundo…

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

23 de setembro de 2016

Houve um tempo em que as pessoas viviam emburradas umas com as outras. Por qualquer motivo ficavam enraivecidas. Brigavam por nadinha, além de cometer roubos enormes.

Houve um tempo em que a bondade chegou a virar peça rara no cotidiano das pessoas. Poucas pessoas eram bondosas. Ninguém ajudava a ninguém, a não ser que fosse para garantir algum benefício em troca. Falava-se muito de Deus, mas quase ninguém se aplicava a obedecer as regras de seus mandamentos. Amar o próximo. Não matar, não roubar…

Houve um tempo no mundo em que se roubava sonhos e ideais e que as pessoas brigavam por causa de religiões. Nesse tempo, os homens do Poder faziam tudo para se tornarem mais ricos, enquanto a grande massa se empobrecia ainda mais. Com isso, a miséria imperava; o crime se organizava; o combate ao mal era inócuo e a Justiça era morosa demais para resolver os casos.

Houve um tempo em que a palavra empenhada já não valia tanto e, por isso, as pessoas desconfiavam até das suas sombras.

Houve um tempo em que a falta de segurança era tanta, que as pessoas não podiam mais sair de casa com medo de serem vítimas de assalto na esquina ou no próximo sinal. Roubava-se a granel. Matava-se a três por quatro. Sem motivo nenhum. Nesse tempo, até as igrejas perderam o sentido de formação moral da alma para se transformar em empresas de lucros e dividendos.

Houve um tempo em que as pessoas viviam infelizes, por não terem tudo o que queriam e nem serem tudo o que podiam. Por mais incrível que pareça, houve um tempo em que tudo isso aconteceu. E esse tempo, senhores e senhoras, é hoje.

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A dor que nos une

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

16 de setembro de 2016

pegadas

 

“A vida é como pegadas de um passarinho na neve. Você olha, estão lá. Olha de novo, não estão mais.”

Da Fu, poeta, dinastia Tang.

A dor, seja ela de que origem for, é algo que remete a criatura humana a sua pequenez. Por mais forte que alguém se considere, que tenha poderes e haveres, basta aparecer uma unha encravada para se revelar o medo que angustia a alma humana. Os pensadores famosos já diziam “todo mundo é capaz de dominar uma dor, exceto quem a sente”. Nunca houve uma só pessoa que conseguisse suportar pacientemente uma dor de dentes. Por isso, a dor rebaixa os orgulhosos. A dor enfraquece os corajosos. A dor revela a fragilidade do mais forte dos seres.

São Francisco, o santo amado dos pobres, considerava a dor como uma irmã que vem rebaixar aqueles que se acham donos do mundo. Ela não faz nenhuma restrição a credo, raça e cor. Sofrem dores, tanto crentes quanto ateus. Tanto ricos quanto os miseráveis. Todos passam por dores físicas ou dores morais, que desalentam ainda mais a alma. A perda de um ente querido, por exemplo, é o momento em que a dor mais se faz presente. E ela, por incrível que pareça, consegue nessas horas unir as pessoas através da solidariedade. É na dor das tragédias, causadas por terremotos, enchentes e grandes incêndios, que a alma humana mais se comove e consegue promover a ajuda, o auxílio. É aí que a dor se faz irmã.

São em momentos de grande comoção, como o da perda de uma figura da cultura artística como a que vive o País em relação a Domingos Montagner, que se tem a percepção de que a dor nos coloca à prova e nos faz refletir sobre a brevidade da vida física e essa etapa seguinte, a que todos teremos que embarcar, a morte. Nessas horas, o homem gostaria de entender um pouco mais o que o Grande Arquiteto do Universo pretende nos dizer retirando do cenário da Terra pessoas que privam de nossa estima ou que, momentaneamente, fizeram parte do mundo que nos cerca. Quando cumulamos a dor dos outros é sinal de que nossos sentimentos estão amadurecidos e, com ela, respeitamos aos que sofrem, a nos revelar a nossa enorme fragilidade. É que a dor é mestra e, nessas horas, nos faz colocar em nosso devido lugar.

 

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O pensamento forja as asas dos anjos e cria as correntes que nos atam ao chão

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

14 de setembro de 2016

O infortúnio de todo ser humano é fruto das ações de cada indivíduo. Somos os responsáveis pelos nossos atos. Alguém que tenha um cargo público e tira dele proveito para si, sem atender aos requisitos de servir ao cidadão que lhe paga o salário, é alguém que trai as convicções de quem o elegeu.

Se tomarmos o caso Eduardo Cunha, cassado na madrugada de hoje pela Câmara, teremos uma microvisão de como se comporta o ser humano. Cunha era considerado o todo poderoso. Tinha ao seu lado, a maioria dos deputados que obedeciam religiosamente ao seu mando. No cargo, pelo que se conclui, ele chegou a se locupletar e indiciado pela comissão de ética, acabou perdendo o mandato. Na tentativa de defender o cargo, vociferou contra tudo e todos, achando que estavam cometendo um ato injusto com ele. Na hora da verdade, o que se viu foi a debandada de todos os seus ‘amigos’ que preferiram votar contra ele, temendo a reação popular diante do apelo das vozes das ruas.

É nessa hora que se consubstancia em verdade, a velha expressão: o poder é do povo e emana do povo. Por mais que alguns esqueçam essa verdade, sempre surge a hora da cobrança. E o resultado dela vem através das consequências do que se plantou. Quem planta ventos, diz o velho ditado, colhe tempestades. Somos os construtores do nosso destino. O infortúnio que recolhemos é resultado de nossas ações e dos nossos pensamentos. É sempre bom lembrar que o pensamento é quem forja as asas dos anjos ou criam as correntes que nos atam ao chão. Pense nisso. ///

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A cidade precisa recuperar a qualidade de seu nome

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO, SEGURANÇA

14 de setembro de 2016

Uma cidade que se torna alvo da violência tem grandes possibilidades de atormentar seus moradores, causando-lhes danos. Atormentada pelo medo e pela angústia de ser assaltada ou morta na próxima esquina, a população busca refúgio em suas casas, transformando-as em verdadeiras fortalezas, perdendo de vista o comum que é circular com tranquilidade por suas ruas e avenidas.

Alvo constante da ação de agentes do mal, os comerciantes refletem esse mesmo tipo de preocupação e investem seus negócios em equipamentos como grades, câmeras, além da força presencial de seguranças com o fito de salvaguardar seu patrimônio. Não se dá um passo hoje em dia em Fortaleza que não tenha a cobertura de câmeras flagrando, principalmente, atos desabonadores cometidos à luz do dia. As redes sociais estão repletas de imagens revelando o instinto covarde de quem busca mexer no alheio ou promover atos de vingança. Bancos se tornaram locais de temor para quem reside na vizinhança por conta das explosões de caixas eletrônicos promovidas por bando de quadrilheiros.

Afora tudo isso, há ainda os que roubam a paciência de quem trafega pelas ruas, desrespeitando as leis de trânsito, ao mesmo tempo em que revelam o baixo nível educacional para se comportarem ao volante de um carro.

A cidade que tem nome de Fortaleza precisa recuperar essa qualidade. É competência do governo, dirão alguns, no que concordamos. Mas que não se espere apenas e tão somente do poder público, a tarefa que compete a cada cidadão. Procurar ser bom, honesto, disciplinado. Viver corretamente. Ser exemplo de honradez para que isso sirva de modelo. Viver dentro dos princípios morais e éticos, que nos capacitem a uma convivência harmoniosa, onde ninguém precise tirar do outro, o que o outro construiu à força do suor e à luz do conhecimento.

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A Lei do Silêncio não tem voz ativa

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

06 de setembro de 2016

psiuQuem se lembra da velha Lei do Silêncio que, erroneamente, as pessoas achavam de cumpri-la somente depois das 10 da noite? Ela foi deletada? Nunca mais ninguém falou dela. Pelo menos, a sua aplicação não se faz sentir nos dias de hoje. Nem mesmo depois das 22 horas. E olha que essa tem sido a maior queixa das pessoas junto ao 190, o telefone de socorro da Polícia. Poluição sonora em Fortaleza gera 614 denúncias por dia. Só no ano passado foram 87 mil 562 reclamações de perturbação do sossego.

Ninguém ouve um só representante político falar disso no púlpito da Câmara ou até mesmo discutir o tema nas campanhas políticas, onde o barulho que mais se ouve é a ladainha de promessas dos candidatos.

O som gerado pelos malfadados paredões, a zoada perturbadora da buzina dos automóveis, motos com descargas alteradas, casas de show sem abafadores, igrejas com religiosos inconvenientes e o bate-estaca das construções civis martelando os ouvidos da gente o dia todo, tudo isso nos inferniza. A lei do silêncio não é para ser obedecida só depois das 22. É a qualquer hora do dia, pois existem os limites legais a serem respeitados.

Até um tempo atrás, existia em Fortaleza o serviço do Disque-Silêncio. Você ligava para reclamar do vizinho barulhento e tinha a esperança de que eles tomaram providência. Hoje o ‘Disque silêncio” emudeceu. A pessoa tem que ligar para a Polícia que, diante do assombroso volume de chamadas para conter a criminalidade, quase sempre descarta uma pronta providência em relação aos casos de poluição sonora.

A velha Lei do Silêncio parece um membro da família jurídica que foi largada em algum asilo de leis abandonadas. Ruas se modernizam para atender a mobilidade urbana, mas não se tem uma placa próxima a um hospital dizendo para se evitar a buzina. Nos condomínios, as reuniões só tratam de cobrar taxas extras e ninguém se perturba com o barulho que se faz. Estamos incomodado com a poluição estressante dessa cidade e a completa inoperância das autoridades. Por isso, queremos saber se você consegue dormir com um barulho desses.

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V de violência

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

02 de setembro de 2016

O mal de que mais se ressente a humanidade é a violência. Entranhada na alma humana, essa herança de Caim arrasta-se com o homem pela face da Terra através da História. Todos somos vítimas dela. Pior do que a AIDS, do que o câncer ou qualquer outra moléstia, a violência tem detonado milhares e milhares de pessoas. E só será possível ser controlada quando cada um, vencer a fera que reside em nós.

Essa fera se alimenta de ódio, de vingança, de inveja, de ciúme e do orgulho, ingredientes que são comuns na mente daqueles que ainda não conseguiram conter seus ímpetos de animalidade. À semelhança de uma hidra, aquele monstro mitológico de vários tentáculos, ela ganha força em nós, a partir mesmo de uma cultura impregnada de estímulos. Quando pequenos, quantos de nós fomos embalados por cantigas de ninar marcadas com motivos de violência. ‘Dorme neném que a cuca vai pegar”; ‘boi boi boi da cara preta, pega essa criança que tem medo de careta’. A cultura do medo sendo introjetada desde o berço.

Nas cantigas de roda, mais violência. “O cravo brigou com a rosa’. É algo violento sendo disseminado às mentes infantis. “Atirei o pau no gato e o gato não morreu…” é pura violência. ‘Escravos de Jó, jogavam caxangá… guerreiros com guerreiros zigue-zigue, ziguezá…”

Se formos atrás onde existem mais apelos a violência, iremos encontrá-los até nos ingênuos ‘desenhos animados’ da tv. O que é o Tom e Jerry senão uma pura injeção de animosidade semeada na mente em formação dos pequenos, com um gato e um rato disseminando ódio o tempo inteiro?

A alma humana, esse profundo poço de mistério, vai assimilando toda essa fornada da cultura violenta e, daqui a pouco, o que foi digerido acaba sendo revertido em situações quando nosso ego chega a ser confrontado. E nada é mais sintomático para provocar nosso instinto animal do que o orgulho ferido. A vaidade humilhada. O ‘sabe com quem está falando’?… Quando não sabemos controlar os nossos ímpetos, a reação vem intempestivamente. O veneno da violência nos sobe a cabeça; nos cega a vista; fecha o nosso punho, arrasta nossa mão em busca de um objeto qualquer, uma arma e agimos como nunca havíamos imaginado.

Esse mal tem cura. É um exercício diário de auto-conhecimento. De auto-controle. De se pensar mil vezes antes de tomar uma atitude negativa. Por isso é preciso deter em nós, o egoísmo aviltante. A fúria implacável. O ódio ressentido. A inveja indesejável. O ciúme doentio e, prioncipalmente, o orgulho desenxabido. Eles têm uma força enorme a nos convidar a cometer loucuras. Todas essas loucuras que lemos todos os dias nas manchetes. E que podem ser consideradas uma verdadeira barra pesada.

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V de violência

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

02 de setembro de 2016

O mal de que mais se ressente a humanidade é a violência. Entranhada na alma humana, essa herança de Caim arrasta-se com o homem pela face da Terra através da História. Todos somos vítimas dela. Pior do que a AIDS, do que o câncer ou qualquer outra moléstia, a violência tem detonado milhares e milhares de pessoas. E só será possível ser controlada quando cada um, vencer a fera que reside em nós.

Essa fera se alimenta de ódio, de vingança, de inveja, de ciúme e do orgulho, ingredientes que são comuns na mente daqueles que ainda não conseguiram conter seus ímpetos de animalidade. À semelhança de uma hidra, aquele monstro mitológico de vários tentáculos, ela ganha força em nós, a partir mesmo de uma cultura impregnada de estímulos. Quando pequenos, quantos de nós fomos embalados por cantigas de ninar marcadas com motivos de violência. ‘Dorme neném que a cuca vai pegar”; ‘boi boi boi da cara preta, pega essa criança que tem medo de careta’. A cultura do medo sendo introjetada desde o berço.

Nas cantigas de roda, mais violência. “O cravo brigou com a rosa’. É algo violento sendo disseminado às mentes infantis. “Atirei o pau no gato e o gato não morreu…” é pura violência. ‘Escravos de Jó, jogavam caxangá… guerreiros com guerreiros zigue-zigue, ziguezá…”

Se formos atrás onde existem mais apelos a violência, iremos encontrá-los até nos ingênuos ‘desenhos animados’ da tv. O que é o Tom e Jerry senão uma pura injeção de animosidade semeada na mente em formação dos pequenos, com um gato e um rato disseminando ódio o tempo inteiro?

A alma humana, esse profundo poço de mistério, vai assimilando toda essa fornada da cultura violenta e, daqui a pouco, o que foi digerido acaba sendo revertido em situações quando nosso ego chega a ser confrontado. E nada é mais sintomático para provocar nosso instinto animal do que o orgulho ferido. A vaidade humilhada. O ‘sabe com quem está falando’?… Quando não sabemos controlar os nossos ímpetos, a reação vem intempestivamente. O veneno da violência nos sobe a cabeça; nos cega a vista; fecha o nosso punho, arrasta nossa mão em busca de um objeto qualquer, uma arma e agimos como nunca havíamos imaginado.

Esse mal tem cura. É um exercício diário de auto-conhecimento. De auto-controle. De se pensar mil vezes antes de tomar uma atitude negativa. Por isso é preciso deter em nós, o egoísmo aviltante. A fúria implacável. O ódio ressentido. A inveja indesejável. O ciúme doentio e, prioncipalmente, o orgulho desenxabido. Eles têm uma força enorme a nos convidar a cometer loucuras. Todas essas loucuras que lemos todos os dias nas manchetes. E que podem ser consideradas uma verdadeira barra pesada.