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MOUSE OU MENOS

por Nonato Albuquerque

agosto 2016

Cabeça foi feita pra quê mesmo?

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

31 de agosto de 2016

Ninguém vive no mundo sem levar em conta as consequências de seus atos. Por isso é sempre bom, avaliar o que se faz e o que se diz para evitar efeitos nocivos. Se você vai disputar uma vaga em concurso, claro que é necessário estar bem preparado para a prova. A quem planeja uma viagem, tem que se informar previamente sobre o roteiro e dicas importantes. Quando se vai fazer uma compra, qualquer que seja ela, a pessoa tem que se cercar de todos os cuidados para evitar que venha se arrepender depois. Em tudo o que se diz e em tudo o que se faz é preciso prudência. Para isso é que temos cérebro. Para pensar, antes de agirmos por instinto.

Hoje em dia é muito comum ver pessoas tomando posições sem a menor avaliação prévia do que fazem; numa clara demonstração de que agem por agir. Sem pensar. Sem avaliar o peso disso. Diante do miserável que cometeu um erro e ante a ação violenta de alguém que o agride, dezenas de pessoas seguem a atitude impensada de serem ‘maria vai com as outras’. Usam de violência como forma de justiça.

A lei mosaica, cognominada de pena de talião, que assalta a mente dos que não pensam antes de agir, é algo inconcebível. Porque revela a face do ignorante que toma decisões sem pensar, só porque os outros agem assim, ele também imita. Perdemos o senso da razão. A virtude de pensar por si mesmo. A iniciativa de sermos o que somos e não apenas fantoche de outros, procurando consertar os erros com outros erros de igual monta.

Quem combate violência com violência é alguém que não saber usar o seu cérebro e avaliar bem as suas atitudes. Não se deve agir por emoção e instinto. Só os que não aprenderam a pensar assim o fazem. Agem feito bicho bruto – o que não condiz com a condição humana.

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Procura-se bons samaritanos

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

30 de agosto de 2016

Procura-se insistentemente alguém com os predicados do bom samaritano. Lembram-se dessa parábola? A exemplo do que diz o excelente texto postado no Momento Espírita, “o mundo nunca precisou tanto de novos samaritanos como necessita neste momento. Quem se candidata? Quem é capaz de interromper sua caminhada e ajudar um total estranho? De se importar com pessoas que não vão lhe agradecer, que não vão lhe retribuir, mas pelo simples senso de obrigação moral? De suportar, quem sabe, até a ingratidão, de se esconder no anonimato, de ser visto como politicamente correto – alvo de chacotas. Quem se habilita?

“O mundo está recrutando novos samaritanos. Nem todos precisam ter denários para doar, apenas tempo para cuidar, atenção para conceder, carinho para acalmar. Recrutam-se novos samaritanos. Alguns com a habilidade de derramar óleo e vinho sobre as feridas da alma, através de palavras de otimismo, através de ouvidos atentos ou mesmo de um abraço apertado.

“Necessitamos de novos samaritanos, que não se importem com cor, raça, religião. Felizmente há muitos que atendem a esse convite. Não os vemos se vangloriando por aí, pois são discretos. Não os assistimos ganhando foco em noticiários. Mas eles trabalham semeando o amor, a fraternidade, a união.

“Não são dessa ou daquela religião, são de todas. Não são deste país ou daqueloutro, são de todos. Não são profissionais dessa ou daquela área, são de todas.

“Anônimos, que dedicam um pouco de seu tempo para amparar os caídos, que não questionam porque caíram, que não julgam, que não fazem perguntas – só amparam. E isso é o que aqueles que estão em sofrimento profundo e que precisam de amparo, mais querem no mundo: alguém que se importe e se volte para eles. Quem se candidata a ser um novo samaritano? As vítimas de todo tipo de violência, os aguardam. Em qualquer lugar. A qualquer hora”.

(enxertos do Momento Espírita

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EU PENSO POESIA

Por Nonato Albuquerque em POESIA

27 de agosto de 2016

Liberdade dos ventos
de Nonato Albuquerque para Francisco Carvalho (in memorian)

Eu tenho a idade longeva das pedras
E o peso acumulado de muitas nuvens.
Faço o caminho nada secreto das águas
Na companhia agradável do silêncio.

Em meu refúgio, as andorinhas hibernam
do cansaço angustiante de muitos voos,
E, solenes, as vacas remoem as horas
que se derramam na paisagem vespertina

Eu sou de mouroes antigos, currais de gado
De ruminantes entardeceres nessa jornada
Marcado a ferro e brasa pelos meus donos.

Um dia qualquer, almejo derrubar as cercas
E ganhar o mundo, para que em outros pastos
Eu venha alcançar a liberdade dos ventos.

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O desafio das olimpíadas

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

22 de agosto de 2016

O Brasil melhorou a sua auto-estima. As Olimpíadas do Rio podem ser responsáveis por esse tento. Não que tenhamos resolvido os nossos problemas; mas voltamos a incorporar o sentimento de esperança do qual nunca abdicamos. O país que atravessa uma fase de contendas políticas e crise de confiança, pelo desempenho lamentável de seus dirigentes, conseguiu reverter um pouco essa situação de instabilidade e fez uso de sua melhor força – a força de sua cultura – para alterar um pouco toda aquela imagem desconcertante.

Durante os 17 dias em que o Rio sediou os jogos olímpicos, a cidade maravilhosa aclimatou uma expectativa de festa, que transcendeu a sua geografia para ampliar-se para todo o País. Evidente que os críticos reclamarão de que continuamos a viver o azedume da legenda ‘panis et circenses’ – pão e circo -, mas a nação gratificou-se, uma vez mais, por projetar a sua alma gentil e guerreira.

Na tabela de medalhas, o nosso posicionamento ainda se ressente de uma melhor performance; mas que se tome por base esse momento de criatividade para aperfeiçoamos o trato que se deve dar ao esporte. O apoio a que devemos dar aos nossos jovens, com vista a que no futuro eles possam contribuir para melhor o ‘ranking’ de nossas apresentações. Quando tivermos mentes e corações voltados para esse desafio, essa geração que vive alucinada pela ilusão dos vícios, matando e morrendo gratuitamente, abraçará um novo sentido na vida, capaz de lhes render conquistas a que toda alma sonha: a do progresso de sua gente, tanto esportiva quanto socialmente. A Rio 2016 termina com esse desafio.

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Amanhã, quase sempre é muito tarde

Por Nonato Albuquerque em Sem categoria

19 de agosto de 2016

Estamos sempre deixando para depois p que deveria ser feito hoje.

A dieta restauradora para chegarmos ao peso ideal.

O compromisso adiado em função, as vezes, de falta de vontade.

O pedido de perdão a quem faltamos com o dever.

Sempre deixamos para amanhã.

Deixamos para amanhã a caminhada saudável, ; a visitação a alguém de nossa estima; a promessa do abraço; o desejo de ir a um encontro, o instante de começar a agir de forma correta. E aí,  vem o amanhã  e nos defrontamos com essa afirmação de Meimei: amanhã,  quase sempre é muito tarde.

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A olimpíada da vida que todos nós disputamos

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO, COMPORTAMENTO

16 de agosto de 2016

A vida humana se assemelha muito com um desafiante jogo de superações. Uma espécie de Olimpíada. Estamos constantemente vivendo uma grande disputa. A disputa pela excelência da vida. Cada um de nós, pode muito bem ser identificado como um atleta. Buscamos atingir metas. Objetivos. Os atletas desse campeonato buscam mérito de sobrevivência nesse admirável jogo de superações. A exemplo das modalidades esportivas como a das Olimpíadas do Rio, cada um de nós vem ao mundo para enfrentar os desafios do cotidiano e conseguir obter bons resultados, a partir de muito treinamento e prática. Sem esforço, nada se consegue.

Há os que nascem dispostos a potencializar suas energias físicas em favor de objetivos que envolvam, principalmente, a vitória sobre as suas deficiências. E se levarmos em conta os desafios de ordem moral, cada conquista merece medalha. Os que vencem os obstáculos da impaciência. Os que que conseguem saltar as barreiras de suas falhas morais, responsáveis por esse rastro de misérias que assolam as manchetes do dia-a-dia. Em tudo e por tudo é preciso engajamento ao que se deseja obter. Por isso, como em toda disputa, é necessário preparo, exercício. Sem cansaço, suor e lágrimas, nada se consegue.

Conta muito o esforço pessoal e, claro, a ajuda de parceiros. O pódio daqueles que detinha vícios e conseguiram se superar, só é alcançado pelos que, realmente, focam seus objetivos em vencer não os outros, mas a si próprio. Para alguns, vencer seus defeitos é tarefa dificil de ser atingida e, por isso, alguns chegam a desistir no meio do caminho. O bom atleta, porém, não foge da raia. Aprimora-se nas derrotas e humilda-se nas vitórias, por entender que todos os indivíduos buscam o aprimoramento da alma nesse jogo da vida. O tempo conta, é verdade; mas só é vitorioso os que são determinados à disputar – sem fraquejar. Por cima de todas as dificuldades.

Como um bom desafiante da natação, no jogo da vida é preciso mergulhar de cabeça no intuito de vencer esses desafios que surgem à nossa frente: o do egoísmo. O do orgulho. O da preguiça. E, principalmente, vencer o ódio – esse germe que se encontra adormecido em nosso interior e que é despertado sempre ao menor sinal de inquietação que alguém nos faça. Os que se irritam facilmente e não conseguem sustar as ameças da agressividade, são os atletas que correm em busca de vencer a violência. Quem consegue se manter pacífico diante de toda essa onda de violência, merece a medalha da superação e passa a ser um herdeiro da Terra: bem aventurados os mansos e os pacíficos pois eles herdarão a Terra, disse um mestre maior nessa caminhada terrena. É preciso vencer esses desafios. A vida é uma barra pesada, sim; mas para vencê-la basta se candidatar à modalidade do Bem. Praticando-o em favor do próximo. No Bem residem os louros da vitória. No Bem, estão as medalhas que vão honrar todo atleta que se dispuser a ser o melhor na vida.

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O brasileiro sabe aproveitar bem os feriados?

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

15 de agosto de 2016

O que é que você faz num feriado como esse? Tem gente que descansa. Outros trabalham. Muitos não sabem aproveitá-lo. Um feriado religioso sugere uma chance de se atender às obrigações daqueles que professam algum tipo de fé. Uma parte dos fiéis consegue isso; mas um número bem maior aproveita a data para o ‘dolce farniente’ – o fazer nada, principalmente, quando cai em feriado prolongado como esse da padroeira de Fortaleza. Claro que ninguém é contra o lazer, indispensável ao refazimento das forças de toda pessoa que trabalhe e que precisa disso. O que se deseja comentar sim, é maneira tresloucada como dias assim são aproveitados. Há os que bebem além da conta. Os que se irritam por nada e passam a agredir e agredir-se. O que dizer dos que dirigem sem a prudência necessária. Os que movidos pelo álcool se desencaminham no trânsito. Mata-se e morre-se de maneira gratuita e intrigante.

É tudo uma questão cultural. Não aprendemos a fazer constar em nossa agenda de entretenimento, programações culturais que nos enriqueça a mente e o espírito. Pouco se vai a um museu, a uma exposição de arte. Os teatros oferecem espetáculos onde é possível se divertir e se aprimorar em conhecimento. Quando elegemos o cinema como forma de diversão, buscamos sempre títulos ligados à práticas violentas. Por isso, os dias que sucedem aos feriados serem marcados por números trágicos.

É sempre bom lembrar que todos nós precisamos de um equilíbrio espiritual para dar sustentação a essa roda-viva da matéria. Qualquer que seja a denominação religiosa, todos precisamos de algo que nos ligue à alguma crença. A própria Ciência admite que a fé é uma força potencial a auxiliar até mesmo a saúde dos indivíduos. Pesquisas científicas têm demonstrado ser grande o índice de recuperação de pacientes que estavam em situação difícil e quando alimentados por alguma crença, reverteram seus quadros de gravesmoléstias. Crer, portanto, traz benefícios a quem tem uma postura de olhar a vida de maneira positiva. De encarar os problemas como desafios a serem vencidos. Por isso, qualquer que seja a religião que alguém professe, que o faça com os sentimentos do amor ao próximo; da caridade para com todos e, principalmente, de respeito a sua própria individualidade.

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A um indesejável visitante que nos oprime

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

13 de agosto de 2016

A gente convive com tantos casos onde o fenômeno morte está presente que resolvemos divindir com vocês um texto sobre perda de entes queridos, diante do grande número de pessoas que enfrentam, momentos difíceis como o dessa passagem.

“Você já percebeu que, sempre que o noticiário nos mostra as tragédias do mundo, acreditamos que nada semelhante jamais nos atingirá? Já se deu conta de que, normalmente, partilhamos a ideia de que o mal somente chegará à casa do vizinho? Com esses conceitos, vivemos despreocupados. Nem sempre utilizamos a prudência que nos seria devida para nos furtarmos de certos acontecimentos inconvenientes. Quando a morte ronda os lares, continuamos a acreditar que o nosso está protegido dessa megera terrível. Por isso, quando ela chega, é sempre uma surpresa para nós. Mas, ninguém foge à morte. E seria importante que, a respeito dela, meditássemos um pouco a cada dia.

De um modo geral, consideramos a morte sempre como indesejada. Os que temos nossos amores envoltos em enfermidades, não nos cansamos de estabelecer novas trincheiras de combate, a fim de lhes devolver a saúde. Todos os que amamos se fazem preciosas presenças e, por isso, não desejamos que partam.

Os pais esperam seguir antes dos filhos, que não almejam morram seus amigos, conhecidos, colegas. No entanto, a morte é inexorável para todos. E, como disse Jesus, ninguém sabe o dia, nem a hora, senão o Pai que está nos céus. Importante, dessa forma, que nos conscientizemos que estamos no mundo de passagem. Por mais se alonguem os anos, por mais a ciência progrida e estabeleça parâmetros mais dilatados de longevidade humana, um dia, a morte chegará. Por isso, guardemos a sabedoria de viver intensamente cada dia, de saborear cada momento com os pais, os filhos, o cônjuge.

Dediquemos tempo aos nossos amigos, permitamo-nos parar para ouvir o colega, o vizinho. Tudo para que, quando a morte nos arrebate, os que ficarem possam ter doces lembranças da nossa presença a lhes suavizar a saudade dos dias. E, se nossos amores antes forem, possamos guardar a certeza de que não desperdiçamos nenhum momento ao seu lado”.

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Pequenas advertências para engrandecer almas afins

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO, COMPORTAMENTO

03 de agosto de 2016

Como é mesmo aquele provérbio antigo? “Não há mal que sempre dure, nem bem que não se acabe”. Na verdade, o mal é apenas a ausência do bem. O bem anda atravancado no íntimo das pessoas. Pode olhar como tem gente indisposta, falando mal das coisas, destratando pessoas, assumindo um rei na barriga como se o poder, que detenham provisoriamente, seja uma coisa eterna.
Há pessoas infelizes que vêem o mundo pelos seus olhos infelicitados. O ser humano é um projeto mal acabado, que precisa da ajuda de cada um para se aperfeiçoar.

Somos um poço de mistérios. Você pode ver, como ninguém se conhece diante de uma situação indesejável. Basta uma pessoa pisar no seu calo; dizer uma palavra fora de ordem, para que o monstro que é alimentado em nosso interior, acorde e reaja da maneira mais impensada do mundo.
Por isso, é sempre bom ter à vista a certeza de que nada é eterno. Tudo passa. Que se você sofre algum tormento, isso logo cessará quando você mesmo decidir buscar ajuda. Ninguém é um ilha para viver sozinho. Todos precisamos de auxílio.

Quando você assume um posto de trabalho, sob cuja dependência estão dezenas de outras pessoas, você não é mais importante do que os outros. Líder é o que tem humildade e sabedoria de reconhecer os seus erros, aprimorando-se e não se sustentando na impressão de que só quem sabe de tudo é você.

Você é parte de uma escrita do seu livro da Vida. E a vida tem muitas estórias. Muitas pessoas.
Não é o seu dia aziago, negativo, desordenado, que deve ser repassado aos outros. Quem tem problemas de um dia estar bem e no outro andar com a cara amarrada, precisa de cuidados. De médico. As doenças da alma são mais terríveis que aquelas que atacam o corpo.

Busque ser melhor. Busque ter vida. E não fazer da vida dos outros, uma desgraça.

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Quem manda nos presídios são os presos?

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO, SEGURANÇA

02 de agosto de 2016

A desgraceira que nós cearenses chegamos a conhecer via ataques a órgãos públicos, rebeliões em presídios, fugas de detentos, ônibus incendiados e ameaças até ao governador caso ele implantasse os bloqueadores nas unidades prisionais, parece ter se mudado literalmente de armas e bagagens para o vizinho estado do Rio Grande do Norte. Reforçada pela audácia dos bandidos, a ação marginal repetiu em doses mais acentuadas o mesmo roteiro de implantação do caos em Natal e em outras 25 cidades. A população se viu sitiada, com medo de atender até mesmo ao habitual ir e vir para os seus compromissos. Ônibus incendiados, delegacias metralhadas – tudo isso está gerando pânico na capítal potiguar, a ponto de o governo ter recorrido às forças do Exército para tentar impor a ordem.

Num País, onde o sistema penitenciário foi sempre tratado a toque de caixa, sem nenhuma preocupação das autoridades, essa explosão de violência é apenas o resultado da falta de políticas para requalificar esses depósitos humanos. Nunca ninguém viu uma autoridade, seja do Executivo, Legislativo ou Judiciário, se mostrar preocupada com a legião de criminosos que viviam ao deus-dará, sem a aplicação de normas regulamentares que pudessem controlar suas ações no interior dos presídios.

Sem donos e sem lei, os presos passaram a se organizar melhor do que os dirigentes das penitenciárias, maioria deles fruto da indicação de conchavos políticos, ainda que se saiba que ninguém alcança voto de quem está custodiado pelo Estado. E aí é que está o X do problema.

Os que dirigem as penitenciárias, nem sempre têm a convicção de que prestam um dos serviços mais importantes ao País, no trato de quem cometeu um erro e precisa ser recuperado. O objetivo das prisões é esse. Mas, ao que parece, os responsáveis pelo sistema estão lá para preencher espaço, cumprir tabela, passar o tempo,e atender ao que pedem os mandatários da hora.

Enquanto o sistema penitenciário não for visto como uma área que precisa de programas de requalificação, os presos é que vão dar as ordens. Enquanto persistir essa visão arcaica de que toda prisão deva ser apenas masmorras recicladas para receber a escória da sociedade, nós vamos continuar com esse desastre administrativo. E as consequências todas que estamos a assistir.

Com isso, não se pretende a implementação de uma política que privilegie presos; não. Ninguém defende que presídio seja estação de descanso ou hotéis cinco estrelas. De maneira alguma. Está se pedindo é mais rigor no aspecto de gerenciamento desses núcleos. Há necessidade de que se implante normas, regras. E que elas sejam obedecidas, na prática não se tornando apenas letra morta como tem sido a maioria dos projetos ambientada nessa área. Ou se repensa o caso dos presídios ou vamos nos tornar prisioneiros desse inferno a que estão se transformando as cidades.

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Quem manda nos presídios são os presos?

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO, SEGURANÇA

02 de agosto de 2016

A desgraceira que nós cearenses chegamos a conhecer via ataques a órgãos públicos, rebeliões em presídios, fugas de detentos, ônibus incendiados e ameaças até ao governador caso ele implantasse os bloqueadores nas unidades prisionais, parece ter se mudado literalmente de armas e bagagens para o vizinho estado do Rio Grande do Norte. Reforçada pela audácia dos bandidos, a ação marginal repetiu em doses mais acentuadas o mesmo roteiro de implantação do caos em Natal e em outras 25 cidades. A população se viu sitiada, com medo de atender até mesmo ao habitual ir e vir para os seus compromissos. Ônibus incendiados, delegacias metralhadas – tudo isso está gerando pânico na capítal potiguar, a ponto de o governo ter recorrido às forças do Exército para tentar impor a ordem.

Num País, onde o sistema penitenciário foi sempre tratado a toque de caixa, sem nenhuma preocupação das autoridades, essa explosão de violência é apenas o resultado da falta de políticas para requalificar esses depósitos humanos. Nunca ninguém viu uma autoridade, seja do Executivo, Legislativo ou Judiciário, se mostrar preocupada com a legião de criminosos que viviam ao deus-dará, sem a aplicação de normas regulamentares que pudessem controlar suas ações no interior dos presídios.

Sem donos e sem lei, os presos passaram a se organizar melhor do que os dirigentes das penitenciárias, maioria deles fruto da indicação de conchavos políticos, ainda que se saiba que ninguém alcança voto de quem está custodiado pelo Estado. E aí é que está o X do problema.

Os que dirigem as penitenciárias, nem sempre têm a convicção de que prestam um dos serviços mais importantes ao País, no trato de quem cometeu um erro e precisa ser recuperado. O objetivo das prisões é esse. Mas, ao que parece, os responsáveis pelo sistema estão lá para preencher espaço, cumprir tabela, passar o tempo,e atender ao que pedem os mandatários da hora.

Enquanto o sistema penitenciário não for visto como uma área que precisa de programas de requalificação, os presos é que vão dar as ordens. Enquanto persistir essa visão arcaica de que toda prisão deva ser apenas masmorras recicladas para receber a escória da sociedade, nós vamos continuar com esse desastre administrativo. E as consequências todas que estamos a assistir.

Com isso, não se pretende a implementação de uma política que privilegie presos; não. Ninguém defende que presídio seja estação de descanso ou hotéis cinco estrelas. De maneira alguma. Está se pedindo é mais rigor no aspecto de gerenciamento desses núcleos. Há necessidade de que se implante normas, regras. E que elas sejam obedecidas, na prática não se tornando apenas letra morta como tem sido a maioria dos projetos ambientada nessa área. Ou se repensa o caso dos presídios ou vamos nos tornar prisioneiros desse inferno a que estão se transformando as cidades.