Fevereiro 2016 - MOUSE OU MENOS 
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MOUSE OU MENOS

por Nonato Albuquerque

Fevereiro 2016

A violência de cada um na contabilidade geral

Por Nonato Albuquerque em SEGURANÇA

29 de Fevereiro de 2016

A gente tem reclamado de que somos um Estado onde o índice de violência tem colocado Fortaleza na liderança e, quase sempre, existem pessoas que julgam ser falta de políticas públicas que possam minimizar o problema. Pode até ser que esse fator contribua. Mas tem um outro que é muito importante, até mesmo na construção de uma cultura de paz. Falo da responsabilidade que cada um de nós temos em relação à segurança. A sua maneira de viver, de se portar, tem muito a ver com a questão de segurança.

Quanta gente neste Ceará tem contribuído negativamente para que os números da violência cresçam. São os que não conseguem relevar uma ofensa. Os que se enervam no trânsito e, por qualquer coisa, já partem para a desforra. São aqueles que dão um boi para não entrar numa briga e uma boiada pra não sair. São os que se marginalizam por conta do tráfico de drogas, achando que esse tipo de comércio desgraçado, vá render grana e deixar a sua conta corrente mais polpuda. De que vale ganhar dinheiro e vender a alma ao diabo?

A violência das ruas nasce dentro de casa. Do relacionamento dificil entre casais partindo para as vias do fato. De mulheres sendo maltratadas e violentadas pelos parceiros ciumentos. Daquele indivíduo preconceituoso que acha só ele tem a verdade e os outros que se lixem. Tudo isso atrai as as mazelas do mundo. Vide esse caso lá de Juazeiro do Norte. Numa residência de um suspeito de tráfico, provavelmente, comemorava-se os lucros obtidos com esse tipo de crime, quando surgem bandidos que passam a atirar nos presentes, deixando uma jovem morta e outros feridos. Por mais que se queira inscrever o fato entre as ações violentas de um grupo que desejava assaltar a residência, se forem levantadas as causas – lá no fundo, no fundo – alguém tem culpa no cartório e deve ter dado margem a isso. Não estou com esse pensamento, querendo justificar a violência; mas onde se semeia ventos, a colheita da tempestade supera a semeadura do Bem. É necessário que cada um policie seus atos, seus pensamentos e sua maneira de ser, a fim de contribuir para diminuir a violência. E, com isso, vivenciar um mundo melhor.

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Fábulas Fabulosas: O Cáctus e a Lagarta

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

24 de Fevereiro de 2016

cactoelagartaUm homem viajou muitos caminhos até chegar à aldeia onde habitava venerável e sábio mestre. Fora até ele tocado pela dúvida de que o Senhor de todos os Conhecimentos e Virtudes, criador dos céus e planetas, provavelmente se equivocara em lhe atender uma rogativa.

– Deus não erra, meu filho! adiantou-se o virtuoso sábio, perguntando em seguida o que acontecera.

Durante muitos dias, narrara-lhe o viajante, ele rezara ao Senhor pedindo que lhe enviasse dos páramos celestes uma flor e uma borboleta. Era um presente que gostaria de ganhar dos céus.

Um dia, um beduíno passara pela sua porta e, como prova de gratidão pela hospitalidade, lhe deixara um cactus feioso e uma horrível lagarta.

“Ele garantia ser homem do Senhor e que apenas cumpria os designos de Deus”, contou-lhe o viajante.

O sábio sorriu e chegou a essa conclusão: “Paciência é o que deseja Deus exercitar em seu servo, premiando-lhe dessa forma. Volte para casa e verá que do bruto cáctus há de ter surgido a mais linda flor que a Terra já viu. E a horrível lagarta já se transmutou na mais linda borboleta já vista”.

Ao retornar a casa, o viajante confirmou tudo isso e concluiu que para tudo o que se deseja ter e ser, Deus só nos pede um pouco de paciência.

Recontada por mim
do jeito que escutei
de um sábio anônimo

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Quem se preocupa com a morte de adolescentes?

Por Nonato Albuquerque em MORTES, SEGURANÇA

24 de Fevereiro de 2016

komitVocê se sente ameaçado por essa onda de violência que grassa em Fortaleza? Todos nós, certamente. Ninguém se diz tranquilo diante das perdas de vidas – vidas jovens – que são destruídas pela criminalidade. Aqui no Barra estamos sempre indagando até quando as autoridades vão suportar essa indesejável marca de cidade mais violenta, sem iniciativas consistentes, que não fiquem apenas no ensaio, como se fossem meras peças de propaganda do governo. Agora foi instalado o Comitê Cearense pela Prevenção de Homicídios na Adolescência, uma parceria do Fundo das Nações Unidas-Unicef com o governo. É uma das respostas que consideramos de efetiva importância na discussão da violência que vitima nas ruas, jovens entre 15 e 18 anos. Principalmente, porque vai avaliar as causas da violência.

Em seu anúncio de lançamento, o comitê faz referência ao número de homicídios em nosso Estado. São muitos, a gente sabe. E faz uma indagação importante: quem se importa com a morte de adolescentes no Ceará? “Nosso estado é o terceiro do Brasil em número de adolescentes assassinados. Em alguns casos por outros adolescentes. Foram 974 em 2014. /// 817 em 2015. Fortaleza lidera o índice entre adolescentes entre as capitais brasileiras e isso já bastaria para envergonhar qualquer um. Outras 7 cidades cearenses aparecem nas pesquisas com números alarmantes: Caucaia, Crato, Itapipoca, Juazeiro do Norte, Maracanaú, Maranguape e Sobral.

O comitê foi lançado ontem com uma pergunta que consideramos irrefutável: por que cada vez mais parece natural MATAR ou MORRER tão jovem? Aos 18. Aos 17. Aos 16. Aos 15 anos. Essa é a idade em que desabrocham sonhos, ideais, vontade de conquistar o mundo. De idealizar afeições, namorar, viver os primórdios do amor e, sim, pensar em relacionamentos que configurem a formação da família. É nessa idade que o indivíduo busca se informar para o seu futuro. Estudar. Mas, pelo contrário, esses jovens estão se matando e morrendo gratuitamente.

É possível evitar esse massacre? O Unicef, que está lançando o Comitê Cearense pela Prevenção de Homicídios entre Adolescentes, responde que, sim, é possível. Antes de tudo é preciso descobrir quem são esses meninos e meninas? Que histórias existem por trás dessa violência? Por que eles matam? Por que morrem?
Cada vida é importante, lembra o institucional, abrindo nossas mentes e corações para uma consciência maior de que essa guerra não declarada não é normal. Que se desesperar porque eles agem assim, não resolve o problema. É preciso acreditar que não são apenas as autoridades as responsáveis; mas todos nós somos responsáveis por cada criança e por cada adolescente, ainda que não tenhamos nenhuma ligação consanguínea. Somos uma grande família, a família humana, a vivenciar uma experiência evolutiva em favor de si e do mundo. Afinal, você se importa com isso? Dê sua resposta, agindo em favor de uma cultura de paz.

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Preso dá trabalho; mas quem dá trabalho ao preso?

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO, SEGURANÇA

19 de Fevereiro de 2016

Que preso dá trabalho, todo mundo sabe. Basta ver as rebeliões em unidades de menores. Mas que trabalho dão para os presos? É preciso mudar a lógica de que presídio é para engordar quem tem dívidas para com a Justiça. É preciso dar estudo e trabalho.

Estava lendo um artigo na mídia lembrando que a grande maioria das prisões brasileiras segue a máxima da “cabeça vazia, oficina do diabo”: no país, só dois a cada dez presos trabalham. E isso só revela preguiça das autoridades em sair dessa zona de conforto, em que apenas vigiam presos sem pensar no futuro, com a volta dele quando findar o prazo da pena. Cerca de 80% das penitenciárias não contam com marcenarias, padarias ou fábricas.

O Instituto Penal Paulo Sarasate, há alguns anos, tinha uma fábrica de redes, gerida por um interno que chegou a fazer vestibular para Direito e sequenciou sua vida depois que ganhou a liberdade. Hoje, o que se sabe é que dos 58 mil 414 presos que trabalham -16% do total no país-, 34% exercem tarefas nos presídios como limpeza, cozinha ou biblioteca, funções que, segundo especialistas, têm baixo potencial de capacitação para um ofício.

Por que os centros de capacitação profissional, como os do SESC, não se interessam em promover cursos no interior dos presídios, ocupando o tempo ocioso do preso e dando-lhe chances a que aprenda uma atividade profissional – até para pagar ao Estado, as despesas de permanência no presídio?

Geralmente, presos que trabalham fazem objetos artesanais que, dificilmente, serão absorvidos no mercado depois. Por que empresas privadas não são atraídas para o interior dos presídios? Santa Catarina é o Estado com o maior número de empresas privadas que montaram fábricas nas prisões. A Lei de Execução Penal garante o direito ao trabalho. O preso ganha, no mínimo, 3/4 do salário mínimo e tem descontado um dia de pena a cada três trabalhados. Há necessidade se firmar mais parcerias com o setor privado.

As fábricas de empresas dentro das cadeias ainda são poucas, respondendo por 19% dos detentos empregados. E há vantagens para o uso dessa mão-de-obra: não há encargos trabalhistas para a empresa, como FGTS. E nos presídios onde os presos trabalham, tem-se notado a melhoria da auto-estima dos internos; a melhor ocupação do tempo; a convivência menos apreensiva do que nos locais onde “cabeça vazia, oficina do diabo”, os habitua a rebeliões e brigas. Numa sociedade onde a criminalidade preocupa, educação e trabalho são recursos para mudar a alma doentia dos que cometeram equívocos na vida.

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A Polícia nos colégios na luta contra as drogas

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO, SEGURANÇA

17 de Fevereiro de 2016

Qual é a maior responsável pelio aumento da violência? O consumo de drogas. A facilidade com que se adquire hoje a maconha, o crack, a cocaína e a liberdade com que os traficantes agem, mostram que o Brasil tem perdido a batalha para conter a expansão do tráfico. Mesmo assim, há pontos positivos a serem ressaltados. A nossa Polícia, por exemplo, tem atuado de forma ostensiva em busca de pulverizar as bocas de fumo, reprimir a rede de distribuição dessas drogas e prender viciados que geram novos grupos do tráfico.

Teve essa Operação ‘Subsolo’, que,entre os dias 27 de janeiro e 7 de fevereiro, resultou na apreensão de cerca de 199 quilos de maconha, um de cocaína, 65 munições de calibres 12, 38 e 45, além de 13 balanças de precisão, dois celulares e apetrechos para embalagem de entorpecentes. Isss só já revela as tentativas de consolidar uma luta para desarticular os grupos que usam as rotas de tráfico para abastecer não só a capital mas o interior.

Além dessa trabalho de campo, a Polícia Militar desenvolve um outro tipo de atuação – e que eu consiero por demais importante. Trata-se do PROERD, Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência, vinculado à Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social. Monitores visitam escolas da rede pública e privada, realizando palestras, promovendo vivências com os alunos, buscando melhorar a sua auto-estima e os vinculando a uma série de ações positivas, não só na escola, mas em casa com seus familiares; nas comunidades com seus vizinhos, além de orientá-los no sentido de evitar serem cooptados pelo tráfico.

Ontem, eu conversei com um desses facilitadores do PROERD, o policial Moura, e ele demonstrava a sua satisfação pelos resultados obtidos até aqui. Isso é notável e precisa ser estimulado. Porque, na maioria das vezes, pensamos que para vencer as drogas é necessário a repressão; quando, na verdade, orientar os jovens para evitar o vício e a necessidade uma convivência sadia são pontos de honra no processo educativo de uma Pátria que se diz educadora. Em tudo isso, informação é importante. E fora dela, não há salvação para se vencer a guerra contra o tráfico.

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A Polícia nos colégios na luta contra as drogas

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO, SEGURANÇA

17 de Fevereiro de 2016

Qual é a maior responsável pelio aumento da violência? O consumo de drogas. A facilidade com que se adquire hoje a maconha, o crack, a cocaína e a liberdade com que os traficantes agem, mostram que o Brasil tem perdido a batalha para conter a expansão do tráfico. Mesmo assim, há pontos positivos a serem ressaltados. A nossa Polícia, por exemplo, tem atuado de forma ostensiva em busca de pulverizar as bocas de fumo, reprimir a rede de distribuição dessas drogas e prender viciados que geram novos grupos do tráfico.

Teve essa Operação ‘Subsolo’, que,entre os dias 27 de janeiro e 7 de fevereiro, resultou na apreensão de cerca de 199 quilos de maconha, um de cocaína, 65 munições de calibres 12, 38 e 45, além de 13 balanças de precisão, dois celulares e apetrechos para embalagem de entorpecentes. Isss só já revela as tentativas de consolidar uma luta para desarticular os grupos que usam as rotas de tráfico para abastecer não só a capital mas o interior.

Além dessa trabalho de campo, a Polícia Militar desenvolve um outro tipo de atuação – e que eu consiero por demais importante. Trata-se do PROERD, Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência, vinculado à Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social. Monitores visitam escolas da rede pública e privada, realizando palestras, promovendo vivências com os alunos, buscando melhorar a sua auto-estima e os vinculando a uma série de ações positivas, não só na escola, mas em casa com seus familiares; nas comunidades com seus vizinhos, além de orientá-los no sentido de evitar serem cooptados pelo tráfico.

Ontem, eu conversei com um desses facilitadores do PROERD, o policial Moura, e ele demonstrava a sua satisfação pelos resultados obtidos até aqui. Isso é notável e precisa ser estimulado. Porque, na maioria das vezes, pensamos que para vencer as drogas é necessário a repressão; quando, na verdade, orientar os jovens para evitar o vício e a necessidade uma convivência sadia são pontos de honra no processo educativo de uma Pátria que se diz educadora. Em tudo isso, informação é importante. E fora dela, não há salvação para se vencer a guerra contra o tráfico.