agosto 2015 - MOUSE OU MENOS 
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MOUSE OU MENOS

por Nonato Albuquerque

agosto 2015

CPMF: CHAME O LADRÃO

Por Nonato Albuquerque em ATUALIDADE

28 de agosto de 2015

Meter a mão no bolso de alguém sem que ele perceba traduz-se como atitude desonrosa. Um furto, para ser bem claro. No Brasil, quando os governantes detém qualquer tipo de preocupação econômica – leia-se crise – a que alternativa eles recorrem? A criação de novos impostos.

Nunca na história desse País, o brasileiro pagou tantos tributos que, maioria das vezes, nem sempre fazem a viagem de volta na prestação de bons serviços. Em países mais desenvolvidos, paga-se imposto sim; mas o retorno em educação, saude e segurança são possíveis de ser avaliados com exemplar qualidade. Por aqui, o governo da presidenta Dilma quer recriar o ‘imposto do cheque’, como ficou conhecida a CPMF.

Hoje, em Fortaleza, a presidenta se reune com os governadores do NE e durante um jantar vai tentar servir a ideia como sobremesa, a fim de alcançar o apoio dos governadores. Empresários e políticos mais atentos à situação crítica do bolso do povo já demonstraram ser contra a medida. Até mesmo alguns apoiadores da presidenta, consideram a iniciativa de voltar com o imposto do cheque um tiro no pé do governo – ou seria melhor dizer, um tiro no bolso já esvaziado do cidadão, cansado de passar tanto vexame na saúde, enfrentar tanto perigo na segurança e ver o ensino num nível mais baixo do que as águas dos reservatórios por conta das estiagens prolongadas.

Desgastada em termos de popularidade, a presidenta parece navegar nas ideias – ou na falta de outras ideias – de ministros que, diante do descontrole governamental, acham de por a mão no bolso do povo numa atitude que só faz lembrar a do descuidista que assalta o povo em qualquer esquina do País. Nessas horas, como vai bem a trilha sonora do Chico Buarque, repetindo o coro “Chame o ladrão, chame o ladrão!”.

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Os bárbaros estão de volta

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO, ESPORTES, SEGURANÇA

27 de agosto de 2015

Pense num assunto batido, manjado, mas que sempre volta à tona. Se pensou em vandalismo em dias de futebol, a-cer-tou em cheio. Esse tipo de manifestação inconsequente, voltou a se repetir ontem à noite em vários pontos da cidade, e em especial no bairro de Antonio Bezerra. Vândalos que atuam na facção MOFI-Movimento Organizado(?) Força Independente, chegaram, mais uma vez, a elencar uma série de violências pelas ruas do bairro. Um bando de insanos iam destruindo tudo o que encontravam pela frente. Destruíram uma moto que estava no caminho. Atacaram um torcedor que estava com camiseta do time paulista, como se isso pudesse reverter situações adversas do time.

Não é a primeira, provavelmente, não será a última vez que cenas desse tipo de vandalismo se repetem. E elas só se multiplicam porque não há uma preocupação das autoridades em identificar os autores desses desmandos e, com isso, puni-los severamente. Essa intolerância precisa ser corrigida.

Hoje em dia, câmeras estão dispostas por todos os lugares. Vídeos de amadores são feitos por testemunhas que colhem os flagrantes da violência e os disponibilizam nas redes sociais. O que falta para chamá-los à responsabilidade? Não se pode contemporizar, isto é, não se pode ser fraco com esse tipo de vândalos que se travestem de torcedores e impõem a desordem por onde transitam, como se fosse uma horda de bárbaros incontroláveis.

Quando dirigentes de times, responsáveis pelos estádios e a própria autoridade policial começarem a impor respeito, certamente que esses descalabros vão diminuir. Pelo menos, isso. Pois ninguém é ingênuo para achar que atitudes como essa da raça humana possam ser revertidas da noite para o dia.

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Conto do anjo menino

Por Nonato Albuquerque em Conto

23 de agosto de 2015

Two-AngelsNicó, filho da dona Dita do Vale, que nasceu no sopé da serra das Flores, revelou à mãe ter um sonho. De ser anjo. Anjo na festa da coroação da padroeira.

Padre Zito, ao ouvir a mãe falar aquilo, entupigaitou: ‘Tá querendo que os céus desabem sobre nós, mulher?”, dizia, mandando ela calar a matraca, rezar pelo filho que, provavelmente, andava com ideias de jerico. “Leia Romanos, 1;27-28” falava, imaginando que o garoto andasse jogando água fora da bacia.

Dona Dita não entregava os pontos. Falava ser coisa de criança, que podia facilitar o sonho do menino. Mas o pároco não dava trela. ‘Anjo na coroação da Virgem! É coisa de menina’.

Nicó ao saber que não podia ser anjo, desaguou todo o choro reprimido e prometeu nunca mais botar os pés na igreja. Preocupada, a mãe tentou evitar esse ganho pro ateísmo, dizendo que, na reunião de domingo, iria pedir às mães cristãs e às filhas de Maria, um abaixo-assinado em favor dessa causa, a fim de que padre Zito desse o dito por não dito.

Pois as piedosas mães cristãs e as filhas de Maria, ao saberem das intenções de Nicó, correram foi pra igreja, juntaram-se em prece, pedindo a Deus que protegesse esse menino que, de pequeno, já tinha pensamentos – como diríamos? – profanos. “Um menino na coroação de Maria, que desplante!”, dizia dona Emengarda, benzendo-se toda.

Seu Brito, o pai de Nicó, não pensava assim. Sabia que o filho não tinha eivos de baitolagem. Foi ao padre, pediu compreensão. Que a proibição poderia causar traumas no filho pro resto da vida. O padre nem deu ouvidos. “Anjo é coisa de menina. Anjo menino é pecado. Os céus podem desabar sobre nós”.

“Pois, seu vigário, me diga só uma coisinha: prove que um menino não pode ser anjo. Se anjo é coisa de menina, por que nas gravuras sagradas, nunca se viu um anjo fêmea. Só vemos aqueles ‘minino’ com os ‘pintim’ de fora. Nunca vi uma menina”. E foi mais longe: ameaçou cortar as doações do seu armazém para a festa da padroeira.

Ao ouvir isso, Padre Zito arregalou os olhos, engasgou-se na hora de responder e teve um acesso de tosse. Mãos prostradas, fez aquele velho ar de quem prescruta o céu em busca de resposta e pediu tempo para pensar.

Ontem, na festa da padroeira, adivinhe quem coroou a imagem de Nossa Senhora?

Ni-có! Sim, Nicó.

E os céus nem desabaram sobre a cidade.

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Segurança não é conversa pra eleitor dormir

Por Nonato Albuquerque em SEGURANÇA

21 de agosto de 2015

Para fazer frente à violência é preciso determinação. Disponibilizar homens e recursos a esse serviço é um dos pontos fundamentais. Abrigar projetos que envolvam o potencial humano, outro. Pagar o indispensável para os profissionais, é um estímulo eficaz. Saco vazio não se mantém de pé.

Um projeto idealizado pelo governo Camilo Santana, o Ceara Pacífico, é a ponta do iceberg de uma estrutura que se imagina tenha bases assentadas em avaliações fundamentadas. Não é pegar a estatística e usá-la como forma de propaganda. Números servem para avaliações de como está em andamento o projeto de segurança. E dar rumo diferente, quando houver necessidade. Mas qualquer que seja a iniciativa em favor da luta contra a criminalidade, ela passa por atender primeiro as exigências internas.

Como entender a falta de estrutura para atender até mesmo aos próprios servidores da Segurança? Mato a cobra e mostro o detalhe. Os trabalhos do 5º. Distrito Policial, ali em Parangaba, foram transferidos, temporariamente, para um imóvel nas proximidades, para que se fizessem as mudanças na fachada da delegacia, a exemplo do ‘design’ adotado por outras similares. Era para ser uma obra temporária, mas já tem 3 anos que os servidores convivem com dificuldades de trabalho, porque atuam num prédio residencial, sem as condições necessárias para atender a demanda. Pessoas que vão ali a fim de serem atendidas, ouvem dos funcionários a queixa de que não podem atuar com a qualidade necessária até que seja concluída a reforma da distrital. Mas quando?

Projeto de segurança, que não leva em conta as dificuldades internas para atuação, é temeroso de alcançar os objetivos maiores. Casa de ferreiro, onde o espeto é de pau – é algo que só prevalecia em tempos antanho, onde a segurança não tinha os pormenores da atuaidade. As prisões eram mais de ladrões de galinha, de desordeiros da ordem pública e de bêbados que provocavam arruaça em casa e as mulheres não tinham a Lei Maria da Penha para se defender. Hoje, a realidade é outra. E exige mais competência. E para se ter competência, necessário é dotar o sistema de segurança de qualidade. Fora disso, é conversa pra eleitor dormir.

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Drogas: mais do que um problema de Polícia

Por Nonato Albuquerque em SEGURANÇA

19 de agosto de 2015

Uma imagem perturbadora, a de um jovem usando drogas em lugar público como a Arena Castelão, identifica o poder do tráfico entre os adolescentes. Tratado até aqui pela visão policial, o problema dos viciados precisa ser encarado com mais seriedade. Mais e mais jovens estão se bandeando para o consumo das drogas, incentivados ou pela curiosidade – que leva a criar dependência – ou pela facilidade como o mercado das drogas se insere na sociedade, formalizando ‘mão de obra’ para sua expansão.

O tráfico em si chega ao jovem e anuncia-lhe vantagens de poder ser um empreendedor nesse maldito mercado, oferecendo-lhe vantagens de negociação para que se produza nele uma fonte de repasse das drogas. Aqueles jovens desinformados ouvem esse canto de sereia e, como não vêem perspectivas de ascensão profissional, se inserem nessa aventura, imaginando que terão, finalmente, futuro na vida. E ainda que não sejam usuários da droga, o interesse em tirar lucro com isso é o fator preponderante.

Moradores em áreas carentes, cujos pais vivem em meio a necessidades, esses jovens passam a compor esse exército maldito de traficantes, comandados por chefes que eles próprios nunca viram. Qualquer deslize na venda de drogas, qualquer cabuetagem como se diz no linguajar deles, é o bastante para colocá-los na mira deles. Se ficam endividados com os traficantes repassadores, sabem que podem perder o jogo. E morrer. Se a atividade comercial deles está em baixa e há suspeitas de que a Polícia anda a investigá-los, antes que eles possam cair na malha da Justiça, são sumariamente eliminados.

Em meio a isso, a família pouco ou nada faz para evitar as tragédias. A maioria delas, por conviver com necessidades extremas e por se vincularem à questão do lucro fácil, quando vê o filho trazendo dinheiro para casa, simplesmente, se calam e aproveitam a situação para, também, tirar vantagem. O problema das drogas vai além do tratamento policial. Ao traficante, cadeia. Ao usuário, além do tratamento, a melhor alternativa passa pela Educação e promoção social.

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Auto-conhecimento é a receita

Por Nonato Albuquerque em COMPORTAMENTO

11 de agosto de 2015

Para se vencer os problemas que afligem o ser humano, nada é mais indicado do que cada indivíduo buscar se conhecer. Os gregos, na sua milenar sabedoria, já prescreviam essa medicamentosa receita, com a finalidade de que a pessoa que conheça seus atos, meça suas ações impulsivas, saiba dosar o fluxo da razão e da emoção, essa pessoa tem tudo para sentir-se bem em sociedade.

Vivemos dias de provações. Mas nada que possa criar desânimo da parte de quem quer que seja. Se os fatos do País e do mundo nos deixam inquietos, é que faz parte da Natureza das coisas, essa circunstância. Afinal, a Terra não é o paraíso que se deseja; nem o inferno que se pinta. As pessoas que nela vivem nem são anjos, nem demônios.

Temos atitudes positivas ou negativas, dependendo de nosso comportamento, de como atuamos em nosso dia a dia. Ninguém é totalmente ruim, nem tampouco bom. Todos estamos no mesmo barco e, por isso, é preciso que todos se auxiliem.

Enquanto houver ódio, raiva, ira, pensamentos nefastos em relação a outrem, orgulho, inveja, ciúme, ganância – todos esses germes morais que danificam o nosso perfil de ser humano -, teremos as tragédias e os crimes. Somos um planeta de provas e expiações. O “vale de lágrimas’ de que fala a ‘Salve Rainha’ dos católicos. Mas, uma coisa é certa: estamos em transição. Em mudança. E todo mundo sabe que as mudanças geram inquietações, medo, dificuldades.

Quem tem fé, se tranquiliza. Sabe que nada é eterno. Tudo passa. A vida é como uma onda, como dizia o poeta Vinicius de Morais e que Nélson Mota utilizou na música de Lulu Santos. Por isso, diante da dor e do sofrimento que alguns praticam, pense nos milhares que, de forma anônima, cumprem seu roteiro de trabalho e dedicação fazendo o bem, silenciando as suas angústias pessoais em favor dos outros.

Os que ainda guardam rancor, os que se alimentam de ódio, os que não têm personalidade e transitam na bipolaridade de suas ações, esses terão as consequências de suas atitudes mesquinhas. Porque, afinal, tudo está sob a regência do divino e a lei mais natural e certa que existe é a de causa e efeito. Tudo o que se fizermos de bem (ou de mal) a alguém, necessariamente, haveremos de receber o troco.

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Quem investiga a fiscalização dos presídios?

Por Nonato Albuquerque em SEGURANÇA

03 de agosto de 2015

Não se espera de quem está na cadeia, cumprindo pena judicial, exemplos meritórios de obediência às normas da peniteciária. Preso, que se acostumou a ver o sol quadrado, só pensa em uma coisa: sair daquele inferno. Por isso, as sucessivas fugas das distritais, usando esse ou aquele artifício para enganar a vigilância. Outra coisa que chama atenção é a facilidade com que chegam a eles equipamentos que, evidentemente, devem ser proibidos. Como entender que um preso tenha um celular e utilize de aplicativos que facilitem o contato com o mundo exterior. Como esse material chega aos presos? Que vigilância é essa que se torna improdutiva, diante do número enorme de telefones que são recolhidos com os presos, a cada vistoria?

Sexta passada, a Secretaria da Justiça e Cidadania do Estado (Sejus) realizou uma operação desse tipo na Unidade Prisional Agente Luciano Andrade Lima (CPPL I), em Itaitinga, e foram apreendidos 413 celulares, além de carregadores, chips e drogas. Gente, são 413 celulares que, só pela quantidade já seria percebida pelo acúmulo de gasto de energia que a unidade prisional consome. Uma semana antes, cerca de 278 celulares foram apreendidos em uma vistoria geral na unidade do Instituto Penal Professor Olavo Oliveira II (IPPOO II).

Fazer esse tipo de busca é importante; apreender esse material, também. Mas que a ação da Sejus não se limite apenas a isso, vá mais à frente. Investigue como esse material tem acesso ao presídio. Indicie os culpados, se eles fizerem parte do serviço público. Que se estude uma maneira de detectar o uso dessa aparelhagem, com a instalação de bloqueadores. Preso, tem direito a tratamento humanitário sim; jamais deve ter privilégios que possam qualificar sua permanência ali, como se fosse uma temporada de férias em um hotel público, pago com o dinheiro do povo trabalhador e honesto.

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Quem investiga a fiscalização dos presídios?

Por Nonato Albuquerque em SEGURANÇA

03 de agosto de 2015

Não se espera de quem está na cadeia, cumprindo pena judicial, exemplos meritórios de obediência às normas da peniteciária. Preso, que se acostumou a ver o sol quadrado, só pensa em uma coisa: sair daquele inferno. Por isso, as sucessivas fugas das distritais, usando esse ou aquele artifício para enganar a vigilância. Outra coisa que chama atenção é a facilidade com que chegam a eles equipamentos que, evidentemente, devem ser proibidos. Como entender que um preso tenha um celular e utilize de aplicativos que facilitem o contato com o mundo exterior. Como esse material chega aos presos? Que vigilância é essa que se torna improdutiva, diante do número enorme de telefones que são recolhidos com os presos, a cada vistoria?

Sexta passada, a Secretaria da Justiça e Cidadania do Estado (Sejus) realizou uma operação desse tipo na Unidade Prisional Agente Luciano Andrade Lima (CPPL I), em Itaitinga, e foram apreendidos 413 celulares, além de carregadores, chips e drogas. Gente, são 413 celulares que, só pela quantidade já seria percebida pelo acúmulo de gasto de energia que a unidade prisional consome. Uma semana antes, cerca de 278 celulares foram apreendidos em uma vistoria geral na unidade do Instituto Penal Professor Olavo Oliveira II (IPPOO II).

Fazer esse tipo de busca é importante; apreender esse material, também. Mas que a ação da Sejus não se limite apenas a isso, vá mais à frente. Investigue como esse material tem acesso ao presídio. Indicie os culpados, se eles fizerem parte do serviço público. Que se estude uma maneira de detectar o uso dessa aparelhagem, com a instalação de bloqueadores. Preso, tem direito a tratamento humanitário sim; jamais deve ter privilégios que possam qualificar sua permanência ali, como se fosse uma temporada de férias em um hotel público, pago com o dinheiro do povo trabalhador e honesto.