junho 2015 - MOUSE OU MENOS 
Publicidade

MOUSE OU MENOS

por Nonato Albuquerque

junho 2015

O ANJO DECAÍDO

Por Nonato Albuquerque em LITERATURA

30 de junho de 2015

Nonato AlbuquerqueanjodecaidoanjoChegou àquele hospital meio chumbado. Não acreditava no que lhe dissera o irmão  mais velho. Teria que partir. Viajar com destino ignorado. Era assim que sempre  acontecia com os moradores daquela colônia. Chegavam ali, se estabeleciam, recuperando-se da longa jornada pela estrada do tempo e, quando já estavam até criando raízes, fazendo amizades mais fortes, vinha sempre alguém com a notícia de que teriam que embarcar.
Não adiantou nada embirrar, bater o pé, dizer que não ia de jeito nenhum. Contra esse tipo de comportamento, eles tinham ações bem práticas. Chegavam ao ponto de convencer ´neguim´ a aceitar, caso contrário teria que ir à força. Danielo foi um desses casos.
Quando soube que teria que ir, fugiu de casa. Mas não foi tão longe. As barreiras de som colocadas por eles ao longo dos caminhos, rapidinho denunciavam os fugitivos. E acabavam caindo nas armadilhas elétricas montadas por todos os pontos.
O pior é que Danielo descobriu que não adiantava fugir, pois haviam sensores instalados dentro do seu cérebro, denunciando-lhe os mínimos movimentos.
Foi apanhado próximo ao umbral da Costaterra, uma espécie de sítio instalado entre a camada iônica do planeta – a ionosfera – e a selva magnética de sons, onde cada morador era sempre tentado a fugir por ela. Para capturá-lo foi preciso injetar-lhe uma droga de efeitos fortes.
Levado ao hospital pelas equipes técnicas, ele foi colocado num descompressor de energia e, pouco a pouco, ele foi sendo compactado ao nível mais baixo de sua vibração. O que sobrou dele foi colocado dentro de uma proveta, mesmo instante em que da superfície da matéria, agentes iniciavam a experiência “in vitro” para a fertilização de óvulos.
Acordou “uma eternidade depois”, preso a vestimentas diferentes e, pelo que soube, passou um bom tempo numa espécie de hibernação para que a operação pudesse ser concluída a contento.
Ao perceber que estava preso outra vez num corpo, gritou, esperneou, mas o eco de sua voz parecia não responder aos impulsos de sua mente. Mãos lhe pegaram jeitosamente e se detiveram alguns minutos a acariciá-lo. Mas o que ele queria era voltar à colônia, ficar com os seus, desistir da viagem à terra nova, sentir-se livre de qualquer amarra, como aquelas vestes que lhe aprisionavam as chances de voltar à luz.
Ouvira alguém dizer que ele nascera. E a voz de uma desconhecida falando baixinho ao seu ouvido: “que bom, que você veio, minha coisa linha!”. Queria gritar que ele não era nenhuma coisa, mas sim um anjo do plano da Luz. E que por ter desobedecido as ordens do seu patrão, fora expulso do Paraíso e viera a essa dimensão, pagar sua dívida. Purgar seu pecado. Nascer homem.

leia tudo sobre

Publicidade

Sementes das sombras, forças de luz

Por Nonato Albuquerque em LITERATURA, POESIA, Sem categoria

27 de junho de 2015

Nonato Albuquerque

Antes, ator de infortúnios e de conquistas,
menti, matei, saqueei; por ideais profanos.
Hoje, entre seres de mentes altruístas,
apodreço entre os humildes hansenianos.

Antes, a lâmina do horror decapitava tiranos
ante o tropel de bárbaros quatrocentistas.
Hoje, ressurecto à vida, após malgrados anos,
somatizo dores de passados egoístas.

As faixas de carne que encobrem o que fomos
são elos da misericórdia divina e de mudança
de semente das sombras em forças de luz.

O hino de amor que, na Terra, hoje compomos
É a certeza dessa consoladora esperança
De que nunca nos abandona, o amor de Jesus

(Inspirado em Jésus Gonçalves)

leia tudo sobre

Publicidade

Olha pro céu, meu amor. Vênus e Júpiter estão radiantes

Por Nonato Albuquerque em ASTRONOMIA

25 de junho de 2015

Para quem olha o céu, à noite, é bom atentar para duas manchas brilhantes que chamamnossa atenção. Falo de Vênus e Júpiter que estão em conjunção. Apesar de menor, Vênus é o mais brilhante, por estar mais perto do Sol e de nós. 

O ponto mais próximo de aproximação com o nosso Planeta acontecerá na noite de 30 junho - madrugada de 1o. de julho. 

leia tudo sobre

Publicidade

Herdeiros de Caim

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

19 de junho de 2015

Vivemos tempos de guerra, mesmo não sendo declarada. Basta dar uma olhadela nos acontecimentos do mundo e você verá que, em geral, estamos sempre brigando. Em casa, na rua – no trânsito – no bar, na praia. Aliás, em toda a História da humanidade, nunca houve uma pausa nos conflitos bélicos, nas disputas entre raças, nos enfrentamentos de toda ordem. É que a nossa cultura toda é baseada na violência. Costumo dizer que somos herdeiros de Caim e não da bondade celebrada de Abel.

Você já notou, como desde o berço somos educados às coisas ligadas à violência? // Quando bebês, somos embalados por cantilenas que ditam regras de violência. ‘Dorme nenem senão a cuca vai pegar’. ‘Boi, boi, boi da cara preta – pega essa criança’. Nossos pais introjetaram em nossa mente, a cultura do medo e, com isso, passamos adotar sentimentos de defesa. As cantigas de roda, pode olhar, que todas contém elementos de ódio, raiva. De violência. Atirei o pau no gato. Mas o gato não morreu. O cravo brigou com a rosa. O cravo saiu ferido e a rosa despetalada.

No cinema, os desenhos infantis que fazem sucesso entre os menores injetam noções de ódio e vingança, como os do Tom e Jerry, onde um rato inverte a lógica da história e passa a provocar o gato com ações violentas. E os heróis de Hollywood? Exterminador do Futuro. Vingadores disso, daquilo outro.

Evidentemente, que exemplos de cultura de paz existem e proliferam em gestos de solidária manifestação, onde as virtudes sagradas do bem, do amor e do perdão – transformam pessoas e situações. Mas, infelizmente, ainda somos seres ambientados na dor e no sofrimento. Temos muito mais atenção ao abismo do que olhar para as estrelas, destinação de todos nós. É preciso pensar nisso e tentar, de alguma forma, mudar esse conceito. Afinal, como diz uma música religiosa, um dia todos nós seremos anjos.

leia tudo sobre

Publicidade

Rezar, quem sabe, funcione

Por Nonato Albuquerque em Sem categoria

15 de junho de 2015

preceUm fim de semana é sempre um prato cheio para quem cobre a área de Polícia nos meios de comunicação. É comum alguém achar que a segunda feira sempre é farta em notícias ligadas ao mundo do crime. Isso não deixa de ser verdade.

Até parece que os indivíduos não têm a menor sensibilidade para aproveitar as horas de folga do trabalho, através de ações que dignifiquem o homem. Descansar, para alguns, significa ir às últimas consequências, como se o mundo tivesse uma data limite para acabar, e aí as pessoas perdem a noção da responsabilidade e cometem desatinos.

Tivemos muitos acidentes envolvendo ônibus. Terá sido obra do acaso? O acaso não existe. Consideramos muito mais culpa da velha senhora imprudência, a comandar as ações de alguns guiadores. Um motorista do Detran foi detido embriagado. Um ônibus com policiais tombou e o motorista do veículo causador estava, também, com sinais de embriaguez. Outro ônibus bateu de frente e ficou pendurado numa ponte, na localidade de Guaiúba. Para completar a situação de pouco respeito à vida, mais um policial é vítima da violência, numa sequência de ações contra homens da lei, ainda que não fossem premeditadas.

De uma coisa é certa: matar e morrer, estão se constituindo nos verbos mais conjugados pelos que moram nessa cidade de Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção. Aliás, recorrer aos céus em forma de prece é uma das poucas alternativas que restam, já que a inteligência dos homens parece não dá conta.

leia tudo sobre

Publicidade

Namorados: que a riqueza do amor não vire miséria depois desse dia

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

12 de junho de 2015

Dia namorados. Datas assim existem para que possamos fortalecer essa coisa fantástica chamada amor. A falta dele é responsável por esse mar de iniquidades que se pratica no dia-a-dia. Gente que não ama, que vive se alimentando de ódio, de inveja, de raiva, de rancor. E que, por qualquer motivo, já parte pra briga, já comete desfeita.

O dia dos namorados, assim como o dia das mães e dos pais, nada é mais do que uma referência ao amor. É uma tentativa de nos ligar a esse equilíbrio da alma, razão de ser de nossas vidas e responsável pelos mais grandiosos gestos da humanidade. A pessoa que não tem amor, é infelicitada pela depressão. E é capaz de fazer da sua vida, um mar de desgraças. Mata, morre. Explora, rouba. Mente e corrompe. Tira a paciência dos outros porque se acha dona de si.

Quem ama, quem tem um namorado ou namorada, vive envolvido por uma energia de bençãos. Sempre na expectativa de que a vida do par será perfeita. Os que não sabem valorizar quem ama, tão logo se casam esquecem as promessas divididas de felicidade e passam a beirar a vizinhança do ódio, da raiva e da agressão. É aqui que a lei do amor acaba sendo substituída pela Lei Maria da Penha. É quando o cupim do ciúme invade a mente destroçada de quem não tem confiança, que o germe do machismo ignorante invade o coração de um e pode até acabar na morte de um deles.

O dia dos namorados serve, portanto, para se reiterar em cada um de nós, mesmos os já casados há tanto tempo, que o mundo só é violento porque esquecemos no drama da vida, o roteiro principal de nossas atuações. Esquecemos que é a falta de amor, o responsável pela insegurança das ruas, porque em casa esse sentimento há muito foi largado na lata do lixo. Feliz dia dos namorados pra todos. Mas que a riqueza do amor não se torne miséria depois que essa data passar.

leia tudo sobre

Publicidade

Apagão, caos, e a visão do céu que todos ambicionam

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

11 de junho de 2015

Um apagão. Bastou um apagãozinho de uma hora para demonstrar como ainda estamos longe de atingir o ideal de mobilidade urbana. A cidade, simplesmente, parou. E isso tudo, num final de expediente. Quem voltava pra casa, depois de um dia de batente, ficou preso no trânsito. Se nos dias normais já é caótico, bote caótico nisso, enquanto faltou energia. Foi um problema na Chesf, desculpou-se a dona Coelce. Nessas horas, quem quer lá saber de quem foi a culpa.

A loucura estabeleceu-se nas ruas, sem a presença dos agentes de trânsito. Com o buzinaço que tomou de conta das esquinas. Mais por conta da nossa reconhecida falta de educação do que mesmo a falta de energia. Nos edifícios, escalada para subir e descer tantos andares. Nos bancos, onde alguns estudantes tentavam cumprir o último prazo para pagar o boleto do ENEM, pane no sistema. Medo de se perder dinheiro na via Expressa, com algum arrastão que já é comum em dias de luminosidade.

O breu fez com que moradores corressem à bodega mais próxima para comprar um maço de velas. Parecia os tempos da Serviluz, quando a força da usina do Mucuripe, vivia dando prego. Sem computador, sem redes sociais, sem zap zap, teve gente achando que era o apocalipse. Tudo isso porque o apagão acendeu em nós todos a preocupação com a possibilidade de problemas nas hidrelétricas, em mais um ano de seca. Pior é saber que em julho vamos ter aumento de energia. 

Mas, como em tudo se tira proveito, até voltar à normalidade, teve quem tivesse tempo e olhar para ver as estrelas, coisa cada vez mais rara numa cidade que não tem tempo pra contemplar o céu que nos protege. E que todos ambicionamos chegar.   

leia tudo sobre

Publicidade

A multa moral da UFC

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

08 de junho de 2015

Educar é tudo. O velho filósofo Kant já dizia que o homem não é nada além daquilo que a educação faz dele. Nossos avós, admitiam consertar as crianças rebeldes com umas boas chineladas. É de menino que se torce o pepino, costumavam dizer. A psicologia moderna refuta esse processo; ensina que bater, não resolve. Educar é o caminho. É na educação dos filhos que se revelam as virtudes dos pais. E no caso dos adultos, isso também funciona.

A Universidade Federal do Ceará, por exemplo,  acaba de criar uma multa moral, para aqueles proprietários de veículos que costumam usar de maneira desavergonhada as vagas destinadas a idosos ou pessoas com deficiência. A multa funciona como uma espécie de ‘puxão de orelha’ a quem mesmo sabendo da irregularidade de ocupar uma vaga especial, o faz com a maior cara de pau.

Inicialmente, a ideia era para ser utilizada no interior da própria universidade, mas a iniciativa acabou ganhou adeptos que passaram a fazer cópias do formulário da multa e adotaram-na nos locais onde qualquer pessoa pratique a irregularidade. Num país onde se costuma dizer que aprendemos mais pelo bolso do que pela razão, já era hora de alguém inverter essa lógica malsã e começar a exercitar o processo educativo.

A multa moral da UFC traz frases como “as penalidades são as previstas pelo bom senso” e “reflita melhor e não cometa esse erro da próxima vez”. Esse é um tipo de infração muito comum em estacionamentos, onde é possível encontrar pessoas jovens deixando o carro na vaga destinada aos idosos ou parando em cima daquela que é destinada a deficientes físicos. A forma educativa de puxar a orelha desses infratores, é uma maneira inovadora de se cobrar respeito e atitude cidadã de quem costuma reclamar a falta dos outros, mas acaba incorrendo no erro por achar que já que todo mundo faz, por que ser diferente. Isso é, no mínimo, confirmar o quanto somos mal educados.

leia tudo sobre

Publicidade

Números da violência reduzidos; o que mudou mesmo na Segurança?

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

02 de junho de 2015

Ao anunciar a redução do número de homicídios no Estado e revelar novos incentivos que estão sendo disponibilizados à Segurança, o governador Camilo Santana parece colocar um desafio: o de que sua Polícia mostre serviço. Na verdade, é o que se espera de toda a força policial, seja civil ou militar, agora que o olhar de atenção do governo tende a um relacionamento mais próximo da tropa.

Novos veículos e equipamentos foram entregues hoje, durante a solenidade em que se buscou cercar o anúncio dos números positivos.

A população, evidentemente, assiste a tudo com a expectativa de quem sabe que toda providênca tomada nesse setor, será sempre benvinda; contudo, ainda não pode sentir-se segura de que as coisas melhoraram como se deseja. Evidente que ninguém é louco para saber que nada muda da noite para o dia. É preciso tempo e disponibilidade de todos. Principalmente, num sistema que, durante oito anos, não mereceu do dirigente anterior um tratamento mais cordato.

Ninguém esquece que os irmãos Gomes nunca perdoaram a rebeldia dos policiais que lideraram o movimento grevista, que deixou a cidade entregue à desordem, numa provocação que levou muitos policiais a serem expulsos ou remetidos para locais distantes de sua base de atuação.

Hoje, os tempos parecem outros. A tropa está tranquila. Foram feitos ajustes nos soldos. Melhorou-se o relacionamento entre chefe e comandados. Busca-se um redimensionamento de projetos importantes como o Ronda do Quarteirão. Uma campanha por um Ceará Pacífico, busca auferir os seus efeitos.

Mudou alguma coisa. O simples anúncio das ações mensais, hoje em dia, recobre-se de solene vitrine para a mídia. Resta saber se o povo pensa o mesmo.

leia tudo sobre

Publicidade

Números da violência reduzidos; o que mudou mesmo na Segurança?

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

02 de junho de 2015

Ao anunciar a redução do número de homicídios no Estado e revelar novos incentivos que estão sendo disponibilizados à Segurança, o governador Camilo Santana parece colocar um desafio: o de que sua Polícia mostre serviço. Na verdade, é o que se espera de toda a força policial, seja civil ou militar, agora que o olhar de atenção do governo tende a um relacionamento mais próximo da tropa.

Novos veículos e equipamentos foram entregues hoje, durante a solenidade em que se buscou cercar o anúncio dos números positivos.

A população, evidentemente, assiste a tudo com a expectativa de quem sabe que toda providênca tomada nesse setor, será sempre benvinda; contudo, ainda não pode sentir-se segura de que as coisas melhoraram como se deseja. Evidente que ninguém é louco para saber que nada muda da noite para o dia. É preciso tempo e disponibilidade de todos. Principalmente, num sistema que, durante oito anos, não mereceu do dirigente anterior um tratamento mais cordato.

Ninguém esquece que os irmãos Gomes nunca perdoaram a rebeldia dos policiais que lideraram o movimento grevista, que deixou a cidade entregue à desordem, numa provocação que levou muitos policiais a serem expulsos ou remetidos para locais distantes de sua base de atuação.

Hoje, os tempos parecem outros. A tropa está tranquila. Foram feitos ajustes nos soldos. Melhorou-se o relacionamento entre chefe e comandados. Busca-se um redimensionamento de projetos importantes como o Ronda do Quarteirão. Uma campanha por um Ceará Pacífico, busca auferir os seus efeitos.

Mudou alguma coisa. O simples anúncio das ações mensais, hoje em dia, recobre-se de solene vitrine para a mídia. Resta saber se o povo pensa o mesmo.