Março 2015 - MOUSE OU MENOS 
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MOUSE OU MENOS

por Nonato Albuquerque

Março 2015

O VALOR DA PEDAGOGIA DO BEM

Por Nonato Albuquerque em Sem categoria

30 de Março de 2015

Filho defender a mãe da morte é algo que, à primeira vista, sugere grandeza de alma. Mas atos de heroísmo custam um preço. Um preço alto, diga-se de passagem. Há quem pague pelo gesto com a própria vida. O caso do adolescente de 16 anos de idade, baleado na cabeça ao reagir a uma tentativa de assalto em Messejana, vindo a falecer. O criminoso, aproveitou a saída da mãe de Diego Tertuliano Lima, saía com o carro da garagem de casa, para abordar a mulher. Diego fechava o portão. Quando viu a tentativa de assalto, reagiu para defender a mãe. O assaltante disparou em seguida contra o jovem.

O relato assemelha-se a tantas outras ocorrências do tipo, que têm se alastrado por essa Fortaleza, debilitada em termos de segurança. Por onde se anda, há sempre alguém se queixando da violência. Ela é marca infelicitada na vida de quem trabalha, quem estuda; de quem precisa ir a um banco. Não estamos seguro nem em casa, como revela o caso do empresário que foi morto em seu apartamento da Vila União. A Polícia ainda não tem pistas, mas qualquer que tenha sido a motivação, ele deixa entrever que segurança é artigo de luxo, onde o serviço público faz das tripas coração para tentar dar conta.

Toda essa onda de violência não será desfeita apenas com o trabalho policial. Impossível deter uma avalanche, se não houver um efetivo plano de defesa preventivo para evitar o desastre. Evidente que não se pode ter um policial em cada casa, cada esquina. O serviço de inteligência não trabalha com videntes que possa antecipar-se aos acontecimentos. Mas a sociedade humana chegou a um estágio de progresso que nos ensina que a melhor prevenção contra o crime é dedicar-se à educação dos indivíduos. É preciso retomar para a escola, a pedagogia do Bem. Os ensinamentos que remeta os jovens, não a uma cultura consumista – onde eles pensem que precisam ter tudo, ainda que seja à força -, mas uma educação primada nas riquezas e valores das grandes virtudes. 

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Você foi roubado. E aí, vai dar queixa?

Por Nonato Albuquerque em SEGURANÇA

27 de Março de 2015

Suspeita-se que nem toda pessoa que sofra um furto ou um assalto vá à delegacia prestar queixa. Muitos acham perda de tempo, num país onde o boletim de ocorrência é desclassificadamente tratado como boletim de otário. Por isso, a maioria não confia. E deixa pra lá. Pois essa suspeita acaba de ser confirmada através de números. Uma pesquisa feita em dez delegacias que mais registraram roubos no ano passado, apenas 3 por cento dos casos foram investigados. Os números dizem respeito à cidade de SP, mas acreditamos que a realidade não seja tão diferente em outras capitais.

Ano passado, foram 36 mil e 100 roubos registrados e apenas .1.209 apurações formais foram abertas pela Polícia Civil.  Caso impressionante é o de uma delegacia da periferia, onde dos 4.639 roubos registrados – preste bem atenção! – somente em 75 casos foram abertos inquéritos. Isto é, só feita investigação formal em 1,6 por cento dos casos.

Num mundo onde as pessoas estão cercadas de assaltantes por todos os lados, essa é uma constatação de que o serviço público encarregado de dar conta da apuração desses casos, simplesmente não atende a demanda. Com isso, não se quer dizer que o servidor é incapaz, não oferece a devida resposta ao cumprimento do dever, não. É a estrutura montada pelos governantes que não dão apoio a que o sistema se habilite para isso. E se formos para o interior do Estado, aí é que a coisa piora. Muitas das delegacias não tem nem pessoal para guardar os presos. Esse quadro crítico só aprofunda ainda mais o clima de intranquilidade e insegurança e faz lembrar que, mesmo estando em 2015, muitas delegacias ainda funcionam com a sistemática de 30, 40 ou 50 anos atrás. Como se lá fora o mundo tivesse evoluído em termos de crimes e as instituições criadas para detê-lo, houvessem estacionado no tempo.

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Quem liga para o essencial em tempos de ladroagem

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

26 de Março de 2015

Que tempo é esse, onde as coisas que mais se combate acabaram se tornando rotina na vida de algumas pessoas? Como o ato de roubar que, antigamente, seria considerado o mais indigno para um cidadão ser chamado de ladrão. Hoje, qualquer um age criminosamente, desde que para isso lucre,  tire alguma vantagem monetária. Não é atoa que o crime se expande; famílias inteiras parecem concordar que o filho ou a filha se contaminem com ele, tudo porque eles passaram a ganhar dinheiro.

Foi-se o tempo em que um filho ou uma filha tinham o maior respeito ao conselho dos mais velhos, por serem eles possuidores de verdades que o tempo se encarregou de ensiná-los. Hoje, a cultura do que é jovem é que manda, a ponto de tudo aquilo que não seja atual, passou a ser visto de forma preconceituosa.

Fale alguma coisa antiga e você logo será denunciado por pessoa atrasada. É o novo! costumam referir-se de forma antipática aos que fazem qualquer citação histórica.

Esse é um tempo em que ninguém se conhece, mas se acha no direito de chamar de amigo, só porque compartilha nas redes sociais um registro formal. Amigo exige mais do que isso; mas, nesse tempo onde tudo é descartável, ninguém liga para valores como amizade sincera, palavra empenhada – tudo porque é o dinheiro quem dá poder, que manda e comanda até mesmo as ações equivocadas. Que pena que essas pessoas se limitem a conhecer apenas o que é material, esquecendo que imortal é a essência. É o ser. O Ter é apenas algo transitório. E o transitório, como diz o nome, passa. Mas quem liga para o essencial em tempos de ladroagem?

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Sapiranga diz sim à convivência pacífica

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

24 de Março de 2015

Nada mais difícil do que mudar o comportamento de uma pessoa. Imagine de um grupo delas. De uma comunidade inteira. Faço referências ao gesto elogiável dos moradores da comunidade da Sapiranga que, cansados de conviver com atos belicosos de gangues interbairros, resolvem estabelecer um acordo, um acordo de paz, e iniciar um período de mudanças no relacionamento da própria comunidade. Esse é, provavelmente, o fato mais auspicioso que se teve notícia nos últimos dias, partido do próprio conjunto da comunidade.

Se durante muito tempo, jovens marcaram a vida do bairro com trocas de insultos e ações criminosas, hoje eles tentam impor uma atitude mais coerente com as regras de boa convivência.

Se muitos não podiam sequer frequentar espaços de grupos oponentes, com quem viviam às turras, agora surge uma oportunidade de a comunidade se redimir e mostrar para toda a capital cearense que é possível sim, mudar.

Esperançar é um verbo que traduz a expectativa de quem tem um propósito, um ideal, e seja alcançá-lo. De quem deseja construir um momento novo e que só depende deles mesmos. Se o registro histórico da Sapiranga era constituído de atos de ódio, a comunidade começa a dar a volta por cima. Hoje, eles não se envergonham de reconhecer que viveram um erro e que é preciso corrigi-lo. Ainda bem, porque errar é humano, permanecer no erro é burrice extrema.

E a comunidade da Sapiranga começa a dar a volta por cima. Tentar reverter uma situação que, sabemos é difícil, existem rancores e traumas que precisam ser trabalhados em favor da paz. Não se consegue mudar a cabeça de todos ao mesmo tempo, mas é um passo. Um importante passo para um futuro melhor. Disso temos certeza.

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Apreensão e medo entre os taxistas

Por Nonato Albuquerque em SEGURANÇA

12 de Março de 2015

Taxistas vivem dias de apreensão. Não bastassem as dificuldades para garantir a renda; o estresse das ruas e avenidas congestionadas, dificultando a circulação; o aumento dos combustíveis e preços de peças e acessórios; o peso das multas, afora a disputa com um mercado ilegal dos táxis piratas, agora a vida de quem trabalha como ‘chaufeur’ de praça’, volta a ganhar contornos de medo e apreensão, com a violência das ruas. Um crime, provavelmente ligado a roubo, amplia o temor de quem já convive com todas essas mazelas do progresso das grandes cidades.

Não é de hoje que prevalece esse clima de apreensão entre os taxistas. O histórico da vida dessa categoria é marcado por registros de assaltos à bandeira dois, numa atividade das mais importantes da vida da cidade. Por várias vezes, eles têm reclamado das autoridades do trânsito para que seus veículos sejam parados em ‘blitze’, a fimde que seja vistoriado o passageiro que eles estão carregando, muitas vezes pessoas que pegam na ‘pedra’ – como se dizia no passado – sobre quem eles não sabem se são de boa ou de má índole.

É preciso dar à categoria o mínimo de segurança. Se hoje a atividade ficou mais aprimorada com o uso de rádios comunicadores, a central de pedidos e instrumentos com os GPs, no entanto, a vida desses cidadãos continua sob o risco de serem vítimas, além dos possíveis acidentes, às consequências da violência que domina nossa cidade. Eles precisam de atenção, sim.

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M de mulher, M de machismo

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

08 de Março de 2015

Uma das canções de John Lennon fala da opressão que sofrem as mulheres em todo o mundo. “Woman” é o nome da música. Ela exprime, uma triste realidade. Seja aqui no Brasil ou em qualquer parte do mundo, a mulher ainda sofre preconceito. Até num país de primeiro mundo, como nos EUA, como se pode ver da denúncia da ganhadora do Oscar deste ano, Patrícia Arquete, ao denunciar que as atrizes ganham menos do que os atores.
A mulher sempre teve sua posição atormentada pelo não reconhecimento de seu valor. Muito embora ela tenha rompido barreiras, quando se sabe que hoje no Ceará, por exemplo, elas são 51 por cento das pessoas que ocupam o mercado de trabalho. Mesmo assim ainda é estigmatizada, sofre opressão. É humilhada. Sofre violência doméstica. É morta pelo machismo aviltante.
Com toda a mudança de comportamento, a consciência de sua importância, a mulher ainda é hoje em dia exposta como mercadoria, como se pode depreender dessa publicação de um site em Quixadá, expondo as fotos de universitárias com acentuada conotação sexual. O autor dessa ignomínia indagava ao internauta quais delas, ele escolheria para levar para a cama, usando fotos de estudantes da cidade, numa grosseira e criminosa forma de desrespeito à figura da mulher.
O autor da divulgação vai responder por difamação ou injúria, segundo o Código Penal. É capaz de algum desavisado, colocar a culpa nas redes sociais por permitirem esse tipo de permissividade, quando na verdade, é o ser humano o responsável maior. Seria a mesma coisa de no trânsito culpar o carro por ele correr demais, quando é o guiador o responsável por isso.
Quem nos dias de hoje ainda trata a mulher com desprezo e desrespeito, simplesmente, foge às exigências desse tempo, que reverte uma postura errônea do século 18, quando era comum se repetir a frase de Schopenhauer “cabelos longos, ideias curtas”. Quem ainda pensa assim, coitado, não merece nem mesmo a mulher que tem por mãe.

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Nossos pequenos crimes morais

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

08 de Março de 2015

É incrível como estamos nos distanciando de uma vida tranquila e mais saudável. De um tempo, onde a nossa preocupação era conviver com mais harmonia. Família era algo sagrado. Vizinhos eram forças de ajuda nas horas de maior necessidade. Antigamente, conhecíamos as pessoas de nossa rua, pelo nome, filiação – fulano, era o filho da dona menina; cicrano era o neto do seu fulano com quem tínhamos amizade e dividíamos, nas horas de necessidade, tanto uma xícara de açúcar quanto uma carona para ajudar a quem na vizinhança não tinha um transporte.

Hoje, as nossas amizades não têm a mesma substância daqueles tempos. São compartilhadas via redes sociais; mas não temos nenhuma relação de afinidade com aqueles que nos compartilham. Na verdade, nem os conhecemos. Não é que estejamos com saudade dos tempos em que, em Fortaleza, as pessoas conseguiam sentar na calçada para trocar conversas; mas é que a nossa vida mudou. E não foi para melhor. Vá botar uma cadeira na calçada hoje e você corre o risco de pegar uma bala perdida. De se deparar com um assaltante levando o que estiver ao alcance dele.

Todos reclamamos da insegurança, dos violentos, dos saqueadores, dos que prostituem um cargo público e roubam o dinheiro do povo; mas a maioria de nós não se envergonha em furar uma fila; em não ceder um lugar a uma pessoa idosa num ônibus; a jogar lixo no meio da rua; ou até mesmo levar vantagem porque alguém lhe ofereceu uma chance de ganhar dinheiro fácil. Todos só querem se aproveitar de tudo. E, por isso, perdemos a noção das coisas simples e verdadeiras. Como ser justo. Viver de forma honesta. E ser pessoa de vergonha. São valores morais, que valem mais do que dinheiro na mão ou no banco. Que importa muito mais do que buscar felicidade a qualquer preço, ainda que para isso, seja necessário vender o corpo. Roubar a confiança de alguém. Manchar o nome da família.

Esses pequenos crimes morais que, nos dias de hoje nos parecem algo tão comum, mostram que perdemos o melhor de nós mesmos. É preciso reconquistar esses valores. E consagrar a vida como um bem precioso.

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Nossos pequenos crimes morais

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

08 de Março de 2015

É incrível como estamos nos distanciando de uma vida tranquila e mais saudável. De um tempo, onde a nossa preocupação era conviver com mais harmonia. Família era algo sagrado. Vizinhos eram forças de ajuda nas horas de maior necessidade. Antigamente, conhecíamos as pessoas de nossa rua, pelo nome, filiação – fulano, era o filho da dona menina; cicrano era o neto do seu fulano com quem tínhamos amizade e dividíamos, nas horas de necessidade, tanto uma xícara de açúcar quanto uma carona para ajudar a quem na vizinhança não tinha um transporte.

Hoje, as nossas amizades não têm a mesma substância daqueles tempos. São compartilhadas via redes sociais; mas não temos nenhuma relação de afinidade com aqueles que nos compartilham. Na verdade, nem os conhecemos. Não é que estejamos com saudade dos tempos em que, em Fortaleza, as pessoas conseguiam sentar na calçada para trocar conversas; mas é que a nossa vida mudou. E não foi para melhor. Vá botar uma cadeira na calçada hoje e você corre o risco de pegar uma bala perdida. De se deparar com um assaltante levando o que estiver ao alcance dele.

Todos reclamamos da insegurança, dos violentos, dos saqueadores, dos que prostituem um cargo público e roubam o dinheiro do povo; mas a maioria de nós não se envergonha em furar uma fila; em não ceder um lugar a uma pessoa idosa num ônibus; a jogar lixo no meio da rua; ou até mesmo levar vantagem porque alguém lhe ofereceu uma chance de ganhar dinheiro fácil. Todos só querem se aproveitar de tudo. E, por isso, perdemos a noção das coisas simples e verdadeiras. Como ser justo. Viver de forma honesta. E ser pessoa de vergonha. São valores morais, que valem mais do que dinheiro na mão ou no banco. Que importa muito mais do que buscar felicidade a qualquer preço, ainda que para isso, seja necessário vender o corpo. Roubar a confiança de alguém. Manchar o nome da família.

Esses pequenos crimes morais que, nos dias de hoje nos parecem algo tão comum, mostram que perdemos o melhor de nós mesmos. É preciso reconquistar esses valores. E consagrar a vida como um bem precioso.