dezembro 2014 - MOUSE OU MENOS 
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MOUSE OU MENOS

por Nonato Albuquerque

dezembro 2014

Um ano não muda as pessoas; elas que devem mudar os anos todos os dias

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO, ESPIRITUALIDADE

31 de dezembro de 2014

2015Adeus ano velho, feliz ano novo. A frase é surrada e bem mais antiga do que o 2014, que está indo embora deixando marcas pelo caminho. Algumas agradáveis; outras, nem tanto. Mas faz parte do show que a vida oferece.

Se, neste espaço, foi preciso ser forte para contar fatos ainda mais fortes, é que este é um planeta em transição. Uma escola de refazimento das almas e, nela, ainda não aprendemos a vivenciar o legítimo sabor de nossos melhores sentimentos.

Nós somos frutos dessa era. Estamos a amadurecer o nosso coração nessa estação de passagem. Nosso grande lavrador, que é Deus, quisera fosse sempre doce o nosso coração. Para melhoria pessoal nossa e do mundo. Somos almas de passagem por esse planeta pra nos reeducar e redimir dos nossos erros, das nossas falhas. Que no ano novo, cada um melhore a sua imagem. Ensinando amar e distribuindo amor. O que nos falta é coragem para construir o novo, não apenas nas promessas do rito de passagem do ano – como fazemos sempre nessa época -, mas cada um tomando para si, a determinação de mudar realmente. Mudar para melhor. De vencer as fraquezas da alma, livrando-se das mazelas do ódio, do desamor, da impaciência, da falta de caridade.

Quando assumirmos essa decisão de mudarmos, não vamos depender da mudança da folhinha do calendário. Na verdade, um ano não mudará pessoas, pois elas devem mudar os anos todos os dias e a si mesmas.

Que o ano que vai nascer, possa criar, sim, novos motivos para viver. Viver bem, já que esse é o bem maior que se tem. Paz e bem no ano que vem…

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Mudança de ano exige mudança de vida

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

29 de dezembro de 2014

Feriado de Natal se foi e deixou marcas destruidoras pelo caminho. Violência no trânsito, apesar de todos os esforços dos agentes da Polícia Rodoviária, no sentido de preservar o bem da Vida. Registros policiais acentuadamente marcados por homicídios. Um crime misterioso em Jericoacoara, envolve uma turista italiana e no desvendamento do caso, a Polícia se depara com incríveis revelações de que uma amiga da vítima possa estar relacionada com a morte dela.

E era Natal. Quando se pensava em trégua, que as pessoas pudessem se envolver no clima de fraternidade, as dores do mundo aprofundaram ainda mais as dores da alma.

A capacidade de transgredir normas e regras parece um exercício agradável a algumas pessoas. Em um minuto, o indivíduo é capaz de dar uma direção diferente à sua e a existência dos outros. Quando não respeita a vida. Quando se sente dono de si e estabelece uma forma individual de viver.

Somos por natureza herdeiros de Caim, habilitados ao mal, muito embora cercados das luzes do conhecimento maior; do pensamento superior de entidades como o Cristo, que nos apontou o caminho das estrelas, embora por ignorância, contentamo-nos a chafurdar no abismo de nossas imperfeições.

Que no dia 31, tenhamos a convicção de que a mudança do ano é apenas uma convenção do calendário. O que deve mudar, realmente, é a nossa conduta em relação à Vida.

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A morte da turista é reflexo evidente da nossa insegurança

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO, SEGURANÇA

26 de dezembro de 2014

A morte violenta de quem quer que seja, já é motivo para se lamentar. Ainda mais quando ela envolve alguém vindo de longe em visita ao Estado. Uma turista. Uma pessoa que vem atraída pelo reconhecido potencial de nossas praias; pela hospitalidade cearense e pela apregoada cordialidade do povo. Como entender que, uma pessoa assim, que se desloca de longe, lá da Itália, interessada em usufruir do lazer das férias, de repente, se depare com essa marca da maldade que a violência nos impôs este ano.

Evidente que não se pode apontar o dedo acusador de crítica apenas para a insegurança estatal. Hoje em dia, é preciso que cada um se policie; mas não se pode descartar que o Estado sofre dessa mazela social, apesar de todas as iniciativas louváveis que o governo implementou.

Reconhecemos de que, esse, não é um problema só nosso – a violência é doença da alma humana; ela é geral, atinge o Planeta -, mas não se pode descartar uma realidade que transita à nossa porta, a ponto de eleger Fortaleza como a sétima cidade mais violenta do mundo.

Para explicar as causas, há quem direcione o alvo para o consumo acentuado das drogas, que se tornaram algo epidêmico; mas, o uso indiscriminado delas só demonstram que há falhas no sistema de combate; na disponibilidade de uma política de ação mais efetiva, que leve os jovens a uma conscientização de que esse veneno os condiciona, também, a serem vítimas ou atores da violência.

A instituição família sofreu alterações profundas e é preciso que os estudiosos do comportamento humano, se desdobrem sobre essa análise, oferecendo respostas efetivas para que as autoridades possam estabelecer novo plano de ações que, acima de tudo, resulte na segurança das pessoas e, principalmente, em favor da Vida.

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Cantiga de ninar para embalar um deus-menino

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO, ESPIRITUALIDADE

21 de dezembro de 2014

Neste Natal, eu não quero nenhum presente que aparente riqueza e apenas preencha meus olhos de encanto.
Não quero presentes de fino trato, de alto valor, mas que não adoçam meu coração de alguma forma.
Neste Natal, não quero exibir roupas novas ou calçados da moda, que possam transparecer sinais de ofensa aos que nada têm para vestir ou calçar.
Neste Natal, não renderei tributo a nenhum Papai Noel de plantão. Tampouco dispensarei grana para alguma ave sacrificada aos que vão se empanturrar na ceia natalina. Longe estarei dos líquidos que possam embriagar a minha alegria natural desta noite.
Dispenso chavões natalícios, quando não vindos do mais íntimo do coração.
Neste Natal, eu quero as graças da alegria de crianças rodopiando as luminárias das árvores com seus novos presentes.
Os tons magníficos das vozes humanas saboreando canções pelas ruas, somente.
Calor humano para esquentar o frio que se abateu sobre velhos e estropiados.
Por isso, mesmo, quero estender minha mão de ajuda a todos aqueles que se sentirem sós.
Minha palavra de conforto aos que se emudeceram por falta de alguém que os ouvissem.
Meus ouvidos atentos às conversas de quem se acha em depressiva reclusão.
Neste Natal, quero ser como devemos ser todos a cada dia do ano e não, apenas, porque agora é Natal.
Devo abrigar-me junto aos desabrigados da sorte;
andar com os que perderam a motricidade e cujos corpos, endurecidos, vestem cadeiras de rodas.
Neste Natal, deixe que eu vá aos que perderam a noção do tempo e nem sabem atinar que, no calendário da vida, é Natal novamente.
Precisamos cantar baixinho uma cantiga de ninar que embale o deus-menino, fonte de inspiração em nossas vidas.
Não façam barulho, não corram, não gritem. Pisem, se possível, na ponta dos pés
que o pequeno redentor precisa aquietar-se na manjedoura dos nossos corações,
para acordar inundando de luz o rio de nossas existências no ano que vai nascer.
Neste Natal, não apenas deixe Cristo nascer, mas crescer e se fortalecer… dentro de cada um de nós!

Ví uma estrela lá no céu
brilhando intensamente
e uma suave canção 
feliz a anunciar 
que um deus-menino vai chegar.
Com os olhos deslumbrantes 
lhe damos boas vindas 
é um deus-menino que vem 
e que vai transformar 
em paz e amor, em amor e paz 
nosso destino. 

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Cadeia é prêmio

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

19 de dezembro de 2014

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Quem deseja morar num local onde não se paga aluguel, tem dormida, café da manhã, almoço e janta todo dia – isso, sem nenhum custo para o morador -, hora livre para descanso e recreio, além da comodidade de não fazer nada durante o dia todo? Se você se animou com o anúncio, é melhor pensar dez vezes antes de desejar ocupar esse espaço. Eu falo do presídio.

Um lugar que deveria ser de recuperação daqueles que cometem algum delito, acaba virando uma espécie de albergue para uma parcela daqueles que têm algum tipo de nocividade – que a sociedade deseja mantê-los afastados dela; mas que, presos, continuam no exercício do crime, muitas vezes com algum aparato maior do que se estivessem em liberdade.

Afinal, é no presídio que o detento consegue linha de celular, com mais facilidade do que o cidadão aqui fora e usa essas ligações clandestinas para o comando de ações criminosas, como a revelada pela Polícia de presos que ordenam homicídios de dentro do sistema penitenciário.

Dos presídios, as mentes doentias orientam os telefonemas de falsos sequestro. É de lá que ditam as normas de assaltos e roubos. As ordens de quem deve viver e morrer. É desses locais que eles orientam outros bandidos a cometerem crimes de toda natureza – de dentro de um local que deveria ser de completo isolamento do público externo.

Bom ou mau, o dia a dia do presidiário parece ser mais facilitado do que o do trabalhador que rala o diabo para ganhar um mínimo. Madruga para ir ao emprego. Sofre para ir e voltar ao trabalho. Enfrenta todo tipo de risco, enquanto os que furtam, roubam e matam – ainda têm direito a visitas íntimas e até auxílio reclusão, o bolsa preso que dá à família o mínimo para sustentá-la, enquanto o cabeça da família, desorganiza-se ainda mais em aprendizagens criminosaS.

Diante de tudo isso, a impressão que se tem é que, muitas vezes, cadeia no Brasil acaba se constituindo em prêmio.

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EUA x CUBA: O PRIMEIRO MILAGRE DO PAPA FRANCISCO

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

18 de dezembro de 2014

Ninguém tem dúvida que o mundo caminha para o aperfeiçoamento. Isso faz parte da natureza das coisas e dos homens. Tudo muda. É questão de tempo. Só não enxerga, aqueles que se acomodam na inércia. Na paralisia. No erro. Os que preferem se distanciar das forças do Bem e se associam ao descaminho do Mal. Pois apesar dos pesares, o mundo melhora. Mesmo em meio as provações desse vale de lágrimas. Ontem mesmo tivemos mais um exemplo disso.

Quando se vê países como os Estados Unidos e Cuba, esquecendo as diferenças políticas, buscando uma reaproximação, depois de 53 anos de embargo comercial e disputas marcadas pelo confinamento da ilha, esse é um sinal de que tudo na vida é transitório. Que tudo passa. Que tudo se aperfeiçoa.

A guerra fria, que há muito demonstrara estar nos seus estertores, teve aplicado ontem seu golpe mortal, quando presidentes Barack Obama e Raul Castro surpreenderam o mundo, iniciando um reatamento, uma reaproximação. Foram anos de uma violência marcada pelos dois lados. De um lado, uma revolução que se perdeu por esquecer os objetivos libertários, transformando em ditadura longeva e massacrante. Do outro, a recusa em estabelecer diálogos em função da própria convivência pacífica. O tempo mostrou que ambos estavam errados.

E foi preciso o dedo conciliador de um latino-americano, conhecedor de experiências traumática de ditaduras em seu país de origem, a Argentina, para fazer calar a teimosia dos norte-americanos e cubanos. Falo do papa Francisco, ele o responsável por essa reaproximação.

Esse fato histórico representa o primeiro grande milagre de Francisco, enquanto vivo. Que sirva de exemplo para aqueles que vivem se digladiando com seus oponentes. O tempo é senhor da razão. Parafraseando os versos de Nélson Mota e Lulu Santos: “nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia. Tudo passa, tudo sempre passará”. O mundo, apesar de tudo, melhora a cada dia. Seres humanos, precisamos, também, seguir o destino das coisas.

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Desmilitarizar a polícia é a nova questão de ordem

Por Nonato Albuquerque em SEGURANÇA

16 de dezembro de 2014

Uma atitude da TV Jangadeiro, ontem, mostrando a imagem silenciosa do estúdio do Barra Pesada ao longo de dez minutos, provocou uma enxurrada de ligações, principalmente de quem acompanhava o programa mas que não conseguiu entender o motivo que expliquei no editorial. A emissora usou o silêncio para gritar contra a violência – ou melhor, contra os resultados pífios alcançados até aqui pelo Governo do Estado no combate a esse inquietante drama. Afinal de contas, até quando a sociedade vai conviver com a insegurança desenfreada, que parece só chamar atenção das autoridades quando algum visitante sofre algum tipo de violência – como os dois casos ocorridos na Beira Mar e na praia do Futuro – para só então, se mobilizarem toda uma operação de guerra para evitar que essas falhas acabem desestimulando a que visitantes incluam a capital cearense no roteiro de suas viagens.

Um ouvinte nosso, da rádio Tribuna Band News, até chegou a questionar a inclusão de mais 2.500 policiais nas ruas, indagando porquê só nesse período de alta estação isso acontece. E indagou mais: o que faz esse contingente nos demais dias? Por que não está servindo à quem mora em Fortaleza? Na época da Copa do Mundo, o reforço policial das ruas surpreendia a todos, a ponto de alguém rezar para que o Padrão FIFA se prolongasse depois do evento. Infelizmente, isso não aconteceu. Terminada a copa, voltamos à estaca zero. À rotina de crimes e criminosos tomando conta das manchetes; do esforço policial tentando à todo custo apagar a incendiária carnificina das ruas, mas ainda longe de atingir os objetivos estabelecidos nas promessas de campanha do governo cearense.

Claro, investimentos foram feitos; mas para citar o prefeito de SP, Fernando Haddad, o atual modelo brasileiro de segurança pública está esgotado. Ele alertou ontem que é oportuno um debate sobre a municipalização e desmilitarização da polícia. É preciso repensar a questão da segurança pública, que tradicionalmente é tratada como um assunto do Estado e fica a cargo de uma polícia militar. Para ele, o futuro passa necessariamente pela questão da municipalização ou federalização da segurança pública e pelo debate da desmilitarização da polícia. Pelo menos, alguém tem noção de que, esse inquietante problema, passa por uma reformulação de competências. Não é a solução, mas já é uma luz no fim do túnel.

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TV Jangadeiro usa o silêncio para gritar contra a violência

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

15 de dezembro de 2014

Dez minutos em televisão é uma eternidade. Principalmente, se levarmos em consideração o preço comercial do espaço. Mas a TV Jangadeiro, hoje, permitiu-se deixar uma imagem silenciosa no vídeo, durante esse tempo, após o editorial do Barra Pesada. Era a forma com que a emissora se indignava com a questão da segurança, promessa de campanha do governo cearense e que, após investimentos em duas administrações não conseguiu maiores resultados, pelo contrário. O número de homicídios cresceu a olhos nus e os planos de governo colocados à serviço da população revelaram resultados pífios e deprimentes. A tv, por isso mesmo, fez um tempo de silêncio pelas vítimas dessa onda violenta ao mesmo tempo em que reivindicou do futuro governante melhor sorte nessa área.

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O mau é transitório

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

12 de dezembro de 2014

Num mundo onde tudo é transitório, passageiro, as ações do mal parecem não ter fim. Ledo engano. O mal é apenas a ausência do bem. Quando confrontado com os benefícios da Vida, somos capazes de avaliar que o homem insiste no erro, apenas por falta de esclarecimento. Embora adultas, muitas pessoas agem como crianças que não medem as consequências dos seus atos.

Alguém, por exemplo, sabe dos riscos que a direção insegura causa. Mas quantos saem por aí, desafiando a velocidade; falando no celular ao volante causando pavorosos acidentes? Por conta dessas imprudências, muitos ficam paralíticos para o resto da vida, quando não perdem a vida ou causam danos à vidas importantes.

O que se vê no dia-a-dia são atos inadequados a quem se diz racional. O motorista que atropelou a mulher na Lagoa Redonda e não encontrou argumentos para explicar o porquê de sua ação inconsequente. Do marido transtornado, que ao discutir com a esposa, perde o controle emocional e acaba atropelando pessoas na rua. Dos jovens que se deixam envolver pelas drogas e acabam escravos, não apenas do vício, mas de operadores do tráfico.

Somos seres racionais, convivendo num ‘vale de lágrimas’, como cita a oração da Salve Rainha; mas temos capacidade de superar tudo isso. Todos temos um dos dispositivos que pode evitar todos esses danos: a nossa consciência. Os gregos orientavam a que cada um buscasse ‘conhecer a si mesmo’. Essa a melhor forma de avaliação do nosso papel como indivíduos em busca de aperfeiçoamento, mas transitoriamente convivendo em provações.

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O 51º assalto a banco

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

04 de dezembro de 2014

Semana passada, o noticiário oficial do governo anunciava a redução em 44 por cento do número de assaltos a bancos no interior. Era um respiro de alívio para as autoridades no enfrentamento a esse tipo de crime. Pois como a contrariar esses dados, no mesmo dia, ocorria a explosão de caixas eletrônicos. Era o assalto de número 50. Só este ano. Hoje, esse número aumentou.

A quinquagésima primeira ocorrência se deu em Pedra Branca, distante aqui da capital, 262 quilometros. Oito homens renderam dois vigilantes de rua e explodiram o Bradesco da cidade. Apesar da explosão, os ladrões não conseguiram levar nenhum centavo. Incomodados, os assaltantes fugiram num carro tomado de assalto de um comerciante e o largaram na localidade de Olho Dágua.

O mais interessante em toda essa história é que, em 2010, Pedra Branca foi alvo de um assalto praticado por 12 homens que, além de roubar dinheiro, sairam dos estabelecimentos ameaçando a população, atirando para o alto e desencorajando qualquer iniciativa de perseguição.

Fui pesquisar sobre a incidência de assaltos a bancos no interior e me deparei com uma outra curiosidade: o mesmo banco já foi alvo de outra tentativa semelhante, no mesmo dia do ano 2012 – como se os bandidos, aproveitassem dezembro, para cumprir uma rotina de fim-de-ano.

É que, nesse período, os caixas detém mais grana, por conta do pagamento dos aposentados, engordados com a parcela do décimo terceiro salário.

Se isso vem se repetindo é que, assentada a poeira das ocorrências, provavelmente, a Polícia larga o caso, não aprofunda as investigações, voltando-se para outras ocorrências. É preciso ir à fundo em cada caso de roubo a bancos, para que isso não estimule os bandidos a repetirem um filme que a população do interior já está cansada de assistir. Sem um final feliz.

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O 51º assalto a banco

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

04 de dezembro de 2014

Semana passada, o noticiário oficial do governo anunciava a redução em 44 por cento do número de assaltos a bancos no interior. Era um respiro de alívio para as autoridades no enfrentamento a esse tipo de crime. Pois como a contrariar esses dados, no mesmo dia, ocorria a explosão de caixas eletrônicos. Era o assalto de número 50. Só este ano. Hoje, esse número aumentou.

A quinquagésima primeira ocorrência se deu em Pedra Branca, distante aqui da capital, 262 quilometros. Oito homens renderam dois vigilantes de rua e explodiram o Bradesco da cidade. Apesar da explosão, os ladrões não conseguiram levar nenhum centavo. Incomodados, os assaltantes fugiram num carro tomado de assalto de um comerciante e o largaram na localidade de Olho Dágua.

O mais interessante em toda essa história é que, em 2010, Pedra Branca foi alvo de um assalto praticado por 12 homens que, além de roubar dinheiro, sairam dos estabelecimentos ameaçando a população, atirando para o alto e desencorajando qualquer iniciativa de perseguição.

Fui pesquisar sobre a incidência de assaltos a bancos no interior e me deparei com uma outra curiosidade: o mesmo banco já foi alvo de outra tentativa semelhante, no mesmo dia do ano 2012 – como se os bandidos, aproveitassem dezembro, para cumprir uma rotina de fim-de-ano.

É que, nesse período, os caixas detém mais grana, por conta do pagamento dos aposentados, engordados com a parcela do décimo terceiro salário.

Se isso vem se repetindo é que, assentada a poeira das ocorrências, provavelmente, a Polícia larga o caso, não aprofunda as investigações, voltando-se para outras ocorrências. É preciso ir à fundo em cada caso de roubo a bancos, para que isso não estimule os bandidos a repetirem um filme que a população do interior já está cansada de assistir. Sem um final feliz.