MOUSE OU MENOS - por Nonato Albuquerque
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MOUSE OU MENOS

por Nonato Albuquerque

Não há domingo de jogo, que a cidade não pegue fogo

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

23 de janeiro de 2017

O velho ditado “não há domingo sem missa e segunda sem preguiça”, bem que poderia hoje ser alterado para “não há domingo de jogo, que a cidade não pegue fogo”. Falo do fogo das paixões. Paixões futebolísticas. Ontem houve clássico. Fortaleza e Ceará foram à campo e do lado de fora, um outro campo – que parecia de guerra – foi armado para deter feras humanas que não sabem se comportar num dia de jogo. Isso, aliás, parece favas contada. Já era previsto.

Toda vez que alvinegros e tricolores se juntam num embate futebolístico, a coisa desanda. A cidade reclama. A população sofre. O ambiente de tensão começa bem antes. O corpo policial entra de prontidão. A escala do efetivo é redobrada. Batalhões inteiros de soldados são escalados para dar conta do antes, durante e depois do jogo. Bombeiros são escalados para o local, junto com agentes de Trânsito, estes a fim de evitarem a ampliação do caos no tráfego. Mais: a cavalaria, a Ciopaer, afora um número enorme de médicos, paramédicos e enfermeiros do SAMU, todos entram em regime de prontidão. Hospitais reforçam seu pessoal para o que possa vir a acontecer. Ruas são previamente determinadas para que as torcidas – ditas organizadas – possam circular sem que se deparem com a rival. É uma operação de guerra, que custa caro e exige reforços humano e de máquinas, além de abrir flancos na vigilância de áreas onde a violência já é gritante. E olha que tudo isso para a realização de um evento esportivo.

Por mais segurança que se invoque, o resultado é sempre lamentável. Corre corre, tiros, provocações, um policial ferido, torcedores presos, gás de pimenta spreizado na cara de quem, muitas vezes, nem tem culpa no cartório, além de farto material apreendido dos que vandalizam o futebol travestidos de torcedores. E não era pra ser assim.
Os domingos de futebol, a exemplo dos religiosos, deviam ser dias de consagração das massas às suas paixões favoritas. Afinal, o que é o futebol senão uma espécie de religião a reunir fiéis de todas as crenças, com os seus protetores na grande celebração.

O estádio aos domingos transparece um templo de devoção desses fiéis, algumas vezes fanatizados pela falta de educação e que, coincidentemente, parecem repetir na prática o mau exemplo de religiosos radicais e fundamentalistas, que se acham no direito de que só eles são donos da verdade.

A missa desse povo é a consumação da partida e a sacramentação do gol. O gol é a elevação consagradora desse encontro.

Infelizmente, ao contrário dos que buscam as igrejas para sagrar o culto à divindade e a seus santos, os fiéis dos estádios não sabem cultuar o valor da vitória, nem tampouco compreender que, ali também, há se de complementar o sacrifício de que uma das partes terá que conviver. E os que tendem a não perceber isso, acabam pegando os verdadeiros torcedores para cristo, preocupados em evocar a violência como se fosse o evangelho deles.

Há que se mudar esse comportamento, para que os domingos de clássico no Castelão, não se tornem em angustiante calvário do verdadeiro torcedor que paga para, naquele templo, se sentir em busca de sublimar o céu do seu time e não para descer ao inferno daqueles a quem só o veneno do ódio sabem destilar.

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Das teorias de conspiração que o País viveu, a esperança foi a única que não morreu

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

20 de janeiro de 2017

Ô povo forte, esse povo brasileiro! Que vive de esperança, o ano todo. Que tem vivido e se alimentado desse sentimento, esses anos todos. Porque se a gente voltar um pouco no tempo, mas desde o fim da ditadura militar, a gente remoe a expectativa de dias melhores para o País, mas sempre esbarra em dificuldades pelo caminho. Quer ver?

Quando tudo sinalizava o recomeço de um novo tempo e o surgimento do que significativamente ficou estabelecido como Nova República, o que foi que aconteceu? Veio o baque. Aquele que mais se identificava com essa possibilidade, morre na véspera da posse. Bastou isso para surgirem as teorias da conspiração de que ele poderia ter sido vítima de um “acidente provocado” e mil histórias que circularam – numa época que nem se falava ainda em redes sociais. Sem Tancredo, o país trilhou momentos esperançosos de que poderia retomar o rumo do crescimento e da convivência harmônica – e fomos resistindo a todas investidas que o “destino” (entre aspas) nos aprontava. Carestia, jogo político desordenado, saúde e educação em baixa; mas tínhamos esperança de que tudo melhoraria.

Veio a Constituição de 88. E adoçamos a expectativa de que o País se reergueria com as demarches feitas por um Ulysses Guimarães e pelo menestrel das Alagoas, Teotônio Vilela. Pois num é que uma tragédia nos rouba doutor Ulysses e um câncer fulminante nos tira Teotônio? Novas teorias da conspiração percorrem as conversas em todos os lugares. Presos à possibilidade de que tudo seria golpe do destino, ligamos nossa atenção à possibilidade de que um caçador de marajás, como ele se identificava, pudesse libertar o País desses intermináveis desassosegos. Collor, infelizmente, se revelou imprudente e inconsequente, posto que entronizou no Planalto uma camarilha que chegou até mesmo a confiscar o dinheiro de quem já não tinha. O tempo passou e fomos transferindo nossa expectativa de esperança em outras figuras.

Se os políticos decepcionavam, o esporte nos levaria a vitórias mais completas. E o mito Ayrton Senna ganhou nossa atenção, até que uma curva em Ímola, na Itália, apaga mais uma vez a chama de esperança. Novamente, teorias de conspiração se renovam. Morriam ídolos; jamais nossa esperança. Um governo popular nos deu a confiança de que tudo mudaria; porém como bem dizia um atento poeta desse tempo, “dormia a nossa pátria-mãe tão distraída, sem perceber que era subtraída em tenebrosas transações”. Pois o danado o destino nos levou exatamente Cazuza!

Para libertar o País dos corruptos, uma cirúrgica operação, a Lava Jato, nos deu esperança de que toda a roupa suja seria passada a limpo e que grandes endividados como empreiteiros teriam seus nomes homologados pela ação de um magistrado que fazia o seu trabalho de forma justa, serena, ética e respeitável. Pois num é que o destino inventou de derrubar o voo onde Teori Zavascki estava, poucos dias antes de ele iniciar o seu mais importante trabalho no Supremo? As teorias de conspiração voltaram a cabeça do povo brasileiro que, apesar dos pesares, não perde a esperança de que, um dia, isso muda. Ô povo cheio de esperança, que somos!

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Crise no sistema penitenciário e o jogo de cena do governo para cumprir formalidade

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

19 de janeiro de 2017

Uma tentativa de fuga na CPPL III já é um sintomático indício de que a onda incendiária de violência que se abateu nos presídios de Manaus, Roraima e Natal pode estar contando as horas para irromper no Ceará. Combustível para isso, não falta. Depois de São Paulo e do Paraná, somos o Estado com maior número de presos ligados ao PCC – Primeiro Comando da Capital. Só para vocês terem uma ideia, o Ceará detém 1.396 presos dessa facção criminosa.

Eu conversei com o presidente do Conselho Penitenciário do Ceará, Cláudio Justa, e ele foi muito sincero ao dizer que, caso a situação venha a se agravar, o governo não terá outra saída senão pedir a ajuda da Força de Segurança Nacional, liberada pelo governo federal para nove Estados. Não sabemos se isso vai resolver a problemática do sistema, todo ele carcomido pela degradação de suas estruturas, pela superlotação e pela falta de pulso dos responsáveis por seu controle. Se o Exército vai entrar nos presídios apenas para fiscalizar, sem contato com os presos, isso soa mais como um jogo de cena do governo, tentando resolver uma situação que vem rolando há décadas com uma improvisada encenação.

As rebeliões são o resultado lógico de décadas de descaso para com a política penitenciária. O drama todo se resume em que as facções criminosas estão, claramente, com o domínio da situação nas unidades penitenciárias. São elas que dão as ordens. Que dizem que deve viver ou morrer. São elas quem deixam humilhadas as administrações desses presídios, sem uma programática de recuperação dos internos. O pessoal que toma conta dos presos, parece estar ali apenas por mera formalidade; preenchendo espaço, para ganhar o seu salário, sem compromisso nenhum com a mudança da situação.

Quer saber porquê isso chegou a esse ponto? Simples, como aponta um especialista em artigo hoje na Folha de SP: “Quanto mais gente é presa, mais insuportáveis se tornam as condições na cadeia. A certa altura, o melhor meio de um recém-ingresso sobreviver no sistema é jurar obediência às organizações criminosas que conseguem impor alguma ordem ao caos. Isso significa que, quanto mais prendemos (e quanto piores forem as cadeias), mais fortalecemos PCCs, CVs, FDNs etc”.

Aliás, a transferência de presos perigosos do sudeste para unidades onde a força do PCC ainda não tinha marcado presença, é outro ponto que fortalece a crise. Hoje em dia, o Norte e o Nordeste são as mais novas fronteiras da expansão do PCC. “As duas regiões, onde três grandes rebeliões já causaram a morte mais de cem presos nos primeiros dias deste ano, têm hoje cerca de 6 mil criminosos ligados à facção de origem paulista. Isso corresponde a cerca de 33% de todos os filiados à organização.

Na avaliação desse especialista, “desarmar essa bomba vai ser trabalhoso e passa pelo resgate da noção de direito penal mínimo. Precisamos encarcerar muito menos gente, legalizando o que não precisa ser crime, como o uso de drogas, e substituindo as penas de prisão por pecuniárias e de restrição de direitos. Sem isso, não vai dar certo”.  Pense nisso.

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Estórias dos tempos da fianga para se contar nas redes sociais

Por Nonato Albuquerque em Conto

17 de janeiro de 2017

BOTA ÁGUA NO KI-SUCO!!!
 
A festa de primeiro ano da criança corria animada. A meninada comia bolinhos e bebia um refresco de groselha gostoso pra danar.
 
Na primeira rodada, o suco veio bem vermelhinho. A segunda alterou o tom: foi um outro amarelinho que se imaginava fosse de maracujá. A terceira leva de meninos tomava um suco pálido, que se pensaria fosse de limão.
 
Nessa altura. os meninos da primeira rodada começaram a se danar querendo voltar pra mesa, para provar daqueles sucos de outras cores.
 
Alguns se esgoelavam, outros se esperneavam porque queriam porque queria beber, também, daquele outro suco.
 
– Eu quero aquele da cor de água, que tão servindo agora! chorava um.
 
– Deve ser de limão; eu quero também- lamuriava outro.
 
Na verdade era o mesmo suco. A mãe comprou apenas dois Ki-sucos na bodega do seu Toim, para o que ela imaginava fosse uma festa de pouca gente; umas 15 crianças convidadas. Acontece que a vila inteira compareceu. E haja água no feijão, ou no caso água no ki-suco.
 
De tanto ‘agüar’ o suco, o que era vermelho da groselha foi amarelando até ficar branco, branco.
 
Na última rodada tinha convidado reclamando que estavam servindo água com açúcar. E faziam cara feia:
 
– Arremaria, na próxima só vem a água! – dizia a vizinha Escolástica, achando um fim de mundo…

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Lições de vida de quem soube vivê-la bem e repassa aos cem anos

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

17 de janeiro de 2017

Todos os dias, a gente vive se defrontando com dramas e problemas de toda ordem. Mas é da vida. Se não fosse assim, a gente não cresceria. Em meio a isso tudo, a vida oferece oportunidades a todos. E é por ela que a gente alcança a chance de cada um se aperfeiçoar. De melhorar. Todos têm lições a aprender e a ensinar, também. Uma senhorinha idosa, chegando à casa dos 100 anos, dona Regina Brett, ela divulgou algumas dicas que a fizeram chegar a essa idade, cheia de fé e de esperança. É simples. Ela diz:
A vida não é justa, mas ainda é muito boa.
Quando estiver em dúvida, dê apenas um passinho pequeno.
Tem gente que leva o tempo se indispondo com as pessoas. A vida é muito curta para perdermos tempo odiando alguém.
Seu trabalho não vai cuidar de você quando você estiver doente. Seus amigos e sua família, sim. Portanto, fique em contato com eles.
Complete todas as suas obrigações a tempo.
E é sempre bom lembrar que você não tem que vencer toda discussão. Concorde em discordar.
Chore com alguém. É melhor do que chorar sozinho.
Uma boa dica é conversar com Deus sobre seus problemas; converse, pois ele ouve.
Tem pessoas que vivem amarradas às lembranças tristes. Sabe o que dona Regina ensina? Faça as pazes com seu passado, assim ele não atrapalhará o seu presente.
Não compare sua vida com os outros. Você desconhece a realidade das outras pessoas.
Não perca nunca a esperança. Tudo pode mudar num piscar de olhos. Se for para o seu bem, você terá o que deseja.
Quando tiver em meio a uma preocupação, tem uma saída: respire fundo. Isso acalma.
Faça uma limpeza de tudo que não for bom. Se desfaça de tudo que não é útil, não é bonito ou alegre.
E quando se trata de ir atrás do que você ama na vida, nunca aceite um “não” como resposta.
Não seja uma pessoa negativa. Aquilo que você considera um “desastre”, pode ser um alerta; um chamado para você tomar iniciativas diferentes.
Além de amar as pessoas, sabe o que é melhor? Perdoar todos por tudo. Afinal, tudo passa.
O tempo cura quase tudo. Então, dê tempo ao tempo.
Não importa quão boa ou ruim estiver a situação, ela irá mudar. Confie em Deus e você conseguirá viver tão bem ou melhor do que a dona Regina Brett que chega aos cem anos aprendendo com a Vida. E ensinando. Pense nisso.

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Situação dos presídios sob controle… dos presos!

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

16 de janeiro de 2017

Vivemos dias de tensão e medo com relação a essa situação dos presídios. O efeito cascata provocado pelo episódio de Manaus e Roraima, parece disseminar-se por outras unidades do País, como acontece agora no Rio Grande do Norte. Mas quem trabalha junto ao sistema já previa que isso iria acontecer. Resultado de anos de ineficácia administrativa junto à enorme legião de presos sem uma conduta capaz de impor-lhes regras e mandos. Hoje, a situação dos presídios está sob controle; mas dos presos.

Contaminados pela falta de uma política que busque cobrar dos internos alguma ocupação útil, os presídios viraram moeda de troca deles para com a sociedade. Para isso, são capazes de usar a vida dos próprios colegas como forma de negociação, provocando o caos em meio a barbárie. O que se assista agora é a consequência da falta de ações, nesses anos todos, buscando atender aos objetivos reais do sistema de correção, que é de excluir os condenados do convívio da sociedade e, também, tentar a difícil mas não impossível, tarefa de ressocialização.

Buscaram-se formas de parcerias com empresas privadas, mas isso não teve efeitos produtivos. Com receio de rebeliões em suas unidades prisionais, São Paulo iniciou a exportação de presos perigosos do PCC para regiões onde os presídios detinham indivíduos com penas brandas por crimes sem maior gravidade. Pois essa convivência promíscua resultou foi em mais aprimoramento do crime. Os daqui aprenderam a ser piores com os piores que vieram de lá.

Surgida em 1993 no interior paulista, a organização criminosa PCC está ramificada hoje em todos os Estados. E os seus líderes detém o controle de grande parte dos presídios. Em alguns deles, é bom que se diga, com o consentimento de agentes públicos que se bandearam para o lado criminoso, sendo corrompidos para facilitar o acesso de drogas e celulares.

É preciso desnudar toda essa dura realidade que vem se produzindo há algum tempo e que, agora, explode em cadeia, quando se tenta impor ordem a um sistema moralmente contaminado. É igual à realidade de políticos que, durante muito tempo, se locupletaram com a corrupção e que, de uma hora para outra, tiveram suas vidas devassadas. Surpreenderam a todos, mas vinham agindo criminosamente em silêncio há algum tempo.

A vida reclama de cada um, o efeito desses atos. É como diz a passagem do Evangelho: “Não há nada oculto que não venha a ser revelado, e nada escondido que não venha a ser conhecido e trazido à luz” A natureza divina que há em cada um de nós, mais cedo ou mais tarde reclamará do que de bom ou de ruim tenhamos feito. Nada fica impune.

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Partiu#Trump: do tamanho do seu ego

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO, COMPORTAMENTO

12 de janeiro de 2017

Quando se vê uma pessoa como esse presidente eleito dos EUA tomando atitudes que fogem às regras do esperado, é que vemos como tem gente que se acha auto-suficiente, pensando ser melhor que as outras, como se fossem donos do mundo e da verdade.

Ninguém pode se considerar conhecedor de tudo. Por isso, quando Donald Trump desagrega as pessoas, incitando à xenofobia, que é a aversão e antipatia em relação aos estrangeiros – anunciando a expulsão de todos os latinos, a construção de um muro na fronteira do México e levando as pessoas de seu país a pensarem que só elas são as melhores -, isso nos faz lembrar que ninguém é nada sozinho. Que ninguém faz nada sozinho. Uma nação se constroi com o esforço e a ajuda de todos os povos vindos dos mais diferentes lugares.

Eu li ontem nas redes sociais, uma frase que me inspirou esse comentário: “O ser humano sabe que até pra morrer, precisa de alguém para enterrá-lo”. E é verdade. Nós todos dependemos de outros para existirmos. Dos pais para nos conceber. Da ajuda de mãos amigas para nascermos. De outras para o aprendizado. Ninguém é uma ilha para se sentir suficientemente capaz de fazer tudo sozinho.
Em todos os lugares, profissionais atuam em equipe para dar conta de suas tarefas. Aqui mesmo na tv, eu preciso do trabalho dos repórteres, dos câmeras, do diretor de imagem, do sonoplasta, da moça dos caracteres e de uma enorme legião de outros profissionais para chegar esse noticioso até você.

Quem se acha capaz de fazer tudo sozinho, é alguém ainda muito equivocado, que não percebeu da necessidade do outro para dar conta do serviço.
Quando indagado sobre qual era a maior chaga da humanidade, um sábio do século 18 revelou uma verdade: é o egoísmo. Porque impede o progresso moral.

Se pensarmos bem, toda essa desordem social de corrupção, degradação política, violência, insegurança e dor, provém unicamente de pessoas que se consideram donas de si e têm aquele mesmo pensamento tacanho de que “eu sou eu, depois de mim só meu retrato”. Como se achassem capazes de fazer tudo sozinhas.

Se você ainda pensa dessa maneira, procure mudar para se conscientizar sobre o novo tempo que já reina no mundo. Onde os valores da vida são outros. Onde o respeito a concidadania, a boa convivência, é tudo. Só mesmo os retardatários do progresso humano é que ainda sobrevivem como se tivessem um rei na barriga. Assim como alguns animais, esse tipo de gente, também, é uma espécie em extinção.

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Para quem culpa a internet por nossos equívocos

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

10 de janeiro de 2017

Desde que o mundo existe que os indivíduos se dividem entre o bem e o mal. De Abel e Caim, passando por Gandhi e Hitler, sempre houve exemplos desses dois polos contraditórios do comportamento humano. É que a bondade e a maldade são aspectos inerentes da alma humana; seja ela devotada as atitudes positivas ou negativas.

Em geral, evita-se assumir a responsabilidade dos erros que se comete e costuma-se lançar a culpa em determinado invento que tenha sido criado pelo próprio homem. Houve um tempo em que se culpava até os livros por despertarem a consciência dos mais jovens. O “Crime do padre Amaro” era livro proibido, por contar a história de um sacerdote que se apaixonara e largara a batina. Fim de mundo, diziam. Depois usou-se a Música, colocando os ritmos da era do rock como coisas do demônio a influenciar negativamente a juventude. Chegava-se a rodar disco de trás pra frente para ouvir a mensagem subliminar de Satã. Discos da Xuxa…

Havia sempre um jeito de se desviar o foco da questão para livrar-se da responsabilidade. O cinema, essa arte fabulosa dos irmãos Lumiere, já foi alvo de campanhas por promover a desavença em família. A dança teve sua cota de culpa, quando casais licenciosos chegavam a ficar “téte-a-téte”, dançando juntinho. Quando se separaram, foi outro rebuliço dos mais conservadores: que dança horrível – chegavam a dizer. As ideias modernistas foram sempre comparadas a coisas pecaminosas.

Nos anos 60, a minissaia foi considerada uma falta de vergonha pelas famílias tradicionais, esquecidas de que nossas avós indígenas também se surpreenderam, no início da colonização do Brasil, mas foi ao verem descer das naus portuguesas mulheres vestidas da cabeça aos pés, conflitando com a natural nudez de nossas índias. Tudo é relativo. Mas a ignorância humana, no afã de buscar um culpado que não fosse ele, sempre esteve apontando o dedo acusador para algo ou alguém.

A televisão já foi criticada por alterar a rotina sagrada das famílias. E se eu lhes dissesse que, houve ocasião, em que religiosos mais pudicos chegavam a proibir a leitura da própria Bíblia, com receio de interpretações fora da conveniência de cada religião. Verdade! Desde a lenda bíblica do pecado original, o ser humano resolveu jogar na serpente a culpa pelo seu procedimento equivocado. E, assim, fazemos hoje em dia. Tudo que é ruim, agora, é culpa da internet – o que parece uma desculpa para não assumir a verdadeira causa de nossa irresponsabilidade.

Ainda ontem, ouvi alguém aqui mesmo colocar a culpa na bebida pela falta cometida junto a uma criança. Nunca somos culpados; sempre temos um álibi para despistar os reais motivos de nossa incúria e irresponsabilidade. Todos os inventos humanos foram criados para colaborarem com a melhoria do nosso progresso; o mau uso deles sim, é que tem a ver com a verdadeira causa de nossas atitudes impensadas.

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É preciso recuperar a sanidade do mundo

Por Nonato Albuquerque em Sem categoria

09 de janeiro de 2017

Há quem diga que o mundo anda louco. Virado de cabeça pra baixo e que é preciso recuperar a sanidade do mundo. Não é o mundo não; são algumas pessoas do mundo. A barbárie tomou assento nos presídios, levou um juiz de Roraima a um tipo de reação que chocou as pessoas: é que para prevenir novas chacinas, ele mandou soltar 161 presos. Nas redes sociais, isso teve efeito de uma bomba. Disseram que a atitude do magistrado ia ser pano pras mangas de facções do PCC e da FDN que passariam a pensar: ah! as chacinas abrem as portas das cadeias. Então, uma degola equivale a um alvará de soltura. Mas não é nada disso, gente.

Os internos que foram mandados para casa eram presos em regime semiaberto, que, pelo sistema aplicado na prática, já passam o dia todo soltos e só voltam para a cadeia para dormir. É uma maneira de prevenir a vida deles, já que as chacinas de Manaus acabaram por envolver internos de menor gravidade. Os presos mais perigosos, esses é que estão ditando as normas de dentro das unidades penitenciárias.

Para confirmar que não é o mundo que está louco, mas alguns de seus moradores, tem o caso do secretário nacional de Juventude, Bruno Júlio. Vocês leram o que falou sobre o caso das penitenciárias? Ele disse que “tinha que matar mais presos, tinha que fazer uma chacina por semana”. Escolhido para equipe do presidente Temer, esse representante da juventude se viu obrigado a pedir demissão depois da tolice que falou. Sim, porque a solução para a violência não passa pela violência. Esse é pensamento daqueles que ainda se situam no primarismo das ideias, achando que é possível se reverter o mal utilizando-se do mesmo efeito. Há quem seja pago para ter pensamentos sombrios, idéias de jerico – mesmo que no mundo existam aqueles que insistam em análises pessimistas.

Apesar de estarmos relatando aqui o espelho do nosso cotidiano com essas notícias, temos noção do mundo real. E sabemos que a humanidade nunca foi tão rica, tão saudável, tão longeva – como eu li num livro este final de semana. “Há menos guerras; menos mortes em partos. A cada dia se vê mais simpatia e carinho por crianças, animais, religiões alternativas. Centenas de seres humanos foram retirados da subsistência miserável. Doenças como varíola, poliomielite, cólera, sarampo, as altas taxas de mortalidade infantil, o analfabetismo, foram banidos de alguns países. Não faz muito tempo essas pragas estavam em todas as partes”, lembrou o autor.

Os benefícios da tecnologia hoje são amplamente usados por ricos e pobres. Por que todo esse avanço material não é acompanhado do progresso moral? É que as bases da família, da escola, da religião, em muitos lugares, ainda se sustentam em padrões vinculados a ditames ultrapassados, onde se configuram o machismo, o ódio, as vendetas de sangue, ao predomínio do poder do mais forte e, principalmente, da falta de atenção das autoridades para com os núcleos de recuperação dos que ainda se associam à violência.

Precisamos largar esse ranço de bicho das cavernas que ainda vestimos e aderirmos ao mundo das oportunidades do bem, da justiça, da verdade. Esses sim, selos de grandeza da alma e que parece foram lançados na lata de lixo do nosso dia-a-dia, por aqueles que pensam ser modernos, mas agem como faziam nossos selvagens tataravós. A cabeça desses antiquados precisa tomar juízo. A vida é uma concessão divina; e só a Deus pertence.

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Nada é mais fora de moda que um soneto

Por Nonato Albuquerque em POESIA

07 de janeiro de 2017

Nada é mais fora de moda que um soneto.
Eu, de teimoso, insisto sempre em tê-lo.
É que de tudo o que na vida eu prometo
acabo por descumprir a esse meu apelo.

Um soneto é algo antiquado, como amuleto
do ontem que o hoje quer prescrevê-lo,
Mas convive em mim como se fosse um dueto
que imagino apenas só eu consiga lê-lo.

Nessa disputa entre eu e não sei quantos
vou ganhando tempo e sonetos carregando
até que um dia a modernidade me reclame.

Eu sou de eras outras onde poemas e cantos
eram arte de uma arte que irá durar até quando
houver alguém que a faça e alguém que a ame.

®nonato albuquerque

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Não há domingo de jogo, que a cidade não pegue fogo

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

23 de janeiro de 2017

O velho ditado “não há domingo sem missa e segunda sem preguiça”, bem que poderia hoje ser alterado para “não há domingo de jogo, que a cidade não pegue fogo”. Falo do fogo das paixões. Paixões futebolísticas. Ontem houve clássico. Fortaleza e Ceará foram à campo e do lado de fora, um outro campo – que parecia de guerra – foi armado para deter feras humanas que não sabem se comportar num dia de jogo. Isso, aliás, parece favas contada. Já era previsto.

Toda vez que alvinegros e tricolores se juntam num embate futebolístico, a coisa desanda. A cidade reclama. A população sofre. O ambiente de tensão começa bem antes. O corpo policial entra de prontidão. A escala do efetivo é redobrada. Batalhões inteiros de soldados são escalados para dar conta do antes, durante e depois do jogo. Bombeiros são escalados para o local, junto com agentes de Trânsito, estes a fim de evitarem a ampliação do caos no tráfego. Mais: a cavalaria, a Ciopaer, afora um número enorme de médicos, paramédicos e enfermeiros do SAMU, todos entram em regime de prontidão. Hospitais reforçam seu pessoal para o que possa vir a acontecer. Ruas são previamente determinadas para que as torcidas – ditas organizadas – possam circular sem que se deparem com a rival. É uma operação de guerra, que custa caro e exige reforços humano e de máquinas, além de abrir flancos na vigilância de áreas onde a violência já é gritante. E olha que tudo isso para a realização de um evento esportivo.

Por mais segurança que se invoque, o resultado é sempre lamentável. Corre corre, tiros, provocações, um policial ferido, torcedores presos, gás de pimenta spreizado na cara de quem, muitas vezes, nem tem culpa no cartório, além de farto material apreendido dos que vandalizam o futebol travestidos de torcedores. E não era pra ser assim.
Os domingos de futebol, a exemplo dos religiosos, deviam ser dias de consagração das massas às suas paixões favoritas. Afinal, o que é o futebol senão uma espécie de religião a reunir fiéis de todas as crenças, com os seus protetores na grande celebração.

O estádio aos domingos transparece um templo de devoção desses fiéis, algumas vezes fanatizados pela falta de educação e que, coincidentemente, parecem repetir na prática o mau exemplo de religiosos radicais e fundamentalistas, que se acham no direito de que só eles são donos da verdade.

A missa desse povo é a consumação da partida e a sacramentação do gol. O gol é a elevação consagradora desse encontro.

Infelizmente, ao contrário dos que buscam as igrejas para sagrar o culto à divindade e a seus santos, os fiéis dos estádios não sabem cultuar o valor da vitória, nem tampouco compreender que, ali também, há se de complementar o sacrifício de que uma das partes terá que conviver. E os que tendem a não perceber isso, acabam pegando os verdadeiros torcedores para cristo, preocupados em evocar a violência como se fosse o evangelho deles.

Há que se mudar esse comportamento, para que os domingos de clássico no Castelão, não se tornem em angustiante calvário do verdadeiro torcedor que paga para, naquele templo, se sentir em busca de sublimar o céu do seu time e não para descer ao inferno daqueles a quem só o veneno do ódio sabem destilar.