MOUSE OU MENOS - por Nonato Albuquerque 
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MOUSE OU MENOS

por Nonato Albuquerque

Do lixo do poder ao poder de quem trabalha o lixo

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

16 de Fevereiro de 2018

Duas escolas de samba do carnaval do Rio, a Paraíso da Tuiutí e a Beija Flor, levaram para a avenida, este ano, o drama dos que ainda convivem com a miséria social de um País, reconhecidamente rico mas de uma aviltante pobreza da maior parte de sua população.
Do tempo da escravidão aos dias de hoje, muitos brasileiros sofrem na pele a injunções de uma política que privilegia uma pequena parcela, enquanto a maioria de sua gente está entregue à sorte e ao seu destino. Entre esses, estão os operários que atuam nos lixões e todos aqueles que, de alguma maneira dependem do ciclo do que é descartado pela sociedade.

Gente simples, obrigada a viver no meio do lixo como se dele fosse, sem obter dos eleitos por eles nenhum benefício que amenize o drama de amanhecer e anoitecer recolhendo material que lhes dê a própria sobrevivência.
Se a gente se colocar no lugar de um deles vai se surpreender com a enorme dificuldade de conviver em um ambiente inóspito, contaminado – e que, muitas vezes, os catraeiros (como eles são frequentemente chamados) acabam por contrair doenças que lhes retiram a força e os remetem às filas do SUS.

Entre eles e o poder vigente há uma distância enorme; um fosso profundo a dividi-los. Porque poucas são as ações em favor de melhorar o padrão de qualidade desse trabalho. E, a maioria dos que ali atuam, o fazem por falta de condições pessoais para ocupar outros postos de trabalho. Pois é exatamente aí que os dirigentes deviam demonstrar a importância de governar, melhorando essas condições dos mais simples, dos mais necessitados, a fim de minimizar o drama de quem precisa depender do lixo.

O olhar denunciador, revelado pelas lentes de uma matéria especial do Barra, é uma provocação e um desafio a que se melhore a vida de quem ajuda na assepsia da cidade, evitando que nós venhamos a contrair mais doenças caso não houvesse o importante trabalho desses homens e mulheres que merecem toda a nossa consideração.

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A rotina alterada dos telejornais por conta da violência

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO, SEGURANÇA

15 de Fevereiro de 2018

Não tem jeito não; quanto mais se combate a violência e se propaga a necessidade de uma convivência de paz entre as pessoas, mais e mais essa chaga terrível da alma humana se amplia na sociedade. Falo da violência. Seja aqui em Fortaleza ou em qualquer parte do mundo, ela domina as manchetes; deixa a população sobressaltada. Altera a rotina dos noticiosos da tv – e não apenas em programas específicos, mas todo o noticiário espelha um momento terrível do ser humano.

Pra vocês terem uma ideia, na mesma tarde em que aqui em Fortaleza, o músico Waldonys e seus dois filhos sofriam um assalto ao retornar para a cidade, lá nos Estados Unidos, também dois filhos do ex-presidente do Fortaleza esporte Clube passavam pelo tormento da tragédia numa escola americana, onde um atirador acabou matando mais de uma dezena de pessoas e ferindo outras tantas.

Curioso é que Luis Eduardo Girão, o empresário, ao se mudar para a Flórida, além de visar a educação dos filhos, buscava protegê-los da violência que, em Fortaleza, chegou a proporções terríveis.

Por isso, a campanha da Fraternidade, que a Igreja Católica prioriza este ano, busca avaliar a necessidade de se refletir sobre esse momento da civilização. Onde todos estamos no mesmo barco. E que se para vencer esse momento, é preciso cada um empenhar-se em primar por uma convivência pacífica, evitando os confrontos, as discussões, para chegarmos a um tempo menos terrível como os dias em que vivemos. Pense nisso.

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Fortaleza x Rio: a insegurança que nos separa

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO, SEGURANÇA, Sem categoria

14 de Fevereiro de 2018

Ouvi um turista carioca dizer que veio à Fortaleza passar o carnaval, para fugir da intranquilidade do Rio de Janeiro. E aquilo me deu uma certeza de que, apesar de tudo o que a capital cearense tem vivido em termos de insegurança, ainda estamos bem distantes de sermos comparados aos caos institucionalizado pela bandidagem na cidade maravilhosa. O turista acentuou que buscou o Ceará porque aqui há tranquilidade e, por isso mesmo, resolveu buscar usufruir desse benefício.

Alguém poderá achar que esse visitante desconhece a nossa realidade; mas, apesar de sermos uma cidade violenta, não tem comparação com a loucura que chegou o Rio. Lá, bandidos controlam quem deve entrar e sair das comunidades dominadas por eles. Não há um só dia em que trocas de tiros constantes, façam com que balas perdidas encontrem sempre alguém para preencher os números do obituário. Bandidos armados circulando em plena luz do dia, desafiando o que ainda resta de ‘autoridade’, mesmo com as forças de Segurança Nacional auxiliando esse trabalho.

Por aqui, a gente se sente insegura, sim. Mas bem longe de qualquer comparação com o absurdo a que chegou o Rio de Janeiro, a ponto de o turismo internacional ter registrado queda no número de visitantes famosos que, habitualmente, acorriam ao carnaval carioca.

Queira Deus que a nossa violência seja controlada, evitando que esses números indesejáveis continuem a nos deixar intranquilos; torcendo para que jamais cheguemos ao patamar a que as autoridades deixaram se transformar a antiga cidade maravilhosa.

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Para encarnar o carnaval numa real

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

09 de Fevereiro de 2018

O roteiro deste fim de semana da maioria do povo brasileiro passa por alguma avenida iluminada, se diverte em um baile de fantasia ou no simples fato de se deixar cair na folia, seja onde for, com quem for e haja o que houver. Reina absoluto entre nós, esse fenômeno chamado carnaval.

Nele, o comum de todos é dar asas à fantasia, viver a festa com uma identidade fora do contexto diário, esquecer as preocupações e ser mais um folião adepto do que a expressão ‘folia’ tem de mais original: folia vem do francês ‘follie’ e significa loucura. E é aí que reside a preocupação.

Achando que o carnaval é época de liberação total, de fazer o que bem quer, muitos se deixam levar pelos excessos e acabam amargando na quarta-feira as consequências de seus atos.
Carnaval sim, mas com os cuidados que tudo na vida exige; para que a alegria possa superar os problemas do dia a dia, mas sem jamais perder o foco de que é preciso muito bom senso e cuidado.

No trânsito, no consumo de bebida, na forma de brincar, evitando os excessos que, muitas vezes, transformam em tragédia o que era para ser alegria e brincadeira.

Feliz carnaval para todos.

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Sou otimista, e daí?

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO, COMPORTAMENTO, SEGURANÇA

08 de Fevereiro de 2018

Dizem que eu sou otimista, por entender que, apesar de tudo o que acontece de ruim, há sobras de esperanças aguardando o instante de estabilizarem o equilíbrio das coisas. Sou sim. Basta ver, por exemplo, na vida de todos nós. Quando uma dor ou uma doença nos causa aflições, ninguém pensa em se matar por causa disso. O bom sendo recomenda recorrer-se a formas medicamentosas de combate. Um analségico consegue estancar uma dor de cabeça. Um simples chá é possível melhorar um mal estar do estômago. Algumas gotas de qualquer remédio aliviam o sofrimento que estejam se produzindo em nosso organismo.

A mesma coisa acontece com o mundo. Se lá fora a tempestade da violência arrasa ambientes e vidas, há incalculáveis recursos de se alterar esse padrão mental que leva ao medo e a insegurança. Um deles é a cultura de paz. É preciso criar uma mentalidade de pacificação coletiva, num esforço que deve reunir desde os setores públicos – governo, instituições e pessoas – quanto a atitude de cada um, em procurar preservar-se no bem comum de todos.

Um especialista em cultura da paz disse que se a sociedade se mobilizasse verdadeiramente em busca da paz, do mesmo modo que se mobiliza para os embates de guerra, seria facílimo acabar com a violência humana. Acontece que, diante do mal, a maioria das pessoas acha que a única saída é usar os mesmos recursos: Combater o mal com o mal. A violência com a violência. E aí, o velho ditado de que “só brigam dois quando um quer”, perde o seu verdadeiro sentido. Somos otimistas, porque acreditamos na inteligência humana. E a inteligência de alguns sempre tem sobrepujado a ignorância de muitos. Inclusive, a que formata toda essa violência.

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O plantio do mal

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

06 de Fevereiro de 2018

A violência da cidade pode até deixar uma impressão ruim, a ponto de pessoas evitarem sair à noite para atender ao lazer, restringindo a ida aos compromissos. Na verdade, não podemos nos ater a esse tipo de neurose, ainda que estejamos em meio a uma violenta onda de insegurança. É necessário lembrar que a criminalidade é apenas um ponto sofrível em meio a extensa rede de bênçãos que a vida nos promove.

Diante do fato infeliz provocado por aqueles que ainda persistem no mal, há milhares de vidas buscando o bem estar de si e dos outros; seja pelo estudo; pelo trabalho; pela troca de gentilezas e pelo exercício voluntário do amor ao próximo.  Isso é significativo.

Se há falhas no sistema que nos dá segurança pública e as operações de combate ao mal ainda são precárias, é preciso lembrar que o agente mais poderoso na edificação de um mundo melhor é você.Somos todos nós.  Na competência do que pensamos. E do que fizermos.

Por isso, não espere cair do céu as respostas pela melhoria da vida e do mundo, se você é peça importante na edificação desse mister. Somos nós os construtores do nosso destino. E o que fizermos em favor do bem, iremos obter os resultados satisfatórios. Porém, tudo o que se fizer em relação a sentimentos negativos, como fomentar ódio, inveja ou ciúme, teremos como resultado a expansão desse plantio do mal que tanto desagrada a tudo e a todos. Pense nisso.

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Do batismo de sangue à transformadora mudança do Forró do Gago

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

02 de Fevereiro de 2018

Depois da tempestade, diz o ditado, vem a bonança. E isso nunca foi tão atual quanto se está vendo aqui no ceará. Foi preciso uma chacina com o sacrifício de 14 vítimas para que se tomassem iniciativas referentes a botar freio na violência. Foi depois de uma tragédia numa delegacia de Itapajé que se mobilizaram entidades ligadas à questão da segurança, apesar de todos os índices alertarem para a inflação das mortes violentas.

Tudo isso levou o governo a promover encontros fora do expediente. A correr à Brasília e pedir ajuda ao presidente,. A OAB fazer pressão para que se tome pé da situação, caso contrário seria conveniente chamar a Força de Segurança Nacional. Até o Judiciário, muitas vezes tão distanciado da situação dos condenados que ela envia aos presídios, começou a sair da sua cômoda posição de inércia.

Antes tarde do que nunca. Na delegacia, onde prestou depoimento ontem sobre a chacina dop bairro Cajazeiras, o dono do “Forró do Gago”, anunciou que o imóvel onde as facções fizeram um batismo de sangue na última semana, vai se transformar num palco de orações, já que o imóvel será alugado por uma igreja evangélica. Realmente, confirma-se mais uma vez que o brasileiro só fecha a porta depois de roubado.

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Pena de morte, não; pena de Vida sim

Por Nonato Albuquerque em POESIA

31 de Janeiro de 2018

pena de morte, gritam nas ruas as vozes,

ante a avalanche da violência que salta

aos olhos de quem vive o estupor da malta

e se obriga a viver com a fúria dos algozes.

 

por toda a parte, só lamentos atrozes

medo do crime que a todos sobressalta

já que o poder de vencê-lo parece em falta

diante das ações que imprimem esses algozes.

 

no silêncio das igrejas, mães desfiam rosários

pelos filhos que as facções silenciaram

e que foram viver no lado oposto da luz

 

pena de vida a todos, advogam os emissários

do alto, que dos humanos nunca se separam

e repetem as lições do bom mestre Jesus.

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Há esperança por trás da provação sombria

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

31 de Janeiro de 2018

Eu sei que você, que nos acompanha diariamente, deva estar crente de que dificilmente as coisas melhorem em relação à questão da segurança e que a maldade imposta pelos desajustados continuará a prevalecer. Acredite, isso tudo é passageiro. Não seja daquelas pessoas que acreditam que o mal nunca vai se acabar na Terra. Há saídas para tudo. Nada é eterno. Por mais que indivíduos sem escrúpulos arquitetem planos de horror, preguem e ajam na violência, nas iniciativas de corrupção e falta de moral, tudo tem um fim. É possível sim, acreditar que as forças do bem estão preparadas para agir de forma contrária ao que se vê hoje em dia.

Alguém sabe explicar por que, no mundo, a influência dos maus sobrepuja a dos bons? Essa foi uma pergunta feita no século 19 por um educador e cuja resposta admirável aponta para a fraqueza dos bons. “Os maus são intrigantes e audaciosos, enquanto os bons são tímidos”. Quando os bons se dispuserem a se revelar, a agir como manda a razão e as virtudes propaladas pela humanidade, aí sim, o mal será dissipado da face da Terra e os bons preponderarão.

Na própria Natureza, nada é permanente. Há tempo de plantar e de colher. Há tempo de sorrir, assim como há tempo de chorar. Mas. na verdade, sempre é tempo de esperança. Ainda que os dias sejam de provação.

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Em Fortaleza, um dia é de guerra. O outro é para enterrar os mortos

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO, SEGURANÇA

29 de Janeiro de 2018

Em Fortaleza, um dia é de guerra. No outro, também. As facções criminosas dominam as ‘quebradas’ – os bairros pobres -, onde investimentos de lazer não batem ponto, restringindo-se a áreas nobres da cidade. Os manos, se associam ao tráfico e se dividem em bandos. O CV e o GDE ou 745 que é a numeração das iniciais do grupo são dois da meia dúzia que já se bandeia por aí.
Nas redes sociais eles se tratam e se destratam. Publicam fotos de quem é da facção oponente e que precisa ser eliminado. Os inimigos são tratados como pilantras, sebosos e com o indicativo de que precisam ser mortos. Cenas de execução são mostradas sem que as imagens ganhem nenhuma maquiagem.

O perfil dos integrantes dessas facções é facilmente identificado: jovens, de linguajar chulo, ausência de qualquer conceitos de moral, além da visível ostentação de poder, via cordões, relógio e anéis banhados a ouro, sem falar armas nas mãos. Sabe-se que alguém é do CV – pelo indicador e maior de todos – apontados para as câmeras. Quem é do 745 se torna visível nas redes sociais pela indicação de 3 dedos da mão. Quem imaginaria o símbolo de Paz e Amor virar propriedade de criminosos?

Há algum tempo atrás, porta-vozes do governo negavam a existência de facções criminosas. Hoje, essas facções parecem não acreditar é que exista governo capaz de freia-las, quando assumem táticas de terrorismo, matando inocentes como no forró do Gago, forçando moradores a se picarem da comunidade, buscando matricular novos sócios como faz o PCC ou invadindo fóruns na tentativa de limpar as fichas de cada um. Mas, segundo a autoridade da Segurança, tudo isso não é motivo para pânico. Até quando as autoridades irão fechar os olhos para essa realidade triste da periferia, que só reflete a falta de oportundiades, emprego e educação? Isso, provavelmente, porque não dá visibilidade política nenhuma.

Em Fortaleza, um dia é de guerra. No outro é para se enterrar os mortos, pois a guerra continua.

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Em Fortaleza, um dia é de guerra. O outro é para enterrar os mortos

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO, SEGURANÇA

29 de Janeiro de 2018

Em Fortaleza, um dia é de guerra. No outro, também. As facções criminosas dominam as ‘quebradas’ – os bairros pobres -, onde investimentos de lazer não batem ponto, restringindo-se a áreas nobres da cidade. Os manos, se associam ao tráfico e se dividem em bandos. O CV e o GDE ou 745 que é a numeração das iniciais do grupo são dois da meia dúzia que já se bandeia por aí.
Nas redes sociais eles se tratam e se destratam. Publicam fotos de quem é da facção oponente e que precisa ser eliminado. Os inimigos são tratados como pilantras, sebosos e com o indicativo de que precisam ser mortos. Cenas de execução são mostradas sem que as imagens ganhem nenhuma maquiagem.

O perfil dos integrantes dessas facções é facilmente identificado: jovens, de linguajar chulo, ausência de qualquer conceitos de moral, além da visível ostentação de poder, via cordões, relógio e anéis banhados a ouro, sem falar armas nas mãos. Sabe-se que alguém é do CV – pelo indicador e maior de todos – apontados para as câmeras. Quem é do 745 se torna visível nas redes sociais pela indicação de 3 dedos da mão. Quem imaginaria o símbolo de Paz e Amor virar propriedade de criminosos?

Há algum tempo atrás, porta-vozes do governo negavam a existência de facções criminosas. Hoje, essas facções parecem não acreditar é que exista governo capaz de freia-las, quando assumem táticas de terrorismo, matando inocentes como no forró do Gago, forçando moradores a se picarem da comunidade, buscando matricular novos sócios como faz o PCC ou invadindo fóruns na tentativa de limpar as fichas de cada um. Mas, segundo a autoridade da Segurança, tudo isso não é motivo para pânico. Até quando as autoridades irão fechar os olhos para essa realidade triste da periferia, que só reflete a falta de oportundiades, emprego e educação? Isso, provavelmente, porque não dá visibilidade política nenhuma.

Em Fortaleza, um dia é de guerra. No outro é para se enterrar os mortos, pois a guerra continua.