MOUSE OU MENOS - por Nonato Albuquerque
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MOUSE OU MENOS

por Nonato Albuquerque

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Se todo preso for reclamar indenização por condição degradante…

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

22 de fevereiro de 2017

No país onde o comportamento de algumas autoridades fere a decência do cidadão comum, tudo é possível. O governo errar suas contas, ficar endividado com as distribuidoras de energia e decidir que somos nós que vamos pagar a conta, é bem característico do Brasil. Não somos um País sério, já dizia o velho De Gaulle.

Nessa mesma linha de raciocínio, não custa nada, o governo acabará repassando para o povo a conta para indenizar presos que passam por alguma situação degradante nas cadeias. O Supremo já decidiu: presos podem ser indenizados, até por conta de superlotação – algo tão real em todo o sistema penitenciário. Isso gerou muitas discussões.

Na verdade, os magistrados agem dentro de princípios humanitários. O Estado é quem custodia os presos; é o responsável por eles. Alguns vão dizer que preso nenhum merece regalias; mas a ação visa é cobrar a responsabilidade da Nação para com os que estão reclusos em condições sub-humanas.

O caso analisado foi de um preso do Mato Grosso do Sul que estava em cela com capacidade para 12 pessoas, mas abrigava cem presos. Por falta de espaço, o condenado dormia com a cabeça no vaso sanitário. Ele foi condenado a 20 anos de prisão por latrocínio, que é roubo seguido de morte. Cumpriu o tempo de prisão e está em liberdade. O condenado pediu na justiça indenização de um salário mínimo por mês que ficou no presídio em condições degradantes. O temor é se cada preso começar a cobrar a sua parte.

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Sinal de alerta para evitar o perigo

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

15 de fevereiro de 2017

Dias de preocupação, esses que vivemos. A par de toda essa onda de violência que sacode lares, que afasta famílias e deixa órfãs mães de filhos tragados pelas drogas, não se pode perder a esperança. 

Diante de tudo isso, diz o sábio André Luiz, não é fácil manter a calma, quando só há 0fensas. Difícil é manter a compreensão, quando tantos atacam. 

Quase impossível ter paciência, quando tantos sucubem. 

Todos sabemos que o malfeitor, ataca. Que o egoísta, toma. Que o tirano, domina. Que o esperto, engana. Que o prepotente, impõe. Que o mentiroso, confunde.  Que o agressor, fere.  Que o maldoso, aflige… 

Todos sabemos que o mundo ainda pertence aos violentos e oportunistas, sem qualquer compromisso com o bem. Mas é preciso lembrar que o trabalho, dignifica. Que o perdão, alivia. Que a caridade, aproxima.  Que o equilíbrio, acalma. Que a paz, harmoniza.

Portanto, se você já tem pelo menos uma dessas virtudes em prática – ajude o mundo a ser melhor. E iremos melhorar a vida de cada um de nós. 

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Cada um pode auxiliar a diminuir a violência da cidade

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

14 de fevereiro de 2017

Se tem uma coisa que os telespectadores do Barra Pesada sempre fazem referência, quando encontro com eles por ai, é ao final do programa. Esse editorial. Por ser o momento em que a gente faz uma reflexão em torno de assuntos relacionados ao comum do programa, na tentativa de se buscar esclarecimento sobre a importância de cada um de nós na luta contra esse mal que é a violência. Na verdade, todos reclamamos da falta de segurança, do número de crimes em nossa capital, mas qual é a contribuição de cada indivíduo para evitar que a violência diminua? Todos somos responsáveis.
Aquele que alimenta um pé de briga; uma inimizade e não busca refrear em si o ímpeto de vingança, é sim culpado por esse desassossego que a cidade assiste. Quem, por qualquer motivo, não sabe relevar uma palavra de ofensa e já parte pra briga, acaba contribuindo para a desordem da violência. Quem não busca conviver bem na sua comunidade e, por qualquer besteirinha, já anda de cara amuada, feito um bicho bruto, mal sabe que é um incentivador do mal.

Para vencer a onda de violência que essa cidade registra, preciso é que as pessoas se desarmem – e não só das armas convencionais não – mas se desarme do espírito de ódio com o qual nos alimentamos e que é o responsável em ocasiões por crimes inexplicáveis; pelas brigas intempestivas; pela mágoa que se guarda no coração, como se ele fosse lixeira – e por qualquer indisposição que se fizer contra quem quer que seja.

A violência existe porque existem pessoas não sabem controlar seus ímpetos de raiva e suas emoções mais fortes. Se briga por um motivo banal qualquer, incapaz que somos de chegar até àqueles com que nos indispomos para uma conversa esclarecedora, um diálogo que possa diminuir as diferenças.

Tem uma mensagem circulando por aí que diz que é preciso ter vibrações boas para se evitar situações difíceis. E a pura verdade. “Pensamentos infelizes geram vibrações negativas. Vibrações negativas atraem outras, criando uma aura de perturbação”, por onde quer que você vá. Pessoas pessimistas, que adoram cobrar dos outros aquilo que não fazem, acabam sugando as energias boas e ameaçando o relacionamento.

Quando você está de bem com a vida, tudo se reflete a seu favor. Quem não tem interesses egoístas; quem faz o seu trabalho sem pensar em interesses pessoais, vibra positivamente e cria um campo de força como um escudo de proteção. Os egoístas, pelo contrário, são como zumbis a roubar as energias edificantes de cada um, criando desarmonia por onde circule, como um vampiro que rouba as nossas forças mais íntimas.

Por isso, não crie campos de desânimo ao seu redor. Evite desprender energias negativas que acabam acumulando o ambiente onde você convive, seja no trabalho ou em casa, porque são dessas sensações nefastas que o mal se alimenta. É desse individualismo besta que algumas pessoas se reveste, que a violência se alimenta. Deixe que tudo ao seu redor se ilumine de positividade. De bem querença. De afeto. E não é preciso dispensar as amizades que lhe dão prejuízo; tente viver o seu lado de luz para que as sombras delas acabe sendo afastada e criando um ambiente de harmonia e de paz. Pense nisso.

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Violência contra a mulher: avançamos em marcha-ré

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

07 de fevereiro de 2017

Nada do que é humano me surpreende. Num mundo violento como o nosso, onde a raiz desse mal reside quase sempre na convivência difícil de um casal que se diz unido pelos laços do amor e, ao contrário disso, convive entre tapas e beijos, é estranho verificar que cada vez mais a violência do homem contra a mulher vai dando as cartas.

A sociedade tem avançado na luta das mulheres pelo voto. Na defesa por uma jornada de trabalho mais sensata e, cuja luta, acabou na barbárie que originou o Dia do Trabalho. Do esforço das mulheres, substituindo os homens que iam para a Guerra, quando elas passaram a ocupar as fábricas evitando o fechamento delas. No dia-a-dia do mundo, elas sempre estiveram presentes e, não apenas como recatadas esposas do lar, mas contribuindo em tudo mesmo diante da indesejável ditadura machista; a força da mulher sempre se fez visível.

O companheiro dela, no entanto, sempre cobrando, exigindo, oprimindo, espancando, matando. Foi preciso o esforço de provação de uma dessas vítimas para que se criasse uma lei que a protegesse, a Lei Maria da Penha que, insensíveis, tentaram caricaturá-la como lei Maria da Peia.

Pois nem a ameaça dessa norma consegue barrar a fúria desalmada dos violentos que continuam causando males à figura feminina. Ainda ontem, um idoso contrariado interrompeu a existência de uma delas no interior.

Ao mesmo tempo, toma-se conhecimento de que esse mal que domina certos homens parece não ser apenas da cultura machista de uma região como a nossa, mas um mal universal. Porque oriundo da própria alma humana.

Quando se lê que o presidente de um país como a Rússia, sanciona uma emenda polêmica tornando mais brandas as penas para violência doméstica, é que se tem o discernimento de que avançamos, em marcha-ré. .

Pelas novas regras, agressões contra cônjuges e filhos que deixem ferimentos, mas não resultem em fraturas de ossos, são passíveis de 15 dias de prisão ou uma multa caso ocorram com frequência menor que uma vez por ano. Antes, a lei russa previa pena de até dois anos de prisão.

Evidente que essa nova lei estimulará a violência doméstica em um país em que, segundo estimativa da Organização das Nações Unidas, 38 mulheres morrem por dia vítimas dessa miserável desgraça.

Como já disse antes, Nada do que é humano me surpreende mais. Num mundo onde autoridades de segurança, impotentes em controlar a onda avassaladora da violência, propõem a morte como se pena estabelecida oficialmente no País, é ora de dobrar os joelhos, baixar a cabeça e pedir a Deus que tenha piedade de todos nós.

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Morte: na vida depois da vida, seremos o que sempre fomos

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

03 de fevereiro de 2017

A morte não existe. Pelo menos para os que acreditam na vida depois da vida. E em todo o mundo, esse conceito é adotado por um grande número de pessoas. E não é apenas no campo religioso que se tem essa crença, mas depois que a Ciência se dispôs a tratar do tema, através do que chamam EQM – Experiências de Quase Morte – quando se ouve testemunhos de pessoas que foram dadas como clinicamente mortas mas acabaram sobrevivendo, que esse fenômeno do desenlace tem sido estudado com outros olhos. É bom que se compreenda que existe sim, a morte física. O corpo que detemos perde sua vitalidade;. Deixam de funcionar os mecanismos vitais, o cérebro e o coração; mas o que é essência, a alma, essa nunca perece.

Há quanto tempo se avalia esse assunto? Desde que nos entendemos como gente. Uma das questões primordiais do ser humano é exatamente essa; discutir a questão do que sobrevive à finitude da vida corporal. São inquietações que a gente diz ‘transcendentais’ e que levam todo ser a se indagar: quem eu sou. De onde vim. O que estou fazendo aqui. E para onde vou quando terminada for a existência física.

Algumas religiões orientam seus fiéis de que existe a vida eterna, para onde nos transportamos depois de uma experiência terrena. Certas denominações chegaram a criar territórios no pós vida, destinados aos bons e aos maus. Os que tivessem uma vida marcada pelo bem, pelas boas ações, se destinariam ao céu. Os pecadores, que cometessem atos reprováveis do comportamento, seriam alojados num lugar desprezível: o inferno.

Os avanços da humanidade, contudo, têm apontado para conceitos mais racionais, de que nos destinamos à evolução, ao progresso. Que a vida na Terra é só uma passagem, como já acreditavam os antigos filósofos na Grécia antiga. Eles ensinavam que para se lucrar na volta às origens da alma, bastaria colocar em prática o auto-conhecimento – conhece-te a ti mesmo -, fazendo com que, ao descobrir o que somos e fortalecendo a prática das virtudes morais, edificaríamos as bases da vida futura. Por ignorância, o homem não se atém a esse ensinamento, embora sabendo que a morte é a coisa mais certa a que todos teremos que passar.

Ainda que não fosse real, a crença na sobrevivência é necessária. O homem em si precisa ter ciência de que não estamos de graça aqui na Terra. Que temos uma missão. A de auxiliar o progresso do planeta, através do exercício do bem. Fazendo valer os ensinamentos de grandes mestres, que priorizaram valores como a fé, esperança e caridade – como degraus de acesso a uma vida melhor quando a vida física por aqui deixar de acontecer.

Seremos depois o que somos hoje. Ninguém vira santo, se não o fez para merecê-lo. Os maus, certamente, sentir-se-ão deslocados num mundo melhor. Por isso, quem é inteligente busca começar por aqui, o que pretende ser depois que a página do tempo mudar a nossa condição de ser, para continuarmos saudade.

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Algo de podre no reino. E não é na Dinamarca

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

01 de fevereiro de 2017

Esta semana, homens que se dizem representantes do povo nas assembleias e câmaras do País, estão retornando ao trabalho. Em meio a uma crise de valores morais, bem mais aguda do que a econômica que desemprega trabalhadores e desajusta famílias, eles devem discutir as pautas necessárias ao encaminhamento da vida nacional. Sobre eles, pesa uma descrença completa.

Se você for a um lugar, como a Praça do Ferreira por exemplo, vai sentir da maioria dos que passam por ali, pouca expectativa de mudanças na rotina política de sempre. As discussões não convergem para as necessidades e os anseios do povo, necessitado de uma reforma política que ajuste o compromisso deles com alguns pontos notórios, que vão desde a fidelidade partidária ao ideal de que eles possam assumir a defesa de reivindicações em favor do povo, com as questões ligadas ao trabalho, a saúde e a segurança.

O País vive o tormento da violência que impera como uma fera desalmada no caminho do cidadão de bem. Violência provocada pelos que se tornaram vítimas da ausência de políticas prioritárias, capazes de demover qualquer indivíduo a entrar para a criminalidade. Sim, porque se existem os que já têm predisposição para o mal, não se esqueça de que há aqueles que são pressionados pelas vicissitudes da vida e que acabam mergulhando nos vícios deletérios, além de se abismarem mais ainda no submundo da criminalidade.

Um País que pensasse em dar o melhor aos seus filhos, certamente teria que fazer todos o esforço no sentido de resgatá-los do crime. Da morte. Mas, infelizmente, os que são eleitos para ditarem as leis, poucos – muitos poucos mesmo – estão interessados em ir além da exigência de cobrar punições aos que erram, quando deviam certificar-se da situação a que eles são entregues num sistema penitenciário falido e vergonhoso.

Uma nação não é responsável apenas pelos seus filhos bons e que se dão bem na vida. Como uma mãe – e uma nação tem essa relação – deve acompanhar a reaproximação dos seus equivocados à vida plena; reintegrando-os na família, no trabalho, num processo educacional que, lamentavelmente, passa longe do inferno das penitenciárias.

Os que estão voltando aos postos de Poder, deviam se comprometer a essa iniciativa. De elaborar políticas de salvação – essa é a palavra – dos que se marginalizaram, seja por quais motivos forem. Não se pode é achar que, errou, cometeu uma falha, um crime – o caminho, a solução, a cura, seja a morte.

Ai dos que assim pensam; pois até mesmo entre os que estão de volta ao batente no Poder, há receio de se olharem no espelho e descobrirem como a classe política tem ocupado mais as páginas policiais nos últimos tempos. Quando a atividade política ganha mais espaço na Polícia é que há algo de podre. E não é no reino da Dinamarca.

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Para se conhecer a força do perdão

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

31 de janeiro de 2017

Quem tem compromisso com a Vida, mesmo diante das maiores dificuldades, busca se superar. É o que manda o próprio instinto animal de cada um como mecanismo de sobrevivência. Mesmo que esteja no olho do furacão, na pior situação, sábio é quem consegue firmar-se, ir adiante, sem deixar marcas pelo caminho.
O mundo anda precisando de pessoas proativas. Aquelas que sabem, dizem e fazem. Não as reativas, que só acumulam reclamaçõs, queixas e, diante da primeira dificuldade, já estão pedindo arrego.
Não entendemos porque diante de uma experiência fantástica dessas, que é a Vida, existam criaturas brutalizadas, que se revoltam com isso e aquilo e outro; capazes de cometer atos criminosos, quando o ideal é buscar as coisas do bem.
Pode olhar: o mundo anda cheio de gente insatisfeita, carregando uma cara amarrada por nada. Reclamando de tudo, sem dar um passo para sair dessa paralisia que leva a doenças como a depressão. Adoecem, também, aquelas que guardam mágoas de outros. Que se irritam por nada. Que não desculpam uma falha de alguém e vão acumulando ódio, como se a mente e o coração fosse um Jangurussu, um depósito para se guardar o lixo moral que se tem.
Essas pessoas precisam ser compreensivas consigo e, principalmente, com os outros. Todo mundo falha. Você também não erra? Alguém não pensar como você, nem por isso deva ser eliminado do seu grupo. Para esse mal da alma tem medicamentos tiro e queda: humildade. E com ela vem a compreensão; a reconciliação e o perdão da falta dos outros. Sábio é quem consegue compreender que todos nós falhamos. Que na estrada da vida, todo mundo está arriscado a levar um tombo, cair. Mas o impulso seguinte e levantar, sacodir a poeira e dar a volta por cima, como diz a música do doutor Paulo Vanzolini.
Infelizmente, isso nem sempre isso acontece. Há pessoas que vivem de criar dificuldades em tudo e por tudo. Que infernizam a vida de outros. Que agem movidas por sentimentos de ódio, orgulho, inveja, egoísmo, ciúme – que são os parasitas da alma, que ficam impregnados na gente, nos levando a dolorsas consequências. Basta um deles só, para que a gente revide uma palavra dita fora de hora. A brincadeira de alguém. Mesmo sabendo que esses parasitas vão se avomulando no interior da nossa mente e acaba se transformando em processos depressivos, além de atingir o físico na forma de doenças como o AVC e até câncer. Somos todos doentes da alma, precisando reorganizar as energias da Vida, através do exercício do Bem. Quem assim o fizer, evitará no futuro despertar o marginal que, potencialmente, adormece em nós e que só espera o instante para se revelar como qualquer criminoso que não soube dar uma só oportuniade para conhecer a força do perdão.

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As duas alternativas da Segurança Pública

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO, SEGURANÇA

30 de janeiro de 2017

A população cearense amanheceu esta semana diante de um debate circunstancial provocado pela declaração do novo secretário de Segurança do Estado. Ele disse que aqueles que cometerem crimes contra policiais não têm outra saída, a não ser “Justiça para quem se entregar e o cemitério para quem ‘puxar uma arma”. Com isso, discute-se qual é o limite entre o que é legal e o excesso na ação da Polícia em situações de conflito?

Sabemos que todo agente é treinado para o combate a essa anormalidade social que é o crime. E dele, evidente, espera-se sempre que saia vitorioso. O secretário fez a declaração em meio ao calor da emoção de ter perdido mais um colega, integrante da força policial, em mais um dos crimes relacionados a assaltos. E, como essa realidade tem dado dor de cabeça às autoridades de segurança – que o diga o próprio governador Camilo Santana.

Evidente que não se deseja a morte de ninguém e quando se trata de um integrante de grupo específico como a Polícia, que luta contra a insegurança, lamenta-se por ser mais mais uma baixa nesse campo de luta onde se divide o crime e o seu aparelho repressor. Mas não é correto utilizar-se desse momento de angústia e sofrimento para emitir uma declaração que, mais parece alicerçada na vendita e no ódio. Soa mais como uma defesa corporativa e não a de alguém convocado para dar soluções plausíveis, consentâneas, dentro da legitimidade do Direito e da Justiça. Deseja-se demais uma ação providencial que nos leve a evitar essa mancha sanguinolenta do crime que a cidade assiste. Afinal, nessa guerra não oficial da violência de Fortaleza, não são apenas os integrantes do brioso aparelho policial que são as vítimas. Todos os dias tombam vidas humanas que, também, defendem a necessidade de uma política de segurança mais efetiva. Dentro do prevê as noções institucionais. Onde a qualidade de seus dirigentes oportunizem segurança aos que se aplicam tanto aos que combatem o crime, no caso dos agentes civis e militares, quanto da população civil, meio perdida entre essa luta de mocinho e bandido.

É preciso cobrar insistentemente ações planejadas, objetivas. Deseja-se das autoridades de segurança, programas que deem respostas inteligentes e práticas à ofensiva dos criminosos – que parecem bem mais resistentes ao domínio repressivo, a ponto de deixarem Fortaleza sob o estigma de uma das cidades mais violentas do Planeta.

Especialistas no estudo da Violência, como o professor de Sociologia, Luiz Fábio Paiva, diante da declaração do secretário considera justo “que o Estado busque punição para qualquer morte, que gere sofrimento e sentimentos de revolta. No entanto, avalia ele, o risco está em combater o crime objetivando matar. “O princípio que move o gatilho do policial não pode ser o desejo de vingança, mas de fazer justiça e proteger os princípios que estabelecem e estruturam uma vida em sociedade”.

A situação da segurança em nossa capital chegou a um ponto insustentável. E não serão frases de efeito que irão demover pessoas de má índole a continuarem no crime. É preciso algo de concreto mas que se alie ao desejo maior do próprio governo, ao criar um programa que reivindica no título o sentimento de pacificidade para o Estado. É preciso agir contra os bandidos, sim; mas com a eficiência de quem usa o potencial do cérebro para planejar ações legítimas, evitando que a arma seja a solução final.

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Droga, essa interminável guerra dos nossos dias

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

26 de janeiro de 2017

Um problema que a cidade convive de forma desesperadora é a questão das drogas. Inclusive, Fortaleza realiza hoje um simpósio com vistas a conhecer experiências de outros países, a fim de colocá-las em execução por aqui. Medelin, na Colômbia, é um exemplo.  Lá foi preciso endurecer, para não se perder a força humana.

O país que revelou ao mundo a figura de Pablo Escobar viveu dias sombrios com o domínio das forças do narcotráfico. Os chefões do tráfico foram aos poucos sendo denunciados, presos e recambiados até para os Estados Unidos, num esforço para evitar o aprofundamento da crise que chegou a colocar em jogo o próprio sistema político. Hoje, o país ganhou outra cara. O tráfico, praticamente, foi banido.

Guardadas as devidas proporções, Fortaleza convive com esse drama. Jovens são cooptados muito cedo pelo tráfico; inicialmente, até com a concessão de drogas de forma fácil, para que eles se viciem e, daí a pouco, passem a ser consumidores em potencial desse mercado da morte.

Essa desgraça social não atinge apenas a população de comunidades mais carentes, muito pelo contrário. O número de jovens de classe média alta que estão hoje em dia em tratamento nas clínicas especializadas, aumentou sensivelmente. Quem não pode arcar com as despesas de um atendimento particular, buscam as ONGs ligadas a instituições religiosas que, franciscanamente, atendem a uma leva de desesperados da sorte, depois de serem até mesmo sentenciados à morte.

É que, no caminho desses equivocados, há o registro de prisões muitas; a condução deles para unidades socio-educativas – quando menores – ou para presídios infectos, onde passam a se vincular a grupos de criminosos potencialmente perigosos, alguns deles adeptos de facções criminosas que passam a exercer predomínio sobre eles.

No meio do caminho desses viciados, as manchetes têm apontado para o rastro de sangue e de dor que essa vida acaba acarretando aos familiares. Todo santo dia, um ou mais corpos surgem debaixo de lençóis brancos, individualizando a dor de mães e parentes, numa sucessão de vítimas da desgraça causadas pelo uso das drogas.

Para deter essa guerra contra a pedra, o pó e os demais motivadores de tanta miséria, ressalte-se o trabalho da Polícia, muito embora haja necessidade de ir à fundo nas investigações, não prendendo apenas o peixe miúdo dessa correnteza, mas os grandes que se ocultam como se fossem pessoas do bem e que determinam quem deve viver ou não.

Há que se ter políticas de internamento – compulsório, se for o caso para recuperar os adictos mais difíceis e punição – bem rigorosa dos traficantes, sem que eles venham desfrutar de nenhum dos benefícios concedidos a outros presos de bom comportamento. Nem visita, nem folga; nenhum privilégio que os permita se sentirem donos de uma situação que eles não buscaram. Muitas vezes, é necessário um pouco de rigor para amansar corações endurecidos pela ignorância.  Os resultados advirão.

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