Padre Mauro Archives - News Maranguape 
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News Maranguape

por Dadynha Saturnino

Padre Mauro

Releia entrevista de Monsenhor Mauro ao News Maranguape

Por Dadynha Saturnino em Entrevistas

19 de Março de 2016

Em 22 de dezembro de 2012, dia em que comemorou 91 anos de vida, o maranguapense Mauro Gurgel Braga Herbster (In memoriam) recebeu Dadynha Saturnino na casa dos sobrinhos Bernadete e Marcelo. Ele contou sobre a sua trajetória religiosa no Estado do Ceará (à época 67 anos de ordenação sacerdotal) e fortaleceu em mensagem o desejo que os maranguapenses e leitores do blog “sejam sempre fieis guardando a sua fé”. À medida que o tempo passava, parentes e amigos chegavam para felicitá-lo. Popularmente conhecido Monsenhor Mauro, Padre Mauro ou Santo maranguapense, ele faleceu no último dia 13 de março de 2016 aos 94 anos de idade, comovendo toda a cidade que tem como Padroeira Nossa Senhora da Penha.

 

Dadynha Saturnino entrevista Monsnehor Mauro. Foto Dadynha Saturnino

Dadynha Saturnino entrevista Monsnehor Mauro. Foto Dadynha Saturnino

 

2012

 

O Blog News Maranguape entrevistou Mauro Gurgel Braga Herbster – Monsenhor Mauro (ou o Padre Mauro dos maranguapenses) na casa dos seus sobrinhos Bernardete e Marcelo, no dia do seu aniversário de 91 anos de vida, completados no último dia 22 de dezembro. 67 destes dedicados ao Sacerdócio com muito amor pelo seu próximo nas diversas Paróquias que foi Vigário: Mucuripe, São Gerardo, Mulungu, Pedra Branca entre outras e mais de 40 anos somente ao povo de Maranguape, que além de estimular a prática religiosa (catolicismo) tão presente neste município, também educou quando foi Professor no Colégio Estadual Anchieta.

Atualmente, vive em um Sítio no Distrito de Tabatinga e ainda celebra a “Santa Missa” na saleta de casa aos domingos. Algumas poucas vezes podemos encontrá-lo na casa dos sobrinhos, no Centro da cidade, quando temos a oportunidade de ser abençoados por “Ele”, irmão do Médico humanitário Dr. Argeu Herbster (In memoriam) e também considerado por muitos como um “Santo Vivo.”

 

Confira a entrevista realizada por Dadynha Saturnino

 

BNM – O Senhor é considerado pelos maranguapenses como um “Santo Vivo”. A que atribui esta devoção?

Padre Mauro – É bondade do povo (inicia com um tímido sorriso). Como sacerdote, tive muita alegria e nesta idade, 91 anos completados hoje, alegria de nunca ter deixado um enfermo morrer sem ser sacramentado, sem receber a confissão de forma que todos, graças a deus, puderam ser atendidos, ainda mais quando eu fui vigário em Paróquia de Interior, paróquias difíceis e grandes como Pedra Branca, por exemplo. Não posso dar as impressões porque fazem um elogio desses descabido, risos, um povo muito bom de Maranguape. Ainda me lembro, lendo o livro onde se escrevem as impressões dos ex-Vigários que passaram por aqui, que havia um Padre Bruno, Monsenhor Bruno, que dizia: “o povo de Maranguape é um povo bom, trate-o bem que consegue tudo o que quiser.” Isso me edifica muito.

 

BNM – Quais as dificuldades que o Senhor precisou vencer para ajudar a fortalecer a fé das pessoas?

Padre Mauro – Bem, as dificuldades que encontrei quando era vigário do interior para atender os enfermos. Às vezes, fora de hora, em lugares distantes, passando a noite toda andando a cavalo para no outro dia atender e às vezes quando chegava dia de sábado ainda tinha atendimento, uma confissão para fazer neste dia, no retorno a paróquia e era bem cansativo, era muito cansativo. Quando era vigário em São Gerardo, havia um bairro lá, Pan Americano, onde construímos a Igreja de São Pio Décimo que no começo era Santa Cecília, mas, a minha mãe, pediu pra ser São Pio Décimo porque ela cada vez mais cultivava a devoção a Eucaristia a este Papa que fez milagre em vida, de forma que em vez de Santa Cecília ficou São Pio Décimo que ainda hoje está como Padroeiro. E eu sempre dizia: aqui vai ser uma Paróquia, vamos levantar as torres, mas, de vez em quando, muita gente chegou a dizer: o Padre fazer uma igreja, num tamanho desses e num lugar desses? E vieram me pedir desculpa: “seu vigário, falta de bom senso, é a nossa.” Tá vendo? Fui vigário naqueles bons tempos. “Hoje essa Igreja já tá construída, já foi inaugurada com os sinos que o senhor sonhava colocar aqui, é pequena para o povo que se apresenta hoje aqui, diziam que o senhor não tem bom senso, quem não tinha bom senso éramos nós.” Falam os fiéis. O Povo de São Gerardo é um Povo muito bom, muito religioso.

 

BNM – Há algo em especial que o Senhor gostaria de compartilhar conosco?

Padre Mauro – Nunca, nenhum dos meus enfermos por quem procurei entrar em contato para receber o sacramento, nunca rejeitou o Padre. Sempre aceitaram o Padre. Uma vez um chegou a dizer que não queria se confessar, mas, a Senhora dele disse: o que? Chame o Padre Mauro. Eu fui, nem perguntei se queria confessar, fui só sentar. Conversei, nem perguntei, ele recebeu o sacramento, ficou muito satisfeito e perguntei: está satisfeito? Ele respondeu: satisfeitíssimo e isso conforta muito o padre. Às vezes a pessoa pobre diz: vem me ouvir Padre, peço pro Senhor rezar por mim, eu nunca procurei fazer questão de atender pois a intenção era pura, predestinada por deus e contribuiu para fortalecer a minha fé. (em relação a pessoa estar precisando da oração e não ter recursos.)

 

BNM – Maranguape tem dois Padroeiros, Nossa Senhora da Penha e São Sebastião. Qual a explicação?

Padre Mauro – A Padroeira é Nossa Senhora da Penha, ela é a nossa Padroeira. O gesto de devoção à São Sebastião é desde o tempo do cólera, para o povo agradecer a graça de não ter morrido, pois morreu muita gente nesse tempo, e não faltaram pessoas caridosas para atendê-los, principalmente médicos. Por atender ao pedido de fé dos maranguapenses, tornou-se oSanto de devoção, passando a ser considerado o Padroeiro também.

Leia mais sobre a devoção a São Sebastião em  Maranguapense recebe Moção de parabéns por sua aprovação no Doutorado em História.

 

BNM – Seu irmão e Médico Dr. Argeu Gurgel Braga Herbster (In Memórian), serviu ao povo através dos seus conhecimentos na medicina, ajudou a salvar muitas vidas e até hoje é considerado um Santo Popular e à ele atribuídos vários milagres. Porque?

Padre Mauro – Porque praticou sempre a caridade. Argeu olhava para o doente sem saber se era rico ou se era pobre. Se era doente, atendia logo. E se não tinha dinheiro, se prontificava logo para atender. Ainda perto de morrer, ele tava no Hospital Albanisa Sarasate e vieram chamá-lo para confissão (risos pela troca), ou melhor, para atender um chamado. Acontece que era hora avançada, uma hora já e não tinha nem jantado, todo tempo atendendo aquele pessoal. Então, Ele não tinha transporte, não tinha nada. Como as pessoas vinham de caminhão, “aproveito e vou no caminhão, aproveito esse transporte de vocês”contou-me Argeu. Depois que atendeu o doente, perguntaram quanto era e ele disse: não é nada e o dinheiro que iria pagar já serve pra comprar de remédio. Ainda me lembro também que pra atender os doentes, Argeu não se importava de ir de cavalo. Eu fui Vigário de Pedra Branca, paróquia difícil, as estradas muito ruins, na cega, tinha que usar o transporte, o cavalo. Me chamaram pra confessar um doente, era no cimo dum pico e tava lá o sujeito enfermo. Quando o homem olhou pra mim, perguntou: “você é irmão do Dr Argeu?” Respondi: sou. Pois, é, até naquele local, ele foi atender esse doente, sem visar pagamento, sem saber se ele podia pagar transporte, foi a cavalo também, de forma que esses gestos assim cativaram muito o povo, por isso todo o povo o venera pela caridade, esse amor ao próximo, sem procurar saber as posições deles, se era doente, atendia logo. Argeu também passou por inúmeras dificuldades para atender os apelos do povo quando precisava atender fora de hora em situação as vezes difíceis, porque não tinha transporte a mão, mas, ele sempre atendia. Quando um doente sabia que podia ser atendido pelo Dr Argeu, podia ficar tranqüilo que ele atendia, nunca fez questão para isso, para voltar um doente, sempre atendia a todos. O pessoal, interessante, me achava muito parecido com ele, muitas vezes me abraçava e dizia: Dr. Argeu, o senhor é muito parecido com o nosso Vigário, o Padre Mauro, mas, o Vigário era eu (risos).

 

BNM – Qual a mensagem que o Senhor deixa para o Povo de Maranguape e para os leitores do Blog News Maranguape?

Padre Mauro –Procurem sempre perseverar na fé para não perdê-la pois o justo vive a sua fé. Que sejam bem felizes e vivam sempre a sua fé que Deus não faltará quando vocês pedirem. Estou morando na Serra, resido num sitiozinho que comprei e celebro sempre na saleta da casa, aos domingos. Qualquer um pode vir à Missa. Às vezes sou chamado e atendo porque atualmente, a tontura (não sei proveniente de que, talvez da idade mesmo) não me permite sair a pé, mas, tem aqui o meu sobrinho, Marcelo, que se prontifica pra qualquer chamado, e me leva com todo prazer.  Qualquer pessoa que estiver morrendo eu ainda vou e confesso. A minha família me ajuda. O Marcelo, a Bernaderte e a Carmita. Sejam sempre fieis guardando a sua fé.

 

Making Off

Enquanto realizávamos a entrevista na varanda da casa do casal Bernardete e Marcelo (sobrinhos do Monsenhor Mauro), os parentes chegavam para parabenizá-lo pelo seu aniversário de 91 anos.

 

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Missa de sétimo dia do Monsenhor Mauro Gurgel acontece hoje (19), em Maranguape

Por Dadynha Saturnino em Notícias

19 de Março de 2016

A Missa de sétimo dia de falecimento do Monsenhor Mauro Gurgel Braga Herbster (Padre Mauro) acontece hoje (19), às 19h na Igreja Matriz de Maranguape – Paróquia Nossa Senhora da Penha. Ele faleceu no último dia 13 de março aos 94 anos de idade e deixou um legado de 70 anos de vida sacerdotal e uma legião de admiradores em todo o estado, que devem participar da cerimônia religiosa em sua memória.

Missa do Monsenhor Mauro acontece no dia de São José. Arquivo da família

Missa do Monsenhor Mauro acontece no dia de São José. Arquivo da família

Leia mais: Dadynha Saturnino entrevista Padre Mauro

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Maranguape de luto: morre Mauro Gurgel Braga Herbster

Por Dadynha Saturnino em Notícias

14 de Março de 2016

O maranguapense Mauro Gurgel Braga Herbster faleceu às 23h deste domingo (13), aos 94 anos de idade completados no último dia 22 de dezembro de 2015. Conhecido como Padre Mauro, Monsenhor Mauro ou Santo maranguapense, 70 anos de sua vida foram dedicados ao Sacerdócio servindo à comunidade católica nas Paróquias em que foi Vigário: Mucuripe, Mulungu, Pedra Branca, São Gerardo entre outras. Humildade, bondade e alegria são a sua marca registrada.

Leia mais: Blog News Maranguape entrevista o Monsenhor Mauro Herbster

 

Monsenhor Mauro Gurgel Braga Herbster - 94 anos de vida e 70 de sacerdócio. Foto Dadynha Saturnino

Monsenhor Mauro Gurgel Braga Herbster – 94 anos de vida e 70 de sacerdócio. Foto Dadynha Saturnino

O velório acontece na Igreja Matriz de Maranguape até às 15h. De lá sairá um cortejo passando pelas principais ruas do Centro da cidade para a Igreja do Rosário (passando em frente à sua residência), onde será celebrada a Missa de corpo presente presidida pelo Arcebispo de Fortaleza, Dom José Antônio, seguida do sepultamento no mesmo local.

 

“A vida tem sentido quando se entrega para dar sentido à vida dos outros.”

Mauro Gurgel Braga Herbster

 

Benção do Papa

 

Há poucos dias o Monsenhor Mauro recebeu a Benção Católica do Papa Francisco por ocasião dos 70 aniversário de sua Ordenação Presbiterial, trazido pelo também maranguapense Padre Rafhael Maciel que esteve em Roma para receber do Papa sua nomeação como Missionário da Misericórdia.

 

Benção Catolica do Papa Francisco para o Monsenhor Mauro. Arquivo pessoal

Benção Catolica do Papa Francisco para o Monsenhor Mauro. Arquivo pessoal

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Maranguapense Monsenhor Mauro Gurgel completa 94 anos de vida nesta terça (22)

Por Dadynha Saturnino em PersonalidadeMaranguapense

22 de dezembro de 2015

Maranguape está em festa: seu ilustre, importante e querido filho Mauro Gurgel Braga Herbster (Monsenhor/Padre Mauro) completa 94 anos de vida nesta terça (22)14 dias após a comemoração dos seus 70 anos de ordenação sacerdotal. Registramos o nosso afeto, respeito, votos de muita saúde e paz em nome dos nossos leitores e de todos os paroquianos de Nossa Senhora da Penha (padroeira de sua terra natal), do Mucuripe, do São Gerardo, do Mulungu, de Pedra Branca entre outras cidades em que foi vigário. Parabéns, Monsenhor! 

Monsenhor Mauro Gurgel Braga Herbster - 94 anos de vida e 70 de sacerdócio. Foto Dadynha Saturnino

Monsenhor Mauro Gurgel Braga Herbster – 94 anos de vida e 70 de sacerdócio. Foto Dadynha Saturnino

 

Padre Mauro acompanhado do Monsenhor João Jorge, Padre Rafhael Maciel e Ministros da Eucaristia após a Santa Missa em ação de graças pelos seus 70 anos de sacerdócio completados no dia oito de dezembro. Foto Dadynha Saturnino

Padre Mauro acompanhado do Monsenhor João Jorge, Padre Rafhael Maciel e Ministros da Eucaristia após a Santa Missa em ação de graças pelos seus 70 anos de sacerdócio completados no dia oito de dezembro. Foto Dadynha Saturnino

 

Leia mais: Blog News Maranguape entrevista o Monsenhor Mauro Herbster

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Maranguape festeja os 165 anos da Paróquia Nossa Senhora da Penha

Por Dadynha Saturnino em Religião

01 de setembro de 2014

Até o próximo dia oito de setembro Maranguape festeja os 165 anos da Paróquia Nossa Senhora da Penha e também o Dia da Padroeira. Novenas, Missas, Procissões, Leilões e barracas de comidas típicas fazem parte da programação do evento religioso da Igreja que nasceu em quatro de agosto de 1849, exatos 20 anos antes de Maranguape tornar-se cidade (emancipação política aconteceu somente em 1869). Compartilhamos com os leitores do nosso Blog News Maranguape por Dadynha Saturnino, em tópicos, todas as informações referentes às origens de Nossa Senhora da Penha, a devoção à ela oferecida e à gestão atual através do Pároco Padre Arildo Castro.

FESTA 165 ANOS DA PARÓQUIA E PADROEIRA DE MARANGUAPE-CE

FESTA 165 ANOS DA PARÓQUIA E PADROEIRA DE MARANGUAPE-CE

Um passeio à história do município cearense com forte vocação religiosa católica. Mensagem/Convite do Padre Arildo da Silva Castro.

Padre Arildo Castro Pároco de Maranguape-Ce. Foto Dadynha Saturnino

Padre Arildo Castro Pároco de Maranguape-Ce. Foto Dadynha Saturnino

Queridos (a) católicos (as), é com muita alegria que venho convidá-los (as) para participar com muito fervor dos 165 anos da Paróquia de Nossa Senhora da Penha. Celebrar 165 anos da Paróquia é na realidade motivo de gratidão a Deus por ter nos presenteado com esta fé maravilhosa e que a cada dia nos faz pessoas novas em Jesus Cristo Nosso Salvador. A Virgem da Penha, Padroeira de Maranguape é, com certeza, “a mãe da esperança”. Que Nossa Senhora abençoe você e sua família e nos dê a alegria da sua presença nesta belíssima festa que é sua, que é nossa e de todo o povo de Maranguape. Deus os abençoe.

Introdução do Novenário 2014

165 anos de devoção a Virgem da Penha aqui em Maranguape, mãe do Deus Salvador, chega a nossa cidade junto com a colonização dos índios potiguaras, trazendo seu filho JESUS no colo, para nos curar, aliviar, consolar e nos colocar em comunhão com a salvação eterna. Você e sua família estão sendo convidados a viver o novenário de N. Senhora da Penha, conhecendo a sua história, agradecendo e pedindo graças a esta mãe que esteve sempre presente na história de Maranguape.

Origem de Nossa Senhora da Penha

Segundo fontes históricas, por volta de 1434, na França, certo monge francês chamado Simão Vela, sonhou com uma imagem de Nossa Senhora que estava enterrada no topo de uma montanha, cercada de luz, acenando para ele ir buscá-la. Foi enterrada ali por católicos que escondiam suas imagens para não serem destruídas por invasores em tempo de guerra. O monge procurou durante cinco anos sem sucesso até que um dia teve informação de uma montanha chamada Penha de França, no Norte da Espanha. Apressadamente Simão foi à procura da montanha e escalou durante três dias seguidos. Vencido pelo cansaço parou para descansar quando percebe uma senhora sentada ao seu lado com uma criança no colo, ela lhe indica o lugar exato onde se encontra a imagem. Auxiliado por pastores da região, Simão Vela encontra a imagem e reconhece que aquela mulher que revelara o lugar era Maria, a mãe de Jesus com ele no colo. Simão construiu uma capelinha no alto da montanha e logo o lugar se tornou conhecido pelos milagres e graças alcançadas por intermédio de Nossa Senhora da Penha. Mais tarde ali foi construído um dos mais ricos e grandiosos santuários da cristandade.

A devoção de Nossa Senhora da Penha no Brasil

A devoção foi trazida ao Brasil pelos colonizadores portugueses. A primeira capela erguida em sua honra foi na Capitania do Espírito Santo em Vila Velha, entre 1558 e 1570, pelo Frei Pedro Palácios, um espanhol fervoroso devoto da santa. Depois erguida na Penha do Irajá (1635) no Rio de Janeiro. Assim a devoção ganhou várias cidades no Brasil, com templos erguidos no alto de colinas e morros, seguindo a origem da imagem do Frei Simão Vela encontrada em uma montanha. Nossa Senhora da Penha está presente em várias paróquias no Brasil alcançando todos os filhos e filhas que a tem como mãe de Jesus e sua mãe também.

A devoção de Nossa Senhora da Penha em Maranguape – Ceará

No século XIX, com a chegada do Português Joaquim Lopes de Abreu, o mesmo ergue uma capelinha a margem do Rio Pirapora no Alto da Vila (hoje o bairro da Outra Banda), para que seus moradores pudessem rezar convocados pelo som do seu pequeno sino. Maranguape se desenvolvia rapidamente devido à economia da época através do cultivo do café e da cana de açucar com resultados compensadores. Diante deste crescimento econômico, o Presidente Fausto Augusto de Aguiar dota Maranguape em Paróquia e transfere a Matriz de Messejana (estava em decadência) para a Capela da povoação de Maranguape sob a proteção de Nossa Senhora da Penha, onde também é transferido o Padre Pedro Antunes de Alencar Rodovalho, tornando-se o primeiro Vigário de nossa cidade, do ano de 1849 até o ano de 1862, vindo a falecer no mesmo ano (1862), vítima da cólera-morbo.

A Matriz de Nossa Senhora da Penha em Maranguape – Ceará

Com o passar do tempo, a capela fica sem condições estruturais e também desprovida do necessário para atender as famílias católicas. Padre Pedro Rodovalho ministrava os sacramentos e rezava missas percorrendo as fazendas da região. Era preciso construir outro templo, onde hoje é o cemitério, o qual a construção não passou dos alicerces. A ideia da construção do novo templo dividiu o povo causando desavenças entre os habitantes de Outra Banda e os moradores da margem esquerda do Rio Pirapora: uns desejando que a nova Igreja fosse construída no mesmo lugar e outros lutando para que fosse edificado no local onde ela se encontra hoje. E ainda havia de alguns moradores que o novo templo fosse construído sob a invocação de São Sebastião.

A Matriz de Nossa Senhora da Penha em Maranguape – Ceará no decorrer dos tempos

Não temos uma data exata da construção da Matriz Nossa Senhora da Penha. Sabemos que a capelinha do Alto da Vila é demolida por se encontrar em ruínas e a imagem da Virgem é trazida para o templo (Matriz hoje) que já estava em construção e confiada à invocação de São Sebastião, devido às sucessivas pestes que atingiram a população, tudo isso mediante acordo entre os moradores. É tanto que a imagem de Nossa Senhora da Penha dividia o Altar Mor com São Sebastião e Nossa Senhora da Piedade. No decorrer da história, foram acontecendo várias reformas em seu edifício, por vários vigários ao longo dos tempos. Havia na Paróquia cinco (05) festas religiosas: Nossa Senhora da Penha, São Sebastião, São José, Nossa Senhora da Conceição e Nossa Senhora do Carmo. Padre Henrique Raulino Mourão deixou somente duas: a de Nossa Senhora da Penha e São Sebastião.

Padre Raulino era conhecido entre os fiéis como “Incansável Vigário” por seu empenho e zelo pela Matriz deixando-a reformada. Cônego Joaquim Rosa, o famoso Padre Rosa, remodelou a Matriz por completo e durante seu paroquiado recebe uma doação da Imagem de Nossa Senhora da Penha, vinda de Paris, por d. Rita Menescal, enquanto a primeira é levada para o cemitério e desaparece. Padre José Bruno Teixeira fez o altar de mármore e o sacrário e adquiriu a casa paroquial na Rua Domingos Façanha, onde hoje funciona o Centro de Catequese.

Ousadia de alguns de nossos párocos

1941 – O Pároco Raimundo de Castro e Silva, um ardente devoto de Nossa Senhora da Penha, transmitia aos paroquianos uma fervorosa devoção à nossa Mãe do Céu. Ele conseguiu verbas junto aos poderes e construiu o prédio do antigo abrigo dos pobres tendo como objetivo acolher idosos sem família, recebendo cuidados dispensados pelas irmãs Capuchinhas. O lançamento da pedra fundamental acontece nos festejos do primeiro centenário de nossa paróquia. No seu paroquiado, foi criado o apostolado da Cruzada Eucarística, constituída de crianças e jovens. Outros apostolados já existiam e destacam-se entre eles: as Mães Cristãs, Filhas de Maria, Irmãos do Santíssimo, Irmãos do Coração de Jesus, Vicentinos e outros. A Capela de Nossa Senhora de Fátima, ao lado da nossa Matriz, foi construída em sua gestão. A imagem veio de Portugal, doada por um português e sua esposa, que residiam aqui em Maranguape. A inauguração aconteceu no dia 13 de maio de 1942, por ocasião do primeiro jubileu de aparição de Nossa Senhora de Fátima. “Foi uma festa inesquecível”, relata dona Maria Stela que estava presente. Padre Raimundo acolhia a todos com muita benevolência e amabilidade e espiritualmente fez muito por nossa Paróquia, tanto que sua saída deixou uma lacuna difícil de ser preenchida. Quando foi transferido, seu substituto foi Padre Assis Portela, que na sua gestão recebe em doação o terreno para a construção da futura Igreja do Rosário.

1969 – Monsenhor Mauro, filho de Maranguape, foi o pároco que mais tempo ficou a frente de nossa Paróquia, mesmo com seu jeito conservador não deixou de conquistar o povo, sendo em nossa cidade muito querido por todos. Durante sua gestão, tinha um grande sonho, construir a Capela do Divino Espírito e a Capela de Nossa Senhora do Rosário, sendo concretizado com a construção da Capela do Divino Espírito Santo em 1992 na comunidade do Novo Maranguape e a Capela de Nossa Senhora do Rosário em 1993 na Praça do Rosário. Criou as letras dos hinos de Nossa Senhora da Penha e do Horto, Hinos dos 150 anos da Paróquia de Maranguape, Hino de Nossa Senhora do Rosário. Também em sua gestão faz o Encontro de Casais com Cristo-ECC, que se tornou dentro da Paróquia uma grande força na evangelização das famílias maranguapenses.


A Matriz de Nossa Senhora da Penha em Maranguape – Ceará atualmente

Em fevereiro de 2008, sai o Padre Raimundo Leandro de Araújo e toma posse o pároco Padre Arildo da Silva Castro juntamente com o Padre José Ribamar Vasconcelos como vigário paroquial. Até então, nossa paróquia vivia um momento de frieza na fé com muitos católicos buscando outras doutrinas. Apesar de todo esforço do Padre Leandro, poucos viviam a experiência de fé do dízimo e a chegada do novo pároco trouxe uma expectativa de algo que viesse renovar a fé do povo. Em pouco tempo, os fiéis percebem o grande pregador que Padre Arildo é: um apaixonado por Jesus, zeloso com a casa de Deus, acolhedor e conquista com facilidade os paroquianos com esse jeito carinhoso de chamá-los de belíssimo.

Em março de 2008, na primeira sexta-feira do mês, inicia-se a Adoração ao Santíssimo Sacramento após a Santa Missa que logo tomou uma grande proporção atraindo fiéis de cidade vizinhas, sendo um momento de muitas graças e renovação da fé e tem conquistado muitos fiéis de volta a casa do pai e até irmãos de outras religiões passam a abraçar a fé católica. Em conseqüência da fé renovada surgem novas pastorais: da Sobriedade, Familiar, Mutirão da Evangelização, Catequese de Adultos, de 2ª União, formação na Palavra de Deus e vários grupos de jovens além dos que já existiam e criaram vida nova.

Outros eventos passaram a integrar o calendário da paróquia como o: Semear, Auto de Natal, Jornada da Juventude e também foram formados Ministros da Palavra para auxiliar no anúncio do Evangelho. Sem dúvidas, nossa paróquia vive o tempo da graças nestes últimos anos e somos também agradecidos ao Padre Ribamar que muito contribuiu para a nossa evangelização durante este tempo que esteve aqui em conosco. A presença destes sacerdotes merece o nosso carinho, admiração e interseção por eles junto a Deus.

No decorrer dos seus 165 anos, nossa paróquia passou por transformações e atualmente foi reformada, foi reconstruída tanto no espiritual como na estrutura física: reforma da Igreja Matriz por completo, construção do Centro de Pastoral, uma quadra, reforma da casa paroquial, reforma e informatização da secretaria paroquial, parte do patrimônio da paróquia recuperado e passou a ser administrado pela própria paróquia deixando de ser gerido por terceiros.

O crescimento de nossa paróquia vem refletindo também o crescimento das comunidades, criando vidas próprias, tanto no lado espiritual como no físico destacando: capelas construídas e reformadas, surgimento de novas comunidades, expansão do terço dos homens, celebrações da palavra, envolvimento das comunidades nos eventos da paróquia e esta dando assistência às comunidades diante de suas necessidades.

Hoje nossa paróquia é, sem dúvidas, comunidade de comunidades, sempre contando com o apoio dos fiéis, que nunca deixará de colaborar para o bem da Matriz de Nossa Senhora da Penha, tudo isso sob a orientação do nosso atual pároco, Padre Arildo de Castro.

1849 a 2014 – 165 anos . Virgem da Penha levando esperança aos cristãos!

04/08/1849: A sede da Paróquia é transferida de Messejana para Maranguape, cuja capela é erigida Matriz de Nossa Senhora da Penha. No local onde hoje é a Matriz de Nossa Senhora da Penha era pra ser a Igreja de São Sebastião em virtude de um acordo entre os moradores da Vila e os arrebalde da Outra Banda, uma vez que a Igreja de São Sebastião estava encravada em lugar pantanoso, entre sítios. A Igreja de Nossa Senhora da Penha ficava onde hoje é o cemitério, cujos alicerces ainda estão lá, como não foi construída, a imagem foi trazida para o lugar da Igreja de São Sebastião que hoje é a Matriz. Nestes 165 anos de história, contamos 15 Párocos, sete Bispos e 12 Papas.

Nos últimos cinco anos foram criados os grupos: EJC, Perseverança, Coleta, Liturgia, Arautos, Missionários da Paz, Mutirão da Evangelização, Pastoral da Família, Pré-catequese, Vinde às criancinhas, Exéquias, Renascidos (Novo Parque Iracema), Luz e Vida em Cristo (Coité), Filhos de Maria (Centro), Missionários de Maria (Novo Maranguape), Ágape, Raiz de Davi, Mensageiros do Altíssimo, Tronco de Jessé, Sol Maior, Louvai ao Senhor Eloim. Núcleos da Pastoral da Saúde Novo Parque Iracema e Novo Maranguape. Equipe do dízimo nas comunidades e conselhos comunitários nas capelas.

Oração

Ó Virgem Imaculada, mãe de Deus e mãe nossa que vos dignastes abrir em vosso santuário a fonte de vossas graças, eis-nos aqui suplicando por sua intercessão, pela sua proteção, saúde da alma e do corpo, que sejamos livres de todos os perigos que possam nos alcançar e nos afastar de vosso filho e rogamos especialmente pela graça que tanto necessitamos (pedir a graça). Rogais por nós, Virgem da Penha, para que sejamos dignos das promessas de Cristo. Amém.

Hino de Nossa Senhora da Penha Padroeira de Maranguape – Ceará . Letra do Monsenhor Mauro Gurgel Braga Herbster (Padre Mauro).

Hino de Nossa Senhora da Penha. Divulgação

Hino de Nossa Senhora da Penha. Divulgação

Maranguape cantando se empenha
A pedir, a rezar a teus pés
De joelhos ó Virgem da Penha
Os teus filhos devotos fiéis

Virgem da Penha
Um hino novo
Hoje entoado com fervor
É uma prece de teu povo
Agradecendo o teu amor

Nossa serra de fontes cantantes
Também fazem a sua oração
E bendizem assim verdejantes
A criança que trazes na mão

Virgem da Penha
Um hino novo
Hoje entoado com fervor
É uma prece de teu povo
Agradecendo o teu amor

Virgem Mãe Padroeira querida
Desta nossa Paróquia Fiel
Os teus filhos na luta da vida
Pedem graças e bençãos do céu

Virgem da Penha
Um hino novo
Hoje entoado com fervor
É uma prece de teu povo
Agradecendo o teu amor

Virgem da Penha
Um hino novo
Hoje entoado com fervor
É uma prece de teu povo
Agradecendo o teu amor

Obs: informações do livro de novenário da festa de 165 anos. Parabenizamos a toda equipe pelo excelente trabalho de pesquisa histórica e religiosa apresentada aos paroquianos.

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Festa da Padroeira de Maranguape reuniu milhares de fiéis na última noite de comemorações

Por Dadynha Saturnino em Religião

09 de setembro de 2013

Maranguape. No último domingo (08), milhares de fiéis prestigiaram a Festa da Padroeira desta cidade, Nossa Senhora da Penha. A missa dominical das 19hs foi realizada na Igreja Matriz, que reabriu após um breve período em que passou por reforma (troca do piso, reparo nas paredes e restauro das cores originais dos altares), e celebrada pelo Pároco Padre Arildo Castro com a participação dos Padres Josimar e Eronildo, ambos maranguapenses.

 

Na sequência, ocorreu a procissão com a imagem de Nossa Senhora em andor muito bem decorado, saindo da Matriz passando pelas Ruas Domingos Façanha (Monsenhor Mauro Herbster aguardava a passagem em casa e abençoava os fiéis que o cumprimentavam), Major Agostinho, Major Napoleão Lima e Coronel Manoel Paula encerrando no patamar da Matriz com o descerramento das Bandeiras do Brasil, de Maranguape e de Nossa Senhora da Penha pelo decorador Pedro Sérgio, Prefeito Átila Câmara e Padre Josimar, respectivamente. Padre Arildo aproveitou para lançar o sorteio de um carro 0 km que será feito em novembro próximo.     Milhares de fiéis, inclusive de várias cidades e até de outros Estados, participaram desta belíssima festa numa mostra da devoção, vocação e forte religiosidade presentes neste município, além de autoridades políticas e famílias maranguapenses que prestigiaram o Leilão de prendas finalizando com sucesso esta tradicional festa católica.

 

Na sequência, ocorreu a procissão com a imagem de Nossa Senhora em andor muito bem decorado, saindo da Matriz passando pelas Ruas Domingos Façanha (Monsenhor Mauro Herbster aguardava a passagem em casa e abençoava os fiéis que o cumprimentavam), Major Agostinho, Major Napoleão Lima e Coronel Manoel Paula encerrando no patamar da Matriz com o descerramento das Bandeiras do Brasil, de Maranguape e de Nossa Senhora da Penha pelo decorador Pedro Sérgio, Prefeito Átila Câmara e Padre Josimar, respectivamente. Padre Arildo aproveitou para lançar o sorteio de um carro 0 km que será feito em novembro próximo.

 

Festa de Nossa Senhora da Penha - Padroeira de Maranguape.Foto Dadynha Saturnino

Festa de Nossa Senhora da Penha – Padroeira de Maranguape.Foto Dadynha Saturnino

 

Festa de Nossa Senhora da Penha - Padroeira de Maranguape.Foto Dadynha Saturnino

Festa de Nossa Senhora da Penha – Padroeira de Maranguape.Foto Dadynha Saturnino

 

 

Milhares de fiéis, inclusive de várias cidades e até de outros Estados, participaram desta belíssima festa numa mostra da devoção, vocação e forte religiosidade presentes neste município, além de autoridades políticas e famílias maranguapenses que prestigiaram o Leilão de prendas finalizando com sucesso esta tradicional festa católica.

 

 

Festa de Nossa Senhora da Penha - Padroeira de Maranguape.Foto Dadynha Saturnino

 

Cobertura fotográfica completa no álbum do facebook de Dadynha Saturnino Festa de Nossa Senhora da Penha – Padroeira de Maranguape

 

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Blog News Maranguape entrevista o Monsenhor Mauro Herbster

Por Dadynha Saturnino em Entrevistas, Religião

24 de dezembro de 2012

O Blog News Maranguape entrevistou Mauro Gurgel Braga Herbster – Monsenhor Mauro (ou o Padre Mauro dos maranguapenses) na casa dos seus sobrinhos Bernardete e Marcelo, no dia do seu aniversário de 91 anos de vida, completados no último dia 22 de dezembro. 67 destes dedicados ao Sacerdócio com muito amor pelo seu próximo nas diversas Paróquias que foi Vigário: Mucuripe, São Gerardo, Mulungu, Pedra Branca entre outras e mais de 40 anos somente ao povo de Maranguape, que além de estimular a prática religiosa (catolicismo) tão presente neste município, também educou quando foi Professor no Colégio Estadual Anchieta.

Atualmente, vive em um Sítio no Distrito de Tabatinga e ainda celebra a “Santa Missa” na saleta de casa aos domingos. Algumas poucas vezes podemos encontrá-lo na casa dos sobrinhos, no Centro da cidade, quando temos a oportunidade de ser abençoados por “Ele”, irmão do Médico humanitário Dr. Argeu Herbster (In Memórian) e também considerado por muitos como um “Santo. Vivo.”

Blog News Maranguape entrevista Monsenhor Mauro Herbster. Foto de Dadynha Saturnino

Confira a entrevista realizada por Dadynha Saturnino

BNM – O Senhor é considerado pelos maranguapenses como um “Santo Vivo”. A que atribui esta devoção?

Padre Mauro – É bondade do povo (inicia com um tímido sorriso). Como sacerdote, tive muita alegria e nesta idade, 91 anos completados hoje, alegria de nunca ter deixado um enfermo morrer sem ser sacramentado, sem receber a confissão de forma que todos, graças a deus, puderam ser atendidos, ainda mais quando eu fui vigário em Paróquia de Interior, paróquias difíceis e grandes como Pedra Branca, por exemplo. Não posso dar as impressões porque fazem um elogio desses descabido, risos, um povo muito bom de Maranguape. Ainda me lembro, lendo o livro onde se escrevem as impressões dos ex-Vigários que passaram por aqui, que havia um Padre Bruno, Monsenhor Bruno, que dizia: “o povo de Maranguape é um povo bom, trate-o bem que consegue tudo o que quiser.” Isso me edifica muito.

BNM – Quais as dificuldades que o Senhor precisou vencer para ajudar a fortalecer a fé das pessoas?

Padre Mauro – Bem, as dificuldades que encontrei quando era vigário do interior para atender os enfermos. Às vezes, fora de hora, em lugares distantes, passando a noite toda andando a cavalo para no outro dia atender e às vezes quando chegava dia de sábado ainda tinha atendimento, uma confissão para fazer neste dia, no retorno a paróquia e era bem cansativo, era muito cansativo. Quando era vigário em São Gerardo, havia um bairro lá, Pan Americano, onde construímos a Igreja de São Pio Décimo que no começo era Santa Cecília, mas, a minha mãe, pediu pra ser São Pio Décimo porque ela cada vez mais cultivava a devoção a Eucaristia a este Papa que fez milagre em vida, de forma que em vez de Santa Cecília ficou São Pio Décimo que ainda hoje está como Padroeiro. E eu sempre dizia: aqui vai ser uma Paróquia, vamos levantar as torres, mas, de vez em quando, muita gente chegou a dizer: o Padre fazer uma igreja, num tamanho desses e num lugar desses? E vieram me pedir desculpa: “seu vigário, falta de bom senso, é a nossa.” Tá vendo? Fui vigário naqueles bons tempos. “Hoje essa Igreja já tá construída, já foi inaugurada com os sinos que o senhor sonhava colocar aqui, é pequena para o povo que se apresenta hoje aqui, diziam que o senhor não tem bom senso, quem não tinha bom senso éramos nós.” Falam os fiéis. O Povo de São Gerardo é um Povo muito bom, muito religioso.

BNM – Há algo em especial que o Senhor gostaria de compartilhar conosco?

Padre Mauro – Nunca, nenhum dos meus enfermos por quem procurei entrar em contato para receber o sacramento, nunca rejeitou o Padre. Sempre aceitaram o Padre. Uma vez um chegou a dizer que não queria se confessar, mas, a Senhora dele disse: o que? Chame o Padre Mauro. Eu fui, nem perguntei se queria confessar, fui só sentar. Conversei, nem perguntei, ele recebeu o sacramento, ficou muito satisfeito e perguntei: está satisfeito? Ele respondeu: satisfeitíssimo e isso conforta muito o padre. Às vezes a pessoa pobre diz: vem me ouvir Padre, peço pro Senhor rezar por mim, eu nunca procurei fazer questão de atender pois a intenção era pura, predestinada por deus e contribuiu para fortalecer a minha fé. (em relação a pessoa estar precisando da oração e não ter recursos.)

BNM – Maranguape tem dois Padroeiros, Nossa Senhora da Penha e São Sebastião. Qual a explicação?

Padre Mauro – A Padroeira é Nossa Senhora da Penha, ela é a nossa Padroeira. O gesto de devoção à São Sebastião é desde o tempo do cólera, para o povo agradecer a graça de não ter morrido, pois morreu muita gente nesse tempo, e não faltaram pessoas caridosas para atendê-los, principalmente médicos. Por atender ao pedido de fé dos maranguapenses, tornou-se o Santo de devoção, passando a ser considerado o Padroeiro também.

Leia mais sobre a devoção a São Sebastião em  Maranguapense recebe Moção de parabéns por sua aprovação no Doutorado em História.

BNM – Seu irmão e Médico Dr. Argeu Gurgel Braga Herbster (In Memórian), serviu ao povo através dos seus conhecimentos na medicina, ajudou a salvar muitas vidas e até hoje é considerado um Santo Popular e à ele atribuídos vários milagres. Porque?

Padre Mauro – Porque praticou sempre a caridade. Argeu olhava para o doente sem saber se era rico ou se era pobre. Se era doente, atendia logo. E se não tinha dinheiro, se prontificava logo para atender. Ainda perto de morrer, ele tava no Hospital Albanisa Sarasate e vieram chamá-lo para confissão (risos pela troca), ou melhor, para atender um chamado. Acontece que era hora avançada, uma hora já e não tinha nem jantado, todo tempo atendendo aquele pessoal. Então, Ele não tinha transporte, não tinha nada. Como as pessoas vinham de caminhão, “aproveito e vou no caminhão, aproveito esse transporte de vocês”contou-me Argeu. Depois que atendeu o doente, perguntaram quanto era e ele disse: não é nada e o dinheiro que iria pagar já serve pra comprar de remédio. Ainda me lembro também que pra atender os doentes, Argeu não se importava de ir de cavalo. Eu fui Vigário de Pedra Branca, paróquia difícil, as estradas muito ruins, na cega, tinha que usar o transporte, o cavalo. Me chamaram pra confessar um doente, era no cimo dum pico e tava lá o sujeito enfermo. Quando o homem olhou pra mim, perguntou: “você é irmão do Dr Argeu?” Respondi: sou. Pois, é, até naquele local, ele foi atender esse doente, sem visar pagamento, sem saber se ele podia pagar transporte, foi a cavalo também, de forma que esses gestos assim cativaram muito o povo, por isso todo o povo o venera pela caridade, esse amor ao próximo, sem procurar saber as posições deles, se era doente, atendia logo. Argeu também passou por inúmeras dificuldades para atender os apelos do povo quando precisava atender fora de hora em situação as vezes difíceis, porque não tinha transporte a mão, mas, ele sempre atendia. Quando um doente sabia que podia ser atendido pelo Dr Argeu, podia ficar tranqüilo que ele atendia, nunca fez questão para isso, para voltar um doente, sempre atendia a todos. O pessoal, interessante, me achava muito parecido com ele, muitas vezes me abraçava e dizia: Dr. Argeu, o senhor é muito parecido com o nosso Vigário, o Padre Mauro, mas, o Vigário era eu (risos).

BNM – Qual a mensagem que o Senhor deixa para o Povo de Maranguape e para os leitores do Blog News Maranguape?

Padre Mauro –Procurem sempre perseverar na fé para não perdê-la pois o justo vive a sua fé. Que sejam bem felizes e vivam sempre a sua fé que Deus não faltará quando vocês pedirem. Estou morando na Serra, resido num sitiozinho que comprei e celebro sempre na saleta da casa, aos domingos. Qualquer um pode vir à Missa. Às vezes sou chamado e atendo porque atualmente, a tontura (não sei proveniente de que, talvez da idade mesmo) não me permite sair a pé, mas, tem aqui o meu sobrinho, Marcelo, que se prontifica pra qualquer chamado, e me leva com todo prazer.  Qualquer pessoa que estiver morrendo eu ainda vou e confesso. A minha família me ajuda. O Marcelo, a Bernaderte e a Carmita. Sejam sempre fieis guardando a sua fé.

Making Off

Enquanto realizávamos a entrevista na varanda da casa do casal Bernardete e Marcelo (sobrinhos do Monsenhor Mauro), os parentes chegavam para parabenizá-lo pelo seu aniversário de 91 anos.

Blog News Maranguape entrevista Monsenhor Mauro Herbster.Foto de Dadynha Saturnino (7)
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Por Dadynha Saturnino em Entrevistas, Religião

24 de dezembro de 2012

O Blog News Maranguape entrevistou Mauro Gurgel Braga Herbster – Monsenhor Mauro (ou o Padre Mauro dos maranguapenses) na casa dos seus sobrinhos Bernardete e Marcelo, no dia do seu aniversário de 91 anos de vida, completados no último dia 22 de dezembro. 67 destes dedicados ao Sacerdócio com muito amor pelo seu próximo nas diversas Paróquias que foi Vigário: Mucuripe, São Gerardo, Mulungu, Pedra Branca entre outras e mais de 40 anos somente ao povo de Maranguape, que além de estimular a prática religiosa (catolicismo) tão presente neste município, também educou quando foi Professor no Colégio Estadual Anchieta.

Atualmente, vive em um Sítio no Distrito de Tabatinga e ainda celebra a “Santa Missa” na saleta de casa aos domingos. Algumas poucas vezes podemos encontrá-lo na casa dos sobrinhos, no Centro da cidade, quando temos a oportunidade de ser abençoados por “Ele”, irmão do Médico humanitário Dr. Argeu Herbster (In Memórian) e também considerado por muitos como um “Santo. Vivo.”

Blog News Maranguape entrevista Monsenhor Mauro Herbster. Foto de Dadynha Saturnino

Confira a entrevista realizada por Dadynha Saturnino

BNM – O Senhor é considerado pelos maranguapenses como um “Santo Vivo”. A que atribui esta devoção?

Padre Mauro – É bondade do povo (inicia com um tímido sorriso). Como sacerdote, tive muita alegria e nesta idade, 91 anos completados hoje, alegria de nunca ter deixado um enfermo morrer sem ser sacramentado, sem receber a confissão de forma que todos, graças a deus, puderam ser atendidos, ainda mais quando eu fui vigário em Paróquia de Interior, paróquias difíceis e grandes como Pedra Branca, por exemplo. Não posso dar as impressões porque fazem um elogio desses descabido, risos, um povo muito bom de Maranguape. Ainda me lembro, lendo o livro onde se escrevem as impressões dos ex-Vigários que passaram por aqui, que havia um Padre Bruno, Monsenhor Bruno, que dizia: “o povo de Maranguape é um povo bom, trate-o bem que consegue tudo o que quiser.” Isso me edifica muito.

BNM – Quais as dificuldades que o Senhor precisou vencer para ajudar a fortalecer a fé das pessoas?

Padre Mauro – Bem, as dificuldades que encontrei quando era vigário do interior para atender os enfermos. Às vezes, fora de hora, em lugares distantes, passando a noite toda andando a cavalo para no outro dia atender e às vezes quando chegava dia de sábado ainda tinha atendimento, uma confissão para fazer neste dia, no retorno a paróquia e era bem cansativo, era muito cansativo. Quando era vigário em São Gerardo, havia um bairro lá, Pan Americano, onde construímos a Igreja de São Pio Décimo que no começo era Santa Cecília, mas, a minha mãe, pediu pra ser São Pio Décimo porque ela cada vez mais cultivava a devoção a Eucaristia a este Papa que fez milagre em vida, de forma que em vez de Santa Cecília ficou São Pio Décimo que ainda hoje está como Padroeiro. E eu sempre dizia: aqui vai ser uma Paróquia, vamos levantar as torres, mas, de vez em quando, muita gente chegou a dizer: o Padre fazer uma igreja, num tamanho desses e num lugar desses? E vieram me pedir desculpa: “seu vigário, falta de bom senso, é a nossa.” Tá vendo? Fui vigário naqueles bons tempos. “Hoje essa Igreja já tá construída, já foi inaugurada com os sinos que o senhor sonhava colocar aqui, é pequena para o povo que se apresenta hoje aqui, diziam que o senhor não tem bom senso, quem não tinha bom senso éramos nós.” Falam os fiéis. O Povo de São Gerardo é um Povo muito bom, muito religioso.

BNM – Há algo em especial que o Senhor gostaria de compartilhar conosco?

Padre Mauro – Nunca, nenhum dos meus enfermos por quem procurei entrar em contato para receber o sacramento, nunca rejeitou o Padre. Sempre aceitaram o Padre. Uma vez um chegou a dizer que não queria se confessar, mas, a Senhora dele disse: o que? Chame o Padre Mauro. Eu fui, nem perguntei se queria confessar, fui só sentar. Conversei, nem perguntei, ele recebeu o sacramento, ficou muito satisfeito e perguntei: está satisfeito? Ele respondeu: satisfeitíssimo e isso conforta muito o padre. Às vezes a pessoa pobre diz: vem me ouvir Padre, peço pro Senhor rezar por mim, eu nunca procurei fazer questão de atender pois a intenção era pura, predestinada por deus e contribuiu para fortalecer a minha fé. (em relação a pessoa estar precisando da oração e não ter recursos.)

BNM – Maranguape tem dois Padroeiros, Nossa Senhora da Penha e São Sebastião. Qual a explicação?

Padre Mauro – A Padroeira é Nossa Senhora da Penha, ela é a nossa Padroeira. O gesto de devoção à São Sebastião é desde o tempo do cólera, para o povo agradecer a graça de não ter morrido, pois morreu muita gente nesse tempo, e não faltaram pessoas caridosas para atendê-los, principalmente médicos. Por atender ao pedido de fé dos maranguapenses, tornou-se o Santo de devoção, passando a ser considerado o Padroeiro também.

Leia mais sobre a devoção a São Sebastião em  Maranguapense recebe Moção de parabéns por sua aprovação no Doutorado em História.

BNM – Seu irmão e Médico Dr. Argeu Gurgel Braga Herbster (In Memórian), serviu ao povo através dos seus conhecimentos na medicina, ajudou a salvar muitas vidas e até hoje é considerado um Santo Popular e à ele atribuídos vários milagres. Porque?

Padre Mauro – Porque praticou sempre a caridade. Argeu olhava para o doente sem saber se era rico ou se era pobre. Se era doente, atendia logo. E se não tinha dinheiro, se prontificava logo para atender. Ainda perto de morrer, ele tava no Hospital Albanisa Sarasate e vieram chamá-lo para confissão (risos pela troca), ou melhor, para atender um chamado. Acontece que era hora avançada, uma hora já e não tinha nem jantado, todo tempo atendendo aquele pessoal. Então, Ele não tinha transporte, não tinha nada. Como as pessoas vinham de caminhão, “aproveito e vou no caminhão, aproveito esse transporte de vocês”contou-me Argeu. Depois que atendeu o doente, perguntaram quanto era e ele disse: não é nada e o dinheiro que iria pagar já serve pra comprar de remédio. Ainda me lembro também que pra atender os doentes, Argeu não se importava de ir de cavalo. Eu fui Vigário de Pedra Branca, paróquia difícil, as estradas muito ruins, na cega, tinha que usar o transporte, o cavalo. Me chamaram pra confessar um doente, era no cimo dum pico e tava lá o sujeito enfermo. Quando o homem olhou pra mim, perguntou: “você é irmão do Dr Argeu?” Respondi: sou. Pois, é, até naquele local, ele foi atender esse doente, sem visar pagamento, sem saber se ele podia pagar transporte, foi a cavalo também, de forma que esses gestos assim cativaram muito o povo, por isso todo o povo o venera pela caridade, esse amor ao próximo, sem procurar saber as posições deles, se era doente, atendia logo. Argeu também passou por inúmeras dificuldades para atender os apelos do povo quando precisava atender fora de hora em situação as vezes difíceis, porque não tinha transporte a mão, mas, ele sempre atendia. Quando um doente sabia que podia ser atendido pelo Dr Argeu, podia ficar tranqüilo que ele atendia, nunca fez questão para isso, para voltar um doente, sempre atendia a todos. O pessoal, interessante, me achava muito parecido com ele, muitas vezes me abraçava e dizia: Dr. Argeu, o senhor é muito parecido com o nosso Vigário, o Padre Mauro, mas, o Vigário era eu (risos).

BNM – Qual a mensagem que o Senhor deixa para o Povo de Maranguape e para os leitores do Blog News Maranguape?

Padre Mauro –Procurem sempre perseverar na fé para não perdê-la pois o justo vive a sua fé. Que sejam bem felizes e vivam sempre a sua fé que Deus não faltará quando vocês pedirem. Estou morando na Serra, resido num sitiozinho que comprei e celebro sempre na saleta da casa, aos domingos. Qualquer um pode vir à Missa. Às vezes sou chamado e atendo porque atualmente, a tontura (não sei proveniente de que, talvez da idade mesmo) não me permite sair a pé, mas, tem aqui o meu sobrinho, Marcelo, que se prontifica pra qualquer chamado, e me leva com todo prazer.  Qualquer pessoa que estiver morrendo eu ainda vou e confesso. A minha família me ajuda. O Marcelo, a Bernaderte e a Carmita. Sejam sempre fieis guardando a sua fé.

Making Off

Enquanto realizávamos a entrevista na varanda da casa do casal Bernardete e Marcelo (sobrinhos do Monsenhor Mauro), os parentes chegavam para parabenizá-lo pelo seu aniversário de 91 anos.

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