Violência Física

 

Abuso Sexual contra Crianças e Adolescentes

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Ao longo da história da humanidade, crianças têm sofrido todo tipo de violência independentemente da cultura ou classe social em que vivem.

Há pouco tempo falar abertamente sobre abuso sexual* de crianças e adolescentes era um verdadeiro tabu (assunto delicado que gera incômodo em algumas pessoas quando se fala sobre).  A grande maioria dos casos de abusos eram escondidos pela vítima por vergonha e medo.  Hoje a realidade está um pouco diferente. Algumas poucas vítimas ou testemunhas, se permitem falar, denunciar ou relatar o que vem acontecendo com elas. Porém, muitos adultos, pais das vítimas, ainda preferem manter o silêncio fazendo de conta que nada está acontecendo. Preferem não expor os fatos e nem enfrentar a situação de forma aberta e corajosa. Eles sabem que isso implicaria em mexer numa ordem familiar estabelecida, pois a maioria de casos de abusos ocorrem dentro de casa. O lar que deveria ser o lugar mais seguro para uma criança, muitas vezes é o cenário de momentos de terror.

É importante que tenhamos em mente o conceito sobre Abuso Sexual: Abuso sexual é todo ato ou jogo sexual, relação heterossexual ou homossexual entre um ou mais adultos e uma criança menor de 18 anos, tendo por finalidade estimulação sexual sobre sua pessoa ou de outra pessoa.

A violência sexual contra crianças e adolescentes pode se manifestar de diversas formas como:

- com contato físico por meio de toques,

- carícias, manipulação de genitais,

- relações com penetração anal, vaginal,

- sexo oral;

- sem contato físico como o voyerismo,

- assédio,

- exibicionismo,

- utilização da criança para elaboração de material pornográfico ou obsceno;

- com contato físico com violência nos casos de estupro, brutalização, muitas vezes chegando ao assassinato das vítimas.

Por conta do interminável sigilo das testemunhas, vítimas e algozes, as crianças e os adolescentes tornam-se involuntariamente cúmplices de sua própria dor, sendo obrigadas a assumirem sozinhas as terríveis conseqüências físicas e psicológicas do abuso.

Cenário em que acontecem os abusos

Em geral, o abuso sexual acontece sempre que as crianças ou os adolescentes estão sozinhos.  A experiência que vivenciam, os momentos de medo e de incapacidade diante do que vai acontecer ou aconteceu, torna o cotidiano e a vida de muitos deles, quase insuportável.  Manter tudo isso em segredo é um peso a mais, mas as vítimas sabem o quanto ele é difícil de ser partilhado.

O medo e a descrença silencia

Tanto a criança quanto o adolescente temem a punição ou não acreditam na capacidade do adulto de protegê-los. Se não conseguem falar é porque não tem mais confiança no adulto. Outros, quando falam, são desacreditados e acusados de sedução. Para um vitima não há nada pior do que se abrir para algum que duvida dela.

Síndrome de Acomodação

R.C. Summit (1983) descreveu a “Síndrome de Acomodação” da criança e adolescente vítimas de abusos sexuais: “Se o diagnostico de abuso não foi feito, e se as pessoas não acreditam na criança ou no adolescente, os distúrbios são mais discretos e eles aprendem a aceitar a situação e sobreviver a ela, sob o risco de as conseqüências só se manifestarem mais tarde na forma de graves problemas de personalidade”.

 

As nossas crianças e os nossos adolescentes estão sequelados pelo excesso de abuso que sofrem e é o nosso dever ajudá-los. Romper com o silêncio e acreditar na vítima do abuso é um primeiro e importante passo.

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* A Organização Mundial de Saúde define o abuso sexual da seguinte maneira: “A exploração sexual de uma criança ou adolescente implica que esta seja vítima de um adulto ou de uma pessoa sensivelmente mais idosa do que ela com a finalidade de satisfação sexual desta. O crime pode assumir várias formas: ligações telefônicas obscenas, ofensa ao pudor e voyeurismo, imagens pornográficas, relações ou tentativas de relações sexuais, incesto ou prostituição de menores”.

Perguntas e Respostas

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Decidi compartilhar com vocês algumas perguntas que frequentemente escuto. Perguntas feitas por pais e pessoas em geral.

“Não tenho autoridade com meus filhos. O que fazer para que eles me respeitem?”

  • Ser autoritário e ter autoridade sobre os filhos são coisas diferentes. Os pais autoritários geram filhos com medo, insegurança e ressentimento. Ao contrário, pais com autoridade a conquistaram com respeito e diálogo. As crianças aprendem a se relacionar com os adultos a partir da maneira como eles se relacionam com elas. Sabemos que a criança precisa de limites. A ideia não é remover os limites e a disciplina da educação e da criação dos filhos, mas utilizar formas de disciplina sem o uso da violência.

 Meu filho está agressivo e não obedece. Já tentei fazer várias coisas e não quero bater. Como dar limites sem bater? O que faço?

  • Parto do princípio que todas as crianças devem crescer em um ambiente livre de violência e que o diálogo – mesmo com os muito pequenos – deve sempre prevalecer. 
  • Uma criança que apanha ou é humilhada vai aprender que os conflitos se resolvem desta maneira. A agressão e a desobediência são um reflexo de uma educação inadequada, e para corrigir um aprendizado equivocado, somente com muita calma e amor. 
  • Certamente a criança aprendeu a agredir por defesa e a não obedecer por não acreditar mais nos pais. O processo agora é de reconquista: converse com o seu filho e mantenha-se sempre calmo.
  •  Muitas vezes as crianças testam os nossos limites e o nosso amor. Se quando uma criança grita ou tem um comportamento agressivo e os pais cedem ao que ela quer, ela vai aprender que gritando e caindo no chão, consegue o que quer.

 Uma dica: sempre que for falar com eles sobre a atitude que está tendo, abaixe-se para ficar da altura dele e olhe nos olhos. Repita até que ela apreenda o comando que você está dando. Lembre-se que o tempo e a forma como as crianças entendem as coisas são bem diferentes do nosso. A paciência é indispensável. Sempre!!!

 Apanhei quando era uma criança e hoje sou uma boa pessoa. Não aconteceu nada comigo. Porque não devo educar meus filhos da mesma maneira?

  • Essa pergunta é a mais comum de todas. Embora muitas pessoas acreditem que “não aconteceu nada”, castigos deixam sentimentos de raiva, ressentimento, rancor, medo e frustração. O “nada” a que muitos adultos se referem tem relação ao nada consciente, pois muitos de nós levamos o nosso dia a dia sem nos questionarmos sobre o nosso passado e, muito menos adentramos nele com o intuito de entendê-lo e reconstruí-lo de uma maneira positiva.
  •  Uma criança que apanhou tornou-se provavelmente uma criança obediente e disciplinada, que segue sempre as regras sem muito questionar. Claro, ela não poderia fazer isso, senão apanhava. Mas pode ter se tornado uma pessoa destruída emocionalmente e esta ferida é “contagiosa”, e pode ser transmitida para as gerações seguintes.
  •  Apesar de muitos pais acharem que “educar batendo deu certo”, acredito que educar sem bater, com diálogo, respeito e participação fortalece o relacionamento com seus filhos, cria respeito e confiança. Cria adultos saudáveis em todos os sentidos.

Acredito que a forma de educar meus filhos é assunto de minha família. Porque uma questão privada deve ser discutida na “sociedade”?

  • O castigo físico é uma forma de violência social e viola o direito da proteção integral da criança e do adolescente. A Convenção sobre os Direitos da Criança, ratificada por 130 países, dentre eles o Brasil, recomenda expressamente que as punições corporais na família, na escola e nas instituições penais, sejam proibidas por todos os signatários. O que para muitos parece uma simples questão privada acaba tendo reflexos negativos para toda uma sociedade.
  •  Um exemplo é a questão da violência contra a mulher. Até algumas décadas atrás, a violência contra mulher também era considerada um ”problema privado”, e muitos países ainda consideram que a mulher é “propriedade” do homem. No entanto essa situação vem mudando, sendo que muitos países já possuem legislações exclusivas para o tema, e a mulher é progressivamente vista como sujeito de direitos nas mesmas condições que qualquer outro cidadão.
  • Sendo as crianças indivíduos vulneráveis, garantir a sua integridade física e moral é dever de todos: da família, da comunidade e da sociedade. Absolutamente não é um assunto da sua família, é um assunto da sociedade!

Porque eliminar castigos físicos e humilhantes deve ser uma prioridade, quando existem violências mais severas, como o abuso sexual, por exemplo?

  • Por serem amplamente aceitos, e, portanto também corriqueiros, os castigos físicos e humilhantes acabam sendo deixados em segundo plano na luta pela garantia dos direitos das crianças. Todavia, as razões acima são justamente as que fazem deste tema prioritário nessa luta. Trabalhar pela erradicação dos castigos físicos é uma forma de eliminar todas as formas de violência contra crianças, afirmar que existe um “limite” entre violência leve e grave é uma forma equivocada de abordagem, pois ignora a criança como um sujeito de direitos.
  • Todas as formas de violência estão inter-relacionadas e devem ser combatidas igualmente, começando pelos nossos lares.

Não bata. Eduque!

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Mesmo quando o castigo físico é aplicado com a intenção de ajudar na educação, é comum haver um enorme abismo entre esse desejo e o efeito dessa ação.

Quem me conhece sabe que sou uma defensora da não violência contra crianças e adolescentes, por isso, escrever sobre esse tema é acima de tudo um dever.

Através do meu trabalho posso escutar pais e filhos e ter uma visão mais realista de como a educação está equivocada. É claro que a intenção dos pais é de ajudar e educar os seus filhos, mas o que observo é que existe um enorme abismo entre esse desejo e a ação.

Pedagogia da palmada

Muitos já devem ter escutado a frase: “Pedagogia da Palmada”. Ela mostra claramente um problema sério, que é a banalização do uso da violência como meio de solucionar conflitos. Além disso, ensina a criança que a violência é uma maneira plausível e aceitável. Já perguntei para muitas crianças que apanham de seus pais, o que elas pensam. Pasmem, mas elas acham que é certo, pois fazem “bobeira” e merecem apanhar. É claro que elas não gostam nem um pouco, mas estão convencidas através da ação dos pais, que bater e apanhar é o certo. Não lhes é mostrado outro caminho, então, é claro, elas acreditam no que é dito e feito.

A  realidade é que as punições corporais e psicológicas contra crianças e adolescentes, tais como as palmadas, castigos, chineladas e ameaças, são práticas habituais em quase todas as famílias, e o pior de tudo é que são encarados como ferramentas essenciais para “educar e disciplinar” os filhos. Poucos levam a sério o fato de que o castigo físico e humilhante poderá ter reflexos negativos ao longo da vida da criança; sem falar que constituem uma violação aos Direitos Humanos fundamentais, atentando contra a dignidade humana e a integridade física das crianças e adolescentes

Abuso de poder

É bom lembrar que o uso do castigo físico infligido a uma pessoa faz parte de um “ciclo de violência”. Entretanto, muitos pais ainda não enxergam dessa forma, pois esta metodologia educativa está fortemente legitimada em nossa sociedade. Assistimos a programas que ensinam como castigar nossos filhos. Existem muitos livros que ditam normas cruéis sobre como punir e disciplinar.

Os pais que utilizam a tapa, a palmada ou a chinelada para “educar” o fazem acreditando que estão fazendo o melhor, mas não percebem o estrago por trás dessa ação. Não veem que estão abusando da diferença de poder que existe numa relação entre um adulto e uma criança. Se a violência física contra um adulto não é aceitável socialmente, sendo passível inclusive de sanções legais, porque contra a criança deve ser aceita? Essa é uma pergunta intrigante.

Consequências para as crianças

Muitos não têm conhecimento dos efeitos que o bater provoca em seus filhos. Pensam que a criança esquece ou nada assimila. Engano terrível. Existem conseqüências nada positivas nas crianças vítimas de violência doméstica. As consequências não podem ser generalizadas para todas as crianças, pois depende da experiência de vida de cada uma e da configuração familiar. Entretanto, uma conseqüência direta do uso do castigo físico é o aprendizado equivocado de que a violência é certa e soluciona conflitos e diferenças. A partir desse aprendizado, a criança irá manter o mesmo tipo de relação com outras pessoas, como na escola, com os irmãos e amigos, com os pais, etc. Sem falar em conseqüências psicológicas freqüentes, tais como introversão, medos desconhecidos, baixa auto-estima, insegurança, timidez, excesso de passividade e submissão.

Descontrole momentâneo

Muitas vezes, a agressão física ou psicológica acaba acontecendo num rompante, não sendo uma prática cotidiana. Quando isso acontecer, sente com seu filho e seja sincero com ele, explicando que perdeu o controle e que se arrepende por isso. Este tipo de atitude é um ótimo exemplo de humildade e de respeito para com o outro. Ao sentar para conversar, você estará dando um ótimo exemplo de que pedir desculpas não é algo do qual a criança deva se envergonhar e de que errar é humano, que nem sempre vocês pais, irão acertar em tudo, apesar de sempre desejarem o melhor para ele. Aproveite o momento para ouvir a criança e procurar, juntamente com ela, estabelecer as “regras” de boa convivência para todos dentro de casa.

Agora se você usa a pedagogia negra* para educar, valer-se do que foi citado no parágrafo anterior não vai adiantar de nada, só vai lhe criar um problema maior, pois ao bater cotidianamente e pedir desculpas, você vai transmitir insegurança, desrespeito e o quanto a sua palavra não tem o menor valor. Antes de tudo você precisa parar de bater e encontrar uma maneira mais humana de educar aqueles que você tanto ama.

Um simples exemplo da perda de controle dos pais, é quando estão cansados demais após um dia de trabalho e descarregam em seus filhos todo o seu estresse. Junto com a criança, você pode conversar e estabelecer que, quando estiver cansado, você precisará de um tempinho para respirar fundo, relaxar e, então, dar a atenção de qualidade que ela merece.

Castigos mais comuns

Acredito ser importante esclarecer quais são os castigos físicos e humilhantes. A lista é grande, mas cito aqui apenas os que infelizmente, são os mais usuais nas famílias:

· Palmadas

· Beliscões

· Tapinhas na mão

· Pontapés

· Puxão de cabelo

· Rejeição ou desqualificação da criança ou do adolescente

· Bater com a mão ou com um objeto (vara, cinto, chicote, sapato, fios, etc.)

· Xingamentos, humilhações

· Castigos excessivos,

· Recriminações

· Culpabilização

· Ameaças

· Uso da criança como intermediário de desqualificações mútuas entre os pais em processo de separação·

· Responsabilidades excessivas para a idade

· Sacudir ou empurrar a criança

· Clima de violência entre os pais e de descarga emocional em cima da criança

· Obrigá-la a permanecer em posições incômodas ou indecorosas

· Obrigá-la a fazer exercícios físicos excessivos

· Surras

· Chacoalhar a criança, etc.

Educar: dever intransferível

Educar não é difícil, mas vai exigir de você paciência e amor. Costumo dizer que antes de qualquer casal decidir ter um filho, eles precisam decidir se estão dispostos a educar. Para isso vão precisar de algum tempo disponível, paciência, respeito e amor para com seus pequenos.

Não delegar a educação dos filhos a terceiros é um precioso passo para a educação de qualidade.

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* Pedagogia Negra - termo usado pela psicóloga e escritora Alice Miller para definir uma educação desrespeitosa e com violência.

Bullying. É preciso levar a sério!

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Entre os tantos desafios já existentes na rotina escolar, está posto mais um. O bullying escolar. É um tipo de agressão que pode ser física ou psicológica, que ocorre repetidamente e intencionalmente e ridiculariza, humilha e intimida suas vítimas. Infelizmente é uma das formas de violência que mais cresce no mundo.

Geralmente ninguém sabe como agir, nem a vítima, nem a escola e nem os pais. Estes se sentem perdidos e sem apoio, pois as escolas geralmente se omitem acreditando ser apenas “brincadeira” de criança. Devido a isso, as vítimas e as testemunhas se calam e este silêncio tem um preço…

O que, a primeira vista, pode parecer um simples apelido inofensivo pode afetar emocional e fisicamente a vítima de bullying. Crianças e adolescentes que sofrem humilhações racistas, difamatórias ou separatistas podem apresentar queda no rendimento escolar, somatizar o sofrimento em doenças e sofrer de algum tipo de trauma que influencie traços da sua personalidade. Observa-se também uma mudança de comportamento. As vítimas ficam isoladas, se tornam agressivas e reclamam de alguma dor física, geralmente antes da hora de ir para escola.

O bullying, de fato, sempre existiu. O que ocorre é que, com a influência da televisão e da internet, os apelidos pejorativos foram tomando outras proporções. É preciso levar a sério a prática do bullying, pois existem inúmeros registros de crimes e suicídios de autores e vítimas do abuso.

Como prevenir o problema na escola 

O papel da escola começa em admitir que é um local passível de bullying. Informar professores e alunos sobre o que é o bullying e deixar claro que o estabelecimento não admitirá a prática ajuda bastante na prevenção. Prevenir ainda é o melhor remédio. O papel do professor também passa por identificar os atores do bullying – agressores e vítimas. O agressor não é assim apenas na escola. Normalmente ele tem uma relação familiar onde tudo se resolve pela violência verbal ou física e ele reproduz o que vê no ambiente escolar. Já a vítima costuma ser uma criança/adolescente com baixa auto estima e retraída tanto na escola quanto no lar. Exatamente por essas características, é difícil esse jovem conseguir reagir aos ataques de bullying. Quando a vítima reage, buscando soluções e ajuda, seja através de atitudes de defesa, ajuda dos pais ou da escola, a tendência é que a provocação cesse.

Claro que não se pode banir as brincadeiras entre colegas no ambiente escolar. O que a escola precisa é distinguir o limiar entre uma piada aceitável e uma agressão. Isso não é tão difícil como parece. Uma sugestão é que o professor se coloque no lugar da vítima. O apelido é engraçado? Como eu me sentiria se fosse chamado assim? Ao perceber o bullying, o professor deve corrigir o aluno. E em casos de violência física, a escola deve tomar as medidas devidas, sempre envolvendo os pais.

Escolas. O que fazer para ajudar

- Investir em prevenção e estimular a discussão aberta com todos os atores da cena escolar, incluindo pais e alunos.

- Observar com atenção o comportamento dos alunos, dentro e fora de sala de aula, e perceber se há quedas bruscas individuais no rendimento escolar.

- Incentivar a solidariedade, a generosidade e o respeito às diferenças através de conversas, trabalhos didáticos e até de campanhas de incentivo à paz e à tolerância.

- Desenvolver, desde já, dentro de sala de aula um ambiente favorável à comunicação entre alunos.

- Quando um estudante reclamar ou denunciar o bullying, os pais devem procurar imediatamente a direção da escola.

Atenção: Muitas vezes, a instituição trata de forma inadequada os casos relatados. A responsabilidade é, sim da escola, mas a solução deve ser em conjunto com os pais dos alunos envolvidos. A questão é que só a escola não consegue resolver o problema, mas é normalmente nesse ambiente que se demonstram os primeiros sinais de um agressor. O bullying só se resolve com o envolvimento de toda a escola – direção, docentes, alunos e a família.

Como a família pode ajudar

Os pais devem estar alertas para o problema – seja o filho vítima ou agressor pois ambos precisam de ajuda e apoio psicológico.

- Mostre-se sempre aberto a ouvir e a conversar com seus filhos.

- Fique atento às bruscas mudanças de comportamento.

- É importante que as crianças e os jovens se sintam confiantes e seguros de que podem trazer esse tipo de denúncia para o ambiente doméstico e que não serão pressionados, julgados ou criticados.

- Comente o que é o bullying e os oriente que esse tipo de situação não é normal. Ensine-os como identificar os casos e que devem procurar sua ajuda e dos professores nesse tipo de situação.

- Se precisar de ajuda, entre imediatamente em contato com a direção da escola e procure profissionais ou instituições especializadas.

Não se trata de estabelecer vítimas e culpados quando o assunto é o bullying. Isso só reforça uma situação polarizada e não ajuda em nada a resolução dos conflitos. Melhor do que apenas culpar um aluno e vitimizar o outro é desatar os nós da tensão por meio do diálogo. Esse, aliás, deve extrapolar os limites da sala de aula, pois a violência nem sempre fica restrita a ela.

Existe no Brasil, um projeto de Lei contra a prática do Bullying. Enquanto isso, em muitos estados você pode discar 100 para denunciar o abuso e pedir ajuda do Conselho Tutelar.

Sobre Meninos e Lobos

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Pego emprestado o título em português do filme de Clint Eastwood (Mistic River) e a história para o título deste post. Quando leio o jornal, algumas manchetes e fotos me chamam a atenção.  Jovens violentos, meninos curiosos, soldados, bombeiros. Cada um com uma ação diferente. Uns ajudando, outros provocando dor.

Soldados americanos conversando com crianças afegãs em Maruf-Kariz Distrito de Dand"

No filme de Clint, a história conta sobre três amigos de infância que voltam a se reunir depois que um deles vive uma tragédia familiar. Tudo começa em um flashback mostrando o trio na adolescência, brincando na rua e escrevendo seus nomes em uma calçada de cimento fresco. Dois homens que se identificam como policiais surpreendem os garotos, repreendem o ato e levam o mais ingênuo do grupo, Boyle. O problema é que ele na verdade é sequestrado e abusado sexualmente pelos farsantes. Um fato que marcará profundamente não só sua vida, mas de todos os três. Trinta anos depois, cada um deles seguiu seu caminho. Boyle agora é um homem casado, mas que não esconde a imagem de um sujeito atormentado pelo passado. Jimmy é um comerciante que tem um histórico como criminoso, e que tenta levar a vida com a esposa e três filhas. Os dois continuam próximos, ao contrário de Sean, que se afastou e virou policial do departamento de homicídios.

Oito jovens acusados de envolvimento no incêndio a ônibus que matou 14 pessoas, são presos em El Salvador"

O filme mostra um recorte do que acontece na vida real. Mas, o que determinou o caminho que cada um decidiu seguir?  O destino? As suas experiências de vida? Os seus traumas? O que torna uns homens diferentes dos outros? Porque alguns jovens se envolvem em ações violentas? É claro que a resposta não é simples, pois envolve muitas questões. Mas vou me deter a educação que damos aos nossos filhos.

Penso que a educação, a maneira de interagir, os exemplos e ensinamentos sobre amor, solidariedade, compaixão, respeito e afeto que damos aos nossos filhos, ajudam a determinar o caminho que irão seguir no futuro. Então somos responsáveis por quem e pelo que criamos? Sim!  O papel de pai e mãe é o mais importante que exercemos na vida.  Está em nossas mãos o desenvolvimento de seres saudáveis: nossos filhos.

Assistindo a outro filme (Robin Hood) em uma determinada cena um soldado que estava morrendo, pede a Robin que leve a sua espada ao seu pai, pois ele o amava e o considerava demais. Robin diz ao soldado que sabia pouco sobre amor e relacionamento entre pai e filho, pois seu pai o abandonou quando ele tinha 5 anos. A cena deste filme mostra com clareza a realidade do cotidiano de muitas crianças que não aprenderam sobre amor, sobre relacionamento, sobre solidariedade e quando adultos vão reproduzir esse vazio.

Bombeiro em resgate na região atingida por temporais em Alagoas

Na maioria dos casos, as crianças e adolescentes violentos são mais vítimas do que algozes.  Embora não seja tão simples apontar o que leva uma criança ou adolescente a ser violento, o fato é que algo deu errado.

Todo mundo passa por um processo de socialização, onde aprendemos a viver em sociedade, mas se esse aprendizado ocorre em um ambiente violento – na escola, na família ou no bairro, há grandes chances de a criança reproduzir isso no seu dia a dia. Claro que isso não é uma regra, mas é o que ocorre na grande maioria dos casos.  Sabemos também que há casos em que a criança agredida, ao se tornar adulta, cria um modelo de afeto com os outros e com os filhos.

Um exemplo de como a cultura de violência é ensinada aos nossos filhos, está no ato de bater.  A criança que apanha, tem grandes chances de se tornar igualmente violenta, ela tenderá a reproduzir a violência que recebeu. Isto pode ocorrer porque ela considerará esta situação normal, já que não teve outros modelos positivos como referência.  É difícil exigir de quem nunca teve sua vida valorizada que valorize a vida de outras pessoas.

Quando vejo cenas como as das fotos acima, me compadeço desses meninos que se tornaram homens com um imenso vazio no peito, vazio que poderia ter sido preenchido com tanta coisa boa e bonita, mas não foi… Se eles pudessem encontrar pelo caminho homens bons, que tivessem compaixão por eles e que pudessem lhes ensinar algo, acredito que uma grande diferença na vida desses meninos faria.

O que você faria se alguém batesse nos seus filhos? E se esse alguém fosse você?

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Frases da imagem: "Abuso é Real" - "Essas imagens ofendem você?" - "Você já viu o suficiente?" - "Não há desculpas para o abuso" - "Você vai ajudar?" - "Quantas crianças irão sofrer antes de todos nós fazermos a nossa parte?" - "Você vai fazer de conta que não viu?" - "Por favor ajude!"

Uma história contada pela escritora americana Astrid Lindgren, ilustra de maneira afetiva a irracionalidade do castigo físico e de como ele é visto pelos olhos de uma criança.  “Certa vez, uma senhora contou que quando era jovem não acreditava no castigo físico como uma forma adequada de educar uma criança, apesar do pensamento comum da época incentivar o uso de um fino galho de árvore para corrigir a criança.  Um dia, o seu filho de 5 anos fez alguma coisa que ela considerou muito errada e, pela primeira vez, sentiu que deveria dar-lhe um castigo físico. Ela disse para ele que fosse até o quintal de sua casa e encontrasse uma varinha de árvore e trouxesse para que ela pudesse aplicar-lhe a punição.  O menino ficou um longo tempo fora de casa e quando voltou estava chorando e disse para a mãe: Mãezinha, eu não consegui achar uma varinha, mas achei uma pedra que você pode jogar em mim. Imediatamente a mãe entendeu como a situação é sentida do ponto de vista de uma criança: Se minha mãe quer bater em mim, não faz diferença como e com o quê; ela pode até fazê-lo com uma pedra. A mãe pegou seu filho no colo e ambos choraram abraçados.  Ela colocou aquela pedra em sua cozinha para lembrar sempre: Nunca use violência!”.

O título deste post é uma tentativa de reflexão para nós pais e cuidadores:  Por que ficamos furiosos quando outra pessoa destrata os nossos filhos? E porque não nos importamos quando somos nós mesmos que o fazemos?  Por que somos os pais?  Esta condição nos dá o direito de abusar de nossos filhos?

Já fiz essas perguntas para muitos pais, a resposta geralmente é a mesma, o que para mim é preocupante: “Ah, mas é diferente, somos os pais!”  Este tipo de resposta nos mostra como os valores sobre amar, cuidar e respeitar os nossos filhos estão criando mofo dentro do armário.  A mão que deveria dar carinho, amparo e proteção, é a mão que bate, humilha e destrói a auto-estima dos filhos.

Sabemos que a punição física é considerada uma prática “educativa” por muitos pais, até mesmo porque estes devem ter apanhado quando criança (o que por si só já deveria ser motivo suficiente para não reproduzir o mesmo comportamento nos filhos).  Mas se você pensar criteriosamente a respeito, poderá tentar responder as seguintes perguntas:  Que tipo de educação você está dando através da violência?  Que tipo de exemplo você está sendo para os seus filhos?  Quais informações os seus filhos absorvem através desse tipo de mau trato?  Eles respeitam e admiram ou temem você?

O bater nos filhos geralmente começa com a velha e “inocente” palmada, e facilmente se tornar um abuso físico.  Os pais que batem, acreditam estar corrigindo o comportamento da criança ou do adolescente.  A grande questão é que bater não educa, apenas gera revolta, medo, tristeza, dor física e emocional.  Como não educa, o comportamento que queríamos “eliminar” nos nossos filhos se repete e, a cada nova tentativa de “educar batendo” você vai precisar agregar mais força, gritos, chantagens e castigos para que algo aconteça. Esta é a infalível receita da agressão física nos filhos!

Uma observação importante: No processo de aprendizagem, a repetição é fundamental. Por isso, nossos filhos repetem muitos comportamentos até que eles tenham a certeza de tê-los apreendido.

Exemplo: Uma criança ao beber água, derruba na roupa. Você diz à ela: Tome cuidado ao beber água para não se molhar. Na próxima vez que ela beber água, provavelmente vai se molhar novamente e você precisará repetir a informação.  Isso poderá acontecer várias vezes, e a cada vez que acontecer você vai precisar dar a mesma informação. Faça isso pacientemente!  Não terá nenhum resultado no processo de educação se você gritar ao dizer:  ”Eu já falei para você tomar cuidado ao beber água e não se molhar, seu idiota!” Educar exige paciência, disposição e bom humor.  O contrário disso é uma bomba prestes a explodir: você!

Cuidado! Num suposto misto de raiva e ou medo de não ser respeitada e ou desejo de disciplinar, você pode se tornar um(a) abusador(a) de seus próprios filhos.

Não perca o controle com os seus filhos!