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Quando a família adoece

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Viver em um contexto familiar é fundamental para o desenvolvimento do ser humano. É na família que vamos aprender nossos primeiros conceitos sobre a vida, relacionamentos, educação, etc. Estes conceitos podem ser positivos ou negativos, o que os determina é a estrutura familiar em que estamos vivendo. Famílias saudáveis (onde existe amor, respeito e cuidado entre seus membros) geram aprendizados positivos. Famílias doentes (onde existe desrespeito, maus tratos e abuso entre seus membros) geram aprendizados negativos.

O principio familiar positivo parece fácil de seguir, mas na prática a teoria é outra – diz o dito popular. O dia a dia nos rouba esse conceito tão romântico sobre família, pois vivemos em um contexto onde estamos sempre pensando no amanhã, muitas vezes é como se o dia de hoje não existisse, o momento atual não fosse importante. Almoçamos pensando no que iremos fazer após o almoço, vamos ao cinema e já temos planos para o momento seguinte, trabalhamos hoje pensando no mês que vem e assim por diante. De fato nunca dedicamos tempo real para cuidar de nós e dos que amamos.

 

A vida é tomada por diversas atividades que muitas vezes não conseguimos cumprir. Estamos sempre querendo mais e mais coisas materiais e nos enchemos de objetivos fúteis e esquecemos que a simplicidade é o caminho da serenidade. O que acontece é que não conseguimos ser serenos, conseguimos ser ansiosos, preocupados com o futuro e desconectados do nosso presente. Deixamos de viver o aqui e agora para viver o amanhã e podemos não perceber, mas passamos esse comportamento adiante para os nossos filhos.

 

Esquecemos de olhar para nós mesmos, de nos cuidar, de parar e perceber o que nos incomoda. Esquecemos de nos perguntar o que realmente nos faz felizes. Se estivermos infelizes, como podemos gerar felicidade ao nosso redor? Se estivermos ansiosos demais, como podemos promover a tranqüilidade, o bom senso e a quietude para os que estão conosco?

 

Preocupamos-nos com dinheiro, tecnologia, carreira, sucesso e menos com as relações, principalmente a relação com a nossa família. Podemos até argumentar: Ora, mas eu trabalho para dar um conforto aos meus familiares, uma melhor educação aos meus filhos. Só que cuidar e educar vai além do material. Qualidade de vida está nas boas relações e não nas boas aquisições.

 

Cada vez mais as crianças e adolescentes estão desenvolvendo doenças ditas de adultos, como: depressão, ansiedade, estresse, síndrome do pânico, etc. É claro que tendemos a nos perguntar: O que está acontecendo com os nossos filhos? O que acontece com as crianças e jovens da atualidade? Bem, existe uma realidade a nossa volta. O mundo está mais acelerado, a cada dia deixamos de nos contentar com o pouco, até mesmo porque o desenvolvimento está indo além do que conseguimos acompanhar e muitas vezes nos sentimos ficando para trás e precisamos correr. Mas correr para quê? Esta é uma boa pergunta para fazer. Por que temos tanta pressa? Por que precisamos estar sempre em movimento e ocupados? Por que sentar e brincar com os nossos filhos, assistir a um filme com quem amamos ou mesmo jogar conversa fora é considerado perda de tempo pela maioria? As coisas simples da vida estão perdendo o seu valor e nos perdemos na complexidade. Com isso, nós e nossa família adoecemos, sofremos e geramos sofrimento.

 

Não é raro escutar de crianças e adolescentes o quanto sentem falta dos pais, de como queriam que eles tivessem mais tempo e de como desejam pais mais tranqüilos e equilibrados.

 

Certo dia, escutei um relato emocionado de uma adolescente sobre seus pais: “Eu quase não os vejo. Quando acordo para ir ao colégio, eles ainda estão dormindo, volto para almoçar e eles já almoçaram e estão dando um cochilo, à tarde vou para o curso e eles já estão no trabalho, à noite voltam muito tarde e estão cansados demais para ficarmos juntos e é assim dia após dia. Acho que nem estamos mais acostumados a ficar juntos, pois quando raramente isso acontecesse, sempre brigamos…” Creio que essa família se perdeu em meio a tantas coisas para fazer e tão pouco tempo entre eles. O resultado disso pode ser bombástico: pais cansados, estressados, ansiosos, deprimidos e filhos revoltados, tristes, desamparados e ansiosos por um acolhimento.

 

Um estudo recente sobre o impacto dos transtornos ansiosos dos adultos na vida dos seus filhos mostra a importância de um olhar atento aos membros mais novos da família. A pesquisa mostra que filhos de adultos ansiosos, têm uma probabilidade maior de sofrer também de ansiedade.

É urgente pararmos e pensarmos na vida que vivemos. Por isso, lanço uma proposta para reflexões constantes: A sua vida está do jeito que você gostaria que estivesse? As suas relações estão satisfatórias e saudáveis? Se hoje fosse o seu último dia de vida, como você gostaria que ele fosse? Esta última é pesada eu sei, mas é necessária, até mesmo porque vivemos acreditando que temos a eternidade e por isso estamos sempre pensando no futuro e deixando de viver e aproveitar o presente. Lembre-se: A vida é feita de momentos, um depois do outro. Nenhum se repete, todos são únicos, por isso aproveite bem cada um deles. Torne-se saudável!

Cinco coisas que os pais NÃO deveriam dizer aos seus filhos – A Quinta

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 “Eu vou embora sem você!” – Seu filho se recusa a deixar a loja de brinquedos ou a sair de um parque, e você está atrasada para um compromisso. Então você pensa em dar um ultimato com o propósito de tirar o seu filho daquela situação e resolver o seu problema de atraso, aí você diz: “Eu vou embora sem você!”. Perigo nesta frase! Para a maioria das crianças, o medo de ser abandonado pelos pais é muito real, então quando você fala isso, ele vai realmente acreditar e ficar em um provável mix emocional. Mas o que acontece quando a sua ameaça não funciona? Você fala e o seu filho não move um dedo do lugar em que está. Bem, por uma série de razões, nós queremos que as nossas crianças acreditem no que dizemos. Se for isso que você deseja então não fale nada que não seja verdadeiro.

 Se você rotineiramente manifesta situações falsas, então você é um bom candidato ao descrédito pelos seus filhos. O resultado é que a criança aprende rapidamente que a mãe ou o pai fazem ameaças vazias. Se você diz aos seus filhos que irá fazer algo, então faça, pois o contrário irá fazer com que eles percam a confiança em você. É claro que não me refiro a cumprir ameaças, pois o ideal é que elas nem saiam da sua boca.

  Em geral, as frases ameaçadoras são ditas pelos pais, quando eles já não sabem mais o que fazer ou dizer aos filhos. Porém tome cuidado com elas, pois além de não ser construtiva para a relação, ela é uma inimiga do diálogo. Quando ameaçamos alguém, estamos impondo a nossa decisão sobre a vontade do outro.

 Dica:    Não diga para seus filhos que você vai sair sem eles. Em vez disso, planeje com antecedência as suas saídas e o tempo que irão ficar em determinados lugares. Por exemplo: “Nós vamos até o parque e você poderá brincar por 2 horas, depois disso precisamos vir embora, pois terei um compromisso que não posso me atrasar, ok?” Feito o acordo e esclarecidas as regras do passeio, ficará mais fácil cobrar que ele respeite o tempo e atenda ao seu chamado para ir embora.

Cinco coisas que os pais NÃO deveriam dizer aos seus filhos – A Quarta

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4 –  Você ainda não entendeu?” - Você já ensinou o seu filho como pegar uma bola de handball cinco vezes, ou como somar e subtrair frações inúmeras vezes. Ele mostra sinais de que não está entendendo ou de que está tendo dificuldades para fazer o que você ensina, se a partir disso, você apressadamente pergunta: “Você ainda não entendeu?” Podemos não nos dar conta disso, mas este é um comentário degradante.  Se a criança “tem que entender algo que você está tentando ensinar, ela irá querer desesperadamente fazer algo para agradar você, para que atenda as suas expectativas.

 

Dificilmente a frase “você AINDA não entendeu isso? Vem com um tom de voz gentil ou empático, se assim o fosse essa frase não teria sentido ou razão para sair da sua boca. Ela deixa implícitos os seguintes comentários de julgamentos: “Por que você não consegue fazer isso?” – “O que há de errado com você?”  Ao falarmos dessa maneira, penso que não temos a intenção de dizer tais frases aos nossos filhos, mas é dessa forma que eles as entendem, então tomar cuidado com o que falamos é mais que importante, é vital aos nossos filhos. Palavras não apenas ferem, elas destroem muita coisa dentro de nós: o carinho pelos pais, o respeito por si e pelos outros, a autoestima, a consideração, a imagem positiva de si e dos outros e por ai vai – a lista é imensa.

Certa vez escutei de um menino de seis anos a seguinte frase: “mamãe disse que sou burro e louco”. Perguntei para ele como foi a frase que ele escutou da mãe, e ele me respondeu. “A frase foi assim: você não percebe que isso que você fez foi uma burrice? Foi uma loucura!” Bem, esta frase é agressiva até para um adulto escutar, apesar de termos um “crivo auditivo” que seleciona palavras e significados antes de chegar a um entendimento final. Agora imaginemos isso para o ouvido de uma criança que ainda não tem esta capacidade de discernir metáforas. Faz pequenos estragos, não?

Dica: Se você está cansado de ensinar determinadas coisas aos seus filhos, então dê uma pausa para todos. Diga: “Ok, vamos dar um tempo, acho que todos estamos um pouco cansados, vamos fazer algo diferente e daqui a X tempo voltamos, certo?” Provavelmente você vai ouvir: “Oba mamãe!” ou “Claro! Voltamos depois do lanche” “Ufa! até que enfim uma pausa, já estava cansado disso!” (esta é a favorita do meu filho).

Caso você perceba que ensinar não é a sua melhor qualidade, procure alguém que possa fazer isso por você, assim desgastes emocionais e relacionais serão evitados e o aprendizado acontecerá de maneira saudável para todos.

Cinco coisas que os pais NÃO deveriam dizer aos seus filhos – A Terceira

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3- “Peça desculpas!” – Seu filho de 2 anos pega o brinquedo de outra criança e isso a faz chorar. Você instantaneamente diz para ele: “Devolva o brinquedo e peça desculpas ao amiguinho!” É claro que você está tentando ensinar ao seu filho a ter compaixão e a ser educado com os outros, o que é um objetivo louvável.  Mas “forçar” uma criança pequena a pedir desculpas não vai ensiná-la a ter essas habilidades sociais.

Crianças pequenas não entendem automaticamente o porquê de elas terem que se desculpar.  Quando você “obriga” uma criança a dizer que está arrependida, isso pode atrasar a aceitação natural dela de desculpar-se com alguém. Como assim? Vamos pensar juntos. Pedir desculpas é mais que um gesto gentil, é uma capacidade de sentir compaixão pelo outro, de sentir empatia, de perceber que o que fizemos machucou outra pessoa, então quando automatizamos este gesto com os nossos filhos pequenos, eles não assimilam no tempo deles, a grandeza do “pedir desculpas a alguém”.

 

Os primeiros aprendizados de uma criança são através dos exemplos que veem, principalmente os exemplos das pessoas que estão próximas, das que cuidam delas no dia a dia. Com isso, os pais são os melhores modelos para ensinar através do exemplo.

 

Quando você se desculpa com alguém e a sua criança vê isso, ela vai aos poucos percebendo o rico significado da palavra e da ação. Quando você se desculpa com os seus filhos, eles vão sentir “na pele” como é bom ser compreendido e ser acolhido. Estas são as principais maneiras de ensinar “o desculpar-se” aos seus filhos pequenos. Lições aprendidas nos primeiros anos de vida vão caminhar com eles nos demais dias da sua existência. Mas atenção, depois que eles crescem, é a hora de lembra-los do aprendizado obtido lá atrás. Isso serve para as ocasiões em que uma criança de 6 anos faz algo e não se desculpa, aí sim cabe a sua observação a ele: “Filho, cadê a palavrinha mágica?.”  

 

Dica: Para começar a ensinar aos pequeninos sobre a desculpa nos relacionamentos com os outros (além do exemplo, é claro) tente desculpar-se com a outra criança, isso ajudará o seu filho a entender emocionalmente todo o processo. Esta é uma maneira de modelar o comportamento que você está tentando incentivar. Mas antes se certifique que você está em situações em que um pedido de desculpas é realmente necessário, para que o seu filho não se sinta injustiçado. Se ele não fez nada, mas você entendeu que sim, e pede desculpas por ele, isso poderia gerar um sentimento de injustiça na criança: “Poxa, eu não fiz nada!”

Cinco coisas que os pais não devem dizer aos seus filhos – A Segunda

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  • “Você não tem mais idade para isso!” - Sua filha tem dez anos, e você acha que ela está agindo como se tivesse cinco, então você diz para ela: “Pare com isso, você não tem mais cinco anos!” Este tipo de fala tem uma grande relação com a nossa dificuldade de gerir a nossa própria frustração em relação aos nossos filhos. Queremos que eles se comportem de um jeito e eles fazem de outro, então “jogamos a bomba.” O resultado disso? Filhos ouvem seus pais criticá-los num momento em que eles estão tendo problemas. Problemas? Isso mesmo! Quando uma criança se comporta dessa maneira, é uma forma de nos falar: “eu não sei o que fazer com isso! Antes essas coisas não aconteciam comigo.”  

 É claro que num primeiro momento vai lhe parecer um “jogo”  do tipo encenando um papel para conseguir algo. Mas fiquemos atentos a uma coisa: Nós somos os pais e os adultos dessa relação. As crianças ou adolescentes ainda não possuem a suposta sabedoria que podemos (ou deveríamos) ter. Entender como um jogo, um mimo, uma manhã ou algo do gênero, não significa que você tem razão. Precisamos confirmar esta percepção com eles, e para fazermos isso precisamos ser cuidadosos.  Este é o segredo da empatia (perceber os sentimentos das outras pessoas colocar-se no lugar delas para compreender o seu ponto de vista).  Quando criticamos ou simplesmente apontamos que a criança ou o adolescente está se comportando “mal”, perdemos a grande chance de demonstrar empatia para com eles.

Vou dar um exemplo prático para ficar mais claro: Certo dia chamei meu filho de 8 anos para tomar banho, ele me disse “Eu não vou. Não quero tomar banho!” Achei aquela resposta estranha, pois ele geralmente não responde com aquele tom ou daquela maneira a um chamado meu. Naquele momento pensei que ele estava se comportando como um menino de 3 ou 4 anos (lembrem-se: perceber não significa dizer isso para eles). Continuei falando com ele e perguntei “Por que você não quer tomar banho?” – resposta “Por que não!”.  Opa! Algo está acontecendo (pensei), pois ele não costuma responder sem argumentar ou dizer o que deseja. Cheguei perto dele e perguntei: “Hoje aconteceu algo que você não gostou? Na escola, em casa ou com os amigos?”. Esta é uma boa opção de pergunta, pois ela abre um leque de possibilidades de respostas. Ele me olhou com a cara meio zangada e com os olhos cheios de lágrimas e me disse o que havia acontecido na escola.  Ele tinha um problema, não sabia como lidar com ele e, se comportar como uma criança “tola” que não obedece à mãe era só uma válvula de escape.  Conheço o meu filho, sabia que aquele comportamento não era típico dele, então era claro que havia uma razão para tudo aquilo estar acontecendo.  Quando estamos atentos aos filhos, podemos perceber com mais clareza o que está diferente neles e com eles.

Parece difícil usar a empatia ou a percepção? Acreditem no que eu vou dizer. Apenas parece difícil, mas não é! É claro que agir dessa maneira vai exigir um pouco mais de você. Vai exigir paciência e treino. Quanto mais você praticar esta maneira de se relacionar com os seus filhos, mas fácil ela vai se tornar.

Já escutei algumas pessoas dizerem que não tem paciência, que na hora da raiva e difícil lembrar essas “regras de convivência”, que não conhecem sobre psicologia então nunca irão conseguir agir dessa maneira, etc. Bem, eu só tenho uma resposta para quem pensa assim: Se você não deseja ou acha que não consegue ter paciência, se você não quer dedicar seu tempo para um relacionamento mais saudável com os seus filhos, se você não acredita que é possível agir dessa maneira na hora em que “o circo pega fogo”, então talvez você precise pensar se deseja apenas criar seus filhos (dando alimento, lazer, escola, roupas, etc.) ou pretende educar. Educar não apenas para que possam cumprir com as regras sociais ou de etiquetas, mas educar para que se tornem pessoas saudáveis, íntegras e úteis para a sociedade. Tornar-se bom pai/mãe não é difícil, mas é preciso dedicação.

Cinco coisas que os pais NÃO devem dizer aos seus filhos – A Primeira

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 Não é nenhum segredo que os pais devem prestar muita atenção em como se comunicam com seus filhos. O que dizem e como dizem faz muita diferença nas relações a curto e a longo prazo. Fiquem atentos às palavras, pois pequenas e não positivas declarações em um momento de raiva ou frustração podem causar um dano maior mais tarde. Palavras ferem e não podem ser retiradas, então tome cuidado.

 Ser cuidadoso não significa perder a autenticidade. É claro que podemos falar o que pensamos e sentimos, mas sejamos além de cuidadosos, apaixonados, conscientes e responsáveis com os nossos filhos.

 Manter a calma é algo fundamental na relação entre pais e filhos. O que poucos sabem é que a calma é contagiosa e coisas melhores saem de nossas bocas quando paramos de reagir irritados.

 Vale a pena lembrar uma coisa: nós estamos ensinando nossos filhos como queremos que eles se comportem em situações diversas, certo? Então é preciso estar atentos ao que dizemos, fazemos e demonstramos a eles.  Precisamos aprender a transformar um momento de frustração em uma lição de vida positiva para todos. Como fazer isso? Bem, eu não tenho receitas, apenas a minha experiência com crianças, adolescentes e seus pais.  Baseado nisso, pensei em escrever sobre cinco coisas que os pais não devem dizer para os filhos.

 Vocês irão perceber que são frases que provavelmente já disseram antes em um determinado momento para seus filhos. Caso isso tenha ocorrido, por favor, não se sintam culpados, pois educar filhos é um aprendizado contínuo. O importante é tentar fazer e dar o seu melhor sempre.

  •  Falarei a cada dia sobre uma delas para que tenhamos a calma necessária para apreendê-las sem pressa.  Vamos então à primeira.

  1º) Isso não é importante.” - As crianças pequenas gostam de   compartilhar detalhes sobre tudo o que acontece com elas, de suas conversas  de recreio com os amigos, da formação de nuvens que pensam parecer com uma serpente, do porquê de espremer um tubo inteiro de pasta de dentes dentro da banheira… Muitas vezes nós pais simplesmente não queremos ouvir esses detalhes.  Não queremos porque achamos que não é importante, porque não temos tempo, etc. Nessas horas, tenha cuidado para não falar desapercebidamente coisas que podem ferir seus filhos.  Quando dizemos “Isso não é importante”, estamos cortando a comunicação com eles e mais, dizemos que algo importante para eles não é tão importante para você.  Já escutei muitos pais reclamarem da comunicação com os filhos adolescentes e, sempre que escuto isso, faço a seguinte pergunta: “Como era a comunicação entre vocês e seus filhos adolescentes quando os mesmos eram crianças?” O que nós pais esquecemos que relacionamento é algo construído em longo prazo e deve evoluir positivamente com o passar dos anos. Se você se comunicava bem com seus filhos quando ainda eram crianças, então você não terá muita dificuldade para continuar se comunicando com seus filhos adolescentes.

Detalhe importante: Se você em um determinado momento, não tem tempo para ouvir atenciosamente aos seus filhos, diga-lhes que em outra hora e com mais calma, você  fará isso. E não esqueça jamais de retomar o assunto. Fazendo isso, você estará desenvolvendo a autoestima de seus filhos e conquistando a confiança e a admiração deles.

Filhos. Por que tê-los?

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A escolha de ter ou não filhos não é igual para todos. Algumas pessoas optam por ter muitos, outros apenas um, assim como alguns optam por nenhum.  Existem pessoas que não conseguem tê-los por motivos diversos.  Enfim, cada caso é um caso – como diz a velha frase popular.  Mas afinal, por que temos filhos?

Há algum tempo atrás assisti a um drama policial, em uma determinada cena, dois homens conversavam sobre filhos. Um deles disse: “Não tive filhos e penso que é melhor não ter tido a ter que perdê-los”.  O outro, que teve a filha morta disse: “Não penso assim, pois para mim valeu a pena cada minuto da minha vida com ela”.  A frase me levou a pensar sobre o tema aqui escrito.

Outro dia em um aniversário infantil, encontrei uma pessoa conhecida que é mãe de dois filhos. Espontânea e sorridentemente  ela me perguntou quando eu teria o meu segundo filho, pois um só era ruim. Perguntei à ela por que era ruim.  Ela me disse: “É que quando ficamos velhos, temos dois filhos para cuidar da gente, as responsabilidades são divididas”.  Bem, a resposta dela faz sentido, mas não é porque faz sentido que tem que estar correta. Filhos não são aplicações financeiras que rendem a longo prazo para termos recursos e tranquilidade no futuro.  Ter filhos é muito mais do que pensar em nós mesmos, é pensar acima de tudo neles, no mundo e no nosso planeta.  A frase a seguir tem um significado muito profundo: “Todo mundo ‘pensando’ em deixar um planeta melhor para nossos filhos… Quando é que ‘pensarão’ em deixar filhos melhores para o nosso planeta?”. (Pergunta vencedora em um Congresso sobre Vida Sustentável).

Os argumentos sobre ter ou não filhos são diversos. Uns não querem ter filhos porque acreditam que eles dão trabalho, tiram a quietude, bagunçam tudo, dão despesas, etc. Outros querem ter porque anseiam por companhia, têm medo de ficar sozinho no futuro, porque a sociedade cobra, porque os prováveis futuros avós querem netos. Bem, independente dos motivos ou desejos, uma coisa para mim é certa: Ter filhos é uma experiência única, inigualável. É uma sensação de que fizemos finalmente algo útil na nossa vida.  Mas, a experiência positiva não pára por aí. Vê-los crescer, se desenvolver, tornando-se a cada dia um ser maravilhoso, com personalidade, idéias, com ânsia de viver, explorar, criar, inovar, renovar e preservar. Isso é absolutamente espetacular!

Os filhos trazem de volta para nós o que podemos ter esquecido: Que viver vale a pena! Que a vida tem esperança. Que ela se renova. Que precisamos acreditar em algo ou em alguma coisa. Que além de nós mesmos existe a relação com o outro. Que precisamos nos tornar pessoas melhores e fazermos algo de bom pelo nosso planeta e pelas pessoas que nele vivem, pois afinal de contas, queremos dar e deixar o melhor à eles antes de partirmos.

É muito comum escutar a frase: “Todo mundo tem que ter um filho, escrever um livro e plantar uma árvore”. Ter filhos virou uma das “obrigações” do ser humano. Penso que não tem que ser uma obrigação ou uma necessidade, precisa ser uma escolha, um desejo de compartilhar com alguém algo de bom nesse mundo, precisa ter uma enorme vontade de doação e de viver o amor incondicional.

Ter filhos é uma escolha, e a partir do momento em que você optar pelo sim, o faça da melhor maneira possível, pois você estará se tornando pai/mãe e, esta é a mais séria e honrada posição na vida de um ser humano.

Como falar sobre sexo com os seus filhos – Dicas

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Muitos pais me perguntam sobre como falar de sexo com os seus filhos.  Para muitos, este é um momento embaraçoso e de dificil saída.  Muitos se questionam sobre o que podem ou não dizer aos seus filhos.  Para ajudar um pouco a esses pais, aqui vai um pequeno guia de como fazer isso.

- Não fique esperando pelo esquecimento. Quando os filhos perguntam algo sobre sexo aos pais, é muito comum que estes esperem pelo esquecimento dos filhos em relação a pergunta feita. Esperar que a criança esqueça é perda de tempo. Eles poderão esquecer por um instante, mas em seguida lembrarão, então o melhor a fazer é se preparar para começar a responder à esses curiosos.

- Esteja seguro ao falar sobre e não crie histórias irreais. Respeite o vocabulário da criança, não use palavras difíceis ou que eles não entendam, assim como não invente historinhas de cegongas, repolhos ou similares. Fale com clareza e naturalidade. Dê nome correto às partes do corpo humano que eles ainda não conhecem. Ajude aos seus filhos a entrar em contato com este novo tema na vida deles.

- Não vá além das perguntas. Satisfaça a curiosidade da criança com naturalidade, responda tudo que venham a perguntar, mas contenha a vontade de dar uma aula sobre o assunto. Limite-se apenas as perguntas! Os filhos perguntam o que tem capacidade de assimilar. Existe uma sabedoria em cada idade.

- Aborde com naturalidade as diferenças entre meninos e meninas. Mostre que meninos e meninas são diferentes e se vestem de formas diferentes, explique que fazem xixi de maneiras diferentes porque são diferentes, e assim por diante.

Obs: Se você for observado durante uma troca de carinho ou carícias, mantenha a calma e não tente fazer de conta que nada aconteceu. Espere para ver qual é a reação dos seus filhos. Estejam dispostos a abordar o assunto com naturalidade, mas não percam de vista que a cena pode ter sido embaraçosa para os seus filhos, então não vá além do que eles estão preparados para ouvir ou saber. Se for uma criança pequena, você pode dizer que:” papai e mamãe se amam e gostam de fazer carinho um no outro”. Se não houver perguntas, então leve a criança para fazer alguma diferente atividade, como pintar, brincar, assistir desenho, etc.

É preciso compreender que essas descobertas são saudáveis e importantes para o desenvolvimento da sexualidade dos seus filhos, então ajude-os a descobrir a respeito disso, de uma maneira simples e respeitosa.

Caso você deseje ler e saber mais a respeito do tema, acesse este site:  http://guiadobebe.uol.com.br/bb5a6/a_descoberta_da_sexualidade.htm

Ou leia o livro de Celso Antunes -  A Construção do Afeto

Castigos são necessários?

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O castigo passou a ser a nova palmada na educação dos filhos. Atualmente sem mais nem menos os pais enchem o peito e falam aos filhos: Você vai ficar de castigo!!  Tenhamos muito cuidado com isso, pois castigar não é uma atitude banal, é preciso ter muita consciência e sensibilidade com esse ato.  Os filhos precisam entender o motivo do castigo e não acharem que estão sendo punidos por autoritarismo ou irritação dos adultos. 

O que eu percebo é que alguns pais ainda não conseguem discernir o “educar para aprender” do “educar sob angústia”, quando a criança passa a ter pequenos traumas com os maus ensinamentos de seus criadores.

 O castigo não é a solução para tudo, ele só deve ser usado em último caso ou em situações extremas. O caminho ainda é o diálogo, a orientação e a educação pelo exemplo.

 Um exemplo: se a criança tentar colocar o dedo na tomada ou subir em lugar perigoso, os pais devem fazer “cara feia” para expor que aquela atitude não é certa, pois machuca.  Caso a atitude se repita, continue com a “cara feia” e seja um pouco mais firme ao falar.  Agora se a criança fizer a coisa certa, recompense-a com um sorriso ou um carinho e uma fala positiva.  Com isso, os pais vão determinando limites,  regras e estabelecendo atitudes claras sempre que algumas regras sejam quebradas pelo pequeno, de forma que ele cresça com essa consciência.

A expressão facial e o tom de voz, são ótimos para nos ajudar no processo de educar.  Lembre-se de NUNCA gritar. Você pode usar um tom de voz mais alto e ou firme, mas não é necessário gritar. Gritar assusta, inibe, amedronta e jamais educa!

Outro exemplo: A criança que escreve na parede da sala.  É claro que ela não sabe que vai sujar, ficar feio, etc.  A questão é a forma de  ensinar isso à ela.  Os pais devem ensiná-la o porquê de não escrever na parede da sala, e caso a atitude se repita, deixá-la sem os lápis por um tempo ou indicar um lugar adequado para ela fazer isso. Tenham em mente que os nossos filhos são pequenos exploradores e desejam apenas expressar e conhecer o mundo da maneira deles. Não devemos inibir isso e sim estimular de maneira positiva. Claro que não vamos deixar a nossa casa uma tremenda bagunça, mas vamos encontrar alternativas para as duas coisas.  Acredite, é perfeitamente possível!

 A coerência na hora da “punição” pelo castigo é fundamental. Quanto maior o grau da infração, maior o castigo. Castigue quando o ato mereça e não porque está cansado ou com raiva. Diminua passeios ou tire algo da rotina da criança que goste, sempre explicando o motivo da punição. Não exagere, use sempre o seu bom senso e tenha sempre em mente o cuidado com o seu filho e a sua intenção em educar, nunca em machucar, magoar ou traumatizar os seus filhos. 

Tenha sempre calma e lembre-se de nunca gritar, pois as crianças acostumam com os gritos e isso não mais terá efeito nenhum (aliás, nunca teve!).  Fale sempre com objetivo e firmeza, olhando para a criança e fazendo com que entenda que você está chateada com a tal atitude e não propriamente com ela. Não use gestos ríspidos ou grosseiros. Isso é desnecessário.

Aqui uma dica: NUNCA diga “Como você é feio” e sim “Que coisa feia você fez”. Quando vamos falar sobre algo que alguém fez, cite ou “julgue” o fato e nunca a pessoa.

Cuidado para não se “desmanchar” com choros e chantagens.  Depois da decisão tomada, não volte atrás!  Por isso pense bem antes de dar um castigo. Escolha um que você possa cumprir e que esteja dentro dos limites humanos e do bom senso.

Sobre Meninos e Lobos

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Pego emprestado o título em português do filme de Clint Eastwood (Mistic River) e a história para o título deste post. Quando leio o jornal, algumas manchetes e fotos me chamam a atenção.  Jovens violentos, meninos curiosos, soldados, bombeiros. Cada um com uma ação diferente. Uns ajudando, outros provocando dor.

Soldados americanos conversando com crianças afegãs em Maruf-Kariz Distrito de Dand"

No filme de Clint, a história conta sobre três amigos de infância que voltam a se reunir depois que um deles vive uma tragédia familiar. Tudo começa em um flashback mostrando o trio na adolescência, brincando na rua e escrevendo seus nomes em uma calçada de cimento fresco. Dois homens que se identificam como policiais surpreendem os garotos, repreendem o ato e levam o mais ingênuo do grupo, Boyle. O problema é que ele na verdade é sequestrado e abusado sexualmente pelos farsantes. Um fato que marcará profundamente não só sua vida, mas de todos os três. Trinta anos depois, cada um deles seguiu seu caminho. Boyle agora é um homem casado, mas que não esconde a imagem de um sujeito atormentado pelo passado. Jimmy é um comerciante que tem um histórico como criminoso, e que tenta levar a vida com a esposa e três filhas. Os dois continuam próximos, ao contrário de Sean, que se afastou e virou policial do departamento de homicídios.

Oito jovens acusados de envolvimento no incêndio a ônibus que matou 14 pessoas, são presos em El Salvador"

O filme mostra um recorte do que acontece na vida real. Mas, o que determinou o caminho que cada um decidiu seguir?  O destino? As suas experiências de vida? Os seus traumas? O que torna uns homens diferentes dos outros? Porque alguns jovens se envolvem em ações violentas? É claro que a resposta não é simples, pois envolve muitas questões. Mas vou me deter a educação que damos aos nossos filhos.

Penso que a educação, a maneira de interagir, os exemplos e ensinamentos sobre amor, solidariedade, compaixão, respeito e afeto que damos aos nossos filhos, ajudam a determinar o caminho que irão seguir no futuro. Então somos responsáveis por quem e pelo que criamos? Sim!  O papel de pai e mãe é o mais importante que exercemos na vida.  Está em nossas mãos o desenvolvimento de seres saudáveis: nossos filhos.

Assistindo a outro filme (Robin Hood) em uma determinada cena um soldado que estava morrendo, pede a Robin que leve a sua espada ao seu pai, pois ele o amava e o considerava demais. Robin diz ao soldado que sabia pouco sobre amor e relacionamento entre pai e filho, pois seu pai o abandonou quando ele tinha 5 anos. A cena deste filme mostra com clareza a realidade do cotidiano de muitas crianças que não aprenderam sobre amor, sobre relacionamento, sobre solidariedade e quando adultos vão reproduzir esse vazio.

Bombeiro em resgate na região atingida por temporais em Alagoas

Na maioria dos casos, as crianças e adolescentes violentos são mais vítimas do que algozes.  Embora não seja tão simples apontar o que leva uma criança ou adolescente a ser violento, o fato é que algo deu errado.

Todo mundo passa por um processo de socialização, onde aprendemos a viver em sociedade, mas se esse aprendizado ocorre em um ambiente violento – na escola, na família ou no bairro, há grandes chances de a criança reproduzir isso no seu dia a dia. Claro que isso não é uma regra, mas é o que ocorre na grande maioria dos casos.  Sabemos também que há casos em que a criança agredida, ao se tornar adulta, cria um modelo de afeto com os outros e com os filhos.

Um exemplo de como a cultura de violência é ensinada aos nossos filhos, está no ato de bater.  A criança que apanha, tem grandes chances de se tornar igualmente violenta, ela tenderá a reproduzir a violência que recebeu. Isto pode ocorrer porque ela considerará esta situação normal, já que não teve outros modelos positivos como referência.  É difícil exigir de quem nunca teve sua vida valorizada que valorize a vida de outras pessoas.

Quando vejo cenas como as das fotos acima, me compadeço desses meninos que se tornaram homens com um imenso vazio no peito, vazio que poderia ter sido preenchido com tanta coisa boa e bonita, mas não foi… Se eles pudessem encontrar pelo caminho homens bons, que tivessem compaixão por eles e que pudessem lhes ensinar algo, acredito que uma grande diferença na vida desses meninos faria.

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