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Educação nos dias atuais

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Essa pergunta foi a vencedora em um congresso sobre vida sustentável: “Todo mundo ‘pensando’ em deixar um planeta melhor para nossos filhos… Quando é que ‘pensarão’ em deixar filhos melhores para o nosso planeta?”. 

Certo dia eu escutei uma história de arrepiar os cabelos. Decidi compartilhar com vocês, pois tenho certeza de que já ouviram algo parecido. Ela é um bom exemplo sobre como podemos estar educando mal os nossos filhos e no caminho da destruição (deles, de nós mesmos e do planeta).

Eu estava em um consultório médico para uma consulta de rotina. É um médico que frequentei por muito tempo e sempre conversávamos sobre diversos assuntos. Certo dia estávamos falando sobre sobre educação dos filhos.  O doutor me contou um evento que ocorreu com ele e seu filho há alguns anos atrás:  O filho e alguns amigos estavam cometendo pequenos furtos nas lojas vizinhas ao colégio, pegos, foram levados à diretoria do colégio que prontamente decidiu chamar os pais para uma conversa e orientação.  Neste encontro o caso ocorrido foi relatado.  Alguns pais estavam surpresos e outros indignados, mas não com seus filhos e sim com a escola.  Estes assim disseram: “Me chamaram para isso? Estava trabalhando, sou muito ocupado e aqui estou para uma conversa tola e inútil”. Não satisfeitos, perguntaram à diretora: “Qual é o problema? é pagar o que eles pegaram? se for isso deixe que eu pago o prejuízo, para mim dinheiro não é problema.”  Muitos outros pais compartilharam da indignação e postura destes pais e tiveram a mesma atitude, com exceção do referido médico. E agradeceu por ter sido chamado e disse que iria conversar seriamente com o filho e tomar providencias para que isso nunca mais ocorresse.

Todos foram embora para suas vidas ocupadas, quase ninguém fez nada a não ser o doutor, que conversando com a esposa, decidiram afastar o filho do colégio (e dos amigos); tiveram uma conversa nada agradável e lembraram ao filho quais eram os valores daquela família. Relutante o filho adolescente brigou com o pai, odiou a mãe, fez uma confusão daquelas, mas seus pais certos do que deveriam fazer, mantiveram a decisão. “Foi uma decisão difícil, abalou a relação familiar, mas era o que tinha que ser feito” – disse o médico.

Alguns anos após o evento, lá está o filho assistindo um programa local na TV, quando ouve e vê a notícia de contrabandistas e usuários de drogas sendo presos, ele reconhece os ex-amigos da adolescência e chama o pai para ver aquilo. O pai pergunta: “Você lembra o que aconteceu entre você e esses rapazes? porque saiu do colégio? O filho disse que não lembrava e o pai contou toda a história… o filho em lágrimas agradeceu ao pai e lhe disse: “Espero que eu seja para os meus filhos o mesmo que o senhor foi para um mim.”

Uma criança que aprende sobre respeito, consideração, honra e honestidade dentro de casa e recebe o exemplo vindo de seus pais, torna-se um adulto comprometido positivamente com a sociedade.

O papel da escola é transmitir o conhecimento, a educação é dever dos pais!

Criança vê, criança faz!

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O que decidimos ensinar aos nossos filhos vai além das palavras, os mais eficazes aprendizados se dão pelo exemplo. Tudo o que fazemos e dizemos tem sempre um olhar observador e um ouvido atento, por mais que nós não percebamos. Filhos são observadores sutis. Seus filhos podem não falar nada, mas certamente estarão tirando suas conclusões. Todas as experiências observadas ficam impressas na mente. Crenças, valores e exemplos apreendidos vão estar presentes no momento em que estiverem em situações semelhantes.

Nós pais, somos os primeiros modelos de vida para nossos filhos e é através dele que as crianças procuram entender o mundo. É de onde vão tirando as suas conclusões do que é certo/errado, bom/ruim, o que podem ou não fazer. Não adianta nada você falar para seu filho que ele não pode mentir se ao tocar o telefone você diz: “Se for para mim diga que eu não estou.” Os exemplos falam mais do que as palavras. “As crianças fazem o que vêem fazer, não o que lhes dizem para fazerem”.

Um psicólogo chamado Alfred Bandura pesquisou um processo que ficou conhecido como “Aprendizado Social”. Ele separou dois grupos de crianças e as levou para uma sala repleta de brinquedos variados, entre eles um joão-teimoso. O primeiro grupo brincou à vontade com os brinquedos, inclusive com o joão-teimoso. O segundo grupo, antes de entrar na sala, assistiu a um vídeo em que uma criança começava a brincar com o joão-teimoso e levava uma bronca enorme de um adulto, que lhe dizia para não tocar no boneco. Depois de assistirem ao filme, as crianças foram conduzidas para a mesma sala de brinquedos do primeiro grupo. Bandura notou que as crianças brincaram à vontade com os brinquedos menos com o joão-teimoso, que ninguém tocou. Ou seja, ninguém lhes disse para não brincar com o boneco, mas viram o que aconteceu com a criança que se meteu a fazê-lo e acharam melhor procurar outro brinquedo.

Esta pesquisa é um bom referencial de que as crianças não aprendem só com a própria experiência, mas especialmente com a experiência de outros.

É de extrema e vital importância estarmos atentos aos ensinamentos que queremos passar para nossos filhos, pois as nossas crenças originais permanecem conosco e continuam a influenciar nosso modo de ser e pensar durante anos.

O vídeo abaixo já é bem conhecido e foi produzido por uma ONG Australiana para uma campanha sobre o tema: Criança vê, criança faz!
Imagem de Amostra do You Tube

Quem manda aqui sou eu!… Será?

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Aqui confesso a minha paixão pelo trabalho com crianças e adolescentes, em especial com a orientação de pais.  Não é um trabalho fácil, como muitos tendem a pensar.  É extremamente delicado, pois lido com as crianças/adolescentes (o que é mais simples e deliciosamente gratificante) e com seus pais.  É impossível atender esse universo de clientes sem fazer um elo de comunicação com os seus pais,  pois muitas vezes o que eles passam é oriundo dessa relação parental.

Duas coisas me impressionam no trabalho com pais: a dificuldade para estabelecer limites na relação pais e filhos, e dificuldade de educar com firmeza (o que é diferente de ser severo).

Entendo perfeitamente porque os pais estão um pouco perdidos nesse mundo moderno, onde o educar virou um grande dilema.  Muitos se perguntam: Faço como os meus pais fizeram?  ou educo da maneira “moderna”?  Bem, é aí que todo o problema começa.  Não existe a maneira moderna, existe a maneira correta (ou a mais próxima de).  Os nossos pais estavam tão perdidos quanto nós estamos.  Claro, muito tem se falado sobre a educação de filhos.  Temos mais acessos a revistas, livros, programas de televisão, blogs, artigos, sites, etc. Isso poderia tornar as coisas um pouco mais fáceis, mas nem sempre elas são.   Antigos conceitos sobre educação de filhos foram repaginados, e muitos livros reeditados.  Mas o que fazer com tudo isso? Como pôr em prática tudo o que ouvimos e lemos?

Num certo dia escutei a queixa de um casal sobre o seu filho de cinco anos: “Não sabemos mais o que fazer. Ele não nos ouve e só faz o que quer” (esta tem sido uma queixa muito comum entre os pais).  Quando escuto este tipo de frase, posso perceber o quanto estes pais estão perdidos.  Eles se perderam no “como educar seus filhos”.  Quando aprofundo a conversa, surge uma outra frase bem comum:  “Nós não batemos, mas ele fica de castigo e, muitas vezes perdemos a paciência e gritamos.  Mas sempre procuramos falar com calma.”  Percebem a confusão?  Se nós ficamos confusos imaginem os nossos filhos.  Eles quando se sentem confusos vão tentar se achar, procurar um porto seguro, tentarão encontrar respostas.  Se não encontram em seus pais, em que ou em quem será?

Precisamos apreender que para sermos pais amorosos, legais, amigos, cuidadosos e que educam não é, nem de longe,  ser permissivo.  Nossos filhos precisam de ajuda!  Nós devemos direcionar a caminhada, guiar os seus passos, amparar e acolher as dúvidas deles.  Conseguimos isso quando estamos cientes de quem é o adulto na família.  Não é a velha e cruel frase: “Quem manda aqui sou eu e você tem que me ouvir!!”.  Você não tem que mandar e nem tem que ser ouvido pela simples obrigação que vem do status materno ou paterno.  Os nossos filhos precisam aprender a nos ouvir, não porque são obrigados, mas porque confiam no que dizemos, porque se sentem seguros.  Para esse tipo de comportamento, chamamos de respeito.

Em geral conseguimos conquistar o respeito das pessoas quando demonstramos boas atitudes,  transmitimos segurança, firmeza e confiabilidade.  O exemplo continua sendo um dos melhores caminhos para conquistar este lugar.  Se você respeita e confia em seus filhos, provavelmente eles sentirão o mesmo por você.

Quando nos tornamos pais

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       Costumo dizer que todos deveríamos ser pai e mãe, pois não existe experiência mais enriquecedora do que esta. É uma experiência rica por vários motivos, que vão além da alegria de ter um filho sorrindo e solicitando por você ou da certeza da perpetuação da nossa espécie, é uma experiência rica principalmente pela grande oportunidade de evoluirmos como ser humano, tomarmos uma consciência maior do outro e de nós mesmos. Mas a grande pergunta é: “Estamos preparados para sermos pais?” E como esse preparo se dá?  Não existe manual e nem fórmulas mágicas, mas existe um excelente caminho rumo à maternidade/paternidade que é o autoconhecimento.   Através dele podemos acessar as nossas experiências enquanto filho, pois é com elas e através delas que vamos caminhar educando os nossos pequenos.

É importante descobrir a nossa verdade infantil, como fomos educados e que tipo de pais tivemos, o que eles nos ensinaram e como nos cuidaram física e emocionalmente.

Uma boa parte da nossa experiência infantil, mesmo as mais inconscientes, vem à tona no momento em que nos tornamos pais, especialmente porque cuidar de um filho nos remete ao momento em que fomos cuidados ou descuidados pelos nossos pais. Você deve e pode perguntar: Como as nossas experiências infantis reaparecem e como elas se manifestam na nossa relação com nossos filhos? Antes de responder quero compartilhar duas falas que frequentemente escuto de adultos: “mas eu era tão pequena e não me lembro de nada” ou “as crianças nem se dão conta do que estão vivendo” A maioria das pessoas prefere pensar assim, que a sua história passada não determina a sua história presente e, dessa forma, vivem a ilusão de que suas vidas não são determinadas por elas, e o pior que a criação de seus próprios filhos não sofre nenhuma influência de seu passado infantil. Mas uma pessoa que carrega necessidades infantis não satisfeitas de amor, atenção, afeto, carinho, cuidados físicos, etc. tentarão suprir essas carências em seus próprios filhos, por exemplo, através de um excesso de cuidado, ou de uma terrível dominação, chantagens emocionais ou fazendo dos seus filhos seus confidentes.

Os maus tratos recebidos na infância levam algumas pessoas, por exemplo, a destruir a própria vida e de outros, quando falo em destruir, não me refiro apenas ao fato de dar fim a vida física, mas sim também de tornar a sua própria vida e a dos demais insuportável. Muitos pais batem em seus filhos, pois apanharam quando criança, outros abusam física e emocionalmente porque sofreram o mesmo, e assim o trauma é perpetuado. A teoria do trauma fala dentre muitas coisas, uma que acho particularmente importante, que todo trauma* tende a se repetir na tentativa de elaboração. Por exemplo, é bem provável que filhos que apanharam estarão envolvidos em relações de maus tratos quando adultos e podem maltratar seus filhos, com isso estarão tentando inconscientemente entender e ou resolver as suas dores psíquicas.
Não podemos mudar os fatos acontecidos em nosso passado, mas podemos dar um novo significado para as nossas experiências, e isso é possível no momento em que decidimos olhar com compaixão para a nossa infância e nos permitimos aceitar a verdade sobre nós mesmos.
Gosto dentre muitas, de uma frase de Nietzsche: “Aquilo que não me mata só me fortalece”, esse é um lembrete poderoso de que as nossas experiências dolorosas podem nos auxiliar a nos tornamos mais fortes.
Cuidar do nosso passado infantil não é tarefa fácil, pode ser uma jornada densa e cansativa, mas vai nos auxiliar a encontrar respostas para muitas questões antes não resolvidas e o melhor de tudo, podemos cuidar de maneira saudável de nossos filhos, sem corrermos o risco de repetir com eles e neles os nossos dramas infantis.

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*O significado psicanalítico da palavra “trauma” refere-se a um fato, realmente acontecido, de que tenha tido alguma importante repercussão no psiquismo do sujeito.

Ser Mãe de Menino

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Uma amiga, que está grávida de quatro meses, descobriu-se mãe de um menino quando pensava que seria mãe de sua segunda menina. Surpresa está se perguntando e me perguntou: como é ser mãe de um menino? Eu lhe respondi que é uma experiência maravilhosa. Ri quando ela me fez a sua segunda pergunta: mais maravilhosa que ser mãe de uma menina? Bem, aí eu não sei responder, pois não sou mãe de uma menina (pelo menos por enquanto), mas o que eu quero dizer é que ser mãe de um menino é diferente e pode ser tão gostoso quanto.  

Essa amiga me inspirou para escrever sobre a arte, a beleza, a delicadeza e a responsabilidade de ser mãe de um garotinho. Sou mãe de um e simplesmente adoro. Nós brincamos juntos, saímos para passear, assistimos DVD, viajamos, vamos ao cinema, a parques, etc. Com os meninos podemos fazer muitas coisas legais!

O meu filho é um garoto muito sensível, com muita percepção de si e do outro, assim como da natureza. Comento isso não para elogiar publicamente o meu bambino, mas para exemplificar que sensibilidade, empatia e percepção são potenciais que precisamos ajudar a desenvolver em nossos filhos e nos meninos em especial, pois os nossos garotos sofrem com uma educação machista e eles precisam muito de amor, delicadeza e sensibilidade tanto quanto as nossas garotas.

É importante lembrar que num tempo não tão distante assim, nascer um menino era uma benção e uma menina uma falta de sorte. Ainda bem que as coisas mudaram um pouco no contexto cultural, mas, ainda hoje em alguns países meninas podem ser vendidas, abandonadas, etc. Você deve estar se perguntando por que estou falando sobre isso quando o tema é ser mãe de menino? Aí é que está a questão. Ser mãe de menino é, além de tudo, uma grande responsabilidade social, pois os meninos também estão sofrendo com esse formato de educação permeada pela insensibilidade e autoritarismo que damos a eles. Para termos um mundo melhor, precisamos criar e educar filhos mais felizes, saudáveis e sensíveis diante da dor do outro, para este último damos o nome de empatia (colocar-se no lugar do outro). Ensinar empatia é algo fundamental e indispensável na educação de nossos meninos.

Percebo nas mães a sensação de prazer em ser mãe de uma menina. Elas falam do companheirismo e da amizade que as filhas podem proporcionar e do receio em ser mãe de meninos pelo motivo contrário. Eu particularmente conheço muitos meninos companheiros e amigos de seus pais. Eles são assim se o educarmos para serem assim.

O que acontece é que a educação dos meninos está recheada de preconceitos e tabus*, pois muitos pais têm medo de educar seus filhos homens com delicadeza e sensibilidade por receio de se tornarem femininos, delicados ou sensíveis demais, como se homens não o pudessem ser.

Nos EUA foi feita uma pesquisa curiosa sobre como lidamos emocionalmente diferente com meninos e meninas. A pesquisa foi feita em uma maternidade e consistia em vestir os bebês meninos com roupa cor de rosa e os bebês meninas com roupa azul. As pessoas que visitavam os bebês pegavam as supostas meninas vestidas de cor de rosa, no colo e com muita delicadeza faziam voz macia, gesto delicado, diziam frases sensíveis para expressar carinho, etc. As pessoas que pegavam os supostos bebês meninos vestidos de azul no colo o faziam com menos delicadeza, pois eram meninos, a voz era mais grossa para expressar carinho, os gestos menos delicados e a sensibilidade menos expressa. No final de cada visita, era revelado aos visitantes o verdadeiro sexo dos bebês, o susto era grande e a mudança de comportamento em relação aos mesmos, visível. Essa pesquisa mostra como de fato as pessoas lidam, educam, pensam diferente em relação aos meninos e meninas.

Muitas mães querem ter uma menina para ir às compras, ao salão de beleza, as festas, para enfeitar com coisas legais no cabelo e corpo, etc. Os pais querem um menino para levar para o futebol, para a natação, oficina, etc. As meninas fazem coisas de menina com a mãe e os meninos fazem coisa de menino com o pai, com isso a família vai se fragmentando sutilmente e os valores ficam distorcidos em relação à educação, cultura e amor de pais. No futuro, quando se tornam adultos, a moça não terá muito que fazer, conversar com o pai e o rapaz não terá muito que fazer, conversar com a mãe, não por culpa deles, mas eles aprenderam que era assim: tudo fragmentado.

    Existe algo que muitas vezes os pais esquecem: que os filhos existem não para atenderem as nossas necessidades, mas para se tornarem indivíduos saudáveis e cumprirem o objetivo que os trouxe à vida. Nós pais precisamos ajudá-los nisso. É a nossa missão! Existe uma frase que sempre digo em oração ao meu filho desde que ele estava em meu ventre “Que você meu filho se torne um homem Honesto, Justo e Bom”. Para mim, honestidade, justiça e bondade, são valores que precisam ser ensinados e valorizados em nossos filhos acima de qualquer outro.

Nós como pais, precisamos refletir sobre quais valores estamos repassando, ensinado aos nossos filhos, e acima de tudo se estamos tendo tempo de ensinar tais valores ou se estamos delegando essa importante e vital tarefa a alguém, pois muitas vezes preferimos ficar até tarde no escritório enquanto alguém ensina o dever de casa ao nosso filho, ou mesmo a tocar piano ou a jogar bola. Como bons e dedicados pais pagamos todas as contas, mas não educamos os nossos filhos. Com isso, perdemos fases preciosas da vida, nossa e deles, momentos valorosos onde podemos construir afeto, união, amor e desenvolver filhos saudáveis.

Na educação de meninos, observo muitos pais tendo uma postura que paira o descaso e chega à irresponsabilidade, permeada pelo seguinte argumento: “É um menino, precisa aprender desde cedo a se virar sozinho e a ser independente e forte, a ser homem. Deixa ele se virar!” Infelizmente é esse tipo de pensamento e educação que está deixando os nossos meninos perdidos, confusos e com conflito de identidade.

Imagine-se no lugar de um menino que em uma idade que precisa de educação, proteção e orientação, é deixado sozinho para aprender, que tipo de menino você se tornaria? Sensível para com a dor do outro? Bondoso? Justo? Provavelmente não, pois esses são valores que precisam ser ensinados por alguém. Quando estamos sós e perdidos, aprendemos com o que está ao nosso alcance, e valores morais não estão tão acessíveis assim no dia a dia.

Os meninos precisam de atenção tanto da mamãe quanto do papai, pois cada um vai passar um tipo de conhecimento ao filho homem. A mãe vai lhe ensinar sobre amor e segurança, acolhimento e sensibilidade. O pai vai lhe transmitir interesses por atividades, competências, habilidades, afabilidade, humor, equilíbrio, masculinidade (que é diferente de machismo). A vida dos meninos caminha melhor quando a mãe e o pai estão por perto educando-o. Quando um deles se ausenta de manifestar calor e afeto, principalmente nos primeiros anos de vida, para suportar a dor e o sofrimento, o menino “desliga” a sua parte mais terna e amorosa, tornando-se uma criança triste ou raivosa, por exemplo.

Um dia escutei de uma mãe desconhecida em uma praça pública, uma conversa que me pareceu absurda. Ela estava com um bebê de aproximadamente seis meses e disse à outra pessoa que não gostava de deixá-lo no colo por muito tempo que isso iria mimá-lo demais, que ela o deixava no berço a maior parte do tempo para ele ir se tornando independente dela. Penso que esta mãe não tinha a intenção de maltratar seu filho, apesar de está-lo fazendo, mas sim que era ignorante na arte de educar uma criança. Abraçar, beijar, cheirar, brincar, rir, criar afeto, vínculo, demonstrar amor nunca é demais, não mima, não estraga filho; o contrário sim!

Para termos filhos meninos ou meninas felizes e saudáveis, precisamos demonstrar carinho, afeto, amor, dizer o quanto eles são importantes. Vamos elogiar sua conquista por menor que pareça para nós, mas para eles, ela deve ter sido enorme. Vamos parabenizar pela nota conquistada, por mais que não tenha sido a desejada, e dizer: “na próxima vez você vai se esforçar mais e vai conseguir uma nota melhor, eu tenho certeza e acredito em você!” Vamos exigir menos e acreditar mais, incentivar mais, cuidar mais, estar mais por perto. Eles com certeza sentem a sua falta.

Ame, beije, abrace seus filhos não importa se eles têm cinco, dez ou quinze anos…

Que tipo de Mãe você é?

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    Ser mãe não é uma fórmula única. A maternidade permite uma diversidade de expressões, sem, no entanto, perder o encanto. Sabemos que existe todo tipo de pessoas e também de mães. Existem mães carinhosas, mães bravas e outras rancorosas, mães manhosas, intelectuais, atléticas e domésticas. Vou falar um pouquinho de alguns tipos de mães.
        Você provavelmente já conheceu alguma mulher que disse que detesta estar grávida, mas que ama ser mãe, pois é essas mulheres não gostam de estar grávidas e de todo o processo que envolve a gravidez e de ter um filho, como: gestar, amamentar, dar banho, fazer dormir… No entanto gostam de ser mães. Protegem, amparam e dão carinho, mas procuram não gerar dependência em seus filhos. Esse perfil materno gosta de criar seus filhotes de forma livre, pois quanto antes eles se tornarem independentes dela melhor. Mães assim são ótimas para incentivar a natureza nata de explorador que toda criança possui. A grande dificuldade está quando mesmo com uma criação independente, o (a) filho (a) tem uma personalidade passiva e dependente. É preciso ficar atenta para não gerar ansiedade e expectativas exageradas na criança e em si mesma. Lembre-se, nossos filhos, apesar de parecidos, são diferentes de nós.
                    Existem mulheres que adiam o máximo possível a maternidade. Sempre há uma prioridade, que pode ser o trabalho, a viagem, o dinheiro… Mas quando a maternidade chega, elas encaram de forma prática, já articulando como será o quarto, quem cuidará da criança, quanto tempo pretende dispor para ficar com ela. Essas mamães querem os filhos maiores o quanto antes para que possam interagir com elas. Caso fosse possível escolher, eles já nasceriam com três anos. Como são extremamente racionais e objectivas, ter filhos emotivos e sensíveis demais podem lhe gerar estresse e incomodo.   É importante se permitir aprender com eles. Uma dica legal é procurar olhar o mundo a partir da perspectiva da criança: fique por alguns momentos da altura dela e procure ver o mundo a partir desse foco. Costuma ser revelador como o mundo é visto diferente por eles.

                     Existem mães tranquilas, pacatas e sem muita ambição para si e para seus filhos. Em geral são donas de casa, com ou sem uma profissão que provavelmente não exercem. São cuidadosas e amorosas com seus filhos, mas por vezes podem ficar “desligadas” e voltadas para o seu mundo e seus incómodos. Estar em reflexão nem sempre gera mudanças nessas mães e em seus filhos. Como vivem sem muitas expectativas, não as incentivam em seus filhotes, deixando-os mais livres. Para os filhos é bom ter uma mãe tranquila e pouco exigente, mas chega um ponto da vida deles que podem sentir falta de uma mãe mais ativa e que os incentivem a sonhar.

                    Existem mães que acreditam que a maternidade é algo que faz parte do casamento e seguem uma ordem lógica: casei e agora terei filhos. Não gostam muito de brincar com seus filhos e procuram acima de tudo discipliná-los, o que em geral fazem com muito êxito. Seus filhos são disciplinados, mas por vezes distantes na relação mãe e filho, pois não recebem muito carinho físico e demonstrações de afeto. Lembre-se que dar carinho inclui beijos, toques e atenção. 

                   Existem mulheres que desde criança já falavam que queriam ser mães. Após o casamento, em pouco tempo estão grávidas e ávidas para cuidar de seu filhote. São cuidadosas, amorosas e dedicadas. Gostam de tudo que envolve a maternidade, desde gestar, amamentar e brincar com seus filhos.  Dedicam muito de sua vida a eles.  É aí que mora o perigo, pois esse tipo de mãe costuma cobrar o amor por anos doado e por isso não aceitam muito bem quando um filho quer se tornar independente e demonstra não precisar mais de seus cuidados.  Para essas mães, os filhos nunca crescem, mas na verdade eles crescem e é preciso se acostumar com isso e encontrar outro objectivo que vai além da maternidade.

Existem as mães inseguras ao extremo, que acreditam que nunca vão conseguir cuidar de uma criança sozinha, pois afinal não se sentem competentes o suficiente para cuidar nem de si mesmas. Transferem a responsabilidade pelos seus filhos para outra pessoa, que pode ser a sua mãe ou avó. Depositar em outra pessoa a competência para cuidar de seus próprios filhos é a maneira que encontram para não assumir a responsabilidade de educar. A sua insegurança pode ser transmitida aos filhos que não conseguem ver na mãe uma figura forte e capaz de proteger. É importante se apropriar da sua capacidade materna e acreditar na sua maneira de educar, que pode não ser igual a da sua mãe ou avó, mas é sua e única.

Não importa que tipo de mãe você é, o que importa é que você cuide bem de seu (s) filho (s), honrando a maior função que Deus deu a um ser humano: a maternidade.

Transtorno de Conduta. O que é isso?

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Quem assistiu ao filme Toy Story conhece bem o personagem de um garotinho chamado Cid.  Ele destrói todos os seus brinquedos e os da sua irmã. Cid tem um dos comportamentos típicos de crianças e adolescentes com Transtorno de Conduta. Esses pequenos que se divertem com o sofrimento dos outros, seja um animal ou um amigo chamam a atenção pela agressividade exagerada e falta de empatia. 

O que é o Transtorno de Conduta?

“É um padrão repetitivo e persistente de comportamento que viola regras sociais importantes em sua idade ou os direitos básicos alheios” (ABP – Associação Brasileira de Psiquiatria)

        Bem, nenhum menor de 18 anos pode ser chamado de psicopata, uma vez que sua personalidade ainda não está formada. Nesses casos, usamos o termo “Transtorno de conduta”.  Não quero dizer que as crianças com transtornos de conduta serão psicopatas no futuro, mas não posso deixar de ressaltar que esse transtorno revela um forte risco.   Assim como nem toda criança com TC será um psicopata, mas todo psicopata sofria de TC.

Quando o comportamento de uma criança ou adolescente deve nos preocupar?

Quando mentem ou furtam com frequencia, desrespeitam regras constantemente, maltratam animais ou a outras crianças e demonstram agressividade excessiva.  É claro que certo grau de malvadeza é aceitável na infância e adolescência, pois faz parte do desenvolvimento. Vamos dar um desconto! Até mesmo porque o TC é caracterizado pela repetição, e não por atos isolados.  Eles podem vir acompanhados de hiperatividade e déficits graves de atenção.

        Costumo dizer que não devemos cobrar nada de ninguém que a idade não permita.  Por isso, não exija capacidade de julgamento (consciência do que pode ou não fazer) ou analise de limites de crianças menores de 7 anos. Somente a partir desta idade é que essa capacidade se desenvolve.  Por exemplo: Quando um menino de 6 anos coloca o gato no microondas, ele não sabe o risco que está expondo o animal, mas um menino de 8 anos sabe.   É claro que existem exceções em relação a idade como no famoso caso da menina inglesa de 2 anos chamada Mary Bell (1968).   Já nesta idade era muito diferente de qualquer outra criança.  Nunca chorava quando se machucava e destruía todos os seus brinquedos. Aos 4 anos precisou ser contida ao tentar enforcar um amiguinho na escola.   Aos 5 anos, viu um colega sendo atropelado e não demonstrou nenhuma reação emocional.  Depois da alfabetização, ficou incontrolável: pichava paredes na escola, incendiou a sua casa e maltratava animais.   Aos 11 anos, Mary matou por estrangulamento dois meninos (3 e 4 anos) sem dó e piedade.   Antes de ser julgada, Mary foi avaliada por psiquiatras e psicólogos e teve como diagnóstico um gravíssimo transtorno de conduta.  Mary foi um caso clássico e raro de psicopatia na infância.   Muitos psicopatas sofreram abuso na infância, seja físico, sexual ou psicológico.  O caso citado infelizmente reuniu todos os fatores.

O que torna uma criança com tendência a psicopatia?

     Existem três fatores de risco: a predisposição genética, um ambiente hostil e possíveis  lesões cerebrais no decorrer do desenvolvimento.  Esses fatores não atuam sozinhos, eles precisam de terreno fértil.  Quando a criança se encontra em um ambiente hostil, violento e com carência de afeto, os sintomas podem se manifestar.

Até então, não se conhece a cura para a psicopatia em adultos, no entanto existe a chance de mudar o comportamento de crianças com o transtorno de conduta e evitar que se tornem transgressores mais tarde.

Perigos da net – Cyber Crime. Cuidado nunca é demais!

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Estamos vivendo uma era em que as amizades virtuais aumentaram mais que as presenciais. As redes de relacionamentos invadem as nossas casas com infinitas possibilidades de curtos diálogos com diferentes pessoas de diversas partes do mundo. Como é bom poder encontrar velhos amigos e fazer novos. Como é interessante poder adentrar em diversos mundos com apenas alguns toques no teclado. Que infinito universo cibernético se apresenta aos nossos olhos. Encantador, não acha? Parece ser fácil e seguro fazer amigos dessa forma, não? Até mesmo porque estamos em nossas casas isentos de riscos que o mundo lá fora nos impõe. Mas apenas parece!

Com essa facilidade tecnológica, somos uma isca fácil para pessoas que nem sempre tem boas intenções. Como é fácil assumirmos uma personalidade que não é a nossa e nos apresentarmos ao mundo virtual sem que ao menos sejamos reconhecidos. Esse tipo de comportamento tem um nome: “fake”. A palavra vem do Inglês, que significa “falso”.

O que é isso?

É uma personalidade falsa usada para ocultar a identidade real de uma pessoa. De uma maneira geral, os fakes são facilmente encontrados em sites de relacionamento (principalmente o Orkut que estatisticamente tem apresentado o maior número de invasão de fakes) e uma das finalidades deles é dar opiniões sem se identificar, evitando constrangimentos ou ameaças pessoais ao opinante, mas sua maior finalidade é ter uma segunda vida. A maioria dos criadores de fakes o fazem só por diversão, para conhecer novas pessoas sem se expor. Porém, esse tipo de comportamento tem se tornado um novo problema social.

Pessoas começam a apresentar distúrbios mentais e psicológicos, levando-os a trocar a vida real pela vida de seus falsos perfis. O que acontece é que o mal uso do fake tem causado dependência nos seus usuários, declinando suas vidas nos aspectos social, emocional e intelectual. Existem relatos de pessoas que criaram um perfil fake, e que o vivenciaram tão intensamente chegando a ter um surto psicótico (quadro clínico se caracteriza pela perda de contato com a realidade). O psicótico pode ter alucinações ou crenças delirantes e exibir alterações de personalidade e desordem de pensamento. Isso pode ser acompanhado por comportamento incomum ou bizarro, assim como dificuldade de interação social e de levar adiante atividades cotidianas. Nesses casos, essas pessoas tentam assumir a vida da outra, “roubando” as suas informações, fotos, amigos, eventos, etc. o que pode ser perigoso.

Como um fake, as pessoas adotam uma nova maneira de viver e com isso elas podem ser quem quiserem e até mesmo cometerem crimes cibernéticos, os chamados Cybercrime, que são: disseminação de vírus que coletam e-mails para venda de mailing; distribuição material pornográfico (em especial infantil); fraudes bancárias; violação de propriedade intelectual e direitos conexos ou mera invasão de sites para deixar mensagens difamatórias como forma de insulto a outras pessoas. Para esse último chamamos de cyberbullying.

O que poucos sabem é que esse tipo de prática já está no código penal brasileiro e é passível de pena: Art. 307 do Código Penal – Atribuir-se ou atribuir a terceiro falsa identidade para obter vantagem, em proveito próprio ou alheio, ou para causar dano a outrem. Pena: detenção, de três meses a um ano, ou multa, se o fato não constitui elemento de crime mais grave.

Mas infelizmente não é tão fácil localizar e punir um fake, pois eles entram em seu computador e não deixam pistas, quando você vai ver o estrago já está feito. Então, como podemos nos proteger?

Antes de responder a esta pergunta, gostaria de traçar um paralelo entre esses dois mundos (o virtual e o real). Se pararmos para pensar e nos questionarmos sobre o que nos motivou e continua nos motivando, a estar mais tempo dentro de casa conectados a internet fazendo amigos virtuais, chegaremos a algumas prováveis respostas: a violência nas ruas, a falta de segurança para os filhos, a crescente influencia para o consumo de drogas e alcool, a criminalidade em suas infinitas versões e muito mais. Por medo do que poderia acontecer lá fora, achamos um “lugar seguro”: dentro de casa e dentro dos nossos computadores.

Certa vez, escutei da mãe de um jovem de 18 anos que era melhor ele ficar em casa na internet do que na rua correndo risco de vida. Bem, essa parece ser a nossa atual realidade social: Ficamos em nossas casas para nos “proteger do mundo lá fora”, mas este mundo veio ao nosso encontro.

Diante desses fatos, precisamos ficar atentos e termos atitudes preventivas, mas não devemos ficar nervosos, ansiosos ou mesmo cancelar as nossas contas em sites, grupos, blogs, etc. Abaixo, cito algumas pequenas coisas que podemos fazer para evitar surpresas desagradáveis na net.

Dicas: 

- Quando você se cadastrar em sites de relacionamentos (Orkut, facebook, etc.) procure se vincular a grupos ou a pessoas conhecidas ou amigas. Não aceite pessoas que não conheça, pois os hackers adicionam as vitimas, pois assim eles conseguem todas as informações necessárias como, e-mail, data de nascimento, etc.

- Use as configurações de segurança dos seus sites. Navegue sempre em modo seguro usando: https://, nunca apenas http:// (sem o “s”). Em geral quando você usa o modo de segurança, aparece um cadeado ao lado do seu site. Isso significa que é mais difícil alguém entrar em sua rede.

- Use as configurações de privacidade. Assim, pessoas que não são amigos não vão conseguir ver fotos ou outras informações suas.

- Evite colocar informações pessoais do tipo: telefone, endereço de casa ou do trabalho, informações sobre os seus filhos (escola, lugares que freqüenta) Muitos sites pedem esse tipo de informação, mas você não é obrigado a informar.

- Ao colocar fotos na net, use assinaturas, como as de marca d’água para personalizá-las e evitar que sejam copiadas.

- Ao postar fotos de seus filhos, evite que os mesmos apareçam despidos ou em situações constrangedoras, pois esse tipo de foto é sempre alvo dos pedófilos e fakes. E não se esqueça de assiná-las ou personalizá-las.

- Tenha bons programas de antivírus no seu computador e use-os frequentemente. No mínimo uma vez por semana.

- Oriente os seus filhos sobre os fakes e seus riscos e sempre supervisione o que eles fazem na net.

- Tenha sempre muito cuidado com o que você posta ou escreve na net, pois isso ficará lá para sempre.

Previna-se e continue aproveitando as maravilhosas oportunidades que esse mundo virtual nos oferece!

Algumas dicas sobre como educar os filhos

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Atrevo-me a lançar este tema, não por me julgar uma perfeita educadora, mas por acreditar que todos nós podemos educar com amor e sem violência os nossos filhos. Sei que todos nós somos capazes, apenas precisamos saber como fazer isso. Estamos contaminados com padrões antigos de educação. Precisamos solta-los e nos permitir aceitar o novo. O tempo mudou, as crianças estão diferentes e mais exigentes. Ser autoritário não faz mais efeito positivo na educação. As crianças querem respeito, carinho, atenção e amor.

É claro que elas ainda precisam de limites para que cresçam de forma saudável e alguns desses limites são definidos pelas regras de convivência. Assim como não podemos bater em um colega de trabalho, elas também não podem bater nos colegas ou em qualquer pessoa em casa ou na rua. Esse tipo de limite é diferente daqueles que usamos para proteger as crianças, como por exemplo, quando impedimos que atravessem a rua sozinha. Muitas crianças desafiam os limites na tentativa de ter a certeza de que são cuidadas e amadas.

É importante ressaltar que não existe apenas um jeito certo para educar. As dinâmicas familiares e relações estabelecidas são diversas e é no dia-a-dia que você encontrará as melhores formas de educar seus filhos, de acordo com as características de cada um deles. Educar é um processo diário e as mudanças muitas vezes levam tempo.

Educar exige paciência!

Depois de um dia inteiro de problemas, mães e pais chegam em casa e precisam cuidar dos filhos. E as crianças querem atenção, nem sempre obedecem logo, pedem tudo. É muita pressão. Nessa hora a palmada ou um tapinha de leve parecem uma boa ideia. Apenas parece. Por favor, não cai nessa tentação!

Muitos pais que dão comida e beijinho de boa noite, de vez em quando aparecem com o chinelo na mão. Que controvérsia assustadora para as crianças. Para não apanhar, elas passam a preferir a distância e o silêncio. Mentem para evitar brigas, escondem seus erros. Aos poucos, quase nada se resolve sem gritos ou ameaças. E o resultado disso é que as crianças, ao invés de respeitar os pais, ficam com medo deles.Muitos pais apelam para a violência porque é comum acreditar que é a melhor forma de manter a autoridade e de proteger os filhos. Sabemos, ou pelo menos deveríamos saber que não é bem assim. Existem formas carinhosas de educar que dão resultado.

Confira e tente!

1. Se acalme. Esta é a palavra de ordem. Respire fundo antes de chamar a atenção do seu filho. Evite discutir os problemas quando estiver com raiva. A raiva nos faz dizer coisas que provavelmente vamos nos arrepender, que magoam e assustam. É claro que ele vai perceber a sua raiva, e você pode e deve afirmar que está aborrecido, mas isso não significa que deve descarregar a sua ira nele (a).

2. Conversar com a criança, tentando entende-la e não impondo o seu ponto de vista. Entender porque algo está acontecendo ao conversar com a criança é o primeiro passo para juntos vocês encontrarem a solução.

3. Mostre à criança o comportamento mais adequado dando o seu próprio exemplo. Beber suco diretamente da garrafa irá ensiná-lo que esse é um comportamento adequado. Assim como falar mal das pessoas depois de encontrá-las. Seu filho aprenderá muito mais com o seu exemplo do que com o que você diz a ele sobre o que é certo ou errado. Isso vale também para os pequenos atos de higiene do cotidiano: escovar os dentes, lavar as mãos antes de comer, etc. É mais fácil para a criança criar e manter essa rotina se você também a realiza.

4. Jamais recorra a tapas, insultos ou palavrões. Como adultos não queremos ser tratados assim quando cometemos um erro, então não devemos agir assim com nossos filhos! Devemos tratá-los da maneira respeitosa como esperamos ser tratados por nossos colegas, amigos ou pessoas da família.

5. Não deixe que a raiva ou o stress que acumulou por outras razões se manifestem nas discussões com seus filhos. Pode parecer difícil, mas é perfeitamente possível separar as coisas. Temos a terrível tendência de descarregar as nossas tensões nos mais frágeis. Por favor, seja justo e não espere que as crianças se responsabilizem por coisas que não lhes dizem respeito. Caso esteja aborrecido com o seu chefe, não pense que o choro de seu filho é o motivo de toda a sua raiva.

6. Converse sentado, somente com os envolvidos na discussão. Isso contribui para uma melhor comunicação. Mantenha um tom de voz baixo e calmo, segure as mãos enquanto conversam – o contato físico afetuoso ajuda a gerar maior confiança entre pais e filhos e acalma as crianças.

7. Considere as opiniões e idéias dos seus filhos. Tomem decisões juntos, comprometendo-o com os resultados esperados. Se tudo funcionar bem, dê parabéns. Se não funcionar, avaliem o que aconteceu de errado.

8. Valorize e elogie. Pequenos elogios sobre bom comportamento nunca são demais! Por exemplo: ela colocou a roupa suja no cesto de roupas? Elogie. Assim como o desenho que fez; o fato de ter conseguido colocar a calça sozinha, de contar uma história para você ou colocar algo no lugar que você pediu.

9. Expressar de forma clara quais são os comportamentos que não gosta e te aborrecem. Explique o motivo de suas decisões e ajude-os a entendê-las e cumpri-las. As regras precisam ser claras e coerentes para que as crianças possam interiorizá-las.

10. “Prevenir é melhor que remediar”. Sempre que for fazer algo com seus filhos, esclareça sobre o que é e se algo precisa ser feito por eles. Essa atitude estabelece uma relação de confiança e cumplicidade entre vocês. Por exemplo: Você precisa fazer compras e terá que levar com você seu filho pequeno. Diga a ele aonde irão e o que vão fazer. Você pode deixá-lo ajudar nas compras; conversar com ele sobre o que está comprando – peça-lhe para falar o que ele acha de um determinado produto; se for uma criança mais velha, ela pode ter maior mobilidade e ir pegar outros produtos enquanto você está em outro setor do supermercado.

11. Peça desculpa. Elas aprendem mais com os exemplos que vivenciam do que com os nossos discursos. Desculpar-se é um ato de amor e respeito. Coloca-nos mais próximo de nossos filhos, nos torna mais humanos.

12. “Não espere nada que a idade não permita” Esta é uma frase que sempre uso, pois temos a tendência de exigir demais de nossos filhos. Uma criança de um ano e meio já consegue se alimentar sozinha e este é um comportamento que deve ser estimulado pelos pais, mas ela não consegue faze-lo sem se lambuzar. Exigir que a comida não caia no chão é um pouco demais.

Alguém para chamar de Mãe

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“Se a felicidade depende de um período, esse período é o primeiro ano de vida.   Se depende de uma pessoa, essa pessoa é a mãe”.  A frase é do psicanalista Donald Winnicott e nos fala da importância da mãe na vida dos filhos.   É visível que nos dias atuais os filhos andam órfãos de pais vivos.   A grande maioria dos pais andam tragados pela correria do dia a dia, pelos compromissos excessivos e sem muito tempo para exercer um importante e fundamental papel: cuidar dos filhos.
Em algumas cidades do Brasil, existe uma cultura muito enraizada de deixar os filhos com babás.  Estas, muitas vezes, assumem quase que 100% das funções da mãe/pai.  Há algum tempo atrás, quando ainda morava no Brasil, fui a um aniversário infantil e me deparei com a seguinte cena:  O pai, a mãe e os filhos sempre acompanhados por jovens ou senhoras vestidas de branco, a babá.  Para cada filho uma babá.  Eram as senhoras de branco que corriam atrás dos filhos, davam comida e chamavam atenção por alguma situação que não achassem certas.  No final da festa, com os bambinos já cansados, eram as mesmas mulheres de branco que carregavam os pequenos até o carro e iam com eles no banco de trás preservando a sua segurança.  Ao observar a cena, fiquei a me perguntar o que os pais tinham ido fazer ali? Comer? Conversar? Ou aproveitar algum momento divertido com os filhos? Os filhos estavam totalmente entregues as babás, e os pais, perdendo um momento único com eles.
Não sou contra termos uma babá para nos ajudar com os nossos filhos pequenos, eu mesma já tive uma.  Apenas defendo que as babás devem estar presentes com os nossos filhos apenas nos momentos em que realmente não podemos estar com eles, e que estes momentos sejam mínimos.  O que acontece hoje em dia, é que a mãe acorda cedo, muito antes dos filhos e sai para trabalhar, retornando a noite quando eles já estão dormindo.  A mulher deve parar de trabalhar? Acredito que não.  O ideal é poder conciliar as duas coisas e faze-las bem. Pois quando decidimos ser mãe, precisamos ter a clareza de que a vida muda.  Realmente não dá para continuar dormindo frequentemente ate tarde, nem com as intermináveis saídas nos finais de semana sem por em prejuízo a relação com os filhos.
Certo vez, conversei com uma mãe que lamentava pelo fato da filha de dois anos não querer ficar com ela e sim com a babá.  Ela me perguntou por que isso acontecia.  Fiz-lhe algumas perguntas antes de lhe responder:
- Quem acorda com a sua filha pela manhã?
Resp. A babá
- Quem dá banho, troca a roupa e dá o café da manhã para ela?
Resp. A babá
- Quem brinca com a sua filha durante o dia?
Resp. A babá
- Quem cuida dela quando está doente?
Resp. A babá
- Quem leva a sua filha para passear no final de tarde?
Resp. A babá
Ao responder as minhas perguntas, a mãe conseguiu responder ao seu questionamento.  Bem, não resta dúvida que quem assume a maternidade da referida criança é a babá.  Ela é a verdadeira mãe. Pode ser duro ouvir isso, mas quando abrimos mão de cuidar de nossos filhos e delegamos isso a alguém, esse alguém realmente assume o nosso lugar, não apenas a nível de tarefas, mas a nível de vinculo, de confiança, de afeto. 
Um outro exemplo: ao conversar com outra mãe sobre o seu filho, a mesma me perguntou se eu não gostaria de falar com a babá, pois era ela quem ficava a maior parte do tempo com a criança.  Então lhe perguntei o que fazia com o seu tempo.  Ela respondeu que além de trabalhar tinha que se cuidar indo a academia, salão e encontro com as amigas, pois ela precisava de momentos para si.  É claro que precisamos nos cuidar, ter tempo para nós mesmas, mas, e os nossos filhos? Quem cuida deles?  A mãe um pouco indignada me disse:  “Mas eu preciso trabalhar para pagar as contas, dar um conforto para meus filhos e para viver melhor.”  Bem, penso que esse é o preço que se paga para não estar com os filhos. É uma escolha!  Claro que em muitas situações, trabalhar fora não é uma questão de escolha, mas sim de necessidade, então tente valorizar ao máximo o tempo que tem junto aos seus filhos.  Brinque com eles, assista filmes juntos, jogue, leia livros, vá a praça, cinema, etc.  Existem muitas coisas simples que podemos fazer com eles.  Não adianta nada estar em casa se você estará grudada na TV ou no seu computador.  É enganar-se que está cuidando, valorizando o tempo com eles.  Os filhos precisam de contato físico, diálogo, brincadeiras, cuidados especiais.
Pense nisso!
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