Publicidade

Le Chef Coxinha

por Ariane Cajazeiras

Viagens Gastronômicas

Sobre serra, cafés, memórias e gastronomia

Por Ariane Cajazeiras em Viagens Gastronômicas

06 de dezembro de 2017

Desde criança meu destino preferido de férias é o Maciço de Baturité, aqui no Ceará. A apenas 2 horas de Fortaleza, as cidades são pacatas, lindas, com temperaturas amenas, rodeadas de mata atlântica e cheias de gente do bem, talentosa e querida. E, claro, rodeadas de sabores característicos.

Lembro bem do restaurante que ficava no local onde hoje está o Sabor Natural, bem no centro de Guaramiranga. Lá dona Alice, uma senhora simpática, servia comida caseira, quase na sala de casa. Em Pacoti, a antiga “Churrascaria Peixada”  (é isso mesmo que você está lendo), do seu Luís, hoje abriga a Pousada de Inverno, mas continua oferecendo a galinha caipira com aquele pirão maravilhoso que só tem lá. De sobremesa, muita rapadura, café coado, melão e banana à vontade. Assim como os restaurantes, os doces de jaca, banana e leite e ainda a banana desidratada são tradicionais por lá e acendem dentro de mim aquela lembrança aquecida de carinho, memórias e amor.

(Foto: Ariane Cajazeiras)

Com a chegada dos grandes eventos e festivais, as cidades do Maciço foram se expandindo, recebendo novos restaurantes, chefs de outras cidades, estados e até do mundo. E chefs de lá mesmo, que escolheram a cidade e suas tradições para disseminar a sua criatividade através da comida. Essa mistura do novo com o tradicional, das raízes da serra com a sofisticação, foi o que pude notar no Festival Serra, que ocorreu no último fim de semana no maciço.

O festival reuniu os municípios de Baturité, Mulungu, Guaramiranga e Pacoti com uma programação intensa e diversificada que incluiu não só restaurantes, mas também música, visitas guiadas ao patrimônio cultural, trilhas, a Rota Verde do Café e até economia e sustentabilidade, através de oficinas. O Le Chef Coxinha esteve lá a convite do SEBRAE e da organização.

Na programação, uma visita ao sítio São Roque, onde pudemos conhecer um pouquinho da cultura do café na região e seu processo de produção. Desde o ano passado, a Rota Verde do Café mapeia 10 locais que contam um pouco da história da produção do grão na serra e se propõem não só a oferecer um passeio turístico, mas também fortalecer e profissionalizar a distribuição do café da serra como um café de alto padrão. O Sítio São Roque é um desses locais, um negócio de família que abre as portas para visitação à casa antiga, toda enfeitada e conservada ao modo antigo, à máquina de 1949 que ainda hoje processa o grão do café, ao belo jardim cultivado e conservado no clima agradável da serra. Vale a pena, a visita!

Máquina de 1949 em pleno funcionamento no sítio São Roque (Foto: Ariane Cajazeiras)

Ao final, bolo e doce de banana e claro, muito café, o Atelier 1913, em duas versões que diferem em acidez e intensidade.

Café Amélia: forte como dona Amélia, a matriarca da família (Foto: Ariane Cajazeiras)

Após o São Roque, hora de conhecer um pouco sobre a forma como o caboclo do interior moía o café colhido. A Casa do Caboclo feita de barro continua conservada no terreno do Chalé Nosso Sítio, na entrada de Pacoti. Lá, um pilão feito a mão moía o grão torrado. No fogão a lenha, a chaleira fervia a água para mais uma rodada de café, dessa vez adoçado com raspas de rapadura.

Seu Maurício preparou o café moído na hora do pilão (Foto: Ariane Cajazeiras)

Fomos também convidados a participar de algumas aulas-show que iam ser ministradas pelo chef Charton Nogueira (do restaurante Suvaco de Cobra, do Montese, aqui em Fortaleza) e da chef Marie Anne Bauer (Le Marché, Fortaleza). Aproveito para passa a receita da massa do crepe de carne de Sol ensinada pelo chef Charton, segura aí:

MASSA PARA CREPE DO CHEF CHARTON:

  • 4 ovos
  • 300 ml de água
  • 300 ml de leite
  • 100 ml de cerveja pilsen
  • 300 g de farinha de trigo
  • 1 colher de chá de sal
  • 4 colheres de azeite

Você pode bater todos os ingredientes no liquidificador e assar em frigideira antiaderente dos dois lados. Se não for consumir na hora, adorei essa dica: você doura apenas um lado do crepe e o leva à geladeira. Na hora de servir, é só dourar o lado que falta e ele estará como feito na hora. Essa massa fica levíssima e crocante nas bordas. Gostei muito. O chef a recheou com carne de sol refogada na manteiga da terra e creme de queijo coalho. Um primor.

Crepe de carne de Sol do chef Charton (Foto: Ariane Cajazeiras)

À noite foi hora de aproveitar os menus especiais pensados por diversos chefs em restaurantes espalhados por Guaramiranga. O bacana é que por ser bem pequenininha, dá pra passar de um restaurante para outro rapidamente. Começamos com o Studio 70 Art & Bistrô, da chef e artista plástica Fernanda Alan. A noite foi comemorada com menu árabe e dança do ventre. O restaurante é charmosamente decorado com artes produzidas pela própria Fernanda. Fomos surpreendidos por um prato delicioso: picanha suína ao molho de café. A carne suculenta e o molho agridoce com sabor marcante vem acompanhada de arroz e batas coradas. Os kibes e esfihas estavam deliciosos, mas essa mistura de sabores levou os maiores elogios.

Carne Suína ao molho de café do Studio 70 (Foto: Ariane Cajazeiras)

Quem também adotou o café na receita, foi a chef Marie Anne, com o medalhão suíno com molho de café, este mais amargo. Junto a esse prato, foi servida uma carne suína com purê de jaca, fruta típica na região do Maciço.

No Sabor Natural, do chef espanhol (e médico atuando em Fortaleza) Juan Leon, teve até dançarina de flamenco para uma noite espanhola. Na foto, tapas espanholas de vários sabores.

O Concerto de Cordas encerrou o Festival Serra com Grupo Rio das Cordas no Mosteiro dos Jesuítas (em Baturité). Vida longa aos festivais que remexem, movimentam e revitalizam as lindas cidades do Maciço de Baturité! É sempre bom ter motivo pra voltar 🙂

Rio das Cordas (Foto: Ariane Cajazeiras)

 

Publicidade

Sobre serra, cafés, memórias e gastronomia

Por Ariane Cajazeiras em Viagens Gastronômicas

06 de dezembro de 2017

Desde criança meu destino preferido de férias é o Maciço de Baturité, aqui no Ceará. A apenas 2 horas de Fortaleza, as cidades são pacatas, lindas, com temperaturas amenas, rodeadas de mata atlântica e cheias de gente do bem, talentosa e querida. E, claro, rodeadas de sabores característicos.

Lembro bem do restaurante que ficava no local onde hoje está o Sabor Natural, bem no centro de Guaramiranga. Lá dona Alice, uma senhora simpática, servia comida caseira, quase na sala de casa. Em Pacoti, a antiga “Churrascaria Peixada”  (é isso mesmo que você está lendo), do seu Luís, hoje abriga a Pousada de Inverno, mas continua oferecendo a galinha caipira com aquele pirão maravilhoso que só tem lá. De sobremesa, muita rapadura, café coado, melão e banana à vontade. Assim como os restaurantes, os doces de jaca, banana e leite e ainda a banana desidratada são tradicionais por lá e acendem dentro de mim aquela lembrança aquecida de carinho, memórias e amor.

(Foto: Ariane Cajazeiras)

Com a chegada dos grandes eventos e festivais, as cidades do Maciço foram se expandindo, recebendo novos restaurantes, chefs de outras cidades, estados e até do mundo. E chefs de lá mesmo, que escolheram a cidade e suas tradições para disseminar a sua criatividade através da comida. Essa mistura do novo com o tradicional, das raízes da serra com a sofisticação, foi o que pude notar no Festival Serra, que ocorreu no último fim de semana no maciço.

O festival reuniu os municípios de Baturité, Mulungu, Guaramiranga e Pacoti com uma programação intensa e diversificada que incluiu não só restaurantes, mas também música, visitas guiadas ao patrimônio cultural, trilhas, a Rota Verde do Café e até economia e sustentabilidade, através de oficinas. O Le Chef Coxinha esteve lá a convite do SEBRAE e da organização.

Na programação, uma visita ao sítio São Roque, onde pudemos conhecer um pouquinho da cultura do café na região e seu processo de produção. Desde o ano passado, a Rota Verde do Café mapeia 10 locais que contam um pouco da história da produção do grão na serra e se propõem não só a oferecer um passeio turístico, mas também fortalecer e profissionalizar a distribuição do café da serra como um café de alto padrão. O Sítio São Roque é um desses locais, um negócio de família que abre as portas para visitação à casa antiga, toda enfeitada e conservada ao modo antigo, à máquina de 1949 que ainda hoje processa o grão do café, ao belo jardim cultivado e conservado no clima agradável da serra. Vale a pena, a visita!

Máquina de 1949 em pleno funcionamento no sítio São Roque (Foto: Ariane Cajazeiras)

Ao final, bolo e doce de banana e claro, muito café, o Atelier 1913, em duas versões que diferem em acidez e intensidade.

Café Amélia: forte como dona Amélia, a matriarca da família (Foto: Ariane Cajazeiras)

Após o São Roque, hora de conhecer um pouco sobre a forma como o caboclo do interior moía o café colhido. A Casa do Caboclo feita de barro continua conservada no terreno do Chalé Nosso Sítio, na entrada de Pacoti. Lá, um pilão feito a mão moía o grão torrado. No fogão a lenha, a chaleira fervia a água para mais uma rodada de café, dessa vez adoçado com raspas de rapadura.

Seu Maurício preparou o café moído na hora do pilão (Foto: Ariane Cajazeiras)

Fomos também convidados a participar de algumas aulas-show que iam ser ministradas pelo chef Charton Nogueira (do restaurante Suvaco de Cobra, do Montese, aqui em Fortaleza) e da chef Marie Anne Bauer (Le Marché, Fortaleza). Aproveito para passa a receita da massa do crepe de carne de Sol ensinada pelo chef Charton, segura aí:

MASSA PARA CREPE DO CHEF CHARTON:

  • 4 ovos
  • 300 ml de água
  • 300 ml de leite
  • 100 ml de cerveja pilsen
  • 300 g de farinha de trigo
  • 1 colher de chá de sal
  • 4 colheres de azeite

Você pode bater todos os ingredientes no liquidificador e assar em frigideira antiaderente dos dois lados. Se não for consumir na hora, adorei essa dica: você doura apenas um lado do crepe e o leva à geladeira. Na hora de servir, é só dourar o lado que falta e ele estará como feito na hora. Essa massa fica levíssima e crocante nas bordas. Gostei muito. O chef a recheou com carne de sol refogada na manteiga da terra e creme de queijo coalho. Um primor.

Crepe de carne de Sol do chef Charton (Foto: Ariane Cajazeiras)

À noite foi hora de aproveitar os menus especiais pensados por diversos chefs em restaurantes espalhados por Guaramiranga. O bacana é que por ser bem pequenininha, dá pra passar de um restaurante para outro rapidamente. Começamos com o Studio 70 Art & Bistrô, da chef e artista plástica Fernanda Alan. A noite foi comemorada com menu árabe e dança do ventre. O restaurante é charmosamente decorado com artes produzidas pela própria Fernanda. Fomos surpreendidos por um prato delicioso: picanha suína ao molho de café. A carne suculenta e o molho agridoce com sabor marcante vem acompanhada de arroz e batas coradas. Os kibes e esfihas estavam deliciosos, mas essa mistura de sabores levou os maiores elogios.

Carne Suína ao molho de café do Studio 70 (Foto: Ariane Cajazeiras)

Quem também adotou o café na receita, foi a chef Marie Anne, com o medalhão suíno com molho de café, este mais amargo. Junto a esse prato, foi servida uma carne suína com purê de jaca, fruta típica na região do Maciço.

No Sabor Natural, do chef espanhol (e médico atuando em Fortaleza) Juan Leon, teve até dançarina de flamenco para uma noite espanhola. Na foto, tapas espanholas de vários sabores.

O Concerto de Cordas encerrou o Festival Serra com Grupo Rio das Cordas no Mosteiro dos Jesuítas (em Baturité). Vida longa aos festivais que remexem, movimentam e revitalizam as lindas cidades do Maciço de Baturité! É sempre bom ter motivo pra voltar 🙂

Rio das Cordas (Foto: Ariane Cajazeiras)