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Le Chef Coxinha

por Ariane Cajazeiras

dezembro 2017

Comida da vovó repaginada: Varanda do Frei

Por Iury Costa em Eventos, Experiências Gastronômicas

29 de dezembro de 2017

Fortaleza vem dando um up excepcional na área gastronômica. E com isso, novos empreendimentos surgem diariamente. E pela quantidade de ofertas e constante competição por clientes, qualidade do serviço e da comida são essenciais. E o Varanda do Frei chega com os mesmos (bons) atributos que o seu irmão, o Quintal da Varjota. O restaurante inaugurou no dia 28/12, e conta com serviço de self-service na hora do almoço, e menu à la carte.

Situado no quadrilátero Aldeota/Varjota, o Varanda do Frei traz a ideia do Comfort Food, com valorização de insumos tradicionais, do artesanal, e pratos que incentivam a formação de laços afetivos. A comida da vovó repaginada! Tem frango, churrasco, peixes e até comida vegana. Além disso, o espaço conta com 600 lugares, distribuídos em diversos ambientes, entre eles, uma enorme e ventilada varanda.

O Blog Le Chef Coxinha foi convidado para provar alguns pratos antes da inauguração oficial. Os pratos são assinados pela chef Camila Moura, que já faz um bom trabalho a frente do Quintal da Varjota. Percebemos alguns problemas pontuais de atendimento, mas nada que um período de adaptação não resolva.

Provamos o bolinho de arroz com compota de cebola roxa (R$ 22), que estavam um pouco massudos, mas bem fritos e, de qualquer forma, saborosos. Sem falar do sabor da compota, excepcional; o bolinho de jerimum recheado com lombo suíno defumado (R$ 32), pão com ragu de rabada (R$ 21), caldinho brazuca, com feijoada, couve e bacon (R$ 12) e o arroz de porco (R$ 72). Todos bem servidos e gostosos.

Outro destaque do espaço é a atenção à confeitaria, com pratos desenvolvidos cuidadosamente para complementar a experiência “comfort food”. Provamos o mil folhas da vovó (R$ 20), com massa folhada, creme de doce de abóbora e sorvete de creme; e o blondie (R$22), que é um brownie branco com sorvete de frutas vermelhas.

Serviço
Rua Frei Mansueto, 1560, Aldeota – (85) 3017.8300

Funcionamento? das 11h às 23h

Instagram: @varandadorei_ 

Facebook: @varandadofreice

 

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Foto: Nero Pimentel

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Foto: Nero Pimentel

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Foto: Nero Pimentel

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Foto: Iury Costa

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Foto: Iury Costa

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Foto: Iury Costa

 

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Le Chef Coxinha Descobre: Natal com cheirinho de pão artesanal

Por Ariane Cajazeiras em Le Chef Coxinha Descobre

22 de dezembro de 2017

Se Natal é época de amor, presentes e comidas deliciosas, então é uma festa a cara do Le Chef Coxinha.

E nesse contexto a gente apresenta uma brincadeira despretensiosa, o Le Chef Coxinha Descobre! A gente descobriu uma padaria pequenininha, nascida no forno de casa, que há 3 meses virou uma lojinha de pães, bolos e outras delícias totalmente artesanais e bem diferentes, no bairro Aldeota, em Fortaleza.
Vem descobrir com a gente! 

Um feliz e delicioso Natal pra todos nós! 

Le Chef Coxinha Descobre #1 – Grão D'alino Padaria Artesanal

Se Natal é época de amor, presentes e comidas deliciosas, então é uma festa a cara do Le Chef Coxinha. E nesse contexto a gente apresenta uma brincadeira despretensiosa, o Le Chef Coxinha Descobre! A gente descobriu uma padaria pequenininha, nascida no forno de casa, que há 3 meses virou uma lojinha de pães, bolos e outras delícias totalmente artesanais e bem diferentes, no bairro Aldeota, em Fortaleza. Vem descobrir com a gente 😉 Um feliz e delicioso Natal pra todos nós 🙂

Posted by Le Chef Coxinha on Thursday, December 21, 2017

Serviço:
Grão D’alino Padaria Artesanal
Rua Coronel Jucá, 253 – Meireles, Fortaleza – CE
Funcionamento: Terça a Sexta das 13h às 20h e Sábado das 9h às 14h
Telefone: (85) 99933-0149

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Café com cheirinho de memória! Atelier 1913

Por Iury Costa em Café

13 de dezembro de 2017

Sítio São Roque lança sua nova marca: o café Atelier 1913. Uma homenagem à história do local.

Além de barista em formação, sou um eterno saudosista. E não daria aqui para fazer um texto 100% jornalístico e frio. Até porque o caminho do café Atelier 1913 é oposto, com valorização da nossa cultura e tradição, além de muito saudosismo! E a nossa tradição tem sim um ligação forte com o café. A história não é bem contada por aí, mas o Maciço de Baturité (região serrana, próxima a Fortaleza, que compreende 13 municípios) foi destaque na produção de café de qualidade. Crise financeira e estiagem minguaram esse potencial econômico cearense, que, nos últimos anos tem ganhado atenção novamente, com o interesse de produtores e, reinvestir forte no setor cafeeiro.

Um dos lugares que nunca deixaram de produzir é o centenário Sítio São Roque, da cidade de Mulungu. Produção totalmente artesanal, desde o plantio, passando por beneficiamento (uma espécie de limpeza) e torragem. Além disso, sem uso de agrotóxicos. Desde sua criação, em 1913, o local sempre vendeu meio que a granel, sem uma identidade própria, rótulo ou informação que remetesse à trajetória do São Roque, que hoje tem a quarta geração a frente dos negócios. E justamente para homenagear a história desconhecida por muitos, que a nutricionista, barista e mestre de torra Isabelly Giffony idealizou a marca que vai mostrar o percurso da familia Farias (proprietária do sítio), começando por quem primeiros pôs os pés no São Roque: o casal Alfredo e Amélia.

 

As variedades

Os novos rótulos, que fazem parte do guarda-chuva “Atelier 1913”, foram lançados oficialmente no dia 06 de dezembro, em um evento para convidados,entre eles, o Le Chef Coxinha. Foram apresentados por Isabelly Giffony os conceitos que guiaram a criação da marca, e a renovação do café produzido no Sítio São Roque.

Lembrando que o café é do tipo “arábica”, que possui uma qualidade acentuada, e que só pode ser produzido em elevadas altitudes.

Amélia

Amélia Queiroz Farias nasceu em Guaramiranga, em 1882. Casou-se com Alfredo e teve oito filhos: Raimundo, Alfredo, Maria Violeta, Samuel, Albertina, José, Luíza Adiléa e Gerardo, que hoje tem 92 anos, e gerencia o Sítio São Roque. Matriarca da família, ela tinha pulso firme para administrar a casa e também ajudar nos negócios. O seu blend tem acidez e doçura equilibrados, com notas de chocolate e frutas amarelas.

Foto: divulgação

Alfredo

Alfredo Farias era agricultor, e, no ano de 1872, nasceu em Guaramiranga. Ele casou com Amélia em 1905. Em 1913, os dois fundam o Sítio São Roque, onde iniciaram a plantação de café sombreado, que utiliza sombra de outras plantas para reduzir a temperatura do solo. O seu blend possui acidez acentuada e doçura equilibrada. Tem notas de caramelo e rapadura.

Foto: divulgação

Novidades para 2018

Para 2018, o Atelier 1913 pretende investir em novos rótulos que remetam à memória do Sítio São Roque. Três novos blends já estão em planejamento. Além disso, em janeiro, vai ser lançado o Clube do Café do Atelier 1913, o primeiro clube de assinaturas do gênero, onde o consumidor vai poder escolher qual café receber em casa, e se ele vai moído ou em grãos.

 

Para fechar!

Para além do intuito empresarial, a dedicação e cuidado para com a marca mostram, também o zelo pelo cliente, que não vai receber ou consumir um simples café, mas um produto de qualidade, saboroso e que valoriza a nossa terra e as relações de trabalho. Parabéns ao Sítio São Roque pela iniciativa!

Serviço

Sítio São Roque – Zona Rural de Mulungu CE

Atelier 1913 – contato@atelier1913.com.br / atelier1913.com.br / @atelier1913

 

Pontos de venda dos café:

os cafés estão a venda no Aimê Café (Av. Barão de Studart, 2821), e o restaurante O Mar Menino (Av. Barão de Studart, 1043). Mas para que quiser se aprofundar ainda mais na história, pode ira até Mulungu comprar!

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Foto: Iury Costa

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Foto: Iury Costa

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Drink feito com cachaça, rapadura e café. Foto: Iury Costa

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Foto: Iury Costa

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Foto: Iury Costa

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“Escola de Confeitaria” de Diego Lozano chega a Fortaleza

Por Ariane Cajazeiras em Chefs do mundo, Eventos

07 de dezembro de 2017

O chef confeiteiro Diego Lozano chega a Fortaleza este fim de semana com o objetivo de trazer um pouquinho do que é ensinado em sua famosa “Escola de Confeitaria“, que tem sede em São Paulo. É a primeira vez que o chef paulistano vem à capital cearense. “Muitos têm feito da confeitaria sua maneira de manterem-se no mercado de alguma forma. Muita gente perdeu seus empregos com a crise e a gastronomia, mais especificamente a confeitaria, tem ajudado essas pessoas a superarem as dificuldades e revelado talentos escondidos. O workshop vem para aperfeiçoar e lapidar talentos”, antecipa Diego.

Diego Lozano (Foto: Divulgação)

Para quem não é muito versado em confeitaria, dá uma olhada no currículo docinho e de fazer inveja: vencedor do “Brazilian Chocolate Master 2007 e 2014”; Finalista no “World Chocolate Masters 2008 e 2015” em Paris (Salon Du Chocolat), já foi nomeado Chef Pâtissier do Ano (pela Revista Confeitaria Brasileira, em 2013) e venceu títulos de melhor escultura em chocolate. Hoje Diego Lozano é considerado um dos melhores chocolateiros do Brasil, e um dos maiores confeiteiros do país.

(Foto: Divulgação)

O evento será realizado no Hotel Oasis Imperial, na avenida Beira Mar. Lozano promete ensinar técnicas que o consagraram como um dos maiores nomes da confeitaria no País, além de contar sua trajetória. Os participantes do workshop receberão uma apostila e um certificado ao final. Haverá também sorteio de brindes e kits especiais. Durante o curso, das 8h às 18h, o chef apresenta também um panorama do que está acontecendo no mundo da confeitaria, falará sobre a influência das redes sociais e demonstrará técnicas que estão entre as principais tendências do momento em receitas de doces com características regionais.

Chef Diego Lozano

A paixão de Diego Lozano pelos doces começou por acaso quando, aos 13 anos, foi preparar um bolo para sua mãe e inverteu as quantidades de açúcar e sal. As inúmeras possibilidades de preparo trocando apenas a quantidade dos ingredientes fascinou o garoto. Dois anos mais tarde, já estava trabalhando numa padaria perto de casa. Quando completou 24, o famoso chef Alex Atala o chamou para comandar a confeitaria do restaurante dele, o D.O.M. Lozano, que hoje tem 33 anos abriu há cinco anos sua própria escola. Em 2014, foi campeão da seletiva Brasileira World Chocolate Masters 2014, vencendo o título de Brazilian Chocolate Masters 2014.

Programação

8h às 8h15 – Abertura

8h15 às 9h – Apresentação do Chef Diego Lozano

9h às 10h – Influência das redes sociais na confeitaria moderna

10h às 10h15 – Intervalo

10h15 às 12h – Início das demonstrações de técnica em confeitaria

12h às 13h – Intervalo para almoço

13h às 14h15 – Continuação das técnicas em confeitaria

14h15 às 14h30 – Intervalo

14h30 às 16h – Montagem do buffet e sorteio de kits

16h às 17h – Sessão de fotos com Diego Lozano

Serviço

Workshop Tendências da confeitaria moderna
Facilitador: Chef Diego Lozano

Dia 9 de dezembro (sábado), das 8h às 18h, no Hotel Oasis Imperial
Endereço: Avenida Beira-Mar, 2500, Fortaleza – CE

Inscrições limitadas no site http://escolaitinerante.com.br ou na Sablé Diamant.
WhatsApp para mais informações (11) 9-7953-7862.

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Sobre serra, cafés, memórias e gastronomia

Por Ariane Cajazeiras em Viagens Gastronômicas

06 de dezembro de 2017

Desde criança meu destino preferido de férias é o Maciço de Baturité, aqui no Ceará. A apenas 2 horas de Fortaleza, as cidades são pacatas, lindas, com temperaturas amenas, rodeadas de mata atlântica e cheias de gente do bem, talentosa e querida. E, claro, rodeadas de sabores característicos.

Lembro bem do restaurante que ficava no local onde hoje está o Sabor Natural, bem no centro de Guaramiranga. Lá dona Alice, uma senhora simpática, servia comida caseira, quase na sala de casa. Em Pacoti, a antiga “Churrascaria Peixada”  (é isso mesmo que você está lendo), do seu Luís, hoje abriga a Pousada de Inverno, mas continua oferecendo a galinha caipira com aquele pirão maravilhoso que só tem lá. De sobremesa, muita rapadura, café coado, melão e banana à vontade. Assim como os restaurantes, os doces de jaca, banana e leite e ainda a banana desidratada são tradicionais por lá e acendem dentro de mim aquela lembrança aquecida de carinho, memórias e amor.

(Foto: Ariane Cajazeiras)

Com a chegada dos grandes eventos e festivais, as cidades do Maciço foram se expandindo, recebendo novos restaurantes, chefs de outras cidades, estados e até do mundo. E chefs de lá mesmo, que escolheram a cidade e suas tradições para disseminar a sua criatividade através da comida. Essa mistura do novo com o tradicional, das raízes da serra com a sofisticação, foi o que pude notar no Festival Serra, que ocorreu no último fim de semana no maciço.

O festival reuniu os municípios de Baturité, Mulungu, Guaramiranga e Pacoti com uma programação intensa e diversificada que incluiu não só restaurantes, mas também música, visitas guiadas ao patrimônio cultural, trilhas, a Rota Verde do Café e até economia e sustentabilidade, através de oficinas. O Le Chef Coxinha esteve lá a convite do SEBRAE e da organização.

Na programação, uma visita ao sítio São Roque, onde pudemos conhecer um pouquinho da cultura do café na região e seu processo de produção. Desde o ano passado, a Rota Verde do Café mapeia 10 locais que contam um pouco da história da produção do grão na serra e se propõem não só a oferecer um passeio turístico, mas também fortalecer e profissionalizar a distribuição do café da serra como um café de alto padrão. O Sítio São Roque é um desses locais, um negócio de família que abre as portas para visitação à casa antiga, toda enfeitada e conservada ao modo antigo, à máquina de 1949 que ainda hoje processa o grão do café, ao belo jardim cultivado e conservado no clima agradável da serra. Vale a pena, a visita!

Máquina de 1949 em pleno funcionamento no sítio São Roque (Foto: Ariane Cajazeiras)

Ao final, bolo e doce de banana e claro, muito café, o Atelier 1913, em duas versões que diferem em acidez e intensidade.

Café Amélia: forte como dona Amélia, a matriarca da família (Foto: Ariane Cajazeiras)

Após o São Roque, hora de conhecer um pouco sobre a forma como o caboclo do interior moía o café colhido. A Casa do Caboclo feita de barro continua conservada no terreno do Chalé Nosso Sítio, na entrada de Pacoti. Lá, um pilão feito a mão moía o grão torrado. No fogão a lenha, a chaleira fervia a água para mais uma rodada de café, dessa vez adoçado com raspas de rapadura.

Seu Maurício preparou o café moído na hora do pilão (Foto: Ariane Cajazeiras)

Fomos também convidados a participar de algumas aulas-show que iam ser ministradas pelo chef Charton Nogueira (do restaurante Suvaco de Cobra, do Montese, aqui em Fortaleza) e da chef Marie Anne Bauer (Le Marché, Fortaleza). Aproveito para passa a receita da massa do crepe de carne de Sol ensinada pelo chef Charton, segura aí:

MASSA PARA CREPE DO CHEF CHARTON:

  • 4 ovos
  • 300 ml de água
  • 300 ml de leite
  • 100 ml de cerveja pilsen
  • 300 g de farinha de trigo
  • 1 colher de chá de sal
  • 4 colheres de azeite

Você pode bater todos os ingredientes no liquidificador e assar em frigideira antiaderente dos dois lados. Se não for consumir na hora, adorei essa dica: você doura apenas um lado do crepe e o leva à geladeira. Na hora de servir, é só dourar o lado que falta e ele estará como feito na hora. Essa massa fica levíssima e crocante nas bordas. Gostei muito. O chef a recheou com carne de sol refogada na manteiga da terra e creme de queijo coalho. Um primor.

Crepe de carne de Sol do chef Charton (Foto: Ariane Cajazeiras)

À noite foi hora de aproveitar os menus especiais pensados por diversos chefs em restaurantes espalhados por Guaramiranga. O bacana é que por ser bem pequenininha, dá pra passar de um restaurante para outro rapidamente. Começamos com o Studio 70 Art & Bistrô, da chef e artista plástica Fernanda Alan. A noite foi comemorada com menu árabe e dança do ventre. O restaurante é charmosamente decorado com artes produzidas pela própria Fernanda. Fomos surpreendidos por um prato delicioso: picanha suína ao molho de café. A carne suculenta e o molho agridoce com sabor marcante vem acompanhada de arroz e batas coradas. Os kibes e esfihas estavam deliciosos, mas essa mistura de sabores levou os maiores elogios.

Carne Suína ao molho de café do Studio 70 (Foto: Ariane Cajazeiras)

Quem também adotou o café na receita, foi a chef Marie Anne, com o medalhão suíno com molho de café, este mais amargo. Junto a esse prato, foi servida uma carne suína com purê de jaca, fruta típica na região do Maciço.

No Sabor Natural, do chef espanhol (e médico atuando em Fortaleza) Juan Leon, teve até dançarina de flamenco para uma noite espanhola. Na foto, tapas espanholas de vários sabores.

O Concerto de Cordas encerrou o Festival Serra com Grupo Rio das Cordas no Mosteiro dos Jesuítas (em Baturité). Vida longa aos festivais que remexem, movimentam e revitalizam as lindas cidades do Maciço de Baturité! É sempre bom ter motivo pra voltar 🙂

Rio das Cordas (Foto: Ariane Cajazeiras)

 

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Sobre serra, cafés, memórias e gastronomia

Por Ariane Cajazeiras em Viagens Gastronômicas

06 de dezembro de 2017

Desde criança meu destino preferido de férias é o Maciço de Baturité, aqui no Ceará. A apenas 2 horas de Fortaleza, as cidades são pacatas, lindas, com temperaturas amenas, rodeadas de mata atlântica e cheias de gente do bem, talentosa e querida. E, claro, rodeadas de sabores característicos.

Lembro bem do restaurante que ficava no local onde hoje está o Sabor Natural, bem no centro de Guaramiranga. Lá dona Alice, uma senhora simpática, servia comida caseira, quase na sala de casa. Em Pacoti, a antiga “Churrascaria Peixada”  (é isso mesmo que você está lendo), do seu Luís, hoje abriga a Pousada de Inverno, mas continua oferecendo a galinha caipira com aquele pirão maravilhoso que só tem lá. De sobremesa, muita rapadura, café coado, melão e banana à vontade. Assim como os restaurantes, os doces de jaca, banana e leite e ainda a banana desidratada são tradicionais por lá e acendem dentro de mim aquela lembrança aquecida de carinho, memórias e amor.

(Foto: Ariane Cajazeiras)

Com a chegada dos grandes eventos e festivais, as cidades do Maciço foram se expandindo, recebendo novos restaurantes, chefs de outras cidades, estados e até do mundo. E chefs de lá mesmo, que escolheram a cidade e suas tradições para disseminar a sua criatividade através da comida. Essa mistura do novo com o tradicional, das raízes da serra com a sofisticação, foi o que pude notar no Festival Serra, que ocorreu no último fim de semana no maciço.

O festival reuniu os municípios de Baturité, Mulungu, Guaramiranga e Pacoti com uma programação intensa e diversificada que incluiu não só restaurantes, mas também música, visitas guiadas ao patrimônio cultural, trilhas, a Rota Verde do Café e até economia e sustentabilidade, através de oficinas. O Le Chef Coxinha esteve lá a convite do SEBRAE e da organização.

Na programação, uma visita ao sítio São Roque, onde pudemos conhecer um pouquinho da cultura do café na região e seu processo de produção. Desde o ano passado, a Rota Verde do Café mapeia 10 locais que contam um pouco da história da produção do grão na serra e se propõem não só a oferecer um passeio turístico, mas também fortalecer e profissionalizar a distribuição do café da serra como um café de alto padrão. O Sítio São Roque é um desses locais, um negócio de família que abre as portas para visitação à casa antiga, toda enfeitada e conservada ao modo antigo, à máquina de 1949 que ainda hoje processa o grão do café, ao belo jardim cultivado e conservado no clima agradável da serra. Vale a pena, a visita!

Máquina de 1949 em pleno funcionamento no sítio São Roque (Foto: Ariane Cajazeiras)

Ao final, bolo e doce de banana e claro, muito café, o Atelier 1913, em duas versões que diferem em acidez e intensidade.

Café Amélia: forte como dona Amélia, a matriarca da família (Foto: Ariane Cajazeiras)

Após o São Roque, hora de conhecer um pouco sobre a forma como o caboclo do interior moía o café colhido. A Casa do Caboclo feita de barro continua conservada no terreno do Chalé Nosso Sítio, na entrada de Pacoti. Lá, um pilão feito a mão moía o grão torrado. No fogão a lenha, a chaleira fervia a água para mais uma rodada de café, dessa vez adoçado com raspas de rapadura.

Seu Maurício preparou o café moído na hora do pilão (Foto: Ariane Cajazeiras)

Fomos também convidados a participar de algumas aulas-show que iam ser ministradas pelo chef Charton Nogueira (do restaurante Suvaco de Cobra, do Montese, aqui em Fortaleza) e da chef Marie Anne Bauer (Le Marché, Fortaleza). Aproveito para passa a receita da massa do crepe de carne de Sol ensinada pelo chef Charton, segura aí:

MASSA PARA CREPE DO CHEF CHARTON:

  • 4 ovos
  • 300 ml de água
  • 300 ml de leite
  • 100 ml de cerveja pilsen
  • 300 g de farinha de trigo
  • 1 colher de chá de sal
  • 4 colheres de azeite

Você pode bater todos os ingredientes no liquidificador e assar em frigideira antiaderente dos dois lados. Se não for consumir na hora, adorei essa dica: você doura apenas um lado do crepe e o leva à geladeira. Na hora de servir, é só dourar o lado que falta e ele estará como feito na hora. Essa massa fica levíssima e crocante nas bordas. Gostei muito. O chef a recheou com carne de sol refogada na manteiga da terra e creme de queijo coalho. Um primor.

Crepe de carne de Sol do chef Charton (Foto: Ariane Cajazeiras)

À noite foi hora de aproveitar os menus especiais pensados por diversos chefs em restaurantes espalhados por Guaramiranga. O bacana é que por ser bem pequenininha, dá pra passar de um restaurante para outro rapidamente. Começamos com o Studio 70 Art & Bistrô, da chef e artista plástica Fernanda Alan. A noite foi comemorada com menu árabe e dança do ventre. O restaurante é charmosamente decorado com artes produzidas pela própria Fernanda. Fomos surpreendidos por um prato delicioso: picanha suína ao molho de café. A carne suculenta e o molho agridoce com sabor marcante vem acompanhada de arroz e batas coradas. Os kibes e esfihas estavam deliciosos, mas essa mistura de sabores levou os maiores elogios.

Carne Suína ao molho de café do Studio 70 (Foto: Ariane Cajazeiras)

Quem também adotou o café na receita, foi a chef Marie Anne, com o medalhão suíno com molho de café, este mais amargo. Junto a esse prato, foi servida uma carne suína com purê de jaca, fruta típica na região do Maciço.

No Sabor Natural, do chef espanhol (e médico atuando em Fortaleza) Juan Leon, teve até dançarina de flamenco para uma noite espanhola. Na foto, tapas espanholas de vários sabores.

O Concerto de Cordas encerrou o Festival Serra com Grupo Rio das Cordas no Mosteiro dos Jesuítas (em Baturité). Vida longa aos festivais que remexem, movimentam e revitalizam as lindas cidades do Maciço de Baturité! É sempre bom ter motivo pra voltar 🙂

Rio das Cordas (Foto: Ariane Cajazeiras)