Ceará 0×0 Fortaleza: jogaço e orgulho para as duas torcidas

João Marcos, presente nos quatro títulos seguidos do Ceará, foi preciso no final do jogo desta quarta. Ainda diante da emoção recente de ter sido tetra, o jogador teve serenidade e disse que o título deveria ser ainda mais valorizado por causa das dificuldades que o Fortaleza impôs nas duas partidas. E ele tem razão. A conquista do Ceará é muito merecida. É difícil demais ser quatro vezes campeão de forma seguida.

A equipe jogou quatro vezes contra o Fortaleza neste ano e não perdeu. Foram três empates e uma vitória, justamente naquela partida final do hexagonal, que muita gente não dava valor, mas que foi, efetivamente, o primeiro jogo da final do estadual, como eu tinha citado aqui nas plataformas do Sistema Jangadeiro. Um 3×1 fundamental, porque com um ponto a mais do que o Fortaleza na soma dos 14 jogos do hexagonal mais as duas semifinais, o Ceará conseguiu a vantagem de atuar por dois resultados iguais e foi exatamente o que ocorreu.

Análise: Ceará 0×0 Fortaleza: tetra alvinegro com muito drama em grande jogo

A entrega e o brio de todos dos 26 jogadores que entraram em campo foi comovente. Jogos dramáticos, disputados até a última gota de suor. É obrigação, sem dúvida, mas nem sempre ocorre, especialmente porque não faltam exemplos de atletas que passaram por aqui como alternativa final de carreira e nada fazem, deixando os torcedores indignados. Nesta temporada, entretanto, o que se viu foram elencos comprometidos, treinados por profissionais muito competentes, que trabalham demais, comissões respeitáveis e que fizeram o que era possível em campo.  A comemoração da torcida do Ceará e os aplausos dos torcedores tricolores aos atletas do Fortaleza mostram bem o que foram as duas finais. Jogos dramáticos, disputados até a última gota de suor.

O Ceará é o campeão de 2014. O Fortaleza é vice, mas o orgulho dos torcedores é dividido.

Análise Ceará 0×0 Fortaleza: tetra alvinegro com muito drama em grande jogo

O Castelão viu nesta quarta-feira uma grande final de estadual. Depois do bom 0×0 da semana passada, o resultado se repetiu, mas o futebol foi muito grande. Assim, com a vantagem de jogar por dois resultados iguais, o Ceará ficou com o tetra campeonato. Foi justo, até porque a arbitragem de Anderson Daronco foi perfeita.

Foi um ótimo primeiro tempo para quem gosta de futebol ofensivo, raro para um final de campeonato. Quando tinham a bola, os sistemas de ataque de Fortaleza e Ceará sempre levaram vantagem sobre as defesas. Curioso é que as oito chances reais de gol ocorreram alternadamente. Um time não dominou o outro em momento algum, situação que fez a partida ser disputada em ritmo frenético, de muita entrega e imprevisibilidade.

O Fortaleza ficou cinco vezes para marcar, chances de Eduardo Luiz, Robert, Marcelinho Paraiba (acertou a trave depois de driblar de uma vez só Anderson e João Marcos), Walfrido e Danilo Rios. O Ceará, três, com Felipe Amorim, Sandro (carimbou a trave depois de cruzamento de Ricardinho) e num cruzamento de Magno Alves que Max salvou com precisão na pequena área. Nas chances do tricolor, destaque para o goleiro Luis Carlos, do alvinegro, que apareceu três vezes com grandes defesas.

Leia mais: orgulho para as duas torcidas

No segundo tempo, o que se viu foi um drama para as duas torcidas. Até os 20 minutos o Ceará criou duas chances. A primeira com Samuel e a segunda com Bill, que tinha tudo para fazer 1×0 mas desperdiçou, sem marcação. Neste período o Fortaleza nada criou porque o sistema defensivo do alvinegro voltou bem melhor do que na primeira etapa e também porque a movimentação ofensiva do tricolor diminuiu demais. Precisando ganhar, Marcelo Chamusca fez entrar Romarinho e sacou Walfrido. Sérgio Soares já havia tirado Felipe Amorim para a entrada de Leandro Brasília.

Aos 33 minutos, já com o Fortaleza com um a menos porque Max foi expulso depois de fazer falta em Magno Alves, Edinho arrancou até a área e por pouco não abriu o placar. Segundos depois o Ceará já tinha Michel no lugar de Souza, mas foi o Fortaleza que por pouco não marcou, quando Corrêa cruzou, a zaga do Ceará falhou coletivamente e a bola passou raspando a trave de Luis Carlos.

Aos 39 Samuel Xavier foi expulso. O jeito que encontrou Sérgio Soares para arrumar a defesa foi tirar Ricardinho e colocar o lateral Marcos. O Fortaleza seguia pressionando, mas sem finalizar com perigo, enquanto o Ceará tinha todo o contra-ataque, mas não conseguia se organizar para tanto. Aos 41, Eduardo Luiz teve grande chance. Romarinho cruzou, Vicente falhou e o zagueiro colocou a testa na bola para vê-la balançar as redes pelo lado de fora.

 

Fortaleza 0 x 0 Ceará: as avaliações individuais e notas no primeiro jogo da final estadual

As notas se referem apenas ao que vi de desempenho profissional nos atletas e no árbitro especificamente na partida Fortaleza 0×0 Ceará, nesta quarta.  Não se trata de um julgamento definitivo, muito menos pessoal.

Fortaleza:

Ricardo – se recuperou das falhas anteriores; boas defesas, a principal numa finalização de Bill no segundo tempo: 7,5
Cametá – duas falhas graves defensivas no primeiro tempo, cartão amarelo que o tira da segunda partida e um pënalti cometido: 3
Eduardo Luiz – duas furadas que por pouco não comprometeram o time no primeiro tempo. Na segunda etapa, foi mais seguro: 5
Max – bem superior ao companheiro de zaga, mas perdeu no mano a mano em pelo menos duas oportunidades reais do Ceará: 6,5
Radar – apoiou pouco, mas defensivamente foi bem demais: 7
Guto – jogou como primeiro volante e não comprometeu: 6,5. Leandro entrou e não deu tempo de fazer nada
Walfrido – discreto, mas útil para destruir: 6. Entrou Paulinho, que pouco fez: 4
Corrêa – jogou mais adiantado, mas foi bem melhor na marcação: 6,5
Edinho – criou as melhores jogadas ofensivas do time, como meio-campista ou como atacante: 8
Waldison – jogou pouco, saiu machucado. Sem nota. Entrou Danilo Rios, que se movimentou pouco e arriscou menos ainda: 4
Robert: isolado, pouco apareceu: 4

 Ceará:

Luis Carlos – boas defesas, muito seguro: 7
Samuel – quase não apoiou, mas esteve seguro na marcação: 6
Sandro – jogou por ele, bem como quase sempre, e também ajudando a apagar os erros de Anderson: 8
Anderson – desatento, não esteve numa boa noite na antecipação e na saída de jogo: 4
Vicente – ajudou muito pouco no ataque, se preservou na defesa: 5
João Marcos – eficiente, líder e bem demais na marcação: 8,5
Leandro Brasília – bem na marcação, quando saiu ao ataque errou muito nas finalizações: 6
Souza – ficou com as obrigações de Ricardinho. Não bobeou na marcação em momento algum, mas criou menos do que pode: 6
Assisinho – pouca objetividade, produziu pouco: 4. Entrou Felipe Amorim, que deu mais qualidade ao meio-campo da equipe: 5
Magno Alves – uma bola na trave, uma boa assistência, um pênalti perdido, que comprometeu a sua atuação: 4
Bill – se movimentou dentro de suas limitações, sofreu o pênalti e incomodou: 6

Avelar Rodrigo – o árbitro foi bem tecnicamente, acertou nas faltas, na marcação do pênalti e nos lances mais complicados, mas falhou no ponto de vista disciplinar no final do primeiro tempo. Vicente já tinha cartão amarelo (recebido justamente) e fez outra falta para receber a mesma punição ao impedir um contra-ataque do Fortaleza no final do primeiro tempo, mas não foi expulso. Na sequência, Max entrou muito forte, com a sola da chuteira num adversário, e deveria ter levado cartão. Ficou sem punição também.

Análise Fortaleza 0×0 Ceará, primeira partida da final

Nem sempre uma partida sem gols é ruim. Foi o que ocorreu nesta quarta-feira, quando a rede não balançou no Castelão vazio para um jogo tão importante (18035 pagantes, reflexo de tanta coisa errada e de tanto medo da violência), mas o estádio recebeu uma boa partida entre os principais rivais do futebol cearense, que, em primeira partida, começaram a decidir o campeonato. Os duelos táticos foram bons, os sistemas de marcação foram superiores aos ataques. Há muito mérito no saber se defender.

Os primeiros dez minutos foram muito intensos. Era evidente que as duas equipes queriam abrir o placar rapidamente e se lançaram ao ataque. Três chances boas foram criadas. A primeira, e mais aguda, do Ceará, com a bola na trave de Magno Alves. As duas seguintes foram do Fortaleza, com Waldison e Edinho.

Leia mais: as notas e avaliações dos jogadores e da arbitragem

No Fortaleza, com a ausência de Marcelinho Paraíba, Correa era o homem mais avançado entre os volantes, com Guto e Walfrido guardando mais a marcação. Robert ficava como referência, Waldison se movimentava (até sair machucado para entrar Danilo Rios) e Edinho tinha a funçào de aproximação surpresa ao ataque.

No Ceará, Souza ficou com as obrigações de Ricardinho, fora do jogo por contusão. João Marcos e Brasília protegiam os zagueiros. Assisinho tinha como meta se movimentar e servir Magno Alves e Bill, esse último centralizado.

O espelho tático dos times prejudicou demais os laterais. Os quatro em campo ajudaram muito pouco o ataque. Como a criatividade no meio-campo desapareceu a partir dos 20 minutos, as chances reais ficaram raras. A principal foi com Edinho, o melhor do Fortaleza já atuando como segundo atacante, que não é sua melhor característica. O outro destaque do tricolor foi Radar, que arrumou os graves erros cometidos por Cametá e Eduardo Luiz. Pelo lado do Ceará, Magno Alves e Sandro foram os melhores.

A segunda etapa começou na mesma toada. Muita entrega dos jogadores, pouca inspiração, mas muita marcação e empenho tático para destruir. O Ceará, entretanto, passou a ter mais posse de bola e permanência no seu campo ofensivo. O alvinegro optou também por arriscar chutes de fora da área e com isso controlava taticamente a partida.

Percebendo que seu time estava desconfortável, Marcelo Chamusca tirou Walfrido e colocou Paulinho aos 27 minutos. Assim, Edinho voltou ao meio-campo e o esquema passou a ficar mais ofensivo. Sérgio Soares, que já tinha colocado Felipe Amorim na vaga de um inoperante Assisinho e ganhado qualidade, tirou Leandro Brasília, cansado, para colocar Amaral com a missão de controlar o ímpeto tricolor.

O jogo ficou mais aberto. O goleiro Ricardo salvou o Fortaleza numa finalização de Bill. Na sequência, Cametá fez pênalti em Bill e Magno Alves chutou por cima do gol, desperdiçando a chance de dar uma grande vantagem na decisão para o alvinegro. O Fortaleza quase marcou com Robert, mas João Marcos salvou.

Tudo fica para quarta-feira que vem. O empate faz o Ceará ser tetra. Ao Fortaleza resta só a vitória para o título.

Marcelo Chamusca x Sérgio Soares: que o perdedor seja preservado

O futebol cearense vive um bom momento em relação aos técnicos das principais equipes. Sérgio Soares, no Ceará e Marcelo Chamusca, no Fortaleza, conhecem muito do que fazem e guardam características semelhantes quando o assunto é estudar o adversário, trabalhar muito e pensar no jogo, antes e depois.

Chamusca chegou ao Fortaleza em dezembro do ano passado quando o clube tinha apenas 12 jogadores, oito da base e quatro que ficaram da temporada 2013. Como era desconhecido, foi julgado e criticado antes de apresentar seu trabalho, até com desrespeito. O técnico ajudou diretamente na construção do elenco, aproveitou muitos jogadores da base, hoje fundamentais, e conduziu o time com uma campanha de 25 partidas de invencibilidade antes de perder para o Ceará e para o Icasa. Foram 73 gols marcados em 28 partidas. Mais do que isso, levou o time até a final do cearense, conquistou a vaga na Copa do Brasil e na Copa do Nordeste, três situações que a equipe fracassou no ano passado.

Sérgio Soares tem mais tempo no Ceará. Chegou com a equipe muito perto da zona de rebaixamento para a Série C, em agosto do ano passado. Chegou também ladeado de desconfianças, mas mudou a forma da equipe jogar rapidamente e sem contratações relevantes, brigou até a rodada final por vaga na Série A. Pelo trabalho mostrado, responsabilidade, permaneceu. Neste ano, participou diretamente de uma parcial remontagem do elenco, que perdeu algumas peças importantes, e conduziu a equipe até a final da Copa do Nordeste diante do Sport com o melhor ataque da competição. Agora, está na final do Campeonato Cearense em busca do tetra.

Não são algumas linhas para cada um dos técnicos que definem seus trabalhos, mas não me cabe escrever uma tese aqui. Entretanto, pelo que demonstraram seria ótimo que ficassem nos clubes por mais tempo. O problema é que só um deles vai vencer o campeonato, que começa a ser decidido nesta quarta-feira. O derrotado, entretanto, precisa ser preservado pelos dirigentes.

Muitos torcedores, incluindo os dirigentes torcedores, vão criticar. No caso de Chamusca, o discurso será de que nadou e morreu na praia. Que a invencibilidade não adiantou nada, que perdeu a vantagem dos resultados iguais na final. Que é inexperiente ou qualquer outra justificativa que sirva para justificar a derrota.

No caso de Sérgio Soares, vão dizer que ele não ganha nada. Que foram três competições sem sucesso e ele não teve poder de ser um técnico de chegada. Que o time tinha obrigação de vencer por ter uma folha salarial maior. Que é inadmissível ter perdido um tetra histórico ou também qualquer outra inventiva razão.

O fato é que ambos têm mais qualidades do que defeitos e o sucesso no Campeonato Brasileiro passa muito pela permanência de ambos. Podem sair por decisão deles, claro. Chamusca, por exemplo, recusou semanas atrás proposta que dobrava seu salário para trabalhar no Remo e há sondagens constantes. Sérgio Soares também recebe contatos frequentes, mas se quiserem trabalhos contínuos, daqueles que certamente têm mais chances de dar frutos, os dirigentes (que não podem ser reféns de torcedores imediatistas, muito menos agir assim) precisam lutar pela permanência dos dois, que elevaram o nível do futebol cearense em campo.

Clássico-Rei vai decidir o estadual cearense: Ceará joga por dois resultados iguais

Para chegar até a final do estadual, o Fortaleza precisou de 28 jogos. Fora da disputa da Copa do Nordeste, fez toda a primeira fase da competição, com 13 vitórias, três empates, 48 gols marcados e 14 sofridos. No hexagonal da segunda fase foram cinco vitórias, quatro empates, uma derrota, vinte e um gols marcados, 12 sofridos. Nas semifinais, uma derrota e uma vitória por 3×1 diante do Icasa. Com a vantagem de ter feito melhor campanha, ficou com a vaga na final.

Na soma dos pontos do hexagonal com as semifinais, o tricolor ficou com 24. O Ceará, que passou a disputar a competição nesta fase, ficou com 25, fruto dos 19 conquistados no hexagonal, além dos seis nas semifinais, com duas vitórias sobre o Guarany de Sobral (3×2 e 5×2). O alvinegro, portanto, fez 12 partidas para chegar até a decisão.

Com a melhor campanha, portanto, o Ceará será campeão se empatar os dois jogos ou vencer um e perder o outro pela mesma diferença de gols. O Fortaleza será campeão se ganhar uma partida e empatar outra ou se vencer uma e perder a outra, mas desde que faça uma diferença de gols maior.

A final do estadual é previsível, mas considero relevante salientar que Icasa e Guarany de Sobral foram times muito bravos e valorizaram muito as campanhas de Fortaleza e Ceará. O primeiro jogo ocorre já na quarta-feira que vem, no Castelão, com horário de início marcado para às 22 horas. O jogo de volta, uma semana depois, no mesmo local e horário.

Fortaleza repete Ceará, ignora “fair play” e assim como o alvinegro, acertou

Nada como um tinha após o outro no futebol, nem que demore dois anos.

O Ceará jogava contra o Criciúma no PV, partida válida pela Série B do Campeonato Brasileiro de 2012, mas precisamente dia seis de julho. O goleiro Douglas, da equipe de Santa Catarina, chutou a bola para a lateral depois de ver um companheiro caído no gramado, o lateral direito Robert, ex-Horizonte. O árbitro não permitiu a entrada da maca, mandou o jogo seguir e os jogadores do Tigre ficaram esperando o Ceará devolver a bola. O alvinegro não agiu assim e Apodi cobrou o lateral. Depois de algumas trocas de passes e com tempo para a defesa adversária se posicionar, Rogerinho arriscou de fora da área e contou com falha de Douglas para empatar. Claro, uma grande confusão ocorreu.

Naquela oportunidade defendi a atitude dos jogadores do Ceará. E foi esculhambado por muitos (não todos, evidente) torcedores do Fortaleza que não entendiam ou não queriam entender que não havia lógica na revolta do Criciúma porque seus jogadores fizeram cera a partida toda. E não foi pouca. É completamente paradoxal uma equipe pedir o respeito do “fair play” quando usou a tática de retardar o jogo propositalmente, querendo levar vantagem, esquecendo a esportividade.

O cenário agora é novamente o PV, mas a semifinal do Campeonato Cearense, neste sábado. Vencendo o Icasa por 2×1, o Fortaleza precisava do terceiro gol. O goleiro Mauro vê o volante Foguinho caído e joga a bola para a lateral. O Fortaleza não devolve, Edinho chuta de fora da área e no rebote Robert faz o 3×1. Com um a menos pela justa expulsão do zagueiro Samuel, o Icasa tomou o gol com oito atletas na linha. E o Fortaleza agiu corretamente, assim como o Ceará em 2012 (por onde estariam os torcedores do Fortaleza que criticaram o Ceará naquela oportunidade? Estarão revoltados com os atletas do seu time também?) A brava equipe de Juazeiro, que valorizou muito a classificação, fez uma tremenda cera a partida toda. Qual a razão, então, do técnico Tarcicio Pugliese cobrar “fair play”, que nada mais é do que respeito e esportividade, se os seus jogadores não agiram assim? Foguinho teve uma atitude juvenil. Com sua equipe já inferiorizada, sendo pressionada, jamais poderia ter feito o que fez. E o gol saiu justamente na sua ausência.

O “fair play” não está na regra, mas é algo bacana. O ideal, portanto, seria que o Criciúma e Icasa não tivessem feito cera e que o Ceará e o Fortaleza tivessem devolvido a bola. Não foi o caso, nem de um, nem do outro, simplesmente porque só pode cobrar respeito quem assim age. É da vida, é do esporte.

Análise Fortaleza 3×1 Icasa: tricolor na final e vaga na Copa do Nordeste garantida

Diante de 19 mil torcedores que lotaram o PV, a intensidade ofensiva e o comprometimento dos atletas do Fortaleza neste sábado, no PV,  foram responsáveis pela classificação da equipe para a final do Campeonato Cearense. A vaga veio com emoção em função de dois fatores: a quantidade absurda de gols perdidos pela equipe e uma falha grave do goleiro Ricardo que proporcionou o gol do Icasa quando o tricolor já vencia por 2×0.

No mais, só deu Fortaleza na partida. Escalado de forma muito ofensiva (Edinho, Marcelinho Paraiba, Waldison e Robert) e com postura de quem precisava defender uma campanha firme até então, a equipe apagou a péssima imagem deixada na partida de ida, quando foi derrotada pelo Icasa por 3×1. Devolvendo o placar no PV, com dois gols de Robert e um de Marcelinho, o time fez valer a sua melhor campanha.

É preciso salientar que a preparação psicológica da comissão técnica funcionou. O time entrou tenso, o que era absolutamente normal,  perdeu muitos gols, mas conseguiu amplo domínio do adversário. O espírito da decisão se fez presente. Com mais de 20 finalizações e pressionando o sistema defensivo do Icasa, a classificação ocorreu.

Nenhum jogador de linha do Fortaleza foi mal. Todos estiveram muito bem taticamente. A diferença foi na parte técnica, quando Edinho, Marcelinho Paraíba e  Robert se destacaram demais. O primeiro, com velocidade, se aproximando do ataque, arriscando de fora da área e chegando na linha de fundo. O segundo distribuindo bem a bola, liderando o meio-campo e Robert, com dois gols decisivos.

Com a presença na final, o Fortaleza garante vaga na Copa do Nordeste em 2015. Um campeonato importante, com cota fixa e que deixa o clube mais forte. Também no ano que vem a equipe vai disputar a Copa do Brasil. São dois torneios que o time não conseguiu participar neste ano, o que deixa claro que o trabalho atual é bem superior ao do ano passado. Mérito do técnico Marcelo Chamusca.

 

 

Ceará: melhor média de público e maior arrecadação da Copa do Nordeste

O alvinegro fez seis partidas como mandante  na competição que terminou no meio da semana com o empate diante do Sport no Castelão. O título ficou com a equipe do Recife.

A média de público do Ceará foi de 20283 pagantes, mais de 120 mil torcedores no geral (os adversários foram CRB, Treze, Potiguar, Vitória, América-RN e o Sport), a maior entre os 16 clubes (o Sport foi o segundo, com média superior a 15 mil pagantes).

A renda bruta totalizou pouco mais de dois milhões e quatrocentos mil reais, também a maior entre os participantes, com média de 400 mil reais por partida.

Com a cota de TV recebida pelo vice-campeonato (965 mil reais), o alvinegro soma de faturamento (receita) algo em torno de três milhões e quatrocentos mil reais com a competição.

Só para comparar, a cota que o clube recebeu da TV pela Série B toda em 2013 foi menos do que isso ( dois milhões e setecentos mil reais) e em 2012 foi  metade do valor da receita com a Copa do Nordeste. É mais um argumento favorável à competição, que engole a média de qualquer estadual disputado no país, com mais de oito mil torcedores por partida.

CBF: perto de oficializar 20 times na Copa do Nordeste em 2015

Diretor de competições da Confederação Brasileira de Futebol, Virgílio Elísio esteve no Castelão, nesta quarta-feira, para acompanhar a final da Copa do Nordeste, torneio com chancela da entidade. Nos corredores do estádio, o baiano confirmava que, para a edição de 2015, estão muito adiantadas as conversas para a inclusão de mais quatro clubes: dois do Maranhão e dois do Piauí.

Análise: Ceará 1×1 Sport: alvinegro não soube reverter a vantagem e título, merecido, fica no Recife

Leia mais: Público da final da Copa do Nordeste é o maior do país em 2014

A medida, se confirmada, corrige um erro grave de não inclusão dos estados citados na competição, numa geografia própria e completamente tosca, baseada num preconceito odioso entre clubes da própria região.

Com 20 times a Copa do Nordeste ganha mais datas, mas é possível adequar sem grandes problemas com a colocação de uma equipe em cada um dos já tradicionais quatro grupos, mantendo a classificação dos dois primeiros para as quartas de final. Há, entretanto, quem defenda a participação total de 24 clubes, um evidente e desnecessário exagero, inchando e colocando em risco o aspecto técnico da disputa.

Da minha parte, acho urgente a inclusão do Maranhão e do Piauí, mas manteria o formato com 16 clubes. Para isso, seria preciso tirar vagas hoje existentes, que são distribuídas assim: três para Pernambuco e Bahia, duas para o Ceará, Alagoas, Rio Grande do Norte, Paraíba e Sergipe.  Abrindo uma vaga para o Maranhão e outra para o Piauí e retirando uma vaga de Pernambuco e outra da Bahia já resolveria, por exemplo, e continuaria com 16 times.

A decisão de formato, número de times, vaga para o campeão no ano seguinte (hoje não há, um grande absurdo porque não permite ao campeão o direito de defender seu título) e afins deve ocorrer após a Copa do Mundo. Como o regulamento já foi repetido por dois anos seguidos, como manda o Estatuto do Torcedor, é possível mudar tudo para a próxima disputa. Detentor dos direitos de transmissão da Copa do Nordeste e partícipe em todas as decisões, o canal Esporte Interativo terá voto importante também.

Página 1 de 7212345...102030...Última »

Fernando Graziani

Fernando Graziani

Aos 17 anos entrei na Faculdade de Direito da Universidade Mackenzie, em São Paulo. Advoguei até os 28, quando resolvi exercer a profissão que era sonho de criança, o jornalismo. Mudei também de cidade e de estado civil. Moro em Fortaleza desde 2001. Desde abril de 2012 faço a coordenação de esporte do Sistema Jangadeiro de Comunicação e participo ou apresento os programas Jangadeiro Esporte Clube e Jangadeiro Esporte Clube Debate, na TV Jangadeiro. Também sou âncora do jornal Tribuna BandNews FM Edição da Noite, sempre às 18h. Antes, durante 10 anos, trabalhei no Grupo de Comunicação O Povo.

Tweets

Error: Twitter did not respond. Please wait a few minutes and refresh this page.

Calendário de postagens

abril 2014
S T Q Q S S D
« mar    
 123456
78910111213
14151617181920
21222324252627
282930