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Divagando

por Iury Costa

Medo

Relação de amor e ódio com o avião

Por Iury Costa em Cotidiano

02 de setembro de 2017

É sempre bom aproveitar alguns dias livres para viajar. No meu caso, foram merecidas férias. Época em que os planos saem do papel, e você começa a se preparar. Organiza cronograma de locais para visitar, arruma a bagagem, e, o principal, se prepara psicologicamente para entrar em um avião, e ficar dentro de uma cabine de metal totalmente fechada, e por algumas horas a quilômetros do chão! Não adianta. Eu posso viajar milhares de vezes de avião, e não me entra na cabeça a ideia de uma carcaça enorme de metal planando no céu.

Como eu só começo a ficar nervoso depois de comprar a passagem, deixo isso bem para depois. Realmente tenho o costume de comprar a passagem praticamente no dia de ir. E um dos motivos é para não ficar pensando no avião. Quem me conhece sabe que não estou mentindo, e uma vez cheguei ao aeroporto, cheio de malas, mas sem ter comprado o bilhete. Consegui uma das últimas poltronas de um voo que partia duas  horas depois. Sorte e loucura.

Pois bem, reservo o hotel, e faço todo o cronograma de lugares que vou conhecer. Sim, sou bem metódico quanto a isso. Quero conhecer o que der, e entrar no quarto só na calada da noite, após um dia de muita caminhada e muita foto (que guardo só para mim). E depois de tudo isso, compro a passagem. E começo as sofrer. Mas hoje em dia é melhor sofrer mesmo, já que os preços das viagens, se compradas em cima da hora, são mais assustadores que o próprio avião.

Depois de finalizada a compra,  já começam os calafrios e as crises de ansiedade. Com certeza uma das melhores invenções do ser humano foi o avião. E veio logo de um brasileiro (sim, foi o Santos Dumont, e nada que os americanos falem vão me convencer do contrário). A distância entre as cidades fica menor, e, em pouco tempo (bem menos que o ônibus, com certeza) a gente chega no destino. Eu, pelo menos, gosto muito de viajar, mas os percursos me deixam muito tenso. E o pior: parece que o mundo conspira contra, e sempre brotam na tela do computador aquelas notícias de panes e/ou desastres. Misericórdia! Mas eu encontrei a saída!

A solução, na verdade, é a mais fácil possível: dormir. Todas as horas possíveis, evitando até o lanchinho. E para não precisar tomar dois ansiolíticos com suco de acerola antes do embarque, e correr o risco de ficar bêbado até depois do pouso, passo o dia em claro. Chego morto (Deus me livre!), na verdade, super cansado ao avião, e só desperto no destino. Maravilha! Perco o medo, perco turbulência, perco gente conversando, perco bebê gritando… Durmo feliz. Talvez eu durma até melhor lá em cima, mais perto do paraíso. Mas que fique claro, não quero ir tão cedo para lá!

Foto: reprodução internet

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Temos medo do outro

Por Iury Costa em Cotidiano

29 de Abril de 2017

A palavra demofobia é formada de outras duas palavras gregas: demos, que significa povo, e fobos, que significa medo. Em um significado livre, demofobia é o medo que as pessoas têm de multidões. Acho que tenho uma demofobia média. Mas vamos combinar: quem não tem às vezes? Espera que eu tentarei explicar.

Você acorda cedo para ir trabalhar. E para (1) economizar dinheiro ou (2) tentar contribuir para um mundo mais sustentável, deixa o carro em casa. Aí pensa assim: são só algumas paradas. Eu consigo. Entra. O ônibus até que não está muito cheio. Algumas cadeiras ainda vagas, e, você escolhe uma mais atrás para que sobrem mais vagas para os idosos. Daí, após uma cochilada, parece que é outro coletivo. Umas cem pessoas estão dentro, todas apertadas. Tão apertadas, que até você, no banco, está amassado. Sem falar do calor insuportável.

Já chega morto no trabalho. Morto, e podre, com o blend de perfumes e suores no seu corpo. Mas resiste às oito horas regimentais, e sai correndo para pegar o banco ainda aberto e pagar as contas. Tem que ir em mais um ônibus lotado. Chega, e se depara com a fila já do lado de fora. É dia primeiro. Pelo lado positivo: no lado de fora, pelo menos, tem oxigênio, já que dentro tem tanta gente, que você se sente em uma sauna no topo do Monte Aconcágua. Mas consegue passar por mais uma prova de fogo.

Dia primeiro também é o dia para fazer as compras.  Ao sair do banco, mais um ônibus para ir para casa. Perto de casa, o supermercado onde todo o bairro resolveu comprar. Corredores cheios, poucos produtos nas prateleiras (já levaram quase tudo) e filas que já chegam no açougue. Mas é perto de casa, já é tarde, e você não tem nem coragem e nem mais tempo para ir a outro lugar. Compra tudo. Passa mais tempo na fila do que escolhendo os produtos.

Tá tudo bem. Chega em casa, e vem aquela felicidade lá das entranhas. A inexplicável sensação de prazer de estar só em casa, com todo aquele espaço e oxigênio só para você. Se você não se sente mal com tanta gente lhe apertando, lotação em ônibus, na rua, no supermercado… Parabéns! Você está curado. Ou mais louco que a gente!

Fonte: reprodução internet

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Temos medo do outro

Por Iury Costa em Cotidiano

29 de Abril de 2017

A palavra demofobia é formada de outras duas palavras gregas: demos, que significa povo, e fobos, que significa medo. Em um significado livre, demofobia é o medo que as pessoas têm de multidões. Acho que tenho uma demofobia média. Mas vamos combinar: quem não tem às vezes? Espera que eu tentarei explicar.

Você acorda cedo para ir trabalhar. E para (1) economizar dinheiro ou (2) tentar contribuir para um mundo mais sustentável, deixa o carro em casa. Aí pensa assim: são só algumas paradas. Eu consigo. Entra. O ônibus até que não está muito cheio. Algumas cadeiras ainda vagas, e, você escolhe uma mais atrás para que sobrem mais vagas para os idosos. Daí, após uma cochilada, parece que é outro coletivo. Umas cem pessoas estão dentro, todas apertadas. Tão apertadas, que até você, no banco, está amassado. Sem falar do calor insuportável.

Já chega morto no trabalho. Morto, e podre, com o blend de perfumes e suores no seu corpo. Mas resiste às oito horas regimentais, e sai correndo para pegar o banco ainda aberto e pagar as contas. Tem que ir em mais um ônibus lotado. Chega, e se depara com a fila já do lado de fora. É dia primeiro. Pelo lado positivo: no lado de fora, pelo menos, tem oxigênio, já que dentro tem tanta gente, que você se sente em uma sauna no topo do Monte Aconcágua. Mas consegue passar por mais uma prova de fogo.

Dia primeiro também é o dia para fazer as compras.  Ao sair do banco, mais um ônibus para ir para casa. Perto de casa, o supermercado onde todo o bairro resolveu comprar. Corredores cheios, poucos produtos nas prateleiras (já levaram quase tudo) e filas que já chegam no açougue. Mas é perto de casa, já é tarde, e você não tem nem coragem e nem mais tempo para ir a outro lugar. Compra tudo. Passa mais tempo na fila do que escolhendo os produtos.

Tá tudo bem. Chega em casa, e vem aquela felicidade lá das entranhas. A inexplicável sensação de prazer de estar só em casa, com todo aquele espaço e oxigênio só para você. Se você não se sente mal com tanta gente lhe apertando, lotação em ônibus, na rua, no supermercado… Parabéns! Você está curado. Ou mais louco que a gente!

Fonte: reprodução internet