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Divagando

por Iury Costa

felicidade

Você, ser imundo

Por Iury Costa em Cotidiano

30 de setembro de 2017

Você, ser imundo que debocha dos outros que não assistem filme legendado. Que tira a casca do bolo. Que entra nas lojas, prova milhares de roupas, e não compra nada. Que entra no supermercado apenas para ficar no ar condicionado. Que ri de quem topa na rua. Que usa tênis com calça social. Que bate-boca com os personagens da novela. Que reclama das reportagens do Jornal Nacional. Que detesta o politicamente correto. Que tem horror ao termo “gourmet”. Que não gosta de quem amanhece morto de feliz e dá bom dia até para a unha. Que tem verdadeira ojeriza em acordar cedo. E tem mais ódio ainda de quem acorda feliz e sorridente. Que reclama quando o ônibus está cheio, e que reclama quando está vazio. Não gosta, na verdade, de andar de ônibus. Também não gosta de dirigir, pois se cansa. Que quer ser rico para contratar um motorista. Que vai tanto ao médico, mesmo por nada, que já virou amigo do pessoal da clínica. Que engorda só de sentir o cheiro. Que marca, em vão, várias coisas para o dia de folga, mas que sempre vai ficar em casa na companhia dos doces. Que olha torto para o amiguinho caridoso e voluntário de tudo. Que pega o elevador para subir um andar. Que promete presentes para o priminhos e sabe, lá no fundo, que não vai mover uma palha para comprar. Que aluga 30 livros da biblioteca e só lê um. Aliás, que compra 30 livros só para amontoar o quarto. Que desdenha quem coloca maionese na pizza. Que marca um happy hour com os amigos e não aparece. Que, na verdade, nunca vai aparecer em balada.

Você, ser imundo que já se sente com 90 anos mesmo aos 20, bem-vindo ao clube!

Foto: Iury Costa

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Dia de agradecer

Por Iury Costa em Cotidiano

06 de Maio de 2017

Em uma noite dessas da vida, depois de um (raro) dia ao léu, fui até uma casa de sopas, procurar uma comidinha mais leve. Ao chegar no local, já entrando, e, praticamente, já na cozinha, me deparei com a proprietária, que me disse que, durante aquele dia, não estava vendendo sopas, mas distribuindo. Me disse que era uma forma de demonstrar a sua gratidão pelas pessoas que sempre compraram lá. Uma forma de retribuir que sempre está por lá. Fiquei meio constrangido por não pagar, até porque não um dos mais assíduos e compradores. Mas entendi que, ao aceitar a sopa, deixaria a mulher feliz.

Cheguei em casa, e tudo bem. Fui provar a sopa, que estava uma delícia, e passei a me lembrar das palavras da proprietária, e de como o coração dela estava feliz por distribuir aquelas sopas, mesmo perdendo um monte de dinheiro naquele dia. Como é bom se sentir assim, feliz e grato. Como o mundo seria bem diferente se as pessoas fossem mais gratas.

Hoje, as pessoas não têm mais tempo para sorrir, para apreciar uma bela vista, para se importar com os outros, e muito menos de se sentirem gratas. Estamos, na verdade, mais egoístas. Digo isso com segurança, pois, quem é grato na vida, ajuda mais, se deixa ser ajudado, se importa mais com os outros, se importa consigo, e dá atenção à vida, aos detalhes, ao mínimo que seja.

Uma pessoa grata é mais feliz, pois sabe que serve ao mundo da mesma maneira que o mundo a serve. Cuida da sua casa, cuida do corpo, da cidade. Além de viver se amargor no coração. Vive mais.

Que nós separemos um tempo para pensar nos outros, para pensarmos em nós mesmos, e admirar e agradecer pelo que a vida nos deu até agora. Não precisa doar dinheiro e virar santo, mas que a gente possa, sobretudo, aprender com as experiências. Até porque, aprendemos tanto com o que é bom, como com o que é mau. Tentemos.

Foto: reprodução internet

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Mais drama, por favor!

Por Iury Costa em Cotidiano

08 de Fevereiro de 2017

Outro dia um amigo meu fez aniversário. Daí, como toda pessoa sensata e com amor no coração, fui confraternizar com ele, parabenizá-lo e desejar felicidades e tudo de bom na vida. Nada demais desejar isso. Até porque, tudo de bom significa uma mensagem boa e tal. Pensava assim até começar a pensar assado.

Alguns dias depois, enquanto fazia a barba, a frase que eu havia dito (tudo de bom para você) começou a martelar na minha cabeça. Epifanias que dão um susto! Mas gente, não pode estar certo você desejar isso a uma pessoa. Passei a imaginar como seria tão ruim para o mundo se tudo de bom acontecesse. Isso mesmo: RUIM! Mas antes das tochas acenderem, eu explico o motivo.

O ser humano – pelo menos não nesse milênio – não está pronto para ter uma vida com tudo de bom. Somos mesquinhos, avarentos, egoístas. Enfim, o tudo de bom ia ser ruim para alguém. Imagino assim.

Imaginem como o homem seria insensível, mesquinho e arrogante se tudo de bom lhe acontecesse, sem nenhum erro. E como seria triste uma vida sem desafios, sem expectativas ou otimismos. No fim das contas, daria muita depressão. Crianças egoístas, falta de caridade, fim do amor ao próximo. Não acho que uma vida somente com conquistas seria o ideal pra nós. Erros de vez em quando também fazem bem ao coração.

Pois é minha gente, o “tudo de bom” nem sempre é tão bom pra gente. Os tropeços da vida são formas de aprendizado, e portanto, servem para desenvolvermos nossa essência e nosso caráter. Precisamos de uma pitada de chateação e drama de vez em quando, para que, lá na frente, o tudo de bom tenha um gosto ainda melhor.

Foto: reprodução internet

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Mais drama, por favor!

Por Iury Costa em Cotidiano

08 de Fevereiro de 2017

Outro dia um amigo meu fez aniversário. Daí, como toda pessoa sensata e com amor no coração, fui confraternizar com ele, parabenizá-lo e desejar felicidades e tudo de bom na vida. Nada demais desejar isso. Até porque, tudo de bom significa uma mensagem boa e tal. Pensava assim até começar a pensar assado.

Alguns dias depois, enquanto fazia a barba, a frase que eu havia dito (tudo de bom para você) começou a martelar na minha cabeça. Epifanias que dão um susto! Mas gente, não pode estar certo você desejar isso a uma pessoa. Passei a imaginar como seria tão ruim para o mundo se tudo de bom acontecesse. Isso mesmo: RUIM! Mas antes das tochas acenderem, eu explico o motivo.

O ser humano – pelo menos não nesse milênio – não está pronto para ter uma vida com tudo de bom. Somos mesquinhos, avarentos, egoístas. Enfim, o tudo de bom ia ser ruim para alguém. Imagino assim.

Imaginem como o homem seria insensível, mesquinho e arrogante se tudo de bom lhe acontecesse, sem nenhum erro. E como seria triste uma vida sem desafios, sem expectativas ou otimismos. No fim das contas, daria muita depressão. Crianças egoístas, falta de caridade, fim do amor ao próximo. Não acho que uma vida somente com conquistas seria o ideal pra nós. Erros de vez em quando também fazem bem ao coração.

Pois é minha gente, o “tudo de bom” nem sempre é tão bom pra gente. Os tropeços da vida são formas de aprendizado, e portanto, servem para desenvolvermos nossa essência e nosso caráter. Precisamos de uma pitada de chateação e drama de vez em quando, para que, lá na frente, o tudo de bom tenha um gosto ainda melhor.

Foto: reprodução internet