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Divagando

por Iury Costa

O ônibus e suas delicadezas

Por Iury Costa em Cotidiano

02 de novembro de 2016

Sonhei que estava em um ônibus. Bem, esse sonho poderia se transformar em pesadelo apenas pelo simples fato de eu estar em um ônibus na cidade de Fortaleza. Mas o sonho se desenvolveu e passou por várias paradas mentais.

No primeiro momento, sonhei que estava espremido em uma fila quilométrica para tentar passar por uma porta que parece minúscula diante de tanta gente. O nome desse local suntuoso é “terminal”. Quando o carro, já lotado, encosta e abre as portas, parece que um vendaval vem com ele e suga toda a matéria orgânica na plataforma. Não sinto meus pés se moverem, mas, mesmo assim, entro no ônibus. Nem adianta tentar chegar em um assento vago, pois eles já estão ocupados há quatro viagens.

Passado o suplício para entrar no coletivo, resta pedir aos céus que metade dos ocupantes desçam na próxima parada e que sobre oxigênio para que eu respire. Como vou seguir até o ponto final, posso experimentar, nem que seja por pouco tempo, ir sentado ao lado da janela. E se o meu dia de sorte estiver completo, vou sentar-me do lado da sombra! E não é que consigo um lugar? Bem em frente a mim uma senhora diz que vai descer e pede minhas coisas para guardar o lugar. Ela só desce uma parada depois da planejada, pois não conseguiu empurrar todos para chegar na porta a tempo.

Após sentado, passo a atinar para o que acontece naquele pequeno mundo chamado ônibus. Mas meu pensamento é rapidamente interrompido por causa de uma briga entre duas mulheres para conseguir outro assento que vagara. Aprendi nomes que nunca havia ouvido e, depois de um empurrão da rival, uma cai por cima de mim, que de imediato me embriaga com o perfume fortíssimo que usava às sete da manhã. Após cessada a briga, tudo volta à tranquilidade que é possível dentro de um espaço lotado. Chego até a cochilar.

Daí quando acordo percebo que realmente estava no ônibus, e que tudo que eu aparentemente havia sonhado tinha acontecido. Penso que é muito fácil aos governantes incentivarem o uso dos transportes públicos quando eles não usam. De dentro de um automóvel blindado, climatizado e sem nenhum aperto parece fácil incentivar o uso de ônibus. Vamos combinar assim: primeiro deixem os ônibus com o mínimo de qualidade e conforto para depois conversarmos, ok?

onibus-lotado

Foto: divulgação internet

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O ônibus e suas delicadezas

Por Iury Costa em Cotidiano

02 de novembro de 2016

Sonhei que estava em um ônibus. Bem, esse sonho poderia se transformar em pesadelo apenas pelo simples fato de eu estar em um ônibus na cidade de Fortaleza. Mas o sonho se desenvolveu e passou por várias paradas mentais.

No primeiro momento, sonhei que estava espremido em uma fila quilométrica para tentar passar por uma porta que parece minúscula diante de tanta gente. O nome desse local suntuoso é “terminal”. Quando o carro, já lotado, encosta e abre as portas, parece que um vendaval vem com ele e suga toda a matéria orgânica na plataforma. Não sinto meus pés se moverem, mas, mesmo assim, entro no ônibus. Nem adianta tentar chegar em um assento vago, pois eles já estão ocupados há quatro viagens.

Passado o suplício para entrar no coletivo, resta pedir aos céus que metade dos ocupantes desçam na próxima parada e que sobre oxigênio para que eu respire. Como vou seguir até o ponto final, posso experimentar, nem que seja por pouco tempo, ir sentado ao lado da janela. E se o meu dia de sorte estiver completo, vou sentar-me do lado da sombra! E não é que consigo um lugar? Bem em frente a mim uma senhora diz que vai descer e pede minhas coisas para guardar o lugar. Ela só desce uma parada depois da planejada, pois não conseguiu empurrar todos para chegar na porta a tempo.

Após sentado, passo a atinar para o que acontece naquele pequeno mundo chamado ônibus. Mas meu pensamento é rapidamente interrompido por causa de uma briga entre duas mulheres para conseguir outro assento que vagara. Aprendi nomes que nunca havia ouvido e, depois de um empurrão da rival, uma cai por cima de mim, que de imediato me embriaga com o perfume fortíssimo que usava às sete da manhã. Após cessada a briga, tudo volta à tranquilidade que é possível dentro de um espaço lotado. Chego até a cochilar.

Daí quando acordo percebo que realmente estava no ônibus, e que tudo que eu aparentemente havia sonhado tinha acontecido. Penso que é muito fácil aos governantes incentivarem o uso dos transportes públicos quando eles não usam. De dentro de um automóvel blindado, climatizado e sem nenhum aperto parece fácil incentivar o uso de ônibus. Vamos combinar assim: primeiro deixem os ônibus com o mínimo de qualidade e conforto para depois conversarmos, ok?

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Foto: divulgação internet