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Divagando

por Iury Costa

Maio 2017

Instinto homicida

Por Iury Costa em Cotidiano

20 de Maio de 2017

Tenho vontade de matar. Muita vontade mesmo! Mas calma, não grite, não chame a polícia e não se preocupe, pois não passa de uma vontade. Mas talvez seja apenas este detalhe – o de ter apenas vontade – que diferencia os loucos não-homicidas, dos loucos homicidas. Olha que é um detalhe bem pequeno, e todo dia tem gente passando de um lado para o outro. Eu me seguro para ficar do lado certo. Mas a vida em Fortaleza (creio que existem cidades piores, mas estou nessa) não dá uma boa garantia.

Não sou a pessoa mais certa do mundo. Perfeito mesmo, só Deus Nosso Senhor. Mas ao andar na rua, nos deparamos com cada loucura, com cada gente praticando os atos infracionais mais impensáveis, que pensamos mesmo em fazer uma loucura. Tento me acalmar.

Não sei se é apenas comigo (acho que não), mas fico a um passo do abismo quando vejo alguém fazer algo errado. Furar fila, pagar menos pelos produtos no supermercado, ser barbeiro no trânsito… Ah, o barbeiro (o do trânsito). Tremo as carnes quando alguém na minha frente dirige devagar, não sinaliza, estaciona em fila dupla para deixar o filho dentro da sala de aula de carro… A cada erro que vejo os outros cometerem, fico imaginando formas de matar ou morrer.

Ultimamente, tenho evitado o que me faz mal. O primeiro passo para uma vida plena foi deixar de dirigir. Ou, dirigir apenas o necessário, e o mínimo possível. Passei a usar mais o ônibus, aplicativos de carros, enfim, tudo na tentativa de deixar o meu em casa, para não cometer um crime. Tomei essa decisão depois que, ao ver um motorista fazendo todo tipo de barbeiragem na rua. Paramos no mesmo local. Mas ele, preferiu estacionar onde? Na vaga do idoso! Não consegui me controlar, e fui falar com ele. Pois ele quase me mata! Deixa pra lá. Não quero entrar em detalhes. Mas como o mundo todo está na vibe de incentivar o uso do transporte coletivo, estou me saindo bem.

Outra maravilha da humanidade: os aplicativos de banco. Nem lembro da última vez que fui em uma agência. Evito fila extensas, pegar senha, porta que trava, dois comprimidos de rivotril. Sempre desconfiei dos aplicativos, mas depois que perdi um dia todo no banco para, no fim do dia, não dar certo o que fui fazer, eles viraram meu melhores amigos. Agora, só vou em casos extremos.

E por fim, para não me estender demais, comecei a meditar. Como ainda tem muita coisa errada neste mundo-de-meu-Deus, impossível se contentar apenas com um ônibus ou com um aplicativo. Não dá para mudar o (velho) ser humano. Então é melhor se acostumar. Respirar mais é o segredo para uma vida sem ficha criminal! Respire, não mate. Respire, não mate. Respire, não mate.

Foto: reprodução internet

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Doce de criança

Por Iury Costa em Cotidiano

13 de Maio de 2017

Fico a imaginar como aquele antigo ditado é engraçado. Aquele do “tirar o doce de criança”. Mas vamos parar para pensar: e se, em vez de tirarmos o doce dela, por que não darmos o doce? Nem adianta você pensar que eu sou a mais santa alma da Terra, pois a minha intenção é puramente para benefício próprio. Sim, o egoísmo falou mais alto (deixei muita gente triste agora).

Outro dia, estava sentado aguardando atendimento em um banco. Na fileira de cadeiras à minha frente, um casal, e uma menininha (entre três e quatro anos). Essa criança tinha pulmões de aço, e, desde que havia entrado no banco, não parava de chorar. Mas era aquelas birras pesadas mesmo, que a gente percebe que não tem motivo. E realmente não tinha, pois os coitados dos pais da menina não conseguiam controlar a mini onça, que chorava, gritava, derrubava papel e se jogava no chão. Mas só tinha pena dos dois por alguns momentos. Em outros, ficava indignado com os babacões, que não sabiam controlar uma criança.

Gosto demais de crianças, mas tudo tem limite. Ouvir um grito do seu filho é horrível, mas por obrigação moral, você aguenta. Agora, ficar surdo com grito de criança que pai não consegue controlar, me poupe (pois é, acho que estou um pouco mais ranzinza que o normal. Devia ter esperado para produzir esse texto depois que me acalmasse). Acho que deveriam ter controlado a criança. (ao mesmo tempo, lembro que é uma criança de, mais ou menos três anos, e que é difícil mesmo. Mas esse pensamento passa rápido).

Lá pelas tantas, a salvação dos nossos pobres e oprimidos ouvidos. Uma senhora, sabiamente, tira um pirulito da bolsa, e oferece à criança, que para de chorar meio que por um milagre. No rosto de todos, uma feição que mistura surpresa e um extremo alívio. Uma pessoa desconhecida conseguiu acalmar a onça! Essa sim era uma santa alma. Ainda acredito que foi um anjo. Tive que parabenizá-la pelo feito.

Como há males que vêm para o bem, a partir da data do martírio, passei a comprar um mini estoque de doces, bombons e pirulitos. Agora ando prevenido! Se os pais não controlam os filhos, que a Santa Glicose nos proteja!

Foto: reprodução internet

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Dia de agradecer

Por Iury Costa em Cotidiano

06 de Maio de 2017

Em uma noite dessas da vida, depois de um (raro) dia ao léu, fui até uma casa de sopas, procurar uma comidinha mais leve. Ao chegar no local, já entrando, e, praticamente, já na cozinha, me deparei com a proprietária, que me disse que, durante aquele dia, não estava vendendo sopas, mas distribuindo. Me disse que era uma forma de demonstrar a sua gratidão pelas pessoas que sempre compraram lá. Uma forma de retribuir que sempre está por lá. Fiquei meio constrangido por não pagar, até porque não um dos mais assíduos e compradores. Mas entendi que, ao aceitar a sopa, deixaria a mulher feliz.

Cheguei em casa, e tudo bem. Fui provar a sopa, que estava uma delícia, e passei a me lembrar das palavras da proprietária, e de como o coração dela estava feliz por distribuir aquelas sopas, mesmo perdendo um monte de dinheiro naquele dia. Como é bom se sentir assim, feliz e grato. Como o mundo seria bem diferente se as pessoas fossem mais gratas.

Hoje, as pessoas não têm mais tempo para sorrir, para apreciar uma bela vista, para se importar com os outros, e muito menos de se sentirem gratas. Estamos, na verdade, mais egoístas. Digo isso com segurança, pois, quem é grato na vida, ajuda mais, se deixa ser ajudado, se importa mais com os outros, se importa consigo, e dá atenção à vida, aos detalhes, ao mínimo que seja.

Uma pessoa grata é mais feliz, pois sabe que serve ao mundo da mesma maneira que o mundo a serve. Cuida da sua casa, cuida do corpo, da cidade. Além de viver se amargor no coração. Vive mais.

Que nós separemos um tempo para pensar nos outros, para pensarmos em nós mesmos, e admirar e agradecer pelo que a vida nos deu até agora. Não precisa doar dinheiro e virar santo, mas que a gente possa, sobretudo, aprender com as experiências. Até porque, aprendemos tanto com o que é bom, como com o que é mau. Tentemos.

Foto: reprodução internet

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Dia de agradecer

Por Iury Costa em Cotidiano

06 de Maio de 2017

Em uma noite dessas da vida, depois de um (raro) dia ao léu, fui até uma casa de sopas, procurar uma comidinha mais leve. Ao chegar no local, já entrando, e, praticamente, já na cozinha, me deparei com a proprietária, que me disse que, durante aquele dia, não estava vendendo sopas, mas distribuindo. Me disse que era uma forma de demonstrar a sua gratidão pelas pessoas que sempre compraram lá. Uma forma de retribuir que sempre está por lá. Fiquei meio constrangido por não pagar, até porque não um dos mais assíduos e compradores. Mas entendi que, ao aceitar a sopa, deixaria a mulher feliz.

Cheguei em casa, e tudo bem. Fui provar a sopa, que estava uma delícia, e passei a me lembrar das palavras da proprietária, e de como o coração dela estava feliz por distribuir aquelas sopas, mesmo perdendo um monte de dinheiro naquele dia. Como é bom se sentir assim, feliz e grato. Como o mundo seria bem diferente se as pessoas fossem mais gratas.

Hoje, as pessoas não têm mais tempo para sorrir, para apreciar uma bela vista, para se importar com os outros, e muito menos de se sentirem gratas. Estamos, na verdade, mais egoístas. Digo isso com segurança, pois, quem é grato na vida, ajuda mais, se deixa ser ajudado, se importa mais com os outros, se importa consigo, e dá atenção à vida, aos detalhes, ao mínimo que seja.

Uma pessoa grata é mais feliz, pois sabe que serve ao mundo da mesma maneira que o mundo a serve. Cuida da sua casa, cuida do corpo, da cidade. Além de viver se amargor no coração. Vive mais.

Que nós separemos um tempo para pensar nos outros, para pensarmos em nós mesmos, e admirar e agradecer pelo que a vida nos deu até agora. Não precisa doar dinheiro e virar santo, mas que a gente possa, sobretudo, aprender com as experiências. Até porque, aprendemos tanto com o que é bom, como com o que é mau. Tentemos.

Foto: reprodução internet