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Divagando

por Iury Costa

Abril 2017

Temos medo do outro

Por Iury Costa em Cotidiano

29 de Abril de 2017

A palavra demofobia é formada de outras duas palavras gregas: demos, que significa povo, e fobos, que significa medo. Em um significado livre, demofobia é o medo que as pessoas têm de multidões. Acho que tenho uma demofobia média. Mas vamos combinar: quem não tem às vezes? Espera que eu tentarei explicar.

Você acorda cedo para ir trabalhar. E para (1) economizar dinheiro ou (2) tentar contribuir para um mundo mais sustentável, deixa o carro em casa. Aí pensa assim: são só algumas paradas. Eu consigo. Entra. O ônibus até que não está muito cheio. Algumas cadeiras ainda vagas, e, você escolhe uma mais atrás para que sobrem mais vagas para os idosos. Daí, após uma cochilada, parece que é outro coletivo. Umas cem pessoas estão dentro, todas apertadas. Tão apertadas, que até você, no banco, está amassado. Sem falar do calor insuportável.

Já chega morto no trabalho. Morto, e podre, com o blend de perfumes e suores no seu corpo. Mas resiste às oito horas regimentais, e sai correndo para pegar o banco ainda aberto e pagar as contas. Tem que ir em mais um ônibus lotado. Chega, e se depara com a fila já do lado de fora. É dia primeiro. Pelo lado positivo: no lado de fora, pelo menos, tem oxigênio, já que dentro tem tanta gente, que você se sente em uma sauna no topo do Monte Aconcágua. Mas consegue passar por mais uma prova de fogo.

Dia primeiro também é o dia para fazer as compras.  Ao sair do banco, mais um ônibus para ir para casa. Perto de casa, o supermercado onde todo o bairro resolveu comprar. Corredores cheios, poucos produtos nas prateleiras (já levaram quase tudo) e filas que já chegam no açougue. Mas é perto de casa, já é tarde, e você não tem nem coragem e nem mais tempo para ir a outro lugar. Compra tudo. Passa mais tempo na fila do que escolhendo os produtos.

Tá tudo bem. Chega em casa, e vem aquela felicidade lá das entranhas. A inexplicável sensação de prazer de estar só em casa, com todo aquele espaço e oxigênio só para você. Se você não se sente mal com tanta gente lhe apertando, lotação em ônibus, na rua, no supermercado… Parabéns! Você está curado. Ou mais louco que a gente!

Fonte: reprodução internet

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As vantagens – e grandes mentiras – de se morar na capital

Por Iury Costa em Cotidiano

22 de Abril de 2017

Não há nada melhor do que morar na capital. Em Fortaleza, por exemplo, quem mora na cidade, tem oportunidade de ter tudo a poucos passos de casa. São mercados, lojas, faculdades, milhares de shoppings. É claro que esse detalhe só conta se você morar em um bairro, pelo menos, médio. Posso até trocar a palavra “capital”, por “cidade grande”, pois existem hoje muitas cidades do interior – até mesmo longe da capital – que são verdadeiras metrópoles.

Eu, como um rapaz nascido e criado em cidade grande, não conseguia me distanciar da tal. Digo, me distanciar no sentido de “tirar férias da loucura”. Nem conseguiria, se quisesse. Além de nascido e criado em cidade grande, sou jornalista, e, na mensagem subliminar que essa profissão carrega, lê-se viciado em trabalho, viciado em tecnologia, viciado em café (o que não é tão importante assim) e viciado em acompanhar cada passo do mundo. Jornalista não consegue tirar nem um dia sabático, imagine se mudar para uma cidade calma.

Tem um filme que eu acho bem bacana, que dá para me definir. Tirando a parte do assassinato e da perseguição, o filme “Cadê os Morgan?” mostra um casal de nova-iorquinos tão ligados à cidade, que não gostava de ir nem na cidade vizinha. Daí, quando tiveram que ir para o interior do país, depois de entrarem para o programa de proteção à testemunha, apareceu o desespero. Tiveram que dormir ao som dos carros, buzinas e ambulâncias. Pois bem, sou eu. Não conseguia passar minhas férias no sítio interior, nem no hotel na beira da praia. Minha ligação com a metrópole é muito grande. Na verdade, era.

Com o passar do tempo, você percebe que o desenvolvimento das grandes cidades não acompanha as reais necessidades do seu morador. Só três coisas aumentam junto com a população: congestionamentos, poluição e violência. Então, pensamentos em sair da loucura. E saí. Amo Fortaleza, mas essa senhora de 291 anos não está sendo bem cuidada.

Mas não saí muito. Uni o útil ao agradável, e escolhi um apartamento em uma cidade vizinha. Olha, estou me adaptando à calmaria. É claro que não é nenhuma zona rural, ou um sítio, para ser tão calmo assim. Mas para quem morava defronte a uma avenida movimentada, é outro mundo mesmo. Continuo a passar a maior parte do meu dia em Fortaleza, por causa do trabalho e estudo. Mas quando chego em casa, sinto a diferença. O ar é mais “respirável”, não escuto carros, e estou a alguns metros da praia, onde, quando posso, recarrego as energias. Sem falar que o tempo gasto de uma cidade a outra é bem menor que o que costumava gastar dentro de Fortaleza.

É claro que nem todo mundo pode, simplesmente, deixar sua casa e se mudar. Mas pode mudar na mesma casa. O “sair para desopilar” nunca esteve tão em alta. Saia, descanse, e comece a se acostumar com um mundo mais calmo. Não se preocupe, que é fácil se acostumar com o que é bom.

Foto: reprodução internet

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Na net com Danuza

Por Iury Costa em Cotidiano

15 de Abril de 2017

Foto: reprodução internet

O texto de hoje está mais para um depoimento do que para uma crônica em si. Mas não deixa de ser algo sobre o cotidiano. Ou melhor, sobre uma dama do cotidiano: Danuza Leão. A escritora, jornalista e otras cositas mas, que possui linguagem única para conversar com seus leitores. Muitas vezes mal interpretada, mas, com certeza, uma pessoa que sabe brincar com as palavras. E, principalmente, com a pontuação.

Para quem não conhece Danuza Leão, uma pequena biografia. Uma capixaba que nasceu em 1933, e que, durante sua longa caminhada, experimentou de-um-tudo nessa vida. Ainda jovem (adolescente, na verdade), virou modelo em Paris. Na época, ela diz, em que modelo não ganhava um tostão. Já foi jurada de programa de auditório, dona de boutique, administradora de casa noturna, roteirista. Entrou no jornalismo por acaso, após ter casado com um dono de jornal. É claro, se destacou pela profundidade das matérias. Daí virou colunista. Social e do cotidiano. E concorrida pelos jornais.

Foto: reprodução internet

Começou a escrever os livros já na maturidade. E ganhou a simpatia do público. O seu primeiro foi o “Na sala com Danuza”, que ficou por diversas semanas entre os mais vendidos. O livro é uma espécie de guia de etiqueta. Mas não é o que você é obrigado a seguir. São apenas as experiências de Danuza, e que, talvez, possam dar certo para você também.

Conheci Danuza Leão ao acaso. Na verdade, demorei para conhecê-la mais a fundo, pois a tinha apenas como “uma mulher que escreve muito bem na revista Cláudia”. Pois é, meu primeiro contato com a escritora (que ela nem gosta de ser chamada de escritora, mas apenas uma pessoa que escreve) foi por meio da Revista Cláudia. Sempre me impressionava com a leveza e facilidade em se comunicar que Danuza possuía. Quando minha mãe, a assinante, terminava de ler, pegava a revista para ler a coluna, que não era nem um pouco voltada apenas para o público feminino. Era plural. Textos excelentes.

Foto: reprodução internet

Daí, deixei passar esse momento, e me afastei dos textos de Danuza. Um dia, ao passar a vista nas prateleiras da Livraria Saraiva, vi o livro “Danuza e sua visão de mundo sem juízo”. De repente, aquela epifania. Me lembrei de como ela era ótima, e que, com um livro que tem “sem juízo” no título, deveria ser ótimo. Comprei, adorei (recomendo, aliás), e, depois desse livro, passei a procurar seus outros títulos, para agraciar minha prateleira. Quase não consigo todos, já que alguns nem estão mais à venda nas principais livrarias. Parti então para livrarias menores (com fretes caríssimos) e sebos (os sebos são minha nova paixão).

Depois de “Sem Juízo”, comprei o “De malas prontas”. Um livro que conta as experiências que ela teve em cidades do Brasil e do mundo. Sua linguagem simples, no sentido cativante, consegue segurar o leitor. Depois comprei o “Fazendo as malas”, no mesmo estilo. São cidades marcantes para Danuza, como Buenos Aires, São Paulo, Barcelona. Parece que estávamos junto com ela nos lugares. Aliás, já estou marcando na agenda um roteiro “by Danuza” para eu fazer nas férias.

Ainda não li todos os livros, mas estão na lista de espera. Os seguintes são, “É tudo tão simples”, “Quase tudo”, que é sua autobiografia, “Todo dia”, “Crônicas para guardar”, “As aparências enganam”, e, é claro, os “Na sala com Danuza 1 e 2”.

No mais, recomendo que procure por Danuza Leão. Na net, no chat, nos livros e livrarias, revistas, que ela nos cativa e, pela sua  naturalidade em escrever, no leva para dentro de casa, como se fôssemos parentes. Leia.

Foto: reprodução internet

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Dia de folga

Por Iury Costa em Cotidiano

08 de Abril de 2017

De volta após um “período sabático”. Na verdade, nem tão sabático assim. Precisei me dedicar a um trabalho extra. Espero, nos próximos meses, dar boas notícias por aqui.

Como fomos sentenciados a viver fora do Jardim do Éden, precisamos trabalhar para nos manter. Trocamos trinta dias de suor e muito esforço (às vezes, saúde também), por uma quantia de dinheiro no fim do mês. O trabalho, mesmo que seja dignificante, estressa, é cansativo, e, no fim do expediente, você já está prestes a cometer um homicídio. Em qualquer trabalho é assim. Mesmo nos “facinhos”.

Para que não cheguemos ao trigésimo dia apenas com a carcaça, a lei brasileira estabeleceu o “Descanso Semanal Remunerado”, ou, como é mais conhecido, o lindo e maravilhoso dia de folga (glorificando de pé). E passamos toda a semana esperando ansiosamente pelo dia de folga. Pensando no que fazer durante essas horas sagradas.

Eu, pelo menos, tenho sonhos com o meu dia de folga, planejo diversas programações para o tão aguardado dia. Não que eu não goste de trabalhar. Aliás, adoro. Adoro o jornalismo. Mas todo trabalho deixa a pessoa cansada. Principalmente aqueles que precisamos pensar demais. Então, nada melhor do que um dia inteirinho para fazer o que bem entender.

Planejo acordar cedo, tomar um café da manhã reforçado, ir à praia, ler os livros que estão atrasados, ir ao cinema, ir à alguma exposição, ir à igreja, e, com tempo ainda sobrando, me deitar cedo, para acordar renovado no dia seguinte, e ir trabalhar. É claro que não consigo fazer nada. No meu imaginário, vou ter coragem suficiente para realizar toda a programação e não me cansar. Isso não existe.

Não consigo nem fazer a primeira coisa da lista. O cansaço de toda uma semana me impede de levantar cedo. Aí nem penso no restante. O máximo que consigo fazer é comer e voltar para o quarto assistir seriados. Algumas temporadas depois, me dou conta que perdi o dia todo, e que, dali a algumas horas,vou ter que voltar ao trabalho. Perder o dia de folga me deixa triste.

Depois de várias tentativas de sair no dia de folga, percebi que: ou se tem tempo, ou se tem dinheiro. Ter os dois é complicadíssimo. Mas não podemos desistir de ter os dois.  Onde se lê a palavra “tempo”, entenda por “qualidade de vida”.

 

Dica para assistir no dia de folga:

 

Foto: reprodução internet

 

 

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Dia de folga

Por Iury Costa em Cotidiano

08 de Abril de 2017

De volta após um “período sabático”. Na verdade, nem tão sabático assim. Precisei me dedicar a um trabalho extra. Espero, nos próximos meses, dar boas notícias por aqui.

Como fomos sentenciados a viver fora do Jardim do Éden, precisamos trabalhar para nos manter. Trocamos trinta dias de suor e muito esforço (às vezes, saúde também), por uma quantia de dinheiro no fim do mês. O trabalho, mesmo que seja dignificante, estressa, é cansativo, e, no fim do expediente, você já está prestes a cometer um homicídio. Em qualquer trabalho é assim. Mesmo nos “facinhos”.

Para que não cheguemos ao trigésimo dia apenas com a carcaça, a lei brasileira estabeleceu o “Descanso Semanal Remunerado”, ou, como é mais conhecido, o lindo e maravilhoso dia de folga (glorificando de pé). E passamos toda a semana esperando ansiosamente pelo dia de folga. Pensando no que fazer durante essas horas sagradas.

Eu, pelo menos, tenho sonhos com o meu dia de folga, planejo diversas programações para o tão aguardado dia. Não que eu não goste de trabalhar. Aliás, adoro. Adoro o jornalismo. Mas todo trabalho deixa a pessoa cansada. Principalmente aqueles que precisamos pensar demais. Então, nada melhor do que um dia inteirinho para fazer o que bem entender.

Planejo acordar cedo, tomar um café da manhã reforçado, ir à praia, ler os livros que estão atrasados, ir ao cinema, ir à alguma exposição, ir à igreja, e, com tempo ainda sobrando, me deitar cedo, para acordar renovado no dia seguinte, e ir trabalhar. É claro que não consigo fazer nada. No meu imaginário, vou ter coragem suficiente para realizar toda a programação e não me cansar. Isso não existe.

Não consigo nem fazer a primeira coisa da lista. O cansaço de toda uma semana me impede de levantar cedo. Aí nem penso no restante. O máximo que consigo fazer é comer e voltar para o quarto assistir seriados. Algumas temporadas depois, me dou conta que perdi o dia todo, e que, dali a algumas horas,vou ter que voltar ao trabalho. Perder o dia de folga me deixa triste.

Depois de várias tentativas de sair no dia de folga, percebi que: ou se tem tempo, ou se tem dinheiro. Ter os dois é complicadíssimo. Mas não podemos desistir de ter os dois.  Onde se lê a palavra “tempo”, entenda por “qualidade de vida”.

 

Dica para assistir no dia de folga:

 

Foto: reprodução internet