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Divagando

por Iury Costa

Fevereiro 2017

Por que guardar?

Por Iury Costa em Cotidiano

15 de Fevereiro de 2017

Pense como arrumar o quarto é chato. Empurro com a barriga enquanto posso. Na verdade, admiro quem domina a nobre arte da organização. Não falo de limpeza, mas sim dos pormenores, aqueles cacarecos que insistem em se esconder nas frescas escuras das nossas alcovas. Mas como dizem que quem é desorganizado é mais criativo e inteligente, estou no lucro.

E nem era sobre organização que eu queria falar. Quero falar que – na data épica em que resolvi arrumar o quarto – me impressionei como sou apegado aos detalhes da vida. Acho que a maioria das pessoas guarda alguma lembrancinha de evento ou fato marcante, mas meu colecionismo é demais! Não me arrependo. Tive ápices de emoções enquanto arrumava minha – como minha mãe diz – zona inexplorável.

Ri e chorei horrores quando fui desembrulhando os pedaços da minha vida. Fui lembrando de episódios que a memória fez questão de colocar para escanteio. Tenho meus boletins, bilhetinhos da época de colégio, provas. Até as Xerox – ou fotocópias, para não forçar o marketing – tenho guardado. Vida boa a de estudante. Sem tanta pressão do mundo para que você seja alguém. Mantenho poucos amigos daquele tempo. Mas são amigos.

Agora, para as coisas bregas. Tenho guardanapo de um restaurante legal que fui, canudo de outro canto, relógios, xícaras, pratos. Lembrancinhas de aniversário? Adoro as lembrancinhas – além das comestíveis – de aniversários, casamentos e festas afins. Objetos que marcam a passagem, a mudança de cada ser humano. A rotina se altera. Amigos que vêm e vão.

Não menos importante: trecos que trago das viagens. Não são de muitos lugares, mas muitos dos mesmos lugares. Chaveiros, guarda-chuva, chaveiros, bolsa, chaveiros e canetas. Já falei das xícaras? Esse objeto é o único em que oficialmente digo que coleciono. Tenho várias que, obviamente, não uso. Também ganho dos amigos.

Talvez o apego ao passado nos conforte ante o medo do futuro. Sombrio e duvidoso futuro. Pelo menos temos amigos.

Por que não guardar?

Foto: reprodução internet

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Mais drama, por favor!

Por Iury Costa em Cotidiano

08 de Fevereiro de 2017

Outro dia um amigo meu fez aniversário. Daí, como toda pessoa sensata e com amor no coração, fui confraternizar com ele, parabenizá-lo e desejar felicidades e tudo de bom na vida. Nada demais desejar isso. Até porque, tudo de bom significa uma mensagem boa e tal. Pensava assim até começar a pensar assado.

Alguns dias depois, enquanto fazia a barba, a frase que eu havia dito (tudo de bom para você) começou a martelar na minha cabeça. Epifanias que dão um susto! Mas gente, não pode estar certo você desejar isso a uma pessoa. Passei a imaginar como seria tão ruim para o mundo se tudo de bom acontecesse. Isso mesmo: RUIM! Mas antes das tochas acenderem, eu explico o motivo.

O ser humano – pelo menos não nesse milênio – não está pronto para ter uma vida com tudo de bom. Somos mesquinhos, avarentos, egoístas. Enfim, o tudo de bom ia ser ruim para alguém. Imagino assim.

Imaginem como o homem seria insensível, mesquinho e arrogante se tudo de bom lhe acontecesse, sem nenhum erro. E como seria triste uma vida sem desafios, sem expectativas ou otimismos. No fim das contas, daria muita depressão. Crianças egoístas, falta de caridade, fim do amor ao próximo. Não acho que uma vida somente com conquistas seria o ideal pra nós. Erros de vez em quando também fazem bem ao coração.

Pois é minha gente, o “tudo de bom” nem sempre é tão bom pra gente. Os tropeços da vida são formas de aprendizado, e portanto, servem para desenvolvermos nossa essência e nosso caráter. Precisamos de uma pitada de chateação e drama de vez em quando, para que, lá na frente, o tudo de bom tenha um gosto ainda melhor.

Foto: reprodução internet

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Chuva de desatinos

Por Iury Costa em Cotidiano

01 de Fevereiro de 2017

Hoje, chove. E, quando chove, surgem cascatas de grosserias que brotam das bocas dos mais improváveis “seres dotados de inteligência”. E se estamos no carro? O dobro de difamações jorra na sua face. Falo por experiência própria. O motorista que nunca foi xingado que atire o primeiro palavrão.

Darei aqui meu testemunho. Estava voltando pra casa e o sujeito breca na minha frente. OK, minha culpa, estava muito perto. Desci para tratar do ocorrido e arcar com os custos. Mesmo assim, a conversa não fluiu. Na verdade, fluiu em uma direção que já devia ter imaginado. Aprendi nomes que não são legais, nem se usados nas trovoadas da noite. A mente nebulosa do homem me amedrontou.

Espero que acabem todas as palavras de maldição que escorreram da mente do homem e começo a conversar. No final, tudo resolvido, contas pagas e a pessoa joga uma “desculpe”. Turvo, porém, sincero. E vejo que as águas trazem com elas pressa e impaciência. A pessoa se atola no baixo calão mesmo sem querer.

Não podemos deixar que um episódio manche uma vida de aprendizados, julgo eu, contribuintes da moral. Saia mais cedo para evitar que um palavrãozinho pingue da sua boca. Que a chuva limpe a alma das pessoas. E, que no final, todos tenham um bom e límpido dia.

Foto: reprodução internet

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Chuva de desatinos

Por Iury Costa em Cotidiano

01 de Fevereiro de 2017

Hoje, chove. E, quando chove, surgem cascatas de grosserias que brotam das bocas dos mais improváveis “seres dotados de inteligência”. E se estamos no carro? O dobro de difamações jorra na sua face. Falo por experiência própria. O motorista que nunca foi xingado que atire o primeiro palavrão.

Darei aqui meu testemunho. Estava voltando pra casa e o sujeito breca na minha frente. OK, minha culpa, estava muito perto. Desci para tratar do ocorrido e arcar com os custos. Mesmo assim, a conversa não fluiu. Na verdade, fluiu em uma direção que já devia ter imaginado. Aprendi nomes que não são legais, nem se usados nas trovoadas da noite. A mente nebulosa do homem me amedrontou.

Espero que acabem todas as palavras de maldição que escorreram da mente do homem e começo a conversar. No final, tudo resolvido, contas pagas e a pessoa joga uma “desculpe”. Turvo, porém, sincero. E vejo que as águas trazem com elas pressa e impaciência. A pessoa se atola no baixo calão mesmo sem querer.

Não podemos deixar que um episódio manche uma vida de aprendizados, julgo eu, contribuintes da moral. Saia mais cedo para evitar que um palavrãozinho pingue da sua boca. Que a chuva limpe a alma das pessoas. E, que no final, todos tenham um bom e límpido dia.

Foto: reprodução internet