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Divagando

por Iury Costa

Estopim criativo

Por Iury Costa em Cotidiano

11 de janeiro de 2017

Cada pessoa que escreve tem a sua forma de “aflorar a imaginação”. Na verdade, acho que é uma espécie de estopim. Algo ativa o lado criativo, que começa a fervilhar a mente, e os textos fluem. Tem gente que aflora ao sentar na varanda, ou no parque, ou ao tomar uma xícara de café, no balançar do ônibus… Eu me “inspiro”, pelo menos na maioria das vezes, com uma boa dose de raiva. Isso mesmo. A raiva me motiva a escrever.

Assim como o escritor Ignácio de Loyola Brandão, que diz que a literatura é movida  pela indignação, acho que sou, repito, pelo menos na maioria das vezes, movido, também, por essa indignação. É claro que não sabia disso. Imagina só que loucura essa de escrever durante os surtos! Eu hein! Mas o pior que é isso mesmo. Comecei a perceber. Tanto que a raiva me inspirava, quanto que um ansiolítico poderia me fazer bem.

Percebi que momentos ruins em minha vida, que não vêm ao caso agora, me motivaram a escrever mais. Na verdade, me davam um gás a mais para escrever. O episódio em que atentei para isso foi após uma discussão acadêmica. Saí bufando de raiva. Sentei, respirei, e tentei me acalmar. Durante, o processo, brotaram diversas ideias para textos. Às vezes, quando não estou em casa, e sem o celular para anotar as palavras-chave do texto, as ideias se esvaem. Mas, neste dia, consegui escrever alguns textos. Uns que ainda estão no arquivo.

Então é isso. Quando estiver sem ideias, arrume confusão. Brigue, esperneie, mas tente estar certo. Por que pior que brigar para conseguir algo, é brigar sem ter razão. Mesmo assim, treine a raiva.

Foto: reprodução internet

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Resoluções de ano novo

Por Iury Costa em Cotidiano

04 de janeiro de 2017

Escrevo este texto após a meia noite, após os abraços e felicitações a todos, e após retornar ao silêncio e à escuridão do meu quarto. Amo meu quarto.

Nunca gostei de ano novo. Do ano que começa, claro que gosto. Digo no sentido de “virada do ano”. Pelo simples fato de que o ano seguinte é desconhecido. Mesmo eu sendo um jornalista, e que o jornalismo trabalha com o inédito, gosto, assim como grande parte das pessoas (creio eu), ter um pouco de controle sobre os meus próximos passos. O que é uma loucura, eu sei. Mais uma sugestão de tema a ser trabalhado pelo psicólogo nos próximos encontros.

O natal, já que vamos falar de datas festivas, é menos sombrio. Não sei se é por causa dos seis dias que ainda têm pela frente, mas no natal eu não sinto frio na barriga, por conta da incerteza do futuro. Tudo bem que é o dia em que se comemora o nascimento de Jesus, mas é normal para mim. Tenho uma boa relação com o Senhor, que não se resume a um dia do ano. Aliás, aproveito para viajar, para também fugir das maçantes confraternizações.

Sobre as incertezas. Posso soar um pouco pessimista, mas um “novo ano” não garante a realização dos sonhos, ou de mudanças boas que sejam alheias às nossas vontades. O mínimo que podemos fazer, é nos contentarmos, e isso é excelente, com nossas próprias resoluções. Ou seja, nossas “auto-promessas”. Que nós possamos por em prática, este ano, e que isso esteja na lista de resoluções, a indiferença. Melhore a indiferença no quesito de não se envolver em assuntos que não lhe convém. Indiferença no quesito de não se envolver em assuntos de outras pessoas. Se meter na vida alheia nunca esteve em moda. Mesmo assim, insistem. É claro que existem exceções. Se for um problema terrível de um amigo seu, aí pode se meter sim.

Todos tentam realizar promessas feitas à meia-noite, durante o pipocar dos fogos. Poucos conseguem realmente. Vamos, pelos menos, tentar os mais fáceis? No mais, desenvolva o de sempre: carinho, educação, empatia… Ué, e não era para ser indiferente? É para ser os dois! A empatia é um dom que deve ser mantido em silêncio, em segredo, e que deve ser usado apenas quando necessário. Seja legal, mas nem tanto.

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A dama chamada memória

Por Iury Costa em Cotidiano

03 de dezembro de 2016

Ah, é muito bom ter memória. É bom lembrar de tudo. A memória é uma excelente companheira. Grande guardiã das nossas boas lembranças. E que nos conecta com o passado e faz questão que nos lembremos dele. Daí, quando escrevo isso, começo a me lembrar de momentos maravilhosos que a amiga memória nos traz. Aqueles que são bons como outros milhares que tivemos, mas, por algum detalhe, acabam por ser melhores entre os melhores.

Momentos como a primeira ido ao cinema sozinho, sem pai, mãe, acompanhante, amigos ou parentes. Vê como isso é bom? Ir ao cinema sozinho, sem ter ninguém para conversar, perguntar sobre a história e fazer você perder o fio da miada. Boa lembrança.

Momentos como aquele dia excelente de sol, que você foi à praia e encontrou um ambiente relaxante e ventilado. Que você nem tomou banho para não se queimar, e que, mesmo assim, foi ótimo. Também uma boa lembrança.

Momentos como a sua primeira formação acadêmica, que foi agraciado com a presença de tanta gente que você nem lembra – pois é, às vezes a memória falha –  e que foram só para lhe prestigiar. Também uma boa lembrança.

Momentos como aquele que você passa o dia todo em casa – raros – deitado, lendo um bom livro e abstraindo da vida. Outra coisa: se empanturrando de doce e comendo biscoitos de polvilho. Também uma boa lembrança.

Momentos como… opa, pensando bem, acabo de me lembrar que a memória não é tão boa assim. Também é graças a ela que guardamos maus momentos, aqueles que preferíamos esquecer, mas pinicam na nossa cabeça.

Acho que eu queria ficar “brôco” apenas de coisas ruins, e esquecer, sem nem sentir, um mau momento. Queria ter um filtro mental, para ter apenas boas lembranças. Mas aí eu lembro que a memória não é tão seletiva assim.

Foto: reprodução internet

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Blecaute virtual

Por Iury Costa em Cotidiano

23 de novembro de 2016

Quando se é jornalista (como esta pessoa que vos fala/ escreve), melhor dizendo, quando se é jornalista no século XXI, o mais básico é que você domine pelo menos o que há de mais elementar em informática, internet e redes sociais. Melhor dizendo: tem que passar 24 horas conectado! E, para além da obrigação de saber dessas coisas, o uso das ferramentas virtuais acaba por ser exagerado (mas preciso) e viciante. Odeio acabar com a vida de vocês, mas a internet vicia. E pode isso? E não é que pode!

Estava eu, cuidando da minha vida e alimentando meu vício, quando meu computador para de responder. Até aí, sem muito desespero, já que eu guardo um outro computador em casa para emergências como essa. Daí já estava todo serelepe de novo e navegando em águas internacionais (sempre pesquiso muito e leio muito. Até tiro bastante ideia da net também) quando, de repente, ele também apaga. Mas antes de pensar que o universo conspirava contra mim, tento o smartphone, mesmo não gostando muito de acessar arquivos nele, pois ainda prefiro telas maiores. Daí ele pifa também.

Parece história de novela, mas tudo isso aconteceu comigo. Ai eu realmente parei e pensei: o universo deveras conspirava. Mas em um momento de epifania, pensei que conspirava para o bem, e não para o mal como eu havia pensado. Ficar desconectado tem suas vantagens, e devemos aproveitar esses momentos para avaliar nossos feitos e o futuro que está a bater na porta. Passado esse momento espiritual, ao verdadeiro motivo.

Gente, vamos parar e ver que maravilha essa oportunidade que os céus me deram de desligar minha mente. Primeiro assunto:  a atenção. O computador (e as suas variações mais atuais) deixa a pessoa desatenta e ela não consegue parar em uma página (ou aba) só. Minha atenção melhorou bastante. E para adiantar o serviço e não ter que fazer vários parágrafos, o restante dos assuntos: parei para ler alguns livros que já estavam empoeirados, arrumei o quarto, treinei meus dotes de confeiteiro, e, o melhor de tudo, não tive notícias da vida de ninguém e nem recebi 500 mil mensagens de pessoas inconvenientes que às vezes se passam por amigos.

Pois é, acho que desintoxiquei da aldeia global e estou pronto para um uso mais consciente do mundo virtual. Que eu o use, e não o contrário.

Foto: reprodução internet

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É duro falar sozinho

Por Iury Costa em Cotidiano

09 de novembro de 2016

Meus amigos sabem – e acho que até quem não é, mas tem contato comigo em algum lugar – que eu gosto bastante da escritora e jornalista Danuza Leão. Seus texto são sempre ótimos. E os que não são tão bons assim – ou mal interpretados – são, pelo menos, médios. Enfim, nem era sobre isso que eu queria falar, mas sim de um texto específico dela, no qual ela aconselha a todos que escrevem, mesmo quando não têm nada a escrever. Que escreva até para perder o medo de conversar com si próprio, e desenvolva o “autopsicólogo”. Pois é, essas últimas frases me puseram a pensar sobre a nossa relação com nós mesmos.

Penso que a relação com o eu interior é bem mais difícil do que um envolvimento com outra pessoa. Considerar o outro como psicólogo e desenrolar milhares de metros de problemas e aflições, e até confissões, é muito mais fácil, pois ele está defronte a você. Mesmo que o outro se oponha aos seus pensamentos, e até lhe passe sermão, é sempre melhor ouvir uma voz alheia a sua para receber conselhos. Tem também a questão do falar sozinho. Nós nunca fomos estimulados por ninguém a conversar consigo. Pensam logo que é um amigo imaginário, que a dosagem do antidepressivo está baixa, essas coisas.

Daí você deve estar pensando: e não era sobre escrever? Era sim. Mas eu preciso de um preâmbulo para completar a questão. A pessoa consegue até escrever pensamentos e aflições, mas conversar? Só as crianças mesmo. Aliás, perdemos muitos dons a medida em que vamos crescendo. Mas isso fica para outro texto. De volta: e como teremos as respostas de nós mesmos para os questionamentos? E se houver resposta, como saber se é a certa? Pois o seu coração pode estar lhe enganando de novo.

Enfim, escrever para si pode não ser a melhor ideia, mas é uma boa ideia começar. E tentar. Vai que dê certo e você se torne o seu melhor psicólogo? Aí, se der certo, me conte como foi, para eu tentar também.

solidão

Foto: reprodução internet

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O ônibus e suas delicadezas

Por Iury Costa em Cotidiano

02 de novembro de 2016

Sonhei que estava em um ônibus. Bem, esse sonho poderia se transformar em pesadelo apenas pelo simples fato de eu estar em um ônibus na cidade de Fortaleza. Mas o sonho se desenvolveu e passou por várias paradas mentais.

No primeiro momento, sonhei que estava espremido em uma fila quilométrica para tentar passar por uma porta que parece minúscula diante de tanta gente. O nome desse local suntuoso é “terminal”. Quando o carro, já lotado, encosta e abre as portas, parece que um vendaval vem com ele e suga toda a matéria orgânica na plataforma. Não sinto meus pés se moverem, mas, mesmo assim, entro no ônibus. Nem adianta tentar chegar em um assento vago, pois eles já estão ocupados há quatro viagens.

Passado o suplício para entrar no coletivo, resta pedir aos céus que metade dos ocupantes desçam na próxima parada e que sobre oxigênio para que eu respire. Como vou seguir até o ponto final, posso experimentar, nem que seja por pouco tempo, ir sentado ao lado da janela. E se o meu dia de sorte estiver completo, vou sentar-me do lado da sombra! E não é que consigo um lugar? Bem em frente a mim uma senhora diz que vai descer e pede minhas coisas para guardar o lugar. Ela só desce uma parada depois da planejada, pois não conseguiu empurrar todos para chegar na porta a tempo.

Após sentado, passo a atinar para o que acontece naquele pequeno mundo chamado ônibus. Mas meu pensamento é rapidamente interrompido por causa de uma briga entre duas mulheres para conseguir outro assento que vagara. Aprendi nomes que nunca havia ouvido e, depois de um empurrão da rival, uma cai por cima de mim, que de imediato me embriaga com o perfume fortíssimo que usava às sete da manhã. Após cessada a briga, tudo volta à tranquilidade que é possível dentro de um espaço lotado. Chego até a cochilar.

Daí quando acordo percebo que realmente estava no ônibus, e que tudo que eu aparentemente havia sonhado tinha acontecido. Penso que é muito fácil aos governantes incentivarem o uso dos transportes públicos quando eles não usam. De dentro de um automóvel blindado, climatizado e sem nenhum aperto parece fácil incentivar o uso de ônibus. Vamos combinar assim: primeiro deixem os ônibus com o mínimo de qualidade e conforto para depois conversarmos, ok?

onibus-lotado

Foto: divulgação internet

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O divagador

Por index em Apresentação

28 de setembro de 2016

Olá. Como já está descrito na caixa aí do lado, sou jornalista, e me aventurei a fazer mais uma graduação. Sou um aspirante a escritor e cronista na horas vagas. Ah, e como podem ver, metido a blogueiro.

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Estopim criativo

Por Iury Costa em Cotidiano

11 de janeiro de 2017

Cada pessoa que escreve tem a sua forma de “aflorar a imaginação”. Na verdade, acho que é uma espécie de estopim. Algo ativa o lado criativo, que começa a fervilhar a mente, e os textos fluem. Tem gente que aflora ao sentar na varanda, ou no parque, ou ao tomar uma xícara de café, no balançar do ônibus… Eu me “inspiro”, pelo menos na maioria das vezes, com uma boa dose de raiva. Isso mesmo. A raiva me motiva a escrever.

Assim como o escritor Ignácio de Loyola Brandão, que diz que a literatura é movida  pela indignação, acho que sou, repito, pelo menos na maioria das vezes, movido, também, por essa indignação. É claro que não sabia disso. Imagina só que loucura essa de escrever durante os surtos! Eu hein! Mas o pior que é isso mesmo. Comecei a perceber. Tanto que a raiva me inspirava, quanto que um ansiolítico poderia me fazer bem.

Percebi que momentos ruins em minha vida, que não vêm ao caso agora, me motivaram a escrever mais. Na verdade, me davam um gás a mais para escrever. O episódio em que atentei para isso foi após uma discussão acadêmica. Saí bufando de raiva. Sentei, respirei, e tentei me acalmar. Durante, o processo, brotaram diversas ideias para textos. Às vezes, quando não estou em casa, e sem o celular para anotar as palavras-chave do texto, as ideias se esvaem. Mas, neste dia, consegui escrever alguns textos. Uns que ainda estão no arquivo.

Então é isso. Quando estiver sem ideias, arrume confusão. Brigue, esperneie, mas tente estar certo. Por que pior que brigar para conseguir algo, é brigar sem ter razão. Mesmo assim, treine a raiva.

Foto: reprodução internet