Publicidade

Divagando

por Iury Costa

As vantagens – e grandes mentiras – de se morar na capital

Por Iury Costa em Cotidiano

22 de abril de 2017

Não há nada melhor do que morar na capital. Em Fortaleza, por exemplo, quem mora na cidade, tem oportunidade de ter tudo a poucos passos de casa. São mercados, lojas, faculdades, milhares de shoppings. É claro que esse detalhe só conta se você morar em um bairro, pelo menos, médio. Posso até trocar a palavra “capital”, por “cidade grande”, pois existem hoje muitas cidades do interior – até mesmo longe da capital – que são verdadeiras metrópoles.

Eu, como um rapaz nascido e criado em cidade grande, não conseguia me distanciar da tal. Digo, me distanciar no sentido de “tirar férias da loucura”. Nem conseguiria, se quisesse. Além de nascido e criado em cidade grande, sou jornalista, e, na mensagem subliminar que essa profissão carrega, lê-se viciado em trabalho, viciado em tecnologia, viciado em café (o que não é tão importante assim) e viciado em acompanhar cada passo do mundo. Jornalista não consegue tirar nem um dia sabático, imagine se mudar para uma cidade calma.

Tem um filme que eu acho bem bacana, que dá para me definir. Tirando a parte do assassinato e da perseguição, o filme “Cadê os Morgan?” mostra um casal de nova-iorquinos tão ligados à cidade, que não gostava de ir nem na cidade vizinha. Daí, quando tiveram que ir para o interior do país, depois de entrarem para o programa de proteção à testemunha, apareceu o desespero. Tiveram que dormir ao som dos carros, buzinas e ambulâncias. Pois bem, sou eu. Não conseguia passar minhas férias no sítio interior, nem no hotel na beira da praia. Minha ligação com a metrópole é muito grande. Na verdade, era.

Com o passar do tempo, você percebe que o desenvolvimento das grandes cidades não acompanha as reais necessidades do seu morador. Só três coisas aumentam junto com a população: congestionamentos, poluição e violência. Então, pensamentos em sair da loucura. E saí. Amo Fortaleza, mas essa senhora de 291 anos não está sendo bem cuidada.

Mas não saí muito. Uni o útil ao agradável, e escolhi um apartamento em uma cidade vizinha. Olha, estou me adaptando à calmaria. É claro que não é nenhuma zona rural, ou um sítio, para ser tão calmo assim. Mas para quem morava defronte a uma avenida movimentada, é outro mundo mesmo. Continuo a passar a maior parte do meu dia em Fortaleza, por causa do trabalho e estudo. Mas quando chego em casa, sinto a diferença. O ar é mais “respirável”, não escuto carros, e estou a alguns metros da praia, onde, quando posso, recarrego as energias. Sem falar que o tempo gasto de uma cidade a outra é bem menor que o que costumava gastar dentro de Fortaleza.

É claro que nem todo mundo pode, simplesmente, deixar sua casa e se mudar. Mas pode mudar na mesma casa. O “sair para desopilar” nunca esteve tão em alta. Saia, descanse, e comece a se acostumar com um mundo mais calmo. Não se preocupe, que é fácil se acostumar com o que é bom.

Foto: reprodução internet

leia tudo sobre

Publicidade

Na net com Danuza

Por Iury Costa em Cotidiano

15 de abril de 2017

Foto: reprodução internet

O texto de hoje está mais para um depoimento do que para uma crônica em si. Mas não deixa de ser algo sobre o cotidiano. Ou melhor, sobre uma dama do cotidiano: Danuza Leão. A escritora, jornalista e otras cositas mas, que possui linguagem única para conversar com seus leitores. Muitas vezes mal interpretada, mas, com certeza, uma pessoa que sabe brincar com as palavras. E, principalmente, com a pontuação.

Para quem não conhece Danuza Leão, uma pequena biografia. Uma capixaba que nasceu em 1933, e que, durante sua longa caminhada, experimentou de-um-tudo nessa vida. Ainda jovem (adolescente, na verdade), virou modelo em Paris. Na época, ela diz, em que modelo não ganhava um tostão. Já foi jurada de programa de auditório, dona de boutique, administradora de casa noturna, roteirista. Entrou no jornalismo por acaso, após ter casado com um dono de jornal. É claro, se destacou pela profundidade das matérias. Daí virou colunista. Social e do cotidiano. E concorrida pelos jornais.

Foto: reprodução internet

Começou a escrever os livros já na maturidade. E ganhou a simpatia do público. O seu primeiro foi o “Na sala com Danuza”, que ficou por diversas semanas entre os mais vendidos. O livro é uma espécie de guia de etiqueta. Mas não é o que você é obrigado a seguir. São apenas as experiências de Danuza, e que, talvez, possam dar certo para você também.

Conheci Danuza Leão ao acaso. Na verdade, demorei para conhecê-la mais a fundo, pois a tinha apenas como “uma mulher que escreve muito bem na revista Cláudia”. Pois é, meu primeiro contato com a escritora (que ela nem gosta de ser chamada de escritora, mas apenas uma pessoa que escreve) foi por meio da Revista Cláudia. Sempre me impressionava com a leveza e facilidade em se comunicar que Danuza possuía. Quando minha mãe, a assinante, terminava de ler, pegava a revista para ler a coluna, que não era nem um pouco voltada apenas para o público feminino. Era plural. Textos excelentes.

Foto: reprodução internet

Daí, deixei passar esse momento, e me afastei dos textos de Danuza. Um dia, ao passar a vista nas prateleiras da Livraria Saraiva, vi o livro “Danuza e sua visão de mundo sem juízo”. De repente, aquela epifania. Me lembrei de como ela era ótima, e que, com um livro que tem “sem juízo” no título, deveria ser ótimo. Comprei, adorei (recomendo, aliás), e, depois desse livro, passei a procurar seus outros títulos, para agraciar minha prateleira. Quase não consigo todos, já que alguns nem estão mais à venda nas principais livrarias. Parti então para livrarias menores (com fretes caríssimos) e sebos (os sebos são minha nova paixão).

Depois de “Sem Juízo”, comprei o “De malas prontas”. Um livro que conta as experiências que ela teve em cidades do Brasil e do mundo. Sua linguagem simples, no sentido cativante, consegue segurar o leitor. Depois comprei o “Fazendo as malas”, no mesmo estilo. São cidades marcantes para Danuza, como Buenos Aires, São Paulo, Barcelona. Parece que estávamos junto com ela nos lugares. Aliás, já estou marcando na agenda um roteiro “by Danuza” para eu fazer nas férias.

Ainda não li todos os livros, mas estão na lista de espera. Os seguintes são, “É tudo tão simples”, “Quase tudo”, que é sua autobiografia, “Todo dia”, “Crônicas para guardar”, “As aparências enganam”, e, é claro, os “Na sala com Danuza 1 e 2”.

No mais, recomendo que procure por Danuza Leão. Na net, no chat, nos livros e livrarias, revistas, que ela nos cativa e, pela sua  naturalidade em escrever, no leva para dentro de casa, como se fôssemos parentes. Leia.

Foto: reprodução internet

leia tudo sobre

Publicidade

Dia de folga

Por Iury Costa em Cotidiano

08 de abril de 2017

De volta após um “período sabático”. Na verdade, nem tão sabático assim. Precisei me dedicar a um trabalho extra. Espero, nos próximos meses, dar boas notícias por aqui.

Como fomos sentenciados a viver fora do Jardim do Éden, precisamos trabalhar para nos manter. Trocamos trinta dias de suor e muito esforço (às vezes, saúde também), por uma quantia de dinheiro no fim do mês. O trabalho, mesmo que seja dignificante, estressa, é cansativo, e, no fim do expediente, você já está prestes a cometer um homicídio. Em qualquer trabalho é assim. Mesmo nos “facinhos”.

Para que não cheguemos ao trigésimo dia apenas com a carcaça, a lei brasileira estabeleceu o “Descanso Semanal Remunerado”, ou, como é mais conhecido, o lindo e maravilhoso dia de folga (glorificando de pé). E passamos toda a semana esperando ansiosamente pelo dia de folga. Pensando no que fazer durante essas horas sagradas.

Eu, pelo menos, tenho sonhos com o meu dia de folga, planejo diversas programações para o tão aguardado dia. Não que eu não goste de trabalhar. Aliás, adoro. Adoro o jornalismo. Mas todo trabalho deixa a pessoa cansada. Principalmente aqueles que precisamos pensar demais. Então, nada melhor do que um dia inteirinho para fazer o que bem entender.

Planejo acordar cedo, tomar um café da manhã reforçado, ir à praia, ler os livros que estão atrasados, ir ao cinema, ir à alguma exposição, ir à igreja, e, com tempo ainda sobrando, me deitar cedo, para acordar renovado no dia seguinte, e ir trabalhar. É claro que não consigo fazer nada. No meu imaginário, vou ter coragem suficiente para realizar toda a programação e não me cansar. Isso não existe.

Não consigo nem fazer a primeira coisa da lista. O cansaço de toda uma semana me impede de levantar cedo. Aí nem penso no restante. O máximo que consigo fazer é comer e voltar para o quarto assistir seriados. Algumas temporadas depois, me dou conta que perdi o dia todo, e que, dali a algumas horas,vou ter que voltar ao trabalho. Perder o dia de folga me deixa triste.

Depois de várias tentativas de sair no dia de folga, percebi que: ou se tem tempo, ou se tem dinheiro. Ter os dois é complicadíssimo. Mas não podemos desistir de ter os dois.  Onde se lê a palavra “tempo”, entenda por “qualidade de vida”.

 

Dica para assistir no dia de folga:

 

Foto: reprodução internet

 

 

leia tudo sobre

Publicidade

Por que guardar?

Por Iury Costa em Cotidiano

15 de fevereiro de 2017

Pense como arrumar o quarto é chato. Empurro com a barriga enquanto posso. Na verdade, admiro quem domina a nobre arte da organização. Não falo de limpeza, mas sim dos pormenores, aqueles cacarecos que insistem em se esconder nas frescas escuras das nossas alcovas. Mas como dizem que quem é desorganizado é mais criativo e inteligente, estou no lucro.

E nem era sobre organização que eu queria falar. Quero falar que – na data épica em que resolvi arrumar o quarto – me impressionei como sou apegado aos detalhes da vida. Acho que a maioria das pessoas guarda alguma lembrancinha de evento ou fato marcante, mas meu colecionismo é demais! Não me arrependo. Tive ápices de emoções enquanto arrumava minha – como minha mãe diz – zona inexplorável.

Ri e chorei horrores quando fui desembrulhando os pedaços da minha vida. Fui lembrando de episódios que a memória fez questão de colocar para escanteio. Tenho meus boletins, bilhetinhos da época de colégio, provas. Até as Xerox – ou fotocópias, para não forçar o marketing – tenho guardado. Vida boa a de estudante. Sem tanta pressão do mundo para que você seja alguém. Mantenho poucos amigos daquele tempo. Mas são amigos.

Agora, para as coisas bregas. Tenho guardanapo de um restaurante legal que fui, canudo de outro canto, relógios, xícaras, pratos. Lembrancinhas de aniversário? Adoro as lembrancinhas – além das comestíveis – de aniversários, casamentos e festas afins. Objetos que marcam a passagem, a mudança de cada ser humano. A rotina se altera. Amigos que vêm e vão.

Não menos importante: trecos que trago das viagens. Não são de muitos lugares, mas muitos dos mesmos lugares. Chaveiros, guarda-chuva, chaveiros, bolsa, chaveiros e canetas. Já falei das xícaras? Esse objeto é o único em que oficialmente digo que coleciono. Tenho várias que, obviamente, não uso. Também ganho dos amigos.

Talvez o apego ao passado nos conforte ante o medo do futuro. Sombrio e duvidoso futuro. Pelo menos temos amigos.

Por que não guardar?

Foto: reprodução internet

leia tudo sobre

Publicidade

Mais drama, por favor!

Por Iury Costa em Cotidiano

08 de fevereiro de 2017

Outro dia um amigo meu fez aniversário. Daí, como toda pessoa sensata e com amor no coração, fui confraternizar com ele, parabenizá-lo e desejar felicidades e tudo de bom na vida. Nada demais desejar isso. Até porque, tudo de bom significa uma mensagem boa e tal. Pensava assim até começar a pensar assado.

Alguns dias depois, enquanto fazia a barba, a frase que eu havia dito (tudo de bom para você) começou a martelar na minha cabeça. Epifanias que dão um susto! Mas gente, não pode estar certo você desejar isso a uma pessoa. Passei a imaginar como seria tão ruim para o mundo se tudo de bom acontecesse. Isso mesmo: RUIM! Mas antes das tochas acenderem, eu explico o motivo.

O ser humano – pelo menos não nesse milênio – não está pronto para ter uma vida com tudo de bom. Somos mesquinhos, avarentos, egoístas. Enfim, o tudo de bom ia ser ruim para alguém. Imagino assim.

Imaginem como o homem seria insensível, mesquinho e arrogante se tudo de bom lhe acontecesse, sem nenhum erro. E como seria triste uma vida sem desafios, sem expectativas ou otimismos. No fim das contas, daria muita depressão. Crianças egoístas, falta de caridade, fim do amor ao próximo. Não acho que uma vida somente com conquistas seria o ideal pra nós. Erros de vez em quando também fazem bem ao coração.

Pois é minha gente, o “tudo de bom” nem sempre é tão bom pra gente. Os tropeços da vida são formas de aprendizado, e portanto, servem para desenvolvermos nossa essência e nosso caráter. Precisamos de uma pitada de chateação e drama de vez em quando, para que, lá na frente, o tudo de bom tenha um gosto ainda melhor.

Foto: reprodução internet

leia tudo sobre

Publicidade

Chuva de desatinos

Por Iury Costa em Cotidiano

01 de fevereiro de 2017

Hoje, chove. E, quando chove, surgem cascatas de grosserias que brotam das bocas dos mais improváveis “seres dotados de inteligência”. E se estamos no carro? O dobro de difamações jorra na sua face. Falo por experiência própria. O motorista que nunca foi xingado que atire o primeiro palavrão.

Darei aqui meu testemunho. Estava voltando pra casa e o sujeito breca na minha frente. OK, minha culpa, estava muito perto. Desci para tratar do ocorrido e arcar com os custos. Mesmo assim, a conversa não fluiu. Na verdade, fluiu em uma direção que já devia ter imaginado. Aprendi nomes que não são legais, nem se usados nas trovoadas da noite. A mente nebulosa do homem me amedrontou.

Espero que acabem todas as palavras de maldição que escorreram da mente do homem e começo a conversar. No final, tudo resolvido, contas pagas e a pessoa joga uma “desculpe”. Turvo, porém, sincero. E vejo que as águas trazem com elas pressa e impaciência. A pessoa se atola no baixo calão mesmo sem querer.

Não podemos deixar que um episódio manche uma vida de aprendizados, julgo eu, contribuintes da moral. Saia mais cedo para evitar que um palavrãozinho pingue da sua boca. Que a chuva limpe a alma das pessoas. E, que no final, todos tenham um bom e límpido dia.

Foto: reprodução internet

leia tudo sobre

Publicidade

Caminhando e pensando

Por Iury Costa em Cotidiano

25 de janeiro de 2017

Minha gente, eu não sou muito de viajar. Não porque não gosto. Aliás, adoro. Mas tempo livre é para poucos sortudos. Todas as minhas viagens passaram pelo Nordeste. Encantador por sinal. Mas como todo mundo fala da beleza apaixonante do Rio de Janeiro, aproveitei que tinha um congresso de jornalismo por lá e me mandei.

Não sei se ele continua lindo, pois nunca havia ido para lá. Mas realmente é lindo e, como haviam dito, apaixonante, com as praias, shoppings, barzinhos, teleférico do Pão de Açúcar… Ah, o Cristo! Perto de Deus sem sair da Terra. Fé renovada. Me sentia nas novelas do Manoel Carlos só em caminhar no calçadão do Leblon. Tudo é lindo e limpo, mas confesso que o que realmente me apaixonou foram as calçadas. Isso mesmo!

As calçadas, minha gente, são de fazer inveja a qualquer Fortaleza. Não que elas sejam chiques, cobertas de porcelana chinesa e cheias de luzes. O lindo delas são as árvores que cobrem todo o percurso. Calçadas amplas, que cabem famílias inteiras, uma do lado da outra. Dava gosto de caminhar por elas. Ninguém precisava se esbarrar para garantir espaço.

Via as pessoas passeando com seus cachorrinhos, turistas encantados até com a banca de revistas. Eu apenas olhando para as calçadas. Urbanizadas, amplas e limpas. Como um dia espero encontrar em todas por aqui. A urbanização é aquela que aparece com o tempo, além de ser feita pelo dono do imóvel.

Aí, alguém vai dizer: “a cidade do Rio de Janeiro foi planejada. Era a capital da República”. Tá certo! Mas o nosso planejamento pode começar a partir de agora, para, talvez, um dia, acompanharmos as calçadas de primeiro mundo do Rio de Janeiro.

Foto: reprodução internet

Publicidade

Desafio Livrada! 2017

Por Iury Costa em Cotidiano

18 de janeiro de 2017

Entrando na onda dos youtubers de realizar desafios, entrei na onda do #DesafioLivrada2017. Vai que eu me empolgo e crio um canal também! Cenas dos próximos capítulos…

O Desafio Livrada é feito todos os anos pelo blog e canal no Youtube que leva o mesmo nome. Os dois são geridos pelo Yuri Al’Hanati, que lança, sempre nos primeiros dias do ano, uma lista de sugestões de temas a serem lidos durante o ano. Me despreocupei após ter visto que era para ser feito durante o ano todo, já que eu sou meio avesso à coisas com datas pré-definidas.

Olha, eu achei um pouco grande a lista deste ano. Mas como são sugestões, não-sou-obrigado a ler tudo. É claro que vou tentar, e me comprometo a trazer os resultados para cá. Mas vou aproveitar para ler alguns livro que estavam há tempos na prateleira me esperando.

Segue a lista com sugestões de temas, seguida com os livros que vou tentar ler durante o ano:

01. Um vencedor do Jabuti – A Cabeça do santo, de Socorro Acioli;

 

02. Um livro japonês – Sono, de Haruki Murakami;

03. Um livro que explore o erotismo (complicadinho) – A filosofia na alcova, do Marquês de Sade;

04. Um roman à clef (não entendi muito bem o que é isso) – Ligações perigosas, de Chordelos de Laclos;

05. Um livro com um protagonista detestável – As esganadas, de Jô Soares;

06. Um livro triste – Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra, de Mia Couto; 

07. Um autor que você já conheceu pessoalmente – O mel de Ocara, de Ignácio de Loyola Brandão;

08. Um livro com engajamento político – As duas guerras de Vlado Herzog, de Audálio Dantas;

09. Um livro que você ganhou de um amigo – Harry Potter e a criança amaldiçoada, de J.K. Rowling e outros;

10. Um romance psicológico – A hora da estrela, de Clarice Lispector;

11. Um livro escrito antes do renascimento – A poética clássica, de Aristóteles e outros;

12. Um livro já resenhado pelo Livrada! – Memórias de minhas putas tristes, de Gabriel García Márquez;

13. Um livro de correspondência – Cartas a um jovem escritor, de Mário Vargas Llosa;

14. Um livro que se passa em um lugar em que você já esteve – Assassinatos na Academia Brasileira de Letras, de Jô Soares;

15. Vida e Destino, de Vassili Grossman (escolhido pelo Livrada!).

Quem quiser me acompanhar, coloca o progresso aqui nos comentários.

leia tudo sobre

Publicidade

Estopim criativo

Por Iury Costa em Cotidiano

11 de janeiro de 2017

Cada pessoa que escreve tem a sua forma de “aflorar a imaginação”. Na verdade, acho que é uma espécie de estopim. Algo ativa o lado criativo, que começa a fervilhar a mente, e os textos fluem. Tem gente que aflora ao sentar na varanda, ou no parque, ou ao tomar uma xícara de café, no balançar do ônibus… Eu me “inspiro”, pelo menos na maioria das vezes, com uma boa dose de raiva. Isso mesmo. A raiva me motiva a escrever.

Assim como o escritor Ignácio de Loyola Brandão, que diz que a literatura é movida  pela indignação, acho que sou, repito, pelo menos na maioria das vezes, movido, também, por essa indignação. É claro que não sabia disso. Imagina só que loucura essa de escrever durante os surtos! Eu hein! Mas o pior que é isso mesmo. Comecei a perceber. Tanto que a raiva me inspirava, quanto que um ansiolítico poderia me fazer bem.

Percebi que momentos ruins em minha vida, que não vêm ao caso agora, me motivaram a escrever mais. Na verdade, me davam um gás a mais para escrever. O episódio em que atentei para isso foi após uma discussão acadêmica. Saí bufando de raiva. Sentei, respirei, e tentei me acalmar. Durante, o processo, brotaram diversas ideias para textos. Às vezes, quando não estou em casa, e sem o celular para anotar as palavras-chave do texto, as ideias se esvaem. Mas, neste dia, consegui escrever alguns textos. Uns que ainda estão no arquivo.

Então é isso. Quando estiver sem ideias, arrume confusão. Brigue, esperneie, mas tente estar certo. Por que pior que brigar para conseguir algo, é brigar sem ter razão. Mesmo assim, treine a raiva.

Foto: reprodução internet

leia tudo sobre

Publicidade

Resoluções de ano novo

Por Iury Costa em Cotidiano

04 de janeiro de 2017

Escrevo este texto após a meia noite, após os abraços e felicitações a todos, e após retornar ao silêncio e à escuridão do meu quarto. Amo meu quarto.

Nunca gostei de ano novo. Do ano que começa, claro que gosto. Digo no sentido de “virada do ano”. Pelo simples fato de que o ano seguinte é desconhecido. Mesmo eu sendo um jornalista, e que o jornalismo trabalha com o inédito, gosto, assim como grande parte das pessoas (creio eu), ter um pouco de controle sobre os meus próximos passos. O que é uma loucura, eu sei. Mais uma sugestão de tema a ser trabalhado pelo psicólogo nos próximos encontros.

O natal, já que vamos falar de datas festivas, é menos sombrio. Não sei se é por causa dos seis dias que ainda têm pela frente, mas no natal eu não sinto frio na barriga, por conta da incerteza do futuro. Tudo bem que é o dia em que se comemora o nascimento de Jesus, mas é normal para mim. Tenho uma boa relação com o Senhor, que não se resume a um dia do ano. Aliás, aproveito para viajar, para também fugir das maçantes confraternizações.

Sobre as incertezas. Posso soar um pouco pessimista, mas um “novo ano” não garante a realização dos sonhos, ou de mudanças boas que sejam alheias às nossas vontades. O mínimo que podemos fazer, é nos contentarmos, e isso é excelente, com nossas próprias resoluções. Ou seja, nossas “auto-promessas”. Que nós possamos por em prática, este ano, e que isso esteja na lista de resoluções, a indiferença. Melhore a indiferença no quesito de não se envolver em assuntos que não lhe convém. Indiferença no quesito de não se envolver em assuntos de outras pessoas. Se meter na vida alheia nunca esteve em moda. Mesmo assim, insistem. É claro que existem exceções. Se for um problema terrível de um amigo seu, aí pode se meter sim.

Todos tentam realizar promessas feitas à meia-noite, durante o pipocar dos fogos. Poucos conseguem realmente. Vamos, pelos menos, tentar os mais fáceis? No mais, desenvolva o de sempre: carinho, educação, empatia… Ué, e não era para ser indiferente? É para ser os dois! A empatia é um dom que deve ser mantido em silêncio, em segredo, e que deve ser usado apenas quando necessário. Seja legal, mas nem tanto.

Foto: reprodução internet

leia tudo sobre

Publicidade

As vantagens – e grandes mentiras – de se morar na capital

Por Iury Costa em Cotidiano

22 de abril de 2017

Não há nada melhor do que morar na capital. Em Fortaleza, por exemplo, quem mora na cidade, tem oportunidade de ter tudo a poucos passos de casa. São mercados, lojas, faculdades, milhares de shoppings. É claro que esse detalhe só conta se você morar em um bairro, pelo menos, médio. Posso até trocar a palavra “capital”, por “cidade grande”, pois existem hoje muitas cidades do interior – até mesmo longe da capital – que são verdadeiras metrópoles.

Eu, como um rapaz nascido e criado em cidade grande, não conseguia me distanciar da tal. Digo, me distanciar no sentido de “tirar férias da loucura”. Nem conseguiria, se quisesse. Além de nascido e criado em cidade grande, sou jornalista, e, na mensagem subliminar que essa profissão carrega, lê-se viciado em trabalho, viciado em tecnologia, viciado em café (o que não é tão importante assim) e viciado em acompanhar cada passo do mundo. Jornalista não consegue tirar nem um dia sabático, imagine se mudar para uma cidade calma.

Tem um filme que eu acho bem bacana, que dá para me definir. Tirando a parte do assassinato e da perseguição, o filme “Cadê os Morgan?” mostra um casal de nova-iorquinos tão ligados à cidade, que não gostava de ir nem na cidade vizinha. Daí, quando tiveram que ir para o interior do país, depois de entrarem para o programa de proteção à testemunha, apareceu o desespero. Tiveram que dormir ao som dos carros, buzinas e ambulâncias. Pois bem, sou eu. Não conseguia passar minhas férias no sítio interior, nem no hotel na beira da praia. Minha ligação com a metrópole é muito grande. Na verdade, era.

Com o passar do tempo, você percebe que o desenvolvimento das grandes cidades não acompanha as reais necessidades do seu morador. Só três coisas aumentam junto com a população: congestionamentos, poluição e violência. Então, pensamentos em sair da loucura. E saí. Amo Fortaleza, mas essa senhora de 291 anos não está sendo bem cuidada.

Mas não saí muito. Uni o útil ao agradável, e escolhi um apartamento em uma cidade vizinha. Olha, estou me adaptando à calmaria. É claro que não é nenhuma zona rural, ou um sítio, para ser tão calmo assim. Mas para quem morava defronte a uma avenida movimentada, é outro mundo mesmo. Continuo a passar a maior parte do meu dia em Fortaleza, por causa do trabalho e estudo. Mas quando chego em casa, sinto a diferença. O ar é mais “respirável”, não escuto carros, e estou a alguns metros da praia, onde, quando posso, recarrego as energias. Sem falar que o tempo gasto de uma cidade a outra é bem menor que o que costumava gastar dentro de Fortaleza.

É claro que nem todo mundo pode, simplesmente, deixar sua casa e se mudar. Mas pode mudar na mesma casa. O “sair para desopilar” nunca esteve tão em alta. Saia, descanse, e comece a se acostumar com um mundo mais calmo. Não se preocupe, que é fácil se acostumar com o que é bom.

Foto: reprodução internet