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Divagando

por Iury Costa

Instinto homicida

Por Iury Costa em Cotidiano

20 de maio de 2017

Tenho vontade de matar. Muita vontade mesmo! Mas calma, não grite, não chame a polícia e não se preocupe, pois não passa de uma vontade. Mas talvez seja apenas este detalhe – o de ter apenas vontade – que diferencia os loucos não-homicidas, dos loucos homicidas. Olha que é um detalhe bem pequeno, e todo dia tem gente passando de um lado para o outro. Eu me seguro para ficar do lado certo. Mas a vida em Fortaleza (creio que existem cidades piores, mas estou nessa) não dá uma boa garantia.

Não sou a pessoa mais certa do mundo. Perfeito mesmo, só Deus Nosso Senhor. Mas ao andar na rua, nos deparamos com cada loucura, com cada gente praticando os atos infracionais mais impensáveis, que pensamos mesmo em fazer uma loucura. Tento me acalmar.

Não sei se é apenas comigo (acho que não), mas fico a um passo do abismo quando vejo alguém fazer algo errado. Furar fila, pagar menos pelos produtos no supermercado, ser barbeiro no trânsito… Ah, o barbeiro (o do trânsito). Tremo as carnes quando alguém na minha frente dirige devagar, não sinaliza, estaciona em fila dupla para deixar o filho dentro da sala de aula de carro… A cada erro que vejo os outros cometerem, fico imaginando formas de matar ou morrer.

Ultimamente, tenho evitado o que me faz mal. O primeiro passo para uma vida plena foi deixar de dirigir. Ou, dirigir apenas o necessário, e o mínimo possível. Passei a usar mais o ônibus, aplicativos de carros, enfim, tudo na tentativa de deixar o meu em casa, para não cometer um crime. Tomei essa decisão depois que, ao ver um motorista fazendo todo tipo de barbeiragem na rua. Paramos no mesmo local. Mas ele, preferiu estacionar onde? Na vaga do idoso! Não consegui me controlar, e fui falar com ele. Pois ele quase me mata! Deixa pra lá. Não quero entrar em detalhes. Mas como o mundo todo está na vibe de incentivar o uso do transporte coletivo, estou me saindo bem.

Outra maravilha da humanidade: os aplicativos de banco. Nem lembro da última vez que fui em uma agência. Evito fila extensas, pegar senha, porta que trava, dois comprimidos de rivotril. Sempre desconfiei dos aplicativos, mas depois que perdi um dia todo no banco para, no fim do dia, não dar certo o que fui fazer, eles viraram meu melhores amigos. Agora, só vou em casos extremos.

E por fim, para não me estender demais, comecei a meditar. Como ainda tem muita coisa errada neste mundo-de-meu-Deus, impossível se contentar apenas com um ônibus ou com um aplicativo. Não dá para mudar o (velho) ser humano. Então é melhor se acostumar. Respirar mais é o segredo para uma vida sem ficha criminal! Respire, não mate. Respire, não mate. Respire, não mate.

Foto: reprodução internet

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Doce de criança

Por Iury Costa em Cotidiano

13 de maio de 2017

Fico a imaginar como aquele antigo ditado é engraçado. Aquele do “tirar o doce de criança”. Mas vamos parar para pensar: e se, em vez de tirarmos o doce dela, por que não darmos o doce? Nem adianta você pensar que eu sou a mais santa alma da Terra, pois a minha intenção é puramente para benefício próprio. Sim, o egoísmo falou mais alto (deixei muita gente triste agora).

Outro dia, estava sentado aguardando atendimento em um banco. Na fileira de cadeiras à minha frente, um casal, e uma menininha (entre três e quatro anos). Essa criança tinha pulmões de aço, e, desde que havia entrado no banco, não parava de chorar. Mas era aquelas birras pesadas mesmo, que a gente percebe que não tem motivo. E realmente não tinha, pois os coitados dos pais da menina não conseguiam controlar a mini onça, que chorava, gritava, derrubava papel e se jogava no chão. Mas só tinha pena dos dois por alguns momentos. Em outros, ficava indignado com os babacões, que não sabiam controlar uma criança.

Gosto demais de crianças, mas tudo tem limite. Ouvir um grito do seu filho é horrível, mas por obrigação moral, você aguenta. Agora, ficar surdo com grito de criança que pai não consegue controlar, me poupe (pois é, acho que estou um pouco mais ranzinza que o normal. Devia ter esperado para produzir esse texto depois que me acalmasse). Acho que deveriam ter controlado a criança. (ao mesmo tempo, lembro que é uma criança de, mais ou menos três anos, e que é difícil mesmo. Mas esse pensamento passa rápido).

Lá pelas tantas, a salvação dos nossos pobres e oprimidos ouvidos. Uma senhora, sabiamente, tira um pirulito da bolsa, e oferece à criança, que para de chorar meio que por um milagre. No rosto de todos, uma feição que mistura surpresa e um extremo alívio. Uma pessoa desconhecida conseguiu acalmar a onça! Essa sim era uma santa alma. Ainda acredito que foi um anjo. Tive que parabenizá-la pelo feito.

Como há males que vêm para o bem, a partir da data do martírio, passei a comprar um mini estoque de doces, bombons e pirulitos. Agora ando prevenido! Se os pais não controlam os filhos, que a Santa Glicose nos proteja!

Foto: reprodução internet

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Dia de agradecer

Por Iury Costa em Cotidiano

06 de maio de 2017

Em uma noite dessas da vida, depois de um (raro) dia ao léu, fui até uma casa de sopas, procurar uma comidinha mais leve. Ao chegar no local, já entrando, e, praticamente, já na cozinha, me deparei com a proprietária, que me disse que, durante aquele dia, não estava vendendo sopas, mas distribuindo. Me disse que era uma forma de demonstrar a sua gratidão pelas pessoas que sempre compraram lá. Uma forma de retribuir que sempre está por lá. Fiquei meio constrangido por não pagar, até porque não um dos mais assíduos e compradores. Mas entendi que, ao aceitar a sopa, deixaria a mulher feliz.

Cheguei em casa, e tudo bem. Fui provar a sopa, que estava uma delícia, e passei a me lembrar das palavras da proprietária, e de como o coração dela estava feliz por distribuir aquelas sopas, mesmo perdendo um monte de dinheiro naquele dia. Como é bom se sentir assim, feliz e grato. Como o mundo seria bem diferente se as pessoas fossem mais gratas.

Hoje, as pessoas não têm mais tempo para sorrir, para apreciar uma bela vista, para se importar com os outros, e muito menos de se sentirem gratas. Estamos, na verdade, mais egoístas. Digo isso com segurança, pois, quem é grato na vida, ajuda mais, se deixa ser ajudado, se importa mais com os outros, se importa consigo, e dá atenção à vida, aos detalhes, ao mínimo que seja.

Uma pessoa grata é mais feliz, pois sabe que serve ao mundo da mesma maneira que o mundo a serve. Cuida da sua casa, cuida do corpo, da cidade. Além de viver se amargor no coração. Vive mais.

Que nós separemos um tempo para pensar nos outros, para pensarmos em nós mesmos, e admirar e agradecer pelo que a vida nos deu até agora. Não precisa doar dinheiro e virar santo, mas que a gente possa, sobretudo, aprender com as experiências. Até porque, aprendemos tanto com o que é bom, como com o que é mau. Tentemos.

Foto: reprodução internet

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Temos medo do outro

Por Iury Costa em Cotidiano

29 de abril de 2017

A palavra demofobia é formada de outras duas palavras gregas: demos, que significa povo, e fobos, que significa medo. Em um significado livre, demofobia é o medo que as pessoas têm de multidões. Acho que tenho uma demofobia média. Mas vamos combinar: quem não tem às vezes? Espera que eu tentarei explicar.

Você acorda cedo para ir trabalhar. E para (1) economizar dinheiro ou (2) tentar contribuir para um mundo mais sustentável, deixa o carro em casa. Aí pensa assim: são só algumas paradas. Eu consigo. Entra. O ônibus até que não está muito cheio. Algumas cadeiras ainda vagas, e, você escolhe uma mais atrás para que sobrem mais vagas para os idosos. Daí, após uma cochilada, parece que é outro coletivo. Umas cem pessoas estão dentro, todas apertadas. Tão apertadas, que até você, no banco, está amassado. Sem falar do calor insuportável.

Já chega morto no trabalho. Morto, e podre, com o blend de perfumes e suores no seu corpo. Mas resiste às oito horas regimentais, e sai correndo para pegar o banco ainda aberto e pagar as contas. Tem que ir em mais um ônibus lotado. Chega, e se depara com a fila já do lado de fora. É dia primeiro. Pelo lado positivo: no lado de fora, pelo menos, tem oxigênio, já que dentro tem tanta gente, que você se sente em uma sauna no topo do Monte Aconcágua. Mas consegue passar por mais uma prova de fogo.

Dia primeiro também é o dia para fazer as compras.  Ao sair do banco, mais um ônibus para ir para casa. Perto de casa, o supermercado onde todo o bairro resolveu comprar. Corredores cheios, poucos produtos nas prateleiras (já levaram quase tudo) e filas que já chegam no açougue. Mas é perto de casa, já é tarde, e você não tem nem coragem e nem mais tempo para ir a outro lugar. Compra tudo. Passa mais tempo na fila do que escolhendo os produtos.

Tá tudo bem. Chega em casa, e vem aquela felicidade lá das entranhas. A inexplicável sensação de prazer de estar só em casa, com todo aquele espaço e oxigênio só para você. Se você não se sente mal com tanta gente lhe apertando, lotação em ônibus, na rua, no supermercado… Parabéns! Você está curado. Ou mais louco que a gente!

Fonte: reprodução internet

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As vantagens – e grandes mentiras – de se morar na capital

Por Iury Costa em Cotidiano

22 de abril de 2017

Não há nada melhor do que morar na capital. Em Fortaleza, por exemplo, quem mora na cidade, tem oportunidade de ter tudo a poucos passos de casa. São mercados, lojas, faculdades, milhares de shoppings. É claro que esse detalhe só conta se você morar em um bairro, pelo menos, médio. Posso até trocar a palavra “capital”, por “cidade grande”, pois existem hoje muitas cidades do interior – até mesmo longe da capital – que são verdadeiras metrópoles.

Eu, como um rapaz nascido e criado em cidade grande, não conseguia me distanciar da tal. Digo, me distanciar no sentido de “tirar férias da loucura”. Nem conseguiria, se quisesse. Além de nascido e criado em cidade grande, sou jornalista, e, na mensagem subliminar que essa profissão carrega, lê-se viciado em trabalho, viciado em tecnologia, viciado em café (o que não é tão importante assim) e viciado em acompanhar cada passo do mundo. Jornalista não consegue tirar nem um dia sabático, imagine se mudar para uma cidade calma.

Tem um filme que eu acho bem bacana, que dá para me definir. Tirando a parte do assassinato e da perseguição, o filme “Cadê os Morgan?” mostra um casal de nova-iorquinos tão ligados à cidade, que não gostava de ir nem na cidade vizinha. Daí, quando tiveram que ir para o interior do país, depois de entrarem para o programa de proteção à testemunha, apareceu o desespero. Tiveram que dormir ao som dos carros, buzinas e ambulâncias. Pois bem, sou eu. Não conseguia passar minhas férias no sítio interior, nem no hotel na beira da praia. Minha ligação com a metrópole é muito grande. Na verdade, era.

Com o passar do tempo, você percebe que o desenvolvimento das grandes cidades não acompanha as reais necessidades do seu morador. Só três coisas aumentam junto com a população: congestionamentos, poluição e violência. Então, pensamentos em sair da loucura. E saí. Amo Fortaleza, mas essa senhora de 291 anos não está sendo bem cuidada.

Mas não saí muito. Uni o útil ao agradável, e escolhi um apartamento em uma cidade vizinha. Olha, estou me adaptando à calmaria. É claro que não é nenhuma zona rural, ou um sítio, para ser tão calmo assim. Mas para quem morava defronte a uma avenida movimentada, é outro mundo mesmo. Continuo a passar a maior parte do meu dia em Fortaleza, por causa do trabalho e estudo. Mas quando chego em casa, sinto a diferença. O ar é mais “respirável”, não escuto carros, e estou a alguns metros da praia, onde, quando posso, recarrego as energias. Sem falar que o tempo gasto de uma cidade a outra é bem menor que o que costumava gastar dentro de Fortaleza.

É claro que nem todo mundo pode, simplesmente, deixar sua casa e se mudar. Mas pode mudar na mesma casa. O “sair para desopilar” nunca esteve tão em alta. Saia, descanse, e comece a se acostumar com um mundo mais calmo. Não se preocupe, que é fácil se acostumar com o que é bom.

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Na net com Danuza

Por Iury Costa em Cotidiano

15 de abril de 2017

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O texto de hoje está mais para um depoimento do que para uma crônica em si. Mas não deixa de ser algo sobre o cotidiano. Ou melhor, sobre uma dama do cotidiano: Danuza Leão. A escritora, jornalista e otras cositas mas, que possui linguagem única para conversar com seus leitores. Muitas vezes mal interpretada, mas, com certeza, uma pessoa que sabe brincar com as palavras. E, principalmente, com a pontuação.

Para quem não conhece Danuza Leão, uma pequena biografia. Uma capixaba que nasceu em 1933, e que, durante sua longa caminhada, experimentou de-um-tudo nessa vida. Ainda jovem (adolescente, na verdade), virou modelo em Paris. Na época, ela diz, em que modelo não ganhava um tostão. Já foi jurada de programa de auditório, dona de boutique, administradora de casa noturna, roteirista. Entrou no jornalismo por acaso, após ter casado com um dono de jornal. É claro, se destacou pela profundidade das matérias. Daí virou colunista. Social e do cotidiano. E concorrida pelos jornais.

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Começou a escrever os livros já na maturidade. E ganhou a simpatia do público. O seu primeiro foi o “Na sala com Danuza”, que ficou por diversas semanas entre os mais vendidos. O livro é uma espécie de guia de etiqueta. Mas não é o que você é obrigado a seguir. São apenas as experiências de Danuza, e que, talvez, possam dar certo para você também.

Conheci Danuza Leão ao acaso. Na verdade, demorei para conhecê-la mais a fundo, pois a tinha apenas como “uma mulher que escreve muito bem na revista Cláudia”. Pois é, meu primeiro contato com a escritora (que ela nem gosta de ser chamada de escritora, mas apenas uma pessoa que escreve) foi por meio da Revista Cláudia. Sempre me impressionava com a leveza e facilidade em se comunicar que Danuza possuía. Quando minha mãe, a assinante, terminava de ler, pegava a revista para ler a coluna, que não era nem um pouco voltada apenas para o público feminino. Era plural. Textos excelentes.

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Daí, deixei passar esse momento, e me afastei dos textos de Danuza. Um dia, ao passar a vista nas prateleiras da Livraria Saraiva, vi o livro “Danuza e sua visão de mundo sem juízo”. De repente, aquela epifania. Me lembrei de como ela era ótima, e que, com um livro que tem “sem juízo” no título, deveria ser ótimo. Comprei, adorei (recomendo, aliás), e, depois desse livro, passei a procurar seus outros títulos, para agraciar minha prateleira. Quase não consigo todos, já que alguns nem estão mais à venda nas principais livrarias. Parti então para livrarias menores (com fretes caríssimos) e sebos (os sebos são minha nova paixão).

Depois de “Sem Juízo”, comprei o “De malas prontas”. Um livro que conta as experiências que ela teve em cidades do Brasil e do mundo. Sua linguagem simples, no sentido cativante, consegue segurar o leitor. Depois comprei o “Fazendo as malas”, no mesmo estilo. São cidades marcantes para Danuza, como Buenos Aires, São Paulo, Barcelona. Parece que estávamos junto com ela nos lugares. Aliás, já estou marcando na agenda um roteiro “by Danuza” para eu fazer nas férias.

Ainda não li todos os livros, mas estão na lista de espera. Os seguintes são, “É tudo tão simples”, “Quase tudo”, que é sua autobiografia, “Todo dia”, “Crônicas para guardar”, “As aparências enganam”, e, é claro, os “Na sala com Danuza 1 e 2”.

No mais, recomendo que procure por Danuza Leão. Na net, no chat, nos livros e livrarias, revistas, que ela nos cativa e, pela sua  naturalidade em escrever, no leva para dentro de casa, como se fôssemos parentes. Leia.

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Dia de folga

Por Iury Costa em Cotidiano

08 de abril de 2017

De volta após um “período sabático”. Na verdade, nem tão sabático assim. Precisei me dedicar a um trabalho extra. Espero, nos próximos meses, dar boas notícias por aqui.

Como fomos sentenciados a viver fora do Jardim do Éden, precisamos trabalhar para nos manter. Trocamos trinta dias de suor e muito esforço (às vezes, saúde também), por uma quantia de dinheiro no fim do mês. O trabalho, mesmo que seja dignificante, estressa, é cansativo, e, no fim do expediente, você já está prestes a cometer um homicídio. Em qualquer trabalho é assim. Mesmo nos “facinhos”.

Para que não cheguemos ao trigésimo dia apenas com a carcaça, a lei brasileira estabeleceu o “Descanso Semanal Remunerado”, ou, como é mais conhecido, o lindo e maravilhoso dia de folga (glorificando de pé). E passamos toda a semana esperando ansiosamente pelo dia de folga. Pensando no que fazer durante essas horas sagradas.

Eu, pelo menos, tenho sonhos com o meu dia de folga, planejo diversas programações para o tão aguardado dia. Não que eu não goste de trabalhar. Aliás, adoro. Adoro o jornalismo. Mas todo trabalho deixa a pessoa cansada. Principalmente aqueles que precisamos pensar demais. Então, nada melhor do que um dia inteirinho para fazer o que bem entender.

Planejo acordar cedo, tomar um café da manhã reforçado, ir à praia, ler os livros que estão atrasados, ir ao cinema, ir à alguma exposição, ir à igreja, e, com tempo ainda sobrando, me deitar cedo, para acordar renovado no dia seguinte, e ir trabalhar. É claro que não consigo fazer nada. No meu imaginário, vou ter coragem suficiente para realizar toda a programação e não me cansar. Isso não existe.

Não consigo nem fazer a primeira coisa da lista. O cansaço de toda uma semana me impede de levantar cedo. Aí nem penso no restante. O máximo que consigo fazer é comer e voltar para o quarto assistir seriados. Algumas temporadas depois, me dou conta que perdi o dia todo, e que, dali a algumas horas,vou ter que voltar ao trabalho. Perder o dia de folga me deixa triste.

Depois de várias tentativas de sair no dia de folga, percebi que: ou se tem tempo, ou se tem dinheiro. Ter os dois é complicadíssimo. Mas não podemos desistir de ter os dois.  Onde se lê a palavra “tempo”, entenda por “qualidade de vida”.

 

Dica para assistir no dia de folga:

 

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Por que guardar?

Por Iury Costa em Cotidiano

15 de fevereiro de 2017

Pense como arrumar o quarto é chato. Empurro com a barriga enquanto posso. Na verdade, admiro quem domina a nobre arte da organização. Não falo de limpeza, mas sim dos pormenores, aqueles cacarecos que insistem em se esconder nas frescas escuras das nossas alcovas. Mas como dizem que quem é desorganizado é mais criativo e inteligente, estou no lucro.

E nem era sobre organização que eu queria falar. Quero falar que – na data épica em que resolvi arrumar o quarto – me impressionei como sou apegado aos detalhes da vida. Acho que a maioria das pessoas guarda alguma lembrancinha de evento ou fato marcante, mas meu colecionismo é demais! Não me arrependo. Tive ápices de emoções enquanto arrumava minha – como minha mãe diz – zona inexplorável.

Ri e chorei horrores quando fui desembrulhando os pedaços da minha vida. Fui lembrando de episódios que a memória fez questão de colocar para escanteio. Tenho meus boletins, bilhetinhos da época de colégio, provas. Até as Xerox – ou fotocópias, para não forçar o marketing – tenho guardado. Vida boa a de estudante. Sem tanta pressão do mundo para que você seja alguém. Mantenho poucos amigos daquele tempo. Mas são amigos.

Agora, para as coisas bregas. Tenho guardanapo de um restaurante legal que fui, canudo de outro canto, relógios, xícaras, pratos. Lembrancinhas de aniversário? Adoro as lembrancinhas – além das comestíveis – de aniversários, casamentos e festas afins. Objetos que marcam a passagem, a mudança de cada ser humano. A rotina se altera. Amigos que vêm e vão.

Não menos importante: trecos que trago das viagens. Não são de muitos lugares, mas muitos dos mesmos lugares. Chaveiros, guarda-chuva, chaveiros, bolsa, chaveiros e canetas. Já falei das xícaras? Esse objeto é o único em que oficialmente digo que coleciono. Tenho várias que, obviamente, não uso. Também ganho dos amigos.

Talvez o apego ao passado nos conforte ante o medo do futuro. Sombrio e duvidoso futuro. Pelo menos temos amigos.

Por que não guardar?

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Mais drama, por favor!

Por Iury Costa em Cotidiano

08 de fevereiro de 2017

Outro dia um amigo meu fez aniversário. Daí, como toda pessoa sensata e com amor no coração, fui confraternizar com ele, parabenizá-lo e desejar felicidades e tudo de bom na vida. Nada demais desejar isso. Até porque, tudo de bom significa uma mensagem boa e tal. Pensava assim até começar a pensar assado.

Alguns dias depois, enquanto fazia a barba, a frase que eu havia dito (tudo de bom para você) começou a martelar na minha cabeça. Epifanias que dão um susto! Mas gente, não pode estar certo você desejar isso a uma pessoa. Passei a imaginar como seria tão ruim para o mundo se tudo de bom acontecesse. Isso mesmo: RUIM! Mas antes das tochas acenderem, eu explico o motivo.

O ser humano – pelo menos não nesse milênio – não está pronto para ter uma vida com tudo de bom. Somos mesquinhos, avarentos, egoístas. Enfim, o tudo de bom ia ser ruim para alguém. Imagino assim.

Imaginem como o homem seria insensível, mesquinho e arrogante se tudo de bom lhe acontecesse, sem nenhum erro. E como seria triste uma vida sem desafios, sem expectativas ou otimismos. No fim das contas, daria muita depressão. Crianças egoístas, falta de caridade, fim do amor ao próximo. Não acho que uma vida somente com conquistas seria o ideal pra nós. Erros de vez em quando também fazem bem ao coração.

Pois é minha gente, o “tudo de bom” nem sempre é tão bom pra gente. Os tropeços da vida são formas de aprendizado, e portanto, servem para desenvolvermos nossa essência e nosso caráter. Precisamos de uma pitada de chateação e drama de vez em quando, para que, lá na frente, o tudo de bom tenha um gosto ainda melhor.

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Chuva de desatinos

Por Iury Costa em Cotidiano

01 de fevereiro de 2017

Hoje, chove. E, quando chove, surgem cascatas de grosserias que brotam das bocas dos mais improváveis “seres dotados de inteligência”. E se estamos no carro? O dobro de difamações jorra na sua face. Falo por experiência própria. O motorista que nunca foi xingado que atire o primeiro palavrão.

Darei aqui meu testemunho. Estava voltando pra casa e o sujeito breca na minha frente. OK, minha culpa, estava muito perto. Desci para tratar do ocorrido e arcar com os custos. Mesmo assim, a conversa não fluiu. Na verdade, fluiu em uma direção que já devia ter imaginado. Aprendi nomes que não são legais, nem se usados nas trovoadas da noite. A mente nebulosa do homem me amedrontou.

Espero que acabem todas as palavras de maldição que escorreram da mente do homem e começo a conversar. No final, tudo resolvido, contas pagas e a pessoa joga uma “desculpe”. Turvo, porém, sincero. E vejo que as águas trazem com elas pressa e impaciência. A pessoa se atola no baixo calão mesmo sem querer.

Não podemos deixar que um episódio manche uma vida de aprendizados, julgo eu, contribuintes da moral. Saia mais cedo para evitar que um palavrãozinho pingue da sua boca. Que a chuva limpe a alma das pessoas. E, que no final, todos tenham um bom e límpido dia.

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Instinto homicida

Por Iury Costa em Cotidiano

20 de maio de 2017

Tenho vontade de matar. Muita vontade mesmo! Mas calma, não grite, não chame a polícia e não se preocupe, pois não passa de uma vontade. Mas talvez seja apenas este detalhe – o de ter apenas vontade – que diferencia os loucos não-homicidas, dos loucos homicidas. Olha que é um detalhe bem pequeno, e todo dia tem gente passando de um lado para o outro. Eu me seguro para ficar do lado certo. Mas a vida em Fortaleza (creio que existem cidades piores, mas estou nessa) não dá uma boa garantia.

Não sou a pessoa mais certa do mundo. Perfeito mesmo, só Deus Nosso Senhor. Mas ao andar na rua, nos deparamos com cada loucura, com cada gente praticando os atos infracionais mais impensáveis, que pensamos mesmo em fazer uma loucura. Tento me acalmar.

Não sei se é apenas comigo (acho que não), mas fico a um passo do abismo quando vejo alguém fazer algo errado. Furar fila, pagar menos pelos produtos no supermercado, ser barbeiro no trânsito… Ah, o barbeiro (o do trânsito). Tremo as carnes quando alguém na minha frente dirige devagar, não sinaliza, estaciona em fila dupla para deixar o filho dentro da sala de aula de carro… A cada erro que vejo os outros cometerem, fico imaginando formas de matar ou morrer.

Ultimamente, tenho evitado o que me faz mal. O primeiro passo para uma vida plena foi deixar de dirigir. Ou, dirigir apenas o necessário, e o mínimo possível. Passei a usar mais o ônibus, aplicativos de carros, enfim, tudo na tentativa de deixar o meu em casa, para não cometer um crime. Tomei essa decisão depois que, ao ver um motorista fazendo todo tipo de barbeiragem na rua. Paramos no mesmo local. Mas ele, preferiu estacionar onde? Na vaga do idoso! Não consegui me controlar, e fui falar com ele. Pois ele quase me mata! Deixa pra lá. Não quero entrar em detalhes. Mas como o mundo todo está na vibe de incentivar o uso do transporte coletivo, estou me saindo bem.

Outra maravilha da humanidade: os aplicativos de banco. Nem lembro da última vez que fui em uma agência. Evito fila extensas, pegar senha, porta que trava, dois comprimidos de rivotril. Sempre desconfiei dos aplicativos, mas depois que perdi um dia todo no banco para, no fim do dia, não dar certo o que fui fazer, eles viraram meu melhores amigos. Agora, só vou em casos extremos.

E por fim, para não me estender demais, comecei a meditar. Como ainda tem muita coisa errada neste mundo-de-meu-Deus, impossível se contentar apenas com um ônibus ou com um aplicativo. Não dá para mudar o (velho) ser humano. Então é melhor se acostumar. Respirar mais é o segredo para uma vida sem ficha criminal! Respire, não mate. Respire, não mate. Respire, não mate.

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