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Diálogos Urbanos

por Mauro Cordeiro Fh.

Um milagre do Padre Cicero

Por Mauro Cordeiro Fh. em #EspecialJuazeiro, Cidades

21 de julho de 2017

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especial #EuJuazeiroDoNorte

 

Num tempo em que não se falava de planejamento urbano, estatuto da cidade e afins,  Padre Cicero, na qualidade de líder político-religioso, pensou na cidade de Juazeiro do Norte: um lugar propenso ao progresso.

Juazeiro em 1911 (Reprodução)

Traço urbano-histórico.

Perceber a construção do território e identidade das cidades, no seu aspecto histórico-urbano, nos remete a compreender o crescimento e desenvolvimento da localidade. Assim, é possível fazer uma abordagem multidimensional do espaço, abrindo campo para reflexão mais aguçada sobre as dimensões sociais e jurídicos da cidade.

Fruto de uma era industrial, Juazeiro do Norte apresenta desde o início sinais dessa realidade. O sangramento da Hóstia na boca da beata Maria de Araújo, é acontecimento divisor de águas na história-urbana da Cidade. O aspecto místico – tanto da beata, quanto do padre; direciona um novo caminhar. O Nordeste se volta para a terra do Milagre… Juazeiro é a terra santa. Essa singularidade acaba por comungar e fomentar o crescimento de Juazeiro, vez que se precede da narrativa ao redor do padre, já conselheiro, e também da santa beata.

Essa característica desemboca na construção da identidade do então lugarejo. Explica Maria de Lourdes no livro A cidade do Padre Cicero:trabalho e fé (2011):

O mito Padre Cícero guarda relação com a ação econômica por ele empreendida na cidade do Joaseiro, onde a materialidade do espaço econômico guarda vinculação direta com a imaterialidade da fé.

Encontramos então os elementos principais da construção de Juazeiro, um elo interdependente composto por religião-romaria-economia.

Um povoado de romeiros.

A formação da população da cidade se deu principalmente pela vinda desses peregrinos, que acabavam se instalando por aqui. Ademais, o próprio Padre Cicero incentivava a migração e acolhia a todos sem quaisquer distinções.

No livro Entre chegadas e partidas: dinâmicas das romarias em Juazeiro do Norte (2011), Paula Cordeiro relata que

A maioria da população que deu origem ao município era formada por indivíduos miseráveis, perseguidos por questões de posse da terra, ex-cangaceiros, ex-“mulheres da vida”, “sem-terras”, retirantes das grandes secas que assolaram o Nordeste no início do século XX e portadores de doenças crônicas que no Joaseiro do Padre Cícero buscavam aconselhamento, refúgio, redenção e melhoria de condições de vida e de trabalho. Muitos desses indivíduos vinham originalmente em romaria. Para os romeiros de outrora que fixaram residência no município, é amplo o repertório de acontecimentos fantásticos, da ordem do milagroso e do sobrenatural que reconstituem os caminhos que os trouxeram para Joaseiro.

A verdade é que foi o Padre Cicero que projetou Juazeiro. Padre Murilo, no livro Padre Cicero (2002) exprime com sapiência esse fenômeno:

Padre Cicero marcou as ruas, escolheu os logradouros públicos, projetou uma cidade que se tornaria como ainda agora é: acolhedora e amiga.

Assim, certamente, podemos identificar um “Milagre em Juazeiro”, desprendido do certame e das questões históricas mais polêmicas. Esse milagre pode e se perfaz no seu crescimento espacial-populacional. A construção da população juazeirense é o sentido que possibilitou essa cidade tornar-se grande. Um pequeno lugarejo, com poucas casas, rapidamente se transforma num povoado com centenas delas.

Fazendo morada.

De início, não basta então apenas visitar e receber conselhos, mas o sentimento de pertença do romeiro é atraído a partir da sua identificação. Embora a maioria deles seja visitante, o acolhimento acaba também por ser característica predominante dessa terra até os nossos dias.

Algo diferente acontece em Juazeiro. Não se trata apenas do binômio “trabalho e oração” disseminada pelo Padre Cicero – e também regra monástica de São Bento: ora et labora –  mas, é o próprio misticismo trazido pelos romeiros que faz dessa terra uma terra santa. É um misticismo diferente dos santos europeus, ou das apropriações religiosas eruditas; é sui generis. O romeiro, com sua prática religiosa popular, entrelaçam-se na profunda devoção a Nossa Senhora das Dores, por meio do Padre Cicero, como elemento facilitador de alcançar a Cristo – redentor das suas mazelas físicas e espirituais.

Esse contexto nos leva a compreender que temos a figura de um romeiro protagonista de sua fé. É um movimento que não se esvazia no ritual, que não tem finalidade em si mesmo. A prática romeira altera substancialmente a vida dos peregrinos. O seu jeito legitimo de buscar a Deus se perfaz numa tradição, que aos poucos vai sendo formada, entre as gerações.

Em Juazeiro, a romaria dá voz aos romeiros. Cantam o que sentem. Sentem o que cantam. Celebram. Sentem-se agentes. A romaria é uma festa. O Santuário da Mãe das Dores é uma Casa alegre, iluminada, clara. Colhe as lágrimas e o suor da vida e os transforma em compromisso que testemunha. O ritual das romarias leva o romeiro a uma abertura pastoral de engajamento em suas comunidades.

Uma terra mística.

Ainda quanto ao misticismo de Juazeiro do Norte, é possível identificar essa característica do romeiro-peregrino a partir das práticas penitenciais que, realizadas na terra do Padre Cicero, ganham valor diferenciado. Certamente, o maior destaque é o “Caminho do Horto”.

Ladeira do Horto (Reprodução)

Com bastante singularidade, descreve Renata Marinho Paz em Pra onde sopra o vento: a igreja católica e as romarias de Juazeiro do Norte (2011):

O Horto seria um lugar de salvação, sendo que sua ladeira possui a conotação da via crucis, com seus cruzeiros e capelinhas erguidas pelos devotos, e pelas estações da via sacra onde os romeiros, em sua caminhada em direção à estátua, rezam um mistério do rosário, acendem velas e por vezes dão esmolas aos mendigos que se ajuntam. Em geral, a subida ao Horto é feita no segundo dia de romaria, por volta das três horas da manhã em sinal de penitência, mas também por não estar abarrotado de devotos e porque a temperatura é mais amena. Há aqueles que sobem descalços, outros com pedras na cabeça, embora para alguns romeiros o caráter de penitência e respeito tenha diminuído nos últimos anos.

É possível perceber então que a construção sinalagmática das romarias e da cidade de Juazeiro do Norte está celebrada envolta do Padre Cicero. Os outros elementos vocacionais da cidade acabam por se tornar desdobramentos dessa relação. A romaria, pois, sendo crucialmente a maior manifestação do peregrino, tem uma característica própria. É o englobamento da religiosidade, reverberado pela condição do misticismo próprio, das práticas de penitência e piedade, desenvolvidas no ambiente da Cidade, ao redor do Padre Cicero.

Os elementos ora se confundem: romeiros e romarias. Isso porque, como expressa Padre Murilo: Os romeiros do Juazeiro experimentam o mergulho da ansiedade no ritual da deambulação. (…) A romaria é uma oração nas estradas. São 500 a 600 quilômetros percorridos, rumo a Juazeiro, de todo Nordeste, carregando suas esperanças, destilando suas dores…

Assim, Juazeiro nos passa a imagem de uma cidade distinta pelo crescimento ao redor da figura do Padre Cicero, mas também do significativo fenômeno das romarias.

As peculiaridades aqui apresentadas é apenas uma porção desse traço característico. No entanto, nos são suficiente à compreender o espaço e território da Cidade de Juazeiro do Norte: uma cidade construída ao redor da fé – milagre do Padre Cicero.

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No caminho do romeiro

Por Mauro Cordeiro Fh. em #EspecialJuazeiro, Cidades

20 de julho de 2017

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especial #EuJuazeiroDoNorte

 

Vista sob os diversos prismas, Juazeiro do Norte tenciona a se destacar na Região do Nordeste por três elementos: romaria, religião e comércio. Na construção da sua identidade, a figura de um sacerdote católico é a sua principal referência. A sua ação líder-religiosa e social, compreendidas às formas do “padrinho” do Sertão, possibilitou a fundação da Cidade e promove o seu crescimento. A sinergia promovida dentro de Juazeiro elabora uma verdadeira vocação: é a terra que recebe os romeiros do Padre Cicero e da Mãe das Dores.

Assim, todos os anos, a Cidade recebe milhares de fiéis que vêm para demonstrarem sua fé e expressarem sua religiosidade. As romarias datam desde a época da chegada do Padre Cicero e, intensificadas, depois do primeiro acontecimento do “milagre da hóstia” em 1889.

Hoje, na Capela do Socorro, pela manhã, celebra-se uma missa em sufrágio da alma de Padre Cicero – manifestação devocional que se repete todo dia 20 de cada mês. O “dia 20” é a data de falecimento do sacerdote. Nesse mês de julho, celebra-se o 83.º aniversário de sua partida.

Nesse especial trouxemos a leitura-crônica sobre um “caminhar romeiro” que é peculiar por excelência. É a principal referência de quem anda em Juazeiro do Norte.

Romeiros no pau-de-arara (foto: Aline Salustiano)

No Caminho do Romeiro

por @little.patymirelly

Do rancho modesto nas imediações da Basílica das Dores, um caminhão carregado de romeiros, das mais diversas faixas-etárias, parte em direção ao Horto do Padre Cícero. Antes, uma Ave-Maria para que viagem seja boa. A buzina estridente sinaliza a “penitência da romaria”, nas palavras da alagoana Margarida Paixão dos Santos, de 65 anos.

A aposentada Maria Enelde Feitosa, de 76 anos, põe na cabeça um chapéu, preso a um elástico branco e também adentra ao pau-de-arara com bancos de tábuas, sem forro. No teto, apenas uma lona cinzenta protege das intempéries. O esforço de Dona Maria Enelde não é sem motivo: “render graça a meu Padim Ciço e à Mãe das Dores”. Preces em forma de canções. Benditos. Livres. Libertadores.

Ao chegar ao Horto, os romeiros depositam, com os olhos, as preces, as lágrimas e as súplicas trazidas no coração. O caminho tão longo, cheio de pedra e areia do aposentado Benildo Alves de Oliveira, de 69 anos, que viajara 570 km, é amenizado pela “luminura” da Mãe de Deus das Candeias. Elevando os olhos para o céu, cruzando as mãos e apertando-as contra o peito, solta grande suspiro e intui: “Tem um mistério na peregrinação”. Uma vez, ele conta, quando em época de romaria, ousou desafiar uma sonda, consequência de um problema delicado, para fazer o percurso ao Juazeiro. Caminhando com dificuldade, “arriando” aqui e ali, as pessoas faziam olhar de admiração e o paravam entre uma rua e outra:

– De onde o senhor vem nessa situação? O senhor é um homem de Deus. Eu posso tocar no senhor?

– Não só tocar, mas abraçar também – Ele brinca, galante. – Isso foi minha cura.

Benildo ainda lembra que, após a viagem, soube do médico que não precisaria mais ser submetido à cirurgia. Apenas ia tomar uns poucos remédios. Baixando a vista, busca na memória outro episódio em que fora “alumiado” pela Mãe das Candeias:

– Daqui só sai no ônibus! – Ele imita o tom sisudo com que o guarda lhe falara numa ocasião em que a comitiva de romeiros tivera de ser barrada pela Polícia Rodoviária Federal. Entre uma conversa e outra, justificando os motivos da viagem em pau-de-arara, conseguiu convencê-lo. O episódio, ainda hoje, é lembrado com bom humor:

Com guarda ou sem guarda, eu to aqui em Juazeiro!

Quer venham de caminhão, de ônibus, vã ou topique, Seu Benildo, Dona Enelde e tantos outros romeiros não medem esforços para chegar à terra daquele que tomaram como “padim”. E mesmo desconhecendo a rigidez dos ritos, a fé que professam, de tão simples, os levam a conhecer, de forma profunda, os desígnios de Deus. “Graças te dou, ó Pai, Senhor dos céus e da terra, pois escondeste estas coisas dos sábios e cultos, e as revelaste aos pequeninos…”

Fonte: site da Diocese de Crato

Veja também | #EspecialJuazeiroEntre memórias afetivas…

Patrícia Mirelly é jornalista. Assessora de comunicação e repórter na Diocese de Crato/CE. Andarilha, transcendente-imanente, feminista-feminina: flor(e)ser! Determinada Determinação“!

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Entre memórias afetivas…

Por Mauro Cordeiro Fh. em #EspecialJuazeiro, Cidades

19 de julho de 2017

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especial #Eu❤JuazeiroDoNorte

 

Juazeiro do Norte, localizada no sul do Ceará, é cidade referência (junto a Crato e Barbalha) da Região Metropolitana do Cariri. No próximo sábado, dia 22, registra o seu 106.º aniversário de emancipação política. E claro, não poderíamos deixar de comemorar!

Nosso empenho é para que, nesses três dias que antecedem a data comemorativa, possamos elucidar a Cidade do Padre Cícero apresentando a temática urbana em suas diversas facetas.

Hoje trouxemos a exposição “Memórias afetivas, processos de vida: Assunção Gonçalves, Artista e Educadora do Cariri Cearense“, de Ana Cláudia Assunção.

 

Abertura da Exposição

Ana Cláudia (@ana.c.assuncao) é professora no Centro de Artes Reitora Violeta Arraes Gervaiseau, em Juazeiro do Norte, da Universidade Regional do Cariri (Urca) e coordenadora do curso de Licenciatura em Artes Visuais, na mesma instituição. No seu vasto currículo, cheio de experiências e aperfeiçoamento, acrescentou-se nesse mês de julho, a conclusão do doutoramento em Artes pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Entre os pincéis estudados, Assunção Gonçalves é uma das texturas que Ana Cláudia realça tom sobre tom. Sua tese sobressalta a artista e seu contributo para a Região.

Nas palavras da pesquisadora, Assunção Gonçalves (1916-2013) natural de Juazeiro do Norte, contemporânea de Padre Cicero e de família religiosa,

representava em sua pintura registros de uma época, memória de um lugar e da sua gente. Trouxe para suas telas cenas que contam uma história de um lugar não muito distante, um lugar guardado em suas lembranças, expressas através de suas formas e cores.

Nesse sentido, entendemos que a artista foi alguém que quis registrar a vida da cidade de Juazeiro do Norte, eternizando em suas telas o cotidiano urbano-religioso. Na pesquisa, a professora ainda estudou o processo de criação a partir da análise de materiais e técnicas usadas por Assunção, reconhecendo-os ainda como uma contribuição didática para uso em sala de aula.

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Assunção Gonçalves

As relações com a cultura, a influência da artista no ambiente e do ambiente na obra…, as interpelações diversas, Padre Cicero – a Fé! Os fatos vivenciados, a elaboração de estilo,   a construção de um imaginário a partir de narrações; entre outras nuances, formou o corpus dessa tese acadêmica. Esse estudo evidencia-se com salutar por se debruçar sobre uma artista referenciada por guardar a memória da cidade de Juazeiro do Norte.

Entre as obras do acervo de Assunção Gonçalves estudado por Ana Cláudia, duas nos chamam atenção: “Juazeiro Antigo” que retrata a cidade em 1827, anterior a chegada do Padre Cicero; e o “Pacto dos Coronéis ou o Pacto da Paz“, que ilustra o inicio da vida política de Juazeiro do Norte.

(Sobre essas as obras falaremos adiante, numa publicação específica.)

Quanto à exposição, de acordo com Lucia Gouvêa Pimentel, orientadora do trabalho,

Ana Claudia não somente revela a biografia e as imagens de Assunção Gonçalves, mas também se embrenha por seus processos de pintura, fazendo experimentos a partir do que foi revelado na pesquisa e produzindo suas próprias pinturas. Em seu ofício de artista/professora/pesquisadora, Assunção Gonçalves é seu tema e sua referência, não como estilo, mas como presença imagética e como inspiração ao experimento. Materiais, cores, processos e descobertas são desvelados e se apresentam como potência-visual estética, revelando a pesquisa e camuflando os desafios de seu percurso. “Memórias afetivas, processos de vida: Assunção Gonçalves – artista e educadora do Cariri cearense” é uma exposição de afetos, recordações e sensibilidades.

Desta forma, registramos nossos parabéns à Prof.ª Dr.ª Ana Cláudia Assunção pela valiosa pesquisa no campo da Arte, que elava o nome da nossa Cidade e do nosso Povo.

A exposição aconteceu na Galeria da Escola de Belas Artes da UFMG, de 6 a 10 de julho; e em breve estará no Cariri.

 

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Nordeste, tecnologia e sustentabilidade na Expocrato 2017

Por Mauro Cordeiro Fh. em Cidades, Desenvolvimento regional

11 de julho de 2017

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Por @maíres.mel

A máxima, tantas vezes repetida “todos os caminhos levam a Roma”, nessa época do ano, tem um outro marco zero, e é na Expocrato.

O mundo, pela tecnologia, chega ao Nordeste.

Pela mesma tecnologia, o Nordeste chega a todo o mundo.

A essência da feira sempre foi impulsionar a criação de rebanhos e aperfeiçoar a agricultura regional, sendo o Cariri um centro de referência nesses quesitos.

Nos anos 60, já elevada à categoria de Exposição Centro Nordestina de Animais e Produtos Derivados, recebeu suas primeiras representações culturais, entre elas o Rei do Baião. Passou a ser palco de encontro das famílias e uma grande festa popular.

Esse ano, em sua 66.ª edição, tive a oportunidade de verificar, em vários dos stands do evento, o termo “sustentabilidade” ligada aos diversos produtos e serviços expostos.

O significado da palavra encerra em si certa complexidade, pois remete à integração de questões sociais, jurídicas, energéticas, econômicas e ambientais, permitindo ao ser humano a sua interação com o mundo, sem comprometê-lo. Ou seja: para ser considerado sustentável, o empreendimento, deve ser legal, ecologicamente correto, economicamente viável, socialmente justo e culturalmente diverso. Mais fácil escrever que cumprir, certamente…

Pois bem… dentro desse contexto, de tecnologia, regionalidade e sustentabilidade encaixa-se a proposta do Centec, em vitrine na conceituada feira e passo a justificar:

Sala de estar de madeira reaproveitável – pallets

Brownie de Rapadura!

Ao chegar, já nos deparamos com uma confortável sala de estar, toda ela confeccionada em madeira reaproveitada de pallets. Arte realizada por empresa regional. Os trabalhos chamam atenção pela racionalização dos recursos, principalmente da água, no sistema de irrigação por gotejamento, hortas verticais e hidroponia. Há também apresentação de sistemas de Automação Industrial e Proteção Elétrica. Degustação e venda de produtos de sabor incomparável à base de pequi, babaçu e macaúba (biscoitos), rapadura (brownie ), kafta de carneiro e cerveja artesanal.

Degustação de alimentos à base de macaúba e rapadura

Sistema de proteção elétrica

Horta vertical e Sistema de hidroponia

Professores e Monitores do Centec – Fatec Cariri

O viés da educação, com responsabilidade e sustentabilidade, é cumprido fielmente. A tecnologia usada de um jeito bonito de se ver: trazendo para o mundo, em primeiro plano, a essência nordestina-cearense, caririense.

Serviços:

Indústria e Meio Ambiente: produzindo conhecimentos com sustentabilidade e responsabilidade

O Centec / Fatec Cariri, expõe na Expocrato 2017, os seguintes projetos desenvolvidos:
Sistema de hidroponia e de gotejamento;
Sistema de Lodo Ativado e reuso de água;
Apresentação e exposição de sistema de automação por CLP, Sistema elétrico de proteção industrial e residencial e sistema de corretor de potência;
Exposição, degustação e venda de produtos produzidos com frutos e produtos regionais;
– Apresentação de sistema de compostagem orgânica, e exposição e venda de amaciantes feitos com restos de sabonete e peixes ornamentais.

A stand está no Parque de Exposição Pedro Felício Cavalcante, segue até domingo (16/09), aberto das 10h as 22h.

Centec – Fatec Cariri: Site | Facebook

 

 Maíres Alves Cordeiro é bióloga. Especialista em Saneamento Básico e Educação Ambiental. Mãe do Ângelo, Laíris e Caliel (e de Lua e Pompom [pet], também). O amor de Tião ♥.

Irmã e amiga; um docinho… Mel.

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Cidade de quem?

Por Mauro Cordeiro Fh. em Cidades, Direito Constitucional, Direito urbanístico

07 de julho de 2017

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Por @rafael.netocz

Em uma época vencida na qual havia intensa ligação entre Direito e Teologia, culminando nas teocracias que dominaram a civilização humana.

Santo Agostinho, o filósofo, doutor e pensador escreveu a sua brilhante “Cidade de Deus”. Nela, encontravam-se descritos dois modelos: a cidade divina e a cidade humana aquela marcada pela perfeição, pois, tudo convergia para quem a coordenava e orientava, em um ato de suprema vontade; esta, manipulada, suja, sofrida, com os comportamentos desordenados de quem insistia em comandá-la somente com as próprias arbitrariedades.

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“Sendo o AMOR o elo constitutivo de uma cidade, ou seja, da Cidade, basta saber o que o povo ama para saber o que o povo é.” (St. Agostinho)

O triste cenário que levou aquele homem a escrever, talvez seja equivalente ao que ora espelhamos na sociedade brasileira: por um lado uma minoria que se locupleta do que é público e vive a gozar da sua tranquilidade, enquanto a maioria permanece à míngua, contente com as migalhas que lhe são dadas, com o pão e o circo. E a pior característica: a corrupção que permeia das mais simples às complexas relações humanas.

O ideal e o real

A cidade “do bem” contrasta com a “do mal”. Isso não em concepção virtuosa ou religiosa, mas, quando tomamos a própria legislação, torna-se perceptível o quanto existe diferenciação entre o ideal de bem estar social que se construiu com os diplomas legais e aquilo que é prática em nossa civilização. Os adjetivos para cidade usados logo acima, podem ser substituídos por outras expressões, tais como: cidade justa ou injusta, suja ou limpa, digna ou indigna… E a avaliação se dá, como para todo a aplicação jurídica, in concreto, já que a legalidade permite o abstrato. Por isso, não adianta dizer e não fazer; é preciso tornar prático o que o discurso teorizou.

Essa cidade divina nada mais é do que um ambiente propício para todos os cidadãos viverem, e mais do que isso, para todos os seres humanos habitarem e aí realizarem as suas aspirações, crescerem e produzirem, se realizarem plenamente como seres humanos. Como é possível ser humano quando não se tem dignidade? Quando não se consegue inserir na cadeia de produção, no mercado de trabalho? E, quando trabalhando, a renda que se ganha é mínima se considerados os gastos que se avolumam em virtude da modernidade em que se pretende viver

Isso somente para se falar em dignidade humana, pois, quando se considera a corrupção que penetrou sobremaneira a epiderme da administração pública, atingindo como câncer, os seus órgãos mais vitais, desde as cúpulas dos poderes até algumas simples relações jurídicas, o cenário é ainda mais tenebroso.

Diante disso, o que deve ser feito? Voltar a acreditar que uma “cidade divina” seria capaz de resolver todos os problemas? Certamente, não, haja vista até mesmo a imagem divina encontrar-se manipulada por sujeitos nada preocupados em cumprir os desígnios eternos impressos no coração humano.

É preciso novamente acreditar no ser humano, na sua capacidade intrínseca de buscar na sua essência o eu ideal, e por meio das suas estruturas construídas, realizar a sua cidade, construí-la e torná-la espaço de crescimento.

E mais, acreditar no instituto social que se destina a “pacificar a sociedade” que é o Direito, em toda a sua possibilidade, ainda que nas medidas de coerção, para assegurar a todos a construção de uma civilização harmônica, fraterna e justa.

 

Rafael Fonseca Nt. é advogado. Pré-noviço na Ordem dos Carmelitas da Antiga Observância. É da Parahyba, reside no Pernambuco e é apaixonado pelo Siará: Nordestino, sim sinhô!

 “Um homem com a grandeza de um menino” | Deus cura! ✩

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Da encosta

Por Mauro Cordeiro Fh. em Cidades, Outros

05 de julho de 2017

Esse tem sido um ano bastante peculiar.

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Maio se apresentou como um mês bastante controverso, seja nas decisões políticas nacionais ou na vida interurbana cearense. Tramas bem articuladas, no ar doce de uma flor-de-lis… bem  ao modo valois: aos nossos olhos, em plena luz do sol.

Junho seguiu em ritmo acelerado, ao passo de quadrilhas ao som de zabumba e do tengo-lengo-tengo do triângulo…  sem muitos destroços.

Aviso: Pra abolir a escravidão do caboclo brasileiro, já prenunciava os skanks: numa mão educação e na outra dinheiro. É vida que se planta num asfalto cinzento.

Chegamos ao meio do ano e 2017 ainda não disse pra que realmente veio.

 

No alto, da Encosta, permanecermos a observar os fatos, as mudanças, as críticas.

 

EResultado de imagem para Paisagem de Chagallstamos a pensar se nesse mar, vale a pena lançar as redes, ou até mesmo um simples anzol.  Afinal, já alertava Hegel, em sua juventude:

A coruja de Minerva abre as asas somente com o início do crepúsculo”.

Olha o frio… Já é de julho!

Cabe-nos uma errante vida Chagall… Frida, afinal.

Sigamos, pois: 2017.2!

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Cidades-padrão

Por Mauro Cordeiro Fh. em Cidades, Desenvolvimento regional, Direito urbanístico

09 de maio de 2017

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Para o bom desenvolvimento das cidades, toda ajuda é bem vinda. A propósito, essa é a missão da prática urbanística: adaptar e definir conceitos, auxiliar a gestão citadina, a fim de promover o crescimento pleno e integral das cidades.

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ABNT e cidades sustentáveis

Nesse espaço já abordamos sobre o Direito à Cidade e as Funções da Cidade; temas que compõe o digesto urbano e constituem verdadeiro mote para quem deseja contribuir e melhorar a sociedade. A cidade acenou também para o mundo das normas. Agora temos a NBR ISO 37120:2017 – a norma técnica brasileira sobre sustentabilidade das cidades.

Apesar de aprovada desde janeiro, a notícia viralizou somente depois do carnaval. A normalização da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) já é bastante conhecida entre os técnicos, acadêmicos e pesquisadores. E agora, abarca quanto ao diagnóstico de desenvolvimento e sustentabilidade das cidades.

Na verdade, parece-nos que essa norma é a tradução e incorporação da norma ISO 37120:2014. A ISO é uma organização internacional para padronização – espécie de federação mundial – que lança normas para padrão internacional. Tal norma tem o intuito de medir o desempenho das cidades, a partir de indicadores temáticos.

A sugestão é a análise e o diagnóstico dos aspectos ambiental, econômico, social, governança, tecnológico, e etc.. Em suma, trata-se de um arcabouço técnico, aprimorando uma práxis a partir de alguns “deve” ou “pode”, que vão orientando os profissionais quanto ao desenvolvimento urbano.

Trocando ideias

No ano passado, o Portal Capacidades do Ministério das Cidades em parceria com Banco Internacional de Desenvolvimento (BID) e a Oxford University, disponibilizou o curso de expertise “Liderando Cidades Sustentáveis”, que tivemos a oportunidade de participar como aluno. O curso aprimorava a capacidade técnica de diagnosticar e resolver problemas a partir de indicativos temáticos, voltando-se para os países da América Latina e Caribe. Estudiosos brasileiros das mais diversas áreas e regiões participaram do curso, dando origem a uma network bastante movimentada.

A NBR ISO 37120:2017 foi (e tem sido) assunto no nosso grupo. Na oportunidade, trocamos ideias com Jorge Campelo que é geógrafo e mestrando em Ordenamento do Território e Sistema de Informações Geográficas. Para Jorge, numa apressurada análise, o que se percebe é que a norma acaba apresentando indicadores temáticos independentes, que não apresentam uma conexão apropriada. Em outras palavras,tratou-se dos elementos de forma distinta e independente, quando na verdade deveriam estar interligados.

Outro questionamento é quanto ao critério usado para definir as tais “cidades médias“:

Os indicadores tanto da NBR ISSO 37120:2017, como nos indicadores da Iniciativa Cidades Emergentes e Sustentáveis (ICES-BID), considera cidades de médio porte como aquela de população acima de 100 mil habitantes, quando na verdade, quase 80% das cidades brasileira possui população abaixo desse número. Muitas dessas cidades (com menos de 100 mil habitantes) são de médio porte, capazes de compor áreas metropolitanas, aglomerados, conurbações, entre outras. Os documentos não explicam como diagnosticar ou analisar essas outras cidades que, para o Brasil, é a grande maioria.

Jorge Campelo – Network Cidades sustentáveis

Mesmo superando o critério populacional, temos uma lacuna funcional diante indicadores: Qual a capacidade dos gestores e seus auxiliares em diagnosticar os problemas a partir desses indicadores, formar banco de dados e a promover medidas e soluções? Infelizmente, a realidade brasileira demonstra outro retrato, apresentando cidades gerenciadas (em sua maioria) por pessoas sem compromisso e com pouca capacidade técnica.

Inquieta-nos ainda a forma sugestiva que a norma, por si só, apresenta. Demora-se tanto tempo para construir padrões e apontar indicadores, mas não abarca-se a eficácia jurídica. Infelizmente a norma especula apenas como orientação. Assim, a norma não é lei, por mais que tenha sido incorporada pela ABNT. Sendo apenas um direcionamento, cai no ambiente volitivo – fica a mercê do gestor.

Enquanto isso, vamos aguardar como as cidades brasileiras vão responder à essa norma.

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Quilombo, gênero e “et cetera”.

Por Mauro Cordeiro Fh. em Cidades, Conflitos urbanos, Racismo ambiental

05 de maio de 2017

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Por @DavilaFeitosa

Cidade é uma daquelas palavras que o dicionário classifica como substantivo feminino. Colorida, por si só, ela traduz a ideia de universalidade. No entanto, de feminina e colorida, não restou quase nada.

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Quando pensamos em Cidade, logo imaginamos seus variados espaços, como praças, feiras, parques, mercados, os transportes públicos entre outros; e, consequentemente o uso democrático e livre pra toda a população. O direito à cidade, em sua abrangência, engloba todos os gêneros, todas as etnias. Todxs!

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A cidade é um organismo dinâmico, marcado por aspectos culturais da população que circula e que permite a troca de experiências. A cidade reflete os valores da sociedade: se a sociedade exclui, a cidade também exclui. É o sentimento de não-cidade – continua-se a negar a vida urbana a muitos… principalmente às mulheres negras.

A segregação urbana afasta do > Centro < e da utilização dos seus espaços de lazer a população que vive nos bairros periféricos. Fácil perceber, por exemplo, quando os transportes públicos coletivos (quando existem!) têm suas rotas reduzidas e horários antecipados de passagem para tais bairros.

A cidade não foi pensada para pessoas idosas.

Não foi pensada para pessoas com necessidades especiais que sofrem com a difícil locomoção.

Não foi pensada para lésbicas, para homossexuais, travestis.

Não foi pensada para que todos pudessem transitar livremente sem sentir medo de agressão!

Não foi pensada para homens e mulheres trans que sofrem constrangimentos no uso de banheiros públicos (não somente públicos);

E muito menos, não foi pensada para as mulheres que convivem com o medo dos assédios, estupros e violência policial quando se trata da mulher negra.

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No Cariri cearense não há favelas, mas há bairros periféricos que podem ser considerados grandes quilombos urbanos. Os quilombos foram espaços de resistência, luta e liberdade dos africanos escravizados e seus descendentes.

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Destarte, nos bairros periféricos a população é majoritariamente negra, que convive com marginalização, o descaso com a segurança, a saúde, a educação e saneamento básico.

A mulher negra periférica em sua maioria é empregada doméstica e/ou babá em bairros nobres, que precisam se locomover para os seus serviços e muitas vezes o retorno para casa é a pé, onde fica exposta a qualquer tipo de violência, considerando que a hipersexualização da mulher negra é um fato, que acarreta a objetificação dos seus corpos, sendo tratadas como corpos públicos e disponíveis ao sexo e as diversas violências urbanas.

Na defesa dessa abordagem, Ermínia Maricato aponta como sendo “um gueto, uma espécie de senzala urbana com moradores isolados e exilados da cidade”.

A necessidade de políticas públicas que garantam a segurança, o uso livre e democrático à cidade é U=R=G=E=N=T=E.

A rua é pública, ou seja, é de tods e para tods.

Se não é, deveria ser.

Dávila Maria Feitosa é bibliotecária. Consultora na Biblio Assessoria. É youtuber [FlashBiblio] e integrante do Grupo de Mulheres Negras no Cariri, Pretas Simoa. Negra. Resistência e resiliência. Sol e praça .

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A cor dessa cidade sou eu

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28 de abril – “Caminhada pela Vida”

Por Mauro Cordeiro Fh. em Cidades

27 de abril de 2017

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Por @little.patymirelly

Sexta-feira, dia 28 de abrilCaminhada pela Vida em Juazeiro do Norte/CE

A imagem pode conter: uma ou mais pessoas e atividades ao ar livre

Um gesto de solidariedade para ajudar a ecoar o grito pela preservação da vida e da dignidade das pessoas através dos direitos já conquistados. Essa é a proposta da “Caminhada pela Vida” promovida através das paróquias de Barbalha, Caririaçu e Juazeiro do Norte, que compõem a Região Forânia II da Diocese de Crato, marcada para a próxima sexta-feira, dia 28.

De acordo com o padre Francisco Edvaldo Marques, pároco da Paróquia Nossa Senhora Aparecida, e um dos organizadores do evento, a ideia é articular as paróquias, junto aos seus movimentos e pastorais sociais, para fazerem “gestos de profecia”, aproveitando o momento de luta por direitos, que acontece no mesmo dia.

Nós também devemos estar no meio, foi daí que surgiu a ideia da caminhada. O momento é de união, de juntar forças e fazer a nossa parte, explica o padre.

A concentração para a caminhada será na Praça Padre Cícero, em Juazeiro, às 16h. Em seguida, os participantes seguem até a Paróquia de São Francisco das Chagas com músicas, discursos e reflexões. Chegando à Matriz, haverá celebração eucarística. A coordenação pede que as pessoas levem velas para serem acesas durante a passeata.

Fonte: site da Diocese de Crato

Patrícia Mirelly é jornalista. Assessora de comunicação e repórter na Diocese de Crato/CE. Andarilha, transcendente-imanente, feminista-feminina: flor(e)ser! “Determinada Determinação”!

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10 fatos urbanos: 9 verdades e 1 mentira

Por Mauro Cordeiro Fh. em Cidades, Outros

25 de abril de 2017

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Por que não? Sim!, vamos à modinha que vem circulando nas redes sociais. A verdade é que muitas pessoas acabaram se revelando, contando intimidades e fatos inusitados! Essa pluralidade foi bastante instigante… Vamos aderir, também!

#1. A cidade é um direito.

Claro que é! A cidade é um direito que propõe o bem estar social; haja vista, é um direito nosso! Não se limita o direito à Cidade como um direito habitacional, ou seja, a garantia de poder morar na cidade. A “Cidade como direito” é resultado do Fórum Social Mundial de 2002, reconhecido pela ONU, onde se legitima o Direito à Cidade como um direito humano fundamental, alçado ao patamar dos direitos coletivos e difusos.

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De maneira abrangente, o direito à Cidade se configura quando manifestamos nossos direitos civis e políticos – “direito do cidadão”. Reverberamos nosso direito à Cidade quando exercemos os direitos humanos, os direitos econômicos, direito à moradia, à acessibilidade, à segurança, aos transportes públicos… direito ao lazer, entre outros tantos que resultam da construção social do espaço urbano. É o direito de construir socialmente a nossa vida.

Saiba mais: A Cidade é um direito!

#2. A cidade tem funções sociais.

Sim, a cidade tem uma razão de existir. E ainda, como direito, tem motivos e funções na sociedade; por isso, existem as funções sociais da cidade.

Como função social temos quatro elementos: habitação, lazer, trabalho e mobilidade. Assim, resume-se a funcionalidade da cidade que é oferecer aos cidadãos a possibilidade de erigir sua vida no tecido urbano. Podemos dizer que as funções sociais da cidade são necessárias para o desenvolvimento da humanidade: propõe a busca pela sociedade livre e igualitária. É o rompimento do paradigma estrito privado e individual, em louvor ao público-social-coletivo.

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A função social é uma nova ética urbana que se dirige ao homem e sua intercomunicação com a cultura, com o meio ambiente, com os direitos humanos. É a materialização com fins de redução da pobreza e distribuição equitativa dos bens. É função da cidade proporcionar uma vida melhor!

Saiba mais: Cartas na mesa!

#3. A cidade tem um plano e um estatuto.

A Cidade do século XXI é uma cidade que sofre remodelação: tem auspícios reformistas. Isso significa dizer que os conceitos e princípios que regiam a governança das cidades sofre uma mitigação, passando a contemplar novas formas e modelos. O Estatuto da Cidade (Lei n.º10.257/2001)  é uma resposta ao art. 182 da Constituição brasileira de 1988, trazendo diretrizes gerais que auxiliam no desenvolvimento das funções sociais da cidade, a fim de garantir o bem-estar de seus habitantes. Esse digesto trouxe instrumentos de diversas formas, dentre os quais se destaca o IPTU progressivo no tempo e a Gestão Participativa Popular.

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O Estatuto da Cidade ainda apresenta o Plano Diretor, que é instrumento básico para a expansão urbana. Nesse compasso, as cidades com mais de 20 mil habitantes necessita de um Plano que trate do uso responsável do solo e da boa qualidade de vida.

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#4. O transporte urbano é público.

Tanto a Constituição brasileira (art. 30, n.V), como a Política Nacional de Mobilidade Urbana (Lei n.º 12.587/2012) asseguram o transporte público coletivo.

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Pelo caráter gerencial, o Estado deve organizá-lo de forma a estabelecer condições de acesso a toda população e de especificar como serão realizados tais serviços, procurando sempre a execução de forma eficiente. O fato de que a execução seja realizada por um particular não retira seu status público.

O que se questiona é: se o transporte urbano é público, por que pagamos tarifa para usá-lo? 

A política tarifária adotada no Brasil é expressa em duas formas: tarifa pública e tarifa de remuneração. A primeira se dá com o pagamento do usuário, enquanto a segunda é destinado ao operador dos serviços. Assim, os custos do transporte são compartilhados entre os beneficiários, que engloba todos os usuários em potência, independente do seu uso; e ainda, os que efetivamente usam. Infelizmente a política do passe livre não foi adotada. A luta é por uma vida “sem catracas”, com transporte público e gratuito.

#5. O Brasil é um país rural.

A pesquisa do IBGE de 2010 (Censo Demográfico IBGE 2010) mostra que mais de 84% da população brasileira vive em cidades. Essa pesquisa utiliza-se do critério político-administrativo, onde cidade é qualquer aglomeração urbana, independente do número de habitantes.

Por Regiões, temos que a taxa de urbanização é de 73,1% no Nordeste; 73,5% no Norte; 84,9% no Sul; 88,8% no Centro-Oeste; e, 92,9% no Sudeste. Isso totaliza uma taxa de urbanização de 84,4% em todo o território nacional.Imagem relacionada

Por mais que a urbanização tenha sido tardia nas terras brasileiras (com índice consideráveis somente na década de 50), e ainda haja muitas desigualdades urbanas, o Brasil é um país urbano; comportando 38 Regiões metropolitanas que abrigam metade da população brasileira.

#6. A capital brasileira pode parar em 2020.

O trânsito é um dos grandes problemas urbanos. Nas grandes cidades a mobilidade toma projeções imensuráveis, sendo imprescindível a urgência de um planejamento efetivo e eficaz.

Em 2014, o Correio Braziliense apresentou a problemática de Brasília, numa projeção do trânsito para 2020. De acordo com a matéria, em 2013, a ocupação dos transportes individuais nas vias públicas era de 80% a 100%. O trânsito praticamente todo parado. A saturação dos transportes individuais é um problema de longa data: vários gestores foram passando, sem dar a devida atenção à mobilidade urbana.

Reprodução

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#7. A cidade é também uma questão filosófica.

Os gregos já havia elegido a Pólis como lugar de expressão intelectual, lugar de política. A Pólis é o lugar onde o individual cede espaço ao coletivo.

Na moderna concepção de cidade, este espaço congrega justiça social, democracia e sustentabilidade. É a partir desses elementos, desse questionamento filosófico, que se interpreta a cidade.

Resultado de imagem para Henri LefebvreO francês Henri Léfèbvre é o filósofo (e também sociólogo) expoente do pensamento urbano. Ele quem apresenta ontologicamente a cidade como direito (Le droit à la ville), defendendo o acesso à vida urbana para toda população. É o desenvolvimento da Justiça Social a partir de um materialismo, da apropriação dos espaços e territórios. É o resgate da totalidade social, promovendo uma redemocratização.

#8. Grafite é arte.

Claro que sim! A Cidade pode ser espaço de maturação da arte. Grafite é gênero de arte visual e expressão urbana. Por essa arte, o muro fala! A cidade grita!

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A “arte de rua” tem um grande poder de expressividade e influência. No México, o grafite mudou a vida da comunidade periférica “Las Palmitas” que, antes, acostumada ao abandono do cinza, era tomada pela violência. O uma parceria entre o grupo Germen Crew e as autoridades locais, transformou 20 mil metros quadrados de tristeza num lindo arco-íris, de pura alegria. O projeto durou 14 meses e abrangeu cerca de 209 faixadas de casas. Após a intervenção artística urbana, os índices de violência diminuíram. Os moradores passam mais tempo juntos nas ruas, além de se sentirem auto-estimulados. Grafite não é pichação! Grafite é cultura!

#9. A cidade é de todos!

Infelizmente, ainda é muito presente a ideia de que a coisa pública (res pública) não tem dono. A cidade é pública e por isso é de todos nós. A rua é tua! Nós somos os donos da cidade!

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A abertura democrática trazida pela Constituição de 1988 trouxe novas possibilidades, novas ideias e novas formas de expressão. A liberdade e a dignidade humana são postas no topo dos direitos e garantias, promovendo o que chamamos de Estado Democrático de Direito. Com essas mudanças, também o sentimento de pertença à cidade, a universalização desses direitos fundamentais, o exercício de política e a construção das relações urbanas, têm transformado o cenário brasileiro. As questões como moradia e mobilidade, conjugados à urbanificação, levanta novos valores sociais – dando mais espaço às minorias – tornando uma cidade mais justa.

Mais do que um espaço habitado, a cidade é parte de nós!

 

#10. Direito urbanístico não é Direito ambiental.

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O Direito é sempre uno. Isso significa dizer que o organismo não pode ser fragmentado. Haja vista, a separação do estudo jurídico em searas e sistemas, é realizada apenas para fins didáticos. Dado isso, podemos dizer que há interligação temática em todo o Direito, mas com distinções e delimitações.

Considerando a especialização das áreas, de maneira alguma Direito Urbanístico é Direito Ambiental. O Direito Urbanístico é um ramo do Direito que se dedica ao estudo da legislação como reguladora e construtora do espaço social urbano. Na tessitura conceitual, é uma chave que destranca o diálogo com a sociologia, com a arquitetura, com a geografia e economia, com viés social. Nesse caráter interdisciplinar, o fundo jurídico é condutor numa narrativa que escreve além do espaço físico, abrangendo diversas sociabilidades urbanas.

Não se limita, portanto, à execução ou gestão de cidades. O Direito Urbanístico estuda as relações jurídicas-urbana com reprodução social. É um estudo da plataforma urbana, com fim da construção de justiça social.

Certamente, há um diálogo forte com o Direito ambiental – assim como todas as outras áreas jurídicas. No entanto, o direito ambiental se particulariza, de maneira que se volta à proteção jurídica da qualidade do meio ambiente. Assim, o Direito ambiental tem por finalidade regular a apropriação econômica dos bens ambientais, assegurando a sustentabilidade dos recursos e a qualidade da vida.

 

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Um milagre do Padre Cicero

Por Mauro Cordeiro Fh. em #EspecialJuazeiro, Cidades

21 de julho de 2017

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especial #EuJuazeiroDoNorte

 

Num tempo em que não se falava de planejamento urbano, estatuto da cidade e afins,  Padre Cicero, na qualidade de líder político-religioso, pensou na cidade de Juazeiro do Norte: um lugar propenso ao progresso.

Juazeiro em 1911 (Reprodução)

Traço urbano-histórico.

Perceber a construção do território e identidade das cidades, no seu aspecto histórico-urbano, nos remete a compreender o crescimento e desenvolvimento da localidade. Assim, é possível fazer uma abordagem multidimensional do espaço, abrindo campo para reflexão mais aguçada sobre as dimensões sociais e jurídicos da cidade.

Fruto de uma era industrial, Juazeiro do Norte apresenta desde o início sinais dessa realidade. O sangramento da Hóstia na boca da beata Maria de Araújo, é acontecimento divisor de águas na história-urbana da Cidade. O aspecto místico – tanto da beata, quanto do padre; direciona um novo caminhar. O Nordeste se volta para a terra do Milagre… Juazeiro é a terra santa. Essa singularidade acaba por comungar e fomentar o crescimento de Juazeiro, vez que se precede da narrativa ao redor do padre, já conselheiro, e também da santa beata.

Essa característica desemboca na construção da identidade do então lugarejo. Explica Maria de Lourdes no livro A cidade do Padre Cicero:trabalho e fé (2011):

O mito Padre Cícero guarda relação com a ação econômica por ele empreendida na cidade do Joaseiro, onde a materialidade do espaço econômico guarda vinculação direta com a imaterialidade da fé.

Encontramos então os elementos principais da construção de Juazeiro, um elo interdependente composto por religião-romaria-economia.

Um povoado de romeiros.

A formação da população da cidade se deu principalmente pela vinda desses peregrinos, que acabavam se instalando por aqui. Ademais, o próprio Padre Cicero incentivava a migração e acolhia a todos sem quaisquer distinções.

No livro Entre chegadas e partidas: dinâmicas das romarias em Juazeiro do Norte (2011), Paula Cordeiro relata que

A maioria da população que deu origem ao município era formada por indivíduos miseráveis, perseguidos por questões de posse da terra, ex-cangaceiros, ex-“mulheres da vida”, “sem-terras”, retirantes das grandes secas que assolaram o Nordeste no início do século XX e portadores de doenças crônicas que no Joaseiro do Padre Cícero buscavam aconselhamento, refúgio, redenção e melhoria de condições de vida e de trabalho. Muitos desses indivíduos vinham originalmente em romaria. Para os romeiros de outrora que fixaram residência no município, é amplo o repertório de acontecimentos fantásticos, da ordem do milagroso e do sobrenatural que reconstituem os caminhos que os trouxeram para Joaseiro.

A verdade é que foi o Padre Cicero que projetou Juazeiro. Padre Murilo, no livro Padre Cicero (2002) exprime com sapiência esse fenômeno:

Padre Cicero marcou as ruas, escolheu os logradouros públicos, projetou uma cidade que se tornaria como ainda agora é: acolhedora e amiga.

Assim, certamente, podemos identificar um “Milagre em Juazeiro”, desprendido do certame e das questões históricas mais polêmicas. Esse milagre pode e se perfaz no seu crescimento espacial-populacional. A construção da população juazeirense é o sentido que possibilitou essa cidade tornar-se grande. Um pequeno lugarejo, com poucas casas, rapidamente se transforma num povoado com centenas delas.

Fazendo morada.

De início, não basta então apenas visitar e receber conselhos, mas o sentimento de pertença do romeiro é atraído a partir da sua identificação. Embora a maioria deles seja visitante, o acolhimento acaba também por ser característica predominante dessa terra até os nossos dias.

Algo diferente acontece em Juazeiro. Não se trata apenas do binômio “trabalho e oração” disseminada pelo Padre Cicero – e também regra monástica de São Bento: ora et labora –  mas, é o próprio misticismo trazido pelos romeiros que faz dessa terra uma terra santa. É um misticismo diferente dos santos europeus, ou das apropriações religiosas eruditas; é sui generis. O romeiro, com sua prática religiosa popular, entrelaçam-se na profunda devoção a Nossa Senhora das Dores, por meio do Padre Cicero, como elemento facilitador de alcançar a Cristo – redentor das suas mazelas físicas e espirituais.

Esse contexto nos leva a compreender que temos a figura de um romeiro protagonista de sua fé. É um movimento que não se esvazia no ritual, que não tem finalidade em si mesmo. A prática romeira altera substancialmente a vida dos peregrinos. O seu jeito legitimo de buscar a Deus se perfaz numa tradição, que aos poucos vai sendo formada, entre as gerações.

Em Juazeiro, a romaria dá voz aos romeiros. Cantam o que sentem. Sentem o que cantam. Celebram. Sentem-se agentes. A romaria é uma festa. O Santuário da Mãe das Dores é uma Casa alegre, iluminada, clara. Colhe as lágrimas e o suor da vida e os transforma em compromisso que testemunha. O ritual das romarias leva o romeiro a uma abertura pastoral de engajamento em suas comunidades.

Uma terra mística.

Ainda quanto ao misticismo de Juazeiro do Norte, é possível identificar essa característica do romeiro-peregrino a partir das práticas penitenciais que, realizadas na terra do Padre Cicero, ganham valor diferenciado. Certamente, o maior destaque é o “Caminho do Horto”.

Ladeira do Horto (Reprodução)

Com bastante singularidade, descreve Renata Marinho Paz em Pra onde sopra o vento: a igreja católica e as romarias de Juazeiro do Norte (2011):

O Horto seria um lugar de salvação, sendo que sua ladeira possui a conotação da via crucis, com seus cruzeiros e capelinhas erguidas pelos devotos, e pelas estações da via sacra onde os romeiros, em sua caminhada em direção à estátua, rezam um mistério do rosário, acendem velas e por vezes dão esmolas aos mendigos que se ajuntam. Em geral, a subida ao Horto é feita no segundo dia de romaria, por volta das três horas da manhã em sinal de penitência, mas também por não estar abarrotado de devotos e porque a temperatura é mais amena. Há aqueles que sobem descalços, outros com pedras na cabeça, embora para alguns romeiros o caráter de penitência e respeito tenha diminuído nos últimos anos.

É possível perceber então que a construção sinalagmática das romarias e da cidade de Juazeiro do Norte está celebrada envolta do Padre Cicero. Os outros elementos vocacionais da cidade acabam por se tornar desdobramentos dessa relação. A romaria, pois, sendo crucialmente a maior manifestação do peregrino, tem uma característica própria. É o englobamento da religiosidade, reverberado pela condição do misticismo próprio, das práticas de penitência e piedade, desenvolvidas no ambiente da Cidade, ao redor do Padre Cicero.

Os elementos ora se confundem: romeiros e romarias. Isso porque, como expressa Padre Murilo: Os romeiros do Juazeiro experimentam o mergulho da ansiedade no ritual da deambulação. (…) A romaria é uma oração nas estradas. São 500 a 600 quilômetros percorridos, rumo a Juazeiro, de todo Nordeste, carregando suas esperanças, destilando suas dores…

Assim, Juazeiro nos passa a imagem de uma cidade distinta pelo crescimento ao redor da figura do Padre Cicero, mas também do significativo fenômeno das romarias.

As peculiaridades aqui apresentadas é apenas uma porção desse traço característico. No entanto, nos são suficiente à compreender o espaço e território da Cidade de Juazeiro do Norte: uma cidade construída ao redor da fé – milagre do Padre Cicero.