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Vejam como foi produzir e gravar a matéria sobre os 30 anos do acidente

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Foram várias semanas de trabalho e muitas emoções para preparar a matéria sobre os 30 anos do acidente do Boeing 727-200, da Vasp, que se chocou contra a Serra de Aratanha, em Pacatuba, Região Metropolitana de Fortaleza, no dia 8 de junho de 1982.

Fizemos sobrevoo sobre a serra, ouvimos depoimentos emocionantes de parentes das vítimas e de pessoas que moram perto do local do acidente e embarcamos em uma tilha até o local onde estão os restos do avião. Trabalho árduo desde a produção até a captação das imagens e sonoras.

Confiram abaixo um pouco da nossa experiência:

Evelyn Ferreira

Nos bastidores, por trás das câmeras, acontece boa parte do trabalho que resulta na emoção que nossa equipe vai passar a levar para sua casa todas as quintas-feiras. A produção do programa especial sobre os 30 anos do acidente com o Boeing da Vasp em Pacatuba foi emocionante do início ao fim.

Confesso que pouco sabia a respeito quando o Nonato Albuquerque e a Juliana Castanha chegaram apresentando a proposta para a equipe. Nem sonhava em nascer na época do ocorrido e só havia praticamente um personagem cujo nome foi reverberado nos ecos do tempo, o senhor Edson Queiroz.

Então começou todo o trabalho da produção. Meu parceiro foi o Jackson Pereira, o último câmera a integrar a equipe (e o mais empolgado também). Fomos descobrir histórias por trás daquele acidente. Encontrar anônimos que também perderam as vidas. Foram 137 pessoas que tiveram que interromper sonhos, famílias, amigos, memórias.

Já começo a me emocionar enquanto escrevo. Só de lembrar os depoimentos dos parentes quando entramos em contato com eles. Entrar em contato. Questão difícil de abordar. Como pedir para que pessoas compartilhem sua dor diante das câmeras? Nessas horas o trabalho dos produtores precisa de mais tato, toda sensibilidade é pouca. Eram pessoas que não conhecíamos os rostos porque a comunicação era por telefone. Vozes que no decorrer de conversas revelavam mágoas ainda não superadas.

Uma das histórias mais emocionantes para mim foi a da família Temporal. Quatro parentes morreram na tragédia. Conversei com a dona Eugênia por telefone e ela contou que entre as vítimas estava a irmã, Rosana. Tinha 19 anos e estava recém casada. O marido não a acompanhava. Eugênia enviou prontamente para nossa equipe fotos do casamento de Rosana. Assim que as vi, fui tomada por uma comoção que me deixou num estado de pesar por algum tempo.

Além das fotos, Eugênia enviou também cartas psicografadas tanto de Rosana quanto do outro irmão que também estava no voo, Affonso. Como não se comover? Não sou espírita, mas acho curioso como pode haver comunicação com os mortos. Saber que quem partiu guarda ainda uma memória, que está bem de alguma forma e que tem uma mensagem para você. Não cura a dor da perda, mas deve ser um pequeno conforto para a alma.

Nem todas as famílias com as quais tentamos conversar conseguiram expor os sentimentos diante das nossas lentes. Entre lágrimas, uma de nossas personagens disse ao câmera Jackson que sentia ainda forte a dor pela falta do pai. Não quis gravar depoimento conosco. Respeitamos.

Entre todas as preocupações da produção, a maior delas é, sem dúvida, encontrar personagens para contar histórias e compor conosco o Câmera 12. Mas também temos o desafio de pensar em imagens. Essa edição do programa está cheia momentos que renderam imagens comoventes. Mas não posso deixar de comentar o momento que mais provocou euforia na nossa equipe: o voo sobre Pacatuba. Meu superparceiro Jackson conseguiu fechar um voo sobre a cidade e logo choveram manifestações de desejo de ir até lá e experimentar a sensação de ver o local do acidente numa panorâmica aérea. Até eu gostaria de ter ido, confesso. Mas as honras foram feitas pelo câmera Igor Gadelha. Imaginem as imagens que renderam!

Essas e outras imagens captadas pelas nossas lentes vão fazer parte da edição que vai ao ar nesta quinta-feira, 14. Ansiosa para vibrar junto com a equipe. Sem contar nem erros nem acertos. Cada tentativa valeu a pena!

Nina Ribeiro

Antes que o dia 26 de maio chegasse, o sábado de nossa externa na Serra de Aratanha, eu já estava impressionada com as informações que havia lido sobre o acidente durante a semana. Posso dizer que minha cabeça começou a fervilhar mais exatamente depois de ter assistido a um vídeo na internet sobre o acidente do boing 727-200 da VASP, apresentando a situação do local depois da quedado avião.

A fumaça e a vegetação destruída me faziam pensar: “O que vamos encontrar, trinta anos depois?”. Não que eu esperasse encontrar vestígios do desastre. Mas imaginar o momento em que chegaríamos ao exato local foi algo que mexeu bastante comigo. E não fui a única. Foi preciso recorrer ao “zerinho ou um” e deixar que a sorte decidisse quem de nós três – Patrícia, Marcello ou eu – iria refazer o caminho de quem testemunhou a cena do desastre.

E que grande mesmo essa trilha! Quase cinco horas de caminhada em um terreno acidentado e escorregadio. Realmente, um cansaço daqueles! Agora vejo como foi providencial os bombeiros terem nos acompanhado em todo o percurso. Arrisco dizer que eles podem ter evitado pequenos acidentes, principalmente nos locais em que havia pedras cobertas de lodo. Não bastasse a ajuda, eles nos deram dicas de sobrevivência: como beber água da maneira correta para acabar com a sensação de sede, e também reconhecer frutos e animais venenosos durante uma trilha em mata fechada.

A certa altura, o Dário, nosso cinegrafista, tinha a sensação de que a câmera pesava três vezes mais que o peso real. O peso do cansaço. À medida que nos aproximávamos do ponto exato da queda do avião, o subtenente Luciano relembrava e compartilhava detalhes do dia do resgate. Ainda tenho nítido o momento em que passamos por uma nascente e ele disse: “Essa água, no dia, não era assim. Ela vinha vermelha.” E mais do que as palavras, as expressões do subtenente e do nosso guia, também Luciano, marcaram muito quando chegamos ao trecho da trilha em que “pernas, braços e órgãos pendiam dos galhos das árvores”, assim descrito por nossos acompanhantes.

No caminho de volta – quando meus joelhos pareciam nem estar mais “lá”, de tanta exaustão – vim conversando com Luciano (o guia) sobre as explicações da doutrina espírita para um acidente tão brutal. Ele descobriu o espiritismo tempos depois do acidente. Fiquei comovida com seu jeito puro, sua fé e compreensão diante dos grandes desastres da vida humana. Pude sentir uma atitude bastante serena. Apesar de termos relembrado um dia de choque e de dor para muitas famílias, foi paz o que mais senti e vi naquela serra.

Larissa Andrade

26 de Maio, 9h30. O sol já dava sinais de que o dia seria longo. O desafio era descobrir histórias interessantes dos moradores de Pacatuba, recontar a história do desastre aéreo a partir do relato das testemunhas. Patrícia e eu aceitamos a missão, enquanto os outros repórteres subiam a serra da Aratanha. Por onde começar? Com quem falar? Não conhecíamos absolutamente ninguém. Muito menos a cidade.

Era sábado e as ruas estavam bem vazias. Mesmo assim conseguimos ouvir ótimas histórias. Mas a essa altura a fome e o cansaço já começavam a reclamar. Avistamos uma calçada com uma sombra. Nosso oásis particular. E foi ali que sentamos para descansar, depois de horas à procura de personagens. Como estariam nossos colegas pela trilha da serra? Chegamos até a pensar que teriam se perdido pelo caminho.

O cansaço foi recompensado pelas pessoas que conhecemos. Eles são parte da memória do acontecimento mais trágico que a cidade já viveu. Relembrar aquele momento parecia não ser fácil para nenhum deles. Mas pelos olhos que vagavam enquanto conversávamos, a única certeza é que jamais vão esquecer aquele 08 de junho de 1982.

Ravenna De Paula

29 de maio. Com todas as dúvidas e angústias de uma estudante de jornalismo, ultrapassei pela primeira vez meus limites para alcançar a proposta expressa em breves linhas de uma pauta. Nossa equipe (Rogério Maia e Julyana Lourenço e eu) tinha a missão de conversar com os parentes das vítimas do voo 168 da Vasp.

O cenário não poderia ser mais propício: o saguão fechado há anos do antigo Aeroporto Pinto Martins. Neste dia, me questionei em muitos momentos. Como extrair informação através da dor? Como penetrar no íntimo do coração destas pessoas sem ser invasivo ou até mesmo oportunista?

Mas a partir de um certo momento, a entrevista se transformou em roda de conversa. Em pouco tempo os parentes das vitimas da tragédia pareciam velhos amigos. Uma amizade nascida do sofrimento em comum. A dor de perder pessoas amadas, que tiveram a vida ceifada precocemente. Nosso objetivo foi cumprido. Não foi fácil, mas havia muito entusiasmo em toda a equipe.

Coloquei-me no lugar de cada uma daquelas pessoas. Imaginei como me sentiria se estivesse na mesma situação. E comprovei que uma entrevista feita com sutileza e sentimento gera os resultados esperados, sem ferir ou invadir sentimentos.

Rogério Maia

O calendário marcava 22 de maio. Já eram quase 14h30 quando embarcamos (Gutemberg, Igor e eu) num monomotor no antigo aeroporto. Sob o comando do piloto Monteiro, fomos em direção à Pacatuba. Foram exatos 35 minutos de voo de muita admiração e suspense. Do alto, vimos a um Castelão em obras para o futuro.

Mas ao mesmo tempo tive a sensação de retornar ao passado. A aeronave balançava muito e o medo aumentava com a proximidade da serra. Ao sobrevoar a área do acidente, arrepio. Embaixo muito verde e o sentimento de resgate do passado. Não era nascido na época do desastre. Não tinha dimensão do que foi.

Uma semana depois, no cemitério Parque da Paz, vi estampados no jazigo os nomes das vitimas. Parentes pessoas que entrevistamos. Lembrança das lágrimas e dor sentida pelos familiares que falaram conosco.

Lembranças vazias, mas muito significantes. Muitas histórias interrompidas. A surpresa que não chegou, a dor e ausência no dia dos pais, o desespero na confirmação da lista de mortos. Despertei para algumas questões da minha vida pessoal. Tudo aquilo me fez pensar sobre o valor do que tenho. Tudo isso me fez crescer um pouco mais.

Marcello Soares

Sábado, 26 de maio. Acordo cedo para refazer o caminho das equipes de resgate na Serra da Aratanha. Um nevoeiro cobre a parte mais alta do morro, como no momento da tragédia (segundo os relatos dos jornais da época). Nosso guia é o José Luciano, morador da
cidade que esteve no local horas depois do acidente. Também nos acompanha uma guarnição de Corpo de Bombeiros. Um deles, o sub-tenente Alencar, participou ativamente do resgate dos corpos e dos destroços em1982.

A trilha não foi fácil: pedras escorregadias e subidas íngremes. O caminhada era alternada com alguns minutos de descanso. Na própria serra, encontramos frutas e água fresca, que davam um novo fôlego a todos.

Após quase três horas, chegamos ao ponto exato do acidente. Seu Luciano e o sub-tenente Alencar lembram do cenário e da tristeza. A emoção é inevitável, a voz se perde. Difícil manter o distanciamento, não se envolver. E aqui estou eu, , ouvindo histórias de um momento tão trágico. Uma experiência singular. Daquelas que faz a gente pensar sobre a vida.

João Victor Sales

Antes de participar da produção da edição do Câmera 12 sobre o acidente da Vasp em Pacatuba, jamais havia imaginado quão forte foi a repercussão desse fato. Nasci 8 anos depois do acidente. Não acompanhei o que realmente representou essa tragédia.

Quando comecei a trabalhar nessa pauta, meus colegas já haviam antecipado muitas coisas. O contato com as fontes, algumas informações sobre o voo. Ao ler os relatos de cada testemunha e de cada parente das vítimas, ao ouvir o áudio da caixa preta e ao assistir às imagens feitas no local, surpreendi-me com as proporções desse desastre que marcou a aviação civil brasileira.

Além da rica experiência de poder entrar em contato com essas informações até então desconhecidas para mim, tive a oportunidade de falar com alguns dos familiares das vítimas para fechar os detalhes das entrevistas. Não eram só fontes de informação. Mas sim pessoas que, da noite para o dia, viram suas vidas transformadas por um desastre. Percebi que esta não é apenas a data que marca os 30 anos de um fato, mas que marca 30 anos de muitas histórias de vidas arrasadas pela perda de pessoas amadas.

Fernanda Valéria

Não é fácil falar sobre assuntos traumáticos como o acidente do avião da VASP. Pela forma como aconteceu, pela violência das imagens, o desaste ultrapassou o tempo e não caiu no esquecimento. A dor se estende além da sentida pelos familiares. Uma dor compartilhada, mas de forma alguma igual.

Quando começamos a produzir o programa, fiquei surpresa com o relato de uma colega da redação que perdeu um ente querido no acidente. Minha primeira reação foi de constrangimento. Como vou abordá-la em sua dor? Como vou indagar sobre uma dor de alguém que está tão próximo? Não foi fácil ouvi-la e controlar a emoção. Não foi fácil também ouvir outros parentes.

A vida é mesmo uma grande professora. Diante de tanta tragédia, há que se perceber a solidariedade humana. Conversando por telefone com o subtenente Alencar, do corpo de bombeiros, pude entender a missão dessa corporação na sociedade. Ele esteve no dia do resgate das vítimas e, gentilmente, acompanhou nossa equipe até o local do acidente. Na conversa por telefone, me falou do horror da cena logo após o acidente e de sua comoção diante da tragédia. Apesar do dever cumprido, pareceu-me que a tristeza dele em relembrar os fatos ainda é presente. O que me fez pensar: mesmo diante da dor, o ser humano encontra forças para ajudar.

Igor Gadelha

Logo que recebi o e-mail com a pauta do sobrevoo pela Serra de Aratanha, a expectativa começou. Fazer uma matéria de dentro de um avião seria, sem dúvida, uma “baita” experiência. Algo que eu nunca tinha vivenciado. E foi assim, já com mil planos e pensamentos na cabeça, que fui dormir. Ou pelo menos tentar.

No dia seguinte, mais ansiedade. Durante as cerca de cinco horas que passei no outro trabalho, de instante em instante, o pensamento me transportava para a matéria. Enfim, chegou a hora! Na redação, Juliana Castanha passa todas as orientações e detalhes de como a pauta deveria ser executada. Tudo pronto, partimos rumo ao aeroporto.

O piloto que nos acompanharia chegou e explicou os procedimentos e como o voo seria realizado. Até aquele momento, a vontade era de decolar. Nada de medo. Pelo menos até ali. Segurança checada, eu, Rogério e o cinegrafista Gutemberg entramos na aeronave. A hora era aquela!

No motomotor, algo me assusta. O piloto pede que eu deixe a porta do avião um pouco aberta, para que entrasse vento. De imediato, logo perguntei como leigo: “e ela vai ficar aberta o tempo todo?”. Ele explica que seria somente enquanto taxiava o avião para a pista de decolagem. Portas fechadas, decolamos.

Foi ai que a emoção começou. A instabilidade não é o forte dos mono monotores. Até que a aeronave se estabilizasse no céu após a decolagem, foram muitas caras e bocas de espanto. Sem contar o coração disparado e frio na barriga e que dava a cada descida e subida brusca durante o processo de estabilização.

Passado esse começo, digamos, “instável”, o voo foi tranquilo. Ao ver a serra lá de cima e entrevistar o piloto sobre o que aconteceu com o Boeing da Vasp, as imagens do acidente que já tinha visto pela Internet passavam pela minha cabeça. Minha imaginação foi longe! Estava completamente imerso na pauta. Na descida, no entanto, o medo voltou.

Quando o avião tocou a pista, sem querer, cheguei a apertar o pedal de co-piloto. Um reflexo involuntário, como se quisesse frear a aeronave. Mas, claro, só os pedais do piloto funcionavam, os outros estavam desativados. Em solo, me dei conta de que essa tinha sido a melhor experiência jornalística que tinha vivido até ali.

Patrícia Montenegro

Sábado, 26 de maio. Parte da equipe do CÂMERA12 é escalada para encarar os 735m de altitude da Serra da Aratanha, para chegar ao local exato do acidente com o voo 168 da VASP. Larissa Andrade e eu ficamos na cidade para localizar os moradores que vivenciaram o dia 8 de junho de 1982. O dia do acidente que matou 137 passageiros.

Pacatuba é uma cidade pequena e muito tranquila. Difícil era encontrar alguém pelas ruas. Saímos batendo de porta em porta. Todos indicavam quase que os mesmos moradores, que já se tornaram referências da história do desastre. Eram testemunhas do acidente, pessoas que acompanharam o trabalho das equipes de resgate e o sofrimento dos familiares das vítimas.

Alguns relatos tem até o mesmo tom: “foi um estrondo horrível, senti até a casa tremer” contou o Sr. Antony Fernandes, 73 anos. “Era muita, muita gente na cidade. De manhãzinha ficou difícil até andar a pé por aqui”, relatou o senhor Celso Pereira, de 51 anos. Eu não era viva quando houve o acidente. Mas visitar Pacatuba e ouvir aquelas histórias e o peso dos depoimentos, é como se de alguma forma também pudesse reviver aquele momento. E ver que numa cidade tão linda e com uma paisagem tão rica, ironicamente também guarda a tragédia de 137 famílias.

Jackson Pereira

Quando recebemos a pauta do voo da VASP ela veio recheada de possibilidades. Fazer a relação com os dias atuais, com os problemas encontrados durante os voos, das possibilidades de acidentes e de prevenção. Tudo isso acabou instigando a busca por essa fala especializada.

Desse pensamento foi feito o contato com a SAT, uma escola de aviação que forma pilotos, aqui em Fortaleza. Meu contato lá foi com o senhor Monteiro. Desta conversa surgiu a ideia do sobrevoo pela região do acidente. A Juliana sugeriu isso, que tentássemos voar numa aeronave.

Novamente liguei para o Monteiro na SAT. Ele retornou a ligação 15 minutos depois, já marcando o local e o horário para um breve voo. Mas os repórteres se superaram e de uma orientação pra mostrar de longe o local do acidente, eles contando o foco da reportagem deram uma volta sobre o local. Enfim rechearam o que seria a principio uma entrevista em uma viagem sobre o local acidentado.

Veja vídeos do resgate e da cobertura da imprensa na época

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O acidente com o Boeing 727-200, sem dúvida, foi um dos piores da história da aviação comercial brasileira. Foram 137 vítimas, entre tripulantes e passageiros, que morreram depois que a aeronave se chocou contra a Serra de Aratanha, em Pacatuba, Região Metropolitana de Fortaleza.

Acompanhem agora alguns vídeos do resgate e de matérias jornalísticas da epóca:

Resgate dos corpos:

Imagem de Amostra do You Tube

Imagem de Amostra do You Tube

Depoimentos dos primeiros soldados que chegaram ao local:

Imagem de Amostra do You Tube


Acidente com o Boeing 727 da Vasp completa 30 anos nesta sexta

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O acidente com o Boeing 727-200, da antiga companhia aérea Vasp, completa 30 anos nesta sexta-feira, 8 de junho. Em 1982, nessa mesma data, 137 pessoas, entre passageiros e tripulantes, morreram após a aeronave se chocar contra a Serra de Aratanha, em Pacatuba, Região Metropolitana de Fortaleza.

Esse é considerado, sem dúvida, o mais grave acidente da aviação comercial brasileira na época. De acordo com informações da caixa preta da aeronave, o comandante desceu antes do previsto, muito rápido e abaixo do permitido na área. Acompanhe agora o passo a passo da aeronave.

Ficha técnica:

Acidente
Data: 8 de junho de 1982
Horário: 2h45min
Local: Serra de Aratanha – Pacatuba
Empresa: Viação Aérea de São Paulo (Vasp)
Número do voo: VA 168
Trajeto: São Paulo – Rio de Janeiro – Fortaleza

Modelo do Boeing 727-200 que bateu na Serra de Aratanha (Foto: Desastreasareos.com)

Boeing 727-200
Prefixo: PP-SRK
Comprimento: 32.91 m
Envergadura: 46,69 m
Peso: 86,6 toneladas (vazio)
Capacidade: 148 a 189 pessoas
Pessoas a bordo no dia do acidente: 137 (9 tripulantes e 128 passageiros)

:: A história

7 de junho de 1982

São Paulo – Rio de Janeiro

- Pouco depois das 22h, a aeronave decola do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo.

- Um hora depois, o boeing faz a única escala no Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro.

Rio de Janeiro – Fortaleza

- A cerca de 259 km de Fortaleza e voando a 33 mil pés de altura, a aeronave começa o procedimento de descida.

- O Controle de Tráfego do Aeroporto Pinto Martins autoriza o Boeing 727-200 a descer até a altura de 1.500m, devendo reportar à torre quando cruzasse os 3.300m.

Primeira falha

- A 253 km de Fortaleza, o comandante Fernando Antônio Vieira Paiva começa a descer de fato. Segundo as cartas náuticas do Aeroporto Pinto Martins, ele só deveria fazer isso a 159 km.

Segunda falha

- A antecipação da descida levou a aeronave a atingir 3 mil pés bem antes da linha vertical do Aeroporto Pinto Martins.

Primeiro sinal

- Quando a aeronave atinge 5.800 pés (cerca de 1.933m), soa o primeiro sinal de alerta.

- Ao cruzar os 3.800 pés, o copiloto adverte o comandante para a presença de “morrotes à frente”.

- O piloto ignora o sinal e o alerta e continua a descida.

Segundo sinal

- Quando o boeing atinge 2.300 pés (cerca de 767m), o segundo sinal de alerta toca.

8 de junho – O choque

- A aeronave prossegue na decida para a faixa dos 1.500 pés (cerca de 500m), que é a altitude de tráfego visual em Fortaleza.

2h45min – Com uma velocidade de 530 km/h, o boeing 727-200 da Vasp se choca contra a Serra de Aratanha a 1.950 pés (594m).

Ouça aqui o áudio da conversa dos pilotos

3h – Funcionários da Vasp avisam aos familiares dos passageiros que estavam no aeroporto que o Boeing 727 estava desaparecido, sem dar mais detalhes.

 O grito do piloto

- Por volta das 4h, começam a ser ouvidas as primeiras versões do acidente.

5h10 – Familiares recebem a confirmação do choque da aeronave contra a Serra de Aratanha.

Procedimento correto

De acordo com a Aeronáutica, em um procedimento correto, a aeronave só teria chegado à altitude de 1.500 pés quando atingisse o perímetro urbano de Fortaleza – mais de 30 quilômetros de depois do local do acidente. Autorizado a descer até o nível mínimo de segurança, de 5.000 pés, o piloto ignorou a determinação.

Condições meteorológicas

De acordo com a Força Aérea Brasileira, as condições meteorológicas do Aeroporto de Fortaleza permitiam operações visuais, com ventos fracos, visibilidade acima de 10 quilômetros, céu encoberto, nuvens altas a 6 mil metros e temperatura na marca dos 24º C, na hora do acidente.