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Caderno de críticas

por Manoel Moacir

Algumas palavras sobre a crítica e seu lugar desejado

Por Manoel em Artes Cênicas

13 de fevereiro de 2017

Abrir esse espaço de colaboração com o portal Tribuna do Ceará é um passo muito grande para mim, porque faz ecoar o desejo de colaborar com a cena de teatro e dança locais de um modo novo. Meu encontro com a crítica se deu por esse desejo mesmo que é de registrar e de escrever e aconteceu aos poucos, primeiro como impressões que anotava, depois em alguns blogs, convites para escrever e falar de espetáculos, e por aí vai.

Fui assim chamado a escrever críticas ou a dividir opiniões e também a ler o que outros falavam sobre criações que me interessassem, algumas delas até bem distantes de nós. Aceitei todos esses chamados porque vieram como resultado de uma atuação no território da arte-educação e estavam em mim como necessidades de mediar, conversar, refletir, e assim, de registrar as memórias, os depoimentos de algo efêmero e que acontece nos momentos das apresentações, mas que de algum modo ressoam e perduram como marcas no tempo para muitos.

Meu olhar vagueia entre a crítica (um gênero especulativo, jornalístico) e a crônica (como uma outra forma do conto e das narrativas curtas) para não silenciar o desejo de criação nem a vontade de emitir o que se pensa, não apenas julgar, mas abrir caminho para mediação. Até mesmo uma crítica de outra geração e tida como conservadora como Bárbara Heliodora dizia que a crítica (teatral, no caso) serviria, entre outras coisas, como ponte entre o público e o novo. Mais recentemente, e indo mais direto ao ponto que me interessa, o crítico argentino Jorge Dubatti nos chama a atenção para a necessidade de se falar de uma função ontológica própria do teatro, que sua ritualização nos leva a um encontro com a própria vida. Essa função ou natureza pertence a todos.

A essas ideias, também acho que nós que escrevemos podemos estimular o contato com artistas e públicos, observando em ambos o que faz sair de lugares e preconceitos comuns. Não se trataria de explicar a esmo teorias e verdades individuais, mas sim de achar o que nos é possível ver/ falar sobre o que é comum a mais de um. O que a obra, seja em que formato for, traz como provocação, como margem de reinvenção da vida habitual? Ou, aonde ela nos leva a lugares improváveis, ainda que não sejam lugares de contemplação confortáveis em si?

Como escrita isso se trata de falar em nós, no plural, mesmo num texto como esse, que começou tão em primeira pessoa. É também deixar de lado o ensimesmamento, muitas vezes necessário ao ato de fruir, e torná-lo algo concreto, palpável, como uma outra marca que talvez possa ser deixada no tempo.

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Algumas palavras sobre a crítica e seu lugar desejado

Por Manoel em Artes Cênicas

13 de fevereiro de 2017

Abrir esse espaço de colaboração com o portal Tribuna do Ceará é um passo muito grande para mim, porque faz ecoar o desejo de colaborar com a cena de teatro e dança locais de um modo novo. Meu encontro com a crítica se deu por esse desejo mesmo que é de registrar e de escrever e aconteceu aos poucos, primeiro como impressões que anotava, depois em alguns blogs, convites para escrever e falar de espetáculos, e por aí vai.

Fui assim chamado a escrever críticas ou a dividir opiniões e também a ler o que outros falavam sobre criações que me interessassem, algumas delas até bem distantes de nós. Aceitei todos esses chamados porque vieram como resultado de uma atuação no território da arte-educação e estavam em mim como necessidades de mediar, conversar, refletir, e assim, de registrar as memórias, os depoimentos de algo efêmero e que acontece nos momentos das apresentações, mas que de algum modo ressoam e perduram como marcas no tempo para muitos.

Meu olhar vagueia entre a crítica (um gênero especulativo, jornalístico) e a crônica (como uma outra forma do conto e das narrativas curtas) para não silenciar o desejo de criação nem a vontade de emitir o que se pensa, não apenas julgar, mas abrir caminho para mediação. Até mesmo uma crítica de outra geração e tida como conservadora como Bárbara Heliodora dizia que a crítica (teatral, no caso) serviria, entre outras coisas, como ponte entre o público e o novo. Mais recentemente, e indo mais direto ao ponto que me interessa, o crítico argentino Jorge Dubatti nos chama a atenção para a necessidade de se falar de uma função ontológica própria do teatro, que sua ritualização nos leva a um encontro com a própria vida. Essa função ou natureza pertence a todos.

A essas ideias, também acho que nós que escrevemos podemos estimular o contato com artistas e públicos, observando em ambos o que faz sair de lugares e preconceitos comuns. Não se trataria de explicar a esmo teorias e verdades individuais, mas sim de achar o que nos é possível ver/ falar sobre o que é comum a mais de um. O que a obra, seja em que formato for, traz como provocação, como margem de reinvenção da vida habitual? Ou, aonde ela nos leva a lugares improváveis, ainda que não sejam lugares de contemplação confortáveis em si?

Como escrita isso se trata de falar em nós, no plural, mesmo num texto como esse, que começou tão em primeira pessoa. É também deixar de lado o ensimesmamento, muitas vezes necessário ao ato de fruir, e torná-lo algo concreto, palpável, como uma outra marca que talvez possa ser deixada no tempo.