vulnerabilidade ambiental Archives - Blog Verde 
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Blog Verde

por Nájila Cabral

vulnerabilidade ambiental

Mudanças climáticas e a importância da biodiversidade

    Ontem, dia 10/06, a WCMC (World Conservation Monitoring Centre) publicou o Sumário Executivo intitulado “Combate às alterações climáticas: a importância da biodiversidade”, no qual traz as seguintes mensagens principais:

 – os objetivos de mitigação e adaptação às mudanças climáticas podem ser apoiados por ações de conservação da biodiversidade, permitindo a permanência dos esforços de mitigação e adaptação.

– A perda de biodiversidade e a degradação dos ecossistemas prejudicam a oferta de serviços dos ecossistemas, que são vitais para a mitigação e adaptação.

– As medidas de adaptação e mitigação que não consideram o papel de, e os possíveis impactos sobre, a biodiversidade podem ter consequências adversas; portanto, esses impactos devem ser avaliados.

– Aplicação de critérios de biodiversidade para a mitigação das mudanças climáticas pode aumentar os benefícios e minimizar os riscos para a biodiversidade, sem comprometer os objetivos de mitigação ou de adaptação.

– Vários acordos internacionais relevantes para as mudanças climáticas e biodiversidade devem ser implementados de forma que estejam coordenados, com apoio mútuo e reforço de sinergias.

Fonte: WCMC, 2014

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Avaliação de vulnerabilidade e as mudanças climáticas

      Quando se fala em Avaliação de Vulnerabilidade, remete-se à necessidade de se promover a análise dos impactos ambientais (econômicos, sociais e ecológicos), dos riscos e da capacidade de adaptação de um determinado setor ou região, considerando os efeitos das mudanças climáticas.

     Para além de identificar e mensurar os potenciais danos causados por eventos oriundos das mudanças climáticas, a Avaliação de Vulnerabilidade (Vulnerability Assessment – VA) inclui a análise da habilidade do setor, ou região, em se adaptar aos efeitos das mudanças.

     Durante a Adaptation Futures 2014, que está acontecendo em Fortaleza e segue até 16 de maio, cientistas, pesquisadores e tomadores de decisão discutem maneiras de viabilizar adaptação às mudanças climáticas, notadamente por meio de políticas públicas eficientes e eficazes.

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Contexto da Tomada de Decisão conforme Relatório do IPCC – 2014

    Fazer uma escolha não é fácil. Envolve tantas variáveis e certamente tem uma consequência diretamente relacionada a esta escolha. Isso acontece em todos os setores de nossas vidas. Tomar uma decisão na vida pode significar seguir o rumo correto, ou não. E só saberemos quando o futuro chegar…

    Mas se tivermos cenários no presente que nos auxilie a tomar uma decisão, provavelmente a escolha se dará por critérios menos subjetivos e as incertezas diminuem, minimizando a probabilidade dos erros… E suas consequências adversas.

     O relatório do IPCC – 2014 comenta sobre as incertezas vinculadas a vulnerabilidade, são muitas as incertezas inclusive relacionadas às “respostas dos sistemas humanos e naturais e sua interrelação (muito alta confiança)”. Continua o Relatório: “isso motiva a exploração de uma vasta gama de avaliações de riscos (risk assessment) para futuros socioeconômicos. Compreender a vulnerabilidade futura, a exposição e a capacidade de resposta dos sistemas naturais e humanos interligados constituem-se em um desafio, devido ao número de fatores sociais, econômicos e culturais que interagem no processo, que foram considerados de forma incompleta até o presente momento”.

      Prezados leitores do Blog Verde, em especial aos tomadores de decisão em nível local, apesar das incertezas decorrentes dos fatores sociais, econômicos e culturais, importante aceitarmos que estamos num momento crucial. Escolhas não adequadas acarretarão em riscos maiores a toda a população.

     Oportuno, salutar e necessário apoiar as decisões tomadas nos cenários apresentados por estes instrumentos de avaliação, como o Relatório do IPCC – 2014. Cenários estes nada animadores, notadamente para as populações já vulneráveis como as pessoas em situação de pobreza.

     Então, prezados, mãos a obra! Está mais do que na hora de optarmos por aquilo que, para a maioria, seria mais adequado e com consequente bem-estar, a exemplo de reestruturar as instituições de governança, promover o acesso universal ao saneamento básico; ampliar as áreas protegidas; dentre tantas outras ações que coadunam com o que desejamos a todo o território nacional: sustentabilidade ambiental.

Fonte: IPCC WGII AR5. Resumo para Tomadores de Decisão. 2014.

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Grau de incertezas dos resultados do relatório do IPCC – 2014

     Em toda avaliação ambiental existem incertezas. O grau de incerteza da cada avaliação depende do tipo de avaliação, da quantidade e qualidade das informações; da consistência das provas e do grau de concordância da equipe envolvida no processo.

     No caso específico do último Relatório do IPCC, divulgado em 31 de março de 2014, os autores descrevem as evidências como: limitadas, médias ou fortes e o grau de concordância como: baixo, médio ou alto.

     A confiança na validade de uma constatação sintetiza a avaliação da prova e da concordância (acordo). Os níveis de confiança incluem cinco qualificações: muito baixa, baixa, média, alta e muito alta.

     A probabilidade de algum resultado ter ocorrido ou vir a ocorrer no futuro foi descrito quantitativamente, em mencionado relatório, através dos seguintes termos:

praticamente certo, com probabilidade de 99-100%;

extremamente provável, com 95 – 100%; muito provável, com 90-100%;

provavelmente, com intervalo de 66-100 %;

mais provável do que não, com mais de 50 a 100 %;

tanto provável como não, no intervalo de 33 a 66 %;

improvável, compreendendo o intervalo de 0 a 33 %;

muito improvável, cujo intervalo é de 0 a 10 %;

extremamente improvável, com variação de 0 a 5%; e

excepcionalmente improvável, compreendendo intervalo de 0 a1 %.

      Conforme o Relatório, a menos que seja indicado o contrário, os resultados elencados no Relatório do IPCC 2014 vinculados a uma determinada probabilidade estão associados com uma alta ou muito alta confiança, portanto são informações confiáveis que os tomadores de decisão podem, e devem, utilizá-las para readequar as políticas públicas de seu território.

Fonte: IPCC WGII AR5. Resumo para Tomadores de Decisão. 2014.

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Vulnerabilidade ambiental para o Bioma Caatinga

Por Nájila Cabral em Desenvolvimento Sustentável, Meio Ambiente, Mudanças Climáticas

12 de setembro de 2013

     O Primeiro Relatório de Avaliação Nacional, do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas, traz informações valiosas para o enfrentamento dos novos desafios para este século.

      O Sumário Executivo, divulgado no último dia 09 de setembro, informa que em virtude do alto grau de vulnerabilidade socioambiental das regiões norte e nordeste do Brasil, as projeções mais preocupantes para o final do século são para os biomas Amazônia e Caatinga. Ambas apresentam tendências de aquecimento na temperatura do ar e de diminuição da chuva maiores do que a variação média global.

     Alertam os pesquisadores do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas que a despeito das incertezas (dos cenários de emissões de gases de efeito estufa; da variabilidade natural do sistema climático e dos modelos), as projeções sobre a análise consistente das mudanças climáticas futuras ao longo do século XXI são plausíveis e necessárias.

     Conforme o RAN1 (Primeiro Relatório de Avaliação Nacional), “as projeções feitas por Marengo et al. (2009; 2010), mostram uma redução no valor total e aumento da variabilidade nos padrões de precipitação para o bioma Caatinga; além de um aumento no número de dias secos e aumento da temperatura do ar”.

      O Relatório ainda adverte sobre a produção de alimento que também seria seriamente afetada e o aumento na variabilidade das precipitações afetaria também a pecuária.

      Continua o relatório a respeito do Bioma Caatinga, “sua vegetação natural é relativamente bem adaptada à falta de água e altas temperaturas. No entanto, não se conhece os limites deste bioma tornando-se extremamente importante que estudos de longo prazo sobre o funcionamento da Caatinga sob condições extremas sejam realizados para a futura adaptação deste bioma às mudanças globais que se impõe no futuro”.

     Portanto, os resultados do RAN1 se constituem em informações inovadoras e valiosas tanto para fins de mitigação de impactos e vulnerabilidade junto à sociedade que habita os diferentes biomas brasileiros quanto para aperfeiçoar o planejamento de ações de adaptação e minimização dos efeitos das mudanças climáticas.

      E aí? Como faremos? Estamos preparados para enfrentar as mudanças climáticas? Temos políticas públicas adequadas e suficientes para este enfrentamento?

     A sociedade civil precisa, urgentemente, dessas informações. Precisamos estar conscientes de quais são as projeções e os cenários que estão sendo postos. Os modelos e os resultados do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas são confiáveis; assim, prezados leitores do Blog Verde, é a partir desses resultados que devemos encontrar soluções viáveis para permitir o desenvolvimento socioeconômico em consonância com qualidade ambiental, em horizonte temporal.

 Fontes: Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas (GT1- Bases Científicas das Mudanças Climáticas), 2013

           Marengo, J.A., R. Jones, L.M. Alves, e M.C. Valverde, 2009: Future change of temperature and precipitation extremes in South America as derived from the PRECIS regional climate modeling system. Int. J. Climatol., 29(15), 2197-2352, doi:10.1002/joc.1863.

Marengo, J.A., et al., 2010: Future change of climate in South America in the late twenty-first century: intercomparison of scenarios from three regional climate models. Clim. Dyn., 35(6), 1073 – 1097.

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Vulnerabilidade ambiental para o Bioma Caatinga

Por Nájila Cabral em Desenvolvimento Sustentável, Meio Ambiente, Mudanças Climáticas

12 de setembro de 2013

     O Primeiro Relatório de Avaliação Nacional, do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas, traz informações valiosas para o enfrentamento dos novos desafios para este século.

      O Sumário Executivo, divulgado no último dia 09 de setembro, informa que em virtude do alto grau de vulnerabilidade socioambiental das regiões norte e nordeste do Brasil, as projeções mais preocupantes para o final do século são para os biomas Amazônia e Caatinga. Ambas apresentam tendências de aquecimento na temperatura do ar e de diminuição da chuva maiores do que a variação média global.

     Alertam os pesquisadores do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas que a despeito das incertezas (dos cenários de emissões de gases de efeito estufa; da variabilidade natural do sistema climático e dos modelos), as projeções sobre a análise consistente das mudanças climáticas futuras ao longo do século XXI são plausíveis e necessárias.

     Conforme o RAN1 (Primeiro Relatório de Avaliação Nacional), “as projeções feitas por Marengo et al. (2009; 2010), mostram uma redução no valor total e aumento da variabilidade nos padrões de precipitação para o bioma Caatinga; além de um aumento no número de dias secos e aumento da temperatura do ar”.

      O Relatório ainda adverte sobre a produção de alimento que também seria seriamente afetada e o aumento na variabilidade das precipitações afetaria também a pecuária.

      Continua o relatório a respeito do Bioma Caatinga, “sua vegetação natural é relativamente bem adaptada à falta de água e altas temperaturas. No entanto, não se conhece os limites deste bioma tornando-se extremamente importante que estudos de longo prazo sobre o funcionamento da Caatinga sob condições extremas sejam realizados para a futura adaptação deste bioma às mudanças globais que se impõe no futuro”.

     Portanto, os resultados do RAN1 se constituem em informações inovadoras e valiosas tanto para fins de mitigação de impactos e vulnerabilidade junto à sociedade que habita os diferentes biomas brasileiros quanto para aperfeiçoar o planejamento de ações de adaptação e minimização dos efeitos das mudanças climáticas.

      E aí? Como faremos? Estamos preparados para enfrentar as mudanças climáticas? Temos políticas públicas adequadas e suficientes para este enfrentamento?

     A sociedade civil precisa, urgentemente, dessas informações. Precisamos estar conscientes de quais são as projeções e os cenários que estão sendo postos. Os modelos e os resultados do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas são confiáveis; assim, prezados leitores do Blog Verde, é a partir desses resultados que devemos encontrar soluções viáveis para permitir o desenvolvimento socioeconômico em consonância com qualidade ambiental, em horizonte temporal.

 Fontes: Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas (GT1- Bases Científicas das Mudanças Climáticas), 2013

           Marengo, J.A., R. Jones, L.M. Alves, e M.C. Valverde, 2009: Future change of temperature and precipitation extremes in South America as derived from the PRECIS regional climate modeling system. Int. J. Climatol., 29(15), 2197-2352, doi:10.1002/joc.1863.

Marengo, J.A., et al., 2010: Future change of climate in South America in the late twenty-first century: intercomparison of scenarios from three regional climate models. Clim. Dyn., 35(6), 1073 – 1097.