extrema pobreza Archives - Blog Verde 
Publicidade

Blog Verde

por Nájila Cabral

extrema pobreza

Objetivos do Desenvolvimento Sustentável

Por Nájila Cabral em Conservação da Natureza, Desenvolvimento Sustentável, Meio Ambiente

22 de junho de 2015

    Em setembro deste ano, os países devem ter a oportunidade de adotar um conjunto de objetivos para combater a pobreza, proteger o Planeta e assegurar a manutenção e prosperidade de vida para todos.

     Nessa ocasião, os países devem assumir compromisso e estabelecer os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), que vem sendo discutidos desde junho de 2012, logo após a realização da Rio+20.

     São 17 os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, mas como ainda não foram votados, o que vai ocorrer em setembro, ainda podem ter alguma alteração.

    O Blog Verde desta semana traz cada um deles, com suas metas a serem acordadas.

    O ODS 1 é “Acabar a pobreza em todas as suas formas em todos os lugares” (End poverty in all its forms everywhere”).

     Como metas propostas estão as seguintes:

erradicar a pobreza extrema (pessoas que vivem com menos de US$1,25 dólares por dia);

– reduzir pelo menos pela metade a proporção das pessoas que vivem na pobreza, considerando todas as suas dimensões;

– assegurar que todos os homens e mulheres tenham direitos iguais e acesso aos serviços básicos;

prover resiliência aos pobres e às pessoas em situação de vulnerabilidade, bem como reduzir sua exposição aos eventos extremos relacionados ao clima e aos desastres e riscos ambientais.

O segundo ODS é Acabar a fome, prover segurança alimentar e a nutrição e promover a agricultura sustentável.  Como metas deste ODS estão, dentre outros:

– Acabar com todas as formas de má nutrição e direcionar as necessidades nutricionais à gestantes e idosos;

dobrar a produtividade agrícola e incrementar os pequenos agricultores, com proteção ao meio ambiente e à biodiversidade;

– Prevenir problemas como as secas, as enchentes e outros desastres;

– Ampliar o investimento em infraestrutura rural, pesquisa agrícola, desenvolvimento tecnológico e capacidade produtiva.

Fonte: UNEP

Publicidade

O que aprendemos das experiências de desenvolvimento das últimas duas décadas

Por Nájila Cabral em Conservação da Natureza, Desenvolvimento Sustentável, Meio Ambiente

13 de Fevereiro de 2015

    A Resolução A/69/700 (UN, 2014) traz, resumidamente, as experiências que os países do mundo vivenciaram em relação ao desenvolvimento nas últimas duas décadas, desde 1992 a 2002.  Essas experiências estão relatadas no documento da Rio + 20 intitulado “O futuro que queremos”. Neste estão os avanços obtidos e as lacunas que se constituirão nos desafios para as próximas décadas.

    Os avanços foram insuficientes para, por exemplo, erradicar a extrema pobreza nos países em desenvolvimento; sendo este o maior desafio colocado para o mundo todo, como necessário e urgente para se enfrentar. A extrema pobreza é algo inconcebível, inaceitável. E como tal permanece como o grande desafio do desenvolvimento sustentável.

    Conforme mencionada Resolução da ONU, a extrema pobreza pode ser erradicada na próxima geração. Os Objetivos do desenvolvimento do Milênio (ODMs) contribuíram para este progresso. Todos são chamados a fazer sua parte: sociedade civil, governos e setores privados.

     Atualmente, a família global possui 7 bilhões de pessoas e em 2050 estima-se que serão 9 bilhões de pessoas. As pessoas estão envelhecendo, vivendo mais e tendo vidas mais saudáveis (e isso é muito bom!). No entanto, devemos nos preparar para os impactos que advirão desse crescimento populacional, notadamente das pessoas que moram em áreas urbanas. Isto se constitui em desafios e também em oportunidades!

     A discussão da agenda de desenvolvimento pós-2015 deve voltar sua atenção para os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável. Atenção maior deve ser dada aos que são mais vulneráveis, em particular os países africanos, os países menos desenvolvidos e os países insulares.

Fonte: UN, 2014.

Publicidade

Objetivos do Desenvolvimento Sustentável –parte 2

    A proposta dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) tem até 2030 como horizonte temporal para consecução. São 17 as propostas dos ODS. Nesta parte, traremos quatro dos ODS (propostas) e algumas metas.

    Importante ressaltar que os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável só serão votados, em plenária na ONU, em 2015; portanto, ainda se encontram em discussão com todas as partes interessadas.

1) Acabar com a pobreza em todo lugar. Dentre as metas estão: até 2030, zerar o número de pessoas que vivem na extrema pobreza e reduzir pela metade a proporção das pessoas de todas as idades que estão abaixo do nível de pobreza.

2) Acabar a fome, melhorar a nutrição e promover a agricultura sustentável. Dentre as metas estão: até 2030 acabar com a fome e assegurar que todas as pessoas tenham acesso à adequada nutrição.

3) Alcançar vida saudável para todos. Dentre as metas estão: até 2030, acabar com a mortalidade e a morbidade maternas evitáveis; reduzir em um terço a morbidade, a mortalidade e a incapacidade por doenças não transmissíveis; reduzir pela metade o número de mortes evitáveis e de doenças provocadas por produtos químicos perigosos, pela poluição do ar (interior e exterior), pela poluição da água e do solo e outras formas de degradação ambiental.

4) Proporcionar educação de qualidade e oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos. Dentre as metas estão: até 2030, prover a todas as crianças acesso a educação infantil e básica de qualidade; assegurar aos meninos e meninas completar a educação primária (fundamental) e secundária (médio); integrar a educação aos programas de educação para o desenvolvimento sustentável, incluindo os direitos dos povos indígenas, direitos humanos, promovendo uma cultura de paz e não violência.

Fonte: Sustainable Development Knowledge Plataform, 2014.

Publicidade

Salvando vidas de muitas maneiras – Relatório ODM 2014

     Muito recentemente, a Organização das Nações Unidas publicou o Relatório dos Objetivos do Desenvolvimento do Milênio (ODM) – 2014. Aproxima-se a data limite, que é 2015, para que os países alcancem metas e prazos.

    Mencionado relatório dos ODM é baseado em estatísticas oficiais e fornece o resumo mais recente de todas as metas, tanto em nível global quanto regional. Os resultados mostram que os esforços concentrados para alcançar as metas dos ODM pelos governos nacionais, pela comunidade internacional, pela sociedade civil e pelo setor privado estão indo em direção de tirar as pessoas da pobreza extrema e melhorar seu futuro.

     O Secretário geral da ONU, Ban Ki-moon, comentou: “os Objetivos do Desenvolvimento do Milênio foram uma promessa de defender os princípios da dignidade humana, igualdade e equidade, e libertar o mundo da pobreza extrema. Os ODM, com oito grandes metas e com prazos mensuráveis, estabeleceram um plano para enfrentar os desafios de desenvolvimento mais prementes do nosso tempo”.

    Ainda segundo o relatório, ao longo dos últimos 20 anos, a probabilidade de uma criança morrer antes dos cinco anos foi quase cortada pela metade, o que significa cerca de 17 mil crianças salvas todos os dias. Globalmente, a taxa de mortalidade materna caiu 45% entre 1990 e 2013.

     Outra informação importante é sobre a terapia anti-retroviral para pessoas infectadas pelo HIV salvou 6,6 milhões de vidas desde 1995. A expansão dessa cobertura poderia salvar muitos mais. Desde 1995, os esforços para combater a tuberculose salvaram cerca de 22 milhões de vidas.

    Em tempos de tantas informações que nos causam profunda tristeza, como a morte de milhares de pessoas no conflito da Síria, a informação de que políticas públicas, quando efetivamente implementadas podem salvar milhares de vida, é uma doce esperança. Temos, sim, muito que realizar, reprogramar, readequar… Mas tenho fé e acredito nessa linda criatura divina que denominamos Homem.

Fonte: New York: UN Department of Public Information

Publicidade

Cenário atual do ODM 1- Erradicar a extrema pobreza e a fome

     O Relatório The Milennium Development Goals Report 2012 traz importantes informações a respeito da meta 1 dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio – Acabar com a miséria e a fome.

Fonte:UNDP/IPEA

Fonte:UNDP/IPEA

     Colocado como desafio a todos os países desde o relatório Brundtland, o chamado Nosso Futuro Comum (Our Commom Future), erradicar a miséria e a fome não é tarefa fácil em sociedades capitalistas.

     A excelente notícia em relação ao ODM 1 é que a meta de redução da pobreza foi alcançada. Estimativas preliminares, com ano base 2010, publicadas neste Relatório de 2012, indicam que a taxa de pobreza global em US $ 1,25 por dia caiu em 2010 para menos de metade da taxa existente em 1990. Caso esses resultados sejam confirmados, o primeiro alvo dos ODM, que é reduzir a taxa de pobreza extrema para metade do seu nível em 1990, terá sido alcançado, em nível mundial, bem antes de 2015 (data limite).

     Apesar da boa notícia, muito ainda há que se avançar. Ainda são milhares as pessoas que se encontram em extrema pobreza, o que é inaceitável em um mundo que queira ser sustentável.

     Conforme IPEA (2010) no relatório Nacional de Acompanhamento dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, o Brasil alcançou as metas nacionais e internacionais de redução da extrema pobreza e da fome. Para a pobreza extrema, a meta brasileira era a de, até 2015, reduzi-la não à metade (conforme a meta internacional), mas a um quarto do nível de 1990. As estimativas de pobreza extrema mostram que essa meta foi alcançada em 2007 e superada em 2008.

Fonte: UNDP e IPEA.

Publicidade

Extrema pobreza – análise do cenário cearense (parte 3-final)

Por Nájila Cabral em Desenvolvimento Sustentável, Meio Ambiente

07 de outubro de 2012

     Considerando o horizonte temporal solicitado pela UNCSD 2012, a Rio+20, quanto ao levantamento dos avanços obtidos desde a Rio92, o Relatório do Ceará (2012) traz a análise dos cenários cearenses nos anos de 1991, 2000 e 2010, especificamente, quanto à redução da pobreza.

     Conforme Relatório do Ceará (2012), e visualizando o mapa da esquerda na Figura, em 1991, eram 139 municípios classificados com percentual de pobres entre 78% a 90% da população. Apenas 01 município, em 1991, apresentava 45% de sua população classificada pobre. Cenário bastante preocupante, com necessidade de intervenção imediata. Este era o quadro à época da Rio92. Portanto, era absolutamente necessário a intervenção de políticas públicas econômicas e sociais para oferecer à sociedade serviços adequados de educação, saúde, saneamento e habitação.

Fonte: Medeiros; Pinho, 2011

      Passados 10 anos, em 2000, o cenário se altera um pouco; como é possível visualizar no mapa ao centro da Figura. Conforme o Relatório do Ceará (2012), eram 32 os municípios classificados com percentual de pobres entre 78% a 90%. Sobem para 11 municípios, que apresentavam percentual de pobres em até 50% do município. A mudança é lenta; muito menos acelerada do que se deseja, do que se é indispensável; mas é a realidade cearense.

     Conforme o Relatório do Ceará (2012), em 2010, cujo mapa pode ser visualizado à esquerda da Figura, o cenário é mais animador. São 20 os municípios que apresentam de 5% a 15% da população em extrema pobreza e 38 municípios que apresentam pessoas em extrema pobreza entre 35% a 45%. Ainda, segundo o relatório do Ceará (2012), o que em 1991 era o cenário mais otimista (01 município com 45% da população pobre), em 2010 a porcentagem 45% da população torna-se o cenário mais pessimista.

     O Grupo de trabalho do relatório do Ceará (2012) coloca textualmente que o avanço na redução à pobreza, apesar dos números apresentados nos indicadores socioeconômicos, ainda precisa ser mais acelerado. Ainda são muitos os cearenses que necessitam de políticas públicas que revertam esse quadro de degradação socioambiental.

    Minha percepção é que estamos na direção certa, no caminho de cooperação mútua que permita o cumprimento das metas e prazos estabelecidos nas reuniões mundiais e, muito mais importante, reverta este quadro social perverso. Não sei como estaremos em 2015; mas sinceramente, desejo que tenhamos avançado bem mais do que nos comprometemos em realizar.

     Minha esperança é de que as notícias, em um breve futuro, sejam: os brasileiros (inclusive os cearenses) não vivem mais em extrema pobreza: a proporção da população extremamente pobre é zero.

     Para finalizar, lembro-lhes que em 16 de julho colocamos um “post”, intitulado “Erradicação da pobreza e desenvolvimento sustentável”. Caso queiram saber mais, cliquem aqui.

Fonte: MEDEIROS, Cleyber Nascimento de; PINHO NETO, Valdemar Rodrigues. Textos para Discussão. N.97 – Os determinantes espaciais da extrema pobreza no estado do Ceará– 2010. Fortaleza: IPECE, 2011.

Publicidade

Extrema pobreza – análise do cenário cearense (parte 2)

Por Nájila Cabral em Desenvolvimento Sustentável, Meio Ambiente

06 de outubro de 2012

      Em 2002, houve a Rio+10, em Johannesburg, na África do Sul, em que os países-membros, inclusive o Brasil como país signatário, acordaram o Plano de Implementação da Cúpula da Terra sobre Desenvolvimento Sustentável (Plan of implementation of the World Summit on Sustainable Development), que trata como um dos principais desafios globais a erradicação da pobreza e este é um requerimento indispensável para o alcance do desenvolvimento sustentável, notadamente nos países em desenvolvimento.

       Conforme mencionado Plano de Johannesburg (pag. 03), embora se reconheça que cada país tem a responsabilidade de alcançar seu próprio desenvolvimento e a erradicação da pobreza, não se deve esquecer o papel importante das políticas e estratégias nacionais de desenvolvimento. Estas devem existir em todos os níveis e correlacionadas às metas e prazos acordados nas reuniões mundiais.

      Uma das principais e ousadas metas, acordadas nas reuniões mundiais e que o Brasil é signatário, é reduzir pela metade, até 2015 a proporção de pessoas cujo rendimento é inferior a 01 (um) dólar por dia e, também, a proporção de pessoas que sofrem de fome. Ressalta-se que o marco zero de informações deveria ser oriundo dos Relatórios produzidos, por cada país, para a 2ª. Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento e Meio Ambiente, a Rio92.

      Quanto ao cenário cearense, ao longo dos últimos 20 anos, e, conforme disse anteriormente, oriundo da interveniência de políticas públicas com viés ambiental, se alterou.

     Em 2012, o Ceará produziu um Relatório em cumprimento à demanda da Rio+20, no sentido de levantar informações a respeito dos avanços obtidos desde a Rio92 até os dias atuais, além das lacunas existentes e que necessitam de ações, com horizonte temporal de intervenção para os próximos 20 anos.

     Tive a honra de participar deste trabalho conjunto, árduo, profundo e extremamente gratificante; não apenas por conta das pessoas, dignas, competentes e compromissadas, que formavam o Grupo de Trabalho; mas, sobretudo pela experiência e oportunidade de aprendizado mútuo e constante.

     Um dos pontos importantes do Relatório do Ceará (Ceará Report) e que atende à Resolução 64/236, da ONU, concernente aos temas-foco da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (UNCSD, 2012), a chamada Rio+20, é o item “Avanços na redução da pobreza” (pag. 31).

     Conforme o Relatório do Ceará (2012), os indicadores socioeconômicos do Estado permitem visualizar avanços significativos na redução da pobreza nos diversos municípios, resultados da intervenção de políticas públicas orientadas com viés de sustentabilidade. As informações do relatório do Ceará (2012) são do IPECE (Instituto de Pesquisa e Estratégica Econômica do Ceará), apresentadas por ocasião da ICID+18 Ceará e complementadas, em alguns indicadores, com informações (quando disponíveis pelo IPECE) dos cenários no ano de 2010.

     Medeiros; Pinho Neto (2011) citados no Relatório do Ceará (2012) revelam que o Ceará possui elevada proporção de sua população com rendimento mensal domiciliar per capita de até R$70,00, sendo essa a linha de extrema pobreza ou miséria adotada pelo Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) em 2011.

     Ainda conforme os autores supracitados, cuja informação está no Relatório do Ceará (2012), são três os resultados da análise realizada nos municípios cearenses:

1) existem grandes disparidades municipais relacionadas à miséria;

2) há uma dependência espacial no tocante a proporção de pessoas em situação de extrema pobreza, ou seja, municípios com altas taxas de miséria são cercados por municípios com altos valores desse índice e municípios com baixas taxas encontram-se circunvizinhos a outros municípios na mesma situação;

3) os modelos econométricos evidenciaram que variações positivas na renda per capita, na infraestrutura domiciliar e no nível de empregos formais tendem a resultar em variações negativas na taxa de extrema pobreza, enquanto que variações positivas da taxa de analfabetismo e da taxa de dependência podem aumentar o contingente populacional de miseráveis dos municípios.

     Caros leitores do Blog Verde, traremos em outro “post” os cenários cearenses (em mapas) com análise temporal e com um pouco mais de detalhes.

     Ahh! Não esqueçam! Amanhã é um dia muito importante para todos. Amanhã é o dia em que temos a responsabilidade de elegermos os chefes do poder executivo de governos locais (municípios). Muito já escrevemos aqui neste Blog Verde sobre o papel e importância dos governos locais e, também, da participação ativa da sociedade civil nos processos decisórios.

     Boa sorte! Boas escolhas! Que o resultado das urnas de todos os governos locais (municípios) do nosso querido País se traduza nas opções que incorporem, efetivamente, os anseios da sociedade civil e que produzam oportunidades de prudência ecológica e equidade social.

Publicidade

Extrema pobreza – análise do cenário cearense (parte 1)

Por Nájila Cabral em Desenvolvimento Sustentável, Meio Ambiente

05 de outubro de 2012

     Ao ler a notícia de que mais de 800 mil cearenses ainda vivem na extrema pobreza, fico com um sentimento de que, ainda, falta fazermos muito para se reverter esse quadro perverso e inconcebível.

     Gostaria de voltar um pouco no tempo e chegarmos ao ano de 1991, quando o Brasil se preparava para sediar a 2ª. Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a chamada Rio 92. O Relatório do Brasil para a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, publicado pela Presidência da República (1991) trazia, em sua página 151, elementos para uma estratégia de desenvolvimento sustentável. Importante recordar que, naquele momento e conjuntura mundial, os países foram apresentados ao conceito de desenvolvimento sustentável e o desafio para operacionalizar este conceito foi lançado na Rio92.

     Dentre os principais desafios colocados pelo Relatório do Brasil (1991) estava a superação da pobreza. À época, o País estava imerso em uma crise econômica de dimensões profundas, com uma herança de desigualdades sociais (alicerçada na má distribuição de renda), além da base educacional precária. O Relatório do Brasil (1991) apontava três direções:

1) Quaisquer que fossem os diagnósticos para fundamentarem as propostas de política econômica deveriam examinar as diferentes opções econômicas globais propostas para a superação dos problemas e suas implicações frente aos objetivos de equidade social e diminuição da pobreza;

2) desenvolvimento social não se confundia com política social. As políticas sociais deveriam propor algo mais do que a diminuição da pobreza; e

3) a reforma das organizações e dos programas da área social constituíam tarefa prioritária e de grande impacto a longo prazo; inclusive com modificação da distribuição do gasto público nas suas bases e redirecionamento de programas sociais para os grupos mais vulneráveis.

     No Ceará, nesta época (década de 1990), houve, no meu ponto de vista, importantes avanços de políticas públicas concernentes à área ambiental que favoreceram alguns avanços na redução da pobreza e da extrema pobreza em nosso Estado. Foi nesta década que foram instituídas a Política Estadual de Recursos Hídricos (em 1992 – a primeira do País, revogada por nova edição de lei estadual em 2010), o Plano de Desenvolvimento Sustentável do Ceará 1995-1998 (em 1995, o primeiro a ser instituído no País), o Plano de Desenvolvimento Turístico do Ceará 1995-2015 (em 1995); a Política Estratégica de Desenvolvimento Sustentável do Ceará 1995-2020 (em 1995); a Política Florestal do estado do Ceará (em 1995); o Programa de Educação Ambiental do Ceará (em 1997); e Turismo: uma política estratégica para o desenvolvimento sustentável 1995-2020 (em 1998).

     Uma curiosidade que poucos sabem é que Maurice Strong foi consultor no Ceará e auxiliou na elaboração das políticas, planos e programas nesta época. Sim, Maurice Strong, o precursor do ecodesenvolvimento e do desenvolvimento sustentável. O mesmo que presidiu a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, de Estocolmo/Suécia, em 1972, e que presidiu a Rio92, aqui no Brasil.

     Neste contexto de desafio, de mudanças, de construção de novos paradigmas, de rearranjos institucionais, o cenário cearense, concernente aos avanços da redução de pobreza, vai se modificando, resultado; creio eu, da intervenção de políticas públicas orientadas com viés de sustentabilidade.

Publicidade

Extrema pobreza – análise do cenário cearense (parte 1)

Por Nájila Cabral em Desenvolvimento Sustentável, Meio Ambiente

05 de outubro de 2012

     Ao ler a notícia de que mais de 800 mil cearenses ainda vivem na extrema pobreza, fico com um sentimento de que, ainda, falta fazermos muito para se reverter esse quadro perverso e inconcebível.

     Gostaria de voltar um pouco no tempo e chegarmos ao ano de 1991, quando o Brasil se preparava para sediar a 2ª. Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a chamada Rio 92. O Relatório do Brasil para a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, publicado pela Presidência da República (1991) trazia, em sua página 151, elementos para uma estratégia de desenvolvimento sustentável. Importante recordar que, naquele momento e conjuntura mundial, os países foram apresentados ao conceito de desenvolvimento sustentável e o desafio para operacionalizar este conceito foi lançado na Rio92.

     Dentre os principais desafios colocados pelo Relatório do Brasil (1991) estava a superação da pobreza. À época, o País estava imerso em uma crise econômica de dimensões profundas, com uma herança de desigualdades sociais (alicerçada na má distribuição de renda), além da base educacional precária. O Relatório do Brasil (1991) apontava três direções:

1) Quaisquer que fossem os diagnósticos para fundamentarem as propostas de política econômica deveriam examinar as diferentes opções econômicas globais propostas para a superação dos problemas e suas implicações frente aos objetivos de equidade social e diminuição da pobreza;

2) desenvolvimento social não se confundia com política social. As políticas sociais deveriam propor algo mais do que a diminuição da pobreza; e

3) a reforma das organizações e dos programas da área social constituíam tarefa prioritária e de grande impacto a longo prazo; inclusive com modificação da distribuição do gasto público nas suas bases e redirecionamento de programas sociais para os grupos mais vulneráveis.

     No Ceará, nesta época (década de 1990), houve, no meu ponto de vista, importantes avanços de políticas públicas concernentes à área ambiental que favoreceram alguns avanços na redução da pobreza e da extrema pobreza em nosso Estado. Foi nesta década que foram instituídas a Política Estadual de Recursos Hídricos (em 1992 – a primeira do País, revogada por nova edição de lei estadual em 2010), o Plano de Desenvolvimento Sustentável do Ceará 1995-1998 (em 1995, o primeiro a ser instituído no País), o Plano de Desenvolvimento Turístico do Ceará 1995-2015 (em 1995); a Política Estratégica de Desenvolvimento Sustentável do Ceará 1995-2020 (em 1995); a Política Florestal do estado do Ceará (em 1995); o Programa de Educação Ambiental do Ceará (em 1997); e Turismo: uma política estratégica para o desenvolvimento sustentável 1995-2020 (em 1998).

     Uma curiosidade que poucos sabem é que Maurice Strong foi consultor no Ceará e auxiliou na elaboração das políticas, planos e programas nesta época. Sim, Maurice Strong, o precursor do ecodesenvolvimento e do desenvolvimento sustentável. O mesmo que presidiu a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, de Estocolmo/Suécia, em 1972, e que presidiu a Rio92, aqui no Brasil.

     Neste contexto de desafio, de mudanças, de construção de novos paradigmas, de rearranjos institucionais, o cenário cearense, concernente aos avanços da redução de pobreza, vai se modificando, resultado; creio eu, da intervenção de políticas públicas orientadas com viés de sustentabilidade.