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A volta da boemia

por Mayara Kiwi

totonho e os cabra

“Cada show que eu faço é uma tesourada no juízo”, diz Totonho em sua segunda vinda a Fortaleza.

Por Mayara Kiwi em Diversão e cultura

07 de agosto de 2017

O final de semana foi cheio de encontros calorosos e música boa.  A volta da Boemia,  como era de se esperar, foi ao Amici’s bar prestigiar o trabalho de duas bandas incríveis, que além de colocar todo mundo pra dançar, levantam várias reflexões importantes sobre o momento em que vivemos, nos conduzindo a um entendimento totalmente diferenciado e não obvio, sobre tudo que nos rodeia. Aproveitamos então, para contar pra vocês um pouco sobre Emerson Bastos e o Jardim de acordes e sobre a banda paraibana Totonho e os Cabra.

Foto: Willian Ferreira

Foto: Willian Ferreira

Emerson Bastos e o Jardim de Acordes é uma banda totalmente lúdica, cheia de encantamentos, poesia e critica. É rica em pluralidade sonora e com certeza já arrancou ou vai acabar te arrancando algum suspiro ou pensamento inesperado e totalmente fora da caixa. Trata-se de um espetáculo completo, conduzido por artistas que se mostram muito felizes por fazer o que se propõe e isso é um diferencial visível, que faz com que o público se sinta parte do show, dando-lhes a sensação de estar também em cima do palco, celebrando e fazendo parte de uma grande festa. “Relacionamentos Afetivos Romanticamente Políticos” é um show e também um álbum, que nasce com o intuito de questionar os arcaicos costumes da sociedade moderna, chamando atenção para si através de uma estética afável, porém, contendo uma sútil provocação e um convite a subversão do status quo.

Foto: Willian Ferreira

Foto: Willian Ferreira


Para conhecer o som da banda:

 

Totonho e os Cabra (PB) 

Foto: A volta Da Boemia

Foto: A volta Da Boemia

É uma daquelas bandas que tem uma chama a mais e que se espalha feito brasa atingindo o coração de quem se aproxima. Uns chamam de feeling, outros atribuem ao bom introrsamento dos músicos, mas o que realmente importa, é que é tudo tão envolvente, que você não quer sair de perto, porque sabe que algo está prestes a acontecer. É poesia regional, com um som provocante, marcado por uma narrativa que nos aproxima da banda e faz entender que tem sim, gente nesse mundo. O som é tão refrescante quanto um banho de mar, no calor do meio dia, de um céu sem nuvem. Música pra dançar, cantar de olho fechado, pular e sair de alma renovada.

Foto: A volta Da Boemia

Foto: A volta Da Boemia

Batemos um papo com Totonho, que nos contou um pouco sobre suas passagens pelo Ceará e motivações. Confira:

A Volta Da Boemia: Essa é a segunda vez que vocês tocam na capital. Além de Fortaleza, vocês já fizeram alguma passagem por outros cantos do Ceará?

Totonho: A primeira vez que toquei em Fortaleza foi no ano passado, no interior já toco a muito tempo. No Crato, Barbalha, Nova Olinda… Em fortaleza é a segunda vez, mas é um lugar que gostaria de sempre ter vindo. É a esquina do oceano,  um lugar importante pra música popular brasileira e esse lugar saber que você existe, é um marco pra quem é compositor no nordeste, isso é indiscutível. Eu fico cada vez mais feliz quando as pessoas fazem um esforço descomunal pra levar uma música, que é fora do eixo, fora do sistema geral, pra ocupar os espaços, como nós ocupamos. Música e arte, são pra tirar as coisas do lugar, sabe?!

A Volta Da Boemia: As duas faces, do artista e da pessoa antes mesmo de ser artista, em algum momento se confundem?

Totonho: A música não é só sobre ganhar o dinheiro, que vai te sustentar, eu não sou artista 24h por dia, eu tenho muitas outras coisas pra fazer na minha vida, sou artista quando eu estou no palco, quando eu to componho, quando faço música, depois disso, eu sou um cidadão comum e tenho muita responsabilidades e deveres como qualquer outra pessoa.

A Volta Da Boemia:  Existiu um instante em que ficou claro o seu papel com artista?

Totonho: Aconteceu algo muito incrível comigo, eu fui compositor durante 7 anos, em João Pessoa, depois disso eu me formei em pedagogia, fui morar no Rio e  fui parar na sala de aula, porque me bateu uma crise, achando que o Brasil precisava mais de professores, do que de artistas. O brasil tem artista pra caral***. Eu passei 15 anos em sala de aula, até que Geraldo Azevedo, que era presidente da ONG, exigiu que eu fosse embora, que eu fosse correr atrás da minha música. Ele me incentivou e eu fui. O significado é um pouco disso, de que arte também é pra educar, no contexto que eu entendo, como Chico Science também entendeu. Acho que a música nordestina tem que vir com uma responsabilidade e não só fazer poesia ou fazer graça com as questões sociais. Precisa ser um pouco atuante. O que eu faço hoje em dia é uma obra de arte de resistência, em que me caiba e caiba a minha diferença e a de todos.

A Volta Da Boemia: O que guia o seu pensamento e ativismo?

Totonho:
Acho que a sociedade precisa de pessoas, que possam ajudar o povo estranho que somos e que também possam ajudar a conduzir, nos caminhos tortuosos, que a gente sempre escolhe. A arte serve pra isso, pra tirar as coisas do lugar, tirar o olhar olhar central e trazer pra periferia dos assuntos. A paixão é porra nenhuma, foda é a periferia da paixão. Cada pequeno show que eu faço é uma tesourada no juízo.

A Volta Da Boemia: Você acredita na música como algo descentralizado, né?! Fala um pouco sobre a proposta de deixar suas músicas à disposição de outros artistas. 

Totonho: Eu sou um dos poucos artistas brasileiros que trabalha com o modelo Creative Commons. Qualquer pessoa pode pegar minha música e colocar outra melodia, qualquer pessoa pode pegar minha melodia e colocar outra letra, pode pegar minha letra e colocar outras partes. A única coisa que não pode, é dizer que eu não tenho nada a ver com isso. Eu tenho coragem, porque eu tenho obra e obra é pra ser mexida, não é pra servir como forma de encantamento. Tem que bulir com as mãos, se não ela fica uma coisa sonsa, de indústria, coisa de pessoas que acham que a selfie é mais importante do que o som.


Para conhecer o som da banda:

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“Cada show que eu faço é uma tesourada no juízo”, diz Totonho em sua segunda vinda a Fortaleza.

Por Mayara Kiwi em Diversão e cultura

07 de agosto de 2017

O final de semana foi cheio de encontros calorosos e música boa.  A volta da Boemia,  como era de se esperar, foi ao Amici’s bar prestigiar o trabalho de duas bandas incríveis, que além de colocar todo mundo pra dançar, levantam várias reflexões importantes sobre o momento em que vivemos, nos conduzindo a um entendimento totalmente diferenciado e não obvio, sobre tudo que nos rodeia. Aproveitamos então, para contar pra vocês um pouco sobre Emerson Bastos e o Jardim de acordes e sobre a banda paraibana Totonho e os Cabra.

Foto: Willian Ferreira

Foto: Willian Ferreira

Emerson Bastos e o Jardim de Acordes é uma banda totalmente lúdica, cheia de encantamentos, poesia e critica. É rica em pluralidade sonora e com certeza já arrancou ou vai acabar te arrancando algum suspiro ou pensamento inesperado e totalmente fora da caixa. Trata-se de um espetáculo completo, conduzido por artistas que se mostram muito felizes por fazer o que se propõe e isso é um diferencial visível, que faz com que o público se sinta parte do show, dando-lhes a sensação de estar também em cima do palco, celebrando e fazendo parte de uma grande festa. “Relacionamentos Afetivos Romanticamente Políticos” é um show e também um álbum, que nasce com o intuito de questionar os arcaicos costumes da sociedade moderna, chamando atenção para si através de uma estética afável, porém, contendo uma sútil provocação e um convite a subversão do status quo.

Foto: Willian Ferreira

Foto: Willian Ferreira


Para conhecer o som da banda:

 

Totonho e os Cabra (PB) 

Foto: A volta Da Boemia

Foto: A volta Da Boemia

É uma daquelas bandas que tem uma chama a mais e que se espalha feito brasa atingindo o coração de quem se aproxima. Uns chamam de feeling, outros atribuem ao bom introrsamento dos músicos, mas o que realmente importa, é que é tudo tão envolvente, que você não quer sair de perto, porque sabe que algo está prestes a acontecer. É poesia regional, com um som provocante, marcado por uma narrativa que nos aproxima da banda e faz entender que tem sim, gente nesse mundo. O som é tão refrescante quanto um banho de mar, no calor do meio dia, de um céu sem nuvem. Música pra dançar, cantar de olho fechado, pular e sair de alma renovada.

Foto: A volta Da Boemia

Foto: A volta Da Boemia

Batemos um papo com Totonho, que nos contou um pouco sobre suas passagens pelo Ceará e motivações. Confira:

A Volta Da Boemia: Essa é a segunda vez que vocês tocam na capital. Além de Fortaleza, vocês já fizeram alguma passagem por outros cantos do Ceará?

Totonho: A primeira vez que toquei em Fortaleza foi no ano passado, no interior já toco a muito tempo. No Crato, Barbalha, Nova Olinda… Em fortaleza é a segunda vez, mas é um lugar que gostaria de sempre ter vindo. É a esquina do oceano,  um lugar importante pra música popular brasileira e esse lugar saber que você existe, é um marco pra quem é compositor no nordeste, isso é indiscutível. Eu fico cada vez mais feliz quando as pessoas fazem um esforço descomunal pra levar uma música, que é fora do eixo, fora do sistema geral, pra ocupar os espaços, como nós ocupamos. Música e arte, são pra tirar as coisas do lugar, sabe?!

A Volta Da Boemia: As duas faces, do artista e da pessoa antes mesmo de ser artista, em algum momento se confundem?

Totonho: A música não é só sobre ganhar o dinheiro, que vai te sustentar, eu não sou artista 24h por dia, eu tenho muitas outras coisas pra fazer na minha vida, sou artista quando eu estou no palco, quando eu to componho, quando faço música, depois disso, eu sou um cidadão comum e tenho muita responsabilidades e deveres como qualquer outra pessoa.

A Volta Da Boemia:  Existiu um instante em que ficou claro o seu papel com artista?

Totonho: Aconteceu algo muito incrível comigo, eu fui compositor durante 7 anos, em João Pessoa, depois disso eu me formei em pedagogia, fui morar no Rio e  fui parar na sala de aula, porque me bateu uma crise, achando que o Brasil precisava mais de professores, do que de artistas. O brasil tem artista pra caral***. Eu passei 15 anos em sala de aula, até que Geraldo Azevedo, que era presidente da ONG, exigiu que eu fosse embora, que eu fosse correr atrás da minha música. Ele me incentivou e eu fui. O significado é um pouco disso, de que arte também é pra educar, no contexto que eu entendo, como Chico Science também entendeu. Acho que a música nordestina tem que vir com uma responsabilidade e não só fazer poesia ou fazer graça com as questões sociais. Precisa ser um pouco atuante. O que eu faço hoje em dia é uma obra de arte de resistência, em que me caiba e caiba a minha diferença e a de todos.

A Volta Da Boemia: O que guia o seu pensamento e ativismo?

Totonho:
Acho que a sociedade precisa de pessoas, que possam ajudar o povo estranho que somos e que também possam ajudar a conduzir, nos caminhos tortuosos, que a gente sempre escolhe. A arte serve pra isso, pra tirar as coisas do lugar, tirar o olhar olhar central e trazer pra periferia dos assuntos. A paixão é porra nenhuma, foda é a periferia da paixão. Cada pequeno show que eu faço é uma tesourada no juízo.

A Volta Da Boemia: Você acredita na música como algo descentralizado, né?! Fala um pouco sobre a proposta de deixar suas músicas à disposição de outros artistas. 

Totonho: Eu sou um dos poucos artistas brasileiros que trabalha com o modelo Creative Commons. Qualquer pessoa pode pegar minha música e colocar outra melodia, qualquer pessoa pode pegar minha melodia e colocar outra letra, pode pegar minha letra e colocar outras partes. A única coisa que não pode, é dizer que eu não tenho nada a ver com isso. Eu tenho coragem, porque eu tenho obra e obra é pra ser mexida, não é pra servir como forma de encantamento. Tem que bulir com as mãos, se não ela fica uma coisa sonsa, de indústria, coisa de pessoas que acham que a selfie é mais importante do que o som.


Para conhecer o som da banda: